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Rev. adm. empres. vol.32 número1

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Academic year: 2018

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(1)

Refazendo a Fábrica Fordista

Elizabeth Bortolqia Sil.va

São Paulo, Editora Hudtec, Fundação de

Amparo

à

Pesquisa

do

Estado de São Paulo,

1991, 394 páginas.

Por Claüde m。」ィャゥョ・セ@ Professor Títular do Departamento de Administração de Produção, Logística e de Operações Industriais da EAESP/FGV ..

Hzabeth Bortolaia Silva é doutora

e:m

Sociologia Industrial pelo Imperial C ollege o f Sciense and Te-chnology da Universidade de Londres. E gradua-da em Ciências Sociais e wfestre en1 Ciência Política pe-la Universidade de São Paulo.

A autora aborda no seu livro temas de extren1os inte-resse e relevância, notadamente a relação entre tecnolo-gia e organização do trabalho; a infÍÚência da auton1a-ção sobre produtividade e qualidade; e as pressões da competição nacional e intt>rnacional, que con1pelem a fábrica a se adeqttar aos seus novos desafios.

A anális:e baseia-se nlimâ cmnparação entre duas fá-bricas de automó.veis, urna inglesa, localizada em Da-genham, Essex, na Grã-Br:etanha, e outra, brasileira, si-tuada em São Bernardo do Campo, na Grande São Pau-' lo. An1bas as unidades pertence1n à Ford Motor Com-pan y. A pe$quisa foi realizada em 1986, para elaboração da tese de doutorado da autora.

O texto é dividido ・セ@ dez capítulos. No primeiro, é passada em revista a literatura sobre o tema, citando-se os trabalhos clássicos de JoanF. Woodward e Michel Crozier. Esses representantes do "determinis1no tecno-lógico" argumentam que uma única forma de organiza'"" ção é mais apropriada para os requerimentos tecnológi-cos de cada estágio de desenvolvimento econômico. A escola oposta, de i l determinisn1o cultural",

representa-da por Duncan Galliee

la:n

rvtaitland, sustenta que a cul-tura nacional determina o uso da tecnologia, a organi-zaçã9 do trabalho e

as

estratégias de g,erenciamento, ne-gando セ@ existência de corr;elação entre tecnologia e tra-balho. E apresentada ainda a perspectiva da moderna l/escola da regulação", que postula a existência de uma lqgica universal de trabalho, mas afirn1a que cada socie-dade gera seu próprio processo de adaptação e mudan-ça a partir cle capacidades e recursos próprios.

Ainda neste prin1eiro câpítuloJ exan1ina-se outro fa-tor preponderante que tnodifica as condições sociais de produção: o padrão dominante de produção na época, que é, hoje, o modelo japonês. O profundo impacto das práticas japonesas, dissenúnadas universalmente, tais como círculos de controle de qualidade, qualidade to-tal, participação, células de fabricação, just in time,

kan-88

Revista de Administração de Empresas

ba.n, polivalência, auto-regulação, e controle estatístico do processo, é lembrado como um fator decisivo na es-colha da empresa ocidentg"l por determinado tipo de or-ganização do trabalho.

A cmnpetição n?tcional e internacional é discutida nos capítulos 2 e 3. E determinante essencial da tecnolo-gia a ser adotada, visando sobretudo à !nelhoria da qua-lidade e à. redução dos cUstos, pois a en1presa deve, sob ameaça de falência, impor aos seus etnpregados novas tecnologias e formas de organização do trabalho, para sobreviver, lembra-nos a autora.

O Capítulo 4 focaliza as estratégias e estruturas da Ford Motor Coinpar\.y nos últhnos cinqüenta anos.

No Capítulo 5,apóstecer considerações sobre as di-ficuldades de se efetuar comparações de produtividade entre etnpresas, 、・ウ」イ・Bセゥャ・ュMウ・@ em minúcias as rnudan-ças introduzida§ nas fábricas de Dagenham e São Ber-nardo, para rnodernizá-las. Semelhanças e díferênças entre as opções escolhidas, aqui e lá, nos processos de produção, setor por setor, são descritas e comentÇtdas.

Os três capítulos seguintes examinan1 os sistemas de reláções industriais na Grã-Bretanha e no Brasil, com ênfase no seg1nento automobilístico, e, etn partictüar, naFord.

O Capítulo 9 analisa a flexibílidade, qualidade e efi-ciência nas duas fábricas, mostrando que Dagenhmn op-tou por se modernizar, atualizando seu plano de cargos, carreira e salários, enquanto São Bernardo adotou as práticas de Trabalh:CJ Participàtivo (Employee Involve-ment). A autora constata que o Brasil possui 1nelhores condições para se valer da participação no trabalho do que a iョァャ。エセイイ。L@ アオセ@ poss.ui maior tradição sindical, ain-da que na Europa tenha nascido a idéia de participação.

O Capítulo 10 encerra a obra co:p1 o argumento de que diversidades nacionais e tradições históricas condi-cionam as estratégias cmnpetitivas dos 、ゥカ・イセッウ@ países. O uso de tecnologia de popta é apenas tnn fator, entre muitos, qbe pesará na estnttura organizacional e nos re-sultados econôtnicos.

(2)

A comparação entre as duas fábricas deve ser enten-dida como sendo apenàs um ponto de partida para o debate das momentosas questões levantadas nesta obra, pois, como lembra a autora, a complexidade dos fatores envolvidos leva a muita cautela nas conclusões. Vale, para o leitor brasileiro, a descrição pornlenoriza-da pornlenoriza-da fábrica pornlenoriza-da Ford ABC e de seus esforços de inser-ção na modernidade. É fascinante o relato das agitações sindicais da últüna década. Mas as variáveis exôgenas são numerosas, con1plexas e excessivamente inter-rela-cionadas para que se possa extrair alguma conclusão válida sobre qual elemento (tecnologia, cultura/ tradi-ção, estratégias empresarial e sindical, estrutura sala-rial e outros) detenninará de forma decisiva a organiza-ção do chão da fábrica.

O que é uma "fábrica fordista"? E para que urefazer a fábrica fordista"? A planta gigante que Henry Ford I

montou em Detroit, em 1908, é emblen1ática do proces-so industrial que estabeleceu a supremacia norte-ame-ricana neste século. Suas características principais são as seguintes, recorda a autora:

• ーイッ、オ￧セッ@ em série, a custo mínin1o; • mercado de n1assa, economia de escala; • padronização do produto;

• racionalização do trabalho, através do uso dos con-ceitos taylorianos, de procura da eficiência e de admi-nistração "científica"; ·

• fragmentação das tarefas do trabalhador, levando

à monotonia e ao alheiamento do operador, sobretudo na linha de montagem;

• utilização intensiva de assessorias, limitando a "li-nha" à execução rotineira das operações.

O ュッアセャッ@ japonês, cujo paradig1na é a Toyota Motor Co., utilizou muitos princípios do fordismo, mas tam-bém se valeu dos ensinamentos das escolas de adminis-tração que sucederam ao taylorismo, como as de Rela-ções Humanas e de Sistemas, além de se estribar em ca-racterísticas culturais japonesas, tais como a disciplina, o senso do dever, a habilidade de trabalhar em equipes, o medo de perder a face e o emprego, o revanchismo, e assim por diante.

Vara os gerentes industriais brasileiros, o fordismo, que, reconhece a autora, provavelmente nunca foi in-tensamente praticado no País, exceção feita a algumas grandes empresas de montagem, é considerado, de qualquer forn1a, superado, e nenhum deles se proporia a refazer un1a fábrica fordista. O objetivo, hoje, é mon-tar un1 sistema produtivo, econômico e de qualidade excelente, incorporando, na medida do ーッウウ■カ・ャセ@ os procedimentos que estão dando certo no Japão, na Asia e nos "transplantes" realizados e11-1 outros países. A au-tomação, como qualquer outra técnica, será adotada ca-so se justifique economicamente ou por n1otivos de

qualidade ou de melhoria da "ilnagem" da empresa no mercado externo.

O gr<:1.nde problema prático, para o administrador brasileiro, é a escolha do tnétodo a adotar para reduzir seus custos, melhorar sua qualidade e manter os prazos prometidos de entrega.

A leitura deste trabalho çontribuirá para que o admi-nistrador nacional tenha sua escolha facilitada e o estu-dioso da economia e do trabalho entenda melhor as pro-fundas alterações que estão ocorrendo em toda parte na tecnologia e na organização da fábrica/ a ponto de serem consideradas, sob as designações de neofordismo, pós-fordismo, ohnismo, toyotisn1o ou fujitsuísmo, conceitos radicahnente diferentes do fordismo do início do século. Na fábrica moderna, os desvios mais ·n1on1entosos em relação ao fordismo clássico são os seguintes: flexibi-lidade nos processos, a fim de fabricar gatnas variadas de produtos, bastando mencionar que o moderno auto-móvel, longe de ser um "João ninguém" padronizadb, é fabricado sob ençomenda; segundo as especificq.ções de cada cliente; redução sempre n1aior do prazo de entrega; e papel cada vez mais abrangente do homem de linha, com o conseqüente declínio do assessor, provocando in-gentes repercussões na organização do .trabalho.

Em conclusão, o trabalho em tela, por sinal, de sólida estrutura e fina lavra, se não esgota o tema que se pro-pôs abordar, nem valida qualquer hipótese, tem o Inéri-to de apontar para o vasInéri-to espectro de faInéri-tores a influen-ciar a estruturação do trabalho na fábrica moderna, que está tendo efetivamente que ser produndamente "refei-ta", além do 11

fordismo". O

Negotiations: Varieties,

Contexts, Processes and

Social Order

Anselm Strauss

Londres,

jossey-Bass

Publishers, 1978.

Por Roberto Venosa, eセァ・ョィ・ゥイッL@ MBstre em Administração Pública pela Universidade de Pittsburgh,, Doutor em Sociologia pela EHESS, Paris, professor Titular do Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos da EAESP/FGV e pmfBssor visitante da University of St. Andrews, Escócia.

nselm Strauss, muito provavelmente, não é um autor netn suficientemente conhecido nem cita-do por aqueles que trabalham com Teoria Orga-nizacional. No entanto, uma das preocupações de Strauss negociação- começa a ser um tópico de

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