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Para o fotógrafo: ganhar dinheiro exercendo uma atividade artísti- ca e glamurosa num ambiente controlado, com ar-condicionado, conhecer pessoas bonitas, simpáticas e ainda ser reconhecido como artista e ter o ego satisfeito? Fotografar em ambientes externos com três assistentes, produto- res, maquiadores, bebendo suco de laranja gelado?
Para o cliente: objeto de decoração? Afinal, meus amigos também fizeram um ensaio em estúdio. Moda? Registrar uma fase da vida? Con- tar uma história, a história da família? São muitas as variáveis que levam uma pessoa a contratar um fotógrafo retratista, desde uma tradição fa- miliar, passando por modismos ou tendências. Cabe ao fotógrafo fazer o melhor trabalho possível, e dentro do possível criar um vínculo com as pessoas retratadas. Acredito – minha história é assim – que esse vínculo deva romper as barreiras do estúdio de retratos. Afinal, as pessoas que fotografamos no estúdio podem e devem ser clientes em potencial para outras atividades, desde a fotografia social até a publicitária. Sim, até a publicitária. Abra sua mente, que as portas dos negócios se abrirão sua- vemente. Esqueça os rótulos que nós mesmos criamos! Não se importe com comentários de outros fotógrafos, cuide de sua carreira. Quem paga suas contas são seus clientes e não colegas de profissão. Se eu ficasse pre- so a rótulos, principalmente ao de fotógrafo de casamentos, quando se deu o início de tudo, provavelmente você não estaria lendo este livro ago- ra. Cabe a você, como fotógrafo, estar pronto para atender à demanda de trabalhos e outras atividades que podem surgir com os relacionamentos que criamos com os clientes.
Hoje, com as aplicações multimídia e a vasta gama de possibilida- des de serviços que podemos prestar relacionados à fotografia, acredito ser mais viável trabalharmos como produtores de imagens. O estúdio fo- tográfico permite que tenhamos seguimentos agregados que, somados, podem ser responsáveis por manter a empresa funcionando indepen- dentemente de sua participação direta. Devemos pensar como empresa e agir como empresários. Calma, você é fotógrafo, mas sua equipe deve ser multimídia. Neste exato momento, você deve estar pensando: “É fácil para o Tyto falar, ele já tem estúdio, tem clientes etc.” Acredite, nem sem-
A finalidade de um retrato
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Pois bem: e, afinal, como executar um bom retrato? Vamos começar com retratos de estúdio, onde temos um domínio maior sobre a ação e reação da luz sobre as pessoas. A luz é um elemento primordial para o registro fotográfico, mas muita coisa antecede uma boa fotografia. Tratan- do-se da arte de retratar, suponho que estamos falando do registro foto- gráfico de pessoas, concorda? Nesse ponto, destaco o primeiro e mais im- portante item: interação com o personagem. Sim, você precisa conversar com o personagem, de preferência muito antes de uma sessão fotográfica, seja ela em ambientes externos, casamentos, eventos, retratos de gestan- tes e famílias, executivos, empresários, na casa de campo de seu cliente ou dentro de um estúdio. Conversar e sorrir sempre. De maneira natural, claro. Seja uma pessoa feliz naturalmente, sua luz irá refletir em qualquer ambiente. Os primeiros ensaios em estúdio geralmente são mais “tensos”
para nós, fotógrafos, no início de carreira. Por isso, vale a pena você ter amigos/amigas que aceitem ser “cobaias de estúdio”, assim você poderá fazer todo teste de luz que aprendeu em cursos e workshops. Jamais faça testes com o cliente. Você precisa passar confiança e mostrar segurança ao fotografar e dirigir a cena, afinal, está sendo pago para isso. Fazer seu melhor é sua obrigação.
Alguma vez você já se colocou na posição do fotografado? Não? En- tão faça isso antes de qualquer coisa! Seja uma “cobaia de estúdio”. A pri- meira reação de qualquer pessoa quando rodeada de luzes, num fundo infinito, é travar o pescoço. A segunda é perguntar: “O que eu faço que as mãos?” Assim foi, quando estávamos grávidos da minha primeira filha e
Como executar um bom retrato?
pre foi assim. Mas lembre-se, não tente abraçar o mundo. Tenha paciên-
cia, mas seja persistente. Faça as escolhas e exerça atividades diferentes,
desde que você esteja preparado, tenha conhecimento técnico/prático e
equipamentos adequados para a execução do trabalho. Certa vez, ouvi
de um grande arquiteto: “A diferença entre um técnico especialista e um
técnico é de 30 dias”. A partir desse dia, nunca mais tive medo. Pensando
bem, tive medo, sim... O medo é um sentimento fundamental para nosso
crescimento. Principalmente quando rompemos sua barreira e enfrenta-
mos situações desconhecidas.
meu amigo Armando Vernaglia nos fotografou. Eu ficava inquieto, queria ver a foto assim que era feita. O Armando falava: “Tyto, agora eu estou fotografando, se contenha!” E calmamente continuou a sessão de fotos, nos dirigindo e controlando minha ansiedade por ver as fotos. Nunca tenha pressa em começar uma sessão de fotos.
Quando fotografava em filme negativo, eu fotografava praticamente um rolo de 36 poses sem ter filme na câmera. No início da sessão, se você perceber que a pessoa está tensa, faça fotos sem compromisso. Essa é uma das grandes vantagens do digital. Você pode fotografar e mostrar o traba- lho para o cliente ainda na câmera e assim ir ganhando confiança e sentir o desejo real do cliente. Mas cuidado, não faça disso um hábito, caso contrá- rio, a cada clique terá que ficar mostrando a foto, e assim corre o risco de perder o ritmo do ensaio. O início do ensaio é um momento decisivo para você conquistar a confiança de seu cliente. Procure mostrar referências, op- ções de retratos, opções de luzes e assim sentir qual tipo de fotografia agra- da mais o cliente. Não tenha pressa durante o trabalho. Deixe as pessoas à vontade. Assim, além de ir “quebrando o gelo”, você poderá perceber qual tipo de luz e linguagem agrada mais à pessoa. Muitas vezes isso é determi- nante para a linguagem do ensaio. Cada cliente tem gosto próprio e todos gostam de ser exclusivos.
Vale destacar que sua linguagem será um filtro para seus clientes.
Somente irão procurar seu trabalho pessoas que realmente tenham afini- dade com sua linguagem. Portanto, embora mantendo ensaios exclusivos, procure se manter fiel ao seu tipo de linguagem, seu tipo de fotografia. Al- gumas pessoas gostam de fotos mais escuras, luzes mais duras, contraluz.
Outras, porém, gostam de serem fotografadas num momento mais des-
contraído, ou preferem uma pose mais sóbria, mais séria, olhando para a
câmera. Outras simplesmente não gostam de fotos mais livres, e por mais
que você faça inúmeras opções durante o ensaio, as fotos escolhidas serão
as mais básicas. Um ponto a destacar é o limite de intimidade entre o fo-
tógrafo e o fotografado. Fique perto, mas não seja invasivo. Procure sentir
o tipo de fotografia que a pessoa busca, para não oferecer fotos mais ousa-
das a pessoas mais reservadas. Pessoas mais reservadas, principalmente as
gestantes, chegam ao estúdio com uma timidez natural, pois ser fotogra-
fada num estúdio não faz parte de sua rotina. Cabe ao fotógrafo ganhar a
confiança através da demonstração de respeito.
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Às vezes me perguntam: “O que faz uma pessoa sair bem na foto?”
Primeiramente, vamos entender o que é fotogenia: fotogenia é a forma de vermos através de uma imagem fotográfica. Partindo do pressuposto de que a imagem fotográfica é resultado da ação da luz sobre algum objeto ou pessoa, podemos então dizer que qualquer pessoa é fotogênica. O que muda na realidade é o resultado obtido através da combinação entre ação da luz + a reação da pessoa e sua postura na hora de ser fotografada. Ob- viamente, outros fatores por vezes peculiares são os responsáveis por uma pessoa não ser classificada como fotogênica. Geralmente a timidez é um dos principais fatores. Pessoas tímidas, quando expostas em situações que julgam desconfortáveis, podem reagir de diversas maneiras. Algumas re- traem, ficam paradas, travam o pescoço. Outras mexem no cabelo o tempo todo. Algumas não param de falar, ou esboçam um sorriso sem graça na tentativa de driblar a timidez. Quantas vezes você se deparou com uma situação assim? Quase sempre, não é mesmo? Às vezes uma pessoa mui- to bonita pode não ficar muito bem quando fotografada. É muito comum receber pessoas no estúdio que causam impacto visual em sua chegada, pois o conjunto todo se apresenta harmonioso: cabelo bonito, maquiagem,
O que é uma pessoa fotogênica?
“Sua linguagem é um filtro natural de clientes”
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roupas e acessórios que valorizam sua imagem. Mas às vezes nosso olhar nos engana e percebemos isso logo depois das primeiras fotos. Pessoas lindas esteticamente ao serem fotografadas podem revelar um rosto mais arredondado, um perfil mais marcante, ou detalhes que nosso olhar sim- plesmente ignorou. Fique atento ao tipo de rosto, pois isso está diretamente ligado à fotogenia, e cabe a você, fotógrafo, identificar e conseguir o me- lhor resultado. Afinal, todas as pessoas são fotogênicas, apenas precisamos identificar seu melhor ângulo. Alguns tipos mais comuns:
Rosto redondo: geralmente mais curto e largo, sem ângulo
definido, com faces cheias e queixos arredondados.
Rosto quadrado: testa e maxilares largos, geralmente com
aparência mais imponente.
Rosto oval: maxilar e têmporas um pouco mais estreitos.
Rosto triangular: testa mais larga, o desenho vai diminuindo
em direção ao queixo, geralmente bem afinado.
Quando falamos em beleza, devemos ter cuidado com os padrões estéticos e corporais que são adotados pelo mercado, afinal, o belo é sub- jetivo. Quando fazemos um retrato, estamos eternizando enquanto durar aquela fração de segundo. Então, devemos retratar da melhor maneira possível. Alguns fatores podem minimizar situações e melhorar a fotoge- nia das pessoas:
Definir o melhor ângulo: a primeira coisa é identificar traços mar-
cantes, tipo de rosto e possíveis “defeitos”, para determinar o melhor ân- gulo a ser fotografado.
Maneira de sorrir: ao perceber pessoas com um rosto ligeiramente
arredondado, evite fotografar de frente para a câmera. Por mais feliz que
a pessoa possa estar, o sorriso irá acentuar sua característica. Procure um
ângulo ligeiramente inclinado. Posicionar-se num ângulo superior ao fo-
tografado cria uma perspectiva muito diferente ao resultado fotográfico e
evita as famosas “papadas”.
Rosto Redondo
Geralmente mais curto e largo, sem ângulo definido, com faces cheias e queixos arredondados.
Maxilar e têmporas um pouco
mais estreitos. Testa mais larga, o desenho vai diminuindo em direção ao queixo, geralmente bem afinado.
Testa e maxilares largos, geralmente com aparência mais imponente.
Rosto oval
Rosto QuadRado
Rosto tRiangulaR