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CONSUMO, POUPANÇA E INVESTIMENTO

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Academic year: 2022

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UNIDADE

I

CONSUMO, POUPANÇA E INVESTIMENTO

Objetivos de Aprendizagem

■ Apresentar a teoria de consumo e poupança.

■ Compreender a dinâmica do consumo sob incerteza.

■ Entender a natureza do gasto com investimento.

Plano de Estudo

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

■ Teoria de consumo e poupança

■ Consumo sob incerteza

■ Gasto com investimento

(2)

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

INTRODUÇÃO

Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) ao estudo do consumo, poupança e investimento.

No primeiro tópico, apresentaremos a demanda agregada de bens e serviços, ou seja, estudaremos os fatores que determinam a poupança e a formação bruta de capital. A poupança é simplesmente aquilo que resta após uma unidade econô- mica, digamos, uma família, decidir o quanto vai consumir de sua renda. Assim, a decisão sobre quanto consumir é a mesma decisão sobre quanto economizar.

É importante destacar que, para um indivíduo ou família, um aumento na renda corrente eleva o consumo e a poupança desejados. De forma análoga, em âmbito nacional, um aumento no produto corrente eleva tanto o consumo desejado quanto a poupança nacional desejada. Em ambas as esferas, domici- liar e nacional, um aumento na renda futura esperada ou na riqueza aumenta o consumo desejado. Entretanto, pelo fato de que essas mudanças aumentam o consumo desejado sem afetar a renda ou o produto corrente, elas provocam uma redução na poupança desejada.

No segundo tópico, analisaremos o consumo sob incertezas, assumindo a hipótese do consumo seguir um passeio aleatório, em que os indivíduos podem ajustar o seu consumo. Se o consumo esperado se modificar, o indivíduo oti- miza em suavizá-lo ao longo do tempo. Se a utilidade marginal do consumo no presente é maior do que a utilidade marginal do consumo futuro, o indivíduo otimiza se aumentar o consumo corrente.

Finalmente, caro(a) aluno(a), destacamos que há duas principais razões para o estudo do comportamento de investimento. A primeira é que, mais do que outros componentes da demanda agregada, os gastos com investimento flutuam acentuadamente durante o ciclo de negócios, declinando nas recessões e elevan- do-se nos surtos de crescimento rápido. A segunda razão é que o investimento desempenha um papel fundamental na determinação da capacidade produtiva de longo prazo da economia.

Então, vamos lá! Ótimo estudo!

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

TEORIA DE CONSUMO E POUPANÇA

Caro(a) aluno(a), este tópico e os próximos investigam as escolhas de consumo e pou- pança das famílias, bem como as decisões de investimento das empresas. A discussão desse tema, aqui, justifica-se pela importância do consumo e do investimento, tanto para o crescimento econômico como para as flutuações. O estudo fundamentou-se, portanto, nos pressupostos de Romer (1996), Sachs e Larrain (2000), Dornbusch (2003), Blanchard (2007), Abel, Bernanke e Croushore (2008) e Froyen (2006).

De acordo com Romer (1996), no que diz respeito ao crescimento, a divi- são dos recursos da sociedade entre o consumo e os vários tipos de investimento (em capital físico, capital humano e pesquisa e desenvolvimento) é central para os padrões de vida no longo prazo. Essa divisão é determinada pela influência da alocação das rendas entre consumo e poupança, dadas as taxas de retorno e outras restrições que elas enfrentam, bem como pela demanda de investimento das empresas, dadas as taxas de juros e outras restrições que elas encaram.

Em relação às flutuações, o consumo e o investimento compõem a grande maioria da demanda por bens. Assim, para entender como as forças (compras gover- namentais, tecnologia e política monetária) afetam a produção agregada, precisamos entender como o consumo e o investimento são determinados (ROMER, 1996).

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Há duas outras razões para estudar consumo e investimento. A primeira se dá pelo fato de que eles introduzem algumas questões importantes envolvendo os mer- cados financeiros. A segunda é porque grande parte do trabalho empírico robusto na macroeconomia, nos últimos 25 anos, tem se preocupado com o estudo do con- sumo e do investimento (ROMER, 1996).

A DECISÃO DE CONSUMO E DE POUPANÇA DE UM INDIVÍDUO No âmbito da economia agregada, o efeito cumulativo das decisões indivi- duais de consumo e poupança ajuda a determinar a taxa de crescimento da economia, a balança comercial e o nível de produção e emprego. As despe- sas de consumo das famílias respondem, em média, cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) dos países.

Na esfera familiar, se o consumo for menor e o ato de poupar maior, o valor poupado pode ser usado para o consumo no futuro. Se, por outro lado, a família consumir mais, “despoupará”, no período atual, e o consumo futuro ficará, consequentemente, menor.

Para ilustrar a decisão de consumo e de poupança de um indivíduo, supo- nha que a Sra. Magda, enfermeira que atua em um hospital público na região Sul do Brasil, recebe R$ 120.000 anuais, após os impostos. Com isso, ela pode- ria, se quisesse, consumir R$ 120.000 por ano de bens e serviços. Magda, entretanto, tem duas outras opções.

Primeiro, ela pode economizar, consumindo menos de R$ 120.000 por ano.

Por que Magda deveria consumir menos do que sua renda permite? A razão é o fato de que ela está pensando no futuro. Consumindo menos do que sua renda corrente, ela acumulará economias que lhe permitirão, em algum momento no futuro, consumir mais do que sua renda. Precaver-se para a aposentadoria, por exemplo, é uma importante motivação para poupar no presente.

Segundo, Magda poderia consumir mais do que sua renda corrente, tomando empréstimo ou sacando de poupanças previamente acumuladas. Consumir mais do que sua renda traz satisfação maior para Magda, mas o custo para ela é que, em algum momento futuro, quando precisar pagar o empréstimo, ela terá de consumir menos que sua renda.

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Se Magda consumir menos, hoje, poderá consumir mais no futuro e vice-versa.

Dito de outra forma, ela enfrenta um trade-off, uma decisão entre o consumo cor- rente e o consumo futuro. A taxa pela qual Magda troca o consumo corrente pelo consumo futuro depende da taxa de juros real em vigor na economia. Como ela recebe uma taxa de juros real de r sobre sua poupança, o real que ela economiza hoje valerá 1+r reais daqui a um ano. Supondo que Magda utilize os 1+r reais extras para aumentar seu consumo no próximo ano, ela efetivamente trocou o equi- valente a um real de consumo hoje por 1+r reais de consumo daqui a um ano.

A lei psicológica fundamental em que podemos basear-nos com inteira confian- ça, tanto a priori, partindo do nosso conhecimento da natureza humana, como a partir dos detalhes dos ensinamentos da experiência, consiste em que os homens estão dispostos, de modo geral e em média, a aumentar o seu consumo à medida que a sua renda cresce, embora não em quantia igual ao aumento de sua renda.

(John Maynard Keynes)

Efeito de mudanças na renda corrente

A renda corrente é um fator importante e que afeta as decisões de consumo e de poupança. Suponha que Magda receba, em seu trabalho, uma gratificação excep- cional de R$ 12.000 que aumente sua renda do ano em curso para R$ 132.000, após impostos. O que Magda fará com essa renda extra? Ela poderia esbanjar e gastar toda a renda extra em uma viagem turística ou poderia economizar toda a gratificação, deixando inalterado seu consumo corrente e usar a gratificação acrescida dos juros para aumentar seu consumo futuro. Além disso, também poderia gastar parte da gratificação com consumo corrente e poupar o resto, permitindo um aumento em seu consumo futuro.

Desse modo, a parcela da gratificação que Magda gasta dependerá de fatores como sua vontade de adiar a satisfação e avaliação de suas necessidades atuais e futuras. Dito de outra forma, dependerá da sua propensão marginal ao consumo, que é a fração adicional da renda corrente que ela consome no período corrente.

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As lições que aprendemos a partir do exemplo de Magda aplicam-se às decisões de milhões de indivíduos e famílias, ou seja, aplicam-se na esfera macroeconômica.

Efeito de mudanças sobre a renda futura esperada

Para entender o efeito de mudanças sobre a renda futura esperada, suponha que em vez de receber a gratificação de R$ 12.000 durante o corrente ano, Magda fique sabendo que receberá uma gratificação de R$ 12.000 (após os impostos) no ano que vem. A promessa da gratificação está legalmente determinada e Magda não tem dúvida alguma de que receberá a renda extra no ano que vem. Como essa informação afetará o consumo e a poupança de Magda no presente ano?

Como sua renda corrente está inalterada, Magda pode manter seu consumo e a poupança correntes inalterados, até receber, de fato, a gratificação para aumentar seu consumo. Se suas decisões forem guiadas por uma motivação de uniformi- dade do consumo, porém, ela preferirá utilizar a gratificação para aumentar seu consumo corrente e seu consumo futuro.

Em suma, um aumento na renda futura esperada de um indivíduo tende a levá-lo a aumentar seu consumo corrente e a reduzir sua poupança corrente. O mesmo se aplica na esfera macroeconômica: se as pessoas esperam que a produ- ção e a renda agregadas sejam mais altas no futuro, o consumo desejado corrente deve aumentar e a poupança nacional desejada corrente, diminuir.

Efeitos de mudança na riqueza

A riqueza afeta o consumo e a poupança. Suponhamos, por exemplo, que Magda descubra que seu pai comprou, em seu nome, 100 ações de uma companhia fabri- cante de aviões comerciais no valor de R$ 5.000. Esse aumento inesperado de R$

5.000 em sua riqueza tem o mesmo efeito sobre seus recursos disponíveis que o aumento de R$ 5.000 sobre sua renda corrente que examinamos anteriormente.

Em síntese, um aumento na riqueza eleva o consumo e reduz a poupança corrente. Uma redução na riqueza, por outro lado, restringe o consumo corrente e aumenta a poupança. Ademais, os altos e os baixos no mercado de ações cons- tituem uma importante fonte de mudanças na riqueza.

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Efeito de mudanças na taxa de juros real

Como fora estudado, a taxa real de juros é o preço do consumo corrente em termos de consumo futuro. Assim, como o consumo e a poupança de Magda se comportam diante de um aumento na taxa real de juros?

Em um primeiro momento, pelo fato de que cada real de poupança cor- rente, no ano, cresce para 1+r reais no próximo ano, um aumento na taxa de juros real significa que cada real de poupança corrente terá um retorno mais alto em termos de aumento no consumo futuro. Essa recompensa maior para a poupança atual tende a aumentar a poupança.

Em um segundo momento, uma taxa de juros real mais alta significa que Magda pode alcançar qualquer meta de poupança futura com um montante menor de poupança corrente. Pelo fato de que precisa poupar menos para atingir sua meta, ela pode aumentar seu consumo corrente e, com isso, reduzir sua poupança.

Os efeitos descritos são conhecidos como efeito substituição da taxa de juros real sobre a poupança, que evidencia a tendência para reduzir o con- sumo no presente e aumentá-lo no futuro, e como efeito renda da taxa de juros real sobre a poupança, o qual evidencia a mudança no consumo cor- rente em decorrência de uma taxa de juros real mais alta. Esses efeitos podem tornar um consumidor mais rico ou mais pobre.

Em relação à poupança nacional, pelo fato de que a economia nacional é constituída por tomadores de empréstimos e por poupadores, e já que, em princípio, os poupadores podem aumentar ou diminuir sua poupança em resposta a um aumento na taxa de juros real, a teoria econômica não pode responder qual seria o efeito de um aumento na taxa de juros real sobre ela.

Política Fiscal

Em termos de política fiscal, é importante frisar que o consumo desejado e a poupança nacional desejada seriam alterados por duas mudanças específicas na política fiscal: um aumento nos gastos do governo e uma redução de impostos.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

No que se refere aos impostos e a rentabilidade real da poupança, pelo fato de que parte dos ganhos com juros deve ser paga como impostos, a ren- tabilidade real recebida pelos poupadores é, de fato, menor do que a diferença entre a taxa de juros nominal e a inflação esperada. Matematicamente, temos:

a t e

r

(1 t i)

p

, em que

r

a t representa a taxa de juros real esperada após impostos; (1−t i) −

p

e, a taxa de juros nominal após os impostos, menos a taxa de inflação esperada.

Em suma, a taxa de juros real esperada após os impostos é a taxa de juros adequada para os consumidores usarem nas decisões de consumo e poupança, pois ele mede o aumento do poder de compra de sua poupança após o paga- mento dos impostos.

Efeito de Crowding Out

O Efeito de Crowding Out ou Efeito de Deslocamento corresponde a uma redução no investimento e de outras componentes da demanda agregada sensíveis às taxas de juro, sempre que o Governo aumenta a despesa pública. Esse efeito é justificado pelo fato de existir um mecanismo de transmissão entre o mercado monetário e o de bens e serviços. Quando o Estado aumenta os gastos ou reduz os impostos, ocorre, no curto prazo, um aumento da demanda agregada, o qual é ampliado pelo efeito do multiplicador do consumo. Contudo, o aumento da demanda agregada e, consequentemente, dos preços, originará um aumento da demanda de moeda por motivo de transações, que, por sua vez, irá provocar um aumento das taxas de juro. As taxas de juro poderão aumentar, também, pela emissão de dívida pública para financiar o acréscimo de despesa do Governo. Esse aumento das taxas de juro irá provocar uma redução do investimento e de outras componentes da demanda agregada mais sensíveis às taxas de juro.

É a essa redução de componentes da demanda agregada após o aumento das despesas públicas que é dada a designação de efeito de crowding out.

O impacto da política orçamental é atenuado, ocorrendo, também, uma alteração nas componentes da demanda agregada.

Fonte: adaptado de Nunes (2019, on-line)1.

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TEORIA DO CONSUMO DA RENDA PERMANENTE

Você já deve ter percebido que as pessoas decidem o quanto consumir e o quanto poupar, não apenas pela renda atual, mas, particularmente, pelas expectativas sobre o futuro. A partir dessa premissa, esta seção, prezado(a) aluno(a), apre- senta a teoria do consumo da renda permanente, desenvolvida pelo economista Milton Friedman, na década de 1950. Nessa perspectiva teórica, a da “renda per- manente” os consumidores olham para além da renda atual.

É importante destacar que a teoria da renda permanente (desenvolvida por Milton Friedman) e a teoria do ciclo de vida (desenvolvida por Franco Modigliani), na verdade, tratam-se de uma mesma teoria sobre o consumo, mas seus enfoques são distintos.

O Ciclo da Vida trata sobre o planejamento dos consumidores ao longo de toda a sua vida, defendendo a hipótese de que a renda segue um padrão regular ao longo da vida da pessoa. Já a renda permanente, ao contrário, considera que as pessoas experimentam variações aleatórias e temporárias em suas rendas de ano para ano. Assim, a renda total de uma pessoa, para Friedman, seria separada em duas parcelas: (i) a permanente, na qual a pessoa espera que permaneça no futuro;

e a (ii) transitória, em que a pessoa não espera que vá permanecer no futuro.

Para exemplificarmos esses conceitos relacionados à renda permanente, suponha- mos que Magda, além de trabalhar no hospital público enquanto servidora efetiva, atua, esporadicamente, em hospitais privados. Podemos dizer que o salário de Magda como funcionária pública é garantido. Ela espera receber, todo mês, os seus R$ 10.000, uma vez que o valor adquirido com os bicos não é garantido. No entanto, Magda con- segue, em média, com os bicos, por mês, R$ 2.000. Nessa situação, como Magda age?

Ela considera como sua renda permanente R$ 10.000 + R$ 2.000 = R$ 12.000,00.

Todo o resto que Magda conseguir a mais com os bicos é considerado algo transitório.

Como Magda deveria consumir? O consumo de Magda deve estar relacionado ao gasto de uma proporção de sua renda permanente. Assim, digamos que, no mês de outubro, ela tenha conseguido R$ 5.000 só com os bicos: o que Magda faz?

Renda total no mês: R$10.000 + R$ 5.000 = R$ 15.000,00. Essa renda é esperada de ocorrer nos próximos meses? Não. Quanto há de renda permanente? Ainda 12.000,00. Logo, esses R$ 15.000 - R$12.000 = R$ 3.000 reais a mais, por serem transitórios, deveriam ser consumidos pelo resto da vida, e não apenas no mês.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

De acordo com o modelo da renda permanente, o consumo reage à renda permanente (Yp), que é definida como um tipo de média da renda atual e futura.

Especificamente, para uma família com um fluxo de renda flutuante, (Yp), é defi- nida como o nível constante de renda que daria para a família a mesma restrição orçamentária intertemporal que tem com o fluxo de renda flutuante.

Matematicamente, podemos proceder da seguinte forma: a restrição orçamen- tária intertemporal (no exemplo de dois períodos) é 1 2 1 2

1 1

C C Q Q

r r

, em

que Q1 e Q2, geralmente, são diferentes.

Agora, vamos descobrir um valor de Yp, tal que a família vai ter as mesmas possibilidades intertemporais de consumo se a produção for igual a Yp em cada período. Evidentemente, Yp deve satisfazer a igualdade:

p p

Y

(1

Y

r)

Q Q

1(1r2)

A equação apresentada pode ser solucionada para Yp, em termos de Q1 e Q2:

Y

p rr

Q Q

r

( )

( ) ( )

1

2 1 1 2

Note que a renda permanente seria exatamente a média da produção atual e futura, no caso específico, em que a taxa de juros é zero (quando a família não herda um estoque de ativos financeiros no tempo). Todavia, em geral, a taxa de juros não é zero, portanto, dizemos que a renda permanente é um “tipo” de média da futura produção.

Em um caso especial e importante de maximização da utilidade, a família tenta manter uma trajetória de consumo perfeitamente estável, portanto, o con- sumo é igual em todos os períodos. Nesse caso, o consumo é exatamente igual à renda permanente (C C1 = 2 =Yp). Desse modo, a poupança é dada pela dife- rença entre a renda atual e a renda permanente:

S Q C Q Y

1 1 1 1 p,

assim como mostra o gráfico a seguir:

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Na Figura 1, a curva da indiferença tangencia a reta do orçamento no mesmo ponto em que a reta do orçamento intercepta a reta de 45 graus. Assim, o consumo é o mesmo nos dois períodos e igual à renda permanente, Yp.

É conveniente distinguir os efeitos sobre o consumo de três tipos de choques: choques atuais temporários, choques permanentes e choques futuros antecipados. Em um nível abs- trato, a teoria da renda permanente é muito interessante. Contudo, em geral, as famílias só têm certeza absoluta da renda atual quando a receita muda. Assim, como podemos saber se essa alteração vai ser transitória ou permanente? Antes das pessoas tomarem decisões sobre o futuro, quase sempre precisam definir suas expectativas das variáveis econômicas futuras.

Em termos de evidência empírica, aplicação recente do modelo da renda permanente que aparece na função do consumo aleatório de Robert Hall, da Universidade de Stanford, Hall demonstrou que, sob certas condições, a esti- mativa da renda permanente do ano corrente deve dar a melhor ideia de qual vai ser a sua renda permanente no próximo ano. Isso significa que o consumo do próximo ano deve ser igual ao consumo do ano corrente mais um montante aleatório resultante dos choques inesperados que vão afetar, no próximo ano, a estimativa familiar da renda permanente.

TEORIA DO CONSUMO DO CICLO DE VIDA

Esta seção, prezado(a) aluno(a), apresenta a teoria do consumo do ciclo de vida, a qual foi desenvolvida pelo economista Franco Modigliani na década de 1950.

Essa teoria defende que o horizonte de planejamento natural dos consumidores

í

í

= Qp =

°

Figura 1 - Consumo familiar e renda permanente Fonte: Sachs e Larrain (2000, p. 99).

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perdura a vida inteira. Nesse sentido, o modelo do ciclo de vida, assim como o modelo da renda permanente, baseia-se na teoria de que o consumo de um deter- minado período depende das expectativas de renda da vida toda, e não da renda atual. A contribuição da hipótese do ciclo de vida está em observar que a renda tende a sofrer flutuações sistemáticas no decorrer da vida de uma pessoa, pois o comportamento da poupança é determinado, fundamentalmente, pelo estágio da família no ciclo de vida. Esses conceitos são exemplificados pela figura a seguir:

Assim como é demonstrado na Figura 2, quando as pessoas são jovens, sua renda é baixa e, fre- quentemente, elas contraem dívidas (“despoupam”), porque sabem que ganharão mais dinheiro no futuro. Nos anos de trabalho, a renda atinge um pico por volta da meia-idade, o que permite que as pessoas paguem as dívidas contra- ídas anteriormente e poupem para a velhice. Quando atingem a apo- sentadoria, a renda de trabalho é zero e as pessoas passam a consu- mir os recursos acumulados.

Via de regra, as pessoas poupam nos anos produtivos, visando à aposentadoria e o fazem porque a renda do primeiro período é maior do que a do segundo. O con- sumo durante a aposentadoria é financiado tanto pela poupança acumulada nos anos produtivos quanto pelas transferências recebidas do governo e dos descendentes.

Quanto mais generoso é o sistema de seguro social, menos a família precisa poupar durante o período produtivo para garantir seu consumo no período de aposentadoria.

Vamos analisar outras implicações da teoria do ciclo de vida. Quando o con- sumo for o mesmo em todos os períodos, ele será igual a renda permanente. O consumo é uma fração da riqueza, e o fator de proporcionalidade ( )k , ou a pro- pensão marginal a consumir a riqueza, depende da taxa de juros. Na prática, o fator de proporcionalidade k também depende de outros fatores, por exemplo, a taxa de preferência temporal e a idade dos membros da família.

+

-

Figura 2 - A hipótese do ciclo de vida de consumo e poupança Fonte: Sachs e Larrain (2000, p. 106).

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No modelo de dois períodos k (1 r) / (2r), que está entre 0 5, e 1. Em um número maior de períodos, k é menor: por quê? Porque um aumento de uma unidade na riqueza tende a ser dividido entre vários períodos. Portanto, a propensão marginal a consumir tem uma relação inversamente proporcional à idade dos membros da família, e famílias mais idosas consomem uma fração maior da riqueza do que as mais jovens, em qualquer período. O que conta para uma determinada família é o número de períodos restantes no horizonte de pla- nejamento e as famílias mais idosas tendem, em média, a ter horizontes mais curtos que as famílias mais jovens.

EVIDÊNCIAS NO MODELO DO CICLO DE VIDA

Modigliani e Ando apresentaram, em 1963, um dos primeiros testes empíricos do modelo de ciclo de vida, conforme a seguinte expressão: em que Yd é a renda disponível e Wé a riqueza financeira do setor familiar. A equação foi estimada por meio de dados anuais. Espera-se que c1 seja menor que 1, pois mede a pro- pensão marginal a consumir (PMgC) da renda atual. Também esperamos obter um coeficiente k1 um pouco maior do que a taxa anual de juros. Por quê? Porque uma pessoa que se comporta de acordo com a teoria do ciclo de vida gostaria de gastar seus ativos no decorrer da vida. Se só consumir a renda de juros em cada período, vai morrer com seus ativos intactos; portanto, deve consumir um pouco mais do que os ganhos com juros. Ando e Modigliani estimaram que o valor de c1é 0 7, e de k1 é 0 06, , ligeiramente maior do que a taxa anual real de juros.

As descobertas de Ando e Modigliani foram incentivadoras para a teoria do ciclo de vida. Testes posteriores do modelo forneceram mais fundamentos, mas também mostraram algumas incoerências. Parece que as famílias realmente poupam mais nos anos produtivos do que quando são muito jovens ou velhas.

No entanto, ao mesmo tempo, as pessoas idosas, aparentemente, não “despol- pam” muito. Em outras palavras, mantêm seus ativos intactos e, eventualmente, transferem esses ativos a seus herdeiros, em vez de consumi-los em vida. Não consumir completamente a riqueza continua um dos contraexemplos importan- tes da lógica do modelo do ciclo de vida.

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CONSUMO SOB INCERTEZA

Romer (1996) demonstra a hipótese do passeio aleatório em relação ao con- sumo sob incerteza. Em particular, suponha que haja incerteza sobre a renda do trabalho individual a cada período e que tanto a taxa de juros quanto a taxa de desconto são zero. Além disso, suponha que a função de utilidade instantânea,u2( )

.

, seja quadrática. Assim, o indivíduo maximiza:

E U E a C

t T

t t

C

[ ]

1

2 2 , a>0.

Vamos supor que a riqueza do indivíduo é tal que o consumo está sempre no intervalo em que a utilidade marginal é positiva. Como antes, o indivíduo deve pagar todas as dívidas pendentes no final da vida. Assim, a restrição orçamentária é novamente dada pela equação

tT1

C A

t 0

tT1

Y

t.

Para descrever o comportamento do indivíduo, usamos nossa aborda- gem usual de equação de Euler. Especificamente, suponha que o indivíduo tenha escolhido o consumo do primeiro período de forma otimizada, dada a informação disponível, e que ele ou ela escolherá o consumo em cada período

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futuro de forma otimizada, tendo a informação disponível. Agora, considere uma redução em

C

1, de dC, do valor que o indivíduo escolheu e um aumento igual no consumo em alguma data futura do valor que ele ou ela teria escolhido.

Se o indivíduo otimiza, uma mudança marginal desse tipo não afeta a utili- dade esperada. Já a utilidade marginal do consumo no período 1 é 1−a

C

1;

dessa forma, a mudança tem um custo de utilidade de (1a

C

1)dC. Além disso, como a margem de consumo do período t é 1−a

C

t, a mudança tem um benefício de utilidade esperado de

E

1 1 a

C

tdC, em que

E

1

denota expectativas condicionais à informação disponível no período 1.

Assim, se o indivíduo otimiza,

1a

C E

1 1 1 a

C

t , para t =2 3, ,...,T. (A) Como

E

1 1 a

C

t é igual a1a

E C

1 t , isso implica

1 1

C E C

t , para t =2 3, ,...,T. (B)

O indivíduo sabe que seu consumo, ao longo da vida, satisfará a restrição orçamentária. Desse modo, as expectativas dos dois lados da restrição devem ser iguais:

1 0 1

1

1

E C A

t

E Y

t

t T t

T

. (C)

A equação (B) implica que o lado esquerdo de (C) é T

C

1. Substituindo isso em (C) e dividindo por Trendimentos, teremos:

1 0 1

1

C

T1

A E Y

t

t

T

. (D)

Ou seja, o indivíduo consome 1

T de seus recursos esperados ao longo da vida.

A equação (B) implica que

E C

1 1 é igual a

C

1. Em termos mais gerais, raciocinar sobre o que acabamos de fazer implica que, em cada período, o consumo esperado no próximo período seja igual ao consumo atual. Isso

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significa que mudanças no consumo são imprevisíveis. Pela definição de expectativas, podemos escrever

t t t t

C E C e

1 . (E)

em que

e

t é uma variável cuja expectativa a partir do período t−1é zero. Assim, como

E C C

t1 t t1, temos

C C e

t t1 t.

Esse é o famoso resultado de Hall de que a hipótese do ciclo de vida/

renda permanente implica que o consumo segue um passeio aleatório (HALL, 1978). A intuição para esse resultado é direta: se espera que o consumo mude, o indivíduo pode fazer um trabalho melhor de suavizar o consumo. Suponha, por exemplo, que o consumo aumente: isso significa que a utilidade margi- nal atual do consumo é maior do que a utilidade marginal futura esperada do consumo e, portanto, que o indivíduo aumenta o consumo atual. Assim, o indivíduo ajusta seu consumo atual ao ponto em que não se espera que o consumo mude.

EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS

O resultado do passeio aleatório de Hall contrariava fortemente as visões exis- tentes sobre o consumo. A visão tradicional do consumo, ao longo do ciclo de negócios, prevê o declínio do consumo; à medida que produção declina, espera-se, no entanto, uma recuperação. Isso significa que existem movimen- tos previsíveis no consumo. A ampliação de Hall para a hipótese da renda permanente, em contraste, prediz que, quando a produção sofre uma queda inesperada, o consumo declina apenas pelo montante da queda na renda per- manente; como resultado, não se espera uma recuperação.

Devido a essa divergência nas previsões de ambas as perspectivas, espe- cialistas dedicam-se a testar se mudanças previsíveis na renda produzem, consequentemente, mudanças previsíveis no consumo, como o teste de Campbell e Mankiw (1989).

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INVESTIMENTO

Prezado(a) aluno(a), agora, discutiremos o segundo principal componente dos gastos:

o investimento feito pelas empresas. Abel, Bernanke e Croushore (2008) argumen- tam que a decisão sobre o montante a investir, bem como as decisões sobre consumo e poupança dependem, em grande medida, das expectativas sobre o futuro da eco- nomia. O investimento também compartilha com a poupança e o consumo a ideia de se chegar a um meio-termo entre presente e futuro. Nessa direção, ao fazer um investimento de capital, uma empresa empenha seus ativos correntes (que, de outra forma, poderiam ser usados, por exemplo, para pagar maiores dividendos aos acio- nistas) no aumento de sua capacidade para produzir e auferir lucros no futuro.

O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção.

(Adam Smith)

O Paradoxo da Poupança

À medida que as pessoas poupam mais em seu nível inicial de renda, elas diminuem seu consumo. Mas esse consumo menor diminui a demanda, que, por sua vez, diminui a produção. Nesse contexto, é possível dizer o que acontece com a poupança? Analise a equação da poupança privada a seguir:

S

c

0

I

c

1

Y T

.

Por um lado, o intercepto é maior (menos negativo). Os consumidores pou- pam mais a qualquer nível de renda: isso tende a aumentar a poupança.

Mas, por outro lado, a renda, Y, é menor, e isso diminui a poupança. O efeito líquido parece ambíguo. Na verdade, podemos dizer o sentido para o qual ele vai. Isso significa que, à medida que as pessoas poupam mais, o resultado é tanto uma diminuição do produto como uma poupança inalte- rada. Esse surpreendente par de resultados é conhecido como o paradoxo da poupança (ou o paradoxo do entesouramento).

Fonte: Blanchard (2007, p. 55).

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ESTOQUE DE CAPITAL DESEJADO

Podemos considerar, caro(a) aluno(a), que se as empresas procuram maximizar o lucro, o estoque de capital desejado de uma empresa é a quantidade de capital que lhe permite conseguir o maior lucro esperado. Acredita-se que os gestores conseguem determinar o nível de estoque de capital que maximiza o lucro, ao comparar os custos e os benefícios de se utilizar o capital adicional, por exem- plo, para a compra de uma nova máquina. Se os benefícios superarem os custos, a ampliação do estoque de capital aumentará os lucros, mas se os custos tiverem valor maior que os benefícios, a empresa não deve ampliar seu estoque de capi- tal pretendido: pelo contrário, deve, se possível, reduzi-lo.

Em termos reais, o benefício de uma unidade adicional de capital, para uma empresa, é o produto marginal do capital (PMgK), que representa o aumento que uma empresa obtém na produção, adicionando uma unidade de capital, a fim de manter constantes sua mão de obra e demais fatores de produção.

Além disso, é necessário considerar o custo de uso do capital, que é o custo real esperado do uso de uma unidade de capital por determinado período de tempo. Em geral, o custo de depreciação pelo uso do capital é o valor perdido à medida que o bem se deprecia.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O custo de uso do capital é a soma do custo de depreciação com o custo dos juros e pode ser representado pela seguinte equação:

uc r

p

kd

p

k (r d)

p

k, em que r

p

k é o custo dos juros; d

p

k,

o custo de depreciação, e uc, o custo de uso do capital.

TIPOS DE CAPITAL E INVESTIMENTO

As contas nacionais identificam as três principais áreas de gasto em investi- mento. A primeira é o investimento no imobilizado da empresa, que mede o valor gasto pelas empresas no “prédio” e em “equipamentos”. O segundo é o investimento em estoques (matérias-primas, bens semiacabados e bens acabados em poder da empresa). Já a terceira é o investimento residencial, que inclui os valores gastos tanto com a manutenção das habitações quanto com a produção habitacional. É importante destacar que, quando uma famí- lia adquire uma casa já existente, não ocorre um investimento em termos de economia global, pois não há uma mudança no estoque de capital, só uma mudança de propriedade.

Em relação a todos os tipos de investimento, identifica-se uma diferença importante, que é entre o investimento bruto e o investimento líquido. A maioria dos tipos de capital tende a sofrer desgaste com o decorrer do tempo até virar sucata (processo de depreciação). O nível total de investimento é chamado investimento bruto e a parte do investimento que aumenta o esto- que de capital é chamada investimento líquido. Logo, temos uma relação simples, em que o investimento bruto é igual ao investimento líquido, soma- dos à depreciação do capital, que pode ser expressa pela equação a seguir:

I J dK, em queIé o investimento bruto; J, o investimento líquido; e d, o parâmetro de depreciação. A alteração no estoque de capital é igual à taxa de investimento líquido:

K

1 K J. Combinando as duas equações, temos a equação básica de acumulação do capital:

K

1 (1 d K I) .

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O DIAGRAMA POUPANÇA-INVESTIMENTO

A determinação do equilíbrio do mercado de bens pode ser demonstrada, grafi- camente, com o diagrama poupança-investimento, conforme a Figura 3:

Curva da poupança, S

Poupança nacional desejada, Sd, e investimento desejado, Id

Taxa de juros real, r

Curva do investimento, I

%

%

Figura 3. Poupança Nacional Desejada e Investimento Desejado Fonte: Abel, Bernanke e Croushore (2008, p. 98).

Ao longo do eixo vertical, é medida a taxa real de juros e, ao longo do eixo hori- zontal, a poupança e o investimento adicional. A curva de poupança (S) mostra a relação entre a poupança nacional desejada e a taxa de juros real. A inclina- ção da curva da poupança para cima reflete a constatação empírica de que uma taxa de juros real mais alta aumenta a poupança nacional desejada. Já a curva do investimento (I) mostra a relação entre o investimento desejado e a taxa real de juros. Ela inclina-se para baixo, porque a taxa de juros real mais alta aumenta o custo de uso do capital e, com isso, reduz o investimento desejado. Por fim, o equilíbrio no mercado de bens é representado pelo ponto (E), no qual a pou- pança nacional desejada é igual ao investimento desejado.

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Efeito Tanzi-Olivera

À medida que a taxa de inflação se torna muito alta, o déficit orçamentário, normalmente, também se torna maior. Parte do motivo diz respeito às defasagens na arrecadação dos impostos. Esse efeito é conhecido como efeito Tanzi-Olivera, em homenagem a Vito Tanzi e Julio Olivera, dois economistas que enfatizaram sua importância. Conforme impostos são arrecadados sobre a renda nominal passada, seu valor real cai com a inflação.

Fonte: Blanchard (2007, p. 471).

A TEORIA q

A famosa teoria qde investimento foi desenvolvida de forma pioneira por James Tobin, da Universidade de Yale e ganhador do prêmio Nobel de Economia de 1982. Trata-se de um modelo importante acerca do comportamento de investi- mento baseado na ideia dos custos de ajustamento.

Não há excesso de liberdade se aqueles que são livres são responsáveis. O problema é a liberdade sem responsabilidade.

(Milton Friedman)

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A variável q é definida como o valor de mercado das ações da empresa divi- dido pelo custo do capital. O custo de substituição do capital é o custo que teria de ser pago para comprar o prédio e os equipamentos da empresa no mercado.

Portanto, q é a proporção entre o custo de adquirir a empresa por meio do mer- cado financeiro e o custo de comprar o capital da empresa no mercado de produto.

Tobin e seus seguidores mostraram as condições sob as quais q é um bom indicador da lucratividade de um novo investimento, especificamente quando q for maior do que 1. Isso significa que o investimento deve ser alto. Da mesma maneira, quando q for menor que 1, o mercado indica que o investimento deve ser baixo.

Suponha que o estoque de capital seja constante, que a PMgKseja cons- tante e que a taxa de depreciação seja d. Assim temos:

q PMgK d r

PMgK d r

PMgK d

r

( ) ...

1 1 2 1 3

Nesse ambiente simples, em que aPMgK é a mesma em cada período, a expres- são para q pode ser modificada para: q PMgK d

r

.

Constatamos, então, que q tende a ser maior que 1, se a PMgK for maior do que (r d+ )nos períodos futuros. Não só, mas que q tende a ser menor que 1, se a PMgK for menor do que (r d+ )nos períodos futuros.

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Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), chegamos ao término da Unidade I. Nela, estudamos temá- ticas relacionadas ao consumo, poupança e investimento. Aprendemos que o consumo depende tanto da riqueza, que é soma da riqueza não humana (finan- ceira e imobiliária) com a riqueza humana (valor presente da renda esperada do trabalho líquida de impostos), quanto da renda atual.

Verificamos que a resposta do consumo às variações da renda depende de como os consumidores percebem essas variações, sejam transitórias ou perma- nentes. Além disso, é provável que, proporcionalmente, o consumo responda menos às variações da renda.

No que se refere ao consumo sob incertezas, assumimos a hipótese de o con- sumo seguir um passeio aleatório, em que os indivíduos podem ajustar o seu consumo. Desse modo, se a utilidade marginal do consumo no presente é maior do que a utilidade marginal do consumo futuro, o indivíduo otimiza se aumen- tar o consumo corrente.

Em relação aos investimentos das empresas, que desempenham um papel fundamental na determinação da capacidade produtiva de longo prazo da eco- nomia, constatamos que eles dependem tanto do lucro atual quanto do valor presente dos lucros futuros esperados. Nesse sentido, vale destacar que o inves- timento é muito mais volátil do que o consumo e que as variações do lucro estão estreitamente relacionadas com as variações do Produto Interno Bruto (PIB).

Finalmente, caro(a) aluno(a), destacamos a teoria q de Tobin. Nela, o eco- nomista construiu uma variável correspondente ao valor de uma unidade de capital já instalada em relação a seu preço de compra e observou como suas varia- ções aproximavam-se daquelas do investimento. Essa razão é o qde Tobin, que, intuitivamente, diz-nos: quanto maior for q, maior será o valor do capital em relação ao preço de compra atual e, consequentemente, maior será o investimento.

(24)

1. Considere a seguinte questão hipotética: no Brasil, para um determinado nível de Produto Interno Bruto (PIB), o que acontece com a renda pessoal, a renda pes- soal disponível, despesas de consumo pessoal e poupança pessoal se os lucros das empresas diminuem, respectivamente?

a) Nulo, aumento, aumento e diminuição.

b) Nulo, aumento, diminuição e diminuição.

c) Aumento, aumento, aumento e diminuição.

d) Aumento, aumento, aumento e aumento.

e) Diminuição, diminuição, diminuição e diminuição.

2. Em uma determinada cidade da região norte do Brasil, a partir da restrição orça- mentária para uma família que vive por dois períodos, sabendo-se que ela ganha

R$ 100no primeiro período e R$ 200 no segundo período, e que a taxa de juros é de 10%, qual é o rendimento permanente dessa família?

a) O rendimento permanente é igual a R$ 145 60, .

b) O rendimento permanente é igual a R$ 146 60, .

c) O rendimento permanente é igual a R$ 147 60, .

d) O rendimento permanente é igual a R$ 148 60, .

e) O rendimento permanente é igual a R$ 149 60, .

3. Considere uma cidade do Rio Grande do Sul, o esquema do modelo de dois pe- ríodos e que duas famílias recebem exatamente o mesmo rendimento em cada período. Devido a diferenças nas suas preferências, no entanto, a família 1 eco- nomiza R$ 200, enquanto a família 2 economiza R$ 2 000 00. , . Qual delas vai aumentar sua poupança se a taxa de juros subir?

4. Suponha que, em uma cidade brasileira, estudam alunos de Economia e de Edu- cação Física. O que podemos concluir, a partir da hipótese de renda permanente, sobre os padrões de vida dos estudantes se ambos os grupos vêm de famílias com o mesmo nível de recursos econômicos?

(25)

5. Suponha que, em determinado país asiático, o estoque inicial de capital tem um valor de US$ 100 milhões. O investimento bruto foi de US$ 8 milhões no ano 1 e US$ 15 milhões no ano 2. Se o capital se depreciar em 10% ao ano, qual é o investimento líquido em cada um dos dois anos?

a) −2 milhões no ano 1 e 5 2, milhões no ano 2.

b) 2 milhões no ano 1 e −5 2, milhões no ano 2.

c) −3 milhões no ano 1 e 4 2, milhões no ano 2.

d) 4 milhões no ano 1 e 6 2, milhões no ano 2.

e) −4 milhões no ano 1 e 6 2, milhões no ano 2.

(26)

GASTO E CONSUMO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS CONTEMPORÂNEAS O Brasil conta com larga tradição em pesquisa e usa levantamentos domiciliares ancorados no conceito de renda. Os censos demográficos, as pesquisas nacionais por amostragem de domicílios e as pesquisas mensais de emprego se baseiam nesse conceito. Renda, no en- tanto, é um conceito intermediário. Estamos tão acostumados a raciocinar em termos de unidades monetárias, que esquecemos que se trata de uma abstração.

O bem-estar dos indivíduos, nas famílias, não advém do consumo de um bem homogêneo repartido igualmente dentro de cada unidade domiciliar, mas sim de cestas de consumo que envolvem bens compartilhados, assim como bens individuais repartidos em parcelas desiguais dentro da família. A demanda das famílias não é por um bem homogêneo cuja de- manda afeta todas as indústrias por igual, mas por uma grande variedade cuja composição se altera com as mudanças no padrão demográfico, nas desigualdades sociais e no mundo das representações simbólicas, chamado por economistas de “preferências”. Finalmente, aos estudiosos de políticas públicas especializados em transportes urbanos, saúde, educação, saneamento, cultura ou política agrária não interessa apenas a renda dos indivíduos, mas principalmente como ela é gasta em cada uma dessas áreas.

Quando se percorrem essas linhas, a pergunta que surge não é por que estudar o consumo agora, mas por que se demorou tanto. A resposta é que as dificuldades são grandes.

A primeira questão se refere à própria coleta dos dados. Perguntar a idade, o nível educa- cional ou a renda de um indivíduo requer um pouco mais do que uma pergunta bem estru- turada e um entrevistador bem treinado. Já para investigar o padrão de consumo de uma família, o entrevistador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), virtualmente, passa a viver na casa daquela família por um período longo, deixando carnês a serem preen- chidos , perguntando e voltando a perguntar detalhes de gasto ad nauseum. As dificuldades são tamanhas, que as duas primeiras Pesquisas de Orçamentos Familiares (POFs) foram a campo apenas nas nove maiores regiões metropolitanas (RMs) do Brasil. Apenas a POF cole- tada em 2002 e 2003 é representativa de todo o país.

Ao disponibilizar esses dados tão cuidadosamente coletados para os pesquisadores, surge a segunda dificuldade: a leitura, a montagem e a compreensão das bases.

Apesar das dificuldades enumeradas, os limites das análises oriundas de pesquisas domi- ciliares centradas no mercado de trabalho também estão cada vez mais evidentes. O Ipea tomou, então, a iniciativa de produzir este livro contendo o que há de melhor na produção acadêmica brasileira sobre consumo das famílias. Os técnicos da casa Fernando Gaiger Sil- veira, Luciana Mendes Santos Servo e Sérgio Francisco Piola e a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Tatiane Menezes organizaram um trabalho em dois volumes, dos quais este é o segundo.

Fonte: Soares (2007).

(27)

Macroeconomia - Em uma Economia Global Sachs e Larrain

Editora: Pearson Education

Sinopse: ao longo do livro, o autor apresenta uma perspectiva internacional, analisando cuidadosamente as diferenças institucionais importantes no âmbito macroeconômico, com destaque para a incorporação de avanços teóricos recentes da teoria macroeconômica.

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme Ano: 2010

Sinopse: após quase oito anos de prisão, Gordon Gekko, o corretor da Bolsa de Nova Iorque condenado por fraude, lavagem de dinheiro e extorsão, é finalmente posto em liberdade. Agora, sem possuir absolutamente nada e sem ninguém que o espere, ele é um homem transformado e apenas quer recuperar a relação com a filha, Winnie (Carey Mulligan).

No portal Trading Economics, você encontrará, prezado(a) aluno(a), informações macroeconômicas de todos os países do globo terrestre, em tempo real, como PIB, taxa de juros, desemprego, inflação e dívida pública.

Web: https://tradingeconomics.com/.

(28)

ABEL, A. B.; BERNANKE, B. S.; CROUSHORE, D. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Addison Wesley, 2008.

BLANCHARD, O. Macroeconomia. 4. ed. São Paulo: Pearson-Prentice-Hall, 2007.

CAMPBELL, J. Y.; MANKIW, N. G.; Consumption, income, and interest rates: reinterpre- ting the time series evidence. NBER Macroeconomics Annual, v. 4, p. 185-216, 1989.

DORNBUSCH, R. Macroeconomia. 8. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2003.

FROYEN, R. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

HALL, R. E. Stochastic implications of the life cycle-permanent income hypothesis: the- ory and evidence. Journal of Political Economy, Chicago, v. 86, n. 6, p. 971-87, 1978.

ROMER, D. Advanced Macroeconomics. New York: McGraw-Hill, 1996.

SACHS, J.; LARRAIN, F. Macroeconomia: Em uma Economia Global. São Paulo:

Makron Books, 2000.

SOARES, S. Por que agora um livro sobre o consumo das famílias? In: SILVEIRA, F. G.

et al. (org.). Gasto e consumo das famílias brasileiras contemporâneas. Brasília:

Ipea, 2007.

REFERÊNCIAS ON-LINE

1 Em: http://knoow.net/cienceconempr/economia/crowding-out-efeito-de/. Acesso em: 03 jun. 2019

(29)

2. C.

O rendimento permanente é igual a 147 6 1 1 2 1 100 200 1 1, ( , / , *( / , )).

3. A Família 2, porque se recebe uma parte maior da renda como juros sobre a poupança.

4. Se ambos partirem de uma situação semelhante, então, a renda permanente dos estudantes de Economia seria maior do que daqueles que estudam Educação Física, porque as perspectivas futuras de renda da primeira são maiores do que as da segunda.

5. A.

No ano, 1 é de −2 milhões ( 8 10% de 100). Já no ano 2, é igual a 5 2,

milhões (15 10 % de 98).

Referências

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