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Repositório Institucional UFC: Franquias: um estudo de caso com insucesso

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Academic year: 2018

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA, CONTABILIDADE E SECRETARIADO EXECUTIVO

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

MATEUS PEREIRA DOS SANTOS NETO

FRANQUIAS: UM ESTUDO DE CASO COM INSUCESSO

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MATEUS PEREIRA DOS SANTOS NETO

FRANQUIAS: UM ESTUDO DE CASO COM INSUCESSO

Monografia apresentada à Faculdade de Economia, Administração, Atuária, Contabilidade e Secretariado Executivo para obtenção do grau de Bacharel em Administração.

Orientador (a): Carlos Manta Pinto de Araújo

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Neto, Mateus Pereira dos Santos

Franquias: Um estudo de caso com insucesso / Mateus Pereira dos Santos Neto – Fortaleza, 2013.

61 f.

Monografia (Graduação) – Universidade Federal do Ceará, Departamento de Administração.

1. Franquia 2. Empreendedorismo 3. Estudo de caso descritivo

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MATEUS PEREIRA DOS SANTOS NETO

FRANQUIAS: UM ESTUDO DE CASO COM INSUCESSO

Esta monografia foi submetida à Coordenação do Curso de Administração, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Administração, outorgado pela Universidade Federal do Ceará – UFC e encontra-se à disposição dos interessados na Biblioteca da referida Universidade.

A citação de qualquer trecho desta monografia é permitida, desde que feita de acordo com as normas de ética científica.

Data da aprovação ____/____/_____

______________________________________ Nota

Prof. Carlos Manta Pinto de Araújo --- Prof. Orientador

______________________________________ Nota Prof. Zorandy Lopes Oliveira ---

Membro da Banca Examinadora

______________________________________ Nota Prof. Fabiano Rocha ---

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Primeiramente, a Deus que sempre me foi o meu alicerce de fé e esperança e que esteve me guiando em todos os momentos de minha vida, fazendo com que eu pudesse tomar decisões importantes e que trouxeram bastante aprendizado e crescimento pessoal e profissional.

Aos meus pais, Mateus e Margareth, que sempre acreditaram em mim e me deram forças para conquistar tudo na minha vida e que são os meus exemplos de vida e de família.

As minhas irmãs, Ana Lúcia, Camilla e Jamille, que puderam copartilhar comigo todos os momentos de minha vida, me proporcionando situações únicas e inesquecíveis e que sempre me orgulharam pela bondade, lealdade e amizade que têm no coração.

As minhas tias, Maria do Carmo e Maria do Socorro, por todo o apoio e por transmitir determinação, força de vontade, amor e por serem mulheres guerreiras e exemplares.

A minha namorada e companheira, Natália, pela paciência, insistência em acreditar no meu potencial e por todos os momentos que esteve ao meu lado me incentivando e tornando meus dias mais completos.

Aos meus verdadeiros amigos que estiveram comigo nos momentos bons e nos mais difíceis, por me acolherem como parte das suas vidas. A todos aqueles que respeitaram minhas decisões e não me julgaram em nenhum momento.

Ao professor Carlos Manta, pelo incentivo, paciência e orientação durante a realização desse trabalho.

Aos membros da banca examinadora pela disponibilidade e atenção.

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Este trabalho tem o objetivo de mostrar que o sistema, embora em sua maioria, tende ao sucesso, também está suscetível ao insucesso. Inicialmente é abordado o conteúdo franquias em seus aspectos mais relevantes como histórico, conceitos e terminologias, processo operacional para aquisição de uma franquia, dados de evolução do setor de franchising. Em seguida são apresentadas características do aspecto do empreendedorismo, analisando suas origens e definições, além do apoio bancário focado na linha de crédito FNE – Comércio e Serviços. Posteriormente é apresentado um estudo de caso que conflita com a tendência das franquias ao sucesso, pois foi abordado um caso de insucesso, onde foi realizada uma entrevista com um franqueado que teve seu negócio levado ao fracasso. Por último, apresenta conclusões, destacando os fatores de mais relevância para o mercado de franquias e o cuidado que se deve ter para abrir um negócio no Brasil.

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This paper aims to show that the system, although in most cases, tends to success, is also susceptible to failure. Content is initially approached franchises in its most relevant aspects like history, concepts and terminology, operational process for acquiring a franchise, data evolution of the franchising industry. Then some characteristics of the aspect of entrepreneurship, analyzing their origins and definitions, as well as banking support focused on the credit line FNE - Trade and Services Subsequently we present a case study that conflicts with the tendency of franchises to success, because it was addressed a case of failure, where an interview was conducted with a franchisee who had taken their business to failure. Finally, presents conclusions, highlighting the factors most relevant to the franchise market and care should be taken to open a business in Brazil.

Key words: Franchising, Entrepreneurship, Descriptive case study.

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Quadro 1 - Breve resumo da evolução do sistema de franquias ... 19 Quadro 2 – Faturamento do Setor de Franchising ... 27 Quadro 3 – Distribuição do faturamento do setor de franchising por segmentos de

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Gráfico 1 – Distribuição do faturamento do setor de franchising por segmentos em 2012 ... 28 Gráfico 2 – Distribuição do número de redes de franquias por segmentos de atuação da

franchising em 2012 ... 29 Gráfico 3 – Distribuição do número de unidades franqueadas por segmentos de atuação

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Tabela 1 – Estimativa de Recursos para 2013 ... 35 Tabela 2 – Projeção de Financiamento por Estado e Setor de Atividade (R$ Milhões) ... 36 Tabela 3 – Projeção da Distribuição de Financiamento por Porte de Beneficiário ... 36 Tabela 4 – FNE – Definição de Porte de Empresas e Produtores Rurais Setores Rural e

Não Rural ... 37 Tabela 5 – FNE Comércio e Serviços – Prazos Máximos ... 41 Tabela 6 – FNE Comércio e Serviços – Encargos Financeiros e Bônus de Adimplência.

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ABF – Associação Brasileira de Franchising ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil BNB – Banco do Nordeste do Brasil

BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento CFI – Credenciamento de Fabricantes Informatizado CMN – Conselho Monetário Nacional

COF – Circular de Oferta de Franquia

Condel/Sudene – Conselho Deliberativo da Sudene FCPP – Fundo Cooperado de Publicidade e Propaganda FNE – Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste

MERCOSUL – Mercado Comum do Sul

MI – Ministério da Integração Nacional PPB – Processo Produtivo Básico

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LISTA DE QUADROS ... 08

LISTA DE GRÁFICOS ... 09

LISTA DE TABELAS ... 10

LISTA DE SIGLAS ... 11

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO ... 15

CAPÍTULO 2 - FRANQUIAS ... 17

2.1 Conceitos e terminologias ... 19

2.2. Processo operacional para aquisição de franquia ... 22

2.3 Dados numéricos de evolução das Franchisings ... 27

CAPÍTULO 3 – EMPREENDEDORISMO E O APOIO BANCÁRIO ... 32

3.1 Primeiros usos do termo empreendedorismo... 32

3.2 Conceituando empreendedorismo ... 33

3.3 Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE 2013 ... 34

3.3.1 Disponibilidade de Recursos para 2013 ... 35

3.3.2 Projeção de Aplicação por Estado e Setor de Atividade ... 35

3.3.3 Projeção da Distribuição de Financiamento por Porte de Beneficiário ... 36

3.3.4 Condições Gerais do FNE ... 36

3.3.5 FNE Comércio e Serviços – Programa de Financiamento para os Setores Comercial e de Serviços ... 37

CAPÍTULO 4 – ESTUDO DE CASO: FRANQUIA JOANA JOÃO ... 43

4.1 Metodologia ... 43

4.2 Joana João – Franqueada – Fortaleza ... 44

4.3 A empresa Joana João – Franqueadora ... 45

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REFERÊNCIAS ... 58

APÊNDICE A – ROTEIRO DE PERGUNTAS ... 60

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CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO

O Nordeste tem passado por uma fase no crescimento de movimento turístico nos últimos anos. Vários são os fatores que contribuem para isto, destes, o Fortal, carnaval fora de época, os eventos esportivos mundialmente conhecidos como Copa das Confederações e Copa do Mundo de Futebol, e a coincidência do verão com o inverno nas regiões sul e sudeste. Essa movimentação despertou o pesquisador durante a graduação, entre os anos de 2006 e 2013, para a realização de uma série de trabalhos na captação de recursos financeiros para alguns empreendedores junto ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) na cidade de Fortaleza.

Neste período, surgiram alguns projetos relacionados à franquia, entre eles o segmento de vestuário. A partir dessa experiência foi despertado o interesse sobre tal temática, por considerar que se trata de um negócio viável, uma excelente opção para quem quer empreender com menores riscos e por ser um setor crescente no cenário nacional.

Ao longo de muitos anos e até hoje também se identifica que muitos empreendimentos surgiram e pouco tempo depois desapareceram, sendo poucos aqueles que perduram por mais de vinte anos, por exemplo, as franquias do McDonald’s. Um dos fatores que contribuiu para o surgimento de muitos estabelecimentos foi a ampliação da quantidade de shoppings, haja vista que muitos desses estabelecimentos franqueados compõem as áreas locáveis.

Acredita-se que o cenário está favorável para a implantação de franquias devido ao aquecimento da economia e o aumento do poder de compra do brasileiro. O sistema de franchising no Brasil é respeitado em todo o mundo, não apenas pelos números apresentados, mas também pela liderança que os brasileiros têm exercido nas associações globais que congregam as empresas franqueadoras e franqueadas. Diferente de outros países o Brasil tem a Lei de Franquias (Lei nº 8955/94, de 15 de dezembro de 1994) com regras claras e bem definidas sobre a prática da franchising.

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Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) nacional (2012), 26,9% das pequenas empresas brasileiras fecham as portas antes de completar dois anos.

Ainda de acordo com o SEBRAE (2012), na franchising esse número é entre 1% e 1,5% ao ano. Com a competição acirrada e consumidores cada vez mais bem informados e exigentes, não há espaço para quem toma decisão sem base científica. As principais dificuldades enfrentadas pelas pequenas empresas vão desde o registro de marcas, liberação de crédito, gerenciamento de tributos, até a falta de mão de obra.

Ao decidir ingressar numa rede, o franqueado já inicia o seu negócio com planejamento profissional em diversas áreas do negócio, como gestão de fornecedores, finanças e marketing, fato este que justifica o maior sucesso obtido pelas franquias. Contudo sempre pode haver a possibilidade de insucesso apesar de todas as orientações e condicionantes de ordem contratual. A presente pesquisa direcionou-se para uma pequena empresa do ramo de vestuário objetivando identificar porque aparentemente não conseguiu lograr êxito apesar de ter sido avaliada pelo franqueador e pelo órgão financiador BNB na linha de crédito FNE Comércio e Serviços.

A importância de um estudo desta natureza, no que pese ser um relato de insucesso é, no entanto, uma possibilidade de alertar as partes envolvidas em um negócio de franquia e financiamento evitando frustrações e prejuízos materiais e financeiros.

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CAPÍTULO 2 – FRANQUIAS

Existem algumas controvérsias em relação ao início do sistema de franquias. Alguns autores dizem que a Franchising começou na Europa, já outros afirmam que essa prática se iniciou nos Estados Unidos.

O conceito de franquias desenvolveu-se ao longo da história, sendo suas primeiras referências ao longo da Idade Média. Havia as cidades francas, onde os negociantes recebiam o direito de livre circulação, inclusive de seus bens e serviços. Nessas cidades, quem lá habitava estava livre da relação de servidão como os senhores feudais. Mesmo assim, os comerciantes acabavam pagando ao senhor feudal pela manutenção do exército, que, em contrapartida tinha a obrigação de dar segurança aos camponeses e à população da cidade, dentro das muralhas de seu castelo, em caso de guerra. Assim, o termo “franquia” nasce relacionado à ideia de uma concessão de direitos: uma liberdade de servidão ou dispensa de servidão(KRAUSE, 2007 pag. 30).

Na história, encontram-se exemplos de práticas comerciais que se assemelham ao sistema de franquias desde o século XII, em Londres. Mas, de forma geral, considera-se que o sistema de franquias começou nos EUA após a guerra civil, quando a empresa de máquinas de costura Singer estabeleceu uma rede de revendedores (BRASIL, 2005).

A franchising surgiu nos Estados Unidos, na década de 1950, como um sistema de negócios utilizado por pequenas empresas que concediam sua marca para outros estabelecimentos, sem muita preocupação com padrões e formatações. Aos poucos, o sistema foi amadurecendo, ganhou o nome pelo qual se tornou conhecido no mundo todo e um faturamento de participação significativa no Produto Interno Bruto de vários países PEGN (2003)1.

No Brasil, as empresas começaram a chamar suas operações de franquia em meados da década de 80. Os precursores do sistema, como Yázigi International e Bob's, contam que trabalhavam com essa forma de negócios havia muito tempo, mas não usavam o termo franquia por não conhecê-lo. As redes passaram a formatar seus conceitos e a adotar o sistema oficialmente apenas na década de 1990. Em 1994, a Lei nº 8.955/94, de 15 de dezembro, foi promulgada para disciplinar os contratos de franquia.

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O sistema de franquias está em constante evolução, havendo aprimoramentos ao longo do tempo. Segundo Plá (2001) o sistema de franquias divide-se em cinco gerações:

Franquias de Primeira Geração – caracterizam-se pela licença de uso de marca e pouco suporte ao franqueado. São aquelas que não possuem a exclusividade em favor do franqueado. Os mesmos produtos ou serviços podem ser encontrados em diversos pontos de venda, inclusive em lojas multimarcas.

Franquias de Segunda Geração - oferecem um pouco mais de suporte ao franqueado. Geralmente o franqueado é obrigado a comprar a mercadoria do franqueador e os royalties e taxas de promoções estão embutidos no preço da mercadoria. Diferente da primeira, os produtos ou serviços são encontrados apenas nos estabelecimentos que integram a rede que opera sob a marca licenciada pelo franqueador. Embora ofereça alguns riscos para ambas as partes, pode ser uma franquia de revenda ou distribuição exclusiva, como é o caso do Boticário e Casa do Pão de Queijo.

Franquias de Terceira Geração – caracterizam-se pelo desenvolvimento pelo franqueador de produtos/serviços, sendo que este fornece um grande suporte ao franqueado. Neste tipo de franquia a transparência é total, exemplo: Mister Pizza. A característica principal é a parceria entre franqueador e franqueado. O objetivo é garantir a manutenção em toda a rede de estabelecimentos, e um padrão mínimo de qualidade e de uniformidade que assegure a eficiência e a eficácia do negócio. Neste caso, os investimentos são de médio porte, como as lavanderias.

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estratégicos de marketing com terceirização de serviços especializados. Alguns exemplos são grandes drogarias e postos de gasolina.

Franquias de Quinta Geração - são franquias de quarta geração que têm a garantia de recompra pelo franqueador. Isso só é viável quando o franqueador é detentor do ponto comercial (proprietário ou locatário, que aluga ou subloca ao franqueado). Exemplo: McDonald's.

Quadro 1 - Breve resumo da evolução do sistema de franquias:

Década Acontecimento

50 Surgiram as redes McDonald’s, Burger King, KFC, Dunkin Donuts e outras. Grande explosão nos EUA.

60 Conflitos e leis. Algum movimento no Brasil (Yázigi, CCAA e poucas outras)

70 Internacionalização – dos EUA para fora. Mais movimento no Brasil (Ellus, Água de Cheiro, Boticário...)

80 Globalização. Surge a ABF. Franchising “explode” no Brasil.

90

Efeito da globalização cada vez mais forte no mundo dos negócios. As franquias de serviço começam a se destacar no Brasil. Franqueados mais exigentes, buscando por mais informações e por conhecer melhor o franqueador. O efeito da internet nos negócios e no relacionamento entre franqueado e franqueador cada vez maior. Ascensão e crise no sistema de franquias no Brasil. Aprovação no congresso da Lei 8955.

2000 em diante

Mais consistência, franqueados e franqueadores melhores preparados. Tendência: crescimento mais lento e mais saudável. Maior profissionalização do sistema.

Fonte: BRASIL, Ministério do Desenvolvimento. Cartilha: O que é franquia. 2005 2.1. Conceitos e terminologias

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franqueado o direito de explorar o seu conceito, know-how e marca, mediante uma contraprestação financeira.

De acordo com a lei 8.955/94:

Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso da marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso da tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício.

Trabalhar com o sistema de franquias dispõe um risco bem menor ao franqueado frente a um negócio independente, visto que, na teoria, o negócio já foi testado e seus problemas resolvidos.

Os termos mais utilizados no sistema de franquias são:

Franqueador

Segundo Andrade (1996, p.24):

Franqueador é a pessoa jurídica que contrata a franquia de sua marca, de seus produtos e/ou serviços, de seu nome comercial ou título de estabelecimento, oferecendo know-how administrativo, de gerenciamento, de marketing, publicidade, proporcionando para isso total assistência e exigindo o cumprimento integral e absoluto de normas preestabelecidas em contrato, já que detém um negócio vitorioso e quer expandi-lo sem inversão de recursos próprios.

Franqueado

Para Plá (2001, p.25):

O franqueado se define como “pessoa jurídica ou física que paga ao franqueador para aderir à rede de franquia e operar o seu próprio empreendimento, que tem todo o formato do negócio do franqueador – marca conhecida e know-how, operação e tecnologia já testados e aprovados”.

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• Taxa de franquia

A Taxa de Franquia, também chamada de Taxa de Licença, Taxa Inicial, ou “Franchise Fee”, consiste num valor único inicial, geralmente pago pelo franqueado ao franqueador, por ocasião da assinatura do contrato de franquia. (CHERTO e RIZZO, 1991).

Essa taxa remunera a franqueadora em licença de direito de uso da marca, capacitação inicial do franqueado e de sua equipe antes da inauguração e transferência de know-how.

O franqueado deve receber, antes da abertura, orientação quanto ao sistema de gestão, os fornecedores da rede, a reforma e as instalações da unidade, identidade visual e todos os outros aspectos e informações que o franqueado precisa saber para colocar o negócio em funcionamento.

Royalties

Segundo Cherto e Rizzo (1991, p. 18) os “royalties” constituem um valor que o franqueado paga periodicamente ao franqueador, para remunerar a tecnologia que este continua a lhe transferir e os serviços que continua a lhe prestar enquanto perdurar a relação entre ambos.

Os royalties são como um investimento que os franqueados fazem coletivamente para sustentar a operação da empresa franqueadora, visando a constante melhoria dos padrões, serviços e produtos da rede.

Trata-se de uma retribuição financeira em troca de uso da marca e apoio ao franqueado. Este apoio é dado da seguinte maneira:

• Treinamentos e reciclagens do franqueado e equipe;

• Produção e atualização dos manuais de administração e operação da franquia;

• Supervisão da unidade franqueada;

• Suporte mercadológico, informando periodicamente as mudanças nos hábitos de consumo e as tendências do mercado;

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Essa taxa, quase sempre, é um percentual fixo e preestabelecido no contrato, que incide sobre o montante do faturamento bruto da franquia. Ela pode ser também calculada por um percentual sobre as compras que o franqueado faz ao franqueador. Há também, em alguns casos, a definição da taxa por um valor fixo mensal. (CHERTO e RIZZO, 1991)

Taxa de publicidade e fundo cooperado de publicidade e propaganda

A Taxa de Publicidade e Propaganda é uma contribuição mensal de cada unidade destinada a acumular recursos de toda a Rede para o “Fundo Cooperado de Publicidade e Propaganda – FCPP”. O objetivo do FCPP é o de unir recursos para divulgar a marca, os produtos, os serviços, as campanhas e promoções, catálogos, logotipos e demais fatos e argumentos de negócios, todos ligados diretamente à franquia.

A forma de administração desses recursos pode variar de franqueador para franqueador.

Circular de ofertas da franquia (COF)

Trata-se de um documento que deve prestar ao candidato a franqueado informações corretas e fundamentais sobre a empresa franqueadora, e a franquia, “em linguagem clara e acessível”, conforme determina a lei 8.955 de 15/12/94. Este documento é obrigatório, e deve ser entregue ao candidato, mediante assinatura de um protocolo de recebimento, no mínimo 10 dias antes da assinatura do Contrato de Franquia.

2.2. Processo operacional para aquisição de franquia

Para quem deseja adquirir uma franquia é necessário cumprir um processo, aqui apresentado em seis passos (BRASIL, 2005):

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Para esclarecer estas dúvidas e incertezas é necessário que se faça uma pesquisa profunda das oportunidades, das empresas e dos empresários que estão por trás do negócio franqueado.

A escolha da franquia pelo candidato deve ser embasada nos seguintes critérios:

• Conhecimento do sistema de franquias;

• Auto avaliação;

• Avaliação do negócio;

• Avaliação do investimento necessário;

• Conhecimento da empresa franqueadora.

O segundo passo: O candidato deverá obter informações acerca do sistema através dos sites de franquias, entre eles o da Associação Brasileira de Franchising– ABF – e revistas especializadas.

Tanto nos sites como nas revistas o candidato irá encontrar matérias sobre diversos assuntos tais como: franquias de sucesso, problemas entre as redes, além de divulgação sobre oportunidades de negócios. É necessário que se tenha conhecimento das vantagens e desvantagens desse tipo de negócio.

O terceiro passo: Após analisar as vantagens e desvantagens do sistema de franquias, o candidato precisa fazer uma autoanálise para saber se tem o perfil para ser um franqueado, bem como qual tipo de negócio ele mais se identifica.

Para isso, alguns pontos devem ser levados em consideração:

• Características pessoais – Qual o tipo de negócio e atividade que melhor se encaixa a seu perfil;

• Capacidade de investimento – Quanto tem de disponibilidade financeira para aplicar no negócio e manter uma reserva para os primeiros meses de operação?;

• Habilidade e conhecimentos – Quais dessas características adquiridas ao longo dos anos podem ser utilizadas para agregar valor à operação do negócio?;

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objetivos nesse período, uma vez que a rescisão de contrato com a franquia exige o cumprimento de regras estipuladas pelo franqueador, por exemplo, ele geralmente tem preferência pelo ponto e o franqueado/comprador deve ser aprovado por ele também;

• Disponibilidade e vontade de aprender – O franqueado ideal às vistas do franqueador é aquele que quer aprender sempre e está disposto a seguir regras e recomendações sobre a operação do negócio. Portanto, o candidato deve avaliar até que ponto ele tem perfil e vontade para tal;

• Dedicação ao negócio e vontade de ganhar dinheiro (ambição) – O fato de ser um franqueado não quer dizer que o negócio vai andar sozinho, ou ainda que o franqueador vai resolver todos os problemas de sua unidade. É preciso ter dedicação, garra e muito trabalho para obter resultados;

• Persistência, determinação e visão de médio e longo prazo – Para não ficar desmotivado logo nos primeiros meses, é preciso conhecer bem as projeções de resultado da franquia. Nenhum negócio começa dando resultados positivos. O ponto de equilíbrio, na maioria das vezes, leva de seis meses a um ano para ser alcançado. E para gerar resultados demora de um ano e meio a dois anos, fato que pega de surpresa alguns candidatos imediatistas;

• Lastro financeiro para investir e resistir – Visto o prazo dado anteriormente, o candidato deve avaliar se tem realmente lastro financeiro para sustentar a operação em funcionamento até atingir o ponto de equilíbrio e começar a gerar resultados;

Uma recomendação importante é que o candidato não tome nenhuma decisão em momentos de emoção ou encantamento com o negócio. Para isto, ele deve pedir orientação a um especialista para realizar todas as análises financeiras de forma racional, desprovida de qualquer fato emocional. A aquisição de uma franquia deve ser um fato bem pensado e consciente, não envolvido por impulso.

O quarto passo: Realizada a análise pessoal, o candidato deve levar em consideração a definição do negócio que mais se encaixa ao seu perfil, portanto ele deve:

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• Definir em que região, cidade ou município pretende instalar o negócio;

• Buscar informações sobre os negócios e segmentos selecionados, conhecendo os franqueadores, a estruturas dessas empresas, o tempo de mercado, a imagem e o conceito da marca e as unidades instaladas;

• Pedir informações sobre investimentos necessários e detalhes do sistema de franquia de cada empresa selecionada;

• Conhecer quais as taxas a serem pagas e os serviços oferecidos;

• Conhecer bem os números do negócio. Simular os resultados – investimento, prazo de retorno, lucratividade, capital de giro necessário.;

• Obter feedback de alguns franqueados e ex-franqueados;

• Analisar, com apoio jurídico, as cláusulas da Circular de Ofertas de Franquia – COF e do Contrato de Franquia;

• Envolver a família na tomada de decisão.

a) Questionamentos a serem feitos ao franqueador

• Quais os principais desafios do negócio;

• Unidades próprias em funcionamento;

• Unidades que fecharam: quantas e por que;

• Estrutura da franqueadora;

• Estrutura para crescimento/expansão;

• Raio de atuação da franquia: mínimo para colocar outra unidade próxima;

• Perfil do franqueado;

• Mobilidade para franqueado;

• Exigência de dedicação do franqueado;

• Nível de autonomia;

• Tipo de assistência e suporte (aprovação de ponto, tempo de treinamento, manuais operacionais, conselho de franqueados);

• Em quanto tempo se instala a loja;

• Suporte para inauguração;

• Frequência de visitas a unidade franqueada;

• Fundo de propaganda: como é aplicado;

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• Dimensionamento de equipe: quantidade de turnos;

• Projeção de faturamento mensal;

• Pró-labore.

b) Processo utilizado pelas franqueadoras na seleção de franqueados

O processo é acionado geralmente a partir do primeiro contato do candidato com a empresa, que procede da seguinte maneira:

• Envia material com informações básicas sobre o sistema e solicita cadastro ao candidato;

• Analisa o cadastro do candidato;

• Solicita referências;

• Realiza entrevista pessoal;

• Apresenta o negócio de maneira mais detalhada e esclarece as dúvidas;

• Analisa o perfil;

• Realiza novas entrevistas do candidato com diferentes profissionais na empresa;

• Aprova ou não o candidato;

• Se aprovado entrega a Circular de Ofertas de Franquias e Minuta de Contrato;

• Aguarda decisão do candidato;

• Assina contrato de franquia;

c) Vantagens do franqueado

• Participa de uma marca consolidada e de prestígio;

• Conta com a experiência do franqueador, minimizando os riscos;

• Possibilidade de uma maior troca de experiências;

• Inicia a operação com métodos profissionais de gestão e com acompanhamento;

• Economia de escala;

• Recebe orientações permanentes sobre a operação da unidade através de treinamentos e manuais;

• Foco nos resultados.

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• Terá que investir e reinvestir no negócio;

• Assegurar a gestão com pessoal qualificado e com perfil adequado;

• Remunerar o franqueador pelo uso do sistema, através do pagamento de royalties;

• Seguir e preservar as regras do sistema;

• Contribuir para o aperfeiçoamento do sistema fornecendo feedback para o franqueador.

O sexto passo: Na assinatura do contrato o candidato deve solicitar ao franqueador um cronograma dos próximos passos e esclarecimentos dos detalhes sobre a assessoria e suporte que vai receber até a inauguração da franquia.

2.3 Dados numéricos de evolução das Franchisings

Ao longo dos anos o setor de franquias vem crescendo e desempenhando um papel muito importante na economia brasileira, além do que tem sido uma ótima alternativa para quem quer empreender com menores riscos.

Quadro 2 – Faturamento do Setor de Franchising.

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Segundo o portal da Associação Brasileira de Franchising – ABF (2012), no último ano, o segmento que mais faturou no mercado nacional foi o de Negócios, Serviços e Outros Varejos atingindo a cifra de 24,718 bilhões de reais; seguido pelo setor de Alimentação com 20,576 bilhões de reais; e em terceiro lugar o de Esporte, Saúde, Beleza e Lazer com 17,866 bilhões de reais; como mostra o Quadro 2.

No gráfico 1 são apresentados percentuais de cada um dos setores em relação ao faturamento total no ano de 2012.

Gráfico 1 – Distribuição do faturamento do setor de franchising por segmentos em 2012

Fonte: ABF – Associação Brasileira de Franchising (2012)

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Quadro 3 –Distribuição do faturamento do setor de franchising por segmentos de atuação em 2012.

Fonte: ABF – Associação Brasileira de Franchising (2012)

Gráfico 2 – Distribuição do número de redes de franquias por segmentos de atuação da franchising em 2012

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Ainda levando em consideração as redes de franquias, porém focando na evolução do número de unidades de franquias no país, com base nas informações da ABF pode-se analisar que o setor de Negócios, Serviços e Outros Varejos é o que contem o maior número de unidades franqueadas fechando o ano de 2012 com 24.457 unidades; logo atrás vem o de Esporte, Saúde, Beleza e Lazer com 19.767 unidades; e Alimentação com 16.029 unidades espalhadas no Brasil. Em contrapartida, o setor que mais sofreu evolução no último ano foi o de Hotelaria e Turismo, passando de 864 unidades em 2011 para 1.848 unidades em 2012, sofrendo uma variação de 114%; apesar do segmento ser um dos que menos possui Redes Franqueadoras. Podemos observar os dados no Quadro 4 e gráfico3.

Gráfico 3 – Distribuição do número de unidades franqueadas por segmentos de atuação no franchising em 2012.

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Quadro 4 – Evolução do Número de Unidades de Franquias

Fonte: ABF – Associação Brasileira de Franchising (2012)

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CAPÍTULO 3 – EMPREENDEDORISMO E O APOIO BANCÁRIO

Dornelas (2005) avalia que, empreender tem a ver com fazer diferente, antecipar-se aos fatos, implementar ideias, buscar oportunidades e assumir riscos calculados. Mais que isso, está relacionado à busca da auto realização. Por isso muitos brasileiros têm buscado no empreendedorismo o caminho para o sucesso, entretanto nem todos têm conseguido atingir o almejado no campo empresarial. É notório o espírito empreendedor do brasileiro, mas preocupante o fato de muitos deles possuírem iniciativa, tentarem empreender esperando que vontade e sorte sejam os ingredientes principais para a geração de grandes negócios.

No Brasil, ser bem sucedido como empreendedor não é tarefa fácil, mas aqueles que conseguem tornam-se referência pela ousadia, criatividade, inovação e persistência, que geralmente acompanham estes indivíduos diferenciados. E o melhor de tudo é que todos podem aprender com estes exemplos e utilizar esse aprendizado de forma a melhorar as suas chances de sucesso. (DORNELAS, 2005, p.13)

Antes de partir para definições mais utilizadas e aceitas, faz-se uma análise histórica do desenvolvimento da teoria do empreendedorismo.

3.1 Primeiros usos do termo empreendedorismo

Dornelas (2005) relata que, um primeiro exemplo de definição de empreendedorismo pode ser creditado a Marco Pólo, que tenta estabelecer uma rota comercial para o Oriente. Como empreendedor, Marco Pólo assina um contrato com um homem que possuía dinheiro para vender as mercadorias dele. Enquanto o capitalista era alguém que assumia risco de forma passiva, o aventureiro empreendedor assumia papel ativo, correndo todos os riscos físicos e emocionais.

Idade Média

(33)

Século XVII

Os Primeiro indícios de relação entre assumir riscos e empreendedorismo ocorreram nessa época, em que o empreendedor estabelecia um acordo contratual com o governo para realizar algum serviço ou fornecer produtos. Como geralmente os preços eram prefixados, qualquer lucro ou prejuízo era exclusivo do empreendedor. Richard Cantillon, importante escritor e economista do século XVII, é considerado por muitos como um dos criadores do termo empreendedorismo, tendo sido um dos primeiros a diferenciar o empreendedor – aquele que assumia riscos -, do capitalista – aquele que fornecia o capital (DORNELAS, 2005).

Século XVIII

Nesse século, o capitalista e o empreendedor foram finalmente diferenciados, provavelmente devido ao início da industrialização que ocorria no mundo. Um exemplo foi o caso das pesquisas referentes à eletricidade e química, de Thomas Edison, que só foram possíveis com o auxílio de investidores que financiaram os experimentos (DORNELAS, 2005).

Século XIX e XX

No final do século XIX e início do século XX, os empreendedores foram frequentemente confundidos com os gerentes ou administradores, sendo analisados meramente de um ponto de vista econômico, como aqueles que organizam a empresa, pagam os empregados, planejam, dirigem e controlam as ações desenvolvidas na organização, mas sempre a serviço do capitalista (DORNELAS, 2005).

3.2 Conceituando empreendedorismo

Dolabela (1999, p.43) traduz a origem da palavra empreendedorismo sendo:

Empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra

entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao

empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação.

(34)

Acrescenta-se ainda com Dornelas (2005), o empreendedorismo como sendo o envolvimento de pessoas e processo que, em conjunto, levam à transformação de ideias em oportunidades. Dessa forma a perfeita implementação dessas oportunidades leva à criação de negócios de sucesso.

A definição para empreendedorismo tem seu conceito em um envolvimento de pessoas e processos que juntos transformam ideias em oportunidades, o empreendedor é aquele consegue enxergar uma oportunidade e cria um negócio, e assume os riscos para conseguir lucro sobre ele.

O processo de empreendedorismo se refere à criação de algo novo, que gere riquezas e valores (DORNELAS, 2005).

Segundo Leite (2000), ser empreendedor significa ter capacidade de iniciativa, imaginação fértil para conceber ideias, flexibilidade para adaptá-las, criatividade para transformá-las em uma oportunidade de negócio, motivação para pensar conceitualmente e a capacidade para ver, perceber as mudanças como oportunidade.

Drucker (1987) afirma que o empreendedor é frequentemente definido como aquele que começa o seu próprio, novo e pequeno negócio, entretanto nem todos os novos pequenos negócios são empreendedores ou representam empreendedorismo. Segundo o autor, são empreendedores aqueles que criam algo novo, algo diferente, que mude ou transforme valores. O espírito empreendedor é uma característica distinta, seja de um indivíduo, ou de uma instituição. Não é um traço de personalidade, mas sim um comportamento e suas bases são o conceito e a teoria, e não a intuição. Ainda afirma que o empreendedor sempre está buscando a mudança, reage a ela e a explora como sendo uma oportunidade de inovação.

3.3 Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE 2013

(35)

A legislação do FNE define o Banco do Nordeste, juntamente com o Ministério da Integração Nacional (MI) e o Conselho Deliberativo da Sudene (Condel/Sudene), como responsáveis pela administração do Fundo.

O Banco do Nordeste, com ativa participação da Sudene e do Ministério da Integração Nacional, entidades com as quais compartilha a gestão do FNE, coordena o processo de elaboração da Programação Anual do Fundo, documento composto pelo plano de aplicação de recursos, pelas condições gerais e programas de financiamento.

3.3.1 Disponibilidade de Recursos para 2013

Para aplicação do FNE no exercício de 2013, estima-se um orçamento de R$ 11,5 bilhões, conforme demonstrado na Tabela 1.

Tabela 1 – Estimativa de Recursos para 2013.

Fonte: BNB – Ambiente de Controladoria (2013)

3.3.2 Projeção de Aplicação por Estado e Setor de Atividade

(36)

Tabela 2 – Projeção de Financiamento por Estado e Setor de Atividade (R$ Milhões)

Fonte: BNB – Ambiente de Controladoria (2013)

3.3.3 Projeção da Distribuição de Financiamento por Porte de Beneficiário

A projeção da distribuição de recursos do FNE por porte de beneficiário observou o estabelecido na Resolução nº 054/2012, do Condel/Sudene e as orientações do Ministério da Integração e da Sudene, apresentando-se como segue na Tabela 3:

Tabela 3 – Projeção da Distribuição de Financiamento por Porte de Beneficiário

Fonte: BNB – Ambiente de Controladoria (2013)

3.3.4 Condições Gerais do FNE

(37)

Tabela 4 – FNE – Definição de Porte de Empresas e Produtores Rurais Setores Rural e Não Rural

Fonte: BNB – Ambiente de Controladoria (2013)

3.3.5 FNE Comércio e Serviços – Programa de Financiamento para os Setores

Comercial e de Serviços

a) Objetivo

Contribuir para o desenvolvimento e ampliação dos setores de comércio e serviços, apoiando a integração, estruturação e aumento da competitividade, especialmente de micro e pequenas empresas.

b) Finalidade

Financiar a implantação, ampliação, modernização e reforma de empreendimentos, inclusive aqueles vinculados à economia da cultura, contemplando:

• Investimentos, inclusive serviços de complexos prisionais de ressocialização, de responsabilidade da iniciativa privada, viabilizados por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs);

• Capital de giro associado ao investimento;

• Aquisição isolada de bens, com o fim de formação de estoques para vendas, como parte constitutiva de sua atividade comercial regular;

(38)

c) Itens Financiáveis

Todos os bens e serviços necessários à viabilização do projeto, com exceção dos seguintes itens:

• Empreendimentos do setor público, exceto para empresas públicas não dependentes de transferências financeiras do Poder Público em projetos de infraestrutura econômica;

• Encargos financeiros;

• Tributos federais, estaduais e municipais como item específico de orçamento para financiamento. NOTA: Não estão incluídos nesta restrição, portanto, os tributos que compõem o preço dos produtos, bens e serviços financiados;

• Saneamento financeiro;

• Recuperação de capitais já investidos ou pagamento de dívidas efetivadas antes da apresentação da carta-consulta ou da proposta de financiamento ao Banco. Admite-se considerar os gastos ou compromissos que:

Se referirem a itens financiáveis integrantes do orçamento vinculado ao projeto;

Tiverem sido efetuados e pagos, comprovadamente até o sexto mês anterior à entrada de proposta no Banco.

• Transferência de edificações, exclusive para a aquisição de unidades já construídas ou em construção no âmbito dos programas: Proatur (meios de hospedagem), Industrial e Agrin, desde que atendidas, cumulativamente, as seguintes condições:

O empreendimento esteja desativado há mais de dois anos;

O empreendimento não seja objeto de operações “em ser” de financiamento do investimento;

O financiamento não se caracterize como recuperação de capital;

Seja o projeto considerado de interesse para o desenvolvimento da área na qual está localizado; e

(39)

• Intermediação financeira;

• Atividades voltadas para jogos de azar;

• Motéis;

• Boates, saunas e termas, exceto quando integradas a complexos hoteleiros;

• Fabricação e comercialização de armas;

• Produção, beneficiamento / industrialização e comercialização de fumo;

• Edição de jornais e outros periódicos;

• Atividades de compra, venda, locação, loteamento, incorporação, construção e administração de imóveis, excetuando-se:

Propostas que contemplem, exclusivamente, os seguintes itens, relativos ao funcionamento da empresa: construção ou reforma da sede própria, instalações, máquinas, equipamentos e veículos utilitários de carga com capacidade acima de 4 toneladas;

A construção, por parte de construtoras com receita bruta projetada enquadrável nos limites de micro ou pequena empresa, de espaços físicos destinados a MPEs que irão desenvolver atividades econômicas no imóvel, de acordo com as condições contidas no Programa FNE-MPE; e No caso de imóveis destinados a locação: construção ou reforma dos

tipos de imóveis apresentados em seguida e que sejam destinados, principalmente, ao uso da empresa financiada, admitindo-se que parte do imóvel seja destinada ao compartilhamento de suas áreas físicas, por meio de locação, para uso de terceiros, preferencialmente micro e pequenas empresas que também desenvolvam atividades produtivas no imóvel financiado. Referidos tipos de imóveis são: arenas multiusos, centros comerciais, hotéis, supermercados e hospitais;

(40)

• Aquisição de terras e terrenos, exceto nos casos de aquisição de imóvel com edificações concluídas em área urbana por micro ou pequena empresa;

• Beneficiamento e comercialização de madeiras nativas não contempladas em licenciamento e planos de manejo sustentável;

• Veículos automotores não relacionados com o desempenho da atividade do empreendimento financiado

• Empreendimentos do tipo time-sharing e hotéis-residência;

• Máquinas, veículos, aeronaves, embarcações ou equipamentos novos ou usados, importados ou que apresentem índices de nacionalização, em valor, inferior a 60%, exceto nos casos em que se verifique pelo menos uma das condições a seguir:

Não haja produção nacional da máquina, veículo, aeronave, embarcação ou equipamento;

Esteja incluído com índice de nacionalização, em valor, igual ou superior a 60%, no Credenciamento de Fabricantes Informatizado (CFI) ou no Catálogo de Produtos do Portal de Operações do Cartão BNDES, criados e mantidos pelo BNDES;

A máquina, veículo, aeronave, embarcação ou equipamento cumpra Processo Produtivo Básico (PPB);

Sua Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) tiver alíquota 0% do Imposto de Importação; ou

Seja, novo ou usado, objeto de financiamento para beneficiário de mini, micro, pequeno ou pequeno-médio porte.

• Projetos de geração, transmissão e distribuição de energia, exceto nos casos de geração de energia para consumo próprio do empreendimento, admitida a comercialização da energia excedente, desde que limitada a 50% da capacidade de geração prevista no projeto.

(41)

d) Público-Alvo

Empresas privadas comerciais e prestadoras de serviços, constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País, na forma da Lei, incluindo empresas da Economia da Cultura.

e) Prazos

Os prazos serão fixados em função do cronograma físico-financeiro do projeto e da capacidade de pagamento do beneficiário, respeitados os prazos máximos da Tabela 5:

Tabela 5 – FNE Comércio e Serviços – Prazos Máximos

Fonte: BNB – Ambiente de Controladoria (2013) f) Encargos Financeiros e Bônus de Adimplência

(42)

Tabela 6 – FNE Comércio e Serviços – Encargos Financeiros e Bônus de Adimplência. Operações de Investimento, Inclusive com Capital de Giro Associado

Fonte: BNB – Ambiente de Controladoria (2013) g) Garantias

As garantias aceitas pelo Banco do Nordeste são as seguintes, cumulativamente ou alternativamente:

• Penhor agrícola e pecuário;

• Penhor de veículos, títulos, ações, máquinas e equipamentos, direitos creditórios, direitos emergentes de concessão, permissão e autorização, de contas bancárias e direitos de contratos;

• Penhor dos produtos florestais madeireiros objeto do financiamento e passíveis de exploração econômica (em operações de crédito rural);

• Alienação Fiduciária (de bens móveis ou imóveis);

• Fiança ou Aval;

• Fiança ou Aval bancário;

(43)

CAPÍTULO 4 – ESTUDO DE CASO: FRANQUIA JOANA JOÃO

O estudo de caso a seguir discorre sobre as principais informações para se tornar um franqueado da empresa Joana João e uma entrevista com um franqueado.

4.1 Metodologia

No que diz respeito aos aspectos metodológicos, mais especificamente sobre a classificação quanto aos objetivos, este trabalho caracteriza-se como descritivo, visando identificar, relatar, comparar, entre outros aspectos, o objeto de estudo. Em relação à natureza, o trabalho se enquadra como qualitativo, pois não utilizou técnicas estatísticas ainda que apresente alguns dados numéricos. A técnica adotada para a construção do caso foi a da entrevista, que visa obter respostas válidas e informações pertinentes. Para Marconi e Lakatos (2003) o método da entrevista possui uma gama de vantagens, conforme podemos observar:

• Pode ser utilizada com todos os segmentos da população;

• Fornece uma amostragem muito melhor da população geral;

• Há maior flexibilidade;

• Oferece maior oportunidade para avaliar atitudes, condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz: registro de reações, gestos;

• Dá oportunidade para a obtenção de dados que não se encontram em fontes documentais e que sejam relevantes e significativos;

• Há possibilidade de conseguir informações mais precisas, podendo ser comprovadas, de imediato, as discordâncias;

(44)

Ainda no tocante a abordagem dos procedimentos, o trabalho também se caracteriza como documental, já que utilizará como fontes primárias de informação os dados fornecidos pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) e por leitura e interpretação da legislação aplicada. O estudo de caso é um dos melhores instrumentos de verificação prática de tudo que foi abordado durante os capítulos anteriores na análise teórica do assunto em pauta.

Considerando o que foi dito, esse último capítulo propõe-se a exemplificar a parceria existente entre a empresa franqueadora Joana João e a franqueada Sra. Lyana Pinho Cardoso. Ainda nesse sentido, enfatizar a importância do apoio bancário para uma empresa em implantação.

As informações relatadas sobre a franquia foram coletadas na Internet e aquelas referentes ao questionário (APÊNDICE A) foram colhidas através de uma entrevista pessoal com a Sra. Lyana Pinho Cardoso que autorizou a divulgação da entrevista (APÊNDICE B).

O caso é apresentado em duas partes. Na primeira parte o relato referente à franqueada e na segunda dados do contrato do franqueador com a franqueado.

4.2 Joana João – franqueada – Fortaleza

A franqueada foi aceita pela franqueadora ao realizar a sua negociação com a com base nas informações a seguir:

a) Histórico da franqueada

No ano de 2012 a decisão dos empresários de trazerem a Joana João para o Ceará surgiu após perceberam no mercado por roupas infantis de bom gosto, qualidade e preços competitivos. Sempre pesquisando com as mães, perceberam a demanda para uma nova grife em Fortaleza.

(45)

Escolheram a Joana João após contatar algumas empresas franqueadoras e conhecerem pessoalmente o trabalho deles e os seus produtos.

b) Perfil da Franqueada Joana João

A empresária atendeu as principais exigências da franqueadora, pois foi avaliada pelos mesmos antes do fechamento de contrato. A Sra. Lyana é formada em Administração com Pós Graduação em Gestão Estratégica Organizacional, com experiência de aproximadamente 20 anos em cargos de gestão com foco na área comercial. Possui estilo gerencial perseverante e participativo, com fortes habilidades de negociação, coordenação de trabalhos e de equipes, persuasão, e principalmente voltada para a solução de conflitos e realização de objetivos/metas. Possui diversos cursos nas áreas de técnicas de negociação, desenvolvimento de líderes e gestores, gestão de pessoas, dentre outros.

4.3. A empresa Joana João – Franqueadora

A franqueadora por sua vez realizou a sua negociação com a franqueada com base nas informações a seguir:

a) Histórico da franqueadora

Em 1984, a Joana João iniciou suas atividades, atuando nos segmentos: decoração, móveis e vestuário infantil, sendo este último dentro de um estilo clássico denominado linha festa.

A partir de 1989, sob um novo comando, a marca passou a ter como foco principal o vestuário infantil dando início a criação de outros segmentos além da linha festa. Com a criação de outros segmentos a marca passou a ser referência quando o assunto era moda e estilo para crianças de 0 a 10 anos, tornando-se uma das mais conhecidas do segmento de vestuário infantil.

(46)

Pessoas que estejam em sintonia com as tendências e exigências do mercado e da moda e que, acima de tudo, acreditam e valorizam as boas oportunidades que a vida oferece.

Hoje com 28 anos a Joana João conta com cinco Lojas próprias, nove franquias e mais de setenta multimarcas espalhadas pelo Brasil e exterior. Está em pleno processo de expansão e possui uma marca atual, moderna e competitiva.

b) Perfil do Franqueado Joana João

No intuito de criar uma relação duradoura de parceria nos negócios, a marca procura as seguintes características preferenciais dos candidatos a franqueado, aqui também considerado como sócio-operador da empresa candidata à franquia:

• Idoneidade e responsabilidade;

• Nível de escolaridade correspondente ao 3º grau completo;

• Desejável possuir noções básicas de planejamento e análise financeira;

• Residente na cidade onde será operada a unidade franqueada;

• Capacidade gerencial e administrativa;

• Possuir recursos financeiros próprios e líquidos para o investimento inicial que a franquia exige para a instalação e a operação da unidade, assim como para a aquisição do ponto e para o capital de giro necessário à manutenção do negócio até que o mesmo alcance seu ponto de equilíbrio;

• Estar apto a enfrentar novos desafios e a assumir riscos empresariais;

• Habilidade para lidar com o público consumidor e com seus funcionários;

• Espírito empreendedor e dinâmico;

• Iniciativa própria, espírito de liderança e boa capacidade de relacionamento;

(47)

• Capacidade e disciplina para cumprimento de normas, regras, métodos de trabalho e condições estabelecidas pela franqueadora.

O processo de seleção de candidatos prevê o preenchimento de ficha cadastral, a comprovação de disponibilidade financeira, entrevistas pessoais e, ainda, testes a serem aplicados e conduzidos por profissionais devidamente qualificados, que avaliarão o perfil comportamental profissional e de competências.

c) Requisitos para operar uma unidade de franquia Joana João

A franqueadora considera desejável, porém não indispensável, o envolvimento em tempo integral do franqueado; não obstante, vale ressaltar que o franqueado deverá dedicar ao negócio o tempo necessário para o bom andamento da administração e da gerência da loja, bem como para planejar as compras e, ainda, responsabilizar-se pelas principais decisões e pelo desenvolvimento do negócio, tendo em vista que o sucesso na operação de uma unidade de franquia da marca dependerá, em grande parte, do comprometimento pessoal do franqueado.

O franqueado deverá empenhar-se totalmente no cumprimento fiel das obrigações intrínsecas à operação de uma unidade de franquia, especialmente aquelas referentes à manutenção dos padrões de qualidade dos produtos oferecidos e dos serviços prestados, ao cumprimento e à utilização correta e completa dos procedimentos operacionais, sejam estes determinados através de manuais e/ou fornecidos no desenvolvimento da relação contratual.

Não será permitido o exercício de atividades conflitantes, pelo franqueado ou por seus sócios, com marcas, produtos, sistemas e serviços existentes ou que possam surgir no mercado durante a vigência do contrato de franquia.

d) Estimativa de Investimento Inicial

(48)

Quadro 5 – Estimativa de Investimento Inicial

Fonte: COF – Circular de Oferta de Franquia Joana João (2012) e) Algumas observações contratuais:

• Não estão inclusos, na tabela acima, os custos para a aquisição do ponto comercial, projetos de regularização e reformas estruturais no estabelecimento, nem o valor referente à legalização da empresa. Não estão considerados, ainda, nesta estimativa, despesas pré-operacionais e valores referentes a viagens, para qualquer finalidade, como, exemplificativamente, para o treinamento inicial e/ou do arquiteto credenciado - que fará, às expensas do franqueado, de uma a três visitas à unidade, para acompanhamento das obras e da respectiva adequação das mesmas ao projeto -, e/ou do vitrinista credenciado;

• Os valores pagos pela locação/compra do ponto serão de responsabilidade exclusiva do franqueado;

(49)

• A franqueadora não se compromete com quaisquer patamares de faturamento ou rentabilidade, inexistindo qualquer garantia de retorno do investimento ora projetado;

• O retorno estimado do capital investido varia entre 18 (dezoito) e 24 (vinte e quatro) meses, dentro dos padrões normais de operação e ambiente econômico estável, sendo este somente uma estimativa;

• Aconselha-se um capital de giro no valor aproximado de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) ou o equivalente necessário a suportar os meses iniciais da operação. f) Aspectos financeiros

Para que a franqueadora possa dar um suporte necessário aos seus franqueadores, inovando nos seus produtos, melhorando sua prestação de serviços e aperfeiçoando o sistema de franquias, o franqueado deverá pagar obrigatoriamente as seguintes taxas:

• Taxa de Franquia: A Taxa de Franquia, no valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) será paga pelo franqueado ao se filiar à rede Joana João pelo direito de adquirir os conhecimentos prévios de instalação e planejamento de uma unidade de franquia e pelo direito de uso da marca, por um período pré-determinado;

• Promoção e Publicidade: O valor arrecadado para o fundo de promoção e publicidade será o equivalente, em reais, a 6% (seis pontos percentuais) calculados sobre o volume total de compras efetuadas pela unidade franqueada no mês anterior, junto a franqueadora e, eventualmente, perante terceiros, fornecedores homologados ou não no sistema de franquia;

• Royalties: O valor dos royalties será o equivalente, em reais, a 14,0% (14 pontos percentuais) calculados sobre o volume total de compras efetuadas pela unidade franqueada no mês anterior, junto à franqueadora e, eventualmente, perante terceiros, fornecedores homologados ou não do sistema de franquia.

g) Fornecedores obrigatórios

(50)

franqueadora, não podendo comercializar na unidade franqueada produtos de outra procedência ou marca, estranhos à linha de produtos adotada pela franqueadora.

Todos os pedidos de compra, a qualquer tempo, deverão ser submetidos exclusivamente à franqueadora, que fará as compras junto aos fornecedores homologados, de forma centralizada, visando obter benefícios de escala e controle de qualidade para toda a rede.

O projeto de arquitetura da unidade franqueada será elaborado e desenvolvido por arquiteto indicado pela franqueadora e remunerado diretamente pelo franqueado àquele fornecedor.

A empresa franqueadora possui vitrinista credenciado, devendo o franqueado arcar com os custos de tal profissional.

O aplicativo de gestão da loja será indicado pela franqueadora e adquirido diretamente pelo franqueado da franqueadora e/ou do fornecedor autorizado, devendo ainda o franqueado manter, durante todo o período de vigência contratual, serviços de manutenção mensal do referido aplicativo.

h) Serviços oferecidos pela Franqueadora

Durante o prazo de vigência do contrato de franquia, a franqueadora fornecerá ao franqueado os seguintes serviços:

• Assistência na escolha do ponto comercial e na negociação do mesmo;

• Projeto de arquitetura para a instalação da loja, definido pela franqueadora e adquirido pelo franqueado no prestador de serviço autorizado;

• Treinamento inicial ao franqueado e seu gerente na sede da franqueadora ou em qualquer outro local por esta designado, pelo prazo máximo estimado de 5 (cinco) dias, proporcionando ao franqueado vivenciar a rotina operacional e administrativa de uma loja Joana João em funcionamento. As despesas de hospedagem, transporte e alimentação, dentre outras, correrão às expensas do franqueado;

(51)

• Assistência e supervisão no período que antecede a inauguração da loja e nas primeiras semanas após a inauguração, correndo as despesas decorrentes de tais atividades por conta do franqueado;

• Treinamento da primeira equipe de vendas em local a ser definido pela franqueadora. O franqueado deverá arcar com o custo do treinamento, bem como com as despesas de hospedagem, transporte e alimentação dos instrutores, dentre outras;

• Supervisão de rede, no que diz respeito aos aspectos operacionais, comerciais, financeiros e administrativos do franqueado, bem como os referentes à comunicação visual da loja, de modo a averiguar se os procedimentos adotados estão de acordo com as normas, as instruções e os procedimentos que lhe foram fornecidos;

• Acompanhamento na implantação e no treinamento necessário à utilização do software gerencial de controle de vendas e estoque. As despesas relacionadas ao treinamento, à instalação e à manutenção deste sistema correrão às expensas do franqueado. O treinamento será realizado na sede do fornecedor;

• Fornecimento do Manual do Vendedor, de Operação de Loja e do Manual de Operação do Sistema de Franquia Joana João ao franqueado, que objetiva, dentre outras atividades, padronizar rotinas operacionais e métodos de atendimento ao cliente, orientar o treinamento da equipe de vendas, descrever rotinas e procedimentos.

4.4 Relatório de pesquisa com a franqueada

Analisando os aspectos relatados em 4.2 e 4.3 complementa-se o caso com a entrevista concedida pela franqueada. Vale ressaltar que esta é apenas um dos ângulos da questão visto que não foi possível contato com o franqueador e nem com o financiador.

a) Por que você se interessou pelo segmento de franquias?

(52)

vontade de se tornar empregadora surgiu desde a época acadêmica, quando cursava Administração.

b) Quando surgiu o seu negócio?

A Sra. Lyana estava trabalhando em 2012 numa empresa da área de telecomunicações, onde atuava como executiva. Nesse mesmo ano, a empresa passou por uma série de cortes e então observou nessa situação a possibilidade de abrir o seu negócio.

c) Você pesquisou a respeito do sistema de franquias antes de ingressar nele? A partir do momento que ela resolveu abrir o seu negócio, ela já sabia que queria trabalhar com o ramo de vestuário infantil, por se identificar com tal atividade. Assim, pesquisou bastante algumas possibilidades até que encontrou no site da ABF – Associação Brasileira de Franchising, a franquia da empresa Joana João.

d) Você se considera uma pessoa com características empreendedoras (iniciativa, flexibilidade, criatividade, motivada e com capacidade para ver e perceber as mudanças como oportunidades)?

A empresária, antes de começar as suas atividades, participou de um curso ministrado pelo SEBRAE, o Empretec, onde participam diversos empresários e tem características focadas no empreendedorismo de cada um. Durante a sua experiência profissional, adquiriu características de proatividade, motivação e com capacidade de observar as mudanças do ambiente e utilizá-las ao seu favor.

e) Na época da assinatura do contrato com a franqueadora, você tinha conhecimento dos seus direitos e deveres?

(53)

confiou no modelo da franqueadora. Finaliza dizendo que, apenas em partes, tinha conhecimento de quais eram seus direitos e deveres.

f) Qual foi o capital necessário para a implantação da franquia?

Inicialmente o seu projeto de implantação estava orçado para o Banco do Nordeste em aproximadamente R$ 250.000,00 (Duzentos e cinquenta mil reais), sendo valores aproximados de R$ 50.000,00 (Cinquenta mil reais) de recursos próprios e o restante financiado pelo BNB. Porém, o investimento passou para mais de R$ 310.000,00 (Trezentos e dez mil reais), com custos adicionais de montagem e decoração da loja, despesas com inauguração, sendo esse valor todo aportado por recursos próprios. Considera que os valores ficaram acima do que ela havia planejado, o que consumiu toda a reserva que havia adquirido para utilizar como capital de giro na empresa.

g) Havia um suporte dos franqueadores? Como você observava o relacionamento com os franqueadores? Era satisfatório ou deixava a desejar?

A Sra. Lyana enfatiza que durante a negociação inicial os franqueadores foram bastante receptivos e acolhedores, lhe dando um bom suporte. Antes da abertura da loja os franqueadores enviaram representantes para Fortaleza, para que fossem realizados treinamentos com a equipe. Demonstravam um comportamento bastante prestativo, até o momento em que a franqueada começou a passar dificuldades. Comenta que a partir desse instante, eles não foram mais receptivos quando foi preciso uma renovação do estoque com a devolução da coleção antiga. Eles não aceitaram as peças que não haviam sido vendidas, conforme prometeram nas negociações iniciais. Considera que este fato, foi o início de um mau relacionamento, pois não foram flexíveis no momento em que a Sra. Lyana estava precisando de auxílio. Ressalta ainda que se sentiu abandonada pelos franqueadores.

h) Quais as taxas cobradas pelo franqueador?

(54)

i) Qual a importância da instituição financeira na implantação do empreendimento? Ela atendeu as suas expectativas?

A empresária analisa que o Banco do Nordeste foi muito lento e burocrático quanto a respeito do desembolso do valor. Considera que essa demora atrapalhou em partes a implantação e sobrevivência do seu negócio, no sentido de que, os valores a receber foram sendo liberados em parcelas pequenas e em um espaço de tempo relativamente grande. Enquanto isso, as obras de reformas para que o negócio pudesse funcionar não paravam. Então ela foi aportando tudo com recurso próprio, o que consumiu sua reserva de capital. Realizava ainda pagamentos a fornecedores para que o processo tivesse agilidade para só depois ressarcir esse valor junto ao BNB. A empresa ficou sem disponibilidade em caixa.

Ressaltou que a instituição financeira em questão emprestava o dinheiro, mas exigia uma contrapartida em valores monetários, o que vai de encontro para quem já está precisando captar recursos.

Sendo assim, se sentiu um pouco frustrada com o Banco do Nordeste, mas por outro lado, viu na sua taxa um atrativo, pois foi a melhor conseguida no mercado naquele momento.

j) Quais as vantagens e desvantagens da franquia?

Considerou que a principal vantagem foi o know-how adquirido com a franqueadora. Cita que aprendeu como montar uma loja de vestuário e se sente mais capacitada com a experiência adquirida. Ressalta que outro benefício da franquia é já começar com um negócio padronizado e com um valor da marca.

(55)

que geram muitos custos para o franqueado, tais como: custos com rádio, banners e adesivos para frente de loja, praticados mensalmente.

k) Quais as principais dificuldades que levaram ao insucesso no negócio?

Inicialmente a empresária pondera que houve uma série de aspectos que levaram ao insucesso do negócio, sendo eles ligados à franqueadora, Banco do Nordeste e aspectos do próprio mercado.

Em relação à franqueadora, acredita que eles não tiveram o cuidado necessário para dar um suporte de acordo com a necessidade da empresa. Eles enviaram um estoque inicial além do que havia sido combinado, fato este que gerou um excesso que posteriormente ficou sem venda e que não pode ser devolvido à franqueadora.

No tocante ao banco, relatou que a reciprocidade exigida pelo banco para aprovação do financiamento, a demora na liberação dos recursos e a burocracia enfrentada foram fatores determinantes para que a empresa não conseguisse manter um capital de giro.

Levando em consideração o momento em que a empresa entrou no mercado, analisa que ao escolher ingressar no mês de novembro passou por dificuldades por conta do momento das vendas, pois passados os meses iniciais de maturação, logo a empresa entrou no período de liquidação e isso prejudicou muito o faturamento da empresa. Além do que, passou muito tempo com a mesma coleção, fato que também dificultou as vendas.

(56)

l) Você investiria novamente em uma franquia?

Imagem

Gráfico 1 – Distribuição do faturamento do setor de franchising por segmentos  em 2012
Gráfico 2 – Distribuição do número de redes de franquias por segmentos de atuação da  franchising em 2012
Gráfico 3 – Distribuição do número de unidades franqueadas por segmentos de atuação  no franchising em 2012
Tabela 2 – Projeção de Financiamento por Estado e Setor de Atividade (R$ Milhões)
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