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Cad. Pesqui. vol.35 número125

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Academic year: 2018

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238 Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 125, maio/ago. 2005 Resenhas

CURRÍCULO, GÊNERO E

SEXUALIDADE

Guacira Lopes Louro

Porto: Porto Editora, 2000, 111p.

Convidada pelo Coordenador da co-leção Currículo, Políticas e Práticas, da Por-to EdiPor-tora, de Portugal, Guacira Lopes Lou-ro, professora de História da Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, selecionou textos que foram elaborados, em maioria, para constituir conferências ou pa-lestras dirigidas a docentes ou especialistas em educação. Quinto volume de um total de cinco obras da coleção, a autora inicia com “Um olhar feminista sobre a educação”, pri-meiro capítulo da obra, e continua, nos de-mais capítulos, a inserir o contexto da se-xualidade no bojo de sua discussão sobre a diferença no currículo.

Ao partir da própria história como pro-fessora e pesquisadora, a autora abre o livro refletindo sobre os estudos de gênero da perspectiva da formação acadêmica que teve e que acabou por incitar a linha de pesquisa que desenvolve em suas palavras: “o meu encontro (com o feminismo) fez-se no âm-bito acadêmico, motivado pela notável au-sência das mulheres como sujeito ou como objeto da historia”. Ao conceituar o gênero, Guacira rompe com a rígida polaridade bi-nária entre masculino e feminino, passando a trabalhar com a pluralidade no interior de cada um desses pólos.

Volta-se, ainda, para as formas como as diferenças – e aí inclui diferenças sexuais, ra-ciais, étnicas, culturais – são construídas e fixa-das, questionando as maneiras como passam a ser valorizadas ou negadas pela sociedade. O entrelaçamento desses temas é marca fa-cilmente perceptível e situa o leitor diante de uma problemática que vai além da questão de gênero e sexualidade: ser diferente de quê? E sob quais circunstâncias a perpetuação das

diferenças não é a continuidade de uma ve-lha discussão em que as marcas – branco, classe média, heterossexual – tornaram-se o centro marginalizador dos sujeitos não inte-grantes dessa classificação?

No segundo capítulo: “Gênero e Magis-tério: representações plurais” circula o alerta para a necessidade de complexificar, ampliar e transformar as condições que têm permiti-do à atividade permiti-docente, especialmente quan-do dirigida a crianças, tornar-se feminina. Para isso, de maneira clara e abrangente, privile-giou-se o conceito de gênero não ligado ao desempenho de papéis masculinos ou femi-ninos, mas sim ligado à produção de identi-dades – múltiplas e plurais – de mulheres e homens no interior de relações de poder.

Os três últimos capítulos têm o obje-tivo de corporificar a questão da sexualida-de no currículo e alertam para a evisexualida-dente simplificação que é imposta ao tema nas es-colas. A dessexualização do ambiente esco-lar é situada em um contexto em que se pode falar do sexo e o que se deve escon-der é problematizado, sendo que as verda-des impostas devem passar a ser questiona-das de maneira a repensar as questões que foram consagradas ou marginalizadas: “de-sarranjar e reinventar a história para que ela possa tornar-se plural”.

Em síntese, a leitura do livro, além do bem dosado apelo teórico, encanta pela sen-sibilidade e pela arte percebida nas palavras, tão elegantemente dispostas pela autora. Isso torna a leitura da obra um exercício li-terário fascinante que vai além da discussão sobre sexualidade e gênero e alcança a di-mensão de uma identidade plural: a identi-dade dos sujeitos.

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