Limites e Continuidade
Conteúdo
1 Limites 1
1.1 Noção Intuitiva . . . 1
1.2 Definição . . . 3
1.3 Propriedades dos Limites Finitos . . . 5
1.4 Limites Laterais . . . 7
1.5 Limites Infinitos . . . 9
1.6 Indeterminações . . . 10
1.6.1 Indeterminação∞−∞ . . . 10
1.6.2 Indeterminação ∞ ∞ . . . 11
1.6.3 Indeterminação 0 0 . . . 12
1.6.4 Indeterminação0×∞ . . . 12
1.7 Limites Notáveis . . . 12
1.7.1 Limite trigonométrico básico . . . 13
1.7.2 Limite de tipo 0 0 com exponencial . . . 13
1.7.3 Limite de tipo 0 0 com logaritmo . . . 14
1.7.4 Limite de tipo ∞ ∞ com exponencial . . . 14
1.7.5 Limite de tipo ∞ ∞ com logaritmo . . . 15
1.7.6 Limite de Neper . . . 16
1.8 Outras Indeterminações . . . 16
1.9 Exercícios Propostos . . . 18
1.10 Soluções . . . 26
2 Continuidade 30 2.1 Continuidade num Ponto . . . 30
2.2 Continuidade Lateral . . . 31
2.3 Continuidade num Intervalo . . . 34
2.4 Prolongamento por Continuidade . . . 35
2.5 Teoremas Fundamentais das Funções Contínuas . . . 36
2.6 Assíntotas . . . 37
2.6.1 Assíntotas Verticais . . . 38
2.6.2 Assíntotas Não Verticais . . . 39
2.7 Exercícios Propostos . . . 42
1
Limites
1.1
Noção Intuitiva
O conceito de limite de uma função é fundamental em todas as áreas da matemática e pode traduzir-se como "tende para"ou "aproxima-se de" ou"aproxima-se cada vez mais de" ou"tão
perto quanto se queira de".
Comecemos por abordar a noção intuitiva de limite estudando o comportamento de uma função nas proximidades de um ponto que pode não pertencer ao domínio da função.
Exemplo 1 Considere-se a função definida emR porf(x) =2x+1 cujo gráfico é dado por
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
f(x) = 2x+1
1 3
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
f(x) = 2x+1
1 3
Calculando alguns valores de f quandox se aproxima de 1, sem atingir o valor 1, obtêm-se
as seguintes tabelas:
x f(x)
0 1
0.5 2 0.6 2.2 0.9 2.8 0.99 2.98 0.999 2.998
e
x f(x)
2 5
1.5 4 1.4 3.8 1.1 3.2 1.01 3.02 1.001 3.002
Observa-se que à medida quexse vai aproximando de 1,por valores inferiores ou superiores
a 1, os valores de f(x) vão-se aproximando de 3.
Utilizando a noção de distância entre dois pontos através do valor absoluto da diferença entre esses pontos, tal significa que se |x−1| se aproxima de 0, então |f(x)−3| também se aproxima de 0.
Diz-se então que 3 é o limite def quando xse aproxima de 1, e escreve-se
lim
Exemplo 2 Considere-se a função g(x) = 2− 1
x, definida em R\ {0}, cujo gráfico é dado
por
Calculando alguns valores de g quando x se aproxima de 0, , obtêm-se as seguintes tabelas:
x g(x)
0.2 −3 0.1 −8 0.01 −98 0.001 −998 0.0001 −9998
e
x g(x)
−0.2 7
−0.1 12
−0.01 102
−0.01 1002
−0.001 10002
Observa-se que à medida que xse vai aproximando de 0por valores supeiores a0, os valores
de g(x) vão sendo cada vez menores e que à medida que x se vai aproximando de 0 por
valores inferiores a 0, os valores de g(x) vão sendo cada vez maiores. Assim,
lim
x→0+g(x) =−∞ e xlim→0−g(x) = +∞.
Analizemos agora o comportamento da função g para valores de x muito grandes ou muito
pequenos. Tem-se que
x g(x)
10 1.9 100 1.99 1000 1.999 10000 1.9999
e
x g(x)
−10 2.1
−100 2.01
−1000 2.001 −10000 2.0001
Observa-se que à medida quex vai tomando valores cada vez maiores, os valores de g(x) se
vão aproximando de2 e que à medida que xvai tomando valores cada vez mais pequenos, os
valores de g(x) se vão aproximando de 2. Assim,
lim
Em geral, o número bé o limite de uma função fquando xtende para c, e escreve-se
lim
x→cf(x) =b
se e só se, o valor da função ftende para bquando x tende parac.
f(x)
b
x y
x c x
f(x)
f(x) f(x)
b
x y
x c x
f(x)
f(x)
1.2
De
fi
nição
O matemático francês Augustin Louis CAUCHY (1789-1857) desenvolveu rigorosamente a Teoria dos Limites. Antes dele, Isaac Newton, inglês (1642-1727) e Gottfried Wilhelm Leibniz, alemão (1646-1716), já haviam desenvolvido o Cálculo Infinitesimal.
Nesta secção será apresentada a definição de limite de uma função num ponto segundo Cauchy, para a qual são necessárias as noções de vizinhança e de ponto de acumulação.
Definição 1 Chama-sevizinhançade centroce raioε> 0, Vε(c),ao intervalo]c−ε, c+ε[.
Seja Cum subconjunto de R ec um número real.
Definição 2 O número c diz-se ponto de acumulação de C se e só se em qualquer
vi-zinhança de c existe pelo menos um elemento de C diferente dec.
Definição 3 O número cdiz-seponto isolado de Cse pertence aC e se existe pelo menos
uma vizinhança de c que não contenha nenhum elemento de C para além do próprio c.
Exemplo 3 Seja C={−3}∪]−2, 1]\ {0}⊂R.
Então, o intervalo [−2, 1] é o conjunto de todos os pontos de acumulação de C e −3 é um
ponto isolado de C.
Observação 1 Note-se que os pontos isolados de um conjunto nunca são pontos de
Definição 4 (limite num ponto segundo Cauchy) Seja f uma função real de variável
real de domínio Df (f:Df ⊆R→R) e c um ponto de acumulação de Df. Diz-se que f tende para b, quando x tende para c, e escreve-se
lim
x→cf(x) =b,
se e só se, qualquer que seja o número real δ > 0 existe um número real ε > 0 para todo x∈Df\ {c} tal que se |x−c|<ε, então tem-se |f(x)−b|<δ.
Simbolicamente escreve-se:
∀δ>0∃ε>0∀x∈Df\{c} :|x−c|<ε⇒|f(x)−b|<δ.
b
x y
c
f(x)
δ +
b
δ −
b
ε −
c c+ε
b
x y
c
f(x)
δ +
b
δ −
b
ε −
c c+ε
É de referir que a variávelεdepende da variávelδ,pois para cadaδarbitrariamente escolhido,
tem de existir umε que ’funcione’ nas condições esquematizadas na figura seguinte.
y
b
x c
y
b
x c
y
b
x c
y
b
x c x
f(x)
δ δ
ε ε
0 cada
Para δ> existeumε>0 talque se0<x−c<ε entãof( )x−b<δ y
b
x c
y
b
x c
y
b
x c
y
b
x c x
f(x)
δ δ
ε ε
0 cada
Para δ> existeumε>0 talque se0<x−c<ε entãof( )x−b<δ
Exemplo 4 Usando a definição de limite segundo Cauchy, iremos provar que
lim
x→2(2x−1) =3.
Seja f(x) =2x−1 com Df =R, c=2 e b=3. Então,
∀δ>0∃ε>0∀x∈Df\{c} :|x−c|<ε⇒|f(x)−b|<δ⇔
⇔ ∀δ>0∃ε>0∀x∈R\{2}:|x−2|<ε⇒|(2x−1)−3|<δ.
Pretende-se provar que dado δ > 0 arbitrário se consegue encontrar um ε> 0 tal que, para
|x−2|<ε, se tem |(2x−1)−3|<δ. Ora
|(2x−1)−3|<δ⇔|2x−4|<δ⇔2|x−2|<δ⇔|x−2|< δ 2.
Este facto mostra que escolhendo ε ≤ δ
2, sempre que |x−2| < ε, tem-se |f(x)−3| < δ.
Nestas circunstâncias a proposição
∀δ>0∃ε>0∀x∈R\{2} :|x−2|<ε⇒|(2x−1)−3|<δ
é verdadeira. Conclui-se então que 3 é o limite da função f quando xtende para 2.
Teorema 1 (unicidade do limite) O limite de uma função num ponto, quando
1.3
Propriedades dos Limites Finitos
Utilizando a definição de limite segundo Cauchy, deduzem-se as propriedades que se apre-sentam em seguida.
Propriedade 2 Sejamf eg duas funções com limite finito em c. Sek∈R en∈N,então:
1. lim
x→ck=k; (constante);
2. lim
x→c[k·f(x)] =k·xlim→cf(x) ; (produto escalar);
3. lim
x→c[f(x) +g(x)] =xlim→cf(x) +xlim→cg(x) (soma);
4. lim
x→c[f(x)−g(x)] =xlim→cf(x)−xlim→cg(x) (subtração);
5. lim
x→c[f(x)×g(x)] =limx→cf(x)×xlim→cg(x) (produto);
6. lim
x→c
∙
f(x)
g(x)
¸
=
lim
x→cf(x)
lim
x→cg(x)
, se lim
x→cg(x)6=0 (quociente);
7. lim
x→c|f(x)|=
¯ ¯
¯limx→cf(x) ¯ ¯
¯ (módulo);
8. lim
x→c[f(x)] n
=hlim
x→c[f(x)]
in
(potência);
9. lim
x→c
n p
f(x) = qn lim
x→cf(x), com f(x)≥0 se n par (radiciação).
Exemplo 5 .
1. lim
x→1
¡
x2 +3x3−x¢=lim x→1
¡
x2¢+lim x→1
¡
3x3¢−lim x→1(x) =
³ lim
x→1x
´2
+3³lim x→1x
´3 −lim
x→1(x) =
=12 +3×13−1=3.
2. lim
x→0
¡
3x3cosx¢=lim x→0
¡
3x3¢×lim
x→0(cosx) =3
³ lim
x→0x
´3
×cos³lim
x→0x
´
=3×03×cos0=
=0×1=0.
3. lim
x→0
cosx x2+1 =
lim
x→0(cosx)
lim
x→0(x
2+1) =
cos³lim
x→0x
´
³ lim
x→0x
´2
+lim
x→0(1)
= cos0
02 +1 = 1 1 =1.
4. lim
x→3
¡
x2 −1¢23 =³lim
x→3
¡
x2−1¢´
2 3
=µ³lim
x→3x
´2 −lim
x→31
¶2 3
=¡32−1¢23 =823 = √3 82 =
5. lim
x→2 √
x3+x2 −1=qlim x→2(x
3+x2−1) =r³lim x→2x
´3
+³lim
x→2x
´2 −lim
x→21=
=√23 +22−1=√11.
6. lim
x→e
£
ln¡x2¢¤=lnhlim
x→e
¡
x2¢i=ln
∙³
lim
x→ex
´2¸
=ln¡e2¢=2lne=2×1=2.
7. lim
x→1e x2+3x
=exlim→1(x 2+3x)
=e
lim
x→1x
2 +3lim
x→1(x)=e12+3×1 =e4.
8. lim
x→1
£
sen¡πx3 +πx¢¤=senhlim x→1
¡
πx3+πx¢i=sen
∙
π³lim
x→1x
´3
+πlim
x→1x
¸
=
=sen¡π×13+π×1¢ =sen(2π) =0.
Propriedade 3 Seja f uma função limitada e g uma função tal que lim
x→cg(x) =0. Então,
lim
x→cf(x)×g(x) =0.
Exemplo 6 Como lim
x→0x=0 e a função seno é limitada entre −1 e 1, tem-se que
lim
x→0
∙
xsen
µ1
x
¶¸
= lim
x→0x×xlim→0sen
µ1
x
¶
=0.
Teorema 4 (lei do enquadramento) Sejamf, gehfunções reais de variável real definidas
num mesmo intervalo I tais que
g(x)≤f(x)≤h(x),∀x∈I.
Seja c um ponto de acumulação de I tal que lim
x→cg(x) =be xlim→ch(x) =b. Então
lim
x→cf(x) =b.
Exemplo 7 Determine-se o valor de lim
x→0
senx x .
Considerando os gráficos das funções seno, identidade e tangente
-2 -1 1 2
-2 -1 1 2
x y
sen x x tg x
conclui-se que
∀x∈i0,π 2
h
Como ∀x∈i0,π 2
h
, senx > 0,
senx
senx < x
senx <
tgx
senx.
Além disso, tgx= senx
cosx, donde
1 < x
senx < 1
cosx.
Como lim
x→01=1 e xlim→0 1
cosx =1, pela lei do enquadramento, xlim→0 x
senx =1. Portanto,
lim
x→0
senx
x =xlim→0 1 x
senx
= 1
lim
x→0 x
senx
=1.
Observação 2 Os resultados apresentados anteriormente são válidos para todos os limites
finitos, independentemente de xtender para c finito ou infinito.
1.4
Limites Laterais
Por vezes o valor de uma função aproxima-se de valores diferentes quando xse aproxima de c por valores superiores ou por valores inferiores, tal como se viu na função g(x) = 2− 1 x
quando xtende para 0 (Exemplo 2).
Definição 5 (limites laterais) .
(i) O limite de uma funçãof quandoxtende para c por valores superiores a c, designa-se
por limite de f no ponto c à direita, escrevendo-se
lim
x→c+f(x).
(ii) O limite de uma funçãof quando xtende para c por valores inferiores ac, designa-se
por limite de f no ponto c à esquerda, escrevendo-se
lim
x→c−f(x).
Propriedade 5 O limite de uma função no pontocexiste se e só se os limites laterais nesse
ponto, lim
x→c+f(x) e xlim→c−f(x), existirem e forem iguais.
Exemplo 8 Considere-se a função g definida por
g(x) =
±
cuja representação gráfica é dada por
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
1 2 4
0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
1
Tem-se que lim
x→1+g(x) =−2 e xlim→1−g(x) =2. Como lim
x→1+g(x)6=xlim→1−g(x), conclui-se que não existe xlim→1g(x).
Exemplo 9 Considere-se a função
t(x) =
⎧ ⎪ ⎪ ⎨ ⎪ ⎪ ⎩
sen(x−1) , x < 1 −(x−1)2 , 1≤x < 3
log3
¡
x2¢ , x ≥3
.
Então, Dt =R e a representação gráfica de t é dada por
-5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5
-5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4
x y
t
0
Tem-se que lim
x→1−t(x) =xlim→1−sen(x−1) =sen(0) =0 e xlim→1+t(x) =xlim→1+ −(x−1)
2
=0.
Como lim
x→1−t(x) =xlim→1+t(x) =0, conclui-se que xlim→1t(x) =0. Por outro lado, lim
x→3−t(x) =xlim→3− −(x−1) 2
=−4 e lim
x→3+t(x) =xlim→3+log3 ¡
x2¢=2.
Como lim
x→3−t(x)6=xlim→3+t(x), conclui-se que não existe xlim→3t(x).
Observação 3 Uma função pode ter apenas um limite lateral sem que tenha o outro. Tal
direita de 2.
0 1 2 3 4
1 2 3 4
x y
1.5
Limites In
fi
nitos
Nas secções anteriores apresentaram-se as propriedades dos limites de uma função a tender para um número finito ou infinito, mas cujo valor dos limites obtidos era um número real. Estudam-se em seguida os casos em que o valor do limite é infinito.
Definição 6 O limite de uma função f quando x tende para c ∈ R∪{−∞,+∞} diz-se
infinito se
lim
x→cf(x) = +∞ ou xlim→cf(x) =−∞.
Exemplo 10 lim
x→+∞e
x = +
∞ e xlim
→0+ lnx=−∞.
As propriedades algébricas dos limites finitos também são válidas para os limites infinitos, exceto nos casos em que o limite da soma ou da diferença de funções é ∞−∞, o limite do
produto é 0×∞ e o limite do quociente é ∞
∞, denominados indeterminações e que serão
estudados na secção seguinte. Apresenta-se em seguida uma tabela que contém os resultados mais importantes em cálculos que envolvem limites infinitos.
lim
x→cf(x) xlim→cg(x) limx→cf(x) +g(x) xlim→cf(x)×g(x) limx→c f(x)
g(x)
+∞ +∞ +∞ +∞ ∞
∞
+∞ −∞ ∞−∞ −∞ ∞
∞
−∞ +∞ ∞−∞ −∞ ∞
∞
−∞ −∞ −∞ +∞ ∞
∞
±∞ b > 0 ±∞ ±∞ ±∞
±∞ b < 0 ±∞ ∓∞ ∓∞
±∞ 0 ±∞ 0×∞ ±∞
b > 0 ±∞ ±∞ ±∞ 0
b < 0 ±∞ ±∞ ∓∞ 0
0 ±∞ ±∞ 0×∞ 0
Observação 4 Caso lim
x→cf(x) =b∈R\ {0} e xlim→cg(x) =0 ±
,
lim
x→c f(x)
g(x) =
¯
Exemplo 11 .
1. lim
x→+∞
¡
x2+2√x¢= lim x→+∞
¡
x2¢+ lim x→+∞
¡
2√x¢=
µ lim
x→+∞x
¶2
+2q lim x→+∞x=
= (+∞)2+2×√+∞= +∞+∞= +∞.
2. lim
x→−∞
1 x2 =
lim
x→−∞1
µ lim
x→−∞x
¶2 = 1
(−∞)2 =
1
+∞ =0.
3. lim
x→0 1 x2 =
1 02 =
1
0+ = +∞.
4. lim
x→−∞ x3
3 =
µ lim
x→−∞x
¶3
lim
x→−∞3
= (−∞)
3
3 =
−∞
3 =−∞.
1.6
Indeterminações
No cálculo de limites de funções é habitual obterem-se expressões do tipo:
∞−∞; ∞
∞;
0
0 e 0×∞.
Por exemplo,
lim
x→0 2x
x = 0
0 e x→lim+∞
x2 +1 ex =
∞
∞.
Estas expressões denominam-se por indeterminações, tornando-se necessário recorrer a
diversas técnicas matemáticas para determinar o valor do limite. Apresentam-se em seguida algumas dessas técnicas.
1.6.1 Indeterminação ∞−∞
A indeterminação ∞−∞ surge habitualmente numa das seguintes três situações:
Cálculo do limite de uma função polinomial
Neste caso deve colocar-se em evidência o termo de maior grau. Por exemplo, lim
x→+∞ ¡
x2−2x+5¢(+∞=−∞) lim
x→+∞x
2
µ
1− 2 x+
5 x2
¶
= +∞×(1−0+0) = +∞.
Cálculo do limite de uma função irracional
Neste caso multiplica-se o numerador e o denominador pelo conjugado da expressão. Por exemplo,
lim
x→+∞ ¡√
x−√x−1¢(+∞=−∞) lim
x→+∞ ¡√
x−√x−1¢ ¡√x+√x−1¢ √
x+√x−1 =
= lim
x→+∞
x−(x−1)
√
x+√x−1 =x→lim+∞
1 √
x+√x−1 = 1
Nota: O conjugado de ³√a−√b´ é ³√a+√b´ e o conjugado de ³a−√b´ é
³
a+√b´.
Cálculo do limite de funções logarítmicas
Neste caso aplicam-se as propriedades operatórias dos logaritmos, normalmente loga(x)−loga(y) =loga
µ x y ¶ . Por exemplo, lim
x→+∞[ln(2x)−ln(x)]
(+∞−∞)
= lim
x→+∞ln µ2x
x
¶
= lim
x→+∞ln2=ln2.
1.6.2 Indeterminação ∞
∞
A indeterminação ∞
∞ resulta, normalmente, do cálculo do limite de uma função racional.
Neste caso eliminam-se todos os termos abaixo do termo de maior grau do numerador e do denominador da fração.
Exemplo 12 .
1. lim
x→+∞
2x+1 5x−3
(∞ ∞)
= lim
x→+∞
2x
5x =x→lim+∞
2 5 =
2 5.
2. lim
x→−∞
2x2 x3+4x2
(∞ ∞)
= lim
x→−∞
2x2
x3 =x→lim−∞ 2 x =0.
3. lim
x→−∞
x3+1 x
(∞ ∞)
= lim
x→−∞
x3
x =x→lim−∞x
2 = +∞.
Observação 5 A igualdade entre limites de duas funções racionais não implica que essas
funções sejam iguais. Por exemplo,
lim
x→+∞
2x+1
5x−3 =x→lim+∞
2x
5x mas
2x+1 5x−3 6=
2x 5x.
Também é possível levantar a indeterminação ∞
∞ dividindo o numerador e o denominador,
pela maior potência dex. Por exemplo,
lim
x→+∞
x+3 √
x2+5x+√x+1
(∞ ∞)
= lim
x→+∞
x x+
3 x √
x2+5x
x +
√ x+1
x
= lim
x→+∞
1+3
x
r
x2 x2 +
5x x2 +
r
x x2 +
1 x2
=
= √ 1+0
1.6.3 Indeterminação 0
0
A indeterminação 0
0 é obtida no cálculo do limite de uma função racional em que a fração
não é irredutível, ou seja, o valor para o qual x está a tender é raíz do numerador e do
denominador. Como por exemplo, lim
x→2 x−2
x2 −4, xlim→−1
x2+4x+3 x2−x−2 e limx→3
√
x+1−2 x−3 .
Neste caso, determinam-se todas as raízes reais do numerador e do denominador, decompondo-os em fatores, e eliminam-se decompondo-os fatores comuns.
Exemplo 13 .
1. lim
x→2 x−2 x2−4
(0 0)
= lim
x→2
x−2
(x−2) (x+2) =xlim→2 1 x+2 =
1 4.
2. lim
x→−1
x2 +4x+3 x2−x−2
(0 0)
= lim
x→−1
(x+1) (x+3)
(x+1) (x−2) =xlim→−1 x+3 x−2 =−
2 3.
3. lim
x→3 √
x+1−2 x−3
(0 0)
= lim
x→3
¡√
x+1−2¢ ¡√x+1+2¢
(x−3)¡√x+1+2¢ =xlim→3
x+1−4
(x−3)¡√x+1+2¢ =
=lim
x→3
x−3
(x−3)¡√x+1+2¢ =xlim→3 1 √
x+1+2 = 1 4.
Observação 6 Neste tipo de indeterminação 0
0 é muitas vezes necessário recorrer à
fór-mula resolvente, ao algoritmo da divisão ou à regra de Ruffini para decompor em fatores o numerador e o denominador da fração.
1.6.4 Indeterminação 0×∞
A indeterminação 0×∞ deve ser transformada numa indeterminação de tipo 0
0 ou de tipo
∞
∞.
Exemplo 14 .
1. lim
x→+∞
¡
−x2+1¢ 3 2x2−1
(∞×0)
= lim
x→+∞
−3x2+3 2x2 −1
(∞ ∞)
= lim
x→+∞
−3x2 2x2 =−
3 2.
2. lim
x→0+ 3
√ x× 1
x
(0×∞)
= lim
x→0+ 3 √ x x (0 0) = lim
x→0+
1 x23
= +∞.
Observação 7 Existem ainda indeterminações do tipo 1∞, ∞0 e 00 que serão abordadas
nas secções seguintes.
1.7
Limites Notáveis
1.7.1 Limite trigonométrico básico
lim
x→0
senx x
(0 0)
= 1
Este limite é conhecido como o limite trigonométrico básico, uma vez que a partir
deste se calculam outros limites que envolvem funções trigonométricas. Embora a função
f(x) = senx
x não esteja definida para x= 0 (Df =R\ {0}) e limx→0
senx
x seja uma
indetermi-nação do tipo 0
0, observando o gráfico da função f tem-se que, quando x tende para 0, a
funçãoftende para 1.
0 1
x y
π π
− 2π
π
2
− 3π
π
3
− 0
1
x y
π π
− 2π
π
2
− 3π
π
3
−
Figura 1: Representação gráfica da função f(x) = senx x
Exemplo 15 .
1. lim
x→0
senx x3
(0 0)
= lim
x→0
µsenx
x × 1 x2
¶
=1×(+∞) = +∞.
2. lim
x→0
tg(2x)
x
(0 0)
= lim
x→0 sen(2x)
cos(2x)
x =xlim→0
sen(2x)
xcos(2x) =limx→0
µsen(2x)
2x × 2
cos(2x)
¶
=
=
(y=2x→0)ylim→0
µsen
y y ×
2
cosy
¶
=1×2=2.
1.7.2 Limite de tipo 0
0 com exponencial
lim
x→0 ex−1
x
(0 0)
= 1
Embora a função f(x) = e
x −1
x não esteja definida para x =0 (Df =R\ {0}) e limx→0 ex−1
x
seja uma indeterminação do tipo 0
4 2 0 -2 -4
4
3
2
1
x y
4 2 0 -2 -4
4
3
2
1
x y
Figura 2: Representação gráfica def(x) = exx−1
Exemplo 16 lim
x→0
ex+3−e3 x
(0 0)
= lim
x→0
e3(ex −1) x =e
3×lim x→0
ex−1 x =e
3×1=e3.
1.7.3 Limite de tipo 0
0 com logaritmo
lim
x→0
ln(x+1)
x
(0 0)
= 1
O limite da função f(x) = ln(x+1)
x quando x tende para zero pode deduzir-se do limite
lim
x→0 ex−1
x =1. Fazendo a mudança de variável y=ln(x+1), tem-se que: y=ln(x+1)⇔x=ey−1
tal que y→0 pois x→0.
Assim,
lim
x→0
ln(x+1)
x =ylim→0 y
ey−1 =ylim→0 1 ey−1
y
=1.
Exemplo 17 lim
x→0
ln(x+2)−ln2 x
(0 0)
= lim
x→0
ln¡x+2 2
¢
x = 1 2 ×xlim→0
ln¡x 2 +1
¢
x 2
=
= (y=x2→0)
1 2 ×ylim→0
ln(y+1)
y =
1
2 ×1= 1 2.
1.7.4 Limite de tipo ∞
∞ com exponencial
lim
x→+∞
ex xp
(∞ ∞)
Embora lim
x→+∞
ex
xp seja uma indeterminação do tipo
∞
∞, observando o gráfico da função
f(x) = e
x
xp (p∈N) verifica-se que quando x tende para +∞ a função f tende também
para +∞.
10 5 0 -5 -10 10 5 -5 -10 x y 10 5 0 -5 -10 8 6 4 2 x y
( )x ex f
x
= ( ) x2
e x f x = 10 5 0 -5 -10 10 5 -5 -10 x y 10 5 0 -5 -10 8 6 4 2 x y 10 5 0 -5 -10 10 5 -5 -10 x y 10 5 0 -5 -10 10 5 -5 -10 x y 10 5 0 -5 -10 8 6 4 2 x y 10 5 0 -5 -10 8 6 4 2 x y
( )x ex f
x
= ( ) x2
e x f
x
=
Figura 3: Representação gráfica das funçõesf(x) = exx ef(x) = xex2
Exemplo 18 lim
x→0+x
2e1x (0×=∞) lim x→0+
ex1
1 x2
= lim
x→0+
e1x ¡1
x
¢2 =
(y=1 x→+∞)
lim
y→+∞
ey
y2 = +∞.
1.7.5 Limite de tipo ∞
∞ com logaritmo
lim
x→+∞
lnx p √ x (∞ ∞)
= 0, com p∈N
Em particular,
lim
x→+∞ lnx
xp
(∞ ∞)
= 0.
O limite da função f(x) = ln(x)
p
√
x quando x tende para +∞ pode deduzir-se do limite
lim
x→+∞
ex
xp = +∞. Fazendo a mudança de variável y=ln
¡√p x¢, tem-se que
y=ln¡√p
x¢⇔y=lnx1p ⇔y= 1
plnx⇔py=lnx⇔x=e py
tal que y→+∞ pois x→+∞.
Assim,
lim
x→+∞ lnx
p
√
x =y→lim+∞
py
ey =py→lim+∞ 1 ey
y
=p· 1
+∞ p=∈N0.
Exemplo 19 lim
x→+∞
ln(3x)
x
(∞ ∞)
= 3× lim
x→+∞
ln(3x)
3x (y=3x=→+∞)3×y→lim+∞
lny
1.7.6 Limite de Neper
lim
x→+∞
µ
1+ k
x
¶x
(1∞)
= ek, com k∈R
Este limite é uma generalização do conhecidolimite do número de Neper
lim
n→+∞ µ
1+ 1
n
¶n
=e
e serve para levantar indeterminações do tipo 1∞.
Exemplo 20 lim
x→+∞ µ
1− 3 x+1
¶x
(1∞)
= lim
x→+∞ µ
1− 3 x+1
¶x+1−1
=
= lim
x→+∞ µ
1− 3 x+1
¶x+1
× lim
x→+∞ µ
1− 3 x+1
¶−1
=
(y=x+1→+∞)y→lim+∞ µ
1+ −3
y
¶y
×(1−0)−1 =
=e−3×1= 1 e3.
1.8
Outras Indeterminações
Nas secções anteriores foram abordadas as indeterminações de tipo∞−∞; ∞
∞;
0
0;0×∞ e 1∞. Resta ver como se abordam as indeterminações do tipo ∞0 e 00.
As indeterminações ∞0 e 00 resultam, em geral, do cálculo de limites do tipo lim x→c[f(x)]
g(x) . Utilizando as propriedades dos logaritmos, desde quef(x)> 0numa vizinhança dec, tem-se
que:
lim
x→c[f(x)] g(x)
=lim
x→ce
ln[f(x)]g(x) =
exlim→cg(x).ln[f(x)].
Exemplo 21 .
1. lim
x→+∞[ln(x−3)] 1 3−x (∞
0)
= ex→lim+∞ 1
3−xln[ln(x−3)] (0×=∞)
m.v. e lim
y→+∞ ln(y)
−e y ( ∞ ∞)
= ey→lim+∞− ln(y)
y y e y
=
=e0×0 =1.
m.v.: y=ln(x−3)⇔x=ey+3 tal que y
→+∞ pois x→+∞.
2. lim
x→1+(lnx)
x2−1 (00)
= ex→lim1+(x
2−1)ln(lnx) (
0×∞)
=
m.v. e lim
y→0+(
e2 y−1)ln(y) (
0×∞)
= ey→lim0+ e 2 y−1
2 y 2yln(y)
=
=e 2
# lim
y→0+ e 2 y−1
2 y
$# lim
y→0+ ln(y)
1 y
$
=e2×1×0 =e0 =1.
Observação 8 Esta técnica também pode ser aplicada a indeterminações do tipo 1∞. Por
exemplo,
lim
x→2(3−x)
1 x−2 (1
∞)
= exlim→2 1
x−2ln(3−x) (∞=×0)exlim→2 ln(3−x)
x−2 =exlim→2
ln(1+ (2−x) )
−(2−x) =
=
(y=2−x→0)e
lim
y→0 ln(1+y)
−y
1.9
Exercícios Propostos
Exercício 1 Observe os gráficos das seguintes funçõesf e, para cada um deles, indique
lim
x→cf(x) e f(c).
1. c=2
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
3
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
3
2. c=2
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
3
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
3
3. c=0
4 2 0 -2 -4
4
3
2
1
x y
4 2 0 -2 -4
4
3
2
1
x y
Exercício 2 Considere a função g, definida pela expressão
g(x) =
⎧ ⎨ ⎩
x+1 , x < 1 1
x , x≥1
cuja representação gráfica é dada por
- 4 - 3 -2 -1 1 2 3 4
-4 -2 2 4
x y
1
- 4 - 3 -2 -1 1 2 3 4
-4 -2 2 4
x y
1
Indique o valor de: 1. lim
x→1−g(x) ;
2. lim
Exercício 3 Seja fuma função cujo gráfico é dado por
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
3 1
5 4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
3 1
5
Indique o valor de c de modo que:
1. c /∈Df e existe lim x→cf(x) ;
2. c /∈Df e não existe lim x→cf(x) ;
3. c∈Df e não existe lim x→cf(x).
Exercício 4 Observe os gráficos das seguintes funçõesf e, para cada um deles, indique
lim
x→c−f(x), xlim→c+f(x), limx→cf(x) e f(c). 1. c=2
4 2 0 -2
-4
4
2
-2
-4
x y
-10 2 4
-2 -4
4
2
-2
-4
x y
-1
2. c=2
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
3. c=0
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
x y
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
4. c=0
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4 y
x 1
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4 y
x 1
5. c=−1
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
-1 0 2 4
-2 -4
4
2
-2
-4
x y
-1
6. c=1
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
1 2 4
0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
1
Exercício 5 Considere a função f representada graficamente por
- 4 - 3 - 2 - 1 1 2 3 4
-4 -2 2 4
x y
1
- 4 - 3 - 2 - 1 1 2 3 4
-4 -2 2 4
x y
1
Indique o valor de:
1. lim
x→0+f(x) ; 2. lim
x→0−f(x) ;
3. lim
x→+∞f(x) ;
4. lim
Exercício 6 Observe o seguinte gráfico da função f:
4 2 0 -2 -4
4
-2
-4
x y
1
4 2 0 -2 -4
4
-2
-4
x y
1
Indique o valor de:
1. lim
x→0+f(x) ; 2. lim
x→0−f(x) ;
3. lim
x→+∞f(x) ; 4. lim
x→−∞f(x).
Exercício 7 A função g encontra-se representada graficamente por
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-4 -2 2 4
x y
-4 -3 -2 -1 1 2 3 4
-4 -2 2 4
x y
Indique o valor de c de modo que:
1. lim
x→c+g(x) = +∞; 2. lim
x→c+g(x) =−∞.
Exercício 8 Calcule, caso existam, os seguintes limites:
1. lim
x→0f(x), onde f(x) =
±
1 , x6=0
3 , x=0 ;
2. lim
x→1f(x), onde f(x) =
±
2x , x < 1
x2 +1 , x > 1 ;
3. lim
x→0f(x), onde f(x) =
±
4. lim
x→1f(x), onde f(x) =
⎧ ⎪ ⎪ ⎨ ⎪ ⎪ ⎩
1+x3 , x < 1
3 , x=1
4−2x , x > 1
;
5. lim
x→2f(x), onde f(x) =
⎧ ⎨ ⎩
x
3 , x < 1 x+2 , x≥1
.
Exercício 9 Calcule cada um dos limites seguintes:
1. lim
x→2
¡
2x2 −3x+5¢;
2. lim
x→1 √
5+x2+3x;
3. lim
x→0
x−3x2 1−x ;
4. lim
x→0
3
√
3x−2;
5. lim
x→2
¡
x2 −2x+3¢−
2 3 ;
6. lim
x→π
rsen
x x ;
7. lim
x→0e x2
cos(2x) ;
8. lim
x→π2
lnhsen2³x 2
´i
.
Exercício 10 Calcule, caso existam, os seguintes limites:
1. lim
x→+∞ ¡
−x2−3√x+1¢;
2. lim
x→−∞
¡
−4x3−√3 x+5¢;
3. lim
x→2+
1 x−2;
4. lim
x→0
µ
x+ 1
x2
¶
;
5. lim
x→−∞
µ
9−2 x+
1 x2
¶
;
6. lim
x→−∞x
r
Exercício 11 Calcule cada um dos seguintes limites:
1. lim
x→−∞
¡
3x3−5x+2¢;
2. lim
x→−∞
¡
−2x4−3x+5¢;
3. lim
x→+∞
¡√
x−3−√x+1¢;
4. lim
x→+∞ ¡√
2x+1−√x¢;
5. lim
x→+∞[ln(3x+2)−ln(x+1)] ; 6. lim
x→+∞
x2−x+3 3x3+1 ;
7. lim
x→−∞
3x2−2x+1 x2−2x+3 ;
8. lim
x→+∞
−10x5+2x+1 2x5+3x2+10;
9. lim
x→+∞
x3 −2x+5 5x4+x2−3;
10. lim
x→−3
2x+6 x+3 ;
11. lim
x→3
x2−x−6 x−3 ;
12. lim
x→2+
x2 −4x+4 6x−12 ;
13. lim
x→4
x2−2x−8 x−4 ;
14. lim
x→9 √
x−3 x−9 ;
15. lim
x→1 x2−1
1−x;
16. lim
x→2 x3−8 x2−4;
17. lim
x→3 2
x2−9(x−3) ;
18. lim
x→+∞
1 x+3
¡
Exercício 12 Calcule cada um dos seguintes limites:
1. lim
x→0
sen2x x ;
2. lim
x→0 e
xsen(2x) ;
3. lim
x→0
1−cosx x ;
4. lim
x→+∞xsen µ2
x
¶
;
5. lim
x→0
x+senx x+sen(2x);
6. lim
x→0
ex−e3x 2x ;
7. lim
x→0
ln(x+1)3
4x ;
8. lim
x→+∞2xln µ
1+1
x
¶
;
9. lim
x→1
lnx x−1;
10. lim
x→0
senx ex−1;
11. lim
x→0
e2x−1
ln(3x+1);
12. lim
x→+∞xe
−2x;
13. lim
x→+∞
logx x2 .
Exercício 13 Calcule cada um dos seguintes limites:
1. lim
x→+∞ µ
1+2
x
¶3x+1
;
2. lim
x→+∞
µ
1− 3 2x
¶x
;
3. lim
x→0+(1+3x) 1 x .
4. lim
5. lim
x→3+
∙
ln µ
1 x−3
¶¸3−x
;
6. lim
x→0+(e
x −1)x2
1.10
Soluções
Solução 1 .
1. lim
x→2f(x) =f(2) =3.
2. lim
x→2f(x) =3, @f(2).
3. @lim
x→0f(x), f(0) =0.
Solução 2 .
1. 2.
2. 1.
Solução 3 .
1. c=−2.
2. c=3.
3. c=5.
Solução 4 .
1. lim
x→2−f(x) =−1; xlim→2+f(x) =−2; @limx→2f(x) e f(2) =2. 2. lim
x→2−f(x) =2; xlim→2+f(x) =2; xlim→2f(x) =2 e f(2) =0. 3. lim
x→0−f(x) =0; xlim→0+f(x) =−∞; @xlim→0f(x) e f(0) =0. 4. lim
x→0−f(x) =0; xlim→0+f(x) =1; @limx→0f(x) e f(0) =0. 5. lim
x→−1−f(x) =2; x→lim−1+f(x) =2; xlim→−1f(x) =2 e f(−1) =2. 6. lim
x→1−f(x) = +∞; xlim→1+f(x) =−∞; @xlim→1f(x) e f(1) =0.
Solução 5 .
1. 2.
2. −∞.
3. 0.
Solução 6 .
1. +∞.
2. −∞.
3. 1.
4. 1.
Solução 7 .
1. c=−1.
2. c=2.
Solução 8 .
1. lim
x→0f(x) =1.
2. lim
x→1f(x) =2.
3. @lim
x→0f(x).
4. lim
x→1f(x) =2.
5. lim
x→2f(x) =4.
Solução 9 .
1. 7.
2. 3.
3. 0.
4. −√3
2.
5. √31 9.
6. 0.
7. 1.
8. −ln2.
Solução 10 .
1. −∞.
3. +∞.
4. +∞.
5. 9.
6. −∞.
Solução 11 .
1. −∞.
2. −∞.
3. 0.
4. +∞.
5. ln3.
6. 0.
7. 3.
8. −5.
9. 0.
10. 2.
11. 5.
12. 0.
13. 6.
14. 1
6.
15. −2.
16. 3.
17. 1
3.
18. +∞.
Solução 12 .
1. 0.
2. 2e.
4. 2.
5. 2
3.
6. −1.
7. 3 4.
8. 2.
9. 1.
10. 1.
11. 2
3.
12. 0.
13. 0.
Solução 13 .
1. e6.
2. √1 e3.
3. e3.
4. e.
5. 1.
2
Continuidade
O conceito de continuidade pode ser observado em muitos fenómenos de vida real. Por exemplo, ao longo da vida varia de forma contínua o peso e altura do ser humano, tal como a temperatura ao longo de um dia ou a velocidade de uma bicicleta ao longo de um percurso. No entanto, o número de incêndios que ocorrem em Portugal durante um ano já não varia de forma contínua, uma vez que esse número salta de forma imediata para o número inteiro seguinte cada vez que ocorre novo incêndio. Assim, podemos associar o conceito de continuidade à noção de não existência de interrupção, ou salto, ao longo de um determinado intervalo de tempo.
O conceito formal de função contínua foi introduzido em 1821 por Augustin Louis Cauchy (1789-1857), professor na École Polytechnique de Paris que apresentou a seguinte caracteri-zação: "f(x)diz-se uma função contínua se os valores numéricos da diferença f(x+α)−f(x)
decrescem indefinidamente com os de α." (Cours d’Analyse).
2.1
Continuidade num Ponto
Definição 7 Dada uma função f:D⊆R→R tal que c∈D é ponto de acumulação de D,
diz-se que f é contínua em c se:
∃lim
x→cf(x) =f(c).
Esta definição pressupõe as três condições seguintes: 1. f(c) está definido, o que significa que c∈D;
2. lim
x→cf(x)existe, isto é, limx→c−f(x) =xlim→c+f(x) ; 3. lim
x→cf(x) =f(c).
Exemplo 22 Considere uma funçãof com a seguinte representação gráfica:
0 x
y
a 0 b c d e x
y
a b c d e
Observa-se que a funçãof não é contínua emb, c, de e mas é contínua em todos os outros
pontos do seu domínio (a /∈D). De facto,
• Para x = a, a função f não está definida (a /∈D), apesar de a ser um ponto de
acumulação de D;
• Parax=b, existe lim
• Parax=c, não existe lim
x→cf(x), pois os limites laterais de f são diferentes, isto é,
lim
x→c−f(x)=6 xlim→c+f(x) ;
• Parax=d, também não existe lim
x→df(x), pois xlim→d−f(x)6=xlim→d+f(x) ;
• Parax=e, não existe lim
x→ef(x), pois xlim→e−f(x)6=xlim→e+f(x).
Exemplo 23 .
1. Dada a funçãof definida por
f(x) =
⎧ ⎨ ⎩
ex −1
x , x < 0 x+1 , x≥0
,
tem-se que f(0) =1 e
lim
x→0−f(x) =xlim→0−
ex −1 x =1
lim
x→0+f(x) =xlim→0+x+1=1
⎫ ⎪ ⎪ ⎬ ⎪ ⎪ ⎭
⇒∃lim
x→0f(x) =1.
Como lim
x→0f(x) =f(0), entãof é contínua em 0.
2. Dada a funçãog definida por
g(x) =
±
x2 , x6=0
1 , x=0 ,
tem-se que g(0) =1 e
∃lim
x→0g(x) =xlim→0x 2 =0.
Como lim
x→0g(x)6=g(0), então g não é contínua em 0.
2.2
Continuidade Lateral
Definição 8 Dada uma função f:D⊆R→R tal que c∈D é ponto de acumulação de D,
diz-se que:
(i) f é contínua à direita de c se
lim
x→c+f(x) =f(c).
(ii) f é contínua à esquerda de c se
Observação 9 .
1. Uma função pode não ser contínua num ponto mas ser contínua à esquerda ou à direita desse ponto.
2. Se f é contínua à direita e à esquerda de um ponto, então f é contínua nesse ponto.
Exemplo 24 Considere uma funçãof com a representação gráfica seguinte:
0 x
y
a 0 b c d e x
y
a b c d e
Observa-se que:
• Parax=c,
lim
x→c−f(x)6=xlim→c+f(x)⇒@xlim→cf(x) masxlim→c−f(x) =f(c). Logo, f é contínua à esquerda de c.
• Parax=d,
lim
x→d−f(x)6=xlim→d+f(x)⇒@xlim→df(x) mas xlim→d+f(x) =f(d). Logo, f é contínua à direita ded.
• Parax=e,
lim
x→e−f(x)6=xlim→e+f(x)6=f(e). Logo, f não é contínua à direita nem à esquerda de c.
Exemplo 25 .
1. Dada a funçãof definida por
f(x) =
±
x , x < 2
4 , x≥2 ,
tem-se que f(2)=4 e
lim
x→2−f(x) =xlim→2−x=2
lim
x→2+f(x) =xlim→2+4=4
⎫ ⎪ ⎬ ⎪
⎭⇒@xlim→2f(x).
Assim, f não é contínua em 2 mas, como lim
x→2+f(x) = f(2), f é contínua à direita de
2. Dada a funçãog definida por
g(x) =
±
x2+1 , x≤1 −x+4 , x > 1 ,
tem-se que g(1) =2 e
lim
x→1−g(x) =xlim→1−
¡
x2+1¢=2
lim
x→1+g(x) =xlim→1+(−x+4) =3
⎫ ⎪ ⎬ ⎪
⎭⇒@limx→1g(x).
Assim, g não é contínua em1 mas, como lim
x→1−g(x) = g(1), g é contínua à esquerda
de 1.
3. Dada a funçãoh definida por
h(x) =
⎧ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎨ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩
−x−1 , x < 1 2
0 , x= 1
2
x2 , x > 1 2
,
tem-se que h
µ
1 2
¶
=0 e
lim
x→1 2
−h(x) = lim
x→1 2
−(−x−1) =−
3 2
lim
x→1 2
+h(x) = lim
x→1 2 +
¡
x2¢= 1 4 ⎫ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎬ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎭
⇒@lim
x→1 2
h(x).
Assim, como lim
x→1 2
−h(x)6=h
¡1 2
¢
e lim
x→1 2
+h(x)6=h ¡1
2
¢
, h não é contínua à direita nem
à esquerda de 1 2.
Observação 10 Existem funções que, por não estarem definidas à esquerda (ou à direita) de
um ponto, são contínuas nesse ponto, apesar de só existir continuidade lateral. Por exemplo, a função f(x) = √x não está definida à esquerda do ponto x = 0 pois Df = [0,+∞[. No
entanto, f é contínua em 0.
4
3
2
1
y
( )x x f = 4 3 2 1 y
2.3
Continuidade num Intervalo
Definição 9 Dada uma função f:D⊆R→R, diz-se que:
1. f é contínua num intervalo aberto]a, b[⊆ D se f é contínua em todos os pontos
de ]a, b[.
2. fé contínua num intervalo fechado [a, b]⊆D se fé contínua em]a, b[, à direita de a e à esquerda de b.
Exemplo 26 Considere uma função f definida no intervalo ]−2, 6[ com a representação
gráfica seguinte:
6 4 2 0 -2
6
4
2
x y
6 4 2 0 -2
6
4
2
x y
Observa-se que a função f não é contínua nos pontos x=0, x=2 e x=4, mas é contínua
em todos os outros pontos do seu domínio (Df = ]−2, 6[).
Não se pode dizer que a função é contínua no intervalo [3, 5], porque f não é contínua em 4∈[3, 5]. Mas, por exemplo, pode dizer-se que:
• f é contínua nos intervalos abertos ]−2, 0[ e ]4, 6[, porque f é contínua em todos os
pontos desses intervalos;
• f é contínua no intervalo fechado [0, 2] porque f é contínua em ]0, 2[, é contínua à
direita de 0 e contínua à esquerda de 2. De facto,
lim
x→0+f(x) =f(0) e xlim→2−f(x) =f(2).
• f é contínua no intervalo ]2, 4] porque, f é contínua em ]2, 4[ e é contínua à esquerda
de 4. De facto,
lim
x→4−f(x) =f(4).
Apresentam-se em seguida algumas propriedades das funções contínuas que servem para justificar a continuidade em intervalos abertos.
Propriedade 6 As funções constante, polinomiais, racionais, exponenciais, logarítmicas,
trigonométricas (diretas e inversas) e com raízes são sempre contínuas no seu domínio.
Propriedade 7 Sejam f e g duas funções de domínio Df e Dg, c ∈Df ∩Dg um ponto de
acumulação de Df∩Dg, k∈R e n∈N. Se f e g são contínuas em c, então
1. kf, f+g, f−g, f×g, |f| e fn são funções contínuas em c;
2. f
g é contínua em c, se g(c)6=0;
3. √n
Propriedade 8 (continuidade da função composta) Sejamfegduas funções de domínio Df e Dg respetivamente e c∈Df um ponto de acumulação de Df tal que f(c)∈Dg. Se f é
contínua emc e g é contínua em f(c), então g◦f é contínua emc.
Propriedade 9 (continuidade da função inversa) Sejaf uma função contínua e
estri-tamente monótona num intervalo I. Então fé invertível em I e f−1 é contínua em f(I).
Exemplo 27 .
1. A função f(x) = x2 +arctgx é contínua em Df = R, pois é a soma de duas funções
contínuas emR (função polinomial e função trigonométrica inversa).
2. A função racional g(x) = x−3
x2−16 é contínua em Dg = R\ {−4, 4}, pois é quociente
de funções polinomiais contínuas, em que o denominador nunca se anula.
3. A função h(x) = √xe2x é contínua em Dh = [0,+∞[, pois é radiciação, produto e
composta de funções contínuas em[0,+∞[(função exponencial e funções polinomiais).
2.4
Prolongamento por Continuidade
Definição 10 Dadas duas funções f : Df ⊆ R→ R e g : Dg ⊆ R → R tais que Df ⊂ Dg,
diz-se que g é um prolongamento def se
∀x∈Df, f(x) =g(x).
Propriedade 10 Dada uma função f:Df ⊆R→R e c /∈D ponto de acumulação de D, f
é prolongável por continuidade ao ponto c se existe e é finito lim x→cf(x).
Nesse caso, F:D∪{c}→R tal que
F(x) =
± f(x) , x
∈D
lim
x→cf(x) , x=c ,
é o prolongamento por continuidade de f ao ponto c.
Exemplo 28 Considere-se a função f definida por f(x) = ln(1+5x)
3x cujo domínio é
D={x∈R:1+5x > 0∧3x6=0}=
¸
−15,+∞
∙
\ {0}.
Como lim
x→0f(x) = 5 3xlim→0
ln(1+5x)
5x = 5
3, f é prolongável por continuidade ao ponto 0 tal que
F(x) =
⎧ ⎨ ⎩
f(x) , x∈D 5
3 , x=0
2.5
Teoremas Fundamentais das Funções Contínuas
Afirmar que: "se uma função fé contínua num intervalo [a, b], ela assume todos os valores
entre f(a) e f(b) "é geometricamente evidente. Esta propriedade foi utilizada por Leonhard
Euler (1707-1783) e Johann Carl Gauss (1777-1855) sem hesitações mas só Bernhard Bolzano (1781-1848) em 1817 conseguiu estabelecer maior rigor na descrição desta propriedade.
Teorema 11 (de Bolzano ou dos valores intermédios) Sejafuma função contínua no
intervalo fechado[a, b],coma < b. Sek é um número real compreendido entref(a)ef(b),
então existe pelo menos um c∈]a, b[ tal que f(c) =k.
Isto significa que, uma função contínua não pode passar de um valor a outro sem passar por todos os valores intermédios.
Geometricamente,
0 x
y f(a)<k<f(b)
) (a f ) (b f k c f()=
) (x f
b c a< <
a c b 0 x
y
(mais do que um valor para c) ) ( ) (b k fa f < <
) (b f ) (a f k c f()=
) (x f
ac1 c2 c3b
0 x
y f(a)<k<f(b)
) (a f ) (b f k c f()=
) (x f
b c a< <
a c b 0 x
y
(mais do que um valor para c) ) ( ) (b k fa f < <
) (b f ) (a f k c f()=
) (x f
ac1 c2 c3b
Figura 4: Interpretação geométrica do Teorema de Bolzano
Como consequência imediata deste teorema obtem-se um resultado de grande interesse prático que permite justificar a existência de zeros de funções contínuas em intervalos fecha-dos, mesmo que não seja possível localizar exatamente esses zeros.
Corolário 12 Seja f uma função contínua no intervalo fechado [a, b] tal que
f(a) ×f(b) < 0. Então, existe pelo menos um zero da função f no intervalo ]a, b[, ou
seja,
∃c∈]a, b[ :f(c) =0.
Geometricamente, 0 x y ) (a f ) (b
f f(x)
a c b 0 x
y
(mais do que um valor para c) ) (b f ) (a f ) (x f a c1 c2 c3 b
0 x y ) (a f ) (b
f f(x)
a c b 0 x
y
(mais do que um valor para c) ) (b f ) (a f ) (x f a c1 c2 c3 b
Figura 5: Interpretação geométrica do corolário do teorema de Bolzano
Observação 11 .
1. Se f não é contínua em [a, b], mesmo que f(a)×f(b) < 0, podem não existir zeros
de f no intervalo ]a, b[. Por exemplo,
0 x y ) (a f ) (b
f f(x)
2. Se f é contínua em [a, b] mas f(a)×f(b)> 0, a função f pode ou não ter zeros em
]a, b[. Por exemplo,
0 x
y
) (a f
) (b
f f(x)
a b 0 x
y
f(x) tem 4 zeros )
(b f
) (a f
) (x f
a b
f(x) não tem zeros
0 x
y
) (a f
) (b
f f(x)
a b 0 x
y
f(x) tem 4 zeros )
(b f
) (a f
) (x f
a b
f(x) não tem zeros
Exemplo 29 .
1. Considere-se a função f definida em R por f(x) = 4x5 +x−3. Vejamos que f tem
pelo menos um zero no intervalo ]0, 1[.
A função f é contínua em R, pois é uma função polinomial. Logo, f é contínua no
intervalo [0, 1]. Além disso, f(0) = −3 < 0 e f(1) = 2 > 0, donde f(0)×f(1) < 0.
Assim, pelo corolário do teorema de Bolzano, conclui-se que
∃c∈]0, 1[ :f(c) =0.
2. Considere-se a função g definida emR por g(x) =x2−4x+1. Vejamos queg atinge
o valor −1 no intervalo ]0, 2[.
A função g é contínua em R pois é uma função polinomial. Logo, g é contínua no
intervalo [0, 2]. Além disso, g(0) = 1 e g(2) = −3, donde g(2) < −1 < g(0). Pelo
teorema de Bolzano conclui-se que
∃c∈]0, 2[ :g(c) =−1.
Teorema 13 (de Weierstrass) Seja f uma função contínua no intervalo fechado e
limi-tado [a, b], coma < b. Então, f tem máximo e mínimo em [a, b].
Exemplo 30 Considere-se a função logarítmica f(x) = lnx. Como f é contínua em [1, e],
pelo teorema de Weierstrass, conclui-se que f tem máximo e mínimo em [1, e]. De facto, 0=f(1) é mínimo de f em [1, e] e 1=f(e) é máximo def em [1, e].
Note-se quef é contínua em]0,+∞[ mas não existe máximo nem mínimo de fem]0,+∞[.
De facto, o teorema de Weierstrass não se pode aplicar ao intervalo ]0,+∞[, que não é
fechado nem limitado.
2.6
Assíntotas
Definição 11 Dada uma função fchama-se assíntota de f a qualquer reta cuja distância
a uma parte do gráfico de f tenda para zero, ou seja, existe uma parte do gráfico de f que se
vai aproximando cada vez mais dessa reta.
y=1 são assíntotas de f.
‐2 1
0 3
x y
f
3 2
1 2
3 8 4
2.6.1 Assíntotas Verticais
As assíntotas verticais do gráfico de uma funçãof, se existirem, encontram-se em pontos de
abcissaa tais que:
1. a /∈Df mas é ponto de acumulação deDf;
ou
2. a∈Df masfnão é contínua ema.
Definição 12 A reta x =a é uma assíntota vertical do gráfico da função f se
lim
x→a−f(x) =±∞ ou xlim→a+f(x) =±∞.
No caso de apenas um dos limites laterais ser infinito, a assíntota diz-se unilateral. Caso
os dois limites laterais sejam infinitos, a assíntota diz-se bilateral. Exemplo 32
a
0 x
y
a
0 x
y
( )=+∞
+ →a fx xlim
( )=−∞
− →a fx x lim
f D a∉
( )=+∞
+ →a fx x lim
f D a∈
a x fnãoécontínuaem =
a
0 x
y
( )=−∞
− →a fx x lim
f D a∉ assíntota
vertical bilateral
=
x a assíntota
vertical unilateral
=
x a assíntota
vertical unilateral
=
x a
Exemplo 33 .
1. Considere-se a função definida por f(x) = 2
x−2, cujo domínio é Df =R\ {2}.
existência de uma assíntota vertical é a reta x = 2, uma vez que 2 /∈ Df mas é
ponto de acumulação de Df. Calculemos então lim
x→2−f(x) e xlim→2+f(x) : lim
x→2−f(x) =xlim→2− 2
x−2 =−∞ e xlim→2+f(x) =xlim→2+
2
x−2 = +∞.
Logo, a reta x=2 é uma assíntota vertical bilateral.
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
2 x=
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
2 x=
2. Considere-se a função definida por g(x) =
⎧ ⎨ ⎩
1
x , x > 0 2 , x≤0
, cujo domínio é Dg =R.
Relativamente à continuidade da função g, o único ponto onde a função poderá não
ser contínua é no ponto 0. Calculemos então lim
x→0+g(x) e xlim→0−g(x) : lim
x→0+g(x) =xlim→0+
1
x = +∞ e xlim→0−g(x) =xlim→0−2=2=g(0).
Como lim
x→0−g(x) 6= xlim→0+g(x), a função g não é contínua em 0. No entanto, como lim
x→0+g(x) = +∞, a reta x=0 é uma assíntota vertical unilateral.
4 2 0 -2 -4
4
2
x y
4 2 0 -2 -4
4
2
x y
2.6.2 Assíntotas Não Verticais
A existência de assíntotas não verticais (horizontais ou oblíquas) do gráfico da função f
depende do comportamento da função quando x → −∞ e quando x → +∞. Assim, o
domínio da função f tem de conter pelo menos um intervalo do tipo ]−∞, a[ ou do tipo ]a,+∞[, coma∈R.
Definição 13 Sejamm∈Re b∈R. A retay =mx+b é uma assíntota não vertical
(horizontal ou oblíqua) do gráfico da função f se a distância entre esta reta e a função f
tende para zero quando x→−∞ ou quando x→+∞, ou seja,
Os coeficientes m (declive da reta) e b (ordenada na origem) são calculados do seguinte
modo:
m= lim
x→±∞ f(x)
x e b=x→lim±∞[f(x)−mx].
Observação 12 .
• Se não existe m ou se m=±∞, então não existem assíntotas não verticais.
• Se m=0 e b∈R, então a reta y=b é uma assíntota horizontal.
• Se o valor dem(ou deb) for diferente para os casos em quex→+∞ex→−∞,então
existem duas assíntotas não verticais. Nesse caso as assíntotas dizem-seunilaterais.
• Se não existir alteração do valor de m e do valor de b nos casos em que x → +∞
e x → −∞, então existe apenas uma assíntota não vertical. Nesse caso a assíntota
diz-se bilateral.
Exemplo 34 .
1. Considere-se a função definida porf(x) = 2x−1
x , cujo domínio éDf =R\ {0}.Então, m = lim
x→±∞ f(x)
x =x→lim±∞
2x−1
x2 =x→lim±∞
µ2
x− 1 x2
¶
=0.
b = lim
x→±∞[f(x)−mx] =x→lim±∞
2x−1
x =x→lim±∞
µ
2−1 x
¶
=2.
Logo, y=2 é assíntota horizontal bilateral.
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
2 y=
4 2 0 -2 -4
4
2
-2
-4
x y
2 y=
2. Considere-se a função definida por g(x) =
⎧ ⎨ ⎩
x+1
x , x > 0 2−ex , x≤0
, cujo domínio é
Dg = R. O estudo das assíntotas não verticais desta função terá que ser feito
separadamente para x→+∞ e para x→−∞.
• Quandox→+∞ a função é dada por g(x) =x+ 1
x.
m = lim
x→+∞
g(x)
x =x→lim+∞
x+ 1 x
x =x→lim+∞
µ
1+ 1
x2
¶
=1.
b = lim
x→+∞[g(x)−mx] =x→lim+∞ µ
x+ 1
x−x
¶
= lim
x→+∞
1 x =0.