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Conceito de Saúde Saúde Individual e Saúde Coletiva

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Graduação em Enfermagem / Disciplina: Saúde Coletiva Profa: Fatima Arthuzo Pinto

Taubaté/2011

Conteúdo Teórico – 1º Bimestre Aula 01 e 02

Conceito de Saúde

Saúde Individual e Saúde Coletiva

Processo Saúde – Doença ao longo da história e da evolução da sociedade

Promoção à Saúde e Prevenção de Doenças

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Graduação em Enfermagem / Disciplina: Saúde Coletiva Profa: Fatima Arthuzo Pinto / Taubaté/2012

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AULA: Histórico do processo Saúde-Doença

As primeiras tentativas sistemáticas de construir teoricamente o conceito de saúde, ainda na década de 70, partiram da noção de saúde como a ausência de doença. Pois afinal “Se nunca ficássemos doentes, não saberíamos o que significa a saúde”(Heráclito c.540-480 a.C.).Primeiramente devemos tentar compreender o que seria um organismo vivo, assim, entenderíamos que a saúde deve ser entendida em sentido mais amplo, um ser como componente da qualidade de vida, de sua relação com o meio, considerando as diferenças culturais e os diferentes momentos históricos.

Assim, saúde não é um “bem de troca”, mas um “bem comum”, um bem e um direito social, onde cada um e todos possam ter assegurados o exercício e a prática do direito à saúde, a partir da aplicação e utilização de toda a riqueza disponível, conhecimentos e tecnologia desenvolvidos pela sociedade nesse campo, adequados às suas necessidades, abrangendo promoção e proteção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças. Em outras palavras, considerar esse bem e esse direito como componente e exercício da cidadania, que é um referencial e um valor básico a ser assimilado pelo poder público para o balizamento e orientação de sua conduta, decisões, estratégias e ações.

Durante muito tempo, houve a teoria mística sobre a doença, que os antepassados (antiguidade) julgavam como um fenômeno sobrenatural, ou seja, ela estava além da sua compreensão do mundo.

As doenças ocorriam de causas externas, sem que o organismo tivesse participação no processo (espíritos, elementos da natureza).

Com a estratificação social, o poder de diagnosticar, controlar e explicar as doenças ficou concentrado em um segmento social urbano, os sacerdotes, sempre vinculados aos grupos dominantes.

A capacidade de mediar às atenções de deuses e humanos passou a ser monopolizada por estes atores sociais, e o modo mágico de lidar com as doenças foi suplantado pelo modelo místico, ou religioso, que se tornou hegemônico.

A doença passou a ser vista como pecado (Cristianismo), resultado da desobediência a códigos de condutas prescritos pelos deuses e vigiados pelos sacerdotes, sendo atribuído ao enfermo a responsabilidade, individual ou coletiva, por seus sofrimentos.

Superada posteriormente no chamado período Pré-Socrático, pela teoria de que a doença era um fato decorrente das alterações dos elementos ambientais no meio físico e concreto que o homem vivia.A doença, ocorria por um desequilíbrio entre esses elementos, sendo eles: ar, terra, fogo e água.

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Com o início da organização humana em sociedade, com o surgimento das cidades grego- romanas, o homem, destaca que os elementos causadores de doenças, não adivinham apenas da natureza (ambiente) mas, também, do próprio organismo humano, onde o equilíbrio entre esses elementos, dependia sim de uma adaptação do homem ao seu meio social e físico através de restrições comportamentais. Essa visão nos leva a um pensamento chamado de Visão Epidemiológica da saúde, com destaque a Hipócrates, médico grego considerado o pai da medicina e primeiro epidemiologista.

Esses elementos do organismo humano, faziam alusão aos 4 elementos da natureza até anteriormente citados, mas eram chamados por Hipócrates, de humores. O desequilíbrio entre esses humores humanos, influenciados pela natureza, levava o desenvolvimento da doença. Destacamos como os humores: Fogo (coração); Ar (cérebro); Terra (bile amarela); Água (bile negra do estômago).

Na Grécia, com a escola de Hipócrates, e já sob uma cultura que privilegiava uma reflexão filosófica a cerca do mundo e a observação cuidadosa da natureza, uma medicina de elite pode ser implementada, tendo como princípio o equilíbrio entre o indivíduo e seu ambiente. Era uma medicina centrada no cuidado do corpo, onde o papel do médico era procurar colaborar na restauração da harmonia.

Este modo de entender a saúde e a doença tinha sua racionalidade na observação cuidadosa dos fenômenos, na concepção da doença enquanto fenômeno natural, e portanto passível de explicação teórica, e na transmissão do conhecimento em condições capazes de assegurar um certo controle sobre a competência dos praticantes.

Com o avanço de tal pensamento, onde percebe-se a influência na natureza (ambiente) na saúde do homem, surge a TEORIA DO MIASMAS (gazes), que vai predominar por mais tempo ainda. Essa teoria apresenta que a origem das doenças adivinha da má qualidade do ar, proveniente das liberações oriundas da decomposição de animais e plantas (gazes).

Durante o século XIV teve início uma pandemia de peste que devastou a Europa, eliminando mais de um quarto da população, desorganizando o processo social e trazendo outras concepções sobre saúde e doença. No Ocidente criou-se então toda uma cultura centrada no horror e na convivência com a morte.

Desvinculada da concepção religiosa hegemônica e desenvolvida a partir da acumulação de observações empíricas, a prática da quarentena, dirigida ao isolamento de pessoas e lugares sadios se impôs, como uma forma de defesa coletiva, capaz de se sobrepor aos interesses e direitos individuais.

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Nos séculos seguintes, a perda de credibilidade de todas as formas de medicina possibilitou uma onda de especulações, práticas alternativas e também à volta à observação dos fenômenos como fonte de conhecimentos mais úteis que aqueles possibilitados pelas velhas doutrinas.

Com a Idade Moderna, período de grande expansão das manifestações artísticas, filosóficas e científicas do novo mundo urbano, com estudo do homem e da natureza, fez do homem desenvolver um espírito crítico, levando-o para a ciência experimental, para a observação, de forma a obter explicações racionais para os fenômenos da natureza.

O Renascimento cultural e científico possibilitou uma maior compreensão da constituição do corpo humano, estudado detalhadamente por médicos e artistas, e as doenças, como os outros fenômenos, passaram a ser atribuídas a causas naturais.

Os grandes avanços na física mecânica e na compreensão da composição química da matéria resultaram na representação do corpo humano como uma máquina, passível de defeitos em seu funcionamento, e que, quando compreendidos, poderiam ser corrigidos.

Assim, destacamos as principais Teorias Interpretativas do Processo Saúde-Doença.

As Teorias interpretativas do Processo Saúde-Doença

As teorias interpretativas do processo saúde-doença refletem o desenvolvimento das forças produtivas da sociedade considerada. Assim, na evolução histórica das sociedades ocidentais podemos distinguir basicamente três teorias interpretativas deste fenômeno social, sendo eles:

1.A teoria unicausal da doença

Esta teoria reconhece que a causa única e fundamental da doença situa-se fora do organismo humano acometido. Esteve presente e foi à concepção dominante desde o início das sociedades ocidentais. Inicialmente, quando o homem não dispunha de meios para controlar a Natureza, as causas das doenças eram atribuídas a fatores externos, geralmente de explicação metafísica, entrando ou saindo do corpo humano por forças sobrenaturais.

Com o desenvolvimento das forças produtivas e a superação dos modos de produção que não ofereciam o desenvolvimento tecnológico, houve um grande avanço na explicação da causalidade das doenças através de microorganismos que, podiam ser controlados pelo homem, materializavam as causas das doenças, constituindo-se em fatores fundamentais para o aparecimento das mesmas. Esta teoria teve um grande avanço na chamada “

era bacteriológica

” onde através da descoberta dos

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vários agentes etiológicos, principalmente relacionados às doenças transmissíveis, explicava o surgimento da doença. Neste modelo biologicista o homem é considerado um ser cujas ações estão limitadas ao funcionamento mecânico dos órgãos e sobre o qual atuam processos biológicos ou físico- químicos que desequilibram o sistema. Como grande destaque desse período temos a representação de Louis Pasteur (1822), grande cientista francês, com sua teoria dos germes, criador do processo de pasteurização e desenvolvimento das vacinas. Segundo ele, deveria-se identificar o micróbio causador de cada doença para se descobrir um modo de combatê-lo. Foi a partir de então, que ele descobriu às vacinas, entre elas, a anti-rábica.

Esta teoria foi perdendo espaço gradativamente pois a complexidade que foi adquirindo a organização social passou a gerar uma crescente necessidade de atenção à saúde que surtisse efeitos importantes na manutenção da qualidade de força de trabalho dos trabalhadores a serviço do capital.

Ainda, no campo da saúde, a crescente sofisticação dos meios de diagnósticos e tratamento foi gradativamente reduzindo o acesso de um número cada vez maior de pessoas a uma assistência à saúde compatível com as necessidades. Tudo isto faz com que se buscassem explicações para o processo saúde-doença que subsidiassem uma busca de alternativas de assistência menos custosas, porém com impacto suficiente para garantir a força de trabalho. Além disso, os movimentos organizados da sociedade apontavam para outras causas de doenças que não apenas o agente etiológico. Isto proporcionou a elaboração da teoria multicausal da doença.

2. Teoria multicausal da doença

Esta teoria se consolidou na década de 60 e substituiu a teoria unicausal. Ela coloca que a causa da doença não é única, mas que no seu aparecimento coexistem várias causas. Passaram então a ser relacionados fatores causais dos agravos à saúde, cujo controle favorece a não propagação da doença.

A grande saída reside no controle dos fatores causais através de medidas de baixo custo, acessíveis a toda a população. Estes fatores agem como somatória de causas, onde são atribuídos pesos a cada um deles e desta forma, a sociedade e a organização social também se constituem em fatores causais, tanto quanto a constituição biológica do homem, por exemplo.

Uma variante deste modelo é a Teoria de Leavell e Clark, chamado modelo da tríade ecológica segundo o qual, as causas ordenam-se dentro de três categorias possíveis ou conjunto de fatores que intervêm no aparecimento da doença: o agente (causador da doença), o hospedeiro (homem) e o meio ambiente. O comportamento anormal, o desequilíbrio, de um destes conjuntos de fatores pode ocasionar o desequilíbrio do sistema e consequentemente o aparecimento da doença. Assim, a

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presença de um ambiente desfavorável ocasiona transtornos no hospedeiro e ativação do agente que até então pode ter permanecido inativo ou em estado de não agressão rompendo o equilíbrio. O perfil epidemiológico constitui o conjunto das causas de doenças ou de mortes na população.

Esses modelos baseados no idealismo, no entanto, mostram-se insuficientes para explicar o comportamento das doenças na sociedade estratificadas em diferentes classes ou outros grupos sociais, nos quais as desigualdades condenam os indivíduos a condições cada vez mais precárias de vida.Contrapondo-se a elas e, buscando uma explicação cuja lógica não resida em causas aparentes mas na essência do problema, assim, surgiu a teoria da determinação social do processo saúde-doença.

3. Teoria da determinação social do processo saúde-doença

Segundo esta teoria, a causa do comportamento do processo saúde-doença deve ser buscada na forma como a sociedade se organiza para a construção de sua vida social. Em primeiro lugar, esta teoria interpreta os fenômenos saúde e doença como expressões de um mesmo processo, evidenciando o seu duplo caráter:

o biológico e o social

, uma vez que encara a natureza humana, apesar de ter um lastro biológico, se determina a partir da vida do homem em sociedade.

Assim, a organização social é o determinante fundamental das manifestações deste processo e evidencia-se como uma forma de manifestação da qualidade de vida dos agentes sociais. Esta, por sua vez é determinada pelos processos de produção e reprodução da vida social.

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A teoria da determinação social do processo saúde-doença permite compreender como cada sociedade cria um determinado padrão de desgaste em função do consumo e gasto de energia pelos indivíduos no processo de reprodução social. Nas sociedades classistas, especificamente naquelas organizadas sob o modo capitalista de produção, a cada classe social corresponderia um determinado padrão de desgastes e potencialidades, manifestos através de condições negativas (riscos de adoecer ou morrer) ou positivas (possibilidades de sobrevivência), conseqüentes às formas historicamente adotadas pela sociedade para conduzir a sua vida social.

Ainda nesta concepção o processo saúde-doença manifesta-se por meio de diferentes fenômenos cuja freqüência e intensidade variam no tempo e no espaço e podem ser expressos nos níveis:

individual ou singular; do grupo social cujo elemento de ligação dos seus componentes seja o trabalho ( primordialmente da classe social); da estrutura social.

No primeiro nível (individual ou singular) o processo saúde-doença manifesta-se com variações na freqüência e na intensidade entre pessoas e pequenos grupos que se diferenciam entre si por atributos individuais tais como: sexo, idade, religião, escolaridade, rendimentos, etc. No segundo nível, entre classes sociais que compartilham das condições de vida e de trabalho, as manifestações se dão através de perfis de morbi-mortalidade peculiares de cada classe, como a expressão dinâmica de inserção destas classes no sistema produtivo. No nível da estrutura social, relativo a uma mesma formação social, o processo saúde-doença manifesta-se através de perfis de morbi-mortalidade peculiares desta sociedade em relação às demais.

Assim, diversas concepções de saúde e doença podem coexistir, através da persistência de modelos antigos, mas que ainda atendem a necessidades atuais. Nas comunidades tradicionais a ocorrência de doenças era explicada de modo compatível com sua visão de mundo.

Quando a Organização Mundial de Saúde conceituou saúde como "o mais completo estado de bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças", certamente não estava propondo um critério classificatório, mas uma direção.

Já a idéia de doença é mais imediatista, sempre impondo, ao mesmo tempo, certas competências operacionais e algum tipo de explicação. Historicamente, ela é muito anterior à concepção de saúde, estando presente, de diferentes formas, em todas as organizações sociais conhecidas. Remetendo a questão da identificação e classificação da doença e dos doentes a um saber técnico, que pressupõe divisão de trabalho e transferência de poder.

Os processos saúde-doença podem ser reconhecidos, a partir da posição do observador e aparecem, segundo cada posição, como alteração celular, sofrimento ou problema de saúde pública.

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A seleção de uma destas perspectivas é definida tanto por questões metodológicas como pelas possibilidades de ação eficaz do observador e sua visão de mundo.

Saúde Individual

Saúde individual é a saúde de cada um. Cada um de nós é responsável pela sua saúde e pela dos outros. Por exemplo, se eu fumar ou beber sei que estou a comprometer a minha saúde e ao mesmo tempo a dos outros pois estou também a poluir o ambiente. Outro exemplo: se despejar lixo para a via pública estou a prejudicar não só a minha saúde como também a dos outros.

Saúde é algo que podemos influenciar com as escolhas que fizermos ao longo da vida. Se cumprirmos determinadas regras de higiene e praticarmos um modo de vida saudável, contribuímos para a manutenção da saúde e para melhorar o seu estado.

Cada pessoa é responsável pela transmissão de conhecimentos úteis a quem não os possui, no que diz respeito à prevenção de doenças e à promoção da saúde.

Saúde Coletiva

Surge como um termo vinculado a um esforço de transformação, como opção oposta, como veículo de uma construção alternativa da realidade que é o objeto da ação, dos métodos para estudar esta realidade e das formas que são praticadas. A saúde coletiva propõe a determinação histórica do processo coletivo de produção de estados de saúde-doença e propõe a necessidade de uma ação para a mudança radical.

O campo da Saúde coletiva compreende:

- No estado de saúde da população ou condições de saúde de grupos populacionais específicos do ponto de vista epidemiológico, demográfico, sócio-econômico e cultural;

- Compreende os serviços de saúde, enquanto instituições de diferentes níveis de complexidade (do posto de saúde ao hospital especializado);

- Avalia processo de trabalho em saúde, a formulação e implementação de políticas de saúde, programas e tecnologias utilizada na atenção à saúde;

- Investiga as relações entre o saber "científico" e as concepções e práticas populares de saúde, influenciadas pelas tradições, crenças e cultura de modo geral.

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Na Saúde Coletiva, o objeto não é mais o corpo biológico, mas os corpos sociais. Tanto que destacamos a década de 70, onde nossos representantes governamentais, estudiosos da saúde e a população procuram articular quatro dimensões explicativas para a saúde:Biologia humana

,

Estilos de vida

,

Meio ambientee Serviços de saúde.

Logo, Saúde Coletiva pode ser entendida como:"... uma ciência histórico-social, percebendo que as características dos seres humanos (doentes ou não) são sobretudo, um produto de forças sociais mais profundas, ligadas a uma totalidade econômico-social que é preciso conhecer e compreender

para explicarem-se adequadamente os fenômenos de saúde e de doença com os quais ela se defronta"

(PEREIRA, 1986).

Afinal, como então podemos conceituar Saúde...

Durante as décadas, percebemos o quanto é diferente como a sociedade interpretou a saúde, reflexo de uma organização político e econômica vigente em cada período, assim, conceituar saúde, torna-se algo muito complexo, pois saúde é complexo e dinâmico.

Define-se no contexto histórico em determinada sociedade e num dado momento de seu desenvolvimento, devendo ser conquistada pela população em suas lutas cotidianas. É assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida. Assim, podemos destacar, durante as décadas, os conceitos que embaçam a maneira que tratamos a cuidamos da saúde hoje:

Inicialmente, o conceito de saúde, é estabelecido, em 1948, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), através da Carta Magna, como:

“um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de afecção ou doença”.

Essa conceituação traz consigo o perfil de Saúde Ideal, pois destaca o funcionamento perfeito do corpo humano nas suas dimensões física, psíquica e biológica, adaptada às condições sociais existentes.

Posterior a esse período, concepções mais globalizantes, articulam SAÚDE com CONDIÇÕES DE VIDA. Desaparecem as separações entre ações curativas e preventivas porque o ambiente pode ter papel curativo importante, assim como a existência de serviços confiáveis de saúde pode exercer a função preventiva pelo sentimento de confiança que cria na população. Dessa forma, destacamos a I

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Conferência Internacional sobre Promoção de Saúde no Canadá, em 1986, onde pela Carta de Ottawa, temos como definição:

“A paz, a educação, a habitação, a alimentação, a renda, um ecossistema estável, a conservação dos recursos, a justiça social e a eqüidade são requisitos fundamentais para a saúde”

Baseado nessa Carta, e seguindo suas premissas a 8º Conferência Nacional de Saúde (1986), conceitua saúde, como:

“SAÙDE é o resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de saúde.”

Sendo essa a mesma definição que nos é apresentada hoje pela Lei Orgânica da Saúde 8.080 (1990), lei essa normatizadora da Constituição Federal de 1988, Art. 196, o qual traz em seu texto: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos”.

Processo Saúde-Doença

Na verdade, o processo saúde-doença, é construído de acordo com o momento histórico pelo qual está passando o ser humano e como está inserido na sociedade. Não há padrões pré-estabelecidos de normalidade, que é determinada historicamente pela forma de inserção social do ser humano na sociedade ou, em última instância, pela forma como ele se relaciona com a natureza e com os demais seres humanos. Além disso, não pode existir fora da sociedade.

Está diretamente atrelado à forma como o ser humano, no decorrer de sua existência, foi se apropriando da natureza para transformá-la, buscando o atendimento às suas necessidades. O modo como o indivíduo adoece e recupera a sua saúde é denominado de Processo Saúde-Doença.

As alterações do meio ambiente, portanto, afetam a qualidade de vida dos indivíduos, e isto é evidenciado, mais fácil e frequentemente, por meio dos agravos à saúde das pessoas.

O conceito de AMBIENTE é entendido, como um conjunto de condições físicas, químicas e biológicas, necessárias para a manutenção da vida de cada espécie.

Porém, é importante lembrar que, o ambiente do ser humano, no entanto, inclui outras condições, como as: condições sociais, econômicas e culturais.

Assim, destacamos diversos fatores que são influenciadores diretos do Processo Saúde-Doença, a seguir:

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No intuito de facilitar, o entendimento do Processo saúde-doença comparando-o didaticamente com as ações e mecanismos oferecidos nos níveis de atenção pública de saúde, juntamente com as intervenções que devem ocorrer coletivamente ou individualmente e a participação da comunidade por parte da equipe de saúde, usaremos a figura do Iceberg.

Iceberg, segundo o dicionário Michaelis, significa “um monte de gelo flutuante”, onde a parte visível, significa, uma pequena parte do problema, só o que é óbvio; o que é fácil de compreender.

No iceberg, a parte visível, o cume, ápice ou ponta, encontra-se acima da linha do horizonte e sua maior massa está localizada abaixo desta linha. É sua base.

Fatores genéticos

Fatores sociais

Fatores ecológicos

Fatores

políticos Fatores econômicos

Fatores culturais

Fatores educacionais Fatores

ambientais Fatores

psicológicos

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Na História Natural da Doença, a Linha do Horizonte Clínico é uma linha imaginária e didática, que separa o período patogênico, em que a doença se manifesta pelos sinais e sintomas, e o período pré-patogênico, silencioso, em que prevalece, a saúde, que deve ser mantida.

No Processo saúde-Doença encontra-se:

1. Fatores determinantes da saúde: interferem nas estruturas sócio-ambientais, atingindo o meio ambiente e as organizações sociais para as quais devemos priorizar ações de promoção.

2.Fatores de Risco: afetam estruturas individuais ou sócio-ambientais atingindo, portanto, indivíduos ou seus agrupamentos em que a ação da equipe deve priorizar a prevenção.

3. Fatores de Danos: afetam os indivíduos para os quais preconizam-se ações de tratamento.

Na

Atenção Primária (Básica),

as ações preconizadas são as de promoção da saúde, prevenção e recuperação da doença, estando disponibilizado, nas unidades básicas de saúde (UBS), nas Unidades de saúde da Família (USF), nas unidades mistas (UBS + USF ou UBS + pronto- atendimento). São realizados ações como: as consultas, visitas, grupos de saúde e outros, como mecanismos para as suas execuções para o indivíduo, a família e ou a comunidade.É a “porta de entrada” para esse sistema integrado e deve resolver, no mínimo, 80 % das necessidades de saúde da população.

Preocupa-se com a eliminação das causas e condições de aparecimento das doenças, agindo sobre o ambiente (segurança nas estradas, saneamento básico) ou sobre o comportamento individual (exercício físico, alimentação). É o sistema de elementos físicos, biológicos e sociais com os quais o homem interage para adaptar-se a ele, para transformá-lo e utilizá-lo para satisfazer suas necessidades vitais.

FATORES E SITUAÇÕES AMBIENTAIS QUE HOJE JÁ REPERCUTEM NA SAÚDE -Mudanças de temperatura no planeta

-Destruição da camada de ozônio

-Miséria e pobreza originadas de desequilíbrios sociais

-Degradação de espaços urbanos causadas pelas formas de organização da sociedade -Erosões que afetam os solos cultiváveis

-Contaminação de mananciais por poluentes químicos e/ou orgânicos - Condições insalubres de trabalho

Levando: a doença ambiental

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Na

Atenção Secundária,

as ações preconizadas são as de prevenção, tratamento e recuperação da doença, estando disponibilizado, em ambulatórios, hospitais gerais de pequeno porte, pronto-socorros gerais. Sendo realizados ações como: exames sofisticados, consultas, procedimentos específicos e outros, que devem estar em sintonia com a Atenção Básica.

Na

Atenção Terciária

, as ações preconizados são as de tratamento e reabilitação da doença, estando disponibilizado, em ambulatórios especializados (DST/Aids), prontos-socorros (cardiologia) e hospitais especializados (hospital do câncer). Sendo realizados ações com tecnologias sofisticadas e profissionais com capacitação diferenciada.

A comparação citada está representada, novamente pela figura a seguir, apresentada e composta de três fases, assim descritas:

1.FASE DE SAÚDE

Aqui há atuação dos fatores determinantes de saúde do processo saúde-doença. Corresponde, no iceberg, à sua base, invisível, que proporciona estabilidade ao conjunto.

Encontram-se, nessa fase, os diversos componentes ou setores da sociedade e do meio ambiente, responsáveis, primordialmente, pela manutenção da saúde.

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Os Fatores Determinantes de Saúde influem positivamente ou negativamente, na saúde de grupos (famílias, associações, etc) ou na comunidade como um todo.

É o período pré-patogênico ou de saúde, na história natural da doença; a ação preconizada é a promoção e o mecanismo disponível nas unidades são os Grupos de saúde que possibilitam a mobilização comunitária e ou intersetorial.

2.FASE DE RISCO

São variados os fatores que determinam o risco que interfere na saúde dos indivíduos, isolados ou em seus agrupamentos.

No Iceberg, na história natural da doença e no processo saúde-doença, alinha do horizonte representa estes fatores, bem como, sutilidade e fragilidade desta fase.

A ação preconizada é a prevenção, quer individual ou para grupos susceptíveis e os mecanismos prioritários, disponíveis na atenção básica são as Visitas Domiciliares (para grupos familiares) e procedimentos individuais (consultas médicas e de enfermagem).

3.FASE DE DANO

Aqui ocorre a atuação de fatores que determinam a ruptura da harmonia existente no indivíduo: fatores determinantes de dano do processo saúde-doença.

Corresponde no Iceberg ao cume ou pico; ao período patogênico, de doença, agravo ou acidente, na história natural da doença; a ação preconizada é o tratamento e o mecanismo disponível nas Unidades é a consulta, por afetar o indivíduo, além das ações em nível secundário e terciário de atenção, como internações, cirurgias e fisioterapia.

Ainda Aplicando o método do Iceberg no Trabalho da Equipe, visualizamos que o cume, corresponde a doença e o tratamento cabendo ao médico a prioridade desta ação.

Já a alinha do horizonte, corresponde às medidas de prevenção, quando realizadas junto ao indivíduo ou a grupos familiares; a prioridade destas ações cabe ao corpo da Enfermagem.

Quanto à base, as mesmas poderão ser desenvolvidas por toda a equipe, com ações de promoção por meio de mobilização da comunidade.

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AULA : PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS

Promoção à Saúde

A Carta de Ottawa, resultado da I Conferência Internacional sobre Promoção de Saúde, realizada em 1986. Postula a idéia da saúde como qualidade de vida resultante de complexo processo condicionado por diversos fatores, tais como, entre outros, alimentação, justiça social, ecossistema, renda e educação.

A Carta de Ottawa define promoção da saúde como:

“processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo”.

É O PROCESSO QUE PERMITE AS PESSOAS AUMENTAREM O CONTROLE SOBRE SUA SAÚDE E SEUS DETERMINANTES, E DESSE MODO MELHORAREM SUA SAÚDE….

É denominada no início do século XX, pelo sanitarista Henry Sigerist – sanitarista inglês

“ações de Educação em Saúde e ações padronizadas para melhorar as condições de vida da população.”

Sanitaristas – Leavell & Clark

“ História natural do processo saúde e doença”

Tríade ecológica – Teoria multicausal

A causa da doença não é única, mas quando surge é devido várias outras causas.

Identificar os fatores que causam os agravos à saúde e controla-los.

 Ações de Promoção devem visar sob uma concepção holística, voltada para a multicausalidade do processo saúde-doença.

- saúde física - mental - social - espiritual - ambiental

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 Os conceitos de prevenção de doenças e de promoção da saúde não se distinguem claramente na prática do setor saúde.

 As práticas em promoção da saúde, da mesma forma que as de prevenção de doenças, fazem uso do conhecimento técnico e científico específico do campo da saúde.

Níveis de Prevenção

O conceito de prevenção é definido como “ação antecipada, baseada no conhecimento da história natural a fim de tornar improvável o progresso posterior da doença” (Leavell & Clarck, 1976:17).

A prevenção apresenta-se em três fases:

- primária - secundária - terciária

Níveis de Prevenção na História Natural da Doença

Período Pré-Patogênico

Podem ocorrer situações que vão desde um mínimo de risco até risco máximo dependendo dos fatores presentes.

Ex:

Usuário de drogas fatores pré-patogênicos que dividem a mesma > criam situações de alto seringa risco

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18 Classe alta adoecer de > fatores pré-patogênicos

doenças parasitárias criam situações de baixo risco

A prevenção primária é a realizada no período de pré-patogênese. A Prevenção Primária, pode ser dividida em: promoção da saúde e proteção específica, “contra agentes patológicos ou pelo estabelecimento de barreiras contra os agentes do meio ambiente”.

Promoção da Saúde:

 Educação sanitária;

 Bom padrão de nutrição, ajustado às várias fases de desenvolvimento da vida;

 Aconselhamento e educação sexual;

 Exames seletivos periódicos

Proteção Específica:

 Uso de imunizações específicas;

 Atenção à higiene pessoal;

 Uso de preservativos

 Hábito de saneamento do ambiente;

 Proteção contra riscos ocupacionais;

 Proteção contra acidentes;

 Proteção contra substâncias carcinogênicas

Período Patogênico

Período onde se inicia as primeiras ações que os agentes patogênicos exercem sobre a pessoa afetada. Realizações da Prevenção Secundária, onde objetiva a redução dos fatores de risco relacionados aos agentes patogênicos e ao ambiente. Atende a dois tipos de população:

- indivíduos sadios potencialmente em risco, para identificar precocemente doentes sem sintomas. Ex: exame de papanicolau, exame de escarro, etc

- indivíduos doentes ou acidentados com diagnósticos confirmados, para que se curem ou evitem complicações

EX: tratamento medicamentoso

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19 No que tange a Prevenção Secundária, esta pode ser dividida da seguinte forma:

Diagnóstico e tratamento precoce:

 Medidas individuais e coletivas para descoberta de casos;

 Pesquisa de triagem e exames seletivos, a fim de curar e evitar o processo de doença;

 Evitar a propagação de doenças contagiosas;

 Evitar complicações e seqüelas;

No que se refere à Prevenção Terciária, é importante dizer que envolve a reabilitação, sob os seguintes aspectos:

 Prestação de serviços hospitalares e comunitários para reeducação e treinamento, a fim de possibilitar a utilização máxima das capacidades restantes;

 Educação do público e indústria, no sentido de que empreguem o reabilitado;

Terapia ocupacional em hospitais

A concepção de níveis de prevenção foi incorporada ao discurso da Medicina Comunitária no Brasil na década de 1960 e orientou o estabelecimento de níveis de atenção nos sistemas e serviços de saúde que vigora até hoje. Foi amplamente difundida durante os anos 70 e 80 juntamente com as propostas de Atenção Primária em Saúde e a idéia de “saúde para todos no ano 2000”.Os níveis de Prevenção exigem que nós profissionais comecem a observar o quanto as ações no ambiente e sobre os estilos de vida apresentam um grande potencial na Prevenção de Doenças. O estilo de vida e ambiente são responsáveis por 80% das causas das doenças

REFERENCIAL TEÓRICO

LUZ, Madel T. Novos Saberes e Praticas da Saúde Coletiva. 2ª ed. São Paulo: HUCITEC. Cap:

01.2005.

EGRY, Emiko.Y. Atualização em saúde Coletiva. São Paulo. Escola de Enfermagem da Universidade São Paulo. 2008.

NETTO, Francisco.S. Processo Saúde-Doença. São Paulo.8º Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade.2006.

Referências

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