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Cota de Reserva Ambiental

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Academic year: 2023

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Preparando a implementação

da Cota de Reserva Ambiental

em Mato Grosso

Relatório da oficina técnica

Cuiabá – MT, 13 de Maio de 2013

Elaboração do relatório: Paula Bernasconi (Consultora) Revisão: Alice Thuault e Laurent Micol (ICV)

Realização Parceria Apoio

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Resumo executivo

A Cota de Reserva Ambiental (CRA), instrumento previsto no código florestal que permite a compensação entre passivos e excedentes de reservas legais, ainda requer várias definições e regulamentações para sua efetiva implementação. Essa oficina buscou construir um entendimento compartilhado entre organizações da sociedade sobre o futuro funcionamento da CRA e do mercado associado, visando subsidiar a sua regulamentação em nível estadual e federal.

Os estudos apresentados apontam para um mercado viável para a CRA em nível nacional, com um valor potencial total de cerca de 24 bilhões de reais. Porém uma análise mais detalhada sobre o estado de Mato Grosso mostra um grande excedente de oferta potencial e um possível desequilíbrio de mercado. Em função disso, questiona-se a possibilidade de autorizar a entrada de CRA de outros estados para compensação de passivos de reserva legal de Mato Grosso, e ressalta- se a importância de definir essa questão para reduzir as incertezas do mercado. De toda forma, observa-se que nessa situação de grande excedente de oferta, as áreas passíveis de desmatamento legal correm o risco de ficar fora do mercado, por terem um custo de oportunidade maior que as demais áreas que podem gerar CRA.

Para ampliar a demanda com vistas a equilibrar o mercado, sugere-se estudar a possibilidade de permitir a utilização da CRA para outras finalidades. A primeira ideia é possibilitar o pagamento em CRA, com abatimento, para dívidas ao estado que ele tem dificuldades, ou custo muito alto, para arrecadar – por exemplo, multas ambientais ou outras, ou ainda as dívidas da taxa de reposição florestal. Além disso, mecanismos de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) também têm potencial para absorver CRA, entre outras possibilidades a serem exploradas.

Quanto à regulamentação da CRA em nível estadual, além dos procedimentos para emissão, entende-se que deve estabelecer as características do título – especialmente seu prazo de validade, que não deve ser muito curto para viabilizar o monitoramento pelo órgão responsável, bem como as infrações administrativas e os casos e procedimentos para cancelamento. Também deve criar e definir o modo de operação do registro estadual de CRA e sua relação com o sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e com o Sistema Único de Controle nacional. A proposta preliminar do programa de regularização ambiental de Mato Grosso, de agosto de 2012, precisa ser revista para incorporar esses elementos.

Enfim, ressalta-se que existem riscos de que a aplicação da CRA sirva essencialmente para viabilizar a regularização de passivos ambientais a baixo custo, sem gerar os retornos ambientais esperados. Nesse sentido, é necessário prever formas de evitar que inconsistências no CAR ou lacunas no monitoramento levem à geração ou manutenção de CRA fictícias. Para maximizar os benefícios ambientais da CRA, sugere-se também estudar uma implementação por fases, priorizando num primeiro momento áreas mais vulneráveis do ponto de vista ecológico e/ou socioeconômico.

Em conclusão, a oficina evidenciou alguns desafios-chave para a implementação bem- sucedida da CRA em Mato Grosso. O debate deve prosseguir com mais grupos de atores envolvidos, sendo claro que a tomada de decisão pública sobre a regulamentação da CRA requer um processo de discussão transparente, baseado em informação qualificada, contando com a participação efetiva das partes interessadas.

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Sumário

Resumo executivo ... 2

Introdução e objetivos ... 4

Apresentações e discussões ... 5

1. Abertura e nivelamento inicial de informações ... 5

2. Viabilidade econômica do mercado de CRA: análise do potencial de oferta e demanda ... 6

3. Ampliando a demanda por CRA: possibilidades de uso para outras finalidades ... 9

4. Regulamentação da CRA: requisitos básicos para o bom funcionamento do mercado ... 11

5. Estratégias para mitigar riscos e maximizar benefícios ambientais da aplicação da CRA ... 12

Conclusões e próximos passos ... 14

Anexos ... 15

Anexo 1 – Programação da oficina ... 15

Anexo 2 – Lista de participantes ... 16

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Introdução e objetivos

A nova lei do Código Florestal prevê entre seus instrumentos a implementação da Cota de Reserva Ambiental (CRA), visando permitir a compensação entre passivos e excedentes de reservas legais. Esse instrumento é parte dos Programas de Regularização Ambiental, que devem ser regulamentados e administrados pelos estados da federação.

Ao atribuir valor econômico às áreas de vegetação nativa nas propriedades rurais, a CRA representa uma grande oportunidade para contribuir com a conservação e recuperação dessas áreas. Em todas as propriedades, os excedentes de reserva legal, isto é, as áreas de vegetação natural remanescente (ou em recuperação) além do percentual de referência para a regularização da reserva legal, poderão gerar CRA. E nas propriedades até quatro módulos fiscais, toda a extensão da área de vegetação natural remanescente poderá gerar CRA. Além disso, a CRA poderá contribuir para a efetivação das áreas protegidas públicas, já que suas áreas pendentes de regularização também poderão gerar CRA.

No entanto, algumas questões importantes ainda precisam ser tratadas para possibilitar o bom funcionamento da CRA. Primeiramente, é necessário que seja estabelecido em nível estadual e/ou nacional um mercado viável de títulos ambientais negociáveis, algo novo no Brasil. Essa viabilidade dependerá de questões estruturais desse mercado (equilíbrio entre oferta e demanda) e de uma regulamentação que garanta a segurança e a agilidade operacional do mecanismo. Além disso, é fundamental que a implementação da CRA contribua de fato para a conservação e recuperação das áreas prioritárias do ponto de vista ambiental.

Nesse contexto, o objetivo da oficina técnica “Preparando a implementação da Cota de Reserva Ambiental em Mato Grosso” foi nivelar informações e construir um entendimento compartilhado entre organizações da sociedade civil sobre o futuro funcionamento da CRA e do mercado associado, visando subsidiar a sua regulamentação em nível estadual e federal.

Foram abordados os seguintes temas, desenvolvidos na seção a seguir:

 Viabilidade econômica do mercado de CRA: análise do potencial de oferta e demanda;

 Ampliando a demanda por CRA: possibilidades de uso para outras finalidades;

 Regulamentação da CRA: requisitos básicos para o bom funcionamento do mercado;

 Estratégias para mitigar riscos e maximizar benefícios ambientais da aplicação da CRA.

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Apresentações e discussões

1. Abertura e nivelamento inicial de informações

O evento iniciou com as boas vindas do Laurent Micol, do ICV. Laurent apontou que Mato Grosso saiu na frente ao desenvolver no ano passado uma proposta de regulamentação da aplicação do novo Código Florestal (CF), mas ainda não deu os próximos passos, que envolvem dar publicidade à proposta e abri-la para discussão e para contribuições da sociedade civil. A Cota de Reserva Ambiental (CRA) é um dos mecanismos do novo CF cuja regulamentação precisa ser bem estudada e discutida para poder funcionar.

Ressaltou o objetivo do evento: formar um entendimento comum entre organizações da sociedade civil sobre a regulamentação da implementação da CRA, a partir do exemplo de Mato Grosso, e para isso levantar as principais dúvidas e questionamentos existentes e identificar cenários e propostas de melhoria da proposta.

Na sequencia, para um nivelamento inicial dos conceitos e interpretações, foi feita pelo Raul do Vale, do ISA, uma discussão sobre o mecanismo de CRA previsto pelo novo CF.

Raul lembrou as opções existentes para adequação ambiental de Reserva Legal (RL) previstas no novo CF, focando na opção da compensação. Explicou que a CRA, por ser um título que representa um atestado de existência da área de vegetação conservada ou em recuperação, deve facilitar a operação da compensação através da redução dos custos de transação. Lembrou que a emissão da CRA pressupõe a comprovação de sua proteção através de uma servidão, averbação ou pelo fato de pertencer a uma RPPN.

Sobre os pré-requisitos para compensar um passivo pela compra de CRA, uma novidade em relação à versão anterior do CF foi a mudança em três pontos principais: i) é permitida a emissão de CRA em áreas em recomposição; ii) a compensação continua restrita ao mesmo bioma mas não mais à mesma microbacia, podendo ser feita até em outro estado, desde que em área definida como prioritária pelo mesmo ou pela União; e iii) toda a área de vegetação remanescente de propriedades de até quatro módulos fiscais pode gerar emissão de CRA.

Outra alteração foi em relação à emissão de CRA em Unidades de Conservação, que antes era somente definitiva (através de doação ao Estado e desoneração). O novo CF permite emitir CRA e comercializar com duração temporária.

Algumas questões permaneceram sem resposta entre os participantes:

 A emissão de CRA de áreas em UC e sua comercialização obriga o proprietário rural a sair da área e paralisar suas atividades? Implica que o proprietário perca o direito à terra, como se fosse uma indenização onde ele “troca” sua área por CRA com o Estado, ou pode ser uma transferência temporária?

 Em propriedades de até quatro módulos fiscais, toda área de remanescente pode gerar CRA – inclusive as Áreas de Preservação Permanentes (APP). No caso de propriedades acima de quatro módulos fiscais, a APP pode ser contabilizada na RL desde que não haja conversão de novas áreas. Então, a APP pode gerar CRA nas áreas maiores que 4 módulos fiscais também? Inclusive nas áreas que têm área de APP não computada na RL?

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2. Viabilidade econômica do mercado de CRA: análise do potencial de oferta e demanda

Avaliação do potencial do mercado de CRA em nível nacional

Otávio Dutra, da Biofílica, apresentou os resultados de um estudo realizado em parceria com o ICONE denominado “O futuro mercado de compensações de Reserva Legal: potenciais e perspectivas” (ver apresentação aqui).

O objetivo do estudo foi fazer uma prospecção de mercados para focar a atuação da Biofílica. O estudo utilizou uma série de premissas para delinear os tipos de agentes do mercado, disponibilidades a pagar, preços de terras e usos da terra, ponto de equilíbrio do mercado, custo extra de regularização para UC, porcentagem de conflitos fundiários em UC e opções para regularização. Foram definidos três cenários: limitado aos Estados com e sem UC, e limitado aos biomas com UC. O modelo econômico considerou como oferta a disponibilidade a pagar e como demanda a disponibilidade a receber dos proprietários rurais.

Os resultados indicaram um volume para o mercado de CRA na Amazônia estimado em R$

10 bilhões, e R$ 4,5 bilhões no Cerrado, com pouca diferença entre os cenários com ou sem UC. Já para a Mata Atlântica o mercado só se viabiliza no cenário com UC, com uma estimativa de cerca de R$ 7,7 bilhões. A possibilidade de transações de CRA entre os estados reduz o valor potencial total do mercado de R$ 24 para R$ 13 bilhões, por gerar uma forte redução dos preços.

Otávio concluiu com alguns pontos de atenção para o uso dos dados apresentados. As premissas sobre a taxa de irregularidade em UCs podem estar super ou subestimados. Da mesma forma, os dados de preço de terras podem não ser um bom indicador de preços em alguns estados. Além disso, a variação na maturidade de cada estado para implementar CAR e CRA, assim como as próprias regulamentações estaduais, também irão influenciar os mercados.

Avaliação do potencial de oferta e demanda no estado de Mato Grosso

Laurent Micol, do ICV, apresentou um estudo de avaliação do potencial de oferta e demanda de CRA no caso do estado de Mato Grosso (ver apresentação aqui). Esclareceu que o estudo enfocou apenas o aspecto das quantidades, não dos preços. A metodologia incluiu os seguintes passos:

1. Construção de uma malha fundiária completa, incluindo os dados do cadastro ambiental do estado e uma simulação da malha na área restante, considerando o tamanho médio das propriedades de cada município;

2. Cruzamento desse banco de dados de unidades fundiárias com a dinâmica de desmatamento;

3. Simulação da aplicação do novo CF em cada unidade fundiária, seguindo quatro critérios:

tamanho da propriedade, bioma, e situação do desmatamento até 2001 (para aplicação da regra “legal à época”, se o desmatamento for inferior a 50%), em 2008 (limite para que um desmatamento possa ser compensado), e atual. Para essa simulação, foram feitos dois cenários, com ou sem a aplicação do Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE), que pode reduzir o percentual de RL em áreas florestais na Amazônia para até 50%, para fins de recomposição ou compensação.

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4. Análise dos resultados, incluindo a estimativa do ativo (oferta) e passivo (demanda) de CRA, bem como do passivo a ser obrigatoriamente recuperado, nos dois cenários.

Os resultados apontaram em Mato Grosso existe uma oferta potencial de CRA muito maior que a demanda potencial. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda é maior na área de Cerrado:

9,6 milhões de hectares de oferta potencial contra 1,7 milhão de hectares de demanda potencial.

Na área de Floresta, sem o ZEE, a oferta é de aproximadamente 11,5 milhões de hectares e a demanda 7,1 milhões de hectares, no entanto a aplicação do ZEE pode reduzir a demanda para menos de 3 milhões de hectares. Nos valores de oferta, não está incluído o potencial de geração de CRA em UC, que foi estimado em cerca de 1,5 milhões de hectares.

No entanto, considerando apenas as propriedades hoje cadastradas no sistema de licenciamento ambiental do estado, o balanço fica mais equilibrado, especialmente em áreas de floresta onde a demanda potencial existente hoje ultrapassa a oferta potencial.

Em termos de tamanho das propriedades, as propriedades pequenas, representam 54% da oferta potencial em áreas de Floresta e 28% no Cerrado.

Em todo caso, o passivo de áreas desmatadas ilegalmente após 2008, que devem ser obrigatoriamente recuperadas, é pouco significativo em relação ao total, com menos de 0,3 milhão de hectares.

Tabela 1 – Síntese dos cenários de CRA analisados para Mato Grosso

Fonte: ICV

Discussão sobre a viabilidade econômica do mercado de CRA

 Foi sugerido que o estudo do ICV poderia ser refinado adicionando a condição prevista pelo CF de que municípios que tenham mais de 50% de seu território coberto por UC ou TI tenham a RL reduzida para 50%, mesmo sem o ZEE.

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 Houve um questionamento sobre os dados de preços de terras usados no estudo da Biofílica para estimar o valor potencial do mercado de CRA. Essa informação, que foi coletada de cartórios onde os registros das transações de terra podem ser feitos abaixo do valor real para fins de redução da incidência de impostos, pode ser enviesada.

 Houve um debate sobre as restrições que os estados podem colocar para compensações em seu território:

- Primeiro, sobre a localização da RL: está previsto no CF que o órgão ambiental deve aprovar a localização da RL (o que se aplica à RL compensada). Uma regulamentação estadual faz-se necessária nesse ponto, para evitar que as decisões sejam baseadas na interpretação do órgão ambiental, o que poderia dar abertura a contestações jurídicas. As regras devem ser claras, inclusive para que comprador e vendedor tenham clareza e segurança para as transações.

- Segundo, sobre as vantagens e desvantagens de proibir a compensação de passivos de RL com CRAs de outros estados, no caso de Mato Grosso. Por um lado, a restrição acarretaria numa valorização dos ativos em áreas de floresta, já que não se poderia usar CRAs de outros estados que podem ter excedentes de oferta ainda maiores. Por outro lado, poderia aumentar o custo da regularização para os proprietários com déficit – hipótese questionável, já que o excedente de oferta deve garantir a disponibilidade de CRA do estado com preço baixo. Quanto ao Cerrado, não parece fazer sentido adquirir CRA de outro estado, considerando o forte excesso de oferta - mas se outros estados tiverem excesso de demanda, pode ser interessante que as respectivas regulamentações lhes permitam a compensação com CRA de Mato Grosso. A indefinição sobre essa questão gera enorme incerteza no mercado. Os participantes concordaram que a decisão deve ser tomada considerando critérios técnicos e estratégicos, coerentes com as políticas de conservação.

 Foi discutido sobre a distinção entre as CRA emitidas sobre áreas passíveis de desmatamento legal, e as demais. Esses dois tipos de CRA apresentam níveis diferentes de custo de oportunidade e risco de desmatamento. Nesse sentido, primeiro é fundamental que a CRA possa ser um título temporário, caso contrário haveria um forte desincentivo à emissão de CRA em áreas legalmente desmatáveis. Segundo, num cenário de oferta maior que a demanda, pode-se esperar que o mercado privilegie as CRAs de áreas não legalmente desmatáveis, cujo custo de oportunidade de conservação é menor. Ou seja, a aplicação da CRA poderia ser um importante instrumento para reduzir a pressão de desmatamento ilegal, mas não beneficiaria quem mantém conservadas áreas que poderiam ser desmatadas legalmente, caso comum no setor florestal. Para incentivar a conservação dessas áreas em longo prazo, outros mecanismos seriam necessários – por exemplo, baseados em compensações pelo carbono do desmatamento evitado.

 Sobre o tempo de validade da CRA, discutiu-se sobre a necessidade de um período mínimo de validade do contrato, para que possam ser viabilizados (tanto em tempo quanto em uso de recursos) o monitoramento e vistoria pelo órgão ambiental estadual.

 Sobre o pagamento das CRAs, foi colocado que um pagamento em parcela única, mesmo de um contrato de validade de cinco anos, prejudicaria muito o produtor que estaria imobilizando um valor elevado antecipadamente, e também prejudicaria a lógica econômica de trabalhar por safra. Assim, foi sugerido estabelecer prazos distintos para: alienação da terra, emissão da cota, pagamento, e validade do contrato.

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 Foi questionado se com um cenário de grande excesso de oferta, especialmente com uma possível aprovação do ZEE, ainda haveria um mercado viável. Chegou-se ao entendimento que nesse caso o mercado funcionaria com pouco volume, somente até suprir a demanda. A partir daí deveriam ser criadas novas demandas para a manutenção da CRA.

 Os participantes relataram que apesar dos números do potencial total, é sensível a existência de uma forte demanda hoje. Essa situação pode ser reflexo do excesso de demanda em áreas hoje cadastradas no sistema de licenciamento ambiental do estado.

3. Ampliando a demanda por CRA: possibilidades de uso para outras finalidades

Reflexões sobre a possibilidade de uso da CRA como “moeda” para pagamento de dívidas ao estado de Mato Grosso

Raul do Vale, do ISA, trouxe uma reflexão sobre a possibilidade de uso da CRA como

“moeda” para pagamento de dívidas ao estado de Mato Grosso. Essa proposta, sendo estudada pelo ISA em parceria com o Funbio e o ICV, visa reduzir o desequilíbrio entre oferta e demanda de CRA criado pelas alterações do novo CF.

A primeira proposta parte da constatação de que grande quantidade das multas ambientais não são arrecadadas e se arrastam durante anos com prejuízos para a sociedade e o estado.

Nesse contexto, se pode propor que as multas também possam ser pagas em CRA ao estado, com abatimento no valor total. Assim se pode criar uma nova demanda para as CRAs sobressalentes no mercado, ao passo em que se contribui para reverter o quadro atual de baixa arrecadação e altos custos dos processos administrativos e judiciais. E essa lógica não precisaria ser restrita a multas ambientais, podendo se estender a multas e até a outas dívidas para com o Estado nas áreas sanitárias, de trânsito, etc.

Além disso, a CRA sendo um atestado da existência de uma área florestal conservada, ela pode ser usada para outros fins e em outros mercados além da compensação de passivos de reserva legal: por exemplo, pode ajudar a viabilizar mecanismos de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), estabelecendo um título conversível em toneladas de carbono; ou ainda, pode servir em ações de responsabilidade ambiental de empresas, como um “vale-floresta”, etc. Poderia também ser usada em pagamento da compensação ambiental de empreendimentos hidrelétricos, conversão de multas de impactos ambientais como derramamento de petróleo, dentre outros. (sem prejuízo da responsabilidade de remediação dos danos).

Entre outras possibilidades a serem exploradas no estudo, foi citado como exemplo o município de Montes Claros (MG) onde proprietários com área de floresta têm direito de emitir um tipo de CRA que pode ser usado para pagamento no comércio local. O comerciante usa esse título para descontar do Imposto Sobre Serviço (ISS) devido ao governo.

Discussão sobre a ampliação da demanda por CRA

 Foi feito um paralelo com a isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um valor muito grande de renúncia fiscal em benefício de um setor (automobilístico) que causa forte impacto ambiental .

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 A premissa da pesquisa proposta, baseada sobre o desequilíbrio do mercado, foi alvo de questionamento. Segundo alguns participantes, esse desequilíbrio somente acontecerá no longo prazo, o que diminuiria a necessidade dessa proposta. Todavia foi reconhecido que o estímulo da demanda é algo positivo para a manutenção da floresta em pé.

 Houve um debate sobre a viabilidade jurídica da proposta. Foi esclarecido que sendo a proteção das florestas um dever constitucional compartilhado entre União, Estados e Municípios, as propostas se enquadram nas competências estaduais. Além disso, enquadram-se na lei da responsabilidade fiscal, que somente considera renúncia fiscal um tributo com a certeza da arrecadação, o que não é o caso das multas supracitadas.

 Foi ressaltado que a proposta colocada seria uma situação ganha-ganha, já que o infrator se beneficiaria do desconto no valor da multa e o estado da maior garantia de arrecadação, sendo que ambos teriam economia com gastos de recursos com processos judiciais (cujo montante deveria ser estimado).

 Houve um questionamento sobre o aspecto criminal dos processos, já que crimes ambientais têm processos penais que correm junto com os administrativos. Fazer um acordo na esfera administrativa poderia significar que o acusado reconheceu a culpa, o que representaria um desestimulo à escolha dessa solução. Isso foi desmentido pelos advogados presentes, que afirmaram que fazer um acordo no âmbito administrativo não implica que se assuma a culpa.

 Também se abordou a possibilidade de vinculação da exigência de reposição florestal à CRA.

A reposição florestal é uma taxa que não prescreve e que todos que desmataram ilegalmente deveriam pagar. Existe hoje um grande número de devedores dessa taxa em Mato Grosso (sugere-se estimar o número e valor). Mesmo com a suspensão das multas e a consolidação das áreas desmatadas pelo novo CF, a cobrança dessa taxa devida continua legítima, sendo obrigação do estado. Assim, a cobrança das reposições devidas poderia ser feita em CRA, com abatimento no valor.

 Finalmente, foram também feitas as seguintes sugestões:

- Criar um mecanismo de incentivos fiscais nos moldes da Lei Rouanet1; - Buscar novas fontes de recursos no nível federal;

- Possibilitar o pagamento de parte do ICMS devido com CRA;

- Possibilitar o pagamento via CRA do replantio de árvores devido por usinas de gás ou carvão.

1 Lei Federal de Incentivo à Cultura(nº 8.313/1991) que inclui uma política de incentivos fiscais possibilitando que pessoas físicas e jurídicas apliquem uma parte do Imposto de Renda devido em ações culturais. Em 2008 foram investidos mais de R$ 1 bilhão em cultura através desse mecanismo, segundo o Ministério da Cultura,.

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4. Regulamentação da CRA: requisitos básicos para o bom funcionamento do mercado

Avaliação da versão preliminar do projeto de lei do Programa de Regularização Ambiental (PRA) de Mato Grosso

Roberta del Giudice da BVRio apresentou uma avaliação jurídica da versão preliminar do projeto de lei do PRA de Mato Grosso, de Agosto de 2012, e outras informações importantes para a regulamentação da CRA (ver a apresentação aqui).

Iniciou apresentando os motivos da necessidade de regulamentação do mecanismo de CRA:

viabilizar a implantação da norma, gerando para a sociedade um sinal positivo de que deve ser observada e contempla peculiaridades locais; e estabelecer um passo-a-passo seguindo uma ordem lógica e de fácil compreensão para a aplicação das regras. Em seguida expôs os elementos que cabe aos estados definirem no caso da CRA:

 Procedimentos para emissão;

 Características do título (exemplo: prazo de validade);

 Infração administrativa em casos de descumprimento das normas;

 Casos e procedimentos para cancelamento;

 Registro: criação e modo de operação do registro estadual, relação entre CRA, registro e Cadastro Ambiental Rural (CAR);

 Geração, administração e envio de informações para o Sistema Único de Controle.

Em seguida, apresentou uma análise sobre o projeto preliminar de regulamentação de Mato Grosso, onde sugeiru:

 Rever a ordem dos atos previstos para facilitar o entendimento;

 Trocar o termo “realocação” de reserva legal por “reposicionamento” ou outro termo;

 Prever o processo legal e contraditório para a suspensão de autorizações, licenças e do CAR (comunicação, procedimento de defesa, etc.);

 Prever procedimentos para inserir informações sobre licenças e autorizações ambientais, registro da reserva legal e da compensação no CAR;

 Não exigir que a reserva em condomínio seja necessariamente pro-indivisa e exercida por mais de uma pessoa física ou jurídica;

 Reavaliar a exigência de georreferenciar a propriedade segundo regras do INCRA para o CAR; e

 Retirar os artigos sobre compensação de RL em UC federais, que é competência da União.

Na sequência foi apresentado o SIGCAR, sistema desenvolvido pela empresa de consultoria em geotecnologias “Santiago & Cintra” que oferece uma solução para gerenciar o CAR. Tal sistema, como qualquer outro, deve ser integrado com o sistema de registro de CRA, sendo os dois integrados com o sistema de CAR Federal e o Sistema Único de Controle de CRA.

Um passo a passo de fluxograma de emissão de CRA foi apresentado, destacando o que no total a emissão e uso de CRA é sujeita a oito registros ou averbações diferentes. Os custos desses

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registros podem encarecer muito as operações no mercado de CRA, porém entende-se que a definição das taxas estaduais e dos cartórios deveriam buscar viabilizar esse mercado.

Finalmente, Roberta esclareceu que a BVRio está negociando com o governo do Rio de Janeiro para que os contratos de compra e venda feitos atualmente através da plataforma sejam considerados como transações de CRA futura, e sirvam como Termo de Ajustamento de Conduta no processo de regularização ambiental. A taxa de corretagem cobrada é de 4%, sendo parte para o sindicato rural, parte para o operador e parte para a BVRio.

Discussão sobre a regulamentação do PRA e da CRA

 Sobre a regulamentação do PRA em Mato Grosso, foi consenso que existem muitos pontos que devem ser esclarecidos ou acrescentados à verão preliminar do projeto de lei ou seu decreto de regulamentação, quanto o passo a passo de emissão, registro, prazo de validade e cancelamento da CRA, dentre outros.

 A questão dos registros implica no monitoramento. Por isso é necessário um prazo de validade mínimo para a CRA que garanta ao órgão que irá fazer a vistoria um tempo mínimo para avaliação. Caso o prazo seja muito curto, o órgão não terá condições operacionais de fazer a vistoria a cada renovação.

 Houve um debate questionando se a CRA seria um título mobiliário circulante com direitos ao portador, ou se teria a necessidade de contratos par a par. Segundo os participantes, as discussões com a Comissão de Valores imobiliários (CVM) levam a pensar que não seria um título mobiliário, mas que segundo diz a lei deveria ser comercializado por uma instituição registrada privada, como a Bovespa. Porém, a necessidade de uma instituição de fé pública ter que registrar algo numa instituição privada gera polêmica e isso está pendente de decisão em nível federal.

 Foi colocada a preocupação de que ainda existe falta de clareza sobre o cálculo de RL, principalmente no caso das áreas de transição entre áreas de floresta e cerrado. Mato Grosso ainda tem indefinições no mapa de fitofisionomias, que está há muito tempo sendo revisado pelo governo de estado e o IBGE.

5. Estratégias para mitigar riscos e maximizar benefícios ambientais da aplicação da CRA

Questões sobre os riscos do mecanismo e oportunidades para maximizar seus benefícios

Andrea Azevedo, do IPAM, apresentou reflexões sobre os riscos na implementação da CRA e propostas para mitigar tais riscos e aproveitar o seu pleno potencial de conservação ambiental (ver apresentação aqui).

Iniciou alertando de que apesar do grande potencial da CRA, há um risco de que o mecanismo resulte em um cenário que maximize os ganhos econômicos e minimize os ganhos ambientais, quando o que deve ser buscado é a maximização dos ganhos ambientais e a minimização dos custos econômicos. Na sequência apresentou alguns riscos considerados chave:

 Quanto mais “frouxo” for o sistema de CAR, mais chance teremos de haver CRAs fictícias. Por exemplo, no caso de cadastrar por matrícula e não por propriedade, pode se criar matrículas de “papel”. Da mesma forma, a falta de resolução das questões

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fundiárias, de efetivo controle dos ativos e passivos florestais, ou de um sistema transparente de monitoramento das CRA ameaçaria o mecanismo;

 É necessário levar em consideração as possíveis dificuldades de processar o CAR e CRA e entender em que medida o Estado tem que fortalecer sua gestão;

 No controle do cancelamento e do tempo de duração da CRA, talvez seja necessário se pensar em algum tipo de seguro ou de salvaguardas;

 A CRA deve ser usada como instrumento econômico estratégico dentro de uma política de conservação do estado. Para isso, seria importante identificar áreas prioritárias para emissão de CRA;

 A CRA não deve ser um mecanismo que funcione somente para grandes empreendimentos rurais.

Em cima dessas questões foram apresentadas propostas iniciais com o objetivo de maximizar os benefícios ambientais:

 Uma opção seria criar uma implementação por fases. Por exemplo, aceitar nos dois primeiros anos somente CRA de áreas prioritárias, identificadas no âmbito do PRA.

Essas áreas poderiam incluir: i) Áreas vulneráveis do ponto de vista ecológico (por exemplo: áreas assim identificadas pelo ZEE, ou áreas em bacias hidrográficas muito degradadas); e ii) Áreas vulneráveis do ponto de vista socioeconômico, mais sensíveis ao desmatamento em curto/ médio prazo (por exemplo: manejos já explorados, RL de assentamentos). Por outro lado, áreas de UC talvez não fossem prioridade, por não sofrerem pressão de desmatamento tão imediata.

 Outra proposta levantada seria criar cotas diferenciadas de acordo com seu valor ambiental. No entanto, essa proposta tende a dificultar a fungibilidade das cotas.

Discussão sobre as estratégias de mitigação de riscos e maximização de benefícios

 Sobre a pertinência de restringir o mercado a áreas prioritárias dentro do estado, foi colocado inicialmente que aplicar essa restrição à demanda, limitando a possibilidade de determinadas áreas se regularizarem utilizando a CRA, poderia representar mais uma entrave ao mercado; já aplicar tal limitação à oferta, priorizando áreas mais vulneráveis, pode ajudar temporariamente a equilibrar o mercado, contribuindo assim com a conservação das áreas mais vulneráveis. Essa priorização pode ser feita através da identificação de áreas prioritárias através de critérios ecológicos e/ou socioeconômicos (seguindo limites políticos ou categorias fundiárias). Para o restante da oferta, pode se pensar em outros mecanismos de valorização.

 Segundo alguns participantes, a proposta de criar diferenciação para as CRA não é muito interessante. Quanto mais simples e único for o título, melhor o mercado irá funcionar. Além disso, a diferenciação pode dificultar o entendimento pelo produtor, trazendo dúvidas e restringindo o interesse no mecanismo.

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Conclusões e próximos passos

Na conclusão da oficina de trabalho, os participantes reforçaram a sugestão de refinar alguns pontos do estudo do ICV sobre oferta e demanda potencial de CRA em Mato Grosso, incluindo a opção de reduzir para 50% a RL caso o município tenha mais de 50% de sua área sob UC ou TI e a distinção na análise dos ativos entre as áreas legalmente desmatáveis e não desmatáveis.

Foram ressaltadas as dúvidas que ainda precisam de esclarecimentos, e também os pontos sobre os quais devem ser tomadas decisões como: passo a passo do mecanismo, envolvimento de intermediários (bolsas ou plataformas de compra e venda), implementação inicial em áreas prioritárias para escalonar o estabelecimento da oferta, duração das CRA, restrição do mercado nos estados, entre outros. Sobre a definição de áreas prioritárias no estado, foi sugerida a criação de um grupo de trabalho para definir critérios para mapear essas áreas e estudar a viabilidade de inclusão na regulamentação.

Em termos de processo, foi proposto ampliar e dar sequencia à discussão em Mato Grosso, chamando para o debate mais grupos de atores envolvidos, como representantes do setor produtivo (FAMATO, APROSOJA), da Assembleia Legislativa e do governo estadual, em nível de tomada de decisão. Dessa forma, os estudos apresentados e os resultados das discussões dessa oficina poderão contribuir com o processo de preparação da implementação da CRA e do PRA no estado. Além disso, foi sugerido levar também essas reflexões para o debate no nível federal, onde está sendo preparada uma regulamentação, pouco discutida com a sociedade civil, que pode impactar a aplicação do mecanismo nos estados.

Enfim, foi salientada a importância da condução de um processo transparente e baseado em informação qualificada para tomada de decisão pública sobre a regulamentação da CRA, de grande relevância para a sociedade do estado, bem como do estabelecimento de mecanismos que assegurem o adequado monitoramento de sua implementação.

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Anexos

Anexo 1 – Programação da oficina

Manhã

1. Introdução e apresentação dos participantes

 Nivelamento sobre o novo Código Florestal e CRA (Raul do Vale - ISA) 2. Viabilidade econômica do mercado de CRA: análise do potencial de oferta e demanda

 Avaliação do potencial de oferta e demanda em nível nacional (Otávio Dutra - Biofílica)

 Análise detalhada do potencial de oferta e demanda no estado de Mato Grosso (Laurent Micol - ICV)

 Discussão

Tarde

3. Ampliando a demanda por CRA: avaliação da possibilidade de uso da CRA como “moeda” para pagamento de dívidas ao estado

 Avaliação preliminar da possibilidade de uso da CRA como “moeda”

para pagamento de dívidas ao estado de Mato Grosso (Raul do Valle - ISA) e Funbio.

 Discussão

4. Regulamentação da CRA: requisitos básicos para o bom funcionamento do mercado

 Avaliação da versão preliminar do projeto de lei do Programa de Regularização Ambiental de Mato Grosso (Roberta Del Giudice - BVRio)

 Discussão

5. Estratégias para mitigar riscos e maximizar benefícios ambientais

 Questões sobre os riscos do mecanismo e oportunidades para maximizar seus benefícios (Andrea Azevedo - IPAM)

 Discussão e conclusão

(17)

Anexo 2 – Lista de participantes

Nome Instituição

Alex Schimidt TNC

Alice Thuault ICV

Andrea Azevedo IPAM

Ana Carolina Crisóstomo IPAM

Barbara Fontoura Simões Pires ISA

Carolina Jordão ICV

Daniela Torezzan ICV

Deroni Mendes ICV

Ebenezer Silva SEMA–MT

Gina Thimóteo Valmorbida TNC

Irene Duarte ICV

João Andrade ICV

Jorcelina Ferreira ICV

Júlia Queiroz Funbio

Julio Bachega CIPEM

Laurent Micol ICV

Leonel Mello BVRio

Mauricio Moleiro Philipp SEMA–MT

Otávio Dutra Biofílica

Paula Bernasconi UNICAMP

Raul Silva Telles do Vale ISA

Ricardo Abad ICV

Roberta Del Giudice BVRio

Rodrigo Dias Lopes Biofílica

Sidney Baganha Baganha Consultoria

Vilson Misturini Misturini VLS

Vinícius Silgueiro ICV

Referências

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