O IMPULSO DO
O ACESSO AO CRÉDITO PODE SER UM PONTO DEFINITIVO PARA O SUCESSO DA EMPREITADA DOS PEQUENOS NEGÓCIOS
CRÉDITO
DINHEIRO
7 DE FEVEREIRO DE 2022
FORTALEZA - CEARÁ
Vicente Lima, proprietário da Vidromáquinas, recorreu ao crédito como suporte em momento de dificuldade e a empresa conseguiu não só se manter ativa, mas evoluir 7 DE FEVEREIRO DE 2022
FORTALEZA - CEARÁ
Vicente Lima, proprietário da Vidromáquinas, recorreu ao crédito como suporte em momento de dificuldade e a empresa conseguiu não só se manter ativa, mas evoluir
CRÉDITO
FOTO JOÃO FILHO TAVARES
Na nova fase do projeto Cuidar para crescer serão publicados três cadernos com temáticas sobre como organizar as finanças: conceitos básicos de gestão financeira para os pequenos negócios, como acessar crédito: canais de crédito disponíveis e os cuidados necessários na hora da contratação e como organizar melhor a operação: conceitos básicos de gestão de processos e demanda. “Com a missão de caminhar lado a lado com o nosso povo, acompanhando de perto os desafios enfrentados em meio à pandemia, iniciamos uma nova fase do Projeto Cuidar para Crescer.
O empreendedorismo tem se mostrado uma marca do povo cearense e ajudou muitas famílias a superar as dificuldades desse momento. E nesse sentindo seguimos cumprindo com o nosso papel como poder público, incentivando ações que fortalecem a atividade empreendedora na cidade”, analisa Antônio Henrique, presidente Câmara Municipal de Fortaleza.
Nas páginas a seguir, o assunto é o acesso ao crédito, as opções de crédito para pequenos disponíveis no Ceará e como não fazer do crédito uma furada. Além disso, apontamos os caminhos para reestruturar seu negócio.
Boa leitura!
EXPEDIENTE
FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR)
Presidente: LUCIANA DUMMAR | Diretor Administrativo-Financeiro: ANDRÉ AVELINO DE AZEVEDO | Gerente Geral: MARCOS TARDIN | Gerente Editorial e de Projetos: RAYMUNDO NETTO | Gerente Pedagógica: VIVIANE PEREIRA | Gerente de Audiovisual (Canal FDR): CHICO MARINHO | Gerente de Marketing & Design:
ANDREA ARAUJO | Analistas de Projetos: AURELINO FREITAS e FABRÍCIA GOIS
CUIDAR PARA CRESCER II:
GESTÃO FINANCEIRA DE PEQUENOS NEGÓCIOS
Concepção e Coordenadora Geral: VALÉRIA XAVIER | Coordenador Editorial:
GIL DICELLI | Editora-executiva: PAULA LIMA | Editora-adjunta: ANA BEATRIZ CALDAS | Designer: NATASHA ELLEN e MARINA MOTA | Repórter: LETÍCIA DO VALE | Ilustrador: RAFAEL LIMAVERDE | Analista de Projetos: TACI MORAIS
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FINANCEIRA DOS PEQUENOS NEGÓCIOS
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CURSO É GRATUITO
FORTALEZA - CE, 07 DE FEVEREIRO DE 2022CUIDAR PARA CRESCER
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CONTEÚDO DOS MÓDULOS
MÓDULO 1 – “Como formalizar seu negócio”
Autor: Randal Mesquita
Sobre o autor: Contador, especialista em Controladoria, em Educação Financeira e em Varejo e Serviços. Mestre em Administração de Empresas, professor do ensino superior e sócio da Result Consultoria em Varejo e Serviços.
MÓDULO 2 – “Microcrédito e as pequenas empresas”
Autor: Wandemberg Almeida
Sobre o autor: Economista pela Universidade Federal do Ceará (UFC), MBA em Gestão Financeira e Controladoria pelo Centro Universitário Estácio do Ceará, Mestre em Economia pelo CAEN/UFC, Diretor Administrativo Financeiro do Instituto CUCA, Funcionário do Banco do Nordeste do Brasil, Professor Universitário, Conselheiro do CORECON CE, Conselheiro do CONDECON, Revisor da Revista Econômica do Nordeste – REN, Palestrante.
MÓDULO 3 – “Como administrar as finanças em pequenos e médios negócios”
Autor: Randal Mesquita
MÓDULO 4 – “Como gerenciar custos e preços em pequenos e médios negócios”
Autor: Danielle Porto
Sobre a autora: Mestre em Administração e Controladoria pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com pós-graduação em Finanças, Controladoria e Auditoria (FGV-RJ), MBA em Estratégia Empresarial (USP) e graduada em Ciências Contábeis (UFC).
Diretora Vogal do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças IBEF Ceará, Consultora Sênior na FIEC, Mentora Internacional em Finanças – GMG, professora universitária e Diretora da Focus 3 Consultoria
Empresarial e Treinamentos Ltda.
MÓDULO 5 – “Como elaborar rotinas produtivas para gerenciar seu negócio”
Autor: Fauber Diogo
Sobre o autor: Economista. Pós-graduado em Gestão da Qualidade e Engenharia da Produção. Especialista em Varejo Físico e Online (USP) e em Business Intelligence (HSM University). Professor de pós-graduação.
MÓDULO 6 – “Como trabalhar com bancos sociais”
Autor: Luís Carlos Queiroz de Alencar
Sobre o autor: Professor universitário, Coordenador do Núcleo de Práticas de Gestão da Unichristus (NPGE), técnico em Edificações, bacharel e mestre em Administração de Empresas, especialista em Controladoria, ex-assessor de planejamento da Prefeitura Municipal de Fortaleza, bacharelando em Filosofia e ex -capacitador do Crediamigo do BNB.
Estamos na segunda fase do proje- to “Cuidar para crescer”, um curso com foco nos pequenos negócios, voltado aos profissionais autônomos que que- rem se capacitar.
O curso, que é gratuito, é composto por seis módulos, elaborados em uma linguagem simples e direta e disponibi- lizados nas plataformas digitais. Cada módulo tem um e-book, uma videoaula e um podcast.
Três temas centrais são a base do conteúdo do curso: como organizar as finanças (conceitos básicos de gestão financeira para os pequenos negócios);
como acessar crédito (canais de crédito
disponíveis e os cuidados necessários na hora da contratação) e como organi- zar melhor a operação (conceitos bási- cos de gestão de processos e demanda).
O curso tem a coordenação geral de Valéria Xavier, executiva de Proje- tos Especiais do O POVO, e a coorde- nação de conteúdo do professor Ran- dal Mesquita, especialista em Varejo e Serviços. É uma realização da Funda- ção Demócrito Rocha/Universidade Aberta do Nordeste e da Câmara Mu- nicipal de Fortaleza.
O conteúdo do curso, na íntegra, pode ser acessado em fdr.org.br/cuidar- paracrescer2
PROGRAMA DE TV
A gestão financeira dos pequenos negócios (já disponível no site)
LIVES E PROGRAMAS DE RÁDIO
- Como organizar as finanças conceitos básicos de gestão financeira para os pequenos negócios (já disponível no site)
- Como acessar crédito canais de crédito disponíveis e os cuidados necessários na hora da contratação (8 de fevereiro) - Como organizar melhor a operação conceitos básicos de gestão de processos e demanda (15 de fevereiro)
CONTEÚDO EXTRA
Você pode acessar todos os conteúdos do projeto gratuitamente em:
fdr.org.br/cuidarparacrescer2
CRÉDITO PARA
MICRO E PEQUENOS:
INVESTIMENTO
CONSEGUIR
NEGÓCIOS QUE AINDA ESTÃO COMEÇANDO TAMBÉM PODEM TER ACESSO A BOAS LINHAS DE CRÉDITO, MAS É
PRECISO PESQUISAR E PLANEJAR BEM PARA EVITAR PROBLEMAS
COMO
E ONDE
NEGÓCIOS QUE
PLANEJAR BEM PARA
EVITAR PROBLEMAS
PRECISO PESQUISAR E
FORTALEZA - CE, 07 DE FEVEREIRO DE 2022CUIDAR PARA CRESCER
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Nem sempre o capital finan- ceiro acompanha os sonhos do empreendedor no momento de começar, aprimorar ou expandir a operação de um negócio. Por isso, especialmente para quem é Mi- croempreendedor Individual (MEI) ou está à frente de uma peque- na empresa, o acesso ao crédito pode ser um ponto definitivo para o sucesso da empreitada.
Conseguir contratar uma linha de crédito, porém, é um processo burocrático e que exige atenção e planejamento. Mesmo antes de escolher em que instituição finan- ceira irá buscar o investimento, é ANA BEATRIZ CALDAS
preciso reunir documentos pes- soais e profissionais que compro- vem o comprometimento com o negócio e o banco ou cooperativa - e a formalização, em muitos ca- sos, é a melhor amiga do empreen- dedor, pois facilita esses trâmites.
“O grande problema para mui- tas pessoas é conseguir compro- var tudo o que as instituições exi- gem, mas há diversas opções de empréstimo e crédito direcionado.
Há a facilidade, por exemplo, do microcrédito, que tem valor mais baixo e pode ajudar a ter um capi- tal de giro mais rápido ou a adqui- rir itens para a sua empresa. Por ser um valor menor, a burocracia também é menor”, explica Wan- demberg Almeida, professor uni- versitário e mestre em Economia.
O conselho do economista é
que o empreendedor que vai bus- car crédito pela primeira vez co- mece contratando microcrédito
“para arrumar a casa”, já que os valores da modalidade, que costu- mam variar entre R$ 300 e R$ 20 mil, são mais fáceis de gerenciar e tem taxas mais atrativas.
Outro ponto importante é sa- ber em que o dinheiro será aplica- do, e incluir de imediato o valor da parcela nas despesas mensais do negócio, para evitar problemas na contabilidade ou confusão entre contas pessoais e profissionais. “É preciso saber se ele irá para com- pra de maquinário, matéria-prima, reforma… Isso também gera con- fiança nas instituições, que come- çam a aumentar o limite quando percebem que o empreendedor paga em dia”.
Vicente Lima, proprietário da Vidromáquinas, recorreu a um crédito de R$ 5 mil para minimizar impactos da pandemia no negócio
FOTO JOÃO FILHO TAVARES
No fim de 2019, quando resol- veu colocar em prática o apren- dizado que teve trabalhando no centro de manutenção de máquinas pesadas do pai e montar o seu próprio negócio, Vicente Lima, 30, não imagi- nava os desafios que estavam por vir. Nos primeiros meses do negócio, Vicente tocou a Vidro- máquinas, loja de peças para máquinas pesadas e agrícolas, apenas com o auxílio da irmã Aline - ele no operacional, ela no administrativo -, e com relativa tranquilidade. Após a chegada da Covid-19, porém, os irmãos precisaram se reorganizar para manter as finanças em dia.
“Começamos com capital próprio e muita vontade de trabalhar, mas com a pande- mia, o movimento diminuiu e o negócio começou a ficar ruim.
Foi aí que decidimos que seria preciso investir em 2020 para 2021 ser melhor”, conta o em- presário. Como já tinha conta aberta e bom relacionamento em um banco privado, Vicente resolveu buscar uma linha de crédito emergencial que ofer- tava R$ 5 mil - dinheiro que foi aplicado em estoque e melho- rias na estrutura física da loja, localizada no bairro Messejana, em Fortaleza.
Na época, conseguimos sanar dívidas com alguns forne- cedores e adquirir produtos para reposição da loja. O valor ajudou a estabilizar o negócio em um momento de oscilação do mercado”, comenta. Com o sucesso do investimento e do planejamento para quitar a dívida no tempo certo, o empreendedor recorreu a uma nova contratação de crédito em setembro de 2021, dessa vez no valor de R$ 10 mil.
Com o suporte em momentos de maior dificuldade, a empre- sa conseguiu não só se manter ativa, mas apresentar evolu- ção. A segunda contratação de crédito possibilitou, além de estoque, a contratação e a capacitação de colaboradores.
Atualmente, a Vidromáquinas vende para estados de todo o Brasil, através do e-commerce, e conta com quatro funcioná- rios, além de uma nova estru- tura organizacional.
“Aos poucos, estamos setori- zando a empresa e contratando mão de obra para cada setor.
A expectativa agora é investir em tecnologia da informação e também começar a produzir o nosso próprio vidro - e, para isso, vamos buscar um banco que compre a ideia”.
EVITANDO IMPREVISTOS APOIO FINANCEIRO DURANTE A CRISE
O empréstimo informal, desaconselhado por especialistas por não haver um contrato e segurança entre as partes, não é o único perigo na hora de buscar incentivo financei- ro. Na hora de contratar crédito, é essencial só buscar instituições financeiras autoriza- das pelo Banco Central - que disponibiliza uma lista dessas empresas em seu site oficial (www.bcb.gov.br) - para evitar golpes.
Também é recomendado pesquisar o his- tórico de atendimento e suporte do banco ou cooperativa antes de contratar a linha de crédito, além de evitar começar já com valores muito altos, que podem dificultar o pagamento e “manchar” o histórico da empresa com a instituição, atrapalhando futuras negociações.
Aline - ele no operacional, ela no administrativo -, e com relativa tranquilidade. Após a chegada da Covid-19, porém, os irmãos precisaram se reorganizar para manter as finanças em dia.
“Começamos com capital próprio e muita vontade de trabalhar, mas com a pande-
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FORTALEZA - CE, 07 DE FEVEREIRO DE 2022CUIDAR PARA CRESCER
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FORTALEZA - CE, 07 DE FEVEREIRO DE 2022
CUIDAR PARA CRESCER
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
QUAIS DIFICULDADES O EMPREENDEDOR PODE ENCONTRAR?
Falta de informação em relação aos projetos existentes e falta de formação por parte do empreendedor quanto ao valor, como esse dinheiro deve ser utilizado, qual a viabilidade do negócio, quando se dará o retorno do investimento realizado, enfim, de uma educação financeira empresarial básica.
POR ONDE COMEÇAR A PESQUISAR?
Procure se informar bem sobre os projetos e linhas de crédito que existem nos bancos de fomento subsidiados pelas políticas públicas da União, Estados e Municípios, nos bancos sociais ou comunitários.
COMO SABER QUAL A MELHOR OPÇÃO?
As melhores opções de crédito para pequenos empreendedores estão atreladas a alguns fatores como localização, tamanho e segmentação do empreendimento, assim como o valor a ser captado, entre outras variáveis.
No Ceará, o programa de microcrédito produtivo do Governo do Estado (Ceará Credi), por exemplo, concede empréstimo, capacitação empreendedora e educação financeira e é uma possibilidade interessante devido a sua abrangência, valores de concessão de crédito e outras facilidades. Contudo, não deixe de pesquisar se na sua região não tem um banco solidário com melhores condições de crédito.
FONTE: Luís Carlos Alencar, administrador e professor da Unichristus
TIRA-DÚVIDAS
BANCOS PÚBLICOS
Além de possibilidades de acesso a crédito no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quem mora no Ceará também pode conseguir boas opções de linhas de crédito com o Banco do Nordeste - o banco possui a maior operação de microcrédito da América Latina, o CrediAmigo.
O Governo do Ceará também possui um programa de micro- crédito para empreendedores, o Ceará Credi. O programa tem como principal público-alvo micro e pequenos negócios de jovens, mulheres e pessoas de baixa renda, MEI, informais, autônomos, agricultores familiares e desempregados.
BANCOS PRIVADOS E FINTECHS
Para micro e pequenos empreendedores formalizados, grandes bancos privados como Bradesco, Itaú e Santander já oferecem linhas de crédito e microcrédito orientado com boas condições de pagamento. Para escolher o banco ideal, alerta Wandemberg Almeida, é preciso “bater na porta” de cada um para estudar opções. Mas não só bancos tradicionais oferecem comodidade e segurança: bancos digitais como C6 Bank, Inter, Nubank e Original já dispõem de modalidades de crédito com a facilidade da digitalização dos processos.
“As fintechs fecham uma linha de crédito pelo celular com os mesmo benefícios de um banco tradicional - ou até mais”.
BANCOS SOCIAIS
Segundo o administrador Luís Carlos Alencar, o papel dos bancos comunitários (ou bancos sociais) é combater a pobre- za por meio de uma reorganização financeira de territórios vulneráveis, com base na economia solidária e foco na digni- dade humana. “Esse tipo de instituição funciona mediante ao empréstimo de recursos financeiros para produção e consu- mo de bens e serviços para serem produzidos e comprados na própria comunidade, criando oportunidade de crescimento econômico a quem emprega, a quem é empregado e a comuni- dade de forma geral”, explica. No Ceará, de acordo com a Rede Brasileira de Bancos Comunitários, há mais de 30 bancos solidários. A lista completa pode ser conferida no site do Ins- tituto Banco Palmas (www.institutobancopalmas.org).
OPÇÕES DE CRÉDITO PARA
MICRO E PEQUENOS EMPREENDEDORES
Procure se informar bem sobre os projetos e linhas de crédito que
autônomos, agricultores familiares e desempregados.
subsidiados pelas políticas públicas da União, Estados e Municípios, nos bancos sociais ou comunitários.
COMO SABER QUAL A MELHOR OPÇÃO?
Segundo o administrador Luís Carlos Alencar, o papel dos
bancos comunitários (ou bancos sociais) é combater a pobre-
APESAR DA EVOLUÇÃO ONLINE CAUSADA
PELA NECESSIDADE DO ISOLAMENTO SOCIAL,
PERÍODOS DE QUARENTENA TAMBÉM AUMENTARAM O DESEJO POR EXPERIÊNCIAS FORA DE CASA
LETÍCIA DO VALE
Eduardo Torres, diretor da Bicicletando Bike Shop, além de duas lojas físicas investe em um e-commerce que atende a todo o Brasil
COMO DIGITALIZAR
NEGÓCIOS SEM DEIXAR O PRESENCIAL DE LADO
RECUPERAÇÃO
SAINDO
DA CRISE
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A pandemia instaurou no comércio uma crise difícil de ser superada, mas não impossível. O principal obstáculo tem sido a necessidade de distancia- mento social, o que deu um empur- rãozinho extra na digitalização de ne- gócios que já estava em andamento.
O online, então, se tornou a resposta para a maioria dos problemas.
No entanto, não basta apenas estar presente no mundo virtual: é necessá- rio que a empresa tenha uma estraté- gia bem traçada. É o que explica Pau- lo Carvalho, fundador da Xper Global, empresa especializada em inovação.
“A primeira coisa que o empreendedor precisa fazer é se posicionar no mundo digital. Não adianta só fazer impulsio- namento, tem que estar bem localiza- do e ser visto”, aponta.
Um negócio que soube se posi- cionar bem nesse cenário foi a Bici- cletando Bike Shop, em Fortaleza. A empresa trabalha com revenda de bicicletas, serviço de oficina, biome- cânica e a comercialização de peças e vestuário. Eduardo Torres, diretor do empreendimento, há seis anos trabalhava como vendedor na loja de bikes do pai, até que resolveu abrir o próprio bikeshop. Atualmente, a mar- ca tem duas lojas físicas e uma plata- forma de e-commerce que atende a todo o Brasil.
Apesar da surpresa da pandemia e da rápida necessidade de fortalecer o atendimento ao cliente nos canais virtuais, Eduardo explica que esse já era um movimento que vinha sendo adotado pela loja.
“Nós estávamos com o projeto em andamento, então não foi tão difícil porque não precisamos começar do zero. Já tínhamos um setor online e de- dicávamos atenção a ele, então quan- do aconteceu a pandemia a gente es- tava preparado. Já tínhamos delivery, canais de atendimento, soluções de pagamento, tudo online”, aponta.
Para o diretor, readaptar o negócio para o virtual é a chave para superar as principais dificuldades que a pandemia trouxe aos pequenos negócios. Além disso, é importante estar organizado na questão de estoque e compra. “An- tes tinha mais procura do que produto, e agora tem mais produto do que pro- cura de novo. Então, você vinha num ritmo de compra e agora precisa vir em outro”, alerta.
FOTOS JOÃO FILHO TAVARES
READAPTAR O NEGÓCIO PARA O
VIRTUAL É A CHAVE PARA SUPERAR AS PRINCIPAIS
DIFICULDADES QUE A
PANDEMIA
TROUXE
TENDÊNCIAS E ADAPTAÇÕES
Apesar da clara importância do mundo virtual para o comércio após o aconte- cimento da pandemia, isso não significa que lojas físicas devem ser totalmente descartadas. Para Paulo Carvalho, é necessário que os negócios se adaptem, simultaneamente, tanto ao mundo vir- tual quanto ao mundo real. Atualmente, segundo ele, muitas empresas que eram somente físicas agora estão no online, por meio do e-commerce, e empresas que eram 100% online estão criando suas estruturas físicas.
“São experiências diferentes: alguns produtos você precisa de uma expe- riência física, e outros produtos você não precisa. Além disso, as pessoas sentem falta desse contato. À medida que as restrições vão reduzindo, as pessoas têm essa necessidade de ter a experiência no estabelecimento. Isso já entrou na vida das pessoas e não tem mais volta. A capacidade de vender presencialmente e online se tornou um fator competitivo”, explica.
Para quem começou o negócio virtual- mente, Marília Marinho, administradora e especialista em varejo e inovação, alerta que o investimento no mundo físico deve ser feito com cautela. “Tem que analisar sua capacidade de também atuar na loja física de uma forma pro- fissional, e se o seu consumidor é desse ambiente, para saber o momento certo de fazer essa ampliação”, aponta.
FOCO NA RELAÇÃO COM O CONSUMIDOR
Outro ponto que ganhou ainda mais atenção nesta nova realidade é a relação da empresa com o consumidor. A administradora Marília Marinho destaca que esse contato é um ponto de diferenciação dentro do mercado.
“A competição se torna uma só. Existem diversas empresas semelhantes e o processo de comunicação com o consumidor vai exigir toda uma preparação de produtos, serviços, ambientes de compra, política de troca e atenção ao relacionamento com o consumidor. Se destaca quem tem uma comunicação ágil e realmente cumpre a proposta. Não é só conquistar o consumidor, mas garantir a entrega do serviço”, aponta a especialista.
De acordo com Marília, os principais pontos de desenvolvimento de confiança do consumidor na empresa são:
QUALIDADE DO PRODUTO
CONDIÇÕES DE ENTREGA
CUMPRIMENTO DE PRAZOS
POLÍTICA DE
TROCA EFICIENTE
RAPIDEZ
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DICAS PARA LIDAR COM A CRISE E APRIMORAR OS NEGÓCIOS
Esteja bem posicionado na internet. Você pode cadastrar a empresa no Google Meu Negócio, uma área em que você insere todos os dados do empreendimento, per- mitindo que você apareça em um local de privilégio nas buscas orgânicas na platafor- ma. Também é importante se cadastrar no Google Maps, pois ele sinaliza os produtos e serviços de acordo com a localização de quem buscou, conectando sua empresa a quem está próximo.
Tenha um site. O Wix, por exemplo, é uma plataforma versátil e acessível na qual é possível montar um bom e-commerce.
Depois de bem posicionado online, é pos- sível partir para o impulsionamento das redes sociais do negócio.
Se você tem produtos, atualmente, que só podem ser vendidos em uma determinada área, procure expandir essa atuação.
É necessário se reinventar. Olhe o que você está fazendo no momento e tente criar algo que torne isso obsoleto. Se você con- seguir, você vai inovar. E se você criar uma coisa nova, que ela seja imprescindível pras pessoas: elas precisam precisar comprar de você. Esse é o segredo!
Fonte: Paulo Carvalho, fundador da Xper Global
O CAMINHO DO SUCESSO
Antigamente, era muito comum que os negócios fossem levados de maneira mais intuitiva, vivendo um dia após o outro, sem defini- ções concretas de metas, obje- tivos e resultados. No entanto, para Paulo Carvalho, a surpresa da pandemia deve acabar de vez com esse costume.
De acordo com o especialista, a adoção de modelos de negócio e a capacitação em instituições como o Sebrae são uma boa saída para que o empreendedor consiga construir uma planilha com os detalhes de cada produto e seguir com um pla- nejamento financeiro a partir disso.
“Com o mínimo de conhecimento é possível identificar erros com agi- lidade. No momento em que você tem um bom planejamento, você já sabe o que tem que cortar, a
quantidade de capital de giro para manter o negócio, como estão as vendas online e consegue plane- jar melhor qualquer variação que ocorrer no mercado, lidando com novas tecnologias para atender seu cliente diretamente”, indica.
Para Marília, “não existe mais es- paço para ser amador no mercado, mas sim para boas ideias e criação de novos negócios”. A administra- dora destaca que, com as redes sociais, é possível levar produtos e serviços para todo o Brasil, e até para outros países. “O empresário deve se profissionalizar, utilizar boas ferramentas de gestão, pla- nejamento e avaliação do negócio.
Sempre buscar conhecimentos, constantemente com um olhar para dentro do empreendimento e para fora”, aconselha.