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Rev. Bras. Enferm. vol.55 número6

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Academic year: 2018

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RESENHA

OLIVEIRA, FRANCISCA BEZERRA DE. CONSTRUINDO SABE RES E PRÁTICAS EM

SAÚDE MENTAL. JOÃO PESSOA: EDITORA U NIVERSITÃRIAlUFPB,

2002. 233

p.

Maria Lucinete Fortunat01

Este foi o problema que q u is ind icar. Não foi i ntimidar os espiritos mostra n d o- l h e s a e n o rm e q u a nt i d a d e de sa beres d iversos n e c e s s á r i o s p a ra se co n h e c e r o co n h ec i m e n to . Foi fazer compreender q u e con h ecer é uma aventura incerta, frágil, d ificil , trágica.

Morin

A autora do livro é professora do Centro de Formação de Professores da U niversidade Federal de Campina Grande - PB, com formação em Enfermagem , Mestra em Enfermagem Psiquiátrica pela Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo. É pesquisadora do CNPq, Líder do Grupo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Educação, Linguagem e Práticas Sociais e Assessora de Pós-Graduação e Pesquisa do CFP/U FCG.

Considero que a escolha do objeto de estudo "Centros de atenção psicossocial do Ceará" com destaque para a reforma psiquiátrica feita por Oliveira foi muito feliz por se tratar de u m tema atual, complexo, polêmico e instigante, inscrevendo-se em uma ordem de preocupações interdisciplinares. Realizado na i nterface de várias ciências humanas, este estudo, resultado de sua Tese de Doutorado, alça vôos mais longínquos e advoga uma ética compreendida como tudo aquilo que se refere ao belo, ao estético, ao digno e ao moralmente adequado. Advoga uma ética comprometida com anseios mais d ignos e justos para a condição humana.

A autora desenvolve u m estudo que objetiva descrever e refletir sobre o processo de construção dos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS do estado do Ceará , priorizando as estratégias de construção destes serviços, tentando apreender como os profissionais constroem suas práticas, desenvolvem os projetos terapêuticos, estabelecem relações com os usuários, os familiares e com a comunidade.

Além disso, procura dar ênfase à compreensão da prática da enfermeira nos CAPS como forma de contribuir para a discussão sobre o modo de inserção das enfermeiras em instituições que são norteadas pelos princípios da reforma psiquiátrica, inauguradas a partir da ruptura epistemológica proposta pela desinstitucionalização.

Este estudo seguiu um horizonte diverso onde se move o objetivismo empirista o qual postula que o objeto impõe­ se ao sujeito e o relativismo subjetivista que acredita ser o sujeito inventor da realidade. A autora adotou a posição de que a realidade é socialmente constru ída e o conhecimento n unca esgota o pensado , pois a realidade é mais rica que a construção que dela fazemos e o acesso à realidade é sempre mediado pela participação do sujeito como construtor do conhecimento, levando a sugerir que não é próprio da ciência refletir o real , mas traduzi-lo em conhecimento que se constitui historicamente, que pode e deve ser questionado. Adotar esta postura, i mplica conceber a ciência como parte integrante e dependente de u m contexto cultura l , social e histórico no seio da qual se desenvolve.

A partir de questionamentos sobre os saberes e as práticas em saúde mental, o livro procu ra explorar as multipossibilidades de atenção em saúde mental, a necessidade da interdisciplinaridade, a abertura de novas potencialidades, a construção de novas subjetividades e de novas formas no cuidar das pessoas com sofrimento psicossocial.

Defende que essas práticas devem se constituir em atividades humanas criadoras, afetivas e compartil hadas, configurando-se como atividades de desconstrução/construção de conceitos sobre a loucura , de formas como lidar com o sofrimento psíquico, de papéis que se expressam no cotidiano institucional , no diálogo e no confronto entre as práticas sociais.

Considero, portanto, u m livro bem escrito, que estimula o leitor, historicisa e contextualiza o processo de reforma psiquiátrica e de desinstitucionalização, tendo como fundamentação teórica autores como Foucault, Caltel, Birman, Morin, Prigogine, e outros, demonstrando que a verdade na ciência é algo difícil de ser alcançado e provisório, que o processo de produção do conhecimento, por vezes, exige u m pluralismo metodológico que combine o uso articulado de várias técnicas de investigação.

Construindo saberes e práticas em saúde mental constituirá , segu ramente, em referência obrigatória tanto para estudantes, profissionais da área de saúde mental - especialmente enfermeiras(os) - quanto para todas as pessoas seduzidas pelo tema da loucura , da doença mental, da reforma psiquiátrica, da desinstitucionalização e das novas formas de cuidar em saúde mental.

1 H istoriadora, P rofessora Douto ra d o Departamento d e C iências Sociais d o Centro d e Formação de Professores d a

U niversidade Federal de Campina G rande - PB (UFCG).

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