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CASTRO, JRB. Da casa à praça pública: a espetacularização das festas juninas no espaço urbano [online]. Salvador: EDUFBA, 2012, 342p. ISBN 978-85-232-1172-1. Available from SciELO Books
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Da casa à praça pública
a espetacularização das festas juninas no espaço urbano
Janio Roque Barros de Castro
Da casa
à praça pública
a espetacularização Das
festas juninas no espaço urbano
Universidade Federal da Bahia reitora
dora leal rosa
vice-reitorluiz rogério Bastos leal
editora da Universidade Federal da Bahia diretora
Flávia Goullart Mota Garcia rosa
Conselho editorialalberto Brum novaes
angelo szaniecki Perret serpa Caiuby alves da Costa
Charbel ninõ el-hani Cleise Furtado Mendes
dante eustachio lucchesi ramacciotti evelina de Carvalho sá hoisel
José teixeira Cavalcante Filho
Maria vidal de negreiros Camargo
janio roque barros de castro
Da casa
à praça pública
a espetacularização Das festas juninas no espaço urbano
salvador edUFBa
2012
2012, Janio roque Barros de Castro.
direitos para esta edição cedidos à edufba.
Feito o depósito legal.
CaPae Projeto grÁFiCo
lúcia valeska sokolowicz
eDitoraÇÃoamanda r. lauton Carrilho
reviSÃoFlavia rosa
norMaLiZaÇÃo
rodrigo Meirelles
editora fi liada à
edUFBa
rua Barão de Jeremoabo, s/n, Campus de ondina, 40170-115 salvador-Ba Brasil
tel/fax: (71)3283-6164
www.edufba.ufba.br | [email protected]
agradeço a deus todas as conquistas da minha vida profissional e familiar.
Que Jesus Cristo seja presença constante na minha caminhada.
aGraDeciMentos
o presente livro resulta de uma pesquisa de doutorado defendida na Faculdade de arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (UFBa), em dezembro de 2008, que contemplou três ci- dades do estado da Bahia. Foi uma tarefa árdua, por isso necessitei da ajuda de algumas pessoas, as quais agradeço do fundo do meu coração.
escrevo essas linhas temendo esquecer nomes importantes, que de antemão, peço desculpas por uma eventual omissão inde- sejada.
agradeço à deus que me deu forças para concluir esse traba- lho e ao apoio da minha família que sofreu com as minhas ausên- cias, andanças, “isolacionismo” no quarto de estudos.
Minha mãe (dona Zezé), hoje com 71 anos de idade, durante mais de dez anos viu meu pai (que se chamava João e nasceu no período junino), fazer fogueiras e acendê-las na noite de são João.
Com o falecimento do meu pai, assumi esse ofício sagrado, ritualís- tico e profano de fazer fogueira a partir dos 13 anos de idade.
Por causa da tese, nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 deixei
de brincar no são João. tive que me ausentar de casa, pois o ofício
de pesquisador me obrigava a transitar entre as cidades de amargo-
sa, Cachoeira e Cruz das almas – Bahia. Comprei chuvinhas, traque de massa para minhas duas filhas, Cecília (7 anos de idade) e ema- nuele (3 anos), enquanto minha esposa (erlandia) – que muito me ajudou na organização dos dados da pesquisa –- recebia em nossa casa alguns amigos e amigas de diversos lugares para ludicamente brincar no são João.
agradeço a minha família pela compreensão e apoio ao longo desses anos e a ela dedico esse trabalho.
agradeço ao meu orientador, professor dr. angelo serpa, pela orientação segura, objetiva, dedicada, exigente e ao mesmo tempo amiga. agradeço também às observações críticas e construtivas das professoras ana Fernandes e eloisa Petti na fase inicial da pesquisa (seminários avançados ii) e na qualificação. agradeço aos professo- res Pasqualino Magnavita e Paola Jacques na disciplina seminários avançados i, que me abriu horizontes para novas acepções filosó- ficas e contribuiu para modificar a minha forma de pensar e de analisar o objeto de pesquisa. agradeço ao professor angelo serpa na disciplina espaço público na cidade contemporânea pelas ricas discussões.
agradeço as contribuições da banca examinadora da tese, composta pelo meu orientador, pela professora drª ana Fernandes (UFBa), pela professora drª aureanice de Mello Correa (UerJ), pela professora drª eloisa Petti (UFBa) e pelo professor dr. Paulo Miguez (na época professor da Universidade Federal do recôncavo Baiano; atualmente é professor da UFBa).
agradeço à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Uni-
versidade do estado da Bahia (UneB) pela bolsa que recebi e por
todo apoio durante a pesquisa, quando estive afastado das minhas
atividades como professor desta instituição. aos colegas/amigos da
área de Geografia do departamento de Ciências humanas campus
v – santo antônio de Jesus que me incentivaram ao longo da pes-
quisa. ao meu amigo e colega adelino da Universidade do estado da
Bahia pela revisão de texto. agradeço o incentivo da minha amiga
Márcea sales desde a minha aprovação no doutorado até a defesa da tese.
agradeço aos meus monitores voluntários que me ajudaram no trabalho de campo. agradeço a Guga (amargosa) e anderson Bela (Governador Mangabeira) pela ajuda.
a todos aqueles que de forma direta ou indireta me ajudaram
e/ou incentivaram nesta empreitada, meus sinceros agradecimentos.
suMÁrio
13 Prefácio
nos interstícios da “espetacularidade”
19 introdução
39
Concepções de festa, os sentidos do festejar e as dimensões socioeconômicas, culturais e lúdicas das festas juninas
85
espetacularização e mercantilização das festas juninas na atualidade
147
dinâmica e especificidades culturais das festas juninas espetacularizadas
em espaço público
257 Festas Juninas:
Promotoras de mobilidade espacial
311 notas
317
referências
prefÁcio
Nos interstícios da “espetacularidade”
no livro que se apresenta agora ao leitor, Janio roque Barros de Cas- tro parte de uma perspectiva “relativista” para analisar a dinâmica atual das festas juninas no interior da Bahia, mais especificamente na região econômica do recôncavo sul. negando o essencialismo
“nostálgico e petrificado” destas festas no passado, o autor vai loca- lizar sua análise nas cidades de amargosa, Cruz das almas e Cacho- eira, Bahia, procurando ver algo além dos processos de espetacula- rização e mercantilização, debruçando-se ao longo do texto também sobre os “interstícios da espetacularidade”.
Partindo dessas premissas, Castro vai afirmar que os festeiros
atualizam os eventos festivos, inicialmente nos espaços intersticiais,
ampliando sua ação através de “grupos atomizados”. o pressuposto
aqui é o da eclosão de uma nova ludicidade, ressignificada e atua-
lizada na contemporaneidade: “os passantes, ficantes e brincantes
abrem perspectivas para dilatação da ludicidade intersticial, que é
redesenhada incessantemente no presente, abrindo-se possibilida-
o livro localiza a intensificação do processo de espetaculari- zação das festas juninas em algumas cidades do nordeste brasileiro nos anos 1980, partindo para a análise de como amargosa, Cruz das almas e Cachoeira consolidaram seu papel de polos festivos no recôncavo sul da Bahia. norteadas por estratégias de city marketing, cuja lógica o livro vai revelando paulatinamente ao leitor, através de uma análise acurada de documentos oficiais como os Planos di- retores Urbanos, essas cidades vão se tornar na atualidade pontos importantes de uma malha urbana festiva, cobrindo os territórios sub-regional, regional e estadual.
essas cidades vão se constituir, portanto, em centralidades festivas, com a realização de megafestas juninas, não só pela dimensão espacial desses eventos, mas também pela difusão midiática e por sua relevância e particularidades. são polaridades sazonais, que atraem pessoas de diferentes pontos do território estadual, regional e mesmo nacional, que vão fortalecer sua centralidade a partir dos eventos juninos, vistos nesse contexto como “alavancas culturais”.
desse modo,
[…] a disputa pela inserção nos patamares superiores da
hierarquia festiva do ciclo junino não é uma tentativa dos
gestores municipais de “segurar” a população local na cidade
durante o clímax das festas de São João. Trata-se de um
conjunto de ações visando ou a inserção da cidade no circuito
turístico baiano através de um evento estruturante, como
no caso de Amargosa e Cruz das Almas, ou a promoção da
diversificação das modalidades turísticas locais, como no caso
de Cachoeira. Evidentemente que o rebatimento local de uma
investida turística exitosa pode se converter em importantes
dividendos políticos eleitorais, assentados no marketing
urbano e lastreados pela espetacularidade imagética das festas
juninas. Fica clara a idéia de que as festas promovidas pelas
municipalidades são para os moradores locais ganharem
dinheiro inserindo-os no contexto da mercantilização
desses eventos e a prefeitura inserir a cidade nos meios de
comunicação, mantendo a cidade em posição privilegiada no circuito junino baiano.
na micro-escala, Castro vai revelar com seu estudo, a perma- nência de práticas como as festas em família, agora não mais res- tritas aos espaços residenciais, mas reterritorializadas também no espaço das grandes festas de arena, “na medida em que um determi- nado grupo de parentes e/ou de amigos se desloca para participar de festas juninas em espaço público, e nesse itinerário difuso ou canalizado o grupo se reterritorializa em logradouros públicos, em barracas, em bares, em restaurantes, em pontos turísticos”.
seus trabalhos de campo demonstram ainda a importância dos grupos de amigos e da família nos momentos que antecedem a festa junina espetacularizada, como na organização dos grupos, ou na escolha do modo de transporte e do polo festivo de destino.
Baseado em um amplo leque de leituras e referenciais teórico- conceituais, Janio Castro procura responder a questão sobre o que caracteriza, afinal, uma festa-espetáculo, para chegar à conclusão de que em um mesmo lugar festivo o território do lazer urbano e o espaço da mercantilização se interpenetram. o viés mercadológico das festas privadas, de “camisa” é contrabalançado pelo espaço festivo – ainda que residual – dos terreiros frontais das casas ou das trilhas rurais, ao tempo que as festas de arena, no espaço público, são também espaço de expressão para manifestações culturais de caráter local e regional.
o livro está estruturado em quatro capítulos: no primeiro ca-
pítulo o autor busca uma contextualização teórico-conceitual para a
problemática levantada, abordando em seguida, no segundo capítu-
lo, o processo de espetacularização das festas juninas, concentran-
do-se na análise das festas privadas. o terceiro capítulo é dedicado
à análise da dinâmica e especificidades das festas juninas espetacu-
larizadas no espaço público, nas cidades de amargosa, Cachoeira e
Cruz das almas. Finalmente, no quarto capítulo, Castro vai refletir
sobre o papel dessas cidades como polos festivos, conferindo uma
dimensão territorial à análise da mobilidade espacial sazonal de fes- teiros e foliões em função dos festejos juninos.
Para Castro, há fatores determinantes da polaridade festiva, como a presença de grandes atrações musicais, as megafestas priva- das, a diversidade das manifestações culturais, a construção de cida- des cenográficas, a presença de um centro histórico e o patrimônio ambiental e paisagístico, entre outros, que, em última instância, vão determinar uma hierarquia festiva de centros, fazendo com que as cidades analisadas exerçam uma centralidade efêmera, ancorada na realização de um grande evento cultural. assim,
[…] as especificidades culturais locais/regionais de Amargosa, Cachoeira e Cruz das Almas, descritas e analisadas ao longo deste trabalho, produziram e consolidaram uma polaridade festiva sazonal e de espectro escalar sub-regional, regional e trans-regional, constituindo, assim, áreas de influência que se sobrepõem, interpenetram-se e se complementam.
dialogando com autores de áreas diversas do conhecimento – arquitetura e Urbanismo, Geografia, Filosofia, sociologia, entre outras – o livro é uma excelente contribuição para a reflexão não só do fenômeno das festas urbanas na contemporaneidade, mas também de como a sociedade contemporânea vai criando territórios efêmeros na organização de seu cotidiano, cada vez mais programado e dirigido por estratégias de mercantilização e espetacularização.
após uma pesquisa de fôlego sobre as festas juninas no re- côncavo sul da Bahia, que resultou em sua tese de doutorado, de- fendida em 2008, no Programa de Pós-Graduação em arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal da Bahia, Jânio Castro lança um olhar prospectivo otimista sobre o fenômeno estudado:
[...] além da espetacularização e da mercantilização, as festas
de São João da contemporaneidade ainda são espaço/tempo
do encontro, do reencontro, do congraçamento, da celebração,
das possibilidades de novas sociabilidades, que podem ser via-
bilizadas no espaço íntimo da casa, no espaço funcional da hospedagem ou no espaço coletivo da rua ou mesmo no espaço racionalizado patrimonialmente da arena privada.
e, sem dúvida, o livro de Castro, pode, sim, ajudar na compre- ensão destes fenômenos numa perspectiva espacial e transescalar, lançando novas luzes sobre a ludicidade urbana no período contem- porâneo.
Angelo Serpa
Professor Associado da UFBA, pesquisador do CNPq e-mail: [email protected]