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POLÍTICAS E PROGRAMAS PARA O IDOSO

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POLÍTICAS E

PROGRAMAS PARA

O IDOSO

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 01

2 POLÍTICA PARA O IDOSO NO BRASIL ... 03

3 PRINCÍPIOS QUE FUNDAMENTAM A LEI 8842/94 ... 12

4 ASSEMBLEIA MUNDIAL SOBRE O ENVELHECIMENTO ... 15

5 A MORTE E O MORRER ... 21

REFERÊNCIAS CONSULTADAS E UTILIZADAS ... 27

ANEXOS ... 29

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1 INTRODUÇÃO

O aumento da expectativa de vida é um motivo fundamental na mudança demográfica e socioepidemiológica do Brasil, alterando significativamente o perfil e as necessidades da população idosa. Assim, nos últimos 50 anos, tem havido maior interesse no trabalho com idosos, colocando-se em destaque um prolongamento da vida humana, vivenciado com processos educativos, atitudes e hábitos saudáveis que possibilitem envelhecer ativamente, com saúde e dignidade.

No Brasil, esses aspectos são identificados, na qualidade de políticas públicas, no marco legal referente à Política Nacional do Idoso.

Considera-se, ainda, o processo social e político ocorrido no âmbito das instituições governamentais, não governamentais e dos movimentos sociais em curso no Brasil.

Para maior entendimento da construção desse processo no Brasil, torna- se essencial o conhecimento das ações ocorridas no âmbito estatal, da sociedade e dos movimentos sociais para reivindicação e garantia dos direitos sociais aos idosos por meio da Política Nacional - Lei 8.942/94 e do Estatuto do Idoso - Lei 10.741 de 01/10/2003.

A Lei Orgânica da Assistência Social (Lei n. 8742/93), aprovada em 7 de dezembro de 1993, inclui benefícios, serviços, programas e projetos de atenção ao idoso, com a corresponsabilidade das três esferas de governo, e a concessão do benefício de prestação continuada ao idoso a partir de 70 anos de idade, com uma renda mensal per capita de um quarto do salário mínimo.

Assinale-se que a idade prevista de 70 anos foi revogada pela Lei 9.720 de 30/11/1998, alterando-a para 65 anos.

A Política Nacional do Idoso, aprovada em 4 de janeiro de 1994 (Lei 8.942/94), assegurou direitos sociais promovendo autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.

É necessário ressaltar que essa lei foi elaborada e reivindicada pela sociedade, tendo como suporte a Associação Nacional de Gerontologia, que

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promoveu discussões em diversos estados. Depois de uma série de debates e consultas das quais participaram idosos, aposentados, professores, universitários, profissionais da área de geriatria e gerontologia, voluntários e interessados, foi entregue ao Exmo. Presidente da República o documento

“Recomendações sobre Políticas Sociais para o Idoso nos anos 1990”. Esse documento foi amplamente discutido na área governamental e não governamental. Essa estratégia possibilitou a aprovação da Lei n. 8842/94, que trata da Política Nacional do Idoso e o Decreto n. 1948/96 que a regulamenta.

Portanto, leis, políticas e programas voltados para a população idosa será o tema desta apostila.

Esclarecemos dois pontos importantes.

Primeiro: este trabalho não é original, trata-se de uma reunião de materiais e pensamentos de autores diversos que acreditamos, fornecem o essencial para o curso em epígrafe.

Segundo: ainda que a apostila de Metodologia do Trabalho Científico e as Orientações para confecção do TCC tenham explicado que, embora haja controvérsias, trabalhos científicos devem ser redigidos preferencialmente em linguagem impessoal, justificamos que nossa intenção é dialogar com o aluno, portanto abrimos mão dessa regra e optamos por uma linguagem, digamos, informal, tentando nos aproximar e nos fazermos entender mais claramente.

Questionamentos e dúvidas podem surgir ao longo desse caminho, e muito embora tenhamos como missão abrir os horizontes, levá-los a se tornarem especialistas na questão, pedimos desculpas por essas lacunas que possam surgir, no entanto, deixamos ao final da apostila uma lista de referências bibliográficas consultadas e utilizadas onde poderão pesquisar mais profundamente algum tema que tenha chamado atenção ou a desejar.

Boa leitura e bons estudos a todos!

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2 POLÍTICA PARA O IDOSO NO BRASIL

No Brasil, o direito universal e integral à saúde foi conquistado pela sociedade na Constituição de 1988 e reafirmado com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Lei Orgânica da Saúde nº 8.080/90.

Por esse direito, entende-se o acesso universal e equânime a serviços e ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, garantindo a integralidade da atenção, indo ao encontro das diferentes realidades e necessidades de saúde da população e dos indivíduos.

Esses preceitos constitucionais encontram-se reafirmados pela Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que dispôs sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área de saúde e as Normas Operacionais Básicas (NOB), editadas em 1991, 1993 e 1996, que, por sua vez, regulamentam e definem estratégias e movimentos táticos que orientam a operacionalidade do Sistema.

A regulamentação do SUS estabelece princípios e direciona a implantação de um modelo de atenção à saúde que priorize a descentralização, a universalidade, a integralidade da atenção, a equidade e o controle social, ao mesmo tempo em que incorpora, em sua organização, o princípio da territorialidade para facilitar o acesso das demandas populacionais aos serviços de saúde.

Com o objetivo de reorganizar a prática assistencial é criado em 1994, pelo Ministério da Saúde, o Programa de Saúde da Família (PSF), tornando-se a estratégia setorial de reordenação do modelo de atenção à saúde, como eixo estruturante para reorganização da prática assistencial, imprimindo nova dinâmica nos serviços de saúde e estabelecendo uma relação de vínculo com a comunidade, humanizando esta prática direcionada à vigilância na saúde, na perspectiva da intersetorialidade, denominando-se não mais programa e sim Estratégia Saúde da Família (ESF) (BRASIL, 2006).

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Concomitante à regulamentação do SUS, o Brasil organiza-se para responder às crescentes demandas de sua população que envelhece. A Política Nacional do Idoso, promulgada em 1994 e regulamentada em 1996, assegura direitos sociais à pessoa idosa, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS (Lei nº 8.842/94 e Decreto nº 1.948/96).

Em 1999, a Portaria Ministerial nº 1.395 anuncia a Política Nacional de Saúde do Idoso, a qual determina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde relacionados ao tema, promovam a elaboração ou a readequação de planos, projetos e atividades na conformidade das diretrizes e responsabilidades nela estabelecidas (BRASIL, 1999). Essa política assume que o principal problema que pode afetar o idoso é a perda de sua capacidade funcional, isto é, a perda das habilidades físicas e mentais necessárias para realização de atividades básicas e instrumentais da vida diária.

Em 2002, é proposta a organização e a implantação de Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso (Portaria nº 702/SAS/MS, de 2002), tendo como base as condições de gestão e a divisão de responsabilidades definida pela Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS). Como parte de operacionalização das redes, são criadas as normas para cadastramento de Centros de Referência em Atenção à Saúde do Idoso (Portaria nº 249/SAS/MS, de 2002).

Em 2003, o Congresso Nacional aprova e o Presidente da República sanciona o Estatuto do Idoso, elaborado com intensa participação de entidades de defesa dos interesses dos idosos.

O Estatuto do Idoso amplia a resposta do Estado e da sociedade às necessidades da população idosa, mas não traz consigo meios para financiar as ações propostas. O Capítulo IV do Estatuto reza especificamente sobre o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) na garantia da atenção à saúde da pessoa idosa de forma integral, em todos os níveis de atenção.

Assim, embora a legislação brasileira relativa aos cuidados da população idosa seja bastante avançada, a prática ainda é insatisfatória. A

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vigência do Estatuto do Idoso e seu uso como instrumento para a conquista de direitos dos idosos, a ampliação da Estratégia Saúde da Família que revela a presença de idosos e famílias frágeis e em situação de grande vulnerabilidade social e a inserção ainda incipiente das Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso tornaram imperiosa a readequação da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI).

Em fevereiro de 2006, foi publicado, por meio da Portaria nº 399/GM, o documento das Diretrizes do Pacto pela Saúde que contempla o Pacto pela Vida. Neste documento, a saúde do idoso aparece como uma das seis prioridades pactuadas entre as três esferas de governo sendo apresentada uma série de ações que visam, em última instância, à implementação de algumas das diretrizes da Política Nacional de Atenção à Saúde do Idoso.

A publicação do Pacto pela Vida, particularmente no que diz respeito à saúde da população idosa, representa, sem sombra de dúvida, um avanço importante. Entretanto, muito há que se fazer para que o Sistema Único de Saúde dê respostas efetivas e eficazes às necessidades e demandas de saúde da população idosa brasileira.

Dessa maneira, a participação da Comissão Intergestores Tripartite e do Conselho Nacional de Saúde, no âmbito nacional, é de fundamental importância para a discussão e formulação de estratégias de ação capazes de dar conta da heterogeneidade da população idosa e, por conseguinte, da diversidade de questões apresentadas.

Cabe destacar, por fim, que a organização da rede do SUS é fundamental para que as diretrizes dessa Política sejam plenamente alcançadas.

Dessa maneira, torna-se imperiosa a revisão da Portaria nº 702/GM, de 12 de abril de 2002, que cria os mecanismos de organização e implantação de Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso e a Portaria nº 249/SAS, de 16 de abril de 2002, com posterior pactuação na Comissão Intergestores Tripartite.

A meta final deve ser uma atenção à saúde adequada e digna para os idosos e idosas brasileiras, principalmente para aquela parcela da população

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idosa que teve, por uma série de razões, um processo de envelhecimento marcado por doenças e agravos que impõem sérias limitações ao seu bem- estar.

A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) tem como público alvo todas as pessoas (brasileiras) com 60 anos de idade ou mais e elege dois grandes grupos populacionais com o objetivo de melhor operacionalizá-la. Sendo o grupo de idosos independentes e, o grupo de idosos frágeis ou em processo de fragilização. Entende-se por idosos independentes,

“aquelas pessoas que, mesmo sendo portadoras de alguma doença, se mantêm ativas no ambiente familiar e no meio social”. As pessoas idosas frágeis ou em processo de fragilização “são aquelas que, por qualquer razão, apresentam determinadas condições que podem ser identificadas pelos profissionais de saúde”, ou seja, o grupo de pessoas que correm risco de estarem incapazes ou aquelas já com algum grau de incapacidade funcional.

Dessa forma é importante ressaltar que se torna mais fácil planejar ações possibilitando aos idosos independentes continuarem com a sua independência e autonomia, como também proporcionar uma atenção diferenciada aos que apresentam algum grau de incapacidade, para que essas pessoas que fazem parte desse grupo, ou se recuperem, ou não piorem a sua situação de saúde.

De acordo com a Portaria 2528 de 2006 (MS) que aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, são princípios ou diretrizes que norteiam a política:

a) promoção do envelhecimento ativo e saudável: A promoção do envelhecimento ativo, isto é, envelhecer mantendo a capacidade funcional e a autonomia, é reconhecidamente a meta de toda ação de saúde. Ela permeia todas as ações desde o pré-natal até a fase da velhice. A abordagem do envelhecimento ativo baseia-se no reconhecimento dos direitos das pessoas idosas e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e auto realização determinados pela Organização das Nações Unidas (WHO,

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2002). Para tanto é importante entender que as pessoas idosas constituem um grupo heterogêneo. Também será necessário vencer preconceitos e discutir mitos arraigados em nossa cultura. Os profissionais de saúde e a comunidade devem perceber que a prevenção e a promoção de saúde não é privilégio apenas dos jovens. A promoção não termina quando se faz 60 anos e as ações de prevenção, sejam elas primárias, secundárias ou terciárias, devem ser incorporadas à atenção à saúde, em todas as idades.

b) atenção integral, integrada à saúde da pessoa idosa: A atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa deverá ser estruturada nos moldes de uma linha de cuidados, com foco no usuário, baseado nos seus direitos, necessidades, preferências e habilidades; estabelecimento de fluxos bidirecionais funcionantes, aumentando e facilitando o acesso a todos os níveis de atenção; providos de condições essenciais - infraestrutura física adequada, insumos e pessoal qualificado para a boa qualidade técnica.

Instrumentos gerenciais baseados em levantamento de dados sobre a capacidade funcional (inventários funcionais) e sócio familiares da pessoa idosa deverão ser implementados pelos gestores municipais e estaduais do SUS, para que haja a participação de profissionais de saúde e usuários na construção de planos locais de ações para enfrentamento das dificuldades inerentes à complexidade de saúde da pessoa idosa.

Incorporação, na atenção básica, de mecanismos que promovam a melhoria da qualidade e aumento da resolutividade da atenção à pessoa idosa, com envolvimento dos profissionais da atenção básica e das equipes de Saúde da Família, incluindo a atenção domiciliar e ambulatorial, com incentivo à utilização de instrumentos técnicos validados, como de avaliação funcional e psicossocial.

Incorporação, na atenção especializada, de mecanismos que fortaleçam a atenção à pessoa idosa: reestruturação e implementação das Redes Estaduais de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa, visando a integração efetiva

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com a atenção básica e os demais níveis de atenção, garantindo a integralidade da atenção, por meio do estabelecimento de fluxos de referência e contra referência; e implementando de forma efetiva modalidades de atendimento que correspondam às necessidades da população idosa, com abordagem multiprofissional e interdisciplinar, sempre que possível.

Contemplando também fluxos de retaguarda para a rede hospitalar e demais especialidades, disponíveis no Sistema Único de Saúde.

A prática de cuidados às pessoas idosas exige abordagem global, interdisciplinar e multidimensional, que leve em conta a grande interação entre os fatores físicos, psicológicos e sociais que influenciam a saúde dos idosos e a importância do ambiente no qual está inserido. A abordagem também precisa ser flexível e adaptável às necessidades de uma clientela específica. A identificação e o reconhecimento da rede de suporte social e de suas necessidades também faz parte da avaliação sistemática, objetivando prevenir e detectar precocemente o cansaço das pessoas que cuidam. As intervenções devem ser feitas e orientadas com vistas à promoção da autonomia e independência da pessoa idosa, estimulando-a para o autocuidado. Grupos de autoajuda entre as pessoas que cuidam devem ser estimulados.

Uma abordagem preventiva e uma intervenção precoce são sempre preferíveis às intervenções curativas tardias. Para tanto, é necessária a vigilância de todos os membros da equipe de saúde, a aplicação de instrumentos de avaliação e de testes de triagem, para detecção de distúrbios cognitivos, visuais, de mobilidade, de audição, de depressão e do comprometimento precoce da funcionalidade, dentre outros.

O modelo de atenção à saúde baseado na assistência médica individual não se mostra eficaz na prevenção, educação e intervenção, em questões sociais, ficando muitas vezes restritas às complicações advindas de afecções crônicas. A cada etapa de intervenção os profissionais deverão considerar os anseios do idoso e de sua família. Pressupondo-se troca de informações e negociação das expectativas de cada um, levando-se em consideração elementos históricos do paciente, seus recursos individuais e sociais e aqueles da rede de suporte social disponível no local.

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Um dos instrumentos gerenciais imprescindíveis é a implementação da avaliação funcional individual e coletiva. A partir da avaliação funcional coletiva determina-se a pirâmide de risco funcional, estabelecida com base nas informações relativas aos critérios de risco da população assistida pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de cada município. Verifica-se como está distribuída a população adscrita à equipe de Saúde da Família, com base no inventário de risco funcional.

Nos municípios que não dispõem da Estratégia Saúde da Família, as equipes das UBS poderão ser responsáveis por esse levantamento e acompanhamento. Assim, é possível conhecer qual a proporção de idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência para Idosos, a proporção daqueles com alta dependência funcional – acamados –, a proporção dos que já apresentam alguma incapacidade funcional para atividades básicas da vida diária (AVD) – como tomar banho, vestir-se, usar o banheiro, transferir-se da cama para a cadeira, ser continente e alimentar-se com a própria mão – e qual a proporção de idosos independentes.

Considera-se o idoso independente aquele que é capaz de realizar sem dificuldades e sem ajuda todas as atividades de vida diária citadas acima.

Esses idosos comporão a base da pirâmide.

Indivíduos idosos, mesmo sendo independentes, mas que apresentem alguma dificuldade nas atividades instrumentais de vida diária (AIVD) – preparar refeições, controlar a própria medicação, fazer compras, controlar o próprio dinheiro, usar o telefone, fazer pequenas tarefas e reparos domésticos e sair de casa sozinho utilizando uma condução coletiva –, são considerados idosos com potencial para desenvolver fragilidade e por isso merecerão atenção específica pelos profissionais de saúde e devem ser acompanhados com maior frequência.

c) estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção: A prática da intersetorialidade pressupõe o reconhecimento de parceiros e de órgãos governamentais e não governamentais que trabalham com a população idosa. A organização do cuidado intersetorial a essa

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população evita duplicidade de ações, corrige distorções e potencializa a rede de solidariedade.

As ações intersetoriais visando à integralidade da atenção à saúde da pessoa idosa devem ser promovidas e implementadas, considerando as características e as necessidades locais.

d) provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa: Deverão ser definidas e pactuadas com os estados, o Distrito Federal e os municípios as formas de financiamento que ainda não foram regulamentadas, para aprimoramento da qualidade técnica da atenção à saúde prestada à pessoa idosa. Os mecanismos e os fluxos de financiamento devem ter por base as programações ascendentes de estratégias que possibilitem a valorização do cuidado humanizado ao indivíduo idoso. Abaixo são apresentados os itens prioritários para a pactuação:

• Provimento de insumos, de suporte em todos os níveis de atenção, prioritariamente na atenção domiciliar inclusive medicamentos;

• Provimento de recursos para adequação de estrutura física dos serviços próprios do SUS;

• Provimento de recursos para ações de qualificação e de capacitação de recursos humanos, e incremento da qualidade técnica dos profissionais de saúde do SUS na atenção à pessoa idosa;

• Produção de material de divulgação e informativos sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, normas técnicas e operacionais, protocolos e manuais de atenção, para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS;

• Implementação de procedimento ambulatorial específico para a avaliação global do idoso; e

• Determinação de critérios mínimos de estrutura, processo e resultados, com vistas a melhorar o atendimento à população idosa, aplicáveis às unidades de saúde do SUS, de modo que a adequação a esses critérios seja incentivada e mereça reconhecimento.

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e) estímulo à participação e fortalecimento do controle social: Deve- se estimular a inclusão nas Conferências Municipais e Estaduais de Saúde de temas relacionados à atenção à população idosa, incluindo o estímulo à participação de cidadãos e cidadãs idosos na formulação e no controle social das ações deliberadas nessas Conferências.

Devem ser estimulados e implementados os vínculos dos serviços de saúde com os seus usuários, privilegiando os núcleos familiares e comunitários, criando, assim, condições para uma efetiva participação e controle social da parcela idosa da população.

f) formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa, incluindo:

• Divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS: incluir a PNSPI na agenda de atividades da comunicação social do SUS;

• Produzir material de divulgação, tais como cartazes, cartilhas, folhetos e vídeos;

• Promover ações de informação e divulgação da atenção à saúde da pessoa idosa, respeitando as especificidades regionais e culturais do País e direcionadas aos trabalhadores, aos gestores, aos conselheiros de saúde, bem como aos docentes e discentes da área de saúde e à comunidade em geral;

• Apoiar e fortalecer ações inovadoras de informação e divulgação sobre a atenção à saúde da pessoa idosa em diferentes linguagens culturais;

• Identificar, articular e apoiar experiências de educação popular, informação e comunicação em atenção à saúde da pessoa idosa; e

• Prover apoio técnico e/ou financeiro a projetos de qualificação de profissionais que atuam na Estratégia Saúde da Família e no Programa de Agentes Comunitários de Saúde, para atuação na área de

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informação, comunicação e educação popular em atenção à saúde da pessoa idosa.

h) promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção à saúde da pessoa idosa: Devem-se fomentar medidas que visem à promoção de cooperação nacional e internacional das experiências bem sucedidas na área do envelhecimento, no que diz respeito à atenção à saúde da pessoa idosa, à formação técnica, à educação em saúde e a pesquisas.

i) apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas: Apoiar o desenvolvimento de estudos e pesquisas que avaliem a qualidade e aprimorem a atenção de saúde à pessoa idosa. Identificar e estabelecer redes de apoio com instituições formadoras, associativas e representativas, universidades, faculdades e órgãos públicos nas três esferas, visando:

• Fomentar pesquisas em envelhecimento e saúde da pessoa idosa;

• Identificar e apoiar estudos/pesquisas relativos ao envelhecimento e à saúde da pessoa idosa existentes no Brasil, com o objetivo de socializar, divulgar e embasar novas investigações;

• Criar banco de dados de pesquisadores e pesquisas em envelhecimento e saúde da pessoa idosa realizadas no Brasil, interligando-o com outros bancos de abrangência internacional;

• Identificar e divulgar as potenciais linhas de financiamento – Ministério da Ciência e Tecnologia, Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, terceiro setor e outros – para a pesquisa em envelhecimento e saúde da pessoa idosa;

• Apoiar a realização de estudo sobre representações sociais, junto a usuários e profissionais de saúde sobre a saúde da pessoa idosa;

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• Priorizar as linhas de pesquisas em envelhecimento e saúde da pessoa idosa a serem implementadas pelo SUS, visando o aprimoramento e a consolidação da atenção à saúde da pessoa idosa no SUS; e

• Implementar um banco de dados nacional com resultados de avaliação funcional da população idosa brasileira (BRASIL, 2006).

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3 PRINCÍPIOS QUE FUNDAMENTAM A LEI 8842/94

A família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida.

O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informações para todos.

O idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza.

O idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transformações a serem efetivadas através desta política; as diferenças econômicas, sociais, regionais e, particularmente, as contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral na aplicação desta Lei.

Segundo determinação legal, coube à Secretaria de Assistência Social a coordenação da Política de Assistência Social, assim como da Política Nacional do Idoso e do Plano de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política Nacional do Idoso.

São os Órgãos que compõem este Plano: Ministério da Previdência e Assistência Social, Educação, Justiça, Cultura, Trabalho e Emprego, Saúde, Esporte e Turismo, e Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

O Plano de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política Nacional é um avanço na integração das políticas setoriais e propõe uma gestão em rede, efetivando a ação do governo de forma intersetorial integrada, considerando o idoso um cidadão com direitos.

O Plano estabelece as principais competências e ações dos ministérios, define estratégias e mecanismos de implementação das ações da Política Nacional do Idoso nas três esferas de governo, e ainda estabelece mecanismos de acompanhamento, controle e avaliação das ações.

A Secretaria de Estado de Assistência Social, em parceria com as demais políticas, vem desenvolvendo ações em prol dos idosos destacando-se

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as áreas de assistência social, saúde, educação, justiça, trabalho, esporte, turismo e urbanismo.

De acordo com o Plano Integrado de Ação Governamental para o Desenvolvimento da Política do Idoso, cada ministério que compõe esta política apresenta suas linhas de ação a serem desenvolvidas de forma integrada e descentralizada pelas três esferas do governo (MENDONÇA; ABIGAIL, 2007).

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4 ASSEMBLEIA MUNDIAL SOBRE O ENVELHECIMENTO

Após vinte anos da realização da I Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada em agosto de 1982, em Viena, a Organização das Nações Unidas promoveu, no período de 8 a 12 de abril de 2002, em Madri, a II Assembleia Mundial.

Estiveram presentes representantes de 159 países, que fizeram uma avaliação do Plano de Ação Internacional sobre o Envelhecimento e constataram que não houve avanços uniformes em todos os países. A falta de infraestrutura, a política econômica, a AIDS e os conflitos armados têm sido as causas que levaram muitos governos a não terem condições de efetivar melhorias.

A Assembleia concluiu por unanimidade dois documentos: o Plano de Ação Internacional de Madri sobre o Envelhecimento 2002 e a Declaração Política. O objetivo é garantir a plena proteção e promoção dos direitos e liberdades fundamentais dos idosos em todo o mundo. Nos dois textos estão as seguintes recomendações:

• Avançar na saúde e bem-estar do idoso;

• Assegurar meios de apoio;

• Reconhecer a vinculação entre envelhecimento e desenvolvimento;

• Fomentar a participação dos idosos na sociedade em que vivem e não sejam considerados como uma carga;

• Incluir os idosos na economia produtiva;

• Flexibilizar a idade de trabalho sempre que seja possível e a pessoa queira fazê-lo:

• Considerar a relevância do contingente de mulheres idosas que em meados do século serão agentes de mudança e desenvolvimento no mundo produtivo;

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• Buscar recomendações para atuar contra os maus-tratos aos idosos;

• Denunciar a situação vulnerável dos idosos em conflitos bélicos e territórios ocupados;

• Estimular a valorização do idoso especialmente entre os mais jovens;

• Estimular a transmissão de informações aos idosos sobre seus direitos para que sejam capazes de lutar por si mesmos e conquistar esses direitos.

Foram reafirmados os Princípios e as Recomendações contidas no Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento, que as Nações Unidas elaboraram em 1982, e os princípios das Nações Unidas em favor dos idosos, aprovados na Assembleia Geral em 1991, dando orientações sobre as questões da independência, participação, cuidados, auto realização e dignidade.

Por ocasião da Assembleia também foram realizados outros eventos que abordaram o tema envelhecimento: o Fórum Mundial das ONGs sobre o Envelhecimento: Diálogo 2020 “O futuro do Envelhecimento”, organizado pelo governo espanhol, e o Fórum de Valência, organizado pela Associação Internacional de Gerontologia.

O processo político ocorrido no Brasil, desde 1988 até o presente momento, demonstra a força política dos idosos e aposentados, assim como evidencia o avanço significativo do Brasil no tocante à conquista da legislação vigente para a defesa dos direitos de atenção à pessoa idosa.

Em 1991, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução n. 46, intitulada Terceira Idade - Princípios das Nações Unidas para o Idoso.

Abaixo temos estes princípios:

INDEPENDÊNCIA

• Ter acesso à alimentação, água, moradia, a vestuário, à saúde, ter apoio familiar e comunitário.

• Ter oportunidade de trabalhar ou ter acesso a outras formas de geração de renda.

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• Poder determinar em que momento deverá afastar-se do mercado de trabalho.

• Ter acesso à educação permanente e a programas de qualificação e requalificação profissional.

• Poder viver em ambientes seguros adaptáveis à sua preferência pessoal, que sejam passíveis de mudanças.

• Poder viver em sua casa pelo tempo que for viável.

PARTICIPAÇÃO

• Permanecer integrado à sociedade, participar ativamente na formulação e inplementação de políticas que afetam diretamente seu bem-estar e transmitir aos mais jovens conhecimentos e habilidades.

• Aproveitar as oportunidades para prestar serviços à comunidade, trabalhando como voluntário, de acordo com seus interesses e capacidades.

• Poder formar movimentos ou associações de idosos.

ASSISTÊNCIA

• Beneficiar-se da assistência e proteção da família e da comunidade, de acordo com os valores culturais da sociedade.

• Ter acesso à assistência da saúde para manter ou adquirir o bem-estar físico, mental e emocional, prevenindo-se da incidência de doenças.

• Ter acesso a meios apropriados de atenção institucional que lhe proporcionem proteção, reabilitação, estimulação mental e desenvolvimento social, em um ambiente humano e seguro.

• Ter acesso a serviços sociais e jurídicos que lhe assegurem melhores níveis de autonomia, proteção e assistência.

• Desfrutar os direitos e liberdades fundamentais, quando residente em instituições que lhe proporcionem os cuidados necessários, respeitando-

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se sua dignidade, crença e intimidade. Deve desfrutar ainda o direito de tomar decisões quanto à assistência prestada pela instituição e à qualidade de sua vida.

AUTO-REALIZAÇÃO

• Aproveitar as oportunidades para total desenvolvimento de suas potencialidades.

• Ter acesso aos recursos educacionais, culturais, espirituais e de lazer da sociedade.

DIGNIDADE

• Poder viver com dignidade e segurança, sem ser objeto de exploração e maus-tratos físicos e/ou mentais.

• Ser tratado com justiça, independente da idade, sexo, raça, etnia, deficiências, condições econômicas ou outros fatores.

Ações da saúde pública voltadas para o idoso demente

O Estatuto do Idoso, que tramitou no Congresso Nacional Brasileiro por longos sete anos e foi sancionada pelo Presidente da República em 2003, veio certamente abranger e preencher lacunas em relação à Política Nacional do Idoso de 1994, mas o caminho parece ser ainda longo para atingir seus objetivos e contemplar, com respeito, o idoso em todas suas necessidades.

Interessante notar que no Capítulo IV do referido Estatuto, temos o Artigo 15 estabelecendo o SUS como o mecanismo de atendimento à saúde do idoso e uma interpretação restritiva deste dispositivo poderá dar margem à conclusão de que não pode o idoso, pleitear, por atuação própria ou substituição processual, tratamento de saúde fora do SUS contra o Estado.

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É notadamente visível que o SUS não consegue atender efetivamente aos pacientes que dependem e precisam dos seus serviços, sendo a nível, principalmente de exames, extremamente lento e precário.

No tocante ao cuidador, há de se concordar com Néri e Carvalho (2002), que consideram que os planejadores de políticas sociais, educacionais e de saúde tenham uma reflexão sobre os riscos inerentes a considerar o cuidado somente em termos negativos e a promover a vitimização pura e simples do cuidador. Agindo dessa forma, haverá pouco espaço para discutir formas positivas de reconhecer os problemas e as soluções criativas geradas no contato cotidiano dos familiares e dos profissionais com o idoso e o cuidado.

Caldas (2001) cita que a família precisa receber atenção específica dos profissionais da saúde. E lidar com essa clientela exige um conhecimento que inclui aspectos teóricos e metodológicos da forma de abordá-la, levando em conta sua estrutura e sua dinâmica própria. O cuidar da pessoa idosa que demência, envolve procedimentos senão complexos, ao menos específicos, e para que o cuidador leigo possa desenvolvê-los, mesmo nos aspectos mais básicos, necessita de um treinamento demarcado e acompanhamento individualizado.

No que se refere às entidades de atendimento, a lei criou uma série de obrigações, previstas nos incisos do artigo 48, verbis:

I - Oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança;

II - Apresentar objetivos estatutários e plano de trabalho, compatíveis com os princípios desta Lei;

III - Estar regularmente constituída;

IV - Demonstrar a idoneidade de seus dirigentes. (Lei nº 10.741/03).

Também o artigo 50 especifica uma série de obrigações:

Art. 50- Constituem obrigações das entidades de atendimento:

I – Celebrar contrato escrito de prestação de serviço com o idoso, especificando o tipo de atendimento, as obrigações da entidade e

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prestações decorrentes do contrato, com os respectivos preços, se for o caso;

II – Observar os direitos e as garantias de que são titulares os idosos;

III – Fornecer vestuário adequado se for pública, e alimentação suficiente;

IV – Oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade;

V – Oferecer atendimento personalizado;

VI – Diligenciar no sentido da preservação dos vínculos familiares;

VII – Oferecer acomodações apropriadas para recebimento de visitas;

VIII – Proporcionar cuidados à saúde, conforme a necessidade do idoso;

IX – Promover atividades educacionais, esportivas, culturais e de lazer;

X – Propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo com suas crenças;

XI – Proceder a estudo social e pessoal de cada caso;

XII – Comunicar à autoridade competente de saúde toda ocorrência de idoso portador de doenças infectocontagiosas;

XIII – Providenciar ou solicitar que o Ministério Público requisite os documentos necessários ao exercício da cidadania àqueles que não os tiverem, na forma da lei;

XIV – Fornecer comprovante de depósito dos bens móveis que receberem dos idosos;

XV – Manter arquivo de anotações onde constem data e circunstâncias do atendimento, nome do idoso, responsável, parentes, endereços, cidade, relação de seus pertences, bem como o valor de contribuições, e suas alterações, se houver, e demais dados que possibilitem sua identificação e a individualização do atendimento;

XVI – Comunicar ao Ministério Público, para as providências cabíveis, a situação de abandono moral ou material por parte dos familiares;

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XVII – Manter no quadro de pessoal profissionais com formação específica” (LEI Nº 10.741/03).

Como é observável, muito se tem que fazer para tornar efetivas as ações, pois, contempla-las no papel é fácil, mas sua viabilidade num país em condições de sobrevivência tão desiguais e sem informações básicas necessárias que cheguem à maioria da população se torna complicado.

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5 A MORTE E O MORRER

Falar sobre o envelhecimento é abordar o pedaço mais denso da caminhada humana, ou seja, o caminho para a morte, mas antes vamos entender um pouco sobre a tanatologia e as cinco fases do processo de morrer.

Tanatologia do grego (Thanato - morte) e (logos - estudo) é a ciência que estuda a morte. Inicialmente se preocupava com o doente terminal, aquele hospitalizado; depois passou a preocupar-se também com a família deste doente, com os profissionais médicos e da área da saúde e com todos aqueles que de qualquer maneira estejam relacionados com ele. Hoje a tanatologia estuda a representação da morte no psiquismo humano e as perdas diárias, isto é, as pequenas mortes, para que enfim, o homem entenda o que é chamado de “a perda maior” (CARVALHO ET AL, 2006).

A Tanatologia refere-se também à parte da medicina legal que se ocupa da morte e dos problemas médico-legais com ela relacionados, sendo conhecida como tanatologia forense. Nesse contexto analisa o exame do local, da informação acerca das circunstâncias da morte, atendendo dados do exame necrópsico tais como identificação do cadáver, mecanismo, causa da morte e diagnóstico diferencial médico-legal (acidente, suicídio, homicídio).

A morte poder-se-á definir como a cessação total e permanente das funções vitais. Alguns autores afirmam que não é um momento, é um processo que se vai desenrolar ao longo do tempo.

A morte também é vista como um fenômeno impregnado de valores e significados dependentes do contexto sociocultural e histórico em que se manifesta.

Do ponto de vista biológico, tanto a morte quanto o nascimento são dois fenômenos naturais, mas para o ser humano que tem o dom de imprimir valores e significados, a morte acaba por se constituir em algo negativo. Para o homem ocidental moderno, a morte passou a ser sinônimo de fracasso,

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impotência e vergonha. Tenta-se vencê-la a qualquer custo e, quando tal êxito não é atingido, ela é escondida e negada (CARVALHO ET AL, 2006).

De acordo com vários autores, existem cinco fases pelas quais passa um paciente terminal, não havendo necessariamente uma ordem para ocorrência dessas manifestações, podendo até mesmo vivenciar mais de uma fase, concomitantemente, ou num mesmo período ou até mesmo não vivenciar algumas delas (KUBLER-ROSS,2005).

A negação pode ser uma defesa temporária ou, em alguns casos, pode sustentar-se até o fim. O paciente desconfia de troca de exames ou competência da equipe de saúde. Geralmente o pensamento que traduz essa defesa é: “não, eu não, é verdade”.

A raiva é a fase na qual surgem sentimentos de ira, revolta, e ressentimento: “por que eu?”. Torna-se mais difícil lidar com o paciente, pois a raiva se propaga em todas as direções, projetando-se no ambiente, muitas vezes, sem “razão plausível”.

Já na barganha o doente faz promessas por um prolongamento da vida ou alguns dias sem dor ou males físicos. As barganhas são feitas com Deus, na maioria das vezes e, psicologicamente, podem estar associadas a uma culpa recôndita.

A depressão pode evidenciar seu alheamento ou estoicismo, com um sentimento de grande perda. As dificuldades do tratamento e hospitalização prolongados aumentam a tristeza que, aliada a outros sentimentos, ocasionam a depressão.

A aceitação é aquela fase em que o paciente passa a aceitar a sua situação e seu destino. É o período em que a família pode precisar de ajuda, compreensão e apoio, à medida que o paciente encontra uma certa paz e o círculo de interesse diminui. No entanto, há pacientes que mantém o conflito com a morte, sem atingir esse estágio.

Estas fases são como mecanismos de defesa para enfrentar o processo desconhecido do morrer, em que os conflitos de ordem emocional, material,

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psicológica, familiar, social, espiritual, entre outros, surgem de forma acentuada, afetando diretamente o relacionamento com a equipe de saúde.

É também relevante o aspecto emocional dos profissionais de saúde, pois esses também criam mecanismos de defesa que os auxiliam no enfrentamento da morte e do processo de morrer. Por serem preparados para a manutenção da vida, a morte e o morrer, em seu cotidiano, suscitam sentimentos de frustração, tristeza, perda, impotência, estresse e culpa. Em geral, o despreparo leva o profissional a afastar-se da situação.

Nesse contexto de estágio terminal, a Enfermagem deve estabelecer uma comunicação mais estreita com o paciente e sua família, a partir da relação do cuidado, uma vez que desenvolveu habilidades e competências para o desempenho de sua função.

A comunicação se manifesta na relação paciente-equipe de saúde de diversas formas, podendo ser verbalizada ou não. O enfermeiro deve saber relacionar-se e trabalhar com a comunicação não verbal, em que palavras são, às vezes, substituídas pelo comportamento e atitudes que revelam a vivência do paciente; outras vezes, complementadas pelo comportamento e, outras vezes, contraditas.

A comunicação não verbal ocorre na interação pessoa-pessoa e caracteriza-se pela transmissão da informação por meio de gestos, posturas, expressão facial, orientações do corpo, entre outras particularidades. A comunicação com pacientes fora de possibilidades terapêuticas geralmente está prejudicada devido às reações emocionais abruptas deste período, bem como ao uso de sedativos e morfínicos no alívio da dor. A comunicação não verbal potencializa a transmissão da mensagem e diminuí as dificuldades de verbalização comuns nos processos de morte.

É defrontar com os sinais inevitáveis e característicos da debilidade e fraqueza do corpo. É dar-se de frente com a finitude. É reconhecer a morte como ponto visível do fim da estada (PY; OLIVEIRA, 2007).

Trabalhar com envelhecimento e morte é pôr-se, sobretudo, em estado de escuta e disponibilidade, muito para além do discurso e método científicos.

É o ofício de um encontro pessoal à luz da solidariedade incondicional com

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alguém que tem nome e história, que se dá a ver por meio da precariedade de um corpo decadente, mas fortemente significativo, que manifesta por detrás de sua aparência, uma história de desejos e sonhos, angústias e temores.

Portanto, precisamos e devemos escutar os mistérios de uma vida que se vai definhando. É prática o respeito ao outro, como exigência incondicional da bioética e fundamento da dignidade. Trabalhar com a morte não é mera assistência a um paciente terminal. É um imperativo bioético de inserir-se na vida do outro. É comprometer-se com o corpo de alguém que definha (ALVES, 1982).

A pós-modernidade pauta-se no tempo como grande controladora do amanhã. A ilusão de infinitude, endossada pelos avanços biomédicos e pela indústria da eterna juventude tenta conter angústia da incerteza, e a morte, apesar de certa, não nos dá tantos avisos quanto gostaríamos. O “morrer” sofre com a pressa moderna, já que os rituais em tomo da morte estão empobrecidos, simbolicamente, evitando-se cada vez mais um contato profundo com essa fase da vida. Em consequência, a morte deixa de ser um

“ato social”, partilhado pela comunidade - como foi durante séculos – passando para o âmbito privado, algo a ser vivenciado solitariamente.

Por outro lado, não gostamos e não queremos falar sobre a morte.

Convivemos, diariamente com a morte, porém com o falecimento do outro.

Sempre que falamos dela, nos referimos à terceira pessoa, a colocamos distante de nós. Quando algum ente querido morre, tal fenômeno altera a estrutura da pessoa que sofre a perda e por isso, sentimentos angustiantes brotam, chegando até mesmo a manifestações fenomênicas como o choro. No entanto, não se pensa na morte em primeira pessoa e quando falamos sobre o assunto é do outro, do morto (MARTINS, 2008).

No contexto social, a morte é algo incompreensível e inaceitável, pois vivemos em meio a uma supervalorização dos bens temporais, assim como materiais, e morrendo, não se pode usufruir mais as oportunidades e recursos oferecidos pela sociedade tecnológica e consumista (MARTINS, 2008).

Quando falamos sobre o idoso, a velhice não pode ser considerada isoladamente, sem que seja abrangida a ideia de morte. É parte obrigatória da

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velhice o fato de nessa fase da vida convivermos com o signo da morte, em sua reta de chegada. Na segunda metade da vida tomamo-nos cada vez mais conscientes dos nossos limites temporais, o que uma vez mais, pode ser vivenciado de modos muito diversos pelo indivíduo.

Na cultura ocidental é característico que a morte seja excluída dos nossos pensamentos pelo tempo mais longo possível. Essa timidez que receia incluir a ideia de morte em nossas vidas pode aumentar o medo inconsciente.

Acabamos, assim, nos comportando de maneira infantil-mágica.

Queremos que nada nos lembre da morte e o morrer (BALDESSIN, 2007).

A exemplo do que acontece com qualquer doente quando fala da morte e os que o cercam tentam minimizar a questão, o que faz instaurar-se uma atmosfera de insinceridade e segredo de ambas as partes. O doente suspeita que lhe escondam algo e teme que sua situação seja pior do que imagina, os que o cercam tentam ainda com mais empenho provar o contrário (BALDESSIN, 2007).

O sociólogo Norbert Elias refere que os idosos foram, durante as últimas décadas do século XX, vistos como representantes vivos da morte. Por esse motivo, sua exclusão servia à sociedade pela insuportável possibilidade de contato com a finitude. Atualmente, com o aumento da expectativa de vida, a chamada terceira idade, não mais é associada diretamente à ideia de morte, portanto abriu-se um campo de possibilidades mais inclusivas a esse setor, mas que ainda funcionam dentro da lógica de negação da morte. A morte deve representar à vida uma possibilidade de tomada de consciência de nosso processo existencial e não o marcador do fim da linha. Deve ser uma aliada e não uma adversária (FRANCO, 2007).

O processo de morrer é parte integrante de nossa vida desde o momento em que nascemos.

Teoricamente, o idoso pode ser considerado uma pessoa que está mais próximo da morte e passar pelas fases descritas por Kubler-Ross (1979), que são: negação, revolta, barganha, depressão e aceitação, fases típicas de pacientes que caminham para o fim da vida. Conhecendo estas fases, é possível entender melhor e ajudar o idoso.

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Normalmente, a grande dificuldade que encontramos com um idoso que enfrenta o processo de morte e morrer é como ajudá-Ia?

Um primeiro ponto no acompanhamento do idoso é, sem dúvida, a solidariedade da presença.

Quando alguém é solidário, o idoso sente que possui algum valor. Ao sentir-se acolhido, em geral, ele conta histórias...

Ao contar suas histórias, relata fatos que fizeram parte de sua vida.

Pode nem estar consciente disso e, certamente, nem usa vocabulários elevados, mas fala como de algo sagrado e defende a sua história como cristal límpido.

Portanto, é essencial uma presença amiga dedicada a ouvir, entender e interpretar corretamente, o que os idosos podem, eventualmente, desejar exprimir, direta ou indiretamente, a respeito da sua experiência anterior, de seus pressentimentos de morte, preocupações com relação ao meio familiar ou a negócios que se vê na obrigação de deixar.

Nesse aspecto é importante estarmos disponíveis ao idoso sem nenhuma interferência.

Demonstrar que o medo, a dor e o sofrimento não são certos ou errados.

Nem a morte para ele é boa ou ruim. Porém, tudo existe. Com uma atitude receptiva, podemos sentir melhor as necessidades da pessoa que está vivendo uma grande mudança. Devemos ouvir, ver e tocar. Assim sendo, resgatamos a identidade e a valorização dos idosos, assim como os compreendemos nessa fase da vida (BALDESSIN, 2007).

Cabe ressaltar que os idosos nos falam da vida e da morte, do tempo e da eternidade, do vigor e da fraqueza. Do plantar e do colher, da grandeza e da limitação do humano.

E a nós cabe estar ao lado deles, para que se sintam amparados no processo de viver e morrer com dignidade.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRASIL. Portaria Ministerial Nº 2.528 de 19 de outubro de 2006, aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.

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ANEXOS

LEGISLAÇÃO QUE GARANTE OS DIREITOS DOS IDOSOS

✓ Constituição Federal, logo no art. 1º declara que são princípios fundamentais da República Federal do Brasil, a cidadania e a dignidade humana(incisos I e II).

✓ A Política Nacional do Idoso (Lei Federal nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, regulamentada pelo Decreto Federal nº 1.948, de 3 de julho de 1996, é o instrumento básico.

✓ Outra diploma legal, a Lei 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social - LOAS, dando consequência art. 203, V, da Constituição Federal, assegura a assistência social à velhice e, como ponto alto, por suas consequências econômicas, regula a prestação continuada, que consiste na garantia de 1 (um salário mínimo mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com 70 anos ou mais e que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família (art. 20).

✓ A partir de janeiro de 1998, conforme a Lei Federal nº 9.720, de 1998, a idade mínima para receber o benefício de prestação continuada foi reduzida de 70 para 67 anos. Assim, o idoso que contar hoje 67 anos e se enquadre nas exigências da lei pode ser contemplado pelo benefício de prestação continuada.

✓ Ainda no âmbito federal, a Lei nº 8.648/93 acrescentou parágrafo único ao art. 399 do Código Civil - mais uma vez realçando a proteção ao idoso -, responsabilizando os filhos maiores e capazes no dever de prestar alimentos aos pais que, na velhice, carência ou enfermidade, ficaram sem condições de prover o próprio sustento, principalmente quando se despojaram de bens em favor da prole. Os alimentos são irrenunciáveis e devem ser prestados até o final das vidas dos pais.

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✓ O idoso também recebe tratamento especial no campo penal. A condenação do idoso acima de 70 anos deve levar em conta a atenuante etária (CP, art. 65, I) e a execução da respectiva sentença pode ser suspensa, é o denominado sursis, desde que a pena seja igual ou inferior a quatro anos (CP, art. 77). A prescrição da punibilidade também é reduzida pela metade para o idoso que na época da condenação tenha mais de 70 anos (CP, art. 115).

✓ A prática de crime contra velho (sem especificação da idade) é sempre considerada circunstância que agrava a pena (CP art. 61, alterado pela Lei nº 9.318/96).

✓ O Decreto Federal nº 2.170, de 04.03.97, que alterou o Decreto Federal nº 89.250, de 27.12.83, estabeleceu campo próprio no formulário da carteira de identidade para a expressão "idoso ou maior de sessenta e cinco anos".

✓ A Lei nº 10.048, de 08.11.2000, estabeleceu prioridade no atendimento do idoso, maior de 65 anos, em todos os bancos, órgãos públicos e concessionárias de serviço público.

✓ A Lei nº 10.173, de 08.01.2001, incluiu os arts. 1.211-A, l.211-B e 1.211-C no Código de Processo Civil, estabelecendo prioridade na tramitação de processos judiciais de idosos, maiores de 65 anos, em qualquer instância ou tribunal.

✓ A Lei Complementar nº 75, de 1993, nos arts. 5º e 6º, atribui ao Ministério Público a defesa do idoso.

Referências

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