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LISTA DE EXERC´ICIOS 02 – v. 1.0 Assuntos:

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Academic year: 2021

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UFPE — MA989 — 2014.1 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA

LISTA DE EXERC´ ICIOS 02 – v. 1.0

Assuntos: Conjuntos universais (funcionalmente completos) de conectivos (operadores) l´ogicos.

Orienta¸ c˜ ao: Dar solu¸c˜oes leg´ıveis e completas, explicando todos os passos e detalhes, e indicando as propriedades e os resultados utilizados. S´o conferir a solu¸c˜ao de um item ap´os tentar resolvˆe-lo seriamente.

Nota¸ c˜ ao: Nesta lista, ⇐⇒ denotar´a a equivalˆencia l´ogica entre f´ormulas.

Os conectivos (operadores) l´ogicos nega¸c˜ao (“n˜ao”), conjun¸c˜ao (“e”), disjun-

¸c˜ao (“ou”), disjun¸c˜ao exclusiva (“ou exclusivo”), condicional (“se . . . ent˜ao”) e bicondicional (“se, e somente se,”), e as constantes l´ogicas “falso” e “verda- deiro” ser˜ao denotados, respectivamente, por: ¬, ∧, ∨, ˙ ∨, −→, ←→, F e V . Observar que a nega¸c˜ao possui precedˆencia sobre outras opera¸c˜oes.

Ex.: ¬A ∨ B significa (¬A) ∨ B, e n˜ao significa ¬(A ∨ B).

REVIS ˜ AO

− Um operador (conectivo) l´ogico ´e dito n−´ ario quando recebe e conecta n vari´aveis proposicionais A

1

, . . . , A

n

. n pode ser qualquer n´ umero natural;

− Podemos ver as constantes l´ogicas F e V como operadores 0−´arios de valor l´ogico constante. Tamb´em temos, para cada natural n > 0, dois operadores l´ogicos (distintos) de valor constante (F ou V ), os quais s˜ao logicamente equivalentes aos operadores constantes (0−´arios).

Ex.: Se n = 3 e f(A, B, C) = V ´e o operador tern´ario (3−´ario) constante de valor l´ogico V , ent˜ao f equivale, logicamente, ao operador constante 0−´ario V ;

− Um conjunto de operadores l´ogicos C ´e dito universal ou funcionalmente completo se, e somente se, para cada natural n, todo operador l´ogico n −´ario nas vari´aveis A

1

, . . . , A

n

pode ser escrito

1

como uma express˜ao l´ogica que consiste apenas de aplica¸c˜oes, `aquelas vari´aveis proposicionais, de operadores pertencentes ao conjunto C;

− {∧ , ∨ , ¬} ´e universal devido, por exemplo, `a F.N.D. (ou `a F.N.C.);

− Em particular, utilizando equivalˆencias l´ogicas j´a estudadas, obtemos:

A −→ B ⇐⇒ ¬A ∨ B; A ←→ B ⇐⇒ (A −→ B) ∧ (B −→ A), donde A ←→ B ⇐⇒ (¬ A ∨ B ) ∧ ( A ∨ ¬ B ); F ⇐⇒ A ∧ ¬ A ; V ⇐⇒ A ∨ ¬ A ; A ∨B ˙ ⇐⇒ (A ∨ B ) ∧ ¬(A ∧ B) ⇐⇒ (A ∨ B) ∧ (¬A ∨ ¬B);

1

Ou seja, o operador ´e logicamente equivalente ` aquela express˜ ao.

1

(2)

− Devido `as leis de De Morgan, tamb´em s˜ao universais {∧, ¬} e {∨, ¬}. De fato: A ∨ B ⇐⇒ ¬(¬A ∧ ¬B); e A ∧ B ⇐⇒ ¬(¬A ∨ ¬B);

− Para provarmos a universalidade de um conjunto de operadores l´ogicos C ,

´e suficiente expressarmos um outro conjunto de operadores logicos que j´a sabemos ser universal em termos, apenas, de operadores pertencentes a C .

Defini¸ c˜ oes. A nega¸c˜ao disjunta ↑ (“n˜ao-e”, conectivo de Sheffer , barra de Sheffer) e a nega¸c˜ao conjunta ↓ (“n˜ao-ou”, flecha de Peirce, adaga de Quine) podem ser definidas pela seguinte tabela l´ogica:

A B A ↑ B A ↓ B

F F V V

F V V F

V F V F

V V F F

Quest˜ ao 1. Demonstrar a primeira equivalˆencia l´ogica de cada item por meio de tabelas l´ogicas. Observar que a segunda equivalˆencia de cada item expressa uma lei de De Morgan.

1.a. A ↑ B ⇐⇒ ¬(A ∧ B) ⇐⇒ (¬A ∨ ¬B);

1.b. A ↓ B ⇐⇒ ¬(A ∨ B) ⇐⇒ (¬A ∧ ¬B).

Quest˜ ao 2. Provar que cada um dos conjuntos abaixo ´e universal. Ent˜ao, expressar cada um dos conectivos ¬, ∧, ∨, ˙ ∨, −→, ←→, ↑ e ↓ como uma f´ormula envolvendo apenas o conectivo que pertence ao conjunto dado.

2.a. {↑} (Charles S. Peirce, 1880, n˜ao publicado; Henry M. Sheffer, 1913);

2.b. {↓}.

Defini¸ c˜ ao. Um conjunto universal de operadores l´ogicos C ´e dito minimal se, e somente se, nenhum subconjunto pr´oprio de C ´e universal. Em outras palavras, n˜ao podemos retirar operador algum de C sem perdermos a univer- salidade.

Ex.: {↑} e {↓} s˜ao conjuntos universais minimais. J´a {∧, ∨, ¬} n˜ao ´e mini- mal (enquanto conjunto universal) porque {∧, ¬} ´e universal.

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Quest˜ ao 3. Provar que cada um dos conjuntos abaixo ´e universal minimal.

Para os dois primeiros conjuntos, basta provar a minimalidade, pois j´a sabe- mos que s˜ao universais.

3.a. {∧, ¬};

3.b. {∨, ¬};

3.c. {→ , ¬};

3.d. {→, F }, com F constante 0−´ario

2

;

3.e. {→, 6→}, onde A 6→ B ⇐⇒ ¬(A → B);

3.f. {→ , 6↔}, onde A 6↔ B ⇐⇒ ¬( A ↔ B );

3.g. {←, ¬}, onde A ← B ⇐⇒ B → A;

3.h. {∨, ↔, 6↔}.

2

O(a) estudante pode querer se aprofundar neste t´ opico devido a Jan Lukasiewicz lendo o verbete C´ alculo proposicional implicacional na Wikip´edia. Para tal leitura, ´e ´ util observar que, para toda vari´avel proposicional P , a proposi¸c˜ ao P → P ´e (sempre) verdadeira (ou seja, ´e uma tautologia) e, portanto, a proposi¸c˜ ao ¬(P → P ) ´e (sempre) falsa (ou seja, ´e uma contradi¸c˜ao). Esta ´ ultima proposi¸c˜ ao pode ser tomada como a proposi¸c˜ao constante F naquele hipertexto, onde a nega¸c˜ ao ¬ ´e substitu´ıda por uma proposi¸c˜ ao universalmente falsa (uma contradi¸c˜ ao), permitindo ao(` a) leitor(a) adaptar a discuss˜ ao sobre o conjunto {→, F } no artigo ao conjunto {→, ¬} acima.

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(4)

uma sele¸ c˜ ao de respostas e resolu¸ c˜ oes

2.a. Nega¸c˜ao: sendo A ↑ B ⇐⇒ ¬( A ∧ B ), temos que A ↑ A ⇐⇒ ¬( A ∧ A ).

Da idempotˆencia de A (ou seja, A ∧ A ⇐⇒ A), segue-se que ¬A ⇐⇒ A ↑ A.

Disjun¸c˜ao: sendo A ↑ B ⇐⇒ ¬A ∨ ¬B, da involu¸c˜ao de ¬ (dupla nega¸c˜ao), obtemos ¬ A ↑ ¬ B ⇐⇒ ¬¬ A ∨ ¬¬ B ⇐⇒ A ∨ B . Combinando isto com a ex- press˜ao da nega¸c˜ao obtida acima, temos que: A ∨ B ⇐⇒ (A ↑ A) ↑ (B ↑ B).

Como obtivemos ¬ e ∨, temos que o conjunto {↑} ´e universal. Por ser uni- t´ario, ele ´e, necessariamente, minimal.

Conjun¸c˜ao: Sendo A ↑ B equivalente `a nega¸c˜ao da conjun¸c˜ao de A e B , temos que a nega¸c˜ao de A ↑ B equivale `a conjun¸c˜ao A ∧ B. Utilizando a express˜ao da nega¸c˜ao por meio de ↑, obtemos que: A ∧ B ⇐⇒ ( A ↑ B ) ↑ ( A ↑ B ).

Condicional: A → B ⇐⇒ A ↑ (B ↑ B) ⇐⇒ A ↑ (A ↑ B).

2.b. ¬A ⇐⇒ A ↓ A; A ∨ B ⇐⇒ (A ↓ B) ↓ (A ↓ B);

A ∧ B ⇐⇒ (A ↓ A) ↓ (B ↓ B); A → B ⇐⇒ ((A ↓ A) ↓ B) ↓ ((A ↓ A) ↓ B).

3.c. Dadas as vari´aveis proposicionais A e B , podemos produzir sua dis- jun¸c˜ao A ∨ B a partir de C = {→, ¬} facilmente: ´e ´ util lembrarmos que, para todas as vari´aveis proposicionais P e Q, a condicional P → Q est´a de- finida com valor F se e somente se P = V e Q = F , enquanto a disjun¸c˜ao desejada tem valor F se e somente se A = F = B , diferindo da condicional apenas com rela¸c˜ao `a primeira vari´avel. Assim, uma adapta¸c˜ao simples para que a condicional passe a ter valor F apenas quando os dados de entrada forem ambos F ´e usarmos Q = B mas P = ¬A: A ∨ B ⇐⇒ ¬A → B. Uma vez que o conjunto C j´a inclui ¬, segue-se que C ´e universal. A minimalidade de C pode ser demonstrada do seguinte modo:

{¬} n˜ao ´e universal porque, sendo ¬ um operador un´ario, ele n˜ao nos permite produzir operadores n−´arios n˜ao-triviais para n > 1;

{→} n˜ao ´e universal porque, por exemplo, o operador constante F n˜ao ´e produzido por este conjunto. De fato, se bem formarmos uma f´ormula a partir de n vari´aveis proposicionais (n > 0) por aplica¸c˜ao de instˆancias da condicional, o operador resultante obt´em valor l´ogico V (ao inv´es de F ) na palavra-c´odigo em que todas as vari´aveis tˆem valor V .

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Referências

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