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RESENHAS REVIEWS
DISCURSOS MÉDICOS SOBRE SERES FRÁGEIS. Marília Bernardes Marques. Rio de Janeiro, Edi-tora Fiocruz, 2001. 88 pp.
ISBN: 85-85676-92-2
Direto, o b jetivo, b en efica m en te sim p les, sin tético, ú til, en tre ou tros, sã o term os q u e se p od e u sa r, com tod a a p rop ried ad e, p ara ad jetivar o trab alh o d e Ma-rília Bern ard es Marq u es q u e acab a d e ser p u b licad o p ela Ed ito ra Fio cru z. Se a gra d á vel d e ser lid o p o r q u a lq u er u m q u e m in im a m en te se in teresse p ela s q u estõ es co rrela ta s à sa ú d e co letiva , p a ra a q u eles q u e in icia m seu en vo lvim en to d ireto em cu rso s d e p ós-grad u ação n a área, p or exem p lo, o livro oferece a o leito r fru tífera s in fo rm a çõ es e leva n ta q u estõ es cu ja im p ortâ n cia p od e ser con sen su a l, m a s, p or ve-zes, n ão p osta d e form a tão con cisa.
A au tora com eça seu trab alh o situ an d o-o n o es-p aço e n o tem es-p o, o q u e es-p or si só já se con su b stan cia com o u m exem p lo acad êm ico a ser segu id o. Os leito-res são colocad os d e im ed iato em con tato d ireto com Marília Bern ard es Marqu es, e levad os a com p artilh ar o d esen ro la r h istó rico d e su a s p esq u isa s, in q u ieta -ções, ações e p osições n o cam p o d a saú d e relacion a-d o a o b in ô m io m ã e-filh o. Sã o esses o s seres frá geis d e q u e o títu lo tra ta e sã o eles ta m b ém o s p erso n a -gen s em torn o d os qu ais o en red o se con strói e a n ar-rativa se en cad eia, só q u e eles jam ais se ap artam d a-qu ela a-qu e sob re eles escreve.
Para além d o esb oço d as com p lexas red es qu e te-cem a s rela çõ es d e p o d er en tre Esta d o, m ed icin a e p esso a s, tra ta -se d e u m a ch a m a d a d e a ten çã o em p rol d a civilid ad e em op osição ao qu e Marília Bern ar-d es Ma rq u es, a p rop ria n ar-d o-se ar-d e Hob sb a wn , ch a m a d e b arb árie. E, p ara ela, n a con stru ção d essa civilid a-d e, os a-d iscu rsos qu e n ela se en gajaram e en gajam p o-d em ser “o-d esm on tao-d os” tan to n aq u ilo q u e io-d eologi-ca m en te en co b ria m e en co b rem , q u a n to n o q u e d e p ositivo traziam e trazem . Em su m a, trata-se d e b otar as id éias n o lu gar e tom ar u m a p osição qu e, talvez, os h istoriad ores con tem p orân eos d a cu ltu ra classifica-riam d e ilu m in ista, esp ecificam en te n o qu e ela con o-ta d e d efesa d os d ireitos h u m an os.
De certa m a n eira , p o d e-se su gerir q u e Ma rília Bern ard es Marq u es realiza u m a n arrativa sob re n ar-ra tiva s q u e se p ro d u ziar-ra m , p o r su a vez, em cim a d e ou tra s n a rra tiva s e, n esse p rocesso, con strói d e m a -n eira p róp ria e a-n alítica su a -n arração sob re as co-n ti-n u id ad es e d escoti-n titi-n u id ad es qu e p au tam o d eseti-n ro-lar h istórico d e p rocessos d e exclu são e in clu são, fo-cad os n as técn icas m éd icas e n as tecn ologias d iscu r-sivas acerca d o b in ôm io m ãe-filh o.
A au tora d esen volve seu p rim eiro cap ítu lo p on d o n o p roscên io a crian ça e a m ed icin a d o ilu m in ista sé-cu lo XVIII. Ap oian d o-se em au tores con sagrad os co-m o Ariés, Ba d in ter e n o ca p ítu lo d e Seid ler so b re a p ed ia tra m o d ern a q u e é u m d o s co m p o n en tes d o tou r d e forced a Historia Un iversal d e la Med icin a d e
En tralgo, Marília Bern ard es Marqu es p ercorre a con s-tru çã o d o esta d o b u rgu ês e d a resp ectiva n o çã o d e q u e su a riq u eza d ep en d e d a q u an tid ad e d e seu s sú -d itos, ou seja, -d e ab u n -d an tes efetivos n u m éricos p a-ra o ta-rab alh o e p aa-ra a gu era-ra. As crian ças e su as p ro-gen itoras gan h am relevo n esse esp aço, as p rim eiras en qu an to sin ôn im o d o fu tu ro e as segu n d as com o as gerad oras d esse fu tu ro. A saú d e d a p op u lação p assa a ser en carad a com o u m a q u estão social estratégica, e n ela a fragilid ad e d a in fân cia é d ecan tad a em p rosa e em verso, sen d o su a d efesa en cam p ad a p or três d is-cu rso s fu n d a m en ta is: o eco n ô m ico, o filo só fico e o d en o m in a d o p ela a u to ra d e in term ed iá rio, co m -p reen d en d o o s veicu la d o s -p o r m éd ico s, m o ra lista s, fila n tro p o s, a d m in istra d o res, p ed a go go s, ch efes d e p olícia q u e escolh eram a m u lh er com o in terlocu tora p rivilegiad a.
O d iscu rso m éd ico cu ja form atação, n o p rim eiro ca p ítu lo, é tra ceja d a via a s tra n sfo rm a çõ es so frid a s p elos h osp itais e p elo ad ven to d a an atom ia p atológica, é ab ord ad o n o segu n d o, ten d o p or b ase su a alian -ça com a escola, trad u zid a n a m áxim a “ed u cação p a-ra a saú d e”. A p reocu p ação d a au toa-ra é d ar con torn os à p u ericu ltu ra , ca ra cteriza n d o -a co m o u m p ro jeto m éd ico-p ed agógico n ascid o n o sécu lo XIX, m as q u e a té h o je é u m d o s co m p o n en tes fu n d a m en ta is d a s p o lítica s p ú b lica s vo lta d a s p a ra a sa ú d e d a s m ã es e d e seu s filh o s. Bo lta n ski, cu ja in flu ên cia n o p en sa -m en to san itarista b rasileiro, é p or d e-m ais con h ecid a, fu n cion a com o o trilh o b ib liográfico em cim a d o qu al a n a rra tiva via ja . É a p resen ta d o a o leitor a rep rod u -ção d e d u as p ágin as d o Ch ild Health Alp h abet(Alfa -beto d a Crian ça Sad ia) q u e, p o r si só , fa la m u ito d a “m issão civilizatória” com a q u al p reten d ia-se d om i-n ar a “b arb árie” d e ei-n tão. Aliad a à escola, a au torid a-d e m éa-d ica foi se exp an a-d in a-d o e p ara além a-d a a-d oen ça com eçou a exercer-se sob re a saú d e. A revolu ção p as-teu ria n a fo rn eceu a s b a ses cien tífica s d o d iscu rso m éd ico e os p receitos d a h igien e in fan til p assaram a ser tra n sm itid o s p o r d iscip lin a s co m o a eco n o m ia d om éstica e a p u ericu ltu ra. E o p an o d e fu n d o d e to-d as essas in iciativas era a alta m ortalito-d ato-d e in fan til as-sociad a à p ob reza, q u e in can savelm en te alim en tava o m ed o d o d esp ovoam en to.
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id éias veicu lad as p ela Reform a San itária, m elh oran -d o-se o san eam en to b ásico, am p lian -d o-se o acesso à águ a lim p a e a com p reen são d a n ecessid ad e d a h igie-n e igie-n a p rep aração d os alim eigie-n tos, im p lem eigie-n taigie-n d o-se fa cilid a d es p a ra a su a p reserva çã o. À a m a m en ta çã o ao seio ap regoad a p elo d iscu rso p u ericu ltor, som a-se a p rod u ção d e u m leite d e vaca d e m elh or qu alid ad e, in icia n d o -se, n o fin a l d a d éca d a d e trin ta d o sécu lo XX, a o ferta in d u stria l d o leite em p ó q u e a ssu m iria escala m u n d ial vin te an os d ep ois. Desp ertad as p elo “fan tasm a d o d esp ovoam en to” tod as essas m u d an ças gan h ariam en orm e vu lto e se d ifu n d iriam ju n tam en -te co m a s p rá tica s m éd ica s q u e seria m en glo b a d a s sob a égid e d a p roteção à m atern id ad e e à in fân cia.
Em seu ú ltim o ca p ítu lo, Ma rília Bern a rd es Ma r-q u es d em on stra r-q u e a retórica d em ográfica r-q u e d om in ou a virad a d o sécu lo XIX p ara o sécu lo XX, n a Eu -rop a Ocid en tal, ecoou n as vozes d os m éd icos b rasi-leiro s e q u e su a tô n ica em o cio n a d a p erm a n ece. A in stigan te tese qu e alavan ca é a d e qu e a secu lar p aixão p ela qu an tificação, d ian te d a realid ad e, acrescen -tou m u ito p ou co ao esclarecim en to d o p rob lem a d as relações en tre saú d e e d esen volvim en to. E p ara soli-d ifica r su a a ssertiva p a rte p a ra revisita r o s esfo rço s d a h istória e d a sociologia n a con stru ção d a p róp ria n o çã o d e d esen vo lvim en to, tra zen d o p a ra o leito r u m a leitu ra clara e, p or isso, elu cid ativa d a ch am ad a tran sição d em ográfica. Tran sp ortan d o q u em a lê p a-ra o p resen te/ fu tu ro d as tecn ob iociên cias e su as ap lcações à saú d e h u m an a, argu m en ta q u e o extraord i-n ário d esei-n volvim ei-n to d a m ed icii-n a d u rai-n te o sécu lo p assad o e q u e, p elo q u e tu d o in d ica, será ain d a m ais su p ersôn ico n esse sécu lo XXI, m an tém a d eterm in ação social d a saú d e d o b in ôm io m ãefilh o. Nem a ên -fase n os asp ectos b iológicos, n em o viés d eterm in ista d os in d icad ores n u m éricos e n em tam p ou co o red u -cio n ism o d o n ovo a rq u étip o d o gen o m a , co n tu d o, con segu iram “ven cer su a com plexidade” (p. 75).
Con clu in d o, Marília Bern ad es Marqu es se coloca p eran te tod as as qu estões qu e su a n arrativa escolh eu arrolar, com o q u e q u eren d o m ostrar q u e as lições d a h istória estão aí p ara q u em d elas q u iser tirar p rovei-to. Po r isso é m a is u m d esa fio d o q u e u m a d ú vid a o qu e d eixa p en d en te n o ar.
Maria Helen a Cab ral d e Alm eid a Card oso
In stitu to Fern an d es Figu eira, Fu n d ação Oswald o Cru z, Rio d e Jan eiro, Brasil.
COMO NASCERAM MEUS ANJOS BRANCOS: A CONSTITUIÇÃO DO CAMPO DA NUTRIÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA EM PERNAMBUCO. Francisco de Assis Guedes Vasconcelos. Recife, Edições Ba-gaço, 2001. 174 pp.
O n ovo livro d o Professor Fran cisco Vascon celos, d a Fa cu ld a d e d e Nu triçã o d a Un iversid a d e Fed era l d e Sa n ta Ca ta rin a , ch ega em b o a h o ra , p o is su p ri u m a lacu n a im p ortan te n a p rod u ção cien tífica d o cam p o d a Nu trição em Saú d e Pú b lica, ao ab ord ar d e form a cu id a d o sa e sistem a tiza d a a co m p lexa co n stitu içã o d essa á rea n o Esta d o d e Pern a m b u co, en tre 1930 e 1982.
O livro tem o p refá cio a ssin a d o p elo Pro fesso r Malaqu ias Batista Filh o, p or sin al u m a escolh a m u ito a p ro p ria d a , p o is ta lvez seja esse o m a is p ro d u tivo e con h ecid o d os an jos. Tam b ém n ão sejam os in ju stos. A a p resen ta çã o d o livro fo i feita d e fo rm a extrem a -m en te en tusias-m ada e con tagian te, n ão per-m itin do ao leitor ou tra coisa se n ão esp erar u m a gran d e leitu ra.
Origin a d o d e su a tese d e d o u to ra d o, d efen d id a n a Esco la Na cio n a l d e Sa ú d e Pú b lica , d a Fu n d a çã o Oswald o Cru z em 1999, Com o Nasceram m eu s An jos Bran cos, con stitu i-se em u m in teressan te exem p lo d e com o u m a tese, com p lexa em su a essên cia, p od e ser d igerid a com o gosto d as b oas leitu ras.
O livro é com p osto p or u m a esclareced ora in tro-d u çã o e cin co ca p ítu lo s b em tro-d esen h a tro-d o s. Ca tro-d a u m ab ord a n a con ta certa a su a tem ática e as com p lexas esp ecificid ad es d os cortes tran sversais selecion ad os p elo au tor. São ao tod o 174 p ágin as, 117 n otas d e ro-d ap é e ro-d ezen as ro-d e citações.
A in trodução de Com o Nasceram m eu s An jos Bran -coscon tem p la en tre ou tros tóp icos, u m a b reve d es-crição d a h istória d o cam p o d a Nu trição n as p rim ei-ras d écad as d o sécu lo XX, o p rocesso d e com o se d eu o in ício d a criação d os p rin cip ais cu rsos d e Nu trição n o Brasil, e com o n ão p od eria d eixar d e ser, u m a cu i-d ai-d osa ap resen tação i-d o livro.
A op ção teórico-m etod ológica d o au tor é o cern e da in trodu ção, o qu e de certa form a, se con fu n de com o q u e d eve ter sid o u m cap ítu lo m etod ológico n a tese. A p esq u isa sob re a con stitu ição d o cam p o d a Nu -triçã o em Sa ú d e Pú b lica fo i rea liza d a segu n d o u m a a b o rd a gem h istó rico -estru tu ra l, co m u so ta n to d a an álise d e fon tes orais, ten d o com o b ase a m etod olo-gia d a h istória oral tem ática, assim com o n a an álise h istórica d as fon tes escritas d isp on íveis.
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d ra d e Lim a Co êlh o, Ja m esso n Ferreira Silva , Ma la -qu ias Batista Filh o, Maria An u n ciad a Ferraz d e Lu ce-n a, Maria Au xiliadora Sace-n ta Cru z Coelh o, Maria Ch ris-tin a Ma lta d e Alm eid a Co sta , Ma rly Co rd eiro Ba ez, Na íd e Regu eira Teo d ó sio, No n ete Ba rb o sa Gu erra e Zélia Milet Cavalcan ti d e Oliveira.
Para a an álise d as fon tes escritas o au tor se valeu d e u m im p ortan te trab alh o realizad o p or Costa (Me -m ória Cien tífica d o Dep arta-m en to d e Nu trição e d as in stitu ições p red ecessoras, 1995b ), n o q u a l estã o registra d o s so b o p o n to d e vista h istó rico, to d a a p ro -d u ção cien tífica -d es-d e 1932, -d o q u a-d ro -d e -d ocen tes d o In stitu to d e Nu trição d a Un iversid ad e Fed eral d e Pern am b u co (INUFPE). A p artir d essa p u b licação, o au tor p ôd e traçar o p erfil q u ali-q u an titativo d a p ro-d u ção cien tífica ro-d e Nelson Ch aves e ro-d os ou tros p es-q u isa d o res d o INUFPE (Arru d a , Mo n teiro, Co êlh o, Ba tista -Filh o, Lu cen a e Ba ez) vin cu la d o s a o ca m p o d a Nu triçã o em Sa ú d e Pú b lica , a o lo n go d o s q u a tro cortes tran sversais (1930-1949; 1950-1963; 1964-1972 e 1973-1982) qu e com p õem o eixo lon gitu d in al d essa in vestigação. Esses cortes corresp on d em a con textos h istóricos esp ecíficos, d a m esm a form a q u e d elim i-tam os cap ítu los do livro e a trajetória dos An jos Bran -cos. É in teressan te a d en om in ação d os títu los d e cad a cap ítu lo (gestação, n ascim en to, crescim en to, rep ro-d u ção e o aro-d eu s), n os qu ais o au tor m etaforicam en te tran sp õe o ciclo d a vid a p ara a con stitu ição d o cam -p o d a Nu trição em Saú d e Pú b lica.
O p rim eiro p eríodo an alisado con tem p lou os an os en tre 1930 e 1949. Esse p eríod o serviu com o u m a es-p écie d e es-p rees-p a ra çã o es-p a ra in stitu içã o d o ca m es-p o d a Nu trição em Saú d e Pú b lica, n o estad o d e Pern am b u -co. Nesse cap ítu lo o au tor ap resen ta o q u e viria a ser a b ase d o con h ecim en to cien tífico d essa área, através d a d iscu ssã o im p lem en ta d a p o r Nelso n Ch a ves, Jo su é d e Castro, Gilb erto Freire e Orlan d o Parah ym . En -tre os d iversos p on tos d e d eb ate, sob ressai p or u m la-d o, a la-d ivergên cia viven ciala-d a p or Castro e Freire acer-ca d a d iscu ssão em torn o d o “aprim oram en to eu gên i-co d o p ovo brasileiro através d e u m a alim en tação ra-cion al”, cab en d o a Castro, segu n d o o au tor, a tese d o m al d a fom e e n ão d a raça. Por ou tro lad o, é in teres-san te con statar a existên cia d e u m elem en to com u m n a id en tid ad e d a ob ra d os qu atro p esqu isad ores an a-lisad os, qu al seja, o qu ad ro d a m iséria social, qu e p o-d e ser b em retratao-d a n os m arin h eiros, m u latos e ca-fu z osd e Freire; n os h om en s caran gu ejosd e Ca stro ; n os catin gu eiros da secad e Parah ym e n os operários e colegiais desn u tridosd e Ch aves.
Os an os cin q ü en ta (1950-1963), foram d efin id os p elo au tor com o o verd ad eiro n ascim en to d os An jos Bran cos, n a m ed id a em q u e u m a série d e fatos esp e-cíficos p erm earam a criação d o Cu rso d e Grad u ação em Nu trição d a UFPE. En tre eles, o au tor d estacou a realização d os Nu trition Su rvey d o In terd ep artm en ta l Co m m ittee o n Nu tritio n fo r Na tio n a l Develo p -m en t (ICNND) e a rea liza çã o p elo s Esta d o s Un id o s, d o p rogram a alim en tos p ara p az n o Nord este Brasi-leiro. No qu e d iz resp eito à trajetória d os d ois p rin ci-p ais ci-p erson agen s d o caci-p ítu lo (Castro e Ch aves), esse p e río d o a ca b a p o r se ca ra ct e riza r p a ra Ca st ro p o r u m a in ten sa ação p olítica e in telectu al, com su a in -d ica çã o p a ra m e m b ro -d a FAO p e lo e st a -d o n ovo -d e Vargas. Já p ara Ch aves, o p eríod o é m arcad o p or im -p o rt a n t e s e st u d o s so b re a fisio lo gia d a s -p ro t e ín a s, assim com o p ela criação d os Cu rsos d e Nu tricion
is-tas e o Cu rso d e Esp ecialização em Nu trição e Saú d e Pú b lica p ara Méd icos.
O terceiro cap ítu lo (O Crescim en to), corresp on d e aos an os en tre 1964 e 1972, p eríod o on d e já h avia si-d o isi-d en tifica si-d o u m n ú cleo in icia l si-d e p esq u isa si-d o res em Nu trição em Saú d e Pú b lica. São d estaqu es d o ca-p ítu lo o s tra b a lh o s d esen vo lvid o s n o s Cen tro s d e Ed u ca çã o e Recu p era çã o Nu tricio n a l (CERNs) e o Program a d e Su p lem en tação Alim en tar Su p ervisad a (SAS). São an os d e d itad u ra, m as p arece q u e à exce-ção d e Castro, exilad o, os p esq u isad ores d o INUFPE con segu iram efetivam en te in stitu cion alizar o cam p o d a Nu trição em Saú d e Pú b lica em Pern am b u co.
Duran te o período 1973-1982, on de o autor con clui a trajetória in vestigada, a discussão cen trouse n a am -p liação das fron teiras de atu ação do gru -p o de -p esqu i-sadores do INUFPE, com u m a abordagem sobre a in s-tituição do II Program a Nacion al de Alim en tação e Nu-trição, além d o en cerram en to d a an álise sob re a p ro-du ção cien tífica de Ch aves e seu s colaboradores. Essa an álise p erm itiu in clu sive, iden tificar u m a divisão n os cam p os d o con h ecim en to em Nu trição em Saú d e Pú -b lica, con solid an d o-se o p rocesso d e d ivisão e esp e-cialização do saber en tre os com p on en tes do grup o.
O q u in to e ú ltim o ca p ítu lo (Ad eu s m eu s a n jo s Bran cos), se con stitu i em u m a revisita d e tod o o p rocesso d e con stitu ição d o Cam p o d a Nu trição em Saú -d e Pú b lica em Pern am b u co, fu n cion an -d o assim , co-m o ca p ítu lo sín tese d e to d o o livro. O a u to r b u sca d iscu tir os d iversos p oten ciais sign ificad os d a h istó-rica exp ressão Meu s An jos Bran cos,criad a p or Nelson Ch aves n os id os d os an os 40, a p artir d e u m a série d e d ep oim en tos. Se você ficou cu rioso acerca d os sign i-ficad os d a exp ressão, com p re o livro e b oa leitu ra.
Gilb erto Kac
Dep artam en to d e Nu trição Social e Ap licad a,
Un iversid ad e Fed eral d o Rio d e Jan eiro, Rio d e Jan eiro, Brasil.
ALGUMAS TESES SOBRE O DESPORTO. Manuel Sergio. Lisboa, Compendium, 2001. 91 pp.
A Saúde Coletiva no Manuel Sérgio contemporâneo
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con d ição in stitu cion al, n ão p ou p ou o ilu stre m estre d e tod os n ós a gen erosid ad e d o con vívio e o p rivilé-gio d o a p ren d iza d o, cu lm in a n d o su a d eferên cia a o com p or a b an ca exam in ad ora q u e ju lgou -m e ap to a assu m ir as fu n ções d e Docen te MS6 n o Dep artam en -to d e Ciên cias d o Esp orte.
Tu d o isto p erten ce à História e com o tal n os sen -tía m o s, q u a n d o fo m o s su rp reen d id o s co m este seu 27olivro já em p len o sécu lo XXI. De fato, ei-lo aqu i n a p len itu d e d e seu fu lgor, tran sitan d o com a n atu rali-d a rali-d e rali-d o s sá b io s e a legitim irali-d a rali-d e rali-d o s estu rali-d io so s n o d iálogo com exp ressões d e Bou rd ieu , Hu izin ga, Feye-rab en d , Ilya Prigogin e, Heid egger, Jü rgen Hab erm as, Ed ga r Mo rin e d e ta n to s o u tro s, co m o sem p re tem feito d esd e su as ob ras sem in ais (Sérgio, 1988, 1995). Ma is q u e tu d o, n o en treta n to, a go ra se o cu p a ta m -b ém , ain d a qu e n a tan gên cia, d o o-b jeto esp ecífico d a relação Saú d e Coletiva-Ativid ad e Física.
Com o Mid a s d o in telecto, toca -a recom p on d o o h ip ertexto n o qu al a m esm a se situ a. Nesta ob ra, qu atro, p arecem e, são os ob jetos p rin cip ais d e su a aten -ção: o d esp orto, a MH, a saú d e e o p rogresso d o d es-p orto. Ta n to a Ed u ca çã o Física é vista com o o b ra ço p ed agógico d a MH, q u an to o d esp orto u m a d as su as ap licações, assim com o o jogo, a dan ça, a fisioterap ia, a ergon om ia e o circo. Portan to, fu lcral ao p en sam en -to sergian o está a com p lexid ad e d a MH, p ersp ectiva-d a com o ectiva-d iz à p ágin a 82 “(...) com m atriz teórica (o ser h u m an o, n o m ovim en to in ten cion al d a tran scen d ên -cia), cam p o em p írico (o corp o, n a in teração d os p ro-cessos biológicos com os valores sócio-cu ltu rais) e u m plan o lógico-reflexivo (em qu e se torn a h ierarqu izada, explicitada e com preen dida a visão do todo)...” Prece-d iPrece-d o o co rte ep istem o ló gico Prece-d a MH , in Prece-d a ga , en tre-m en tes, o p róp rio au tor à p ágin a 83: “Mais u m a qu es-tão ain d a: m as n ão h á elem en tos ap roveitáveis n a Edu cação Física tradicion al? É eviden te qu e h á! O seu con teú d o h u m an o e h u m an iz an te é d e se resp eitar e perpetu ar”.
No co n texto a p o n ta d o, situ a o p en sa d o r o u tro o b jeto d e reflexã o q u e se in sin u a n este h ic et n u n c p elo m en os p ara m im , p ela p rim eira vez: a Saú d e Co-letiva. Partin d o d a con cep ção trazid a à p ágin a 42 d e q u e se trata d e in stân cia d e su p eração d e lim itações, a q u a l já tra b a lh á va m o s a n terio rm en te (Go n ça lves, 1981), a m issão qu e se evoca con siste em garim p ar ao lon go d a ob ra aq u i in trod u zid a, os d iferen tes excer-to s em q u e a Sa ú d e Co letiva é co n sid era d a . Nesse sen tid o, ta m b ém à p á gin a 42, situ a -se a p ro p o siçã o d e estatu to id eológico d a Saú d e qu e se articu la a MH: “(...) u m a defesa in tran sigen te da vida; o respeito in a-lien ável da pessoa h u m an a; u m a atitu de perm an en te d e solid aried ad e...”, p rio rid a d e q u e leva a a tivid a d e física p a ra a lém d o s n íveis m ecâ n ico s d a s co n d u ta s m otoras. Com su a clarid ad e m erid ian a a atin gir a iro-n ia, a p rovocação e até a irritação, à p ágiiro-n a 77 reafir-m a: “(...) A Saú de é u m fen ôm en o social; n ão depen de u n icam en te (n em p rin cip alm en te) d e m eia d ú z ia d e saltos ou de corridas (...)”. Aí está a con firm á-lo, o p rod u to rod o m ovim en to san itário b rasileiro, i. e., a ab ran -gên cia d e n ossa Con stitu ição Cid ad ã q u e recon h ece a Saú d e com o d ever d o Estad o e d ireito d e Cid ad an ia. Três sã o a s d im en sõ es q u e, d eco rren d o d essa id éia-cen tral acerca d a id en tid ad e coletiva d a Saú d e, id en tificam -se e elegem -se em Man u el Sérgio, às p á-gin as 56 e 57, p ara im ed iata exp licitação: as resp ecti-vas com pon en tes política, m etodológica e profission al.
Em relação à p rim eira, trata-se d a “(...) recu sa à ação qu e se polu iu pelos exageros do u n iverso tecn ológico e pelas taras da sociedade n eo-liberal qu e é a n ossa (...)”. Aí está ele referin d o -se, p o r u m la d o, a o excesso d e recu rsos d iagn ósticos e terap êu ticos, q u e su b stitu i a m eticu losa relação d o acolh er, cu id ar e in tervir, e, n o co m p lem en to d e su a a firm a çã o, a p erversa a ssim e-tria d a a ssistên cia d iferen cia d a d e p rim eira e d e se-gu n d a cla sse à sa ú d e d a s p esso a s, i. e. d a q u ela s a q u em o m od elo econ ôm ico ocid en tal vigen te p erm ite, e d aqu elas a qu e exclu i, o acesso aos p roced im en -tos d a Saú d e.
A a ten çã o p a ra co m a m eto d o lo gia está n a d e-n ú e-n cia d o “u so e abu so da in vestigação qu an titativa e o dem asiado descon h ecim en to da in vestigação qu ali-tativa”. Em ou tros term os, com o já exp loram os an te-riorm en te (Gon çalves, 1990): q u an d o a sign ificân cia estatística ap on ta p ara o sign ificad o social, é q u e se está a p roxim a n d o d a d eterm in a çã o d o s fa to s. Em su as p alavras, a ab ran gên cia aqu i está em qu e “(...) se tod o o real é com p lexo, o qu an titativo e o qu alitativo d evem in tegrar qu alqu er in vestigação cien tífica; com isso n ão se en tra n u m a fase ocam en te retórica, n em se dispen sam os m étodos laboratoriais ou experim en tais: m as acen tu a-se qu e o con h ecim en to é u m a p rod u ção in terp retativa e criad ora, p ara além d os resu ltad os em píricos (...)”.
Con clu in d o, record e-se su a assertiva sob re a n a-tu reza d o s recu rso s h u m a n o s seto ria is: d evem ser m u ltip rofission ais as eq u ip es p rom otoras d e saú d e; em tod as elas h á d e ser p resen te a d ign id ad e d as p es-soas e a com p lexid ad e h u m an a, além d o ap elo d o ju í-zo m oral qu e d elas d ecorre.
Com o já se d isse acim a, tod as essas con statações referen tes à Sa ú d e Co letiva fo ra m a p reen d id a s n a ob ra em ap reço n ão p orqu e se m ostrem su b stan tiva-m en te, tiva-m a s a tra vés d o q u e ch a tiva-m a tiva-m o s d e “exegese garim p eira”. A exp ectativa q u e se erige é q u e se trate d e in cu rsão exp loratória p or este cam p o d e estu d o e in terven çã o, e q u e a reflexã o q u estion a d ora e con s-tru tiva d o a u to r seja a tra íd a m a is a m p la m en te p ela m atéria, d e sorte a trazer con trib u ições sen tid as p ara o en ten d im en to e su p era çã o d o d u p lo d esa fio q u e h o je vivem o s n o Bra sil: red u zir a s in iq ü id a d es e ex-clu sões d e n ossa p rática assisten cial, p elo fortaleci-m en to d e n ossa in stitu ição áu rea, o Sistefortaleci-m a Ún ico d e Saú d e.
Agu in ald o Gon çalves
Gru p o d e Saú d e Coletiva/ Ep id em iologia e Ativid ad e Física, Facu ld ad e d e Ed u cação Física, Un iversid ad e d e Cam p in as, Cam p in as, Brasil.
GONÇALVES, A., 1981. A sa ú d e e a p o p u la çã o : Co n -trib u içã o p a ra en ten d im en to d este b in ô m io em n osso m eio. Ciên cia e Cu ltu ra, 33:1425-1429. GONÇALVES, A. & CARNEIRO-LEÃO-RIBEIRO, M.,
1990. O en sin o d a esta tística p a ra n ã o esta tísti-cos. Revista Brasileira d e Ciên cias d o Esp orte, 11: 190-192.
SÉRGIO, M., 1988. Para u m a Epistem ologia da Motri-cidade Hu m an a. Lisb oa: Com p en d iu m .