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Direito Processual Penal

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Academic year: 2022

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Direito Processual Penal

Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça Militar de MG– Aula 07

Prof. Bernardo Bustani

(2)

Sumário

SUMÁRIO 2

APRESENTAÇÃO 3

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 4

PROCEDIMENTO COMUM 6

1) PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO 9

1ª Fase – Rejeição ou recebimento da denúncia/queixa 9

2ª Fase – Citação do Acusado 11

3ª Fase – Resposta à acusação 11

4ª Fase – Absolvição sumária 12

5ª Fase – Audiência de instrução e julgamento 13

6ª Fase – Diligências 14

7ª Fase – Alegações finais 14

8ª Fase – Sentença 16

9ª Fase – Registro de audiência 17

2) PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO 18

2.1)Prazo para realização da audiência 18

2.2)Testemunhas 18

2.3)Inexistência da fase de diligências 18

2.4)Alegações finais 18

2.5)Sentença oral 18

3) PROCEDIMENTO COMUM SUMARÍSSIMO 20

1ª Fase – Preliminar (audiência preliminar) 21

2ª Fase – Procedimento sumaríssimo (audiência de instrução e julgamento) 26 PROCEDIMENTO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS 33

PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI 35

1) 1ª FASE →PRONÚNCIA 37

1.1)Manifestação do autor da ação penal 37

1.2)Prazo para a realização da audiência 37

1.3)Não há “fase de diligências” 37

1.4)As alegações finais são sempre orais 37

1.5)Prazo para a conclusão da 1ª fase 38

2) 2ª FASE →PLENÁRIO 43

2.1)Os jurados 43

2.2)Os debates 44

2.3)Desclassificação na 2ª fase 46

QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 47

LISTA DE QUESTÕES COMENTADAS 55

GABARITO 59

RESUMO DIRECIONADO 60

(3)

Apresentação

Olá, tudo bem? Eu sou o Professor Bernardo Bustani Louzada. Atualmente, atuo como Assessor Adjunto de gabinete de Desembargador Federal, no Tribunal Regional Federal da 1º Região.

Vou contar um pouco da minha história: Fui aprovado em 1º lugar nacional para o cargo de Técnico Judiciário/Área Administrativa do TRF da 1ª Região (2017) e também consegui aprovação para o cargo de Analista Processual da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (2017).

Sou ex-Advogado, graduado em Direito pelo IBMEC – Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais - e pós- graduado em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes – UCAM.

Posso dizer que eu tenho uma grande afinidade com o Direito Processual Penal, tendo sido a matéria escolhida para os meus Trabalhos de Conclusão de Curso e para a segunda fase da OAB.

Na minha trajetória, não é exagero dizer que poucas pessoas me ajudaram e acreditaram na minha capacidade, mas as que acreditaram foram suficientes para que eu confiasse no meu trabalho. Pretendo ajudar e confiar em cada um de vocês, pois eu, como concurseiro, sei o que significam as palavras “cobrança”,

“frustração” e “pressão”.

Meu conselho é: estude, tenha paciência e trabalhe a sua confiança, pois o sentimento de aprovação é capaz de apagar tudo de ruim. Não é impossível, basta acreditar.

E é com muito prazer que, junto com o Professor Alexandre Salim, direcionarei vocês na disciplina de Direito Processual Penal. Minha meta é a sua aprovação. Para isso, abordaremos o que realmente cai e como cai.

Não hesitem em entrar em contato para tirar dúvidas:

(4)

Conteúdo Programático

O edital trouxe o conteúdo da seguinte forma:

DIREITO PENAL 1. Crimes contra a Administração Pública: Dos Crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Dos crimes praticados por particular contra a administração em geral. Dos crimes contra a administração da justiça.

DIREITO PROCESSUAL PENAL 1. A norma processual penal no tempo e no espaço. Interpretação da norma processual penal. 2. Fontes do Direito Processual Penal. Aplicação da lei processual penal.

Princípios disciplinadores do Direito Processual Penal. As garantias constitucionais e o Processo Penal.

3. Polícia e Inquérito Policial. 4. Ação Penal. Ação Civil. 5. Jurisdição. Órgãos de Jurisdição Penal.

Competência. Métodos de determinação e modificação da competência. Conflito de jurisdição.

Conflito de Competência. Competência da Justiça Federal e da Justiça Militar Estadual. 6. Sujeitos do processo. Capacidade processual. Legitimidade. O Ministério Público e seu assistente. Acusado e defensor. O interrogatório do acusado e a ampla defesa. Princípios que regem o contraditório. 7.

Processo e procedimento. Dos procedimentos comuns e especiais. 8. Das medidas assecuratórias. 9. Da insanidade mental do acusado. 10. Das provas. 11. Instrução criminal. Prisão e suas modalidades.

Liberdade provisória. Fiança. Citações e intimações. Questões e processos incidentes. 12. Sentença criminal; formalidades essenciais; declaração da sentença; nova definição jurídica do fato; publicidade;

efeitos. A validade da sentença condenatória criminal enquanto coisa julgada inconstitucional. 13.

Crimes de competência do júri e do juiz singular. Pronúncia. Impronúncia. Absolvição sumária.

Desclassificação. Desqualificação. Libelo. Quesitos. Do julgamento pelo júri. 14. Recursos. Fontes normativas dos recursos. Classificação dos recursos. Procedimento recursal. Efeitos dos recursos. Juízo de admissibilidade. Extinção anormal das vias recursais. Dos recursos em espécie. Nulidades.

Portanto, nosso curso foi dividido assim:

Número da Aula

Data de Disponibilização

Assunto

00 21/01/2020 (PENAL) Aula Demonstrativa

01 27/01/2020 (PENAL) Crimes contra a Administração Pública: Dos Crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Dos crimes praticados por particular

contra a administração em geral. Dos crimes contra a

administração da justiça.

(5)

TD 05/02/2020 Teste de Direção

00 10/02/2020 (PROCESSUAL PENAL) A norma processual penal no tempo e no espaço. Interpretação da norma processual penal. 2.

Fontes do Direito Processual Penal. Aplicação da lei processual penal. Princípios disciplinadores do Direito Processual Penal. As

garantias constitucionais e o Processo Penal.

01 15/02/2020 (PROCESSUAL PENAL) 3. Polícia e Inquérito Policial. 4.

Ação Penal.

TD 22/02/2020 Teste de Direção

02 28/02/2020 (PROCESSUAL PENAL) 5. Jurisdição. Órgãos de Jurisdição Penal. Competência. Métodos de determinação e modificação

da competência. Conflito de jurisdição. Conflito de Competência. Competência da Justiça Federal e da Justiça

Militar Estadual.

03 05/03/2020 (PROCESSUAL PENAL) Ação Civil. 8. Das medidas assecuratórias. 9. Da insanidade mental do acusado. Questões e

processos incidentes.

04 10/03/2020 (PROCESSUAL PENAL) 10. Das provas. O interrogatório do acusado e a ampla defesa. Princípios que regem o

contraditório.

(6)

Procedimento Comum

Nesta aula, estudaremos os principais procedimentos do Direito Processual Penal. Como em todas as aulas, primeiramente, preciso explicar o que é “procedimento”.

Procedimento é o modo pelo qual algo é executado. Em outras palavras, é a forma como determinada

“coisa” se desenvolve. No caso da nossa aula, essa “coisa” é o Processo Penal (Ação Penal).

Em resumo, é o meio pelo qual a ação penal se desenvolve. Diz respeito, portanto, ao trâmite legal do processo.

O procedimento pode ser comum ou especial.

O procedimento comum, em regra, é o procedimento utilizado. Ele pode ser ordinário, sumário ou sumaríssimo (Lei 9.099/95 - Juizados Especiais Criminais).

O procedimento especial, por sua vez, incide em ações penais específicas (por exemplo, em crimes praticados por funcionários públicos, em crimes de competência do tribunal do Júri e na Lei de Drogas – Lei 11.343/06).

Isso está no CPP, veja:

Art. 394. O procedimento será comum ou especial.

§ 1º O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo:

§ 2º Aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposições em contrário deste Código ou de lei especial.

Procedimento

Comum

Ordinário

Sumário

Sumaríssimo (Lei 9.099/95)

Especial

(7)

Professor, já que estamos falando de procedimento comum, como eu sei se ele será ordinário, sumário ou sumaríssimo?

Isso também está no CPP, olhe:

Art. 394, parágrafo 1º,

I - ordinário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;

II - sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;

III - sumaríssimo, para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da lei.

Ou seja:

✓ Se o crime tiver pena privativa de liberdade igual ou superior a 04 anos, o procedimento será o ordinário.

✓ Se a sanção penal for menor que 04 anos e a infração não for de menor potencial ofensivo, o procedimento será o sumário.

✓ Por fim, se a infração for de menor potencial ofensivo, o procedimento será o sumaríssimo.

Lembre-se de que as infrações penais de menor potencial ofensivo estão assim definidas na Lei 9.099/95:

Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.

É importante dizer que no procedimento comum leva-se em consideração o concurso de crimes (matéria de Direito Penal). Isso quer dizer que, para fins de “enquadramento”, as penas devem ser somadas ou aumentadas, de acordo com o tipo de concurso de crimes.

Exemplo: Caio comete 03 crimes em concurso material. A pena para os três crimes é de 02 anos (cada um).

Sendo assim, elas serão somadas.

Chegando à pena de 06 anos, o procedimento será o ordinário.

(8)

Feita essa introdução, entraremos agora no procedimento comum ordinário.

Procedimento Comum

Ordinário

Pena privativa de liberdade igual ou superior a 04 anos

Sumário

Pena privativa de liberdade maior que 02

e menor que 04 anos.

Sumaríssimo

Contravenções penais e crimes com pena privativa de até 02

anos.

(9)

1) Procedimento comum ordinário

Como visto, o procedimento comum ordinário é utilizando quando o crime traz pena privativa de liberdade igual ou superior a 04 anos.

Antes de analisar as “fases”, preciso dizer que os processos que apurem crimes hediondos terão prioridade de tramitação, veja:

Art. 394-A. Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de tramitação em todas as instâncias.

Muita atenção, pois esse dispositivo é relativamente recente (foi introduzido em 2016).

Quando um crime precisa ser punido através do procedimento ordinário, tudo começa com a denúncia ou com a queixa.

A denúncia é a peça processual oferecida pelo Ministério Público, nos crimes de ação penal pública. A queixa é a peça processual oferecida pelo querelante/ofendido, nos crimes de ação penal privada.

Em síntese, a denúncia e a queixa são a “petição inicial” do processo penal.

E depois, professor, o que acontece?

Veremos isso agora.

1ª Fase – Rejeição ou recebimento da denúncia/queixa

Após o oferecimento da inicial (denúncia ou queixa), o Juiz pode rejeitá-la, se entender que há hipótese legal para tanto, ou recebê-la, se entender que a peça processual está devidamente instruída.

Em outras palavras, se o Juiz recebe, é porque “está tudo ok”. Se o Juiz rejeita, é porque há um “defeito”

formal.

Portanto, é correto dizer que a rejeição da denúncia ou da queixa não acarreta resolução do mérito (não se absolve nem condena).

Olhe o que diz o CPP:

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:

I - for manifestamente inepta;

Uma peça inepta é aquela que não atende às exigências legais. Um bom exemplo é o artigo 41 do CPP, o qual traz alguns requisitos formais.

Veja:

(10)

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.

A Justa Causa é o suporte mínimo de provas que sustentam o exercício da ação penal (prova da materialidade do delito e indícios de autoria). Se não há prova da materialidade nem indícios de autoria, não poderá haver ação penal.

A Justa Causa é, portanto, uma condição da ação penal.

É importante dizer que, se o Juiz rejeitar a denúncia ou a queixa, em regra, caberá recurso em sentido estrito.

Olhe o que diz o CPP:

Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:

I - que não receber a denúncia ou a queixa;

Em regra, professor?

Sim, pois no procedimento sumaríssimo (Lei 9.099/95), o recurso cabível é o de apelação.

Art. 82. da Lei 9.099/90 - Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

Não sendo a denúncia/queixa rejeitada, ela será recebida e o processo seguirá.

Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias

(11)

Professor, e se o Juiz estiver em dúvida (receber ou não receber)?

Nesse caso, deve receber, pois nesta fase vigora o princípio do in dubio pro societate. Em síntese, privilegia- se a persecução criminal e não o indivíduo. É o contrário do princípio do in dubio pro reo.

OBS: Lembre-se de que a prescrição (matéria de Direito Penal) é interrompida com o recebimento da peça acusatória.

Art. 117 do CP - O curso da prescrição interrompe-se:

I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;

2ª Fase – Citação do Acusado

Como visto pelo artigo 396 do CPP, havendo recebimento da denúncia, o réu será citado para oferecer uma resposta à acusação, no prazo de 10 dias.

A finalidade é dar conhecimento de que há um processo instaurado e permitir a possibilidade de defesa.

Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias

3ª Fase – Resposta à acusação

A resposta à acusação é a peça processual que permite o exercício do direito de defesa. Neste momento processual, o acusado pode alegar tudo o que interessar a sua defesa. Além disso, pode apresentar/especificar provas, documentos e arrolar testemunhas.

Veja:

Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.

Como o réu pode alegar “tudo”, a doutrina diz que aqui incide o chamado princípio da concentração da matéria de defesa. O prazo, como já visto, é de 10 dias.

O parágrafo 1º diz que as exceções (procedimentos incidentais, nos quais se alegam determinados fatos processuais) serão processadas em outros autos (apartados).

§ 1º A exceção será processada em apartado, nos termos dos arts. 95 a 112 deste Código.

(12)

Professor, você falou que aqui é o momento de alegar tudo. E se o acusado ficar inerte (parado)?

Nesse caso, de acordo com o parágrafo 2º, o Juiz deverá nomear defensor para oferecer a resposta à acusação.

§ 2º Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias.

Isso se explica porque ninguém pode ser julgado nem processado sem defesa técnica. Lembre-se de que a defesa técnica, um subprincípio da ampla defesa, é irrenunciável pelo réu.

Portanto, é correto dizer que a resposta à acusação é obrigatória.

Observe a Súmula 523 do STF:

Súmula 523 do STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.

OBS: No Processo Penal, não se aplica a revelia do Processo Civil.

4ª Fase – Absolvição sumária

Após a resposta à acusação ser oferecida, o Juiz irá valorar os argumentos trazidos. Se entender que há uma das hipóteses legais, o acusado poderá ser absolvido sumariamente. Em outras palavras, o réu será absolvido de imediato.

É exatamente por isso que o indivíduo deve alegar tudo, absolutamente tudo, na resposta à acusação.

Veja que as hipóteses de absolvição sumária estão no artigo 397 do CPP. Trata-se de matéria de Direito Penal (tipicidade, ilicitude, culpabilidade e punibilidade).

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:

I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;

II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade;

III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou IV - extinta a punibilidade do agente.

Perceba que as causam devem ser “manifestas” ou “evidentes”. Essas expressões se traduzem em certeza.

Isso porque a absolvição é sumária, ou seja, sem análise profunda do fato.

(13)

Professor, e se o Juiz estiver em dúvida (absolver sumariamente ou não)?

Nesse caso, o processo também deve prosseguir, pois nesta fase vigora o princípio do in dubio pro societate.

Em síntese, privilegia-se a persecução criminal e não o indivíduo.

Se, no entanto, ao final do processo, a dúvida persistir, o acusado deverá ser absolvido, em homenagem ao princípio do in dubio pro reo/favor rei.

5ª Fase – Audiência de instrução e julgamento

Se a denúncia/queixa for recebida e não for o caso de absolvição sumária, será designada uma audiência.

Nesse momento processual, provas poderão ser produzidas (inquirição de testemunhas e esclarecimento dos peritos, por exemplo). Além disso, ouve-se a vítima e o acusado.

Veja:

Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente.

Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.

§ 1º As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias.

§ 2º Os esclarecimentos dos peritos dependerão de prévio requerimento das partes.

Art. 399, §1º O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório, devendo o poder público providenciar sua apresentação.

OBS: Note que o acusado deve ser interrogado por último!!!!!

Isso se explica porque ele deve ser capaz de negar os argumentos expostos pela acusação.

Muita atenção aqui, pois a inversão na ordem do artigo 400 do CPP pode configurar uma nulidade, dependendo do caso concreto.

OBS 2: A Lei de Drogas (Lei 11.343/06) não traz o interrogatório como último ato da AIJ.

No entanto, o Supremo Tribunal Federal diz que, mesmo assim, o acusado deverá ser ouvido no final da audiência.

(14)

Muita atenção, pois o STF tem entendimento diferente do que diz a Lei.

O parágrafo 2º do artigo 399 nos diz que o Juiz que presidiu a audiência (instrução) deverá proferir a sentença, veja:

Art. 399, § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.

Isso tem o nome de princípio da identidade física do juiz e se explica porque o Juiz que teve o “contato”

com a prova (ouviu o acusado, ouviu o ofendido, ouviu as testemunhas, etc.) tem maior possibilidade de proferir uma sentença que traduza a verdade real, ou seja, o que realmente aconteceu no caso concreto.

O artigo 401 do CPP nos traz o número de testemunhas que poderão ser arroladas (chamadas) por cada parte. Esse número é de 08.

Art. 401. Na instrução poderão ser inquiridas até 8 (oito) testemunhas arroladas pela acusação e 8 (oito) pela defesa.

§ 1º Nesse número não se compreendem as que não prestem compromisso e as referidas.

§ 2º A parte poderá desistir da inquirição de qualquer das testemunhas arroladas, ressalvado o disposto no art. 209 deste Código.

O parágrafo 1º diz que, no número de 08, não são incluídas as que não prestarem compromisso (hipótese do artigo 208 do CPP) e as referidas (aquela pessoa mencionada nas declarações das partes ou de testemunhas).

Exemplo de testemunha referida: Caio, testemunha, menciona que Tício presenciou um determinado fato.

Sendo assim, Tício, testemunha referida, poderá ser convocado para prestar depoimento.

6ª Fase – Diligências

Após a AIJ (Audiência de Instrução e Julgamento), o processo já “tem” as provas que foram produzidas.

Sendo assim, as partes poderão requerer diligência, se houver necessidade.

Art. 402. Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução.

Observe que não é qualquer diligência, é a diligência que teve sua necessidade surgida após a AIJ.

7ª Fase – Alegações finais

Após as diligências, o processo já está “pronto”. Ou seja, já pode ser julgado.

(15)

No entanto, se dá às partes a última oportunidade de se pronunciar acerca de tudo o que foi apurado. Essa oportunidade tem o nome de alegações finais.

Aqui, temos uma peculiaridade.

Se não houver o requerimento de diligências ou se o Juiz não concordar com tal requerimento, as alegações finais serão oferecidas de forma oral (20 minutos, prorrogáveis por mais 10), na própria audiência. Em seguida, o juiz proferirá sentença.

Essa é a regra geral.

Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença.

§ 1º Havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um será individual.

Perceba, mais uma vez, a ordem. Primeiro a acusação oferece as alegações e depois a defesa. Além disso, o tempo é contado individualmente para cada acusado.

De acordo com o parágrafo 2º, o assistente do MP tem direito de falar por 10 minutos. Nesse caso, o tempo da defesa sofrerá o mesmo acréscimo.

§ 2º Ao assistente do Ministério Público, após a manifestação desse, serão concedidos 10 (dez) minutos, prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa.

Excepcionalmente, se o caso for difícil (complexo) ou se houver grande número de acusados, o Juiz poderá conceder 05 dias para a apresentação de alegações finais escritas, peça processual chamada de “memoriais”.

Nesse caso, o Juiz proferirá sentença em 10 dias.

Art. 403, § 3º O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença.

Excepcionalmente, se as diligências da fase anterior forem ordenadas, também haverá apresentação de alegações finais escritas (memoriais).

Nesse caso, o Juiz também proferirá sentença em 10 dias.

Art. 404. Ordenado diligência considerada imprescindível, de ofício ou a requerimento da parte, a audiência será concluída sem as alegações finais.

(16)

Parágrafo único. Realizada, em seguida, a diligência determinada, as partes apresentarão, no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias, suas alegações finais, por memorial, e, no prazo de 10 (dez) dias, o juiz proferirá a sentença.

COMO CAI: CESPE/2012 – TJ/RR - Ricardo, de dezoito anos de idade, convidou seu irmão Flávio, de dezesseis anos de idade, para ir a uma casa noturna. Já no interior desse estabelecimento, Ricardo subtraiu de uma mulher

— enquanto Flávio perguntava-lhe as horas, distraindo-a — sua bolsa pessoal, com dinheiro e documentos, que estava em cima de uma mesa atrás da vítima. Ao tentarem sair do estabelecimento comercial, foram abordados pelo segurança da casa noturna, que apreendeu a bolsa da vítima, que estava na posse de Ricardo, e deteve os irmãos até a chegada de policiais militares acionados por outros empregados da casa noturna. Os policiais militares que abordaram Ricardo e Flávio encontraram, em poder de Flávio, uma arma de fogo municiada com um cartucho não deflagrado. A arma de fogo era legalmente registrada em nome de um policial militar que, cinco meses antes, registrou ocorrência policial por crime de furto em sua residência. No curso da instrução criminal, foi realizado exame médico-legal para verificar a integridade mental de Ricardo, por meio do qual se constatou que o acusado tinha inteira capacidade de entender o caráter ilícito do fato. Foi verificado que Flávio não havia cometido anteriormente nenhum ato infracional análogo à prática de crime.

Com relação ao caso hipotético relatado acima, julgue os itens de 111 a 114, à luz do Código de Processo Penal.

Após encerrada a instrução processual, o juiz que a presidiu a deverá proferir a sentença no prazo de cinco dias.

GABARITO: ERRADO.

COMENTÁRIOS: A questão faz uma grande confusão.

Em regra, a sentença é proferida na própria audiência.

Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações finais orais por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença.

Excepcionalmente, o Juiz pode proferi-la depois. No entanto, nesse caso, o prazo é 10 dias, não de 05 dias.

Art. 403, § 3º O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença.

Portanto, independentemente da regra ou da exceção, a assertiva está errada.

8ª Fase – Sentença

Em seguida, o Juiz proferirá sentença, matéria estudada separadamente.

Em resumo, a sentença é a decisão judicial que encerra o processo, absolvendo ou condenando o réu (pelo menos em primeira instância).

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9ª Fase – Registro de audiência

Por fim, tudo o que ocorrer na audiência deverá ser registrado.

Art. 405. Do ocorrido em audiência será lavrado termo em livro próprio, assinado pelo juiz e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes nela ocorridos.

§ 1º Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das informações.

§ 2º No caso de registro por meio audiovisual, será encaminhado às partes cópia do registro original, sem necessidade de transcrição.

Para facilitar seu estudo, coloquei o Procedimento Comum Ordinário esquematizado.

a)Oferecimento da denúncia/queixa

b)Rejeição

b)Recebimento

c)Citação do acusado para responder à

acusação

d)Absolvição sumária

d)Prosseguimento do processo

d)Prosseguimento do

processo e)AIJ

f)Alegações

finais g)Sentença

f)Diligências g)Alegações

finais h)Sentença

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2) Procedimento Comum Sumário

O procedimento sumário, como é chamado, é muito parecido com o procedimento ordinário. Na prática, é um procedimento mais simples.

Sendo assim, veremos apenas as diferenças, ok? Elas são 05.

2.1)Prazo para realização da audiência

No procedimento ordinário, a AIJ deverá ser realizada no prazo máximo de 60 dias. Aqui, o prazo máximo é de 30 dias.

Art. 531. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 30 (trinta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, se possível, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado e procedendo-se, finalmente, ao debate.

2.2)Testemunhas

No procedimento ordinário, o número de testemunhas é 08 para cada parte. Aqui, o número é de 05.

Art. 532. Na instrução, poderão ser inquiridas até 5 (cinco) testemunhas arroladas pela acusação e 5 (cinco) pela defesa.

2.3)Inexistência da fase de diligências

No procedimento ordinário, após a AIJ, o Juiz pode ordenar diligências. Aqui, não.

2.4)Alegações finais

No procedimento ordinário, há a possibilidade de se ter alegações finais escritas (memoriais). Aqui, elas serão sempre orais.

Art. 534. As alegações finais serão orais, concedendo-se a palavra, respectivamente, à acusação e à defesa, pelo prazo de 20 (vinte) minutos, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença.

2.5)Sentença oral

No procedimento ordinário, a sentença é escrita. Aqui, a sentença é oral.

(19)

OBS: Na prática, há sentença escrita no procedimento sumário. No entanto, para ser aprovado, você deve saber a teoria.

OBS 2: Há situações em que as infrações de menor potencial ofensivo (procedimento sumaríssimo) são enviadas ao Juízo “comum”.

Nesse caso, o procedimento sumário será observado.

Art. 538. Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o juizado especial criminal encaminhar ao juízo comum as peças existentes para a adoção de outro procedimento, observar-se-á o procedimento sumário previsto neste Capítulo.

Procedimento Ordinário Procedimento Sumário

Prazo máximo para realização de audiência: 60 dias. Prazo máximo para realização de audiência: 30 dias.

08 testemunhas para cada parte. 05 testemunhas para cada parte.

O Juiz pode ordenar diligências após a AIJ. O Juiz não pode ordenar diligências após a AIJ.

Alegações finais orais ou por memoriais. Alegações finais orais.

Possibilidade de sentença escrita. Sentença oral.

(20)

3) Procedimento Comum Sumaríssimo

Esse procedimento é o procedimento da Lei 9.099/95, mais conhecida como Lei dos Juizados Especiais Criminais (JECRIM).

Como visto, ele “cuida” das infrações penais de menor potencial ofensivo e tem a competência fixada de acordo com o local em que foi praticada a infração penal.

Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.

Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.

Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal.

Note que a contravenção penal será julgada aqui mesmo que tenha pena maior de 02 anos. O limite de pena é para crimes.

Professor, o que é aquele “respeitadas as regras de conexão e continência”?

Em resumo, o jecrim tem competência para julgar as infrações penais de menor potencial ofensivo. No entanto, tais infrações podem ter alguma relação com crimes mais graves (conexão e continência – matéria do assunto Competência).

Nesses casos, em regra, as infrações serão julgadas em conjunto e no juízo mais amplo. Em outras palavras, nessas hipóteses, a infração de menor potencial ofensivo “sai” do juizado e vai para o procedimento mais amplo.

É importante esclarecer que o jecrim é regido por alguns critérios/princípios. Eles estão no artigo 62 da Lei 9.099/95 (oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade).

Veja:

Infração Penal Sistema binário

Crime (delito)

Contravenção Penal

(21)

Art. 62. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade.

Além disso, o mesmo artigo traz os seguintes objetivos: reparação do dano e aplicação de pena não privativa de liberdade.

Art. 62. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade.

Nota-se, portanto, que a formalidade excessiva é vedada neste tipo de procedimento, pois o que importa é a finalidade, não o meio.

Ademais, o objetivo é reparar o dano, não prender. Isso é chamado de terceira via do Direito Penal. Ou seja, a terceira via busca reparar os danos sofridos pela vítima.

Feita essa necessária introdução, é importante dizer que o procedimento do jecrim é bifásico, ou seja, possui duas fases.

Vamos vê-las?

1ª Fase – Preliminar (audiência preliminar)

Quando a autoridade policial (Delegado) tomar conhecimento de algum fato, ela lavrará Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

O TCO está para as infrações de menor potencial ofensivo assim como o inquérito policial está para as demais infrações penais. Ou seja, o TCO “investiga” infrações de menor potencial ofensivo.

Terminado o procedimento do TCO, o Delegado encaminha os autos ao juizado, junto com o autor do fato e a vítima.

Olhe:

Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.

O parágrafo único diz que não poderá haver prisão em flagrante nem exigência de fiança se o autor comparecer ao juizado ou assumir tal compromisso.

Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima.

(22)

Após o autor do fato e a vítima serem encaminhados ao juizado, será realizada uma audiência preliminar.

Se não for possível a realização imediata, deverá ser designada uma data próxima, de acordo com o artigo 70 da Lei 9.099/95.

Art. 70. Comparecendo o autor do fato e a vítima, e não sendo possível a realização imediata da audiência preliminar, será designada data próxima, da qual ambos sairão cientes.

Nesta audiência, busca-se uma espécie de “acordo” com o autor do fato. Em outras palavras, ele pode aceitar a composição dos danos civis, a suspensão condicional do processo ou a transação penal e, assim, não ir para a segunda fase do procedimento.

Veja como a Lei 9.099/95 trata do assunto:

Art. 72. Na audiência preliminar, presente o representante do Ministério Público, o autor do fato e a vítima e, se possível, o responsável civil, acompanhados por seus advogados, o Juiz esclarecerá sobre a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não privativa de liberdade.

Neste momento, teremos a incidência de 03 (três) dos chamados institutos despenalizadores. Eles têm esse nome, pois seu objetivo é impedir a aplicação de uma pena privativa de liberdade.

Vamos ver cada um deles?

Composição dos danos civis

A composição dos danos civis é um acordo entre as partes. Ou seja, o autor do fato repara o dano e a vítima aceita tal reparação.

Trata-se de uma conciliação.

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.

Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação.

Art. 73. A conciliação será conduzida pelo Juiz ou por conciliador sob sua orientação.

Parágrafo único. Os conciliadores são auxiliares da Justiça, recrutados, na forma da lei local, preferentemente entre bacharéis em Direito, excluídos os que exerçam funções na administração da Justiça Criminal.

(23)

Note que se a vítima aceitar a reparação, a sentença que homologar o acordo será irrecorrível. Além disso, tal sentença acarreta renúncia ao direito de queixa ou representação. Em outras palavras, o ofendido não poderá

“voltar atrás”.

OBS: No Código Penal, a aceitação de reparação do dano não implica em renúncia ao direito de queixa. Aqui, sim.

Muito cuidado!

Art. 104, Parágrafo único do CP - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime.

Representação do ofendido

Se a composição dos danos não for alcançada, a vítima tem a possibilidade de representar criminalmente contra o autor do fato.

Em poucas palavras, a representação é a vontade da vítima de ver o autor ser punido. É uma “autorização”

para o Estado punir a conduta.

Tal instituto está no artigo 75 da Lei 9.099/95:

Art. 75. Não obtida a composição dos danos civis, será dada imediatamente ao ofendido a oportunidade de exercer o direito de representação verbal, que será reduzida a termo.

Parágrafo único. O não oferecimento da representação na audiência preliminar não implica decadência do direito, que poderá ser exercido no prazo previsto em lei.

Observe que mesmo que o indivíduo não exerça de imediato o direito de representação, ele ainda poderá representar posteriormente, dentro do prazo previsto em lei. Esse prazo é de 06 meses, de acordo com o artigo 38 do CPP:

Art. 38. do CPP - Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia.

Transação Penal

Se a vítima representar contra o autor do fato ou se for caso de ação penal pública incondicionada (não

(24)

Trata-se da aplicação imediata de pena restritiva de direito ou pena de multa, sem que haja processo.

Portanto, é uma exceção em que uma pena é aplicada sem que haja uma ação penal.

No entanto, essa pena não pode ser privativa de liberdade, veja:

Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta.

§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade.

§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação do Juiz.

§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.

§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei.

§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível.

Pelos parágrafos do artigo 76, podemos ver que, após o autor aceitar, a proposta será submetida ao Juiz.

Concordando com a proposta, o magistrado irá aplicar a pena especificada.

Note que essa pena não será contada para fins de reincidência, apenas ficará registrada para que o indivíduo não tenha o mesmo benefício (transação penal) nos cinco anos seguintes.

Observe, ainda, que da sentença que aplica a pena cabe apelação.

Por fim, o parágrafo 6º nos diz que a transação penal não possui efeitos civis.

Professor, quando poderá ser proposto esse instituto despenalizador?

Os requisitos estão no artigo 76, parágrafo 2º da Lei 9.099/95, veja:

Art. 76, § 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:

I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença definitiva;

II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo;

III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida.

(25)

Para fins de prova, basta a atenta leitura do dispositivo legal.

Professor, e se a pessoa aceitar a transação penal e não cumprir a proposta?

Nesse caso, o MP pode continuar a persecução penal.

Olhe o que diz a Súmula Vinculante 35:

Súmula Vinculante 35: A homologação da transação penal prevista no art. 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.

COMO CAI: CESPE/2017 – TRF da 1ª Região - Com relação aos juizados especiais criminais, às nulidades, aos recursos no processo penal e à execução penal, julgue o item a seguir.

Diferentemente da suspensão condicional do processo, a homologação da transação penal no âmbito dos juizados especiais criminais faz coisa julgada material, de forma que o descumprimento das cláusulas do acordo não permite a continuidade da persecução penal.

GABARITO: ERRADO.

COMENTÁRIOS: É exatamente o contrário. A sentença que homologa a transação penal não faz coisa julgada material. Sendo assim, se o beneficiário descumprir as cláusulas, a persecução penal poderá ser reiniciada.

Súmula Vinculante 35: A homologação da transação penal prevista no art. 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.

OBS: Não se aplica a transação penal aos delitos sujeitos à Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha).

Trata-se de entendimento sumulado pelo STJ.

Súmula 536 do STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.

Perceba que a Lei dá “todas as chances” a quem comete uma infração de menor potencial ofensivo.

E se até aqui nada for resolvido?

Nesse caso, o procedimento sumaríssimo propriamente dito será instaurado.

(26)

2ª Fase – Procedimento sumaríssimo (audiência de instrução e julgamento)

Como falado, entra-se nessa fase quando não é possível aplicar os referidos institutos despenalizadores (composição dos danos e transação penal).

Denúncia/Queixa oral

O procedimento sumaríssimo propriamente dito começa com uma denúncia ou com uma queixa, que são orais.

Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese prevista no art. 76 desta Lei, o Ministério Público oferecerá ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências imprescindíveis.

§ 3º Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral, cabendo ao Juiz verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso determinam a adoção das providências previstas no parágrafo único do art. 66 desta Lei.

Veja, no parágrafo 1º, que o TCO servirá de base para a elaboração da denúncia. Nota-se, ainda, que é desnecessário o exame de corpo de delito (exame médico-legal para se apurar a materialidade de uma infração) quando o crime estiver provado por boletim médico ou prova equivalente.

§ 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.

No caso do oferecimento da denúncia, temos uma peculiaridade. Trata-se da proposta de suspensão condicional do processo.

Fase preliminar a)TCO b)Encaminhamento ao Juizado

c)Audiência preliminar

d)Composição dos danos civis e)Representação f)Transação Penal

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Suspensão condicional do processo/sursis processual

O Ministério Público, ao oferecer a denúncia, pode propor a suspensão condicional do processo, se o crime tiver pena mínima igual ou inferior a 01 ano. Nesse caso, o processo ficará suspenso por 02 a 04 anos, desde que cumpridos os requisitos do artigo 89 da Lei 9.099/95, veja:

Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).

§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições:

I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;

II - proibição de freqüentar determinados lugares;

III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;

IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades.

§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.

Perceba que se a proposta for aceita, o acusado deverá cumprir algumas condições da Lei, bem como outras que o Juiz estabelecer.

O parágrafo 3º traz hipóteses em que o benefício deverá ser revogado (revogação obrigatória).

§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.

Já o parágrafo 3º traz hipóteses em que o benefício poderá ser revogado (revogação facultativa).

§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.

Expirado o prazo de 02 a 04 anos, extingue-se a punibilidade. Além disso, durante esse prazo, não incide prescrição.

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§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.

§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.

Professor, e se o Juiz entender que há os pressupostos e o Promotor se negar a fazer a proposta?

Nesse caso, o magistrado deve retemer o caso do Procurador-Geral, conforme entendimento sumulado pelo STF.

Súmula 696 STF: Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do CPP.

OBS: No caso se concurso de crimes (matéria de Direito Penal), se a pena de um dos crimes for aumentada ou se as penas forem somadas, não haverá incidência do sursis processual, se o resultado for maior que 01 ano.

É isso que dizem o STF e o STJ:

Súmula 723 do STF: Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for superior a um ano.

Súmula 243 do STJ: O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (1) ano.

Exemplo: Mévio cometeu dois crimes em concurso material. As penas isoladas são de 01 ano.

No caso, elas serão somadas e atingirão 02 anos.

Sendo assim, incabível o sursis do processo.

OBS: A suspensão condicional do processo não se aplica nas hipóteses de incidência da Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha).

Súmula 536 do STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.

Por fim, se o acusado não aceitar a proposta, o procedimento seguirá.

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§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá em seus ulteriores termos.

Citação, notificação e intimações

Após o oferecimento da denúncia ou da queixa, temos a citação do acusado, além da intimação das testemunhas.

Aqui, é diferente do que acontece no procedimento ordinário. Lá, o Juiz recebe a denúncia e depois cita o acusado.

Art. 78. Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo, entregando-se cópia ao acusado, que com ela ficará citado e imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a audiência de instrução e julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o responsável civil e seus advogados.

§ 3º As testemunhas arroladas serão intimadas na forma prevista no art. 67 desta Lei.

Observe que na citação haverá menção ao dia e hora para a realização da AIJ (audiência de instrução e julgamento).

Audiência de instrução e julgamento

Após a citação do acusado, o Juiz irá designar data e hora para a AIJ. Como falamos anteriormente, trata-se do momento no qual haverá a instrução processual (produção de provas, etc.), veja:

Art. 81. Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, após o que o Juiz receberá, ou não, a denúncia ou queixa; havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e defesa, interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se imediatamente aos debates orais e à prolação da sentença.

§ 1º Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.

§ 2º De todo o ocorrido na audiência será lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência e a sentença.

Primeiramente, vemos que há a resposta à acusação. Aqui, a finalidade dela é evitar o próprio recebimento da denúncia ou da queixa. Se tais peças forem rejeitadas, o processo “acaba”.

Se houver o recebimento, passa-se para a instrução propriamente dita.

Mais uma vez, vemos que o interrogatório do réu é o último ato da audiência.

(30)

OBS: Quantidade de testemunhas.

O artigo 34 da Lei 9.099/95 traz a quantidade de testemunhas para o procedimento do Juizado Especial Cível. No entanto, de acordo com a doutrina majoritária, esse artigo é também aplicado ao Juizado Especial Criminal.

Art. 34. As testemunhas, até o máximo de três para cada parte, comparecerão à audiência de instrução e julgamento levadas pela parte que as tenha arrolado, independentemente de intimação, ou mediante esta, se assim for requerido.

Por fim, precisamos analisar o parágrafo 3º do artigo 81. Ele nos diz que o relatório é dispensado nas sentenças do jecrim.

§ 3º A sentença, dispensado o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz.

Professor, o que é relatório?

Vamos lá...

A sentença é dividida em:

Relatório → Breve resumo do processo (fatos, peças processuais, etc.). Trata-se de uma narrativa.

Exemplo: “Trata de processo instaurado por motivo de...”

Fundamentação → Razões de fato e de direito que levaram o Juiz a decidir daquela maneira.

Exemplo: Artigos usados para se chegar à determinada decisão.

Dispositivo → É onde se encontra a condenação ou a absolvição. É o que o magistrado decidiu.

Exemplo: “Com estas considerações, condeno o autor do fato a...”

Proferida a sentença, quem “perdeu” tem a possibilidade de recorrer.

Recursos

Na Lei 9.099/95, são previstos dois recursos: a apelação e os embargos de declaração.

Observe que eles são diferentes:

Apelação → A apelação é o recurso a ser utilizado quando se busca a modificação de uma decisão que rejeitou a peça acusatória ou quando se busca a modificação de uma sentença.

O prazo é de 10 dias e é diferente do prazo do CPP (lá, são 05 dias para a interposição e 08 dias para

(31)

Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

§ 1º A apelação será interposta no prazo de dez dias, contados da ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente.

§ 2º O recorrido será intimado para oferecer resposta escrita no prazo de dez dias.

§ 3º As partes poderão requerer a transcrição da gravação da fita magnética a que alude o § 3º do art. 65 desta Lei.

§ 4º As partes serão intimadas da data da sessão de julgamento pela imprensa.

§ 5º Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.

Embargos de declaração → Tais embargos são o recurso para ser utilizando quando se busca sanar obscuridade, contradição ou omissão.

Portanto, não é o recurso cabível quando se busca a modificação do julgado. No entanto, na prática, infelizmente, ele é usado como se fosse previsto para esse fim.

O prazo para a interposição é de 05 dias, diferentemente do CPP, que prevê prazo de 02 dias.

Art. 83. Cabem embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição ou omissão.

§ 1º Os embargos de declaração serão opostos por escrito ou oralmente, no prazo de cinco dias, contados da ciência da decisão.

§ 2º Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de recurso.

O parágrafo 3º, por fim, nos diz que erros materiais (erro em nome, por exemplo) podem ser corrigidos sem interposição de recurso.

§ 3º Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício.

Execução

Transitada em julgado a condenação (se não couber mais recurso), a pena aplicada deverá ser executada.

Há algumas peculiaridades, quer ver?

(32)

Pena de multa → No caso de a pena aplicada ser de multa, o pagamento será feito na secretaria do juizado e gerará extinção da punibilidade.

Art. 84. Aplicada exclusivamente pena de multa, seu cumprimento far-se-á mediante pagamento na Secretaria do Juizado.

Parágrafo único. Efetuado o pagamento, o Juiz declarará extinta a punibilidade, determinando que a condenação não fique constando dos registros criminais, exceto para fins de requisição judicial.

Não pagamento → No caso de não pagamento, a Lei 9.099/95 prevê que será feita a conversão em pena privativa de liberdade ou em restritiva de direitos, olhe:

Art. 85. Não efetuado o pagamento de multa, será feita a conversão em pena privativa da liberdade, ou restritiva de direitos, nos termos previstos em lei.

OBS: Hoje, a multa não paga é considerada dívida de valor, ou seja, dívida que o indivíduo tem com o Estado.

Em outras palavras, não há reflexos criminais no não pagamento da pena de multa.

É o que diz o artigo 51 do Código Penal:

Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.

Portanto, alguns doutrinadores defendem a impossibilidade de se converter a multa em outro tipo de pena.

Se vier a letra de lei na sua prova, marque. No entanto, se a questão pedir a controvérsia, fique atento.

Procedimento sumaríssimo

a)Denúncia/queixa oral

b)Sursis processual

c)Citação do acusado

d)AIJ e)Recurso f)Execução

(33)

Procedimento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos

Primeiramente, é importante dizer que tal procedimento é um procedimento especial do CPP. Em outras palavras, não se trata de procedimento comum (ordinário, sumário ou sumaríssimo).

Note que o CPP diz que os procedimentos especiais são subsidiários. Isso quer dizer que, em regra, aplica- se o procedimento comum, salvo se a lei dispuser de forma diversa.

Veja:

Art. 394, § 2º Aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposições em contrário deste Código ou de lei especial.

Aqui, iremos falar do procedimento que cuida do processo e julgamento dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos.

O conceito de “funcionário público” está no artigo 327 do Código Penal e lá é estudado.

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.

Portanto, é possível concluir que esse rito só se aplica aos crimes funcionais, ou seja, crimes praticados por funcionário público, no exercício de suas funções ou em razão dela.

Art. 513. Os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos, cujo processo e julgamento competirão aos juízes de direito, a queixa ou a denúncia será instruída com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas.

OBS: Para aplicar esse procedimento especial, o crime deve ser afiançável. Se for inafiançável, será aplicado o comum ordinário.

É o que diz o artigo 514 do CPP:

Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá- la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias.

Parágrafo único. Se não for conhecida a residência do acusado, ou este se achar fora da jurisdição do juiz, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a resposta preliminar.

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Art. 515. No caso previsto no artigo anterior, durante o prazo concedido para a resposta, os autos permanecerão em cartório, onde poderão ser examinados pelo acusado ou por seu defensor.

Parágrafo único. A resposta poderá ser instruída com documentos e justificações.

O artigo 514 trata da chamada “resposta/defesa preliminar”. Em síntese, é uma defesa que tem como objetivo deixar o acusado se pronunciar, levando à rejeição da denúncia ou da queixa. O prazo é de 15 dias.

Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz mandará autuá- la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de quinze dias.

O STJ, no entanto, relativiza (mitiga) essa obrigatoriedade de defesa. Segundo entendimento sumulado, se a ação penal for instruída com inquérito policial, não é necessária a resposta preliminar, pois o acusado já teve a possibilidade de se pronunciar (durante o procedimento investigatório).

Observe o que diz a Súmula 330 do STJ:

Súmula 330 do STJ: É desnecessária a resposta preliminar de que trata o art. 514 do Código de Processo Penal - CPP, na ação penal instruída por inquérito policial.

Acabamos de ver a grande “marca” desse procedimento especial (previsão de resposta preliminar).

Perceba, portanto, pelo artigo 516, a possibilidade de a denúncia/queixa ser rejeitada.

Art. 516. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia, em despacho fundamentado, se convencido, pela resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do crime ou da improcedência da ação.

Por fim, veja que se a denúncia/queixa for recebida, o réu deverá ser citado e será observado o procedimento ordinário, no que tange à instrução criminal.

Art. 517. Recebida a denúncia ou a queixa, será o acusado citado, na forma estabelecida no Capítulo I do Título X do Livro I.

Art. 518. Na instrução criminal e nos demais termos do processo, observar-se-á o disposto nos Capítulos I e III, Título I, deste Livro.

Referências

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