1
DESAFIOS DA GESTÃO MUNICIPAL
Hospitais lotados, falta de medicamentos e médicos. Poucas creches e escolas. Transporte público deficiente, passagem cara. Lama, lixo e esgoto a céu aberto. Todos reclamam da ineficácia no serviço público e atendimento ruim. De há muito que a governança pública exige novas aptidões, outra mentalidade.
O planejamento é a ferramenta para se governar a serviço do interesse coletivo, com legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência, descentralização, participação popular, compartilhamento do poder, honestidade e transparência.
É preciso montar equipe de técnicos competentes, honestos e comprometidos com o interesse público (e não apenas por indicações políticas), trabalhar com planejamento e em equipe, além de cumprir o programa apresentado na campanha eleitoral.
É necessário manter-se canal de fluxo de informação entre governo e comunidade e sistema de comunicação interna de mão dupla, estruturado, dinâmico e proativo, pois “não é possível administrar sem comunicação”.
Devem ser definidos indicadores, metas, e implementado Controle Interno Preventivo, além de avaliar eficiência, eficácia, efetividade, desempenho, resultados, aderência à legislação e satisfação do cidadão usuário e contribuinte, pois “quem não controla não governa”.
Em face da realidade financeira dos municípios (comprometimento de receitas, gastos em patamares obrigatórios, sobra de demandas e falta de recursos), as alternativas são aumentar receitas próprias (IPTU, ISSQN) e ou obter recursos de outras fontes, principalmente para investimentos.
No entanto, falta capacitação técnica para elaborar Planos de Trabalho que permitam o acesso a recursos federais e solucionar demandas da população. Prova disso é o baixo nível de execução orçamentária pelos ministérios e entre os motivos está a falta de projetos de qualidade.
2 Para superar essas e outras enormes dificuldades, gestores municipais deveriam concentrar esforços e priorizar algumas alternativas, tais como:
1. Realizar o “Planejamento Estratégico Situacional – PES”;
2. Aplicar a metodologia “Gravidade, Urgência e Tendência – GUT” para definir prioridades da gestão;
3. Utilizar a “Metodologia de Diagnóstico de Problemas – MDP” para estruturar problemas e demandas;
4. Utilizar a “Metodologia de Equacionamento de Problemas – MEP” para elaborar planos de ação;
5. Utilizar a Metodologia “Triagem de Agenda de Governo - TAG” sobre Problemas e Demandas para Implementar ferramenta prática, fácil e ágil para qualificar a pauta e agenda do governo;
6. Utilizar o “Sistema de Acompanhamento da Gestão – SAG” para acompanhar o atendimento de demandas, a execução de planos de ação, o monitoramento de tarefas e respostas à comunidade de forma integrada por intermédio do gerenciamento pelo gabinete, utilizando sistema informatizado;
7. Capacitar servidores municipais concursados para elaboração de Planos de Trabalho, manter carteira de projetos, aproveitar as oportunidades junto a financiadores e viabilizar emendas parlamentares;
8. Contratar serviços especializados de consultoria e assessoria para elaborar Termos de Referência e Planos de Trabalho (aquisição de bens e contratação de serviços) com vistas a subsidiar ações para captação de recursos;
9. Implementar uma reorganização administrativa, com vistas a reduzir o tamanho da estrutura, a quantidade de secretarias e o número de cargos de livre provimento, para aumentar a eficácia das ações do cotidiano do governo;
10. Redefinir competências e atribuições conforme a nova Estrutura Regimental;
11. Realizar Censo de Servidores Municipais;
12. Avaliar horário e qualidade do atendimento ao cidadão, e o desempenho dos servidores públicos municipais;
13. Verificar semanalmente o andamento de demandas e providências, reunir-se com secretários uma vez por semana e com toda a equipe mensalmente;
3 14. Elaborar “Quadro de Distribuição de Tarefas – QDT”, com o que cada servidor sabe,
pode e quer fazer mais;
15. Realizar “Levantamento de Necessidades de Treinamento – LNT”;
16. Definir indicadores de resultados, metas de curto, médio e longo prazos, e medição de níveis de eficiência, eficácia, efetividade;
17. Utilizar instrumentos de planejamento fundamentados na realidade econômico-financeira do município;
18. Viabilizar suporte técnico centrado na realidade, focado no desenvolvimento do município;
19. Formar carteira de projetos para viabilizar captação de recursos;
20. Cumprir o programa de governo apresentado na campanha eleitoral;
21. Reavaliar a efetiva necessidade de gastos com viagens, diárias, festas, combustíveis, compras, contratações etc;
22. Manter banco de dados capaz de fornecer informações indispensáveis à concretização dos objetivos da administração pública municipal e que permita contar com um panorama das necessidades, capacidades e potencialidades do município;
23. Adotar soluções de Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC para otimizar o tempo de trabalho de servidores, tempo de coordenação política, tempo de capacitação, tempo de ambientação, reduzir processos de papel que demoram dias para serem tramitados, bem como racionalizar procedimentos e rotinas operacionais (Capacidade de Gestão);
24. Definir e observar horários para despachos internos, audiência, visitas institucionais, bairros, distritos, hospitais, escolas, setores da sociedade etc
25. Manter agenda do prefeito organizada e bem administrada;
26. Manter atualizado o calendário de atividades do município e da prefeitura;
27. Identificar fontes alternativas para aumento das receitas e redução das despesas.
Quando impostos se revertem ao bem comum, todos ganham e os cidadãos entendem a necessidade de cumprir também com seus deveres;
28. Dar ampla divulgação a projetos mais relevantes enviados à Câmara de Vereadores, e seus benefícios para a população, a fim de que possa ocorrer efetiva participação da comunidade pressionando o legislativo;
4 29. Realizar reuniões setoriais e regionais (distritos/bairros), e seminários, para facilitar a identificação de demandas mais urgentes e a atualização permanente do Plano de Governo, bem como viabilizar ao prefeito prestar contas à comunidade;
30. Viabilizar canal de fluxo de informação com a comunidade e sistema de comunicação interna de mão dupla, estruturado, dinâmico e proativo;
31. Ter “Coragem de dizer não”, agir com Honestidade e Transparência;
32. Montar equipes compromissadas com o interesse público, qualificadas, competentes, integradas, eficazes;
33. Promover clima organizacional satisfatório, com alta produtividade, e profissionalismo;
34. Trabalhar com planejamento e em equipe;
35. Considerar que o objetivo da Política de Desenvolvimento Urbano é ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes (Constituição Federal do Ceará, artigo 182);
36. Adotar soluções inovadoras para resolver demandas da população;
37. Ter presente que o Desenvolvimento Humano Sustentável é o que anseia o povo;
38. Conscientizar-se de que o prefeito é um servidor do povo, tem o dever de prestar contas e pode ser responsabilizado e punido em relação a aspectos civis, criminais, políticos, administrativos, penais, perda de cargo, prisão, inelegibilidade, reparação e recomposição de danos;
39. Manter boa presença política junto à população;
40. Considerar a importância das redes sociais na internet e das emissoras de rádios locais;
41. Usar de forma racional recursos naturais e bens públicos;
42. Por em prática a descentralização e o compartilhamento de poder;
43. Manter corpo técnico qualificado, diversificado e estrutura administrativa eficiente (instalações físicas adequadas e internet banda larga por exemplo), para permitir a continuidade de ações, inovação e confiança;
44. Desenvolver a capacidade de coleta e gestão de dados, dispor de processadores mais potentes, plataformas interativas e amigáveis, em diálogo com a sociedade, e analisar quantitativamente as informações coletadas;
45. Manter permanente observação técnica do ambiente físico, uma vez que chuvas, estrutura do solo, tráfego e vulnerabilidade a desastres precisam ser compreendidos eficientemente. Cidades precisam ter capacidade de prever, observar e responder às condições ambientais em tempo real’;
5 46. Adotar soluções para educação, saúde e gestão pública considerando que tudo em uma cidade acontece em um território: mapeá-lo, conhecê-lo, cadastrar suas parcelas territoriais públicas e privadas, com sistemas de informação geográfica acessíveis ao público, além de aplicar normas urbanísticas claras, ter Plano Diretor atualizado com ações de longo prazo e realizar eficaz controle urbano (Gestão do Território).
Para inovar, é preciso que alguém coloque essa pauta no centro do debate municipal, faça isso acontecer e gere ciclo virtuoso de aprimoramento.
EDIVAN BATISTA CARVALHO
Especialista em Gestão Estratégica em Políticas Públicas e Planejamento
[email protected] 85-99935-7364 http://www.gestaoeficaz.com/
http://gestaoeficaz.com/servicos/Oficina_de_Planejamento_Estrat%C3%A9gico_Apresenta%C3%A7%C3%A3o.pdf