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Processo Civil Declarativo

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Academic year: 2021

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DIREITOPROCESSUAL CIVIL

Aulas leccionadas pelo Dr. Paulo Leal

ESTRUTURADEUMPROCESSO JUDICIALORDINÁRIO

PETIÇÃO INICIAL

A primeira peça processual intentada pelo autor, é a Petição inicial, regulada nos artigos 467.º ss CPC.

De acordo com o disposto neste artigo o autor deve:

a. Indicar o tribunal competente; identificar as partes, com o nome, domicílio ou sede, e sempre que possível, os números de BI e NIF, profissões e locais de trabalho;

b. Indicar o domicílio profissional do mandatário judicial; c. Indicar a forma de processo;

d. Expor os factos e as razões de direito que servem de fundamento à acção; e. Formular o pedido;

f. Declarar o valor da causa;

g. Juntar o documento comprovativo do prévio pagamento de taxa de justiça inicial ou da concessão do benefício de apoio judiciário na modalidade de dispensa total ou parcial do mesmo. Não tendo sido junto, a petição inicial deve ser recusada pela secretaria, nos termos do artigo 474/f.

h. Procuração com podes forenses, gerais ou especiais, conforme regulado nos artigos 32.º ss.

i. Documentos que faz referência no conteúdo da PI; j. Duplicados legais.

Após ser intentada PI, o tribunal profere despacho que ordene a citação do réu, dando-lhe a conhecer que contra ele foi intentada uma acção, remetendo para o efeito, uma cópia da PI e de toda a documentação que a acompanha (cópia legal).

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CONTESTAÇÃO

A segunda peça processual a ser encontrada é a contestação, enviada pelo réu e regulada nos artigos 486.º ss.

O réu dispõe de 30 dias para contestar a acção que lhe foi movida pelo autor. Juntamente com a contestação, o réu deve,

a. Juntar o documento comprovativo do prévio pagamento de taxa de justiça inicial ou da concessão/pedido do benefício de apoio judiciário na modalidade de dispensa total ou parcial do mesmo. O pagamento da taxa de justiça vem regulado com algumas especificidades, para a contestação no artigo 486.º-A.

b. Juntar procuração forense, nos moldes idênticos ao referido para o autor; c. Documentos enumerados no teor da contestação.

d. Individualizar a acção, e expor as razões de facto e de direito, por que se opõe à pretensão do autor, especificando separadamente as excepções que deduza. Artigo 488.º

e. Indicar a acção a que se refere, o número de processo, identificar as partes.

Após o envio da contestação para o tribunal, o autor será notificado da apresentação da contestação, sendo-lhe enviado a respectiva cópia legal.

DAAUDIÊNCIA PRELIMINAR

Findo a fase dos articulados, o juiz profere, se for caso disso, o despacho pré-saneador, nos termos do artigo 508.º destinado a providenciar pelo suprimento de excepções dilatórias, ou a convidar as partes a aperfeiçoamento dos articulados.

Não sendo necessário proceder a nenhuma reparação, o juiz profere despacho a convocar a audiência preliminar, artigo 508.º-A.

Com a convocação da audiência preliminar, deve o juiz indicar, para que efeito ela se destina, nos termos do n.º 3 do artigo 508.º-A.

Da audiência preliminar, há-de ser redigida uma acta, donde constará, via regra, o despacho saneador, cujo conteúdo consiste na selecção da matéria de facto assente e a que constitui base instrutória da causa.

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Porém, quando a complexidade das questões a resolver o exija, o juiz poderá excepcionalmente proferi-lo por escrito, no prazo de 20 dias, suspendendo-se a audiência, nos termos do artigo 510.º n.º 2.

Pode o mandatário judicial, reclamar sobre a selecção da matéria de facto, incluída na base instrutória ou considerada como assente, com fundamento em deficiência, excesso, ou obscuridade, por entender, por exemplo, que não foi dado o devido relevo a determinados factos, artigo 511.º

Pode ainda ser indicado na audiência preliminar, nos termos do n.º 2 do artigo 508.º-A: 1. Os meios de prova, sem prejuízo de alguma das partes, com fundadas

razões, requerer a sua indicação ulterior, sendo de imediato fixado um prazo.

2. Designação de data para a audiência de discussão e julgamento, nos termos do artigo 155.º (sendo notificados na audiência preliminar para a audiência de discussão e julgamento da causa, começa a correr o prazo de 10 dias para o pagamento de taxa de justiça subsequente).

Sendo indicado na audiência preliminar, prova testemunhal, o juiz profere despacho no sentido de admissão do rol de testemunhas apresentadas pelas partes, dando ordem para que se proceda à sua notificação.

DAINEXISTÊNCIADEAUDIÊNCIA PRELIMINAR

A audiência preliminar não é obrigatória, pode ser dispensada nos termos do artigo 508.º-B.

Nestes casos, a secretaria notifica as partes do despacho saneador, proferido nos termos do artigo 510.º, donde constará

a. Excepções dilatórias, nulidades processuais que possam existir e que sejam do conhecimento oficioso;

b. Conhecer do mérito da causa, sempre que o estado do processo o permitir. c. Selecção da matéria de facto assente e da que constitui base instrutória;

Sendo notificados do despacho saneador, as parte, têm, nos termos do artigo 512.º 15 dias para proceder à apresentação do rol de testemunhas, para requererem outras provas ou alterarem requerimentos provatórios que hajam

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feito nos articulados requererem a gravação da audiência final ou a intervenção do tribunal colectivo.

Terminado o prazo a que se refere o ponto anterior, o juiz procede à notificação das testemunhas e designa dia para a audiência final, artigo 512.º, nos termos e nos moldes previstos no artigo 155.º

A partir da notificação, começa a correr o prazo de 10 dias, para o pagamento da taxa de justiça subsequente.

DAAUDIÊNCIA DEDISCUSSÃOEJULGAMENTODACAUSA

A audiência de discussão e julgamento da causa deve tentar começar pela conciliação das partes, artigo 652.º

Segue depois a apreciação da prova, nomeadamente, como é comum, a inquirição de testemunhas.

Finda a produção de prova, os mandatários, podem alegar no que se refere à matéria de facto, nomeadamente para se considerem provados determinados factos, em detrimento de outros.

O juiz decide sobre a matéria de facto provada, nos termos do artigo 653.º ficando tal indicação em acta, bem como a respectiva fundamentação.

Qualquer uma das partes, pode reclamar contra a deficiência, obscuridade ou contradição da decisão ou fundamentação da matéria de facto assente. Em regra, tal não acontece, uma vez, que tal serve muitas vezes, como alegações de recurso.

As partes possuem a ainda a possibilidade de procederem a alegações de direito, antes de ser proferida a sentença, embora isso, quase nunca aconteça.

À sentença, emitida nos termos do artigo 659.º segue o recurso.

DO RECURSO

Uma vez notificados da sentença, a parte vencida, tem dez dias, para interpor requerimento de admissibilidade de recurso, no tribunal onde foi proferida decisão, indicado a espécie de recurso, os efeitos e o modo de subida.

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Sendo notificados da admissibilidade do mesmo, o recorrente tem trinta dias, para redigir as alegações de recurso, enviando juntamente com estas, o comprovativo de pagamento de taxa de justiça inicial.

Nos casos, em que se pretenda ver também apreciada matéria de facto, ao prazo de trinta dias, acresce uma dilação de dez dias.

ALGUNS INCIDENTESQUEPODEM ALTERARATRAMITAÇÃO NORMALDA ACÇÃO

HABILITAÇÃODE HERDEIROS/FORÇADA, ARTIGO 371.º

Nos casos em que, algumas das partes faleça, durante a duração do processo judicial, é necessária proceder a uma habilitação de herdeiros, suspendendo-se para o efeito a instância.

Qualquer uma das partes pode requerer o incidente de habilitação de herdeiros, que correrá por apenso ao processo principal.

HABILITAÇÃOESPONTÂNEA

Pode no decorrer do processo, verificar-se por exemplo, sub-rogação de um dos sujeitos processuais por outro, por exemplo no caso de um acidente de viação, em que a seguradora, paga a indemnização a que o autor tem direito, subrogando-se esta aos direitos do autor face ao réu.

Neste caso, estamos perante uma habilitação espontânea, que deverá ser excerta no processo principal por apenso, mediante requerimento, dirigido ao juiz, indicando-se para o efeito, o facto constitutivo da sub-rogação, e notificando-se a contraparte.

Aula n.º 2

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ORGANIZAÇÃOJUDICIÁRIA DOSTRIBUNAIS PORTUGUESES

Nos termos do artigo 17.º da LOFTJ, a organização judiciária é feita segundo diversos critérios:

1. Matéria; 2. Hierarquia;

3. Valor e da forma de processo aplicável; 4. Território;

COMPETÊNCIAEMRAZÃODA MATÉRIA

Competência Genérica

De acordo com o disposto no artigo 18.º LOFTJ e 66.º CPC, são da competência dos tribunais judiciais, as causas que não sejam atribuídas a outra ordem jurisdicional. Trata-se assim de uma competência genérica e residual, na medida, em que lhe cabe conhecer de todas as causas não específicas que não caibam a outras ordens jurisdicionais, delimitando-se, assim, a sua competência, pela negativa.

Competência Especializada

São tribunais que conhecem determinados processos, atendendo à matéria em causa, artigo 64.º n.º 2, 1.ª parte LOFTJ.

Entre nós, existem os seguintes tribunais de competência especializada, artigo 78.º LOFTJ a. De Instrução criminal; b. De família; c. De Menores; d. De Trabalho; e. De Comércio; f. Marítimos; g. De execução de penas

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Nos termos do artigo 19.º LOFTJ os tribunais judiciais encontram-se hierarquizados para efeitos de recurso das suas decisões. Assim o STJ conhece recurso, apenas causas cujo valor, exceda a alçada do tribunal da Relação, apreciando apenas matéria de direito.

As Relações apreciam recurso, quer de matéria de facto quer de direito, das causas cujo valor exceda a alçada dos tribunais judicias de 1.ª instância.

COMPETÊNCIAEMRAZÃODOVALOREDAFORMA DEPROCESSO APLICÁVEL

Atendendo ao valor da acção e à forma de processo aplicável, podem ser criados, nos termos do artigo 69.º CPC e 64.º n.º 2, 2.ª parte da LOFTJ, tribunais de competência específica.

A competência dos tribunais de competência específica, é assim delimitada por dois critérios diferenciados: pelo valor da acção e pela forma de processo aplicável.

Em conformidade com o disposto no artigo 96.º LOFTJ, temos os seguintes tribunais de competência especializada:

a. Varas cíveis; b. Varas criminais; c. Juízos cíveis; d. Juízos criminais;

e. Juízos de pequena instância cível; f. Juízos de pequena instância criminal; g. Juízos de execução;

Varas cíveis

Valor: acções declarativas cíveis de valor superior à alçada do tribunal

da relação, artigo 97/1/a LOFTJ;

Tipo de acção: processo ordinário, artigo 462.º CPC Juízos cíveis

Valor: acções declarativas cíveis inferiores à alçada do tribunal da

relação, mas superiores à alçada dos tribunais de comarca.

Acções declarativas de valor inferior à alçada dos tribunais de comarca, sempre que a acção não se destine ao cumprimento de obrigações pecuniárias, a indemnizações por dano, e à entrega de coisas móveis, pois nesse caso, a forma de processo já é a

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sumaríssima, sendo competente os juízos de pequena instância cível, nos moldes expostos seguidamente.

Tipo de acção: sumária, artigo 462.º CPC

Juízos de pequena instancia cível

Valor: alçada do tribunal de comarca, artigo 462.º CPC

Tipo de acção: Sumaríssimo, artigo 101.º LOFTJ, destinada apenas ao

cumprimento de obrigações pecuniárias, a indemnizações por dano, e à entrega de coisas móveis, artigo 462.º CPC.

E acções declarativas especiais para o cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos, cujo o valor não exceda a alçada do tribunal e comarca.

COMPETÊNCIAEMRAZÃODOTERRITÓRIO

De acordo com o disposto no artigo 15.º LOFTJ, o território nacional divide-se da seguinte forma:

a.

Distritos Judiciais : Porto, Coimbra, Lisboa, Évora, correspondendo a

cada um destes distritos, um Tribunal de 2.ª instâncias, com excepção do círculo judicial do Porto, onde existem dois tribunais da Relação, um no Porto outro em Guimarães. No distrito judicial de Évora, existem formalmente dois tribunais da Relação, pois o de Faro, apesar de já ter sido criado, ainda não foi instalado.

b.

Círculos Judiciais : são circunscrições territoriais mais pequenas

dentro dos distritos judiciais, cujo o agrupamento se destina, à existência de um tribunal colectivo.

c.

Comarcas : circuncisões territoriais mais pequenas, com

funcionamento dos tribunais de 1.ª instância com competência directa para aquele território. As comarcas agrupam-se em círculos judiciais, para efeitos de funcionamento de tribunais colectivos.

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Os julgados de paz foram criados pela Lei 78/2001 de 13 de Julho, no sentido de vocacionar e permitir a participação cívica dos interessados estimulando a justa composição de litígios entre as partes.

A sua competência, organização e funcionamento, bem como a tramitação do seu processo, está regulado de modo específico da referida lei, de modo claro.

A única dúvida que existia, prendia-se com a questão de saber se a competência dos julgados de paz era alternativa ou exclusiva.

De acordo com o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), tanto os julgados de paz como os tribunais judiciais têm competência para julgar casos relativos à responsabilidade civil contratual e extracontratual.

Ou seja, os julgados de paz têm um carácter facultativo, uma vez que a lei não lhes confere competências exclusivas, o que significa que, nos casos que sejam da sua competência, os interessados também podem recorrer aos tribunais judiciais que também sejam competentes.

Fundamentação da decisão do Supremo

De acordo com este tribunal, os julgados de paz actuais são um meio alternativo à via judicial para a resolução dos pequenos diferendos da vida quotidiana, com

procedimentos simplificados e informais, em quadro de justiça de proximidade, economicamente acessível e de disponibilização de instrumentos de mediação.

Não são tribunais judiciais, uma vez que se encontram fora do patamar da organização judiciária portuguesa tal como ela resulta da Constituição e da Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais.

As pessoas podem accionar, quanto a determinadas acções, (excepto as pessoas colectivas relativamente à exigência de prestações pecuniárias), nos julgados de paz ou nos tribunais da 1ª instância da ordem judicial, designadamente nos de

competência genérica, nos juízos de competência especializada cível, nos juízos cíveis ou nos juízos de pequena instância cível, conforme os casos.

Se decidirem dirigir-se a um destes, não podem recorrer aos outros.

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ou alternativa dos julgados de paz, tendo o STJ decidido que, no actual quadro jurídico, é alternativa relativamente aos tribunais judiciais de competência territorial

concorrente a competência material dos julgados de paz para apreciar e decidir as seguintes acções:

- acções destinadas a efectivar o cumprimento de obrigações, com excepção das que tenham por objecto prestação pecuniária e de que seja ou tenha sido credor originário uma pessoa colectiva;

- acções de entrega de coisas móveis;

- acções resultantes de direitos e deveres de condóminos, sempre que a respectiva assembleia não tenha deliberado sobre a obrigatoriedade de compromisso arbitral para a resolução de litígios entre condóminos ou entre condóminos e o administrador; - acções de resolução de litígios entre proprietários de prédios relativos a passagem forçada

momentânea, escoamento natural de águas, obras defensivas das águas, comunhão de valas, regueiras e valados, sebes vivas; abertura de janelas, portas, varandas e obras semelhantes, estilicídio, plantação de árvores e arbustos, paredes e muros divisórios;

- acções possessórias, usucapião e acessão;

- acções que respeitem ao direito de uso e administração da compropriedade, da superfície, do usufruto, de uso e habitação e ao direito real de habitação periódica; - acções que digam respeito ao arrendamento urbano, excepto as acções de despejo; - acções que respeitem à responsabilidade civil contratual e extracontratual;

- acções que respeitem a incumprimento contratual, excepto contrato de trabalho e arrendamento rural;

- acções que respeitem à garantia geral das obrigações.

O caso

Este acórdão de fixação da jurisprudência do STJ decorreu de uma decisão do tribunal de pequena instância cível de Lisboa, que se recusou a julgar um conflito entre um cidadão e uma seguradora, por considerar que o caso seria da exclusiva competência de um Julgado de Paz.

O cidadão tinha interposto contra a seguradora uma acção pedindo que esta fosse condenada a pagar-lhe uma quantia com fundamento em danos patrimoniais decorrentes de estragos no seu veículo automóvel.

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O juiz declarou o tribunal incompetente para conhecer da acção, com fundamento em a competência para o efeito se inscrever nos julgados de paz, e absolveu a

seguradora.

O Ministério Público recorreu da sentença e o Tribunal da Relação rejeitou o recurso. O Ministério Público recorreu novamente, desta feita para o STJ, que pronunciou este acórdão que vem esclarecer a forma como deve ser interpretada a lei neste aspecto.

Referências

Acórdão nº 11/2007, do Supremo Tribunal de Justiça, de 25 de Julho Lei nº 78/2001, de 13 de Julho

Casos práticos

José, residente em Braga, vê o seu automóvel ser embatido pelo automóvel de Luís da cidade do Porto. A seguradora de Luís tem sede em Lisboa e não aceita a responsabilidade de Luís no embate.

Qual o tribunal competente?

A acção em causa destina-se a exigir a efectivar a responsabilidade civil fundada em facto ilícito, ou no risco, consoante tenha ou não havido culpa.

Nestes termos, será competente, territorialmente, conforme o disposto no artigo 74.º n.º 2 o tribunal do lugar onde o facto ocorreu, isto é, o tribunal judicial da comarca do Porto.

No caso dos danos no veiculo, ascenderem a € 30.000, sendo por isso, superiores à alçada do tribunal da relação, será competente em função do valor e da forma do processo, as varas cíveis do Porto, artigo 97/1/a LOFTJ, seguindo a acção a forma de processo ordinário.

Na eventualidade dos danos ascenderem apenas a € 1.000, e portanto não excederem a alçada do tribunal de comarca, será competente para apreciar o pedido, os juízos de pequena instância cível, artigo 101.º conjugado com o disposto no artigo 462.º in fine, sendo neste caso, sumaríssimo a forma de processo.

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Se os danos fossem de € 6.000, seria competente os juízos cíveis, artigo 99.º LOFTJ, sendo aplicável o processo sumário, artigo 462 a contrario sensu.

Ainda na deslocação ao Porto, José, em representação da Ourivesaria Assembleia, S.A, de que é empregado, e que tem sede em Braga, vende a Paulo, residente no Porto, outro no valor de € 40.000,00, que este fica de pagar 30 dias mais tarde. Contudo Paulo não paga.

Qual o tribunal competente?

A acção em causa destina-se a exigir o cumprimento de uma obrigação contratual resultante do seu não cumprimento voluntário, pelo que será competente, para intentar a respectiva acção, nos termos do artigo 74.º n.º 1, 1.ª parte, o tribunal do domicílio do réu, isto é, o tribunal judicial da comarca do Porto.

Não tem aplicação ao caso, o disposto no artigo 74.º n.º 1 2.ª parte, uma vez o réu não é pessoa colectiva, nem o réu o autor têm residência na mesma área metropolitana. Sendo o valor do crédito a reclamar de € 40.000,00, a acção seguirá a forma de processo ordinária, sendo competente quanto ao valor e à forma de processo, as varas cíveis do Porto, artigo 97/1/1 LOFTJ.

Em alternativa, poderá ainda ser intentada a acção nos julgados de paz, nos termos do artigo 9/1/a da lei 78/2001 de 13 de Julho.

Caso a acção tivesse sido intentada no tribunal judicial da comarca de Braga, estávamos perante um incompetência relativa em razão do território, artigo 108.º CPC, que é de conhecimento oficioso, nos termos do artigo 110/1/a, porque estamos perante o campo de aplicação do artigo 74.º n.º 1 1.ª parte. ( a lei entende que sendo demandado um particular fora do seu domicilio, tal deve ser de conhecimento oficioso, ao passo que se for uma pessoa colectiva, tal já não se verifica).

O juiz deve obrigatoriamente conhecer da incompetência relativa, até ao despacho saneador, artigo 110/3/1.ª parte, o que se compreende, uma vez que é neste despacho que o tribunal avalia a existência de eventuais excepções dilatórias que possa inquinar o processo, entre as quais a competência do tribunal.

Por esse motivo é que o despacho saneador em regra, começa por reconhecer a personalidade judiciária, a legitimidade as partes, a sua capacidade, reconhecendo a inexistência de nulidades e pronunciando-se quanto à competência do tribunal.

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Durante a mesma deslocação ao Porto, José, ainda em representação da Ourivesaria Assembleia S.A., vende à sociedade Jerónimo e C.ª Lda, com sede no Porto, ouro no valor de € 10.000,00, que este fica de pagar em 30 dias mais tarde. A sociedade não paga.

Qual o tribunal competente para intentar a acção?

A acção em causa destina-se a exigir o cumprimento de uma obrigação contratual resultante do seu não cumprimento voluntário, pelo que será competente, para intentar a respectiva acção, nos termos do artigo 74.º n.º 1, 1.ª parte, o tribunal do domicílio do réu, isto é, o tribunal judicial da comarca do Porto. Atendendo ao valor e à forma de processo aplicável, será concretamente competente, os juízos cíveis do Porto, artigo 99.º, 97.º e 101.º a contrario sensu.

Contudo, como o réu em causa é pessoa colectiva, pode o autor, optar por intentar a acção no lugar onde a obrigação devesse ser cumprida, nos termos do artigo 74.º n.º 1, 2.ª parte.

No caso em apreço, estamos perante um contrato de compra e venda, pelo que não se aplica a regra geral do cumprimento das obrigações, mas antes o disposto no artigo 885/2.º CC que refere que “se por estipulação das partes ou por força dos usos o preço não tiver de ser pago no momento da entrega, o pagamento será efectuado no lugar do domicílio que o credor tiver ao tempo do cumprimento”

Assim, tendo o credor domicílio ao tempo do cumprimento em Braga, poderá o autor, optar por intentar a acção no tribunal de comarca do Porto ou no tribunal de Comarca de Braga. Em qualquer das comarcas deverá a acção ser intentada nos juízos cíveis, artigo 99.º, 97.º e 101.º a contrario sensu.

Não se coloca aqui em causa a possibilidade de intentar a acção nos julgados de paz, uma vez que este não tem competência para conhecer acções destinadas a efectivar o cumprimento de obrigações que tenham por objecto prestações pecuniária cujo credor seja pessoa colectiva, nos termos do artigo 9/1/a da lei 78/2001 de 13 Julho.

Caso a acção tivesse sido intentada no tribunal judicial da comarca de Bragança, por exemplo, estávamos perante um incompetência relativa em razão do território, artigo 108.º CPC, que, no caso, não é de conhecimento oficioso, nos termos do artigo 110/1/a, porque estamos perante o campo de aplicação do artigo 74.º n.º 1 2.ª parte. ( a lei entende que sendo demandado uma pessoa colectiva fora do seu domicilio, tal não deve ser de conhecimento oficioso, ao passo que se for uma pessoa singular, o conhecimento já é oficioso).

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No caso em que fossemos advogados do réu, e quiséssemos arguir a incompetência do tribunal, o mesmo deveria ser feito em sede de contestação, por exemplo:

N.º Proc. 768/07.TBGÇ Tribunal Judicial Bragança

Exmo. Sr. Juiz de Direito:

Paulo xxxxxx, réu, em acção ordinária, nos autos à margem referenciados, em que autor a Sociedade yyyy, vem respeitosamente CONTESTAR, nos termos e com os seguinte fundamentos:

A) Excepção de incompetência

1. De acordo com as regras da divisão judicial do território, o tribunal judicial da comarca de Bragança não tem competência para conhecer da presente acção. 2. A mesma deveria ter sido intentada no tribunal judicial da comarca do Porto, ou

no tribunal judicial da comarca de Braga, à escolha do autor, nos termos do artigo 74/1/2.ª parte do CPC.

Termos em que deve V.ª Exa. considerar procedente a excepção de incompetência relativa, ordenando a remessa dos autos para o tribunal devidamente competente1.

A advogada

Eliana Silva Pereira

1 Um juiz diligente deveria notificar o autor, para que este pudesse optar pelo tribunal

onde pretende ver a acção instaurada. Caso contrário remete os autos para um dos dois tribunais competentes.

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Junta: procuração forense, 1 documento, comprovativo do pagamento de taxa de

justiça inicial.

______________________

A empresa de transportes “sobre rodas” com sede em Lisboa, celebrou com a empresa “pneus de primeira” com sede no Porto, um contrato de fornecimento de pneus. Nesse contrato ficou estabelecido a competência convencional da comarca de Coimbra, pelo que todo e qualquer litígio emergente da relação contratual deveria ser resolvido por aquele tribunal.

Será está cláusula válida?

De acordo com o disposto no artigo 100.º as regras de competência em razão do território, podem ser afastadas expressamente por vontade das partes, salvo nos casos referidos no artigo 110.º.

Ora o artigo 110.º estabelece os casos em que a incompetência relativa é de conhecimento oficioso, pelo que nesses casos, não será de admitir pactos privativos de jurisdição.

Assim, não será de admitir pactos privativos de jurisdição, nos seguintes casos: a. Em que esteja em causa o foro da situação dos bens, artigo 73;

b. Quanto a acção se destine ao cumprimento de uma obrigação cujo réu é pessoal singular, artigo 74/1/1.ª parte;

c. Nas acções de responsabilidade civil, artigo 74/2. d. Nos procedimentos cautelares, artigo 83.º

e. No que se refere ao julgamento dos recursos, artigo 88;

f. Nas acções em que seja parte juiz, cônjuge ou certos parentes, artigo 89.

g. Nos casos de execuções fundadas em sentença, artigo 90./1.

PROCESSOSDE JURISDIÇÃOVOLUNTÁRIA

O código de processo civil, está estruturado, tendo por base, o princípio de conflito de interesses, uma vez que, o interesse em agir, um pressuposto processual, condição

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necessária para que uma acção possa ser intentada, visa exactamente filtrar, as causas, em que existe um conflito, duas partes com interesses opostos.

Ao lado destes processos típicos, existem os processos de jurisdição voluntária, onde não existe um verdadeiro conflito, previstos nos artigos 1409.º e seguinte CPC.

Estamos perante processos que respeitam a determinados interesses, cuja regulação, atendendo aos interesses em causa, deve ser feita em tribunal, não obstante de não respeitarem a verdadeiros conflitos.

Características dos processos de jurisdição voluntária:

1. Princípio do inquisitório: o princípio do dispositivo, que é regra no processo civil, no sentido que o juiz deve cingir-se ao alegado pelas partes, sofre grande desvio nos processos de jurisdição voluntária. Neste tipo de processos o juiz pode promover a realização de diligências probatórias, e socorrer-se de outras autoridades auxiliares.

2. Princípio da atenuação do caso julgado:

3. Princípio da oportunidade: O juiz não está vinculado a estritos critérios de legalidade estrita, podendo decidir de acordo, com critérios de oportunidade, conveniência ou utilidade.

Como nos processos de jurisdição voluntária não está em causa a existência de um conflito, os mesmos passaram a ser da competência quer do MP quer das conservatórias do registo civil. Decreto-lei 272/01 de 13 Outubro.

De acordo com o referido Decreto-lei, em regra o MP terá competência para:

1. Representar os ausentes e os incapazes;

2. Confirmar negócios jurídicos efectuados sem autorização da entidade ou pessoa competente;

3. Suprir a falta de consentimento;

De acordo com o referido Decreto-lei, em regra as conservatórias de registo, passam a ter competência:

1. Exclusiva para decretar: divórcio por mútuo consentimento, separação de pessoas e bens, autorizar a celebração de casamento sem ter decorrido o prazo inter nupcial.

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2. Passam a ter competência para tratar de diversas questões, no caso em que não haja conflito. Pois havendo o caso segue para tribunal.

Exemplo

Divorcio por mutuo consentimento:

Zé das Maças, residente em ___________________ e Mariazinha Azeda, residente em ____________, vêm por este meio requerer o seu divorcio por mutuo consentimento, o que o fazem com os seguintes fundamentos:

1.º

Os requerentes contraíram matrimónio civil, sem convenção antenupcial, no dia ___________. (junta cópia de certidão de casamento).

2.º

Desse casamento nasceram dois filhos, Luís Filipe, nascido a __________________, e Bruno, nascido a ___________________, conforme certidões que se juntam.

3.º

Com o intuito de ver decretado o divorcio.

Nota: havendo filhos menores tem que se regular o poder paternal ou propõe-se,

por acordo homologado pelo Tribunal de Família.

Tenha-se em atenção que nunca se pode prescindir do dever de alimentos do cônjuge que não fique com os filhos em caso de filhos menores.

4.º

Que para o efeito se junta acordo relativo à regulação do poder paternal dos filhos menores, à casa de morada de família e quanto ao dever de alimentos.

Termos em que se requer que sejam decretado o divorcio entre os requerentes.

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Nota 1: se se prescinde do direito de alimentos basta dizer que se prescinde

deste. Assim, não é necessário apresentar o acordo, até porque cada acordo que se junta aos autos custa 5 euros.

Nota 2: quando os cônjuges estão casados num regime de separação de bens,

quando no âmbito do casamento se compram bens a meias esses bens não são comuns, pois estão somente em compropriedade.

Aqui, quando não há acordo, pode-se simplesmente dizer que não há bens a partilhar, sem prejuízo de, mais tarde, se vir efectivamente a partilhar esses bens.

Nota 3: Já quando não há acordo quanto à regulação do poder paternal,

devemos recorrer à regulação judicial. A proposta de regulação do poder paternal deve ser enviada ao MP, para que este proceda à sua aprovação.

Se o MP não aceita o mesmo tem de ser submetido ao juiz.

Se o MP introduz alterações que não são aceites pelos cônjuges, o acordo tem de ser submetido ao juiz.

Se o MP introduz alterações os cônjuges aceitam as mesmas, o acordo fica assente.

A regulação do poder paternal pode ser:

1-

Conjunta: para qualquer decisão da vida do menor ambos os cônjuges têm que estar de acordo, pelo que é sempre necessário haver autorização de ambos.

2-

Separada: o poder paternal é apenas exercido por um dos cônjuges que toma

decisões sozinho, não tendo o outro cônjuge direito a participar activamente na vida do menor.

Quando ao regime de visitas, se estivermos perante um casal com bom senso deve decretar-se o regime livre. No entanto, quando à más relações entre os cônjuges isto não é a melhor solução.

No regime de visitas que não seja livre tem que se decidir tudo, como por exemplo: quem vai buscar o menor á escola.

(19)

Nota 4: um divórcio litigioso pode converter-se num divórcio por mutuo

consentimento, se houver acordo quanto a estes aspectos.

→ Alerte-se ainda para o facto de que, se pedido, o divórcio fica consumado no próprio dia. Caso não se peça, só passado 10 dias é que se considera consumado. O conservador tem ainda competência exclusiva em mais dois casos:

1- Dispensa de prazo ante – nupcial; 2- Presunção de paternidade.

Competências não exclusivas do Conservador do Registo Civil – DL 131/95 de 6 de Junho e DL 272/01 de 13 de Outubro que vem atribuir alguma competência não exclusiva ao conservador:

-

Pedido de alimentos para filhos maiores: se, por exemplo, os filhos já têm 18 anos e estão a estudar. Aqui, são os próprios filhos que intentam uma acção contra o pai para que este lhes custei os estudos.

-

Pedido de atribuição de casa de morada de família : aqui vigora a preferência do cônjuge não culpado pelo divórcio, mas, regra geral, atende-se às necessidades de cada um, mesmo que a casa seja bem próprio do outro.

-

Pedido de privação de utilização dos apelidos do outro cônjuge: no divórcio tem que se fazer a declaração que não se deixa o outro cônjuge continuar a utilizar os apelidos, pois caso não se faça isto o outro cônjuge pode utilizá-los livremente.

Das decisões do conservador civil cabe recurso para a 1ª Instancia a ser interpostos no prazo de 10 dias. No entanto, como há consentimento, a regra é não haver recurso.

A decisão do juiz tem que ser proferida no prazo de 30 dias.

DOS ACTOS PROCESSUAIS

O processo civil é uma sequência de actos que devem ser praticados segundo uma determinada sequência prevista na lei, sob pena de estarmos perante nulidades

(20)

processuais, previstas nos artigos artigo 201.º “ Fora dos casos previstos nos artigos anteriores, a prática de um acto que a lei não admita, bem como a omissão de um acto ou de uma formalidade que a lei prescreva, só produzem nulidade quando a lei o declare ou quando a irregularidade cometida possa influir no exame ou na decisão da causa.”

O processo civil, tem uma sequência e uma finalidade, por isso é importante que todas as suas formalidades sejam cumpridas, pelo que faltando uma delas, todos os actos praticados subsequentemente serão igualmente nulos.

A violação da tramitação processual apenas é relevante, nos casos em que a mesma não influa sobre a finalidade do processo.

OSACTOSPROCESSUAIS ESTÃOREGULADOSNOSARTIGOS 137.ºSS CPC.

O artigo 137.º contém o princípio da economia processual. Aí se prevê que apenas devem ser praticados os actos processuais necessários à boa decisão da causa, não se devendo praticar actos que tornem a tramitação mais complexa.

É por isso, que o artigo 138.º vem estabelecer que os actos devem ter forma simples, que melhor correspondam ao fim que visam atingir.

O artigo 138.º-A, foi introduzido com a reforma de 2007, e vem prever a tramitação electrónica dos processos.

QUANDOPODEM SER PRATICADOSOS ACTOSPROCESSUAIS ?

De acordo com o estabelecido no artigo 143.º os actos processuais, não podem ser praticados:

1. Quando os tribunais estiverem encerrados: sábados, domingos e feriados.

2. Durante o período de férias judiciais: 22 de Dezembro a 3 de Janeiro; do domingos de ramos à segunda-feira de Páscoa; de 1 a 31 de Agosto.

(21)

Só podem ser praticados durante o período em que os tribunais estivem encerrados ou durante as férias, as citações, notificações ou actos processuais que se destinem a evitar dano irreparável.

Assim quer as citações quer as notificações, casos correntes, são praticados sempre!

ONDEPODEM SER PRATICADOSOS ACTOS PROCESSUAIS?

De acordo com o disposto no artigo 143.º n.º 2, os actos processuais que devam ser recebidos pela secretaria judiciais, devem ser entregues durante a hora de expediente dos serviços.

De acordo com o artigo 150.º, que vem regular a apresentação a juízo dos actos processuais das partes, estabelecendo que para este efeito, vale a data em que o mesmo foi entregue na secretaria.

Por isso, terminando o prazo no dia 5, se a parte entender entrega-lo directamente na secretaria, o articulado deve ser entregue nesse dia, ate ao fim da hora de expediente.

Os actos processuais podem também, de acordo com o artigo 143/4, ser praticados por transmissão electrónica de dados2 ou através de telecópia (fax)3, em

qualquer dia e independentemente da hora da abertura e de encerramento dos tribunais, o que confere ao mandatário a possibilidade de entregar um articulado no último dia, depois de a secretaria ter fechado.

Nestes casos, o artigo 150.º vem regular o momento em que se devem considerar praticados os actos:

1. No caso em que os mesmos sejam praticados por transmissão electrónica de dados, consideram-se praticados na data em que houve a sua expedição. Há imensas vantagens em enviar os articulados por e-mail:

a. Há redução de 10% nas custas, artigo 15º.º do código das custas judiciais;

2 Nos casos em que as peças processuais seja enviadas por e-mail, devem ser-lhe

apostas assinatura digital do advogado, com o MMA, (a obter nos correios), de modo a comprovar-se a autenticidade da peça e a data em que a mesma deu entrada nos correios.

3 O n.º de fax de onde é enviado, deve estar registado na OA ou então ser enviado dos

CTT. Depois, do envio por fax, o original, acompanhado dos respectivos documentos, devem ser entregues no prazo máximo de 7 dias.

(22)

b.

Há o envio imediato dos documentos que acompanham a peça processual, aos quais a lei, confere força probatória dos originais4.

c. A notificação à contraparte, quando necessária, pode ser feita em simultâneo com a entrega da peça.

2. Se os mesmos forem remetidos pelo correio registado, vale como data da prática do acto processual, aquela constante do registo, ou seja, o data em que deu entrada no correio;

3. Sendo o acto enviado por telecópia, valerá como data da prática, a da sua expedição.

DACONTAGEM DOSPRAZOS

A regra consta do artigo 144.º, onde se estabelece que a o prazo processual estabelecido por lei ou por despacho do juiz é contínuo.

O prazo apenas se suspende durante o período de férias judiciais.

O prazo só não se suspende durante o período de férias judiciais, se o prazo em causa, for igual ou superior a 6 meses ou nos casos em que o acto a praticar diga respeito a processo que a lei considera urgente.

Quando o prazo para a prática do acto processual terminar em dia em que todos os tribunais estivem encerrados, a prazo transfere-se para o primeiro dia útil seguinte.

Exemplo: Chegou no correio para contestar uma acção no dia 17 de Julho de 2007, terça-feira, tenho 30 dias para a efectuar. Consideramo-nos notificados 3 dias depois, isto é, dia 20 de Julho, sexta-feira. O prazo começa a contar no sábado dia 21 de Julho de 2007.

O prazo interrompe-se em 1 de Agosto, por causa das férias judicias, e recomeça a contagem no dia 1 de Setembro. Durante Julho correram 11 dias (de 21 a 31 de Julho).

O prazo recomeça a contar no dia 1 de Setembro, que é sábado, terminando o prazo para contestar, sexta-feira dia 19 de Setembro.

Se por ventura, a carta fosse recepcionada no dia 18 de Julho quarta-feira, estaríamos notificados 3 dias depois dia 21 sábado, pelo que o prazo apenas nos

4 Sem prejuízo do juiz requerer a junção dos documentos originais, nos termos do n.º 8

(23)

consideramos notificados na segunda-feira seguinte, dia 23, começando a correr o prazo no dia 24.

CLASSIFICAÇÃODOSPRAZOS

MODALIDADEDEPRAZOS, ARTIGO 145.º:

1.

Substantivos : Actos derivados da própria lei, artigo 279.º CC;

2.

Jurisdicionais : fixados pelo juiz. São contínuos, embora possam suspender-se.

3.

Dilatórios: são prazos suspensivos, durante os quais não se pode praticar

determinado acto, ou o prazo para a prática do mesmo ainda não começou a correr.

4.

Peremptórios: são prazos cujo decurso impede a prática do acto, como

sucede com o prazo para contestar, replicar, etc.

Quando um prazo peremptório se seguir a uma prazo dilatório, os dois prazos contam-se como um só, artigo 148.º

Prazo supletivo geral - art. 153 º: Quando o prazo não é fixado pela lei ou pelo

juiz entende-se que é 10 dias.

Por exemplo, o prazo para contestar é de 30 dias (prazo peremptório) mas no caso em que o réu seja, citado na pessoa de terceiro, acresce uma dilação de 5 dias (prazo dilatório)

O prazo conta-se corrido, pelo que passa a haver, 35 dias para contestar.

DESVIOSAOS PRAZOSPEREMPTÓRIOS :

Como vimos os prazos peremptórios, impedem que determinado acto processual seja praticado uma vez decorrido o seu termo.

Mas a lei admite alguns desvios.

1.

Artigo 147.º prorrogabilidade dos prazos : a lei admite que um prazo

(24)

a. A lei assim, o preveja, isto é, nos casos do artigo 486/5, sempre que

a complexidade da causa o exija, pode o mandatário do réu, requerer que o prazo para apresentação de contestação seja prorrogado por mais 30 dias. Não há contraditório. Neste caso não se suspende o prazo em curso e o juiz tem que se pronunciar num prazo máximo de 24 horas – nº6

b. Por acordo das partes, por uma única vez, e por iguais períodos,

artigo 147.º n.º2.

2.

Artigo 145.º n.º 4 e 146.º: a lei permite, apesar de decorrido o prazo,

que o acto processual possa ser praticado fora do prazo, em caso de justo impedimento, não imputável nem à parte nem aos mandatários.

3.

Artigo 145.º n.º 5 : Nos casos em que não haja justo impedimento, a acto

poderá ainda ser praticado nos três primeiros dias úteis subsequentes ao termo do prazo, desde que até ao primeiro dia útil posterior ao da prática do mesmo, seja pago de montante igual a ¼ da taxa de justiça inicial por cada dia de atraso, não podendo a multa exceder 3 UC.

Neste caso, se o prazo terminar numa quinta-feira, o prazo pode ser praticado na sexta, segunda ou na terça.

Se entregar a peça na sexta, tem de pagar até segunda-feira, ¼ da taxa de justiça inicial.

Se entregar na segunda, tem de pagar até terça ½ da taxa de justiça inicial. Se entregar na terça, tem de pagar até quarta, ¾ da taxa de justiça inicial O juiz pode determinar, nos termos do artigo 145.º n.º 7 a redução ou dispensa da multa nos casos de manifesta carência económica ou quando o respectivo montante se revele manifestamente desproporcionado.

Caso de exame:

Suponhamos num caso concreto ocorreu a PI, seguida de Contestação e houve Replica. Quid iuris se entendermos que a réplica é nula porque não havia razão de existir?

(25)

- Devíamos requerer a nulidade da réplica e o seu desentranhamento processual do prazo supletivo de 10 dias.

Prazo para registo postal – art. 254º nº3:

Por exemplo: o tribunal envia hoje, dia 18, uma notificação por carta registada.

Quando me considero notificada?

- Dia 21, mas como é um Sábado, considero-me notificada dia 23, Segunda-feira, começando a correr o prazo dia 24, Terça-feira.

Diga-se 3 coisas em relação este artigo:

1- A presunção é ilidível;

2- Primeiro conta-se o 3º dia posterior ao registo; 3- Depois averigua-se a hipótese se é ou não dia útil.

Se as férias começassem domingo, continuávamos a considerarmo-nos notificados segunda-feira?

- A resposta é afirmativa, pois as notificações ou citações podem ser feitas em férias, sendo que o primeiro dia do prazo apenas seria o 1º dia após o termo das férias.

Mas tenha-se sempre a consciência que caso não tenhamos recebido a carta no terceiro dia posterior ao registo, podemos sempre ilidir a presunção.

Já nas citações não há 3 dias de registo porque o artigo apenas se refere às notificações e esta é feita por carta registada com aviso de recepção, pelo que o prazo começa logo a correr.

Veja-se que o nº1 do art. 254º já não contem nenhuma presunção, pelo que o prazo começa a correr no dia seguinte.

Outra questão é a notificação por via electrónica que se presume efectuada no próprio dia – nº5 do art. 254º.

(26)

Da leitura do nº1 do art. 229º A, a petição e a contestação apenas tem que ser entregue no tribunal com as respectivas cópias. Mas quanto a todos os restantes articulados, como réplica e tréplica, assim como todos os requerimentos autónomos já é obrigatório notificar o mandatário da outra parte.

Sendo assim, temos sempre que juntar aos autos o documento comprovativo da notificação ao mandatário das outras partes.

Análise critica do nº4 do art. 260º A:

Houve um ano em que o acto era praticado sexta-feira, dia 20 de Dezembro, sendo que: sábado, dia 21 de Dezembro; domingo dia 22 de Dezembro e Férias judiciais e segunda-feira dia 23 de Dezembro e férias judiciais. Sendo assim, quando se iniciava o prazo para resposta a tal notificação?

- Ora, este nº4 vem alterar as regras gerais, pois a regra geral era que o primeiro dia do prazo era sábado, dia 21. Todavia, entre mandatários a intenção do legislador era evitar que um advogado fosse notificado, por exemplo, sexta-feira à noite para o seu escritório e, se não fosse trabalhar no fim-de-semana encontra a notificação apenas passado 2 dias de prazo corrido.

Assim, neste caso, suponhamos que dia 4 de Janeiro era um domingo. Será que o prazo começava a contar dia 4 ou dia 5?

- O que parece lógico é que, como sexta-feira não é um dia anterior a férias, mas um dia anterior a sábado (as férias só se iniciam domingo), devemos ir para o primeiro dia útil – dia 5. Mas repare-se que se o mandatário tivesse sido notificado sábado, dia 21, como já era um dia anterior às férias, o prazo terminaria dia 4, domingo.

Ou seja: o ridículo é que uma notificação feita depois começa a contar mais cedo!

Note-se na previsão do artigo (...)”ou” (...) “ou”.

Resolução de casos práticos

1. J, residente no Porto, foi citado para uma acção ordinária instaurada nas Varas Cíveis no dia 17 de Agosto de 2007.

(27)

A citação foi feita em férias judiciais. Logo o prazo para contestar de 30 dias não corre, ou se já se tiver iniciado, suspende-se.

O prazo começa a correr, 1 de Setembro, que é sábado. Mas não tem importância, ainda que fosse domingo, o prazo começa a correr no dia 1 Setembro.

O prazo para contestar termina dia 30 de Setembro, domingo, pelo que passa para o dia útil seguinte, segunda-feira dia 1 de Outubro.

O acto pode ainda ser praticado até dia 4 de Outubro, quinta-feira, desde que se proceda ao pagamento de multa. Para tal é necessário pedir as guias na secretaria. Até ao dia 5 no máximo o pagamento tem de ser feito.

2. L, advogado, que patrocina, o Autor, de uma acção sumária, foi notificado da contestação, por correio registado, que apresenta como data do registo dia 3 de Setembro de 2007. A contestação contém excepções e L, tem que responder.

Como estamos no âmbito de uma acção sumária, o Autor tem 10 dias para replicar, artigo 785. Se a data do registo é dia 3, o autor considera-se notificado 3 dias depois ou seja, dia 6, o prazo começa a contar dia 7, termina dia 16, que é domingo, logo o prazo termina apenas no dia útil seguinte, dia 17.

3. Para responder à contestação, L precisa de contactar o seu constituinte que está de férias e que só regressa depois do termo do prazo. Durante as férias o constituinte de L, sofre um acidente e fica incapacidade de comunicar durante três meses.

Estamos perante um caso de justo impedimento, artigo 146, cujo pedido, deve ser apresentado, sob forma de requerimento, findo prazo para a prática do acto.

Tribunal Judicial de Terras de Bouros N.º Proc. 123/07.0 TBR

(28)

L, autor nos autos à margem melhor identificados, de acção sumária, em que é réu, G, respeitosamente, vem invocar justo impedimento, nos termos e com os seguintes seguimentos:

1.º

O Autor, encontra-se hospitalizado desde o dia 30/04/2007.

2.º

Desde essa data, que o mesmo se encontra impossibilitado de comunicar com o seu advogado.

3.º

Face ao teor da contestação, mostra-se necessário que o mandatário, conferencie com o autor.

4.º

O que não foi possível, dado o acidente que o mesmo sofreu, ficando hospitalizado e impossibilitado de falar com quem quer que seja.

Termos em que, nos termos do artigo 146.º CPC, deve ser julgado verificado o justo

impedimento, admitindo-se que o requerente, responda, à contestação, apesar de já ter decorrido, o prazo legal, para o mesmo.

P.E.D.

Junta: prova documental, replica, duplicados legais, notificação ao ilustre mandatário

do Réu.

A Advogada

(29)

O juiz, recebido o pedido de justo impedimento, tem de decidir, com respeito pelo princípio do contraditório.

Nota: O justo impedimento, do artigo 146, que se aplica apenas ao casos de total impossibilidade, distingue-se do artigo 485, que apenas se aplica nos casos de dificuldade.

A parte poderá responder ao justo impedimento, no prazo supletivo de 10 dias.

Resposta do Réu, ao requerimento do justo impedimento

Tribunal Judicial de Terras de Bouros N.º Proc. 123/07.0 TBR

Exmo. Senhor Juiz de Direito:

G, réu nos autos à margem melhor identificados, de acção sumária, em que é autor, L, respeitosamente, vem, responder ao justo impedimento, invocado pelo Autor, nos termos e com os seguintes seguimentos:

1.º

Não se verifica justo impedimento nos termos invocados pelo autor.

2.º

Na verdade, o autor não esteve impedido de responder à contestação, pois o incidente que alega ter sofrido, aconteceu no ano de 2005, e não no ano de 2006.

Termos em que se deve julgar não verificado o justo impedimento, não se devendo admitir a resposta do Autor à contestação.

(30)

Junta: prova testemunhal, duplicados legais, notificação ao ilustre mandatário do

Autor.

A advogada

Eliana Silva Pereira

4. J, é advogado e patrocina Réu de uma acção ordinária que contestou e deduziu reconvenção. No dia 23 de Novembro de 2007, recebeu, por telecópia, a réplica, em que o Autor, contesta a reconvenção, deduzindo excepções o L, tem de responder.

Estamos no âmbito da notificação entre mandatários. Logo, considera-se notificado no dia 23 de Novembro, que é sexta-feira. O prazo começa a corre no dia 26, segunda-feira de Novembro 2006. O prazo para replicar é de 15 dias, que termina no dia 11 de Dezembro, terça-feira.

PUBLICIDADE EACESSOAOPROCESSO

Nos termos do artigo 167.º do CPC, o processo civil é público, salvas as restrições previstas na lei. Nos termos do n.º 2, a publicidade do processo implica:

O direito de exame, consulta dos autos na secretaria e obtenção de cópia ou certidões de quaisquer peças nele incorporadas, pelas partes, pelos mandatários, por qualquer pessoa com capacidade para exercer o mandato judicial ou por quem tiver um interesse atendível.

É obrigação da secretaria judicial, nos termos do n.º 3, prestar informação precisa às partes, aos seus representantes ou mandatários judiciais, ou aos funcionários destes, devidamente credenciados, acerca do estado dos processos pendentes em que sejam interessados.

(31)

LIMITAÇÕES ÀPUBLICIDADEDOPROCESSO

Nos termos do artigo 168.º o acesso aos autos é limitado, nos casos em que a divulgação do seu conteúdo possa causar dano à dignidade das pessoas, à sua intimidade da vida privada ou familiar, à moral pública ou sempre que se ponha em causa a eficácia da decisão a proferir.

Pode ser limitados a publicidade do processo, designadamente nos seguintes casos:

a) Os processos de anulação de casamento, divórcio, separação de pessoas e bens e os que respeitem ao estabelecimento ou impugnação de paternidade, a que apenas podem ter acesso as partes e os seus mandatários; assim apenas os mandatários com procuração no processo podem ter acesso aos autos.

b) Os procedimentos cautelares pendentes, que só podem ser facultados aos requerentes e seus mandatários e aos requeridos e respectivos mandatários, quando devam ser ouvidos antes de ordenada a providência. Nos casos em que o contraditório seja efectuado após o decretamento da providência, o mandatário também não pode consultar os autos.

CONFIANÇADOPROCESSO, ARTIGO 168º

Nos processos em curso: Os mandatários judiciais constituídos pelas partes,

(advogados, solicitadores) os magistrados do MP e os que exerçam o patrocínio por nomeação oficiosa, podem solicitar, por escrito ou verbalmente, que os processos pendentes lhes sejam confiados para exame fora da secretaria do tribunal.

Compete à secretaria facultar a confiança do processo, pelo prazo de 5 dias, que pode ser reduzido, se tal prazo causar grave embaraço ao andamento da causa.

O prazo de 5 dias, pode ser prorrogado por mais 5 anos, desde que tal seja requerido ao juiz fundamentadamente.

Contudo, nos casos em que o processo esteja em fase em que o andamento do mesmo dependa da prática de actos pelas partes, a consulta pode ser restrita, aos cinco dias.

Por exemplo, estando a correr prazo para replicar, advogado do autor, pode ter acesso ao processo apenas durante os 5 dias. O mesmo se passa com os casos em

(32)

que corra prazo para produção de prova, as partes apenas podem consultar o processo durante 5 dias no máximo.

Havendo vários réus, por exemplo, a correndo prazo para todos, a secretaria deve ter em atenção que todos tenham prazo para a consulta do mesmo.

Há dois casos específicos em que a consulta do processo está prevista:

Nos casos do artigo 657.º para que as partes possam fazer alegações de direito.

Nos casos em que corra prazo efectuar recurso e as respectivas alegações

Nos processos findos: a confiança do processo pode ser requerida por

qualquer pessoa capaz de exercer o mandato judicial, a quem seja lícito examiná-los na secretaria.

Falta de restituição do processo: de acordo com o artigo 170.º o

mandatário judicial que não entregar o processo dentro do prazo que lhe tiver sido fixado, será notificado para, em dois dias, justificar o seu procedimento.

Não tendo justificado o seu comportamento, nem este constitua facto do conhecimento pessoal do juiz ou justo impedimento, o mesmo será condenado no máximo de multa. Se ainda assim, o processo não for entregue na secretaria, no máximo de 5 dias, a multa será elevada ao dobro.

Se depois deste procedimento, o mandatário não entregar o processo, tal facto será levado ao conhecimento do MP para que este promova contra ele, crime de desobediência. É ainda dado conhecimento à OA ou à Câmara dos Solicitadores.

PASSAGENSDASCERTIDÕES

O direito de consulta dos processos, abrange o direito de requerer a passagem de certidões. O artigo 174.º estabelece que, a secretaria deve, sem precedência de despacho, passar as certidões de todos os termos e actos processuais que lhe sejam requeridas, oralmente ou por escrito, pelas partes no processo, por quem possa exercer o mandato judicial ou por quem revele interesse atendível em as obter.

Tratando-se porém, de casos em que o processo esteja limitado em termos de publicidade, artigo 168.º, nenhuma certidão é passada, sem prévio despacho sobre a justificação, em requerimento escrito, da sua necessidade, devendo o despacho fixar os limites da certidão.

(33)

A distribuição do processo tem como finalidade, a repartição equilibrada e igual do serviço do tribunal, artigo 208.º

É por este acto que se distribui os processos por secção ou juízo, e que designa relator.

ACTOS PROCESSUAIS SUJEITOSÀDISTRIBUIÇÃONA PRIMEIRA, INSTÂNCIA, ARTIGO 211.º:

a.) Actos processuais que importem o começo da causa, salvo de esta depender de outra já distribuída;

b.) Os actos processuais que venham de outro tribunal, com excepção das cartas precatórias, mandados, ofícios ou telegramas, citação, notificação ou afixação de editais.

As causas que por lei ou por despacho devam considerar-se dependentes de outras são apensadas àquelas de que dependam.

ACTOS QUE NÃODEPENDEM DEDISTRIBUIÇÃO, ARTIGO 212.º

As notificações avulsas, as arrecadações, os actos preparatório, os procedimentos cautelares e quaisquer diligências urgentes feitas antes de começar a causa ou antes da citação do réu.

DEACORDOCOM DISPOSTONOARTIGO 222.º, EXISTEMDIFERENTESESPÉCIESDEDISTRIBUIÇÃO :

1. ª Acções de processo ordinário; 2. ª Acções de processo sumário;

3. ª Acções de processo sumaríssimo e acções especiais para o cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contrato;

4. ª Acções de processo especial; 5. ª Divórcio e separação litigiosos;

6. ª Execuções comuns que, não sendo por custas, multa sou outras quantias contadas, não provenham de acções postas no tribunal,

7. ª Execuções por custas, multas e outras quantias contadas, execuções especiais por alimentos e outras execuções que provenham de acções propostas em tribunal;

8. ª Inventários;

(34)

10. Cartas precatórias ou rogatórias, recursos de conservadores, notários e outros funcionários, reclamações e quaisquer outros papeis não classificados.

A partir de Janeiro de 2008 a distribuição é feita diariamente, artigo 214.º. Em caso de erro na distribuição do processo, o mesmo será corrigido no seguinte modo, artigo 219.º:

Nas comarcas em que haja mais do que um juízo, quando o erro afecte a distribuição do juiz, far-se-á nova distribuição dando-se baixa da anterior.

Nos restantes casos, o processo continua a correr na mesma secção, carregando-se na espécie competente e descarregando-se da espécie em que estava.

COMUNICAÇÃO DOSACTOS,

MANDADO: é através do mandado, que o tribunal ordena a execução de acto

processual a entidade que lhe está funcionalmente subordinada., artigo 176.

Os mandados são passados em nome do juiz relator e assinados pelo competente funcionário da secretaria, artigo 189, contendo apenas, para além da ordem do juiz, as indicações que sejam indispensáveis para o seu cumprimento.

CARTAS PRECATÓRIAS : carta enviada a um tribunal com competência territorial

diferente, ou a um cônsul português, a requerer a prática de determinado acto processual.

As cartas precatórias, são dirigidas ao tribunal de comarca, em cuja área jurisdicional o acto deva ser praticado, sem prejuízo dos casos, em que, nos termos da lei e organização judiciária, a carta deva ser enviada ao tribunal de círculo, artigo 177.º n.º 1.

As mesmas são enviadas pela secretaria, artigo 181.º n.º 1, e assinadas pelo juiz ou relator, e apenas contêm o que seja estritamente necessário para a realização da diligência, artigo 178.º n.º 1.

A expedição da carta não obsta a que se prossiga nos mais termos que não dependem da diligência requerida, embora a discussão e julgamento da causa não podem ter lugar senão depois de apresentada a carta ou depois de ter finalizado o prazo do seu cumprimento, artigo 183.

(35)

As cartas devem ser cumpridas pelo tribunal deprecado, no prazo máximo de dois meses, a contar da expedição, que será notificada às partes, quando tenha por objecto a produção de prova, artigo 181.º n.º 1.

CARTAS ROGATÓRIAS : carta enviada a uma autoridade estrangeira, a requerer a

prática de determinado acto processual. Tem de ser atenção ao eventualmente estabelecido em convenções.

As cartas rogatórias, seja qual for o acto a que se destinem, são expedidas pela secretaria e endereçadas directamente à autoridade ou tribunal estrangeiro, salvo tratado ou convenção e contrário, artigo 182.º n.º 2.

As comunicações que sejam efectuadas pelo tribunal, a citação ou a notificação, por via postal, são enviadas, directamente para os interessados, seja qual for a circunscrição onde se encontrem.

Em casos de urgência, as comunicações podem ainda ser efectuadas através telegrama, comunicação telefónica o outro meio análogos de telecomunicações, artigos 176.º n.º in fine.

CUSTASETAXASDEJUSTIÇA

Nos termos do artigo 1.º do código das custas, todos os processos judiciais, estão sujeitos a custas.

As custas subdividem-se em:

1. Taxas de justiça, que pode ser: a. Inicial

b. Subsequente 2. Encargos, que podem ser:

a.

Encargos propriamente ditos ,

(36)

II. Reembolso ao cofre geral dos tribunais por despesas adiantadas;

III. Reembolso ao estado do dispêndio com apoio judiciário;

IV. Pagamentos devidos ou adiantados a quaisquer entidades.

b.

Encargos com procuradoria : que é nos termos do artigo 32, 41, 42 CCustas, compensação que a parte vencida fica a dever à parte vencedora, que é fixada pelo juiz (não sendo fixada pelo juiz, fixa-se e, 1/10 da taxa de justiça.

TAXADEJUSTIÇA :

De acordo com o artigo 305.º CC, a toda a causa, deve ser atribuído um valor certo. É a este valor que se atenderá para determinar a competência do tribunal, a forma do processo a relação da causa com a alçada do tribunal e o valor das custas, como consta do artigo 13/1 “Sem prejuízo do disposto nos artigos seguintes, a taxa de justiça é, para cada parte, a constante da tabela do anexo I, sendo calculada sobre o valor das acções, incidentes com a estrutura de acções, procedimentos cautelares ou recursos.” “A taxa de justiça do processo corresponde ao somatório das taxas de justiça inicial e subsequente de cada parte”

O valor da causa inclui não só capital, mas também os juros.

No caso em que haja durante o desenrolar do processo, redução do pedido, tal facto, não conta para efeitos de custas.

Em sede de recurso, deve ser indicado com valor da sucumbência, (valor que o réu foi condenado a pagar) para efeitos de determinação da taxa de justiça.

As custas são pagas através da taxa de justiça, pelo autor e pelo réu, de forma progressiva, quer na primeira instância quer na Relação e no Supremo.

A taxa de justiça inicial é paga no momento em que dá corpo à acção, devendo o autor pagar a mesma aquando da entrada da PI em tribunal, devendo o réu pagar a mesma, aquando da apresentação da contestação. Em sede de recuso a taxa de justiça inicial é paga aquando da entrega das alegações. Artigo 22 “A taxa de justiça é paga gradualmente pelo autor, requerente, recorrente, exequente, réu, requerido ou executado que deduza oposição e recorrido que alegue, nos termos dos artigos 23.º a 29.º”

(37)

Artigo 23.º Taxa de justiça inicial

- Para promoção de acções e recursos, bem como nas situações previstas no artigo 14.º, é devido o pagamento da taxa de justiça inicial autoliquidada nos termos da tabela do anexo I.

2 - Para promoção de execuções é devido o pagamento de uma taxa de justiça correspondente a 1/4 UC ou 1/2 UC, consoante a execução tenha valor igual ou inferior ao da alçada do tribunal da relação ou superior ao mesmo, aplicando-se, com as devidas adaptações, o regime da taxa de justiça inicial.

Artigo 24.º

Pagamento prévio da taxa de justiça inicial

1 - O documento comprovativo do pagamento da taxa de justiça referida no artigo anterior é entregue ou remetido ao tribunal com a apresentação:

a) Da petição ou requerimento do autor, exequente ou requerente; b) Da oposição do réu ou requerido;

c) Das alegações e contra-alegações de recurso e, nos casos de subida diferida, das alegações no recurso que motivou a subida ou da declaração no interesse da subida. 2 - O documento comprovativo do pagamento da taxa de justiça inicial perde a sua validade no prazo de 90 dias a contar da data da respectiva emissão se não tiver sido, entretanto, apresentado em juízo.

3 - Se o interessado não tiver utilizado o documento referido no número anterior, pode, no prazo de 180 dias a contar da data da respectiva emissão, requerer ao Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça o reembolso da quantia despendida, mediante a entrega do seu original, ou de documento de igual valor probatório, contendo obrigatoriamente os mesmos elementos daquele, sob pena de esse montante reverter para o Cofre Geral dos Tribunais.

4 - Os prazos referidos nos números anteriores não se suspendem nos sábados, domingos e feriados, bem como nas férias judiciais.

A taxa de justiça subsequente deve ser paga no momento em que é designado data para a audiência de julgamento. Em sede de recurso, o pagamento é feito quando o processo é inserto em tabela.

(38)

Pode acontecer que: A interpôs a acção e paga a taxa de justiça inicial. Apesar das tentativas, o réu não foi notificado, sendo julgado à revelia. Quando o processo findar, na conta de custas, o réu vai ter de pagar a taxa que lhe cabe.

Artigo 25.º

Taxa de justiça subsequente

1 - O montante da taxa de justiça subsequente é igual ao da taxa de justiça inicial, sendo autoliquidada nos termos da tabela do anexo I.

2 - Quando haja mais de um autor, requerente ou recorrente, ou mais de um réu, requerido ou recorrido e o montante da taxa de justiça inicial paga se revelar suficiente para assegurar o pagamento da taxa de justiça devida pela respectiva parte, são aqueles dispensados do pagamento da taxa de justiça subsequente.

3 - As notificações referidas no artigo seguinte devem mencionar expressamente a dispensa do pagamento da taxa de justiça subsequente, sem prejuízo de a mesma poder ser invocada pelas partes.

Artigo 26.º

Prazo de pagamento da taxa de justiça subsequente

1 - O documento comprovativo do pagamento da taxa de justiça subsequente referida no artigo anterior é entregue ou remetido ao tribunal no prazo de 10 dias a contar: a) Da notificação para a audiência final;

b) Nos recursos, da notificação do despacho que mande inscrever o processo em tabela.

2 - É aplicável à taxa de justiça subsequente o disposto nos n.os 2 a 4 do artigo 24.º

Artigo 27.º

Limite da taxa de justiça inicial e subsequente

1 - Nas causas de valor superior a € 250000 não é considerado o excesso para efeito do cálculo do montante da taxa de justiça inicial e subsequente.

2 - Sem prejuízo do disposto nos números seguintes, o remanescente é considerado na conta a final.

3 - Se a especificidade da situação o justificar, pode o juiz, de forma fundamentada e atendendo, designadamente, à complexidade da causa e à conduta processual das partes, dispensar o pagamento do remanescente.

4 - Quando o processo termine antes de concluída a fase de discussão e julgamento da causa não há lugar ao pagamento do remanescente

Referências

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