AULA 12: Diferenciação Celular
Importância da Diferenciação celular
• Em seres pluricelulares existe uma divisão do trabalho entre as células.
• A distribuição de funções entre as células é consequência da diferenciação celular.
• A diferenciação celular leva ao surgimento de células especializadas para realizar
AULA 12: Diferenciação Celular
Conceito de Diferenciação
• A diferenciação celular é um conjunto de processos que transforma uma célula indiferenciada em uma célula especializada.
• Diferenciação de uma célula é seu grau de especialização. • Quanto maior a diferenciação, maior é sua especialização.
AULA 12: Diferenciação Celular
Conceito de Potencialidade celular
• Potencialidade de uma célula é sua capacidade de originar outros tipos celulares.
• Células que apresentam grande diferenciação têm pouca potencialidade e vice-versa.
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Graus de Potencialidade celular
Quanto à sua potencialidade as células podem ser:
• Oligopotentes • Unipotentes
• Totipotentes • Pluripotentes
AULA 12: Diferenciação Celular
Diferenciação celular em animais
• Nos animais a diferenciação celular começa durante o desenvolvimento embrionário. • Todos os animais se formam a partir de uma célula totalmente indiferenciada: o zigoto. • O zigoto é a célula que possui grau máximo de potencialidade, podendo originar
qualquer célula do corpo de um indivíduo.
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Diferenciação celular na gastrulação
• A gastrulação é o primeiro momento do desenvolvimento embrionário em que ocorre diferenciação celular.
• As células resultantes das divisões do zigoto se diferenciam em três folhetos embrionários.
Folheto Embrionário
Tecidos adultos
Ectoderma Tecido nervoso e epitelial (pele) Mesoderma Tecidos conjuntivos, musculares,
sanguíneo e epitelial
Endoderma Tecidos epiteliais (sistema digestório e respiratório)
AULA 12: Diferenciação Celular
Mecanismo de diferenciação celular
A diferenciação celular depende, principalmente, da expressão de determinados genes e repressão de outros genes.
• O controle é, portanto, transcricional, pois interfere na transcrição dos genes.
• O controle transcricional é específico para cada tipo de célula e varia do silenciamento total de um gene até sutis diferenças na atividade transcricional.
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Mecanismo de diferenciação celular
DNA
mRNA
Proteína
Transcrição
Replicação
Tradução
AULA 12: Diferenciação Celular
Mecanismo de diferenciação celular
• Em um eritroblasto são mantidas asfunções dos genes envolvidos na produção de hemoglobina, enquanto muitos outros são inativados.
• Em um neurônio, embora existam os genes que produzem a hemoglobina, não há produção desta proteína, mas produzem outras importante para exercer a sua função.
AULA 12: Diferenciação Celular
Mecanismo de diferenciação celular
• Células musculares são diferentes dascélulas nervosas porque os genes ativos são diferentes.
• O cromossomo X inativado nas fêmeas é um exemplo de inativação gênica como a que ocorre na diferenciação celular, por compactação da cromatina. • A inativação gênica também pode
ocorrer por metilação de nucleotídeos do DNA.
AULA 12: Diferenciação Celular
Mecanismo de diferenciação celular
• Os fatores que interferem na diferenciação celular podem ser intracelulares ou extracelulares.
• Requer uma intensa comunicação entre as células e o ambiente. Os fatores intracelulares derivam do programa que existe no DNA da célula.
• Participam inúmeras substâncias chamadas de fatores de transcrição, que se ligam a locais específicos do DNA permitindo a transcrição de determinados genes.
AULA 12: Diferenciação Celular
Mecanismo de diferenciação celular
A sinalização entre as células ocorre por meio de substâncias secretadas por uma célula que vai se ligar a um receptor na célula-alvo e induzir a sua diferenciação.
A sinalização pode ser:
• Por meio do contato célula-célula • Comunicação parácrina
• Comunicação por meio de um hormônio
AULA 12: Diferenciação Celular
Diferenciação celular em tecidos adultos
• A diferenciação celular também ocorre após o desenvolvimento embrionário.
• Muitos órgãos e tecidos abrigam células com capacidade de se diferenciar em outras, mesmo após o término de sua formação.
AULA 12: Diferenciação Celular
Diferenciação celular em tecidos adultos
AULA 12: Diferenciação Celular
Diferenciação celular reversível
• A diferenciação celular não é um processo irreversível. • É possível promover uma desprogramação nuclear, em
que todos os genes são ativados, voltando a ser uma célula embrionária.
• No processo de regeneração, como no fígado, por exemplo, também ocorre a desprogramação nuclear das células.
AULA 12: Diferenciação Celular
Diferenciação celular reversível
AULA 13: Biologia das células-tronco
O que são células-tronco?
Células-tronco são células que ainda não se diferenciaram,
com capacidade de autorreplicação e que, quando estimuladas, podem se diferenciar.
Muitos tecidos possuem células-tronco, que se multiplicam para manter a sua própria população e originar células mais especializadas.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Importância das células-tronco
Michael Hartnett jogador de basquete da Austrália.
Existe um interesse muito grande sobre essas células, devido à possibilidade de serem utilizadas na medicina regenerativa.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Diferenciação Celular
As células-tronco são capazes de se transformar em uma célula diferenciada por meio do processo de diferenciação celular.
• A diferenciação celular depende, principalmente, da expressão de determinados genes e repressão de outros genes.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Diferenciação Celular
Durante a diferenciação celular, dois fatores indicam quais fenótipos celulares vão surgir:
• Potencialidade da célula-tronco: quanto maior for sua
potencialidade maior o número de tipos celulares que vai originar. • Ambiente em que a célula se encontra: cada ambiente fornece
uma composição de fatores que direciona a diferenciação para tipos celulares distintos.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Potencialidade das células-tronco
Potencialidade de uma célula é sua capacidade de originar outros
tipos celulares.
As células-tronco podem ser: • Totipotentes
• Pluripotentes • Multipotentes • Oligopotentes
Zigoto: Esquema de um zigoto (à esquerda) e micrografia
eletrônica com o zigoto apresentando os dois pró-núcleos (materno e paterno) no centro da célula (à direita).
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco totipotentes
As células-tronco totipotentes podem gerar qualquer tipo de célula. • O zigoto (célula formada pela fusão dos gametas)
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco totipotentes
• Os blastômeros, células produto das clivagens, são células-tronco totipotentes. • São capazes de originar tanto tecidos embrionários como placentários.
Blastocisto
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco pluripotentes
As células-tronco pluripotentes podem originar uma grande quantidade de tipos celulares diferentes.
• As células do embrioblasto do blastocisto são células-tronco pluripotentes, pois podem originar qualquer tipo celular do corpo do indivíduo.
Embrioblasto
Trofoblasto
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco multipotentes
Na gastrulação, as células do embrioblasto se diferenciam em três folhetos embrionários:
• Ectoderma • Mesoderma • Endoderma
Essas células são multipotentes, porque já possuem um grau de diferenciação que só lhes permite se diferenciar em determinados tecidos.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco multipotentes
Folheto Embrionário
Tecidos adultos
Ectoderma Tecido nervoso e epitelial (pele) Mesoderma Tecidos conjuntivos, musculares,
sanguíneo e epitelial
Endoderma Tecidos epiteliais (sistema digestório e respiratório)
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco mesenquimais
As células-tronco mesenquimais fazem parte do tecido sanguíneo, junto com as células hematopoiéticas.As células-tronco mesenquimais originam células do tecido conjuntivo, cartilaginoso, ósseo, endoteliais e musculares lisas.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco tecido específicas
Os tecidos adultos possuem células-tronco, para sua renovação e regeneração, chamadas de células-tronco tecido específicas.As células hematopoiéticas da medula óssea são tecido específicas, pois originam diversas células do sangue.
AULA 13: Biologia das células-tronco
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco embrionárias
Células-tronco embrionárias pluripotentes têm sido obtidas de blastocistos e utilizadas em terapia
celular, para reparar diferentes órgãos que sofreram perdas celulares, como o coração, a medula espinhal e etc.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco embrionárias
No Brasil a lei 11.105/05 regulamenta o uso de células-tronco embrionárias em terapia celular.
Art. 5o É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco
embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: I – sejam embriões inviáveis; ou
II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação
desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento. § 1o Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores.
§ 2o Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa
ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter
seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco de medula óssea
Células-tronco tecido específicas multipotentes também estão sendo testadas na terapia celular de diferentes órgãos e tecidos.
O transplante de medula óssea, há muito tempo utilizada no tratamento de leucemias, é um exemplo de sua aplicação.
Células-tronco obtidas da medula óssea também estão sendo testadas em terapia celular em órgãos como o coração e a medula espinhal.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco de medula óssea
Sistema circulatório
Sistema nervoso
Sistema imune
A figura mostra a capacidade de diferenciação que possuem as células-tronco multipotentes da medula óssea.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco de dente
Sistema circulatório
Sistema nervoso
Sistema imune
Células-tronco adultas têm sido obtidas de diferentes locais e tecidos. Estudos demonstraram que a polpa de dentes de leite são boas fontes dessas células.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco de cordão umbilical
O cordão umbilical também tem sido utilizado como fontes de células-tronco, porque são consideradas pluripotentes e com várias aplicações na medicina regenerativa.
A figura mostra a obtenção de células-tronco pluripotentes induzidas.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Células-tronco pluripotentes induzidas
Devido aos problemas éticos na obtenção de células-tronco embrionárias,
pesquisadores desenvolveram a técnica de transformar células adultas, somáticas, em células embrionárias.
As células obtidas desta forma foram chamadas de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS).
AULA 13: Biologia das células-tronco
Clonagem terapêutica
A clonagem terapêutica consiste em uma técnica em que clones de um indivíduo são produzidos para que, dos embriões, sejam retiradas células-tronco com seu mesmo material genético.
• A obtenção de células-tronco, desta forma, enfrenta grande resistência legal.
• A Lei 11.105/05 proíbe este tipo de procedimento no Brasil.
AULA 13: Biologia das células-tronco
Clonagem terapêutica
Sistema nervoso Sistema circulatório
AULA 14: Biologia das células-tronco
A morte celular
Durante o desenvolvimento embrionário é comum ocorrer a morte de células que já cumpriram seu papel (tecidos provisórios), ou para originar estruturas como ductos, cavidades etc.
No organismo adulto também ocorre a morte de células danificadas, envelhecidas, redundantes ou perigosas (cancerosas).
Necrose: morte celular acidental
A morte celular pode ocorrer de forma acidental, sendo chamada, neste caso, de necrose. A necrose pode ocorrer devido à afecções vasculares, traumatismo, substâncias toxicas e outras causas.
Necrose na perna por picada de aranha.
As células podem morrer de forma fisiológica e programada, sob o comando de genes presentes em seu núcleo.
Este tipo de morte celular, em que a própria célula se destrói sob o comando nuclear, é chamada de apoptose.
Apoptose: morte celular programada
Apoptose: morte celular programada
As figuras mostram falhas da apoptose. União dos dedos (sindactilia). Veja a radiografia da mão esquerda.
É comum ocorrer apoptose durante o desenvolvimento embrionário, como por exemplo para individualização dos dedos.
Apoptose: morte celular programada
A apoptose também ocorre emcélulas de tecidos adultos, como os neutrófilos, células tumorais, células autorreativas.
Célula entrando em apoptose.
Em apoptose
O Câncer
• Câncer é o nome dado a um conjunto de doenças em que as células se multiplicam de forma desordenada, comprometendo a harmonia do tecido e até mesmo invadindo tecidos vizinhos.
• As células de um tecido normal crescem, se multiplicam e morrem. No câncer estes mecanismos estão anormais.
AULA 14: Biologia das células-tronco
Desenvolvimento do Câncer
• Mutação nestes genes são responsáveis pelo câncer.
• Os processos de divisão e morte celular são regulados por vários genes.
• Sendo assim, o câncer é sempre uma doença genética, independentemente de ocorrer de forma esporádica ou hereditária, pois sempre se inicia com danos no DNA.
Crescimento controlado das células
Normal
AULA 14: Biologia das células-tronco
A figura mostra as fase de um câncer. Normal Hiperplasia Displasia
Leve
Carcionoma in stiu (displasia severa)
Cancêr Invasivo
Genética do câncer
As mutações genéticas que desencadeiam o câncer ocorrem, basicamente, em dois tipos de genes:
• Proto-oncogenes;
• Genes supressores tumorais.
Genética do câncer
AULA 14: Biologia das células-tronco
Os proto-oncogenes são genes normais que, quando sofrem mutações, originam os oncogenes. Estes genes estimulam a proliferação celular e quando sofrem as mutações, passam a estimular de forma descontrolada, levando ao câncer.
Célula normal
Proto-oncogene
Célula cancerígena
Agente cancerígenos
(Químicos, UV) Oncogene
Genética do câncer
AULA 14: Biologia das células-tronco
Os genes supressores tumorais controlam a divisão celular, induzindo à apoptose, por exemplo. Quando estes genes sofrem as mutações, deixam de funcionar e as células se multiplicam de forma descontrolada, levando ao câncer.
Divisão celular controlada Gene supressor tumoral
Proteína que inibe a divisão celular
Proteína que inibe
não funcional
Gene supressor tumoral mutado
Divisão celular
Colo do útero.
Crescimento controlado das células
O crescimento controlado das células ocorre quando um estímulo fisiológico ou patológico faz com que a proliferação celular ocorra e cessa quando o estímulo é retirado.• Exemplo: o que acontece na hiperplasia, metaplasia e displasia.
Normal Displasia
AULA 14: Biologia das células-tronco
Crescimento descontrolado das células
O crescimento descontrolado das células faz com que ocorra um acúmulo anormal de células no tecido e esta proliferação não cessa mesmo quando o estímulo é retirado.
O estímulo que faz estas células proliferarem de forma descontrolada é proveniente das mutações que ocorreram nos seus genes. Neste caso, formam-se os tumores ou neoplasias.
Tumores ou neoplasias
As neoplasias, ou tumores, são decorrentes do acúmulo de células anormais no tecido. • Eles podem ser considerados benignos ou malignos.
Esquema mostrando um tumor benigno (crescimento organizado) e um tumor maligno (crescimento desorganizado).
Mamografia mostrando um seio com células saudáveis (esquerdo) e um seio com células cancerosas.
AULA 14: Biologia das células-tronco
Tumores ou neoplasias
As neoplasias benignas são de crescimento lento e organizado. Apresentam limites visíveis e não invadem os tecidos vizinhos.
As neoplasias malignas são de crescimento rápido e desordenado, invadindo tecidos vizinhos (metástase) e até levando à morte.
Carcinogênese ou oncogênese
Carcinogênese ou oncogênese é o nome dado ao
processo de formação de um câncer.
• Chamamos de agentes carcinogênicos aqueles que são capazes de desencadear o desenvolvimento de um câncer, causando mutações nos genes.