• Nenhum resultado encontrado

Fladiana se apresenta com o Quarteto Jazzeera. Adelson Viana

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Fladiana se apresenta com o Quarteto Jazzeera. Adelson Viana"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

FORTALEZA - CEARÁ,TERÇA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2021

www.opovo.com.br/vidaearte [email protected] | 3255 61 37

A serra de Guaramiranga é o destino certo para quem busca aproveitar boa música fora do ritmo da Capital. Há mais de vinte anos, o município é palco para o tradicional Festival Jazz & Blues - habitualmente reali-zado como uma programação alternativa na época de Carna-val - e recebe grandes nomes artísticos. Em 2022, a segunda temporada da 22ª edição re-torna em formato presencial nos dias 17 e 18 de setembro como o primeiro evento-teste de música do Ceará.

“É um grande desafio cum-prir os protocolos e manter o interesse do público dian-te das condições necessárias para estar no Festival”, explica a diretora Maria Amélia Ma-mede. A iniciativa, aprovada pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria

A VOLTA DO

JAZZ & BLUES

| GUARAMIRANGA|

A 22ª edição do

Festival Jazz &

Blues marca o

primeiro

evento-teste de música

no Ceará

da Saúde e da Secretaria da Cultura, buscou novas formas para tornar este momento possível. A área da plateia na Cidade Jazz & Blues ficará ao ar livre, descoberta, e não ha-verá praça de alimentação. O público presente deverá ter tomado, obrigatoriamente, as duas doses ou a dose única da vacina contra Covid-19 e ser negativado em teste de coro-navírus realizado entre 48 e 24 horas antes dos shows, que acontecem sempre a partir das 19h30min, com transmis-são ao vivo no Youtube.

O jornalista e diretor artís-tico Dalwton Moura acompa-nha o Jazz & Blues há 20 anos entre diferentes funções. Ele já atuou como repórter, crítico de música e produtor dos sho-ws, para mencionar algumas. “O Festival tem uma grande importância quando a gente pensa na originalidade com que ele surgiu. Na época, ele ajudou a capturar e a impul-sionar a música instrumental brasileira, de compositores cearenses, além de ser refe-rência no calendário nacional. É o festival mais antigo nesse gênero a continuar existindo no Brasil”, explica.

Operar em tempos de pan-demia é “um privilégio e uma responsabilidade”. Por um lado, o diretor artístico ressal-ta a emoção de poder volressal-tar a vivenciar os shows em um for-mato que não seja por meio de

uma tela virtual. Entretanto, ele lembra que “o cuidado com a saúde, com a vida, tem que sempre estar neste primei-ro lugar” e que é uma missão de responsabilidade de todos. “Seguir as medidas, os cuida-dos, pode ter desdobramentos e estratégias para que eventos presenciais possam voltar em números maiores com cidada-nia”, orienta.

Dalwton relata que houve a decisão de contemplar exclu-sivamente músicos cearen-ses na programação por ser viabilizada em porte menor. “Principalmente pela questão estética, pela música que eles representam, mas também pela prevenção contra a Co-vid-19. Buscamos evitar via-gem de avião, exposição em hotel”, comenta. Outra cautela foi trazer representações de diferentes timbres e propos-tas. “No geral, houve um cui-dado para se trabalhar com formações enxutas, para con-tribuir com menos gente em trânsito”, complementa.

Após a seleção, o repertório ficou por conta de Fladiana & Quarteto Jazzera, represen-tantes da geração de músicos de Guaramiranga influencia-da pelo Jazz & Blues; o trom-bonista Rômulo Santiago com o “Tributo a Raul de Souza”; o cantor Marcos Lessa com o show “Nature Boy - Tribu-to a Nat King Cole”; a canTribu-to- canto-ra Idilva Germano; o pianista

Fladiana se apresenta com o Quarteto Jazzeera Liana Fonteles

Marcos Lessa

Nonato Lima Ricardo Bacelar

Rômulo Santiago Thiago Nogueira

Zé do Norte Giorgi Gelashivili Adelson Viana

LARA MONTEZUMA

[email protected]

ESPECIAL PARA O POVO

Ricardo Bacelar e os sanfo-neiros Adelson Viana, Nonato Lima e Zé do Norte, que en-cerram com “Sanfona Jazz”, show concebido especialmen-te para esta edição.

Em paralelo aos shows na Cidade Jazz & Blues, aconte-cerá uma programação em homenagem ao compositor, pianista e regente Alberto Ne-pomuceno, feita por artistas como Hermano Faltz, Giorgi Gelashvill e Liana Fonteles. As igrejas Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora de Lourdes, espaços históricos e turísticos de Guaramiran-ga, estarão disponíveis para o acesso de 30 pessoas. Os reci-tais serão exibidos no Youtu-be logo depois do fim de cada apresentação.

O cantor Marcos Lessa, uma das atrações da primeira noite, enxerga este momento como a realização de um so-nho. “Durante um ano e meio, voltar a cantar virou um sonho de novo, esse mercado das li-ves deixou a gente com mui-tas saudades do público e fez a gente entender que a magia da música, para se concreti-zar, é fundamental a presen-ça humana. Estou muito feliz, principalmente por ser o Jazz & Blues”, declara.

Marcos tem uma longa li-gação com o Festival. Acom-panhou por anos de sua adolescência como parte da plateia e depois ingressou

com a música na programa-ção de outras edições. Para o tributo a Nat King Cole, um dos maiores intérpretes bra-sileiros na visão do artista, ele pesquisou a carreira do norte-americano e preparou um repertório de cinquenta minutos com os clássicos. “O Nat King Cole também tem uma passagem com o Brasil, a América Latina. Vamos fazer um bloco com quatro canções brasileiras, sempre gosto de incluir algo”, adianta.

22º Festival Jazz &

Blues Ceará - Segunda

Temporada

Quando: 17 e 18 de setembro

de 2021

Onde: na Cidade Jazz & Blues,

em Guaramiranga, ou em transmissão ao vivo pelo you-tube.com/jazzebluesce

Quanto: Gratuito

Mais informações:

jazze-blues.com.br

Os ingressos para o evento estão esgotados.

(2)

VIDA&ARTE

FORTALEZA - CE, TERÇA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2021

􀣥

FLÁVIO PAIVA*

[email protected] www.flaviopaiva.com.br *ESCREVE ÀS TERÇAS C O N F I R A E STA E O U T R A S C O LU N A S E M W W W. O P O V O . C O M . B R / C O LU N A S

O SEBASTIANISMO

FOI UM FENÔMENO

CRIADO POR UM

PÂNICO COLETIVO

PATRIOTA QUE

TEMIA O DOMÍNIO

DE PORTUGAL

PELA ESPANHA

Viagem à Pedra do Reino

Os lugares especiais tornam-se ainda mais es-peciais quando visitados juntamente com as pes-soas certas. Assim, conheci a Pedra do Reino, mo-numento natural e cultural do sertão nordestino, na companhia do pesquisador Valdir Nogueira, diretor de cultura de São José do Belmonte, cida-de pernambucana localizada a 124 quilômetros cida-de Juazeiro do Padre Cícero.

Ao lado da força estética dos dois monólitos pa-ralelos com mais de trinta metros de altura, Valdir contextualiza uma história de imolações decor-rente do delírio messiânico português, conhecido como sebastianismo, espalhada pelos rincões da caatinga do Brasil colonial por meio da oralidade mística e do romanceiro alegórico popular.

O sebastianismo foi um fenômeno criado por um pânico coletivo patriota que temia o domínio de Portugal pela Espanha. O rei dom Sebastião (1554 – 1578), seria a esperança, mas desapareceu jovem em batalhas contra os mouros em terras marro-quinas. Alucinados, os povos dos domínios lusita-nos passaram a acreditar que ele retornaria para promover justiça e prosperidade aos que por ele fossem sacrificados.

El-Rei Dom Sebastião estaria encantado entre aquelas pedras da Serra do Catolé, e, para quebrar o encanto, elas deveriam ser lavadas por sangue; crença que se transformou em efusiva desventura de sonhos aloucados e matanças reais e imaginá-rias. O ar de templo do local foi configurado pelo escritor Ariano Suassuna, que estruturou um cír-culo de totens arquetípicos da sua visão armorial e o chamou de “Ilumiara”.

Menções aos rochedos gêmeos do sertão do Pajeú e suas salas enigmáticas aparecem em “Os Sertões”, de Euclides da Cunha (1866 – 1909), em “Pedra Bonita”, de José Lins do Rego (1901 – 1957) e em “O Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta”, de Ariano Suassuna (1927 – 2014), o mais inflamado entusiasta dessas mani-festações movidas pelo divino e pelo diabólico em fantasias medievais.

A cada mês de maio, muitas pessoas se reúnem na cidade de São José do Belmonte para ressignifi-car esse drama de folheto, inclusive com uma ca-valgada pela estrada de 38 km que une a cidade ao monumento. Ao longo do ano, há quem procure a Pedra do Reino para meditar, orar, transcender e

tentar entender a farsa de um país salvo pela lite-ratura, porém condenado porque não lê. O tempo da cultura transforma até a barbárie em purifica-ção, hospitalidade e leveza.

A Pedra do Reino pode ter sido religião, aluci-nação e transferência de destempero social, mas sua força de permanência e grandiosidade está na fabulação lusitana e luzidia, mourisca e tapuia de contadores e cantadores errantes, que conversam com lagartixas, cobras, urubus e nuvens curiosas que passam lentamente espiando os movimentos da crônica de almanaque.

A visita à Pedra do Reino pode ser adornada pela culinária primorosa da dona Quininha, onde almoçamos galinha com guandu verde e outras delícias do sertão. O restaurante de taipa, coberto de palha, tem janelas e portas pintadas pelo artista de rua recifense Manoel Quitério, e é frequentado também pelos animais domésticos. Na ocasião, o Valdir perguntou pelo José, um querido filhote de criação que sempre estava por ali. Dona Quininha, comovida, informou que ele já estava na idade de se comer e foi trocado na vizinhança, pois era mui-to de casa para ser comido naquelas mesas.

Amy Winehouse completaria 38 anos hoje, 14 de setembro. Na foto de 29 de junho de 2007, a cantora britânica se apresenta no palco durante o Eurockeennes Music Festival em Belfort JEFF P A CHOUD / AFP Erivan Produtos do Morro produz trabalhos de novos talentos do rap, com seu estúdio e selo Produtos do Morro Rec

O

MELHOR

DA A G E N DA C U LT U R A L

Q U E R D I V U L GA R S E U E V E N T O ? M I G U E L A R AUJ O @ O P O V O . C O M . B R

LANÇAMENTO

ERIVAN PRODUTOS

DO MORRO

DAVI CARTAXO ACORDES DO AMANHÃ

O cantor e compositor cearense Davi Cartaxo apresenta o single “Um Pouco Mais”, nas plataformas digitais de música. Com sonoridade entre o pop e a mpb, a canção tem a participação da cantora cearense Hannah Montenegro. O trabalho integra o primeiro álbum de Davi, que será lançado em breve.

Onde: Spotify, Apple Music, Deezer e Tidal

O Festival Acordes do Amanhã segue com sua programação de música on-line. O rapper Erivan Produtos do Morro é o destaque de hoje, 14.O artista se apresenta a partir das 19 horas, com transmissão pelo YouTube e pelo Instagram. Erivan é o responsável pelo selo Produtos do Morro Rec, estúdio especializado em rap, trap e funk que auxilia no gerenciamento de carreiras de diversos artistas da cena local.

Quando: hoje, 14, às 19 horas

Onde: Quitanda Soluções Criativas no

YouTube e @erivanprodutosdomorro no Instagram

Mais info: www.festivalacordesdoamanha.

com.br

INFORMAÇÕES SOBRE ATRAÇÕES, DATAS E HORÁRIOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DOS ORGANIZADORES DOS EVENTOS

HOMENAGEM A

AMY WINEHOUSE

EDITAL NATURA MUSICAL

DOCUMENTÁRIO

INCENTIVO

O Canal Bis realiza uma programação especial em homenagem à cantora e compositora Amy Winehouse (1983 - 2011). Hoje, 14, dia em que a artista faria aniversário, o canal exibe o documentário inédito “A Life in 10 Pictures: Amy Winehouse”. Na produção, amigos e familiares recordam a trajetória de Amy por meio de fotografias marcantes de sua breve vida. Com apenas dois álbuns, a cantora entrou para a história com sua personalidade e voz marcantes.

Quando: hoje, 14, às 22 horas Onde: Canal Bis

A plataforma Natura Musical está com inscrições abertas para projetos artísticos em busca de patrocínio em 2022. O Edital tem o objetivo de fomentar a cena cultural do País. As propostas podem ter diversos formatos, como álbum, show, turnê, clipes, festivas e mais. As inscrições acontecem até às 17 horas do dia 28/9.

Mais info: https://edital2021.naturamusical.art.br

KARINA BACCHI

MENU DEGUSTAÇÃO

PODCAST

GASTRONOMIA

A apresentadora, atriz e modelo Karina Bacchi comanda a partir de hoje, 14, o ‘’Positivamente Podcast’’. No podcast cristão, pessoas influentes refletem sobre a vida e contam sobre seu relacionamento com Deus. Já participaram do programa o jogador Kaká, a atriz Bruna Hamú e o apresentador Yudi Tamashiro. Na estreia, Karina recebe a ginasta Rebeca Andrade, medalhista olímpica em Tóquio 2020.

Onde: Spotify, Deezer, YouTube

O Restaurante Mangue Azul lança a experiência do menu degustação. Dois cardápios integram o novo serviço: “Sertão” (pratos com referência nesse bioma, como os insumos carneiro e mel de abelha) e “Mar” (frutos do mar, como lagosta, atum e ostra). Os menus, assinados pelo chef Marco Gil, estão disponíveis de terça a quinta-feira, com valor de R$ 275 por pessoa. O local funciona seguindo os protocolos sanitários contra a Covid-19.

Reservas: (85) 4042.3000 ou (85) 99679.1130 Mais info: www.mangueazul.com.br

Erivan Produtos do Morro produz trabalhos de novos talentos do rap, com seu estúdio e selo Produtos do Morro Rec

(3)

FORTALEZA - CE, TERÇA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2021

􀢭

&

LANÇAMENTO

DO R&B AO PAGODE

Liniker lança seu primeiro disco solo, “Índigo Borboleta Anil”, obra conectada com o presente - tanto em termos sonoros quanto em relação às ideias e aos sentimentos da cantora. Entretanto, os fios desse casulo foram trançados há mais de uma década, qua-se instintivamente, quando Liniker tinha 15 anos, muito antes de ela se tornar um ar-tista importante na cena pre-ta e LGBT+.

Trata-se da canção “Antes de Tudo”, a segunda das 11 faixas do disco. Na letra, ela fala em voar. Avisa que perdeu o medo da chuva e partirá em busca de uma vida que até então não a deixavam viver plenamente.

A dançante faixa, com o ca-racterístico groove da voz de Liniker, tem a participação da Orkestra Rumpilezz, com ar-ranjos de sopro, percussão e regência assinados por seu co-mandante, o maestro baiano Letieres Leite.

“Por ser um trabalho auto-ral, era natural que eu pegas-se uma composição antiga e a reformasse. Isso me dá uma sensação de liberdade artística. Era como se essa música esti-vesse em uma adega esperando o momento para tomar outro rumo”, diz Liniker, em entre-vista ao Estadão.

A escolha da requisitada banda Rumpilezz conecta Li-niker com antepassados re-cém-descobertos por ela. Em conversa recente com seu pai, a cantora descobriu que seu avô é de Casa Nova, no semiá-rido baiano. Tudo fez sentido.

Inclusive, segundo ela, a for-ma calorosa com que sempre é recebida na Bahia - e sua predileção por passar perío-dos de folga por lá.

Assim como “Antes de Tudo”, Liniker assina sozinha outras 8 canções do álbum. Outras duas ganham adesão de parceiros. Porém, sua marca como com-positora se impõe, por mais que nos discos que lançou ao lado dos Caramelows, projeto no qual ficou por cinco anos - “Cru”, “Goela Abaixo” e “Re-monta” - ela já tenha exercido essa função.

“Esse é diferente. É um lugar de maturidade. Em vez de can-tar para outros amores, nesse disco, canto o meu amor-pró-prio. É sobre mim. Ressignifi-quei minha escrita e encontrei outros caminhos para falar de afetos. Sou 100% eu, no agora. Estou feliz”, afirma.

Esse movimento fez com que Liniker também assumisse a produção do álbum, função que ela divide com Gustavo Ruiz e Júlio Fejuca - este último, com quem ela trabalha desde 2019, quando fizeram o single “Pre-sente” para o canal internacio-nal do YouTube A Colors Show, em um passo que a cantora deu para o seu trabalho ser conhe-cido no exterior.

Juntos, eles chegaram à sonoridade de “Índigo Borbo-leta Anil” que a cantora define como um disco de “preto”. Nele, há soul, R&B, hip-hop, sam-ba, samba-rock e pagode. “É um disco de música preta, da nossa cultura. Das coisas que sempre ouvi no meu quintal.

pelo caminho percorrido até chegar a esse primeiro tra-balho solo. “Eu grito vitória para que a gente não perca a esperança no futuro, sobretu-do pelo que estamos vivensobretu-do hoje. É um chamamento para nossa presença”, diz.

O disco traz ainda uma fai-xa bônus, Mel, que preserva algumas conversas de estú-dio, experimentação de so-noridades e Liniker se acom-panhando no violão. A canção mostra que, apesar de todo o caminho que o disco percorre, com múltiplas sonoridades, banda, orquestra, ele nasceu do contato íntimo de sua cria-dora com o instrumento.

Todo o processo levou, segundo Liniker, quase dois anos. Nesse período, que coincidiu também com o re-colhimento trazido pela pan-demia, tudo foi rearranjado. O lançamento foi adiado al-gumas vezes. “Esse tempo foi uma ferramenta imprescin-dível para o disco ser o que é. Um lugar de segurança em tempos tão inseguros”, defi-ne a cantora.

“Índigo Borboleta Anil” terá diferentes capas para cada pla-taforma digital. Liniker, por enquanto, não pretende levar o álbum para os palcos, mes-mo que isso já seja possível com restrições a serem cumpridas pelas casas de shows. Talvez ele seja apresentado em uma live. “Por enquanto, as pessoas podem dançar ouvindo-o em casa”, diz a cantora que apren-deu que o tempo é seu aliado.

(Agência Estado)

| MÚSICA |

Exaltando conexão com suas raízes baianas, cantora lança primeiro

disco solo, “Índigo Borboleta Anil”. Entre as parcerias, Milton Nascimento

O VOO DE

CAROLINE LIMA/DIVULG

A

ÇÃO

LINIKER

Fui entender a pluralidade desses ritmos e a quantidade de som que minha família me apresentou. Quero dançar em qualquer nota”, diz.

Para referências além da família, Liniker chamou para o disco o cantor e compositor Milton Nascimento. Ele parti-cipa da faixa “Lalange”, uma reflexão sobre a vida de crian-ças pretas a partir de sua his-tória pessoal e na omissão que resultou na morte do menino Miguel, de 5 anos, que caiu de um prédio no Recife, em 2020. Ou, como a cantora escreveu, o “menino que queria voar”. A letra nasceu de um sonho de Liniker que a levou de volta para a creche em que estudou, em Araraquara, cidade do in-terior de São Paulo, onde ela nasceu, há 26 anos.

“Essa música é como se eu devolvesse algo para essa

mãe. Não é a mesma coisa que seu filho, mas é chorar a dor junto com ela. “Lalange” é um ciclo. É algo que está no oní-rico, sobre uma criança que virou ancestral e com presen-ça de um ancestral vivo e pre-sente, que é o Milton”, explica Liniker, que cita o composi-tor como uma de suas maio-res referências artísticas, ao lado de nomes como Djavan, Elza Soares, Alcione, Aretha Franklin, Etta James, Beyon-cé, Itamar Assumpção, Raquel Virgínia e Iza.

Na faixa há a participação da Brasil Jazz Sinfônica, de São Paulo, com arranjos de cordas escritos pelo maestro Ruriá Duprat A orquestra ainda está presente em outras quatro fai-xas do álbum. Em uma delas, Lua de Fé, a solista escocesa Jennifer Campbell toca harpa.

Mais distante do lirismo, está “Baby 95”, que foi lançada como um dos singles do álbum - faixa assinada em parceria com Mahmundi, Tássia Reis e Tulipa Ruiz. Com letra que mistura versos em português e inglês, ela começa em rhy-thm and blues e, já na parte final, se encontra com o pago-de dos anos 1990.

Tássia e Tulipa também es-tão no samba-rock “Diz Quanto Custa”. A primeira, cantora de rap, em um solo. Já Tulipa está no coro da faixa que ainda tem samples do DJ Nyack.

Vitoriosa, um samba-en-redo com sotaque paulistano, também com adesão da Jazz Sinfônica, funciona como uma catarse da própria Liniker

Em vez de cantar

para outros

amores, nesse

disco, canto

o meu

amor-próprio.

É sobre mim”

LINIKER Cantora e compositora

Indigo Borboleta Anil

Disco já disponíveis nas plata-formas digitais de música

a cantora descobriu que seu avô é de Casa Nova, no semiá-rido baiano. Tudo fez sentido.

ba, samba-rock e pagode. “É um disco de música preta, da nossa cultura. Das coisas que sempre ouvi no meu quintal.

podem dançar ouvindo-o em casa”, diz a cantora que apren-deu que o tempo é seu aliado.

(Agência Estado)

terior de São Paulo, onde ela “Essa música é como se eu devolvesse algo para essa

redo com sotaque paulistano, também com adesão da Jazz Sinfônica, funciona como uma catarse da própria Liniker

(4)

VIDA&ARTE

FORTALEZA - CE, TERÇA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2021

􀏄

O que é e como jogar

1. O jogo é constituído de 81 quadrados numa grade de 9 x 9 quadrados, subdivivida em nove grades menores de 3 x 3 quadrados. 2. Cada fileira (vertical e horizontal) deverá conter números de 1 a 9. 3. Cada grade menor, de 3 x 3 quadrados, deverá conter números de 1 a 9.

4. Nas fileiras horizontais e verticais da grade maior, cada número deverá aparecer uma só vez.

SUDOKU

PALAVRAS CRUZADAS

23 DE SETEMBRO A 22 DE OUTUBRO 23 DE OUTUBRO A 21 DE NOVEMBRO 22 DE NOVEMBRO A 21 DE DEZEMBRO 21 DE JUNHO A 22 DE JULHO 23 DE JULHO A 22 DE AGOSTO 23 DE AGOSTO A 22 DE SETEMBRO

22 DE DEZEMBRO A 20 DE JANEIRO 21 DE JANEIRO A 19 DE FEVEREIRO 20 DE FEVEREIRO A 20 DE MARÇO 21 DE MARÇO A 20 DE ABRIL 21 DE ABRIL A 20 DE MAIO 21 DE MAIO A 20 DE JUNHO

Brincar

Os mundos de Liz.

DANIEL BRANDÃO

www.estudiodanielbrandao.com

As aventuras do grandiloquente DJ.

@albanoseletor

Entre as sarjetas.

ISE NISHI

@entreassarjetas

HORÓSCOPO PERSONARE

www.personare.com.br | [email protected]

PEIXES

AQUÁRIO

CAPRICÓRNIO

SAGITÁRIO

ESCORPIÃO

LIBRA

VIRGEM

LEÃO

CÂNCER

GÊMEOS

TOURO

ÁRIES

A Lua adentra o setor familiar e se harmoniza a Urano, deixando a rotina aprazível. O momento astrológico sugere aumento de discussões sobre as demandas. É preciso ter cuidado para evitar confl itos e tornar possível ideias que peçam cooperação, pois o referido astro quadra com Sol e Marte.

A Lua adentra o setor comunicativo e se harmoniza com Urano, favorecendo posturas amigáveis e

estimulantes. A Lua Crescente tensionada a Sol e Marte tende a pedir mais cautela quanto ao uso de recursos e diplomacia para evitar confl itos territoriais nas relações.

Procure exercitar a simpatia e a criatividade, valorizadas durante esta fase. A Lua Crescente em seu signo pode lhe fazer expandir seus interesses e a se mostrar mais independente, o que deve ser ajustado com o entorno a fi m de evitar confl itos, dada a tensão com Sol e Marte. Que tal motivar o entorno?

A gestão da rotina pode se mostrar estressante com a Lua Crescente tensionada a Sol e Marte, mas aos poucos as demandas ganham leveza e descontração, na medida em que a Lua se desloca para o setor de relacionamentos e forma trígono com Urano.

Talvez seja preciso

diversifi car sua convivência, já que a Lua adentra o setor cotidiano e se harmoniza a Urano. Os aspectos tensos que a Lua em estado crescente realiza com Sol e Marte podem ser socialmente desafi adores. Busque manter a discrição nas redes online e com o entorno imediato.

A Lua migra para o setor dos prazeres e forma trígono com Urano, promovendo despertar de ideias inovadoras. Os esforços em prol da vida familiar tendem a se elevar com a Lua Crescente, o que exige atenção para evitar desgaste, visto que o mencionado astro quadra com Sol e Marte.

Busque focar nas oportunidades que se vislumbram em sua vida, com a passagem da Lua para seu signo e o trígono com Urano. Tente encarar o dia de forma prazerosa. A ansiedade pode se elevar diante dos problemas com a Lua Crescente no setor de crise e em quadratura com Sol e Marte.

Tente encarar os desafi os como algo que liberta, visto que a Lua adentra a área de crise e se harmoniza com Urano. A Lua Crescente no setor de amizades tende a lhe impulsionar a se mostrar colaborativa, o que lhe rende estresse caso não haja limite, dada a tensão com Sol e Marte.

Procure motivar seus pares com ideias irreverentes e a colaboração virá, pois a Lua ingressa no setor de amizades e se harmoniza a Urano. O senso de responsabilidade pode se elevar com a Lua Crescente no setor do trabalho. Busque evitar cobranças ou fi car pressionando as pessoas. Procure ser prática e

valorizar ações inovadoras, pois a Lua ingressa no setor do trabalho e forma trígono com Urano. A Lua Crescente no setor espiritual pode intensifi car os processos refl exivos e indica excesso de especulações que prejudicam o dia a dia, devido à tensão com Sol e Marte.

Tente fl exibilizar o pensamento e se permitir outras experiências, já que a Lua adentra o setor espiritual e se harmoniza a Urano. A vida íntima pode lhe absorver, fazendo com que você dê muita atenção aos desafi os. Cuidado, pois isso tende a lhe render rompantes emotivos.

Busque encarar o convívio com descontração, dando valor às afi nidades e estimulando as pessoas, pois a Lua se harmoniza com Urano no circuito de crise. A Lua Crescente na casa dos relacionamentos mostra-se difícil ao compartilhamento do espaço íntimo, visto que quadra com Sol e Marte.

O SANTO

Exaltação da Santa Cruz

O ANJO

Iehuiah

A festa nasceu, em Jerusalém, nos primeiros séculos do Cristianismo. Começou a ser comemorada no aniversário do dia em que foi encontrada a cruz de Nosso Senhor. No começo do século VII, os persas saquearam Jerusalém, destruíram muitas basílicas e se apoderaram das sagradas relíquias da Santa Cruz que, um pouco mais tarde, seriam recuperados pelo imperador Heráclio. Conta uma tradição que,

quando o imperador, vestido com as insígnias da realeza, quis carregar pessoalmente o santo Madeiro até o Calvário, o seu peso foi-se tornando cada vez mais insuportável. Nesse momento, Zacarias, bispo de Jerusalém, fez-lhe ver que, para levar aos ombros a Santa Cruz, devia desfazer-se das insígnias imperiais. Heráclio vestiu, então, umas humildes roupas de peregrino e, descalço, pôde levar a Santa Cruz. O anjo que rege o dia 14 de Setembro é o anjo Iehuiah, da hierarquia angelical das potências. São os anjos guardiões dos animais. O Príncipe dessa categoria é o Arcanjo Camael ou Samuel. Ele (Samuel) estimula os seres humanos a agirem por meio da própria força de vontade e está disposto a nos fortalecer, para que possamos ser pessoas melhores e agirmos com mais eficácia.

(5)

FORTALEZA - CE, TERÇA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2021

􀎑

[email protected] | *ESTA COLUNA É PUBLICADA TODOS OS DIAS

CLÓVIS

HOLANDA

[email protected] | *ESTA COLUNA É PUBLICADA TODOS OS DIAS

HOLANDA

Pause O POVO

Acompanhe no Instagram da coluna mais fotos de eventos, personalidades, consumo e outras notícias. Acesse @pauseopovo.

PRESENÇAS E AFINS

Doses de sol, sal e mar para esquecer de (quase) tudo...

A máxima de que brasileiro não

tem um segundo de sossego segue cada vez mais pujante. Estava eu “domingando” com meu bom caranguejo (a comida mais feia e deliciosa do planeta) e uma verdinha bem gelada quando leio o seguinte...

Apoiadores do PR agradecendo,

nas redes sociais, a todos aqueles que não foram às manifestações do dia 12 numa demonstração de “apoio ao mandatário”. Valha...

Já os que foram, criticavam a

“neutralidade” de quem estava “na praia” ou se manifestou no formato “home office”. E os do campo da esquerda, que não aderiram ao movimento, condenavam quem estava na rua, em casa, nas redes, respirando, enfim... Tudo ao som da vitrola dos restôs cult-caros da moda, que eles adoram... 

Fiz o que? Desliguei o celular

e foquei naquele ritual de caça ao sabor entre patas e patolas... Alienação? Não! Redução de desperdícios mentais, digamos assim... Optei por um mergulho naquele transe “mar e sol” fazendo de conta que, nem que seja por milésimos de segundo, a conta do mês já estava paga...

Enquanto isso, em Icaraí de

Amontada, era grande o zunzum de aeronaves levando e trazendo poderosos, mais precisamente rumo à Casa de Pedra, o imóvel rústico-chique e com serviços deluxe, para locação, de Marcelo Quinderé. Eu chamo de Ilha de Caras do CE. 

A CEO da Mallory e cônsul da

Holanda no Ceará, Annette de Castro, o marido Marcos de Castro, cônsul da Suécia e da Noruega no Estado, juntamente com a filha Sasha Reeves e marido Raul Lira, e o filho Thomas Reeves com a namorada Munira Rocha, ciceroneavam amigos de longas datas por lá... 

A primeira a chegar foi a

fundadora e presidente da rede Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, que aproveitou a passagem antes pela Capital para conferir de perto a operação do hotel. Também na Cidade, teve almoço sobre o cenário do turismo com empresária Ivana Bezerra, presidente do Bureau Visite Ceará e do Hotel Sonata de Iracema, e com o jornalista Jocélio Leal, diretor de Jornalismo das Rádios do Grupo O POVO. 

De São Paulo direto para o

litoral oeste veio a midiática e influente Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza. Também no grupo,

empresária Sonia Hess e o marido, o “businessman” João Miranda de Souza Júnior, e ainda a alta executiva portuguesa Maria Fernanda Teixeira, conselheira de várias empresas e CEO de multinacionais. 

Além da veia empreendedora,

forte visão social une Annette, Chieko, Sônia e Maria Fernanda, todas líderes do Grupo

Mulheres do Brasil. A entidade da sociedade civil lança, hoje no Blue Tree Towers, o projeto “Vozes da Liberdade”, voltado a apoiar egressas do sistema prisional em processo de liberação e reinserção social. Esta é apenas uma das muitas iniciativas delas no Ceará.

VOLTANDO AO FIM DE SEMANA

NO PARAÍSO CEARENSE... Também estavam hospedados

na Casa de Pedra, João Fiúza Filho e Nathália. Chegaram pelos ares com o pai dele, o presidente da Diagonal, João Fiúza, que disponibilizou sua aeronave para os convidados transitarem.

Carta de vinhos generosa

e muitos frutos do mar compuseram o menu principal dos dias, com direito a  passeios de buggy, de barco pelo mangue do rio de Aracatiaçu, em Moitas, e banhos nas lagoas da região... 

Todos foram presenteados

com as exóticas plantas da Naturayo, pertencente ao grupo da família Reeves

de Castro e que vem se destacando no cenário internacional do paisagismo.

Carismática, leve e simples,

Luiza gravou um vídeo mostrando os mimos

cearenses que havia recebido e convidando seus seguidores a conhecerem as belezas daqui. Maior parte dos presentes retornou a Sampa no avião do Grupo Magalu para agenda de negócios, foi o caso de Sasha e Raul, envolvidos na inauguração da nova sede da Ayo Fitness, em 2022, na avenida Beira Mar.

Quem circulou na mesma

praia nestes dias foi a talentosa cantora Alice Caymmi, neta de Dorival

Caymmi, filha de Danilo e Simone Caymmi e sobrinha de Nana e Dori Caymmi. Ficou na Aloha Icaraizinho. 

MUDANDO DE PRAIA...  Passeou ainda por aqui

a famosa surfista Maya Gabeira, recordista mundial em grandes ondas e filha do jornalista, escritor e político Fernando Gabeira. Veio para praticar kitesurfe na praia do Preá, hospedada no disputado hotel Rancho do Peixe. 

É amigos... A Riviera do

Nordeste está - mesmo - com tudo... Seguem registros ensolarados... Amanhã eu volto...  Annette e Marcos de Castro com a família e as amigas convidadas

Passeio no mangue do rio Aracatiçu: Annette de Castro, Sônia Hess e Luiza Helena

Maria Fernanda Teixeira, Sonia Hess, João Fiúza e Luiza Helena Trajano

Cantora Alice Caymmi em Icaraizinho de Amontada

Chieko Aoki e jornalista Jocélio Leal, diretor de jornalismo das rádios do Grupo O POVO

Luiza Helena recebendo uma das plantas produzidas pela Naturayo, de Thomas Reeves Maya Gabeira veio ao Estado

praticar kitesurfe. Fez seu primeiro donwind com a supervisão de Guilly Brandão

Nathália e João Fiúza Filho, Sasha e Raul Lira Raul Lira e Sasha

Reeves Lira

Fabio Lima no Festival Interlude

Fabio Lima foi selecionado para o Interlude com a foto da peça “Os Sertões”, de Zé Celso Martinez

FÁBIO LIMA

| MOSTRA |

Fotógrafo do O POVO foi selecionado para evento que reúne artistas de 14 países

Fabio Lima, repórter foto-gráfico do O POVO, foi seleciona-do para o Festival Internacional de Fotografia Teatral Interlu-de. O evento tem como objeti-vo a pesquisa e visualização da ação teatral em palcos de tea-tros de todo o mundo. Fabio foi selecionado com a foto da peça “Os Sertões”, de Zé Celso Marti-nez, em Quixeramobim.

A exposição reúne fotogra-fias de espetáculos de rua e palcos acadêmicos, teatros de fantoches, teatros para crian-ças e estúdios experimentais. Os visitantes poderão confe-rir expressões artísticas de 14 países: Ucrânia, México, EUA, Finlândia, Polônia, Irã, Escó-cia, Filipinas, Brasil, República

Tcheca, Croácia, Sérvia, Bós-nia e Herzegovina.

“Quem viu a trupe de Os Ser-tões invadir em folia a praça de Quixeramobim não imaginava o quão mais intenso seriam os próximos dias naquela pacata cidade para quem se aventu-rasse a adentrar a estrutura metálica de andaimes cober-to por lona de vários andares erguida em um descampado na terra natal de Conselheiro. Ali, há quinze anos, acontecia a encenação da história fatídi-ca de Canudos. Foram 4 noites de 5 horas de espetáculo. O ar de mistério rodeava o lugar. Pessoas da cidade se aglome-ravam nas tábuas feitas de madeira enfileirando uma

ar-quibancada que margeavam o longo palco em dois lados e que atravessava a estrutura e se misturava com todo am-biente, inclusive quem estava ali assistindo de pertinho vez ou outra era convidado a par-ticipar da peça. Foram dias in-tensos de emoções arrancadas da pele”, relembra Fabio sobre o contexto por trás da foto.

O festival ainda inclui en-contros de arte, oficinas de fotografia, excursões e outros eventos. A galeria estará dis-ponível no site do “Interlu-de” até o dia 17 de setembro.

Nascido em São Paulo no ano de 1971, Fábio iniciou sua carreira no fotojornalismo em 1994. Veio para Fortaleza em

Festival Internacional

de Fotografia Teatral

“Interlude”

Quando: até o dia 17

de setembro

Onde: balabaiart.com/Interlude

1997, onde começou a trabalhar para o Jornal O POVO. Ao lon-go da carreira, cobriu eventos como o Festival de Cannes de filmes publicitários, as Olim-píadas de Sidney e, em 2014, a Copa do Mundo Fifa de futebol. Em 2020, venceu em primeiro lugar o Prêmio MPCE de Jor-nalismo na categoria de Foto-jornalismo. (Ana Flávia

(6)

VIDA&ARTE

FORTALEZA - CE, TERÇA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2021

􀠾

&

LITERATURA

UM COREANO EM

MINHA VIDA

De Katherine Laura Leighton Arcádia

433 páginas

Quanto: R$ 8 (e-book; gratuito no Kindle Unlimited) e R$ 63,90 (livro físico)

Onde comprar: Amazon, Grupo Editorial Arcádia,  Submarino e Mercado Livre.

Como seria introduzir em uma história choques en-tre mundos? Sim, no plural: o choque, por exemplo, en-tre duas culturas diferentes, e também o choque entre o mundo dos vivos e o dos mor-tos? No livro “Um Coreano em Minha Vida”, de Katherine Laura Leighton, as possibili-dades não se encerram nesses aspectos, mas se destacam neles. A obra apresenta re-flexões sobre a morte, novas roupagens para a necroman-cia e a figura do ceifador, lida com traumas e, em meio a todo esse cenário, consolida o romance entre uma brasileira e um sul-coreano.

No enredo da obra, o leitor se depara com o cruzamen-to de histórias entre a jovem paulistana Elleanor e o sul-coreano Park Jae Young. Os dois têm peculiaridades que marcam suas vidas: para a brasileira, a capacidade de se comunicar com pessoas que já faleceram; quanto a Park Jae Young, são destaques perdas que sofreu mesmo com tão pouca idade. Soma-se a esse último fator a necessidade de se acostumar com uma cultu-ra diferente da sua ao se mu-dar para o Brasil.

Eles se conhecem ainda na infância, ela com 5 anos de idade e ele com 9. Rapi-damente se tornam grandes amigos e, com o tempo, o ca-sal desenvolve uma forte rela-ção de amor. Entretanto, uma série de conflitos leva Park a voltar para sua terra natal. Enquanto a distância sepa-ra os protagonistas, Elleanor precisa aprender a lidar me-lhor com seus dons e, para isso, recebe a ajuda do ceifa-dor Gael - aqui, porém, sem o imaginário tradicional que cerca sua simbologia: em vez de foice e roupas pretas, uma versão mais “humanizada”.

A partir disso, Katherine Laura Leighton apresenta novas roupagens para “len-das comuns” da cultura sul-coreana, como histórias so-bre fantasmas e a figura do Ceifador. A escrita da autora leva ao leitor outras visões sobre a morte e traz o reen-contro entre os protagonis-tas após bastante tempo. Entretanto, muitas coisas mudaram desde então.

O desejo de desenvolver essa história está diretamen-te relacionado ao indiretamen-teresse da escritora pela cultura sul-coreana. Essa imersão data de há pelo menos três anos, em 2018, quando Leighton começou a buscar produções de romance romântico em serviços de streaming. Como já havia assistido a muitos filmes e séries ocidentais, decidiu diversificar seu con-sumo e encontrou a série chi-nesa “Jardim de Meteoros”. Com isso, ramificou as obras até alcançar o universo dos doramas sul-coreanos, pelos quais ficou fascinada.

A paixão de Katherine, aliás, não é isolada: uma pesquisa do Ministério da Cultura, Es-portes e Turismo feita entre setembro e novembro de 2020 apontou que o Brasil é o tercei-ro lugar no mundo e o primei-ro nas Américas onde houve maior aumento de audiência dos doramas coreanos.

Katherine tem apreço pela escrita desde sua infância, mas essa rotina se profissio-nalizou após o nascimento

| FICÇÃO |

Com reflexões sobre morte, sentimentos e traumas, livro “Um Coreano em Minha Vida”

apresenta romance entre brasileira e sul-coreano. Publicação tem inspiração em doramas

CULTURAS

ENTRELAÇADAS

E S P E C I A L PA R A O P O V O MIGUEL ARAUJO [email protected] DIVULGAÇÃO

Acompanhe a autora

Onde: @autora.katherinelau-ra no [email protected]

de seu filho. O que começou com leitura de contos de fada e gibis se desenvolveu para o aprofundamento em histórias mais complexas. Para a auto-ra, a escrita “era como um re-fúgio”, e o que não conseguia falar para ninguém era pos-to em seu diário por meio de suas palavras.

“A primeira vez que eu es-crevi um romance foi no auge da minha depressão. Para sair dela, precisei de algo além da terapia e da medicação. Foi com a escrita que eu consegui essa ajuda para sair da parte mais crítica”, relata.

A autora buscou cursos de escrita criativa para desen-volver seus trabalhos. Além de “Um Coreano em Minha Vida”, Katherine Laura Leighton já publicou os livros “Todas as Vidas de Um Coração”, “Guar-dada em Mim” e “Há 12 Dias do Natal”. Os cursos foram im-portantes para que a Leighton investisse na técnica de escri-ta e na estruturação de suas obras, com grande destaque para o processo de pesquisas.

Ao desenvolver o enre-do da obra, Katherine Laura Leighton utilizou diferentes mecanismos para se apro-fundar na cultura coreana. Além de pesquisas em sites especializados, ela fazia ano-tações ao assistir doramas para organizar detalhes ob-servados nas produções. As-sim, buscava pesquisar o que via de diferente para saber “se aquilo era realmente era diferente ou se era apenas

um ponto de vista”.

Diante disso, ela se depa-rou com um grande desafio: o de conseguir transmitir em sua obra as diferenças cul-turais de uma maneira que não gerasse “nenhum tipo de preconceito” ao abordar tra-dições coreanas. As pesquisas foram importantes também para a construção até dos diálogos entre os persona-gens. “Tem que ter um emba-samento muito grande para conseguir passar essa reali-dade. Não adianta eu querer construir um personagem de outro país se não conseguir me aprofundar”, alerta.

Foram várias as inspira-ções para a história de “Um Coreano em Minha Vida”. Ka-therine destaca “o respeito que os coreanos têm uns pe-los outros” e a “mitologia” da região, como percepção sobre fantasmas. Outro aspecto que a escritora queria abordar no enredo era a sensação do “ser diferente” e que isso não é algo ruim. Diante disso, pôs na Elleanor, a protagonista, o “dom de ser uma bruxinha necromante”, visão mais pre-sente no mundo ocidental.

A necromancia envolve a comunicação com os mortos e muitas vezes “é vista como algo ruim”. Na história do li-vro, porém, a abordagem é outra, e o dom de Elleanor é utilizado para ajudar pessoas que já morreram a “enten-derem que o que ficou para trás não está mais no poder delas e que elas precisam

seguir seus caminhos”. “Uma criança de 5 anos de idade não consegue entender isso, e quando ela conhece o Park Jae Young ele a ajuda com-preender seu dom, e daí se forma uma grande amizade”, enfatiza Leighton.

Ela continua: “O ‘ser dife-rente’ é algo que eu retrato na história como uma coisa boa. Você pode usar o que tem de diferente como algo positivo para fazer o bem e para ajudar os outros. Não é porque você é diferente que você é ruim. Ser diferente também é bom”.

Mesmo sem visualizar os “fantasmas” enxergados por sua amiga, Park Jae Young consegue transmitir pensa-mentos de sua cultura para Elleanor. “Ele explica de uma forma bem lúdica para ela, da

maneira que ele entende e de como encara o que é um fan-tasma. Ela começa a entender que o que vê não é um amigo imaginário como seus pais di-ziam, mas alguém que precisa de ajuda”, afirma a autora As-sim, Elleanor perde seu medo e passa a explicar aos “fantas-mas” que eles não fazem mais parte desse mundo.

A autora lembra das diver-gências culturais entre seus personagens e acrescenta: “Colocar essas diferenças é um pouco complicado, sim, mas quando você põe de uma forma em que um respeita o outro, dá tudo certo. Eu gos-to da mistura, acho que esses opostos sempre dão muito certo, porque não são opostos que brigam, são opostos que se complementam”.

Imerso em diferentes men-sagens sobre relações entre culturas, o livro, para Kathe-rine, pode apresentar tam-bém ao leitor outras lições: “A morte não precisa ser vista como algo totalmente ruim. Nós podemos guardar aquilo que foi bom e as lembranças e lições deixadas pelas pes-soas. No livro, eu também tentei transmitir a mensagem de que você deve aproveitar o melhor de sua vida e não per-der oportunidades. Às vezes, deixamos de falar e fazer algo pensando que teremos tem-po, mas não sabemos, de fato, quanto tempo nos resta”.

A autora acrescenta: “Eu acho que a maior lição de ‘Um Coreano em Minha Vida’ é a

de você tentar realizar o que quer, dizer o que sente, con-viver com quem ama e não ficar guardando isso apenas para si. Não é para deixar para fazer algo mais para frente. Temos que ir atrás daquilo que desejamos”.

A morte não

precisa ser

vista como algo

totalmente ruim.

Nós podemos

guardar aquilo

que foi bom”

KATHERINE LAURA LEIGHTON

Referências

Documentos relacionados

Foi apresentada, pelo Ademar, a documentação encaminhada pelo APL ao INMETRO, o qual argumentar sobre a PORTARIA Nº 398, DE 31 DE JULHO DE 2012 E SEU REGULAMENTO TÉCNICO

Neste trabalho avaliamos as respostas de duas espécies de aranhas errantes do gênero Ctenus às pistas químicas de presas e predadores e ao tipo de solo (arenoso ou

devidamente assinadas, não sendo aceito, em hipótese alguma, inscrições após o Congresso Técnico; b) os atestados médicos dos alunos participantes; c) uma lista geral

Com base nos fatores considerados durante a pesquisa, pôde-se observar que o grupo Algar (através da universidade corporativa – UniAlgar), em seus 20 anos de

A prova do ENADE/2011, aplicada aos estudantes da Área de Tecnologia em Redes de Computadores, com duração total de 4 horas, apresentou questões discursivas e de múltipla

17 CORTE IDH. Caso Castañeda Gutman vs.. restrição ao lançamento de uma candidatura a cargo político pode demandar o enfrentamento de temas de ordem histórica, social e política

Vale destacar, ainda, que, apesar de a ação de Saturnino de Brito em Passo Fundo ser mencionada pela historiografia especializada, não se dispõem de estudos aprofundados na

Mário Jabur Filho, conforme dispõe a legislação vigente, comunica que estarão abertas as inscrições para seleção dos candidatos para preenchimento de vaga para Médico