FLORIANÓPOLIS,
SETEMBRO
DE
2007
-ANO
XXV,
NÚMERO
4
,
ENTREVISTA
PÓSTUMACOM
JOEL SILVEIRA
MEMÓRIA
DE
SANTA
CATARINA JOGADA
ÀS TRAÇAS
ZERO
COMEMORA
25ANOS
DE
.PUBLICAÇÃO
A
NOVELA
DA
TELEFONIA
FIXA
BRASILEIRA
r r �,. I'" r ·y·r ,zero aos
25
LUCAS NEUMANNQUANDOEUNASCI.MEU
PAIDISSE QUE EU MEXI COMAVIDADELEr
PFFFT L----_
QUANDOEUNASCI.
MEU PAI DISSEQUEEU
ZEBO
JORNAL
LABORATÓRIO
ZERO ANO xxv-N° 4
SETEMBRO2007
CURSODEJORNALISMODA
UNIVERSIDADEFEDERAL DE SANTA
CATARINA -UFSC
FECHAMENTO:19 DESETEMBRO
REDAÇÃO
DO JORNAL CURSODEJORNALISMO UFSC- CCE- JOR Trindade-Florianópolis
CEP88040-900
EDiÇÃO
Ana Carolina
Dall'Agnol, Diego
Ribas,
Fernanda
Rebelo,
Ingrid
Santos,
NaianaCantú,
PaulaReverbel,
RenanDissenha,
Tadeu
Sposito,
TarsiaFarias,
Vera FleschILUSTRAÇÃO
LucasNeumann
EDITORAÇÃO
Diego
Ribas,
PaulaReverbel,
RenanDissenha,
Tiago
SantaellaFOTOGRAFIA
Agência
EnsaioFotojornalismo, Diego
Ribas,
FernandaRebelo,
JanainaCavalli,
LucasSampaio,
LuizaFerreira,
Nanni
Rios,
Vera FleschREPORTAGEM
Ana Paula
Flores,
AndréFaust,
Amanda
Busato,
Diego
Ribas,
Diogo
Honorato,
ElaineManini,
FernandaRebelo,
JéssicaLipinski,
LucasSampaio,
LuizaFerreira,
ManfredMattos,
NanniRios,
PaulaReverbel,
RafaelaBiff
Cêra,
SabrinaCarozzi,
Tadeu
Sposito,
Vera FleschAGRADECIMENTO
Agência
EnsaioFotojornalismo,
Janaína
Cavalli,
MauroCésarSilveira,
Ricardo Barreto PROFESSOR COORDENADOR Lucio
Baggio
MONITORIA Lucas NeumannINFORMAÇÕES
IMPRESSÃO:Diário Catarinense
CIRCULAÇÃO:
NacionalDISTRIBUiÇÃO:
Gratuita TIRAGEM: 5.000exemplares
TELEFONES +55(48)
3721.6599 3721.9490 3721.3215 FAX 3721.9490 NAINTERNET SITE:www.zero.ufsc.brCIRCULAÇÃO
[email protected]������
Melhor
Peça
GráficaI, II, III,
IVeXISetUniversitário / PUC-RS
1988, 89, 90, 91,
92e98�
30melhor Jornal-laboratório do Brasil EXPOCOM 1994�
MelhorJornal-laboratório I Prêmio FocaSind. dos Jornalistas de
SC,
2000Jornallaboratório
ZERO
completa
bodas de
prata
História
do
periódico
é
marcada
pela abordagem
polêmica
e
opinativa
que sempre teve
espaço
em suas
páginas
Em
25anosdehistória,
ZEROfirmou-se comoreferência paragrande
parte
dosjornais
laboratóriosproduzidos
noBrasil,
tendo acumuladodiversos
prê
miosao
longo
desuatrajetória
na história da
imprensa
universitáriado
país.
Nos
primeiros
anos, apublicação
nãotinhaperiodícida
de
definida,
e comodependia
de trabalho quase que exclu
sivamente
manual,
raramenteultrapassava
umaedição
porsemestre. "Na
época
em quecheguei
para trabalharno curso tinham cinco
edições",
dizRicardo
Barreto,
professor
docursode[orna
lismoe
ex-supervisor
do ZERO. "Nós resolvemosque
queríamos
levantarojornal,
fazercomquefossereferênciaemtermosde
jornal
laboratório".Já
noinício,
ZEROtinhaumatiragem
relativamente elevada:3milexemplares,
distribuídos para diversas escolas deJornalismo
de todoopaís
epara vários veículos de
imprensa,
decirculação regional
ounacional.Na
época,
operiódico
eraimpresso
em
Brusque,
pois
Florianópolis
não tinhaum
grande
número degráficas.
Ologotipo
do
jornal
surgiu
em1985,
criado por RicardoBarreto,
eaindahoje
éo mesmo.Wendel Martins,ex-aluno docurso e
ex-monitordo
ZERO,
afirmaquepartici-.
par do
jornal
foiumadas melhores experiências que teve ao
longo
docurso. "Foiuma
experiência bacana,
talvez amelhorquetiveduranteauniversidade. Alémdas
tarefas cotidianas de
reportagem,
redação,
diagramação
eedição,
o ZERO ensinou muitosobreespírito
deequipe
eliderança.
O
[ornal
IaboratóríoZERO é essencial paracolocarem
prática
técnicasaprendidas
nasaulas de
redação
e também serve comoestímulo a reflexão dos assuntosqueper meiam a
universidade,
educação,
cidade,
país
emundo".Para a ex-aluna e coordenadora do
curso, Maria
José Baldessar,
ojornal
sempretevea
preocupação
desediferenciar deoutros
produtos
lançados
nomercado."Outrodia estava conversando com uma aluna sobreas
pautas
do ZERO1edosatuais.São superparecidas,
mostramquenão queremosfazer
igual
aoqueomercado fazouignora.
Nessesentido,
achoojomal
muitobom. Embora ache que é
preciso
responsa bilidadenofazerdojornallaboratório:
che car echecar,
escreverbem,
aceitarpalpites
de
edição,
etc",
reflete. Oprofessor
Barretocompleta:
"Pelaindependência
editorial que a gente consegue teraqui
- nuncahouveinterferêncianemdereitornemde
chefe de
departamento
dentro dojornal-
é claro queagentepode
atacartemáticas quemesmo a
grande
imprensa
nãotinhacondições
ounãoqueria
peitar".
A maiorliberdadedo
jornal
emrelação
à
abordagem
dos temastinhaum preço,éclaro.Em
algumas
ocasiões,oZEROre<Mie cebia críticas
pelas
denúncias'�
epelo
tratamento que dava a'cl:'
suasmatérias."Quando
entreioep
na
faculdade,
quem comandava o
jornal
eraHenrique
Finco. Nasuagestão
ele editouumamatéria sobre o
aluguel
da ReceitaFederal,
escritaporum ex-rnonitordoZERO,
Alexandre Brandãoeque rendeu processo aoprofessor",
relembra Wendel.Finco,noentanto,foiino
�{� centado. "Se comprovou que o
jornal
estavacerto", garanteBarreto.Apesar
de considerar ZERO um bomjornal,
Barretoafirmaque ainda hámui to a acrescentar:"É
umjornal
maduro,
mas evidentemente que háerros,sempre
se
pode
melhorar",
explica.
"O fato deseruma
disciplina obrigatória
ébom porque hámaisalunostrabalhando,
mas éclaroque
alguns
trabalhamcom menosvontadedo queoutros".
De acordocomMaria
José,
ojornal
émuito
importante
paraaformação
acadêmicados alunosdocurso."Nomeutempo
oZEROera
obrigatório.
Hoje
achoímpor
tanteele voltar a ser
obrigatório:
oalunoprecisa
dessaexperiência
coletiva defazer,
de decidir.Masacho queapulverização
deprodução
emváriasmídiastornaacoisaenfadonha.
Então,
éimportante
asdisciplinas
de
práticas
profissionais
seremobrigatórias.
Nãogostade rádio:
paciência;
nãogostadeInternet:
paciência
...Participar
dessas experiênciase sedesafiarafazermelhor éoque nosfaz melhores".Acoordenadora docurso
afirma que consideramuito
importante
odesafiodefazero
jornallaboratório,
pois
aexperiência
de enfrentaro "não-saber-fa zer"é muito marcante."Na minhaépoca
tudoparecia
difícil:nós,
alunos deJorna
lismo,
nãotínhamoso acessoqueosalunos dehoje
têm àsfontes.Éramos
asegunda
turmado
Jornalismo, ninguém
confiavaourecebiaagentecom
alegria".
Wendel considera quea
transformação
da
disciplina
deoptativa
paraobrigatória,
em
2006,
foimuitopositiva
paraaprodu
ção
dojornal.
"Maisgenteveiopara trabalharnolaboratório.Duranteos anos80,o
ZEROeraoúnicoou omaisbemestrutura
do laboratório docurso eissofaziacomque osalunostivessem interesseem
participar
de cada
edição.
Comofortalecimentodoslaboratórios de rádioe
TV,
emfunção
dadigitalização
desistemas,avançoebarateamentodas
tecnologias,
bemcomo osurgi
mentodo Unaberta
(extinto
sitede notíciasproduzido pelo
curso),
oZERO passoua setornar,emmeadosde
2000,
umlaboratóriode que poucos
participavam.
Em diversas,
"E
a
primeira
oportunidade
do aluno de
publicar
uma
matéria,
de
ter
contato
com
a
fonte,
com
a
realidade da
profissão"
Ricardo Barretooportunidades,
oprofessor
RicardoBarreto recorriaaalunos quenãocursavammaisadisciplina
parapoder
fecharojornal.
Lem-.
bro-me bem deumavaga paramonitordo ZERO que nãofoi
preenchida
poralguns
meses,enquanto
nolaboratório de TVtinham30candidatos para bolsista."
Barreto também afirma achar
impor
tantequea
disciplina
seja
obrigatória.
"É
aprimeira
oportunidade
do aluno depublicar
uma
matéria,
de tercontato com afonte,
com arealidade da
profissão.
Euachavaumabsurdoem umaescola de
Jornalismo
não terquesefazerobrigatoriamente
aatividade de
jornallaboratório.
Opróprio
currículo do Ministério daEducação
preconiza
queojornal
laboratórioseja
obrigatório
nos cursosde
Jornalismo.
Naúltimaavaliação
doMEC,
nossocursoaté
perdeu
pontosporqueo[or
nallaboratórionãoera
obrigatório".
"O ZERO
já
apresentoumateriaismemoráveis",
orgulha-se
Barreto. Entre asentrevistas,o
professor
citaalgumas
como:Clóvis
Rossi,
FernandoMoraes,
EduardoGaleano,
CacoBarcellos,
Bernardo Kusinski.josé
HamiltonRibeiro,
ereportagens
sobrea
Operação
MoedaVerde,
Apartheid,
Aids,
GuerranoIraque
eoutras, além dasedições
temáticas.O
jornal
laboratório colecionaalguns
prêmios:
osde MelhorPeça
Gráficado SetUniversitário da Pontifícia Universidade Católica doRio Grande do
Sul,
de1988,
1989, 1990, 1991,
1992e1998;
ode3°Melhor
Jornal
LaboratóriodoBrasil,
daExpo
com
94
eode MelhorJornal
Laboratório doIPrêmioFocado Sindicatodos
Jornalistas
deSantaCatarina de 2000.
Hoje,
atiragem
doZERO é de 5 mil
exemplares,
"mais quede
alguns
jornais
profissionais,
emaiorqueda maioria dos
jornais laboratórios",
diz Barreto.Ele conclui: "O ZERO deveservistocomo
privilégio,
nãocomoobrigação".
For
jéssica
02
ZERO
SETEMBRO
--zero aos
25
ZERO
1
já
investia
em
jornalismo
critico
Depois
de
mais de duas
décadas
o
jornal
continua
a se
dedicar
aos
temas pouco abordados
pela
grande
mídia
Cm
setembrode1982,estudantes deCornuL.nicação
Social-Habilitação
emJornalis
modaUniversidadeFederal de Santa Catarina
(UFSC) apresentavam
àcomuni-;;cÓãnos,
dadeo
ptimeiro
jornallaboratório
lu.c�..
impresso
dahistóría docurso.OZEROnúmero1foi
redigido
eedi tadopelos
alunosdasextafaseemdisciplina obrigatória.
Cadaturmadeveria
produ
zir, na
época,
umaedição.
Nosemestre anterior, a
equipe
da�effil!SP?f
qual
participou
aatualprofesso-
�:+s
rado
departamento
deCinema,
Aglair
Bernardo,
haviaelaboradoum
jornallaboratório,
masnão�
conseguiu
imprimi-lo. "Aquele
foio
ZERO,
que nãosaiu",
dizMariaJosé
Baldessar.
Hoje
professora
docursodeJorna
lismo,
MariaJosé
eraestudanteefezpartedaequipe
deredatores doZERO1, junto
comoprofessor
deFotojornalisrno
IvanGiacomelli,
quefezas
fotografias
paraaedição.
Sérgio
Murillode
Andrade,
atualpresidente
daFederação
Nacional dosJornalistas (FENAJ)
efundadorda
Cooperativa
dosJornalistas
Catarinenses, também
participou
noprimeiro
númerodo
jornal.
Osprofessores
Ayrton
Ka nitz,DanielHerz,
EduardoMeditscheLuiz Lanzetta eramresponsáveis
pelo
texto noprojeto, enquanto
Cesar ValenteeJosé
Gatti cuidavamda áreagráfica.
Diantede várias de
sugestões
parao nomedo
jomal,
alguém
falouque "todoprimeiro
número deum
jornal
éoZERO".Onomepe�bor.t;
gou,explica
MariaJosé:
"Como 4.: •'::
cadaedição
dojomal
Iaborató�
rioseráum novoexpetimento,
IlIlP teremosoZERO
1,
oZERO2,
eassimsucessivamente,enquan
to o nosso trabalho
perdurar",
.
sees contaram alunos e
professores
,tulaen!
noeditorial.
O ZERO nasceu crítico e
que::'
opinativo,
abordandotemaspo-1:.;:_:
lêmícosefazendodenúncias,
noI
I'l{.;�
final da ditadura militar Sendo.�...l1li ._"_,"",",,-<".P,eg1l
�,u...-pu
umcomplemento
dasaulas,
suacaracterística
principal
era oexercício da crítica que,comoanunciavaoedi
torial,
"foifundamental paraaprática
deumjomalismo compromissado
com acomunidadecatarinenseebrasileira. Como deveriaser,é
claro,
opropósito
dequalquer
jornal"
No
primeiro número,
Sérgio
Murillo de Andraderedigiu
areportagem-denúncia
intitulada Milhõespara aparecer, inserida
na
página
oito,naqual
criticavaogovernodo estado por estar
promovendo
concursosnacionaisde literaturacom a
justificativa
dedivulgar
a"identidadecatarinense"e usando indevidamentea
máquina
administrativapara promovero
partido
dogovernador
com adistribuição
demilhões decruzeirosparaa
publicidade
inseridanasgrandes
revistase
jornais
dopaís.
"Paulo Malufmorreriadeinveja
denossosadministradores",
escreveu ofuturopresidente
daFENA].
Naquele
ano,osbrasileirosmaisjovens
sepreparavam paraexercer
pela
primeira
vez ovotoeescolherseusgovernadores,
quedesdeadécada de
60
eramnomeadospelo
regime
militar.Aequipe
do ZERO promoveuuma
eleição
simulada,
nasdependências
doRestauranteUniversitário.A
reportagem
de capaaponta
queamaioriados2.535estudantes,
professores
efuncionáriosvotantesoptou
por candidatos quenaquela época
estavamna
oposição: [aison
Barretofoioescolhido doscatarinensese
José
Richa dos paranaenses, ambos doPMDB. No entantofoi
Esperidião
Amin(PDS),
quevenceu aeleição verdadeira,
em15 de novembro.Os alunos também
produziram
umsuplemento
paraaAssociação
Brasileira deEnfermagem,
ABEn-SC,
em forma deencartedequatro
páginas.
Sualinha editorial foiamplamente
discutidaeplanejada
com a diretoria da entidade.'Juntaram
adisciplina
deEdição
comadeComunicação
Institucional",
comentaMariajosé,
"muitoantesdessa
disciplina
aparecernocurrícu lo". Ela lembraqueopresidente
da ABEnera
Jorge
Lorenzetti-churrasqueiro
dopresidente
Lula,
envolvidonoescândalo da compra de dossiêcontrajosé
Serra(PSDB),
emoutubro doano
passado.
"Naquela
época,
eramuitodifícil fazerreportagens,
porqueaspessoas nãoestavamacostumadasafalarcomestudantesde
[orna
lismo",
dizaprofessora.
"Oprofessor
Lanzettanos fez escrever e reescrever nossa matéria
oito vezes,atéelaestarredondínha Volta láe
entrevistadenovo,dizia ele".Paradificultara
tarefa,
osalunosdispersaram
aimpressão
emoff-sete sedeslocarama
Brusque,
onde foramapreender
tudo sobreaimpressão"
aquente".
Ela esclarece queaturmaescolheua
gráfica
da Editora Mendes
Ltda.,
aúltima do estado a usar alinotipia, pelo
grau dedificuldade epelo
desafio deproduzir
umjornal
com atecnologia
antiga.
Nagráfica,
osalunosverificaram queavelhamasincansável
impres
soraSchnellpressenfabrik
FrankenthalAlbert,
"ummistode trilhadeirae
locomotiva",
eraapelidada
carinhosamentedeTesouro,
pelos
funcionários.
Impecavelmente
limpa
e bemcuidada,
ela haviaimpresso
atélivrosnazistasquando
pertenceraaumaempresaalemã,
emPorto
Alegre.
Os3mil
exemplares
daptimeira
edição
do ZERO foram dístríbuídcs apenasinterna mente. Com
tiragem
de 5 milexemplares
ojomal
laboratóriomantém atéhoje
ocompromissocom aliberdade de
expressão
epostura
crítica- com
toquesde humor "Seus
repórte
rescobrem deumamaneira mais
ampla
osassuntostratados
pela
mídia,além desededicarematema,aos
quais
amídia tradicionalnãodá espaço, por envolverinteresseseconô
micose
políticos.
O ZERO éumadas poucaseúnicas
experiências
emqueosestudantes dejomalismo podem
terumproduto
desvinculado de
qualquer
interesse",afirmaoprofessor
Lucio
Baggio,
atual coordenador daequipe.
Plli'VeraFlesch
o
ZE
90
Estae
' �l'elembra
marcaJltes
dosanosSO
ZE
OIMPÉRlO
DOQlADRINHO
JAPONÊS
oCENTENÁlueDAOITAVA ARTE
EDiÇÕES
DOSZEROSDE DEZEMBRO DE1987,
JANEIRO DE1990,
MARÇO
E SETEMBRO DE1992,
OUTUBRO DE1999,
ABRIL DE2003,
JUNHO EOUTUBRODE 2006COORDENADORADOCURSO MARIA
JOSÉ
BALDESSAR FEZ PARTE DAEDiÇÃO
DO1°ZERO03
;" ,'.
. ' ':rZERO
'. ' , ,', "SETEMBRO
-07
entr��ista
.póstuma
Morre
o
último
dos
grandes
dinossauros
"Há
cinqüenta
e
cinco
milhões
de
anos um
asteróide
chocou-se
com a
Terra
e
matou
todos
os
dinossauros.
Todos,
não.
Eu
escapei."
Cinco
jornalistas
brasileiros foramcorrespondentes
naSegunda
Guerra Mundial.Joel
Silveiraeraum deles. Doalojamento
aofront,
osrepórteres
atravessavamdiariamente,
dejipe,
aPontedellaVenturina- alvode bombardeios alemães.Adão,
omotorista,mandava que todos ficassem
abaixados,
soltavaogrito
"Deuségrande!"
eacelerava.
Freqüentemente
ouviam-seexplosões
natravessia.Joel
fezacoberturacommuitomedo
(e
muitofrio,
noinvernodosApeninos italianos).
Aguerra foi apenas umdosacontecimentos históricos que
Joel
Silveira presen ciou.Eleviugolpes
de estadonoBrasil,
BolíviaeNicarágua;
entrevistouospresidentes
Juscelino Kubitschek, [ânio Quadros
eJoão Goulart; viajou
àEspanha
paracontarcomoviviam os bascos. Umcurrículo
invejável,
construído emmais de 60anosdejornalismo.
Osfatosrelatadosnasreportagensde
Joel
Silveiraimpressionam.
Emgrande
parte
graças à
competência
do autor,quecontavahistóriascomoninguém.
Dominavaatécnica
narrativa,
sabiaquando
entregardetalhes,
colocava-semuitobemcorno narrador
participante,
reproduzia
amaneiradefalar deseusentrevistados. Obtevecomoresultadotextosque envolvemo
leitor,
prendem
aatenção
do começoaofim.Não poracasotrabalhouem
publicações
degrande importância
nahistória daimprensa
brasileira.Passoupelas
revistasOCruzeiro,
Manchete eDiretrizesepelos
jornais Última
HoraeO Estado de SãoPaulo.Tevecomopatrões
AdolfoBloch,
SamuelWainereAssisChateaubriand.Odono dos Diários
Associados,
"DoutorAssis",
foi quemdeua
Joel
oapelido
de "víbora".Sergipano
da cidade deLagarto.joel
nasceu em1918e aos14anosjá
trabalhavaem
jornal.
Em1937 mudou-se para o Rio deJaneiro.
entãoCapital
dopaís,
onde firmou-se naimprensa
nacional. Decopydesk
aeditor,
fezde tudo dentro deumaredação
mas,apaixonado pela
reportagem, gostavamesmodeestarna ruaacompanhando de
perto
osacontecimentos.Em15 deagostodesteano,
Joel
Silveiramorreu em seuapartamento
emCopaca
bana. Com 88anos,tinha dificuldade para andareenxergava muito pouco
-oqueo
impedia
de lerosmaisde 18 millivros desuabiblioteca. Emhomenagem
aojornalis
ta,ZERO
publica
estaentrevista, realizadaemnovembro doanopassado.
Na
época
orepórter
do ZERO TadeuSposito
fazia um trabalho sobreo livroAfeijoada
que derrubouogovernoe conversou comJoel
por telefone por quase40minutos.Eleestavamuito
lúcido,
bem-humoradoebem informado-acompanhava
diariamenteosnoticiáriostelevisivos.
Joel
Silveiramostrou-seumdaqueles
entrevistadoscomquemtodo
repórter
sonha:tinharespostasinteressanteseconsistentesparaqualquer
pergunta.
Foitambémmuitosolícitoquando
recebeualigação
dorepórter:
"Estou àssuas
ordens,
comandante".Zero:
Quais
sãoascaracterísticas que deveterumbomrepórter?
Joel
Silveira: EssaperguntaeufiznaItáliaa um senhorchamado HerbertMatthews,
quedepois
da guerrafoidiretordoThe New York Times. Ele tinhaumcertocarinho pormim,eu era o
correspondente
maisjovem,
tinha 27anos e comoelefalava muitobemespanhol,
sempreoprocurava paraconversar.Umdia fizessapergunta
que você me faz agoraeele disse:
'Silveira,
são três[características]: persistência,
paciência
esorte.Aíeurespondi:
'bem,
mastendosortenãoprecisa
terasoutrasduas,
né?',
eeleconcordou.Eéissoque therespondo
agora. Z:Eosenhor acha queteve sortenacarreira?JS: Ah,
sempretive,não temdúvida. Tivealguns
percalços,
né?Todorepórter
gostamuitodecontarseussucessos,eu
prefiro
contarmeusfracassos,
compreendeu?
Nãoforammuitos, masforam terríveis. Como por
exemplo
o encontroqueeu deviater tido com o[Ernest] Hemingway
e nãoaconteceupor falta minha. A históriafoi aseguinte:
euestavaemParis comSamuelWainer,
diretor doÚltima
Hora,e elemedisse:
"Joel,
sabe quem estáaqui?
OHemingway.
Tododia,
àsnovedamanhã,
vaipraumbistrozinhonaRiveGaucheefica até às11. Entãovocêvailá entrevistá-lo." Eu
já
sabiadisso,
masestavaemParispradescansar,
compreendeu?
Tivequeirecheguei
antes,às 8 horas.
Comeceiabeber
conhaque
Mastel- melembro até doconhaque
-eàsnove em
ponto
elechegou.
Sóaaparência
doHemingway
medeixouprofundamente
chocado,
aterrorizado. Eraumhomem
imenso,
tinha quase doismetrosde altura. Eubebiae meperguntava:"o que é quevouperguntar
praessehomem,
umescritor internacional quenemsabequeexisteoBrasil?". Lá
pelas
10emeialembrei que elegostavadesafári,
iaperguntarseelegostaria
defazerumnaAmazônia,
essacoisatoda.Tomeimais uma
talagada
deconhaque
efuiao banheiro.Quando
voltei elejá
tinha idoembora,
foiumnegócio
terrível. Voltei pro hotelecheguei
lá dizendo:"Samuel,
vocêéomaisdesinformado do mundo. O
Hemingway
já
foiembora,
já
tánaEspanha."
E ele acreditou.Z: Em
qual
veículo foimais prazeroso trabalhar?JS:
ForamosAssociados,
porcausada guerra. Aí vocêalcançou
oponto
máximo dojornalismo.
Eeujamais
poderia
imaginar
queiriaparaguerra,euestavanosAssociados fazia apenasummêsehavia três candidatos parairparaaguerra, queeram
tI
JOEL SILVEIRA GANHOU O APELIDO"A
VíBORA"
DEASSIS CHATEUBRIANDPORCONTADESEU ESTILO DETEXTO IMPACTANTE"Todo
repórter
gosta
muito
de
contar
seus
sucessos,
eu
prefiro
contar
meus
fracassos.
Não
foram
muitos,
mas
foram
terríveis"
Carlos
Lacerda,
DavidNassereEdmar Morel.Eutinha ido para lá porqueDiretrizes,
arevistaemque
trabalhava,
tinhafechado.Ecomo eu eramuitoamigo
doVirgilinho,
oVirgílio
de MeloFranco-queera
amigo
do Chateaubriand-,fuiaeleedisse: "DoutorVirgílio,
tôdesempregado,
osenhornãotemqualquer
coisapramim?"Ele
respondeu
quetinha,
entãodesceu,
meempurrouno carro e falou paraochofer: "SacaduraCabral".
Quando
ele disse SacaduraCabraleusoube queeram osAssociados.
Chegando
láfomos.paraoquartoandar,
ondeo Chateaubriand tinhaogabinete,
ele abriuaporta,
meempurrounosombrosedisse:"Assis,
aí estáavíboraque você
queria".
O Chateaubriandtinhalido umareportagem
minha,
chamadaOsgrã-finos
de SãoPaulo,
etinhagostado
muito.Sempre
queencontravacomVirgílio
dizia:"Virgí
lio,
metragaessavíbora".Quando cheguei
lá ele falou: "SenhorSilveira,
osenhorvaitrabalhar
comigo,
senhor Silveira'Passelánosegundo
andare converse com oCarlos[Lacerda].
Eosenhorvaiganhar
...".Quando
elemedisseoordenadofiquei pálido,
eraimensoparaa
época,
cincovezesmaisdo queganhava
emDiretrizes.Então desciefaleicomoCarlos. Ele
queria
irparaaguerraeprocuroumeafastar
-depois
deduziisso-,memandando fazer reportagemnoBrasilinteiro,
acomeçarpelo
Acre. Eutinha deixadocomeleumasreportagens,
inclusiveumasobreoClubedas Vitórias
Régias,
queera umgrupo de senhoras quarentonas,adiposas,
todasintegralistas,
quesereuniamsemanalmente paracantar, recitar... umalevavabolinho,
outraflores... Eumadessas vitóriasrégias,
sem eusaber,
era aRosalina CoelhoLisboaLarraigotti,
mulher do dono da SulAméricaSeguros,
de quemo Chateaubrianderaamigo
íntimo.Quando
volteidaviagem
oLacerda disse: "O homem táumafera porcausadareportagem
daVitória-Régia.
O homem táumaferaequer falarcomvocê".Quando
eucheguei
veiooChateaubriand:"SeuSilveira,
osenhor éumhomemterrível! Osenhornão sabeo que acabou de fazer! Dona Rosalina éuma
dama,
senhorSilveira,
umadama!".Falei:"Doutor Assis,se eusoubesse que Dona Rosalina ésua
amiga,
osenhoracha que ia cairnaasneirade
publicar
essareportagem?
O senhortemme tratadobem,
temmepagobem,
só por burriceouignomínia
fariaisso.CaberiaaoLacerda,
que conheceassuas
amizades,
sustarareportagem.
Vamosfazerassim:eutheaperto
amão,peço
desculpas,
vouemboraeespero quesejamos amigos".
EntãooChateaubriand
respondeu:
"Isso éoqueosenhor pensa, senhor Silveira.O senhor nãovaiembora assim, não,vaireceberumcorretivo! Senta
aí,
seuSilveira,
osenhorvaiparaaguerra,vaimataralemão,
seuSilveira!Evouthepedir
umfavor:osenhornãomemorra,se osenhormorrerthe demitonahora!"
Z:Aguerra éa
situação
maisdifícil paraumrepórter?
JS: Evidente,
a guerra é umacoisaquemarca muito. Eu costumodizer que fuiparaaguerracom26anos,
passei
lá11 meses evolteicom40.Aguerra amadurece muito,aqui
noBrasileusóconheciaolado bom doserhumano,
naguerraviooutrolado,
o lado perverso,adestruição,
a fome eamiséria,
compreendeu?
Euperdi
ainocêncianaguerra.
Z:Foiomelhormomentode suacarreira?
JS:
Não temdúvida. Euacho,
enãosousóeu,queocorrespondente
de guerra é oponto
alto dojornalismo,
porque éoinstante emqueestásedecidindoasorteda humanidade.Principalmente
essaguerra, quefoiaúltima guerrajusta.
Toda guerra éinjusta,
mas essacontraHitler foijusta.
Omundo nãopodia
permitir
queessaperversãonazista
continuasse,
demaneiraque todo mundo lutavaeviaaguerracomgrande
entusiasmo,sabendo queoTerceiro
Reich,
queerapara durar milanosedemorou15, estava desmoronando.Commedo, evidente,
porque quem disser quenão temmedoem umaguerra éumfanfarrão.Naguerraagentetemmedoe
frio,
principalmente
noinvernodos
Apeninos
com20 grausabaixodezero,para quemsaiudoRiodeJaneiro
com40acima...
Masagentese
adapta
fácil,
porqueaverdade é queanotícia éumacoisamilagro
sa,umacoisafantástica.Anotícia compensatudo,
vocêsabendo que estápresencían
doumfatohistórico quevaiserlembrado por séculos eséculoseestátransmitindo parao seu
público
tudooque estávendotemumacompensação
fantástica. Vocêsentequesuavidateveumsentido.
Z: Osenhor
disse,
ementrevista à RevistaIstoÉ,
que oBrasil éumafarsa.
JS:
O Brasil éopaís
dofuturo,
doStefanZweig,
mas odiabo dessefuturonuncachega,
né?Adivisãodedinheiro noBrasil éumnegócio
terrível,
20%dapopulação
é dona doBrasil,
80%vivenaclassemédia-baixaouentão namiséria.É
terrível ainjustiça social,
porissoquedigo
que éumafarsa.TemosumPresidentedaRepública
que nãogovernacom aConstituição,
governa através das Medidas Provisórias. Toda vezquenãoconsegueaprovação
noCongresso
ele editaumaMedidaProvisória,
eaté que ela vá paraoCongresso
eseja vetada,
opresidente
já
fezoquequeria.
Z:Há
algum presidente,
e osenhoracompanhou
deperto
váriosdeles,
que consideraterfeitoumbom
governo?
JS: Apesar
deeu nãogostarde Getúliocomoditador,
acho que foiumestadista.Antes do
Getúlio,
o trabalhador não tinha nenhumagarantia,
não tinhacarteira, assistênciasocial,
salário mínimo... Poroutrolado,
atéGetúlio,
oBrasilerasomenteagrícola.
Eletransacionou,
fezumabarganha
com opresidente
Roosevelt,
dos EstadosUnidos,
duranteaguerra.ORooseveltprecisava
daquelas
bases doNordeste,
Pernambuco,
RioGrande doNorte,
paraosaviõesdecolarem.EntãoGetúliopediu
umasiderúrgica.
Ele tinha visão de estadista._____,_o_,_
. I!
autrev.isla
póstuma
_.--�--- --- -_--- - --- -- - - ---
--o JORNALISTA EESCRITOR
COMEÇOU
ATRABALHARNAIMPRENSA AOS18ANOS,
POUCOSMESES ANTES DOGOLPEDE 1937"
Evidentemente
a
guerra
é
uma
corsa
que
marca
muito.
Eu
costumo
dizer que fui
para
a
guerra
com
26
anos,
passei
lá
11
meses,
e
voltei
com
40.
(
...)
Eu
perdi
a
inocência
na
guerra"
Outro queteveuma
grande
importância
noBrasilfoiJuscelino,
comquemeu medavamuito
bem,
eraamigo
dele desde queeragovernador
deMinas.Ele fezBrasília,
quehoje
tem1milhãoe200mil habitantes.Ealém de Brasília fezaBrasília-Belém,
aestrada quedescobriuaquele
miolodo Brasil queeradeserto,
nãohavia nada.Hoje
há cidadescom maisde200,
300milhabitantesà margem dessa estrada.Quer dizer,
ele povoouo
Brasil,
nãotemdúvida.Z:No encontroqueosenhortevecomGetúlio eleotratoucomodou
tor...
JS:
É,
ele começoumuito ameno,mechamando de doutor.Eudisse,
"presidente,
mas eunãosou
doutor,
estudei só atéosegundo
anode Direito".Eele:"não,
doutorSilveira,
osenhor é doutor. Comomediziammeusprofessores,
ospadres
Dominicanos de SãoLeopoldo,
doutor é quem é doutoemalguma
coisa, e osenhor é douto emjornalismo".
Ovelhoeraterrível,
né?Nofundoeu
queria
umaentrevista,maseleestava certode queeuqueria
emprego- eeleiamedar. Mas
quando
euapresentei
aeleumquestionário,
elesetransmudou,
setransformou. Ficou
frio,
osolhosfuzilantes,
puxouacadeira,
cadeirapesadíssima
depresidente,
mejogou
opapel
edisse: "o senhortratecom odoutorLuisMauro".Medeu ascostasefoi
embora,
nem meestendeuamão. Foiaprimeira
eúltimavezquevi
Getúlio,
doismesesantesde elemorrer.Z:Comoosenhor avaliao
jornalismo
atual?JS: Ah,
eu acho que houvegrande
progressonojornal
do Brasil.Hoje
osjornais
brasileiros
podem
seequiparar
aosgrandes
jornais
do mundo.Houve umaremodelação
totalnoponto
devistagráfico
-hoje
osjornais
são muitobemdiagramados
-e no
ponto
de vistade notícias.Antigamente
ojornal
brasileiro só dava notícia[internacional]
sob o ponto de vistadasagências
internacionais,praticamente
asamericanas.
Hoje não,
osgrandes
jornais
têmseuscorrespondentes
nomundointeiro, aGlobo temcorrespondente
aténaChina. Demaneira que dãoanotícianaversãobrasileira,
comoé queoBrasil vêessanotícia,
comoela afetaoBrasil.E issoeuachodamaior
importância.
PorTadeu
Sposito
Diário
da
víbora
EudeixaraosDiários Associadoseaindanãoarranjara
empregonovo.Faziaumbiscateaqui,
outroacolá,
ia vivendo- até quemeapareceu
pela
frenteumsenhor bem-falantequesedizia
empresário
deváriosnegócios,
mascujo
sonho,
há muitoacalentado,
era serdono deumjornal.
Eupodia
meencarregardacoisa?Insolventecomomeencontrava,não
pensei
maisqueumsegundo:
-"Topo!"
O cavalheiro
alugou
umconjunto
dequatro
salasna ruaMéxico,
mobilizou-as,
comproumeiadúziade
máquinas
deescrever,disse-mequeeutinha carta branca: queescolheseparaessa
empreitada
quemeuachassemelhor.De
jornal
nãoentendo nada. Maspreciso
deumparadefendercertasidéias.E acrescentou:
Só
imponho
umacondição:
você nãopode
falar mal deFulano,
Sicrano eBeltrano,
gente
boae meusamigos! (Na
verdade,
eramtrêsnotáriossicofantas,
manjadíssimos
na
praça)
E temmais:opessoal
a serrecrutado nãopode
sermuitogrande,
somenteoessencial,
que porenquanto
odinheironãodá mais.O
jornal
saiu unsvintediasdepois,
chamava-se Folha doRio,
não mais que oitopági
na.
Entãoaconteceuoque eunão esperava:antes de
completar
ummês,
ojornal
tevede fazera cobertura de um enorme incêndioque estava acontecendo naCinelândia,
naáreados cinemas. Fizemoso
possível.
Mashouve uminstanteemque faltourepórter,
faltou
fotógrafo,
faltou tudo.Eofogaréu
ali bemperto,
cadavezmaisaceso.Hora de fecharo
jornal,
antesdo meio dia(era
vespertino,
tinhade estarnabancaàsduas),
eusó tinhanas mãosduasfotostiradasaindanoiníciodo desastreemaisumasduas laudasescritas
apressadamente
porumrepórter
free-lancer.Que fazer?
Frustrado atéa
medula,
nãovacilei. Dei umacopidescada
namatéria,
escolhi afotomenos
ruim,
arrumeitudonaprimeira
página.
E,
nopé
damatéria,
nasegunda
página
escrevi: "Esta
reportagem
continuanoO Globo".Sefuidemitido?
Perguntinha
boba...Demitidíssimo.E porjusta
causa.Justíssima.(Publicado originalmente
narevistapernanbucana
ContinenteMulticu!turan
SETEMBRO
-07
. " .ZERO
. " ... ' . _ )' ) . .05
consumidor
Brasil Telecom
confunde
usuários
de
telefonia fixa
Campeã
de atendimentos
no
Procon
SC,
operadora
não
se
preocupa
em
deixar claro
o
funcionamento
do sistema de
cobranças
A
tarefaparecia
fácil:ligar
paraaBrasil Te lecomede;coblirquantocustaominutDdas
ligaçêes
locaiseem qual plano
estáaminhaconta.O
objetivo
era usarapenasostelefones queestãoà
disposição
dosusuátios,
o103 14e o080041 1414.Masquemjá
ligou alguma
vezparaqualquer
serviço
de atendimentoaoconsumidor deveter,nomínimo,
dadoumagargalhada
por tamanhainocênciade minhaparteaoachar que
poderia
serumamissão
simples.
Primeiro
Capítulo:
Brasil Telecomk
21h44deumdomingo
começavaaprmeira
de três
ligaçêes
paraaBrasil Telecom Seriapreciso
discarumtotal de 10 números(os
dígitos
do103 14 maisasopçi'íe;
a seremescoUudas)
eesperarcinco minutos,escutandojingles
emusiquinhas
deelevador,
atéconseguir
falarcomFemando,
umatendentedevozmal-humorada
Após
conferir dadosecolocarmais
jingles,
Fernandoafuma quemeu telefoneestánoPlano Básicocomdireitoa400 minutos
por
R$39,69.
Tenho direito tambéma200minutDsnuma
franquia
adicional queadquiri
porR$
6,83.
Pagaria
R$46,52
pela
minhaconta.Quando
perguntoquantD
custa o mi nuto eleresponde:
"é só dividirR$
46pela
quantidade
deminutos,senhora". Mas quan
to dá essa conta? Ele
responde:
"é sódividir,
senhora".Insistoeper
guntoseelenão
pode
fazer a
operação.
"Sóum momentD, senho
ra",dáum
suspiro
fundoemais
musiquinhas.
Voltacom ospreços:
R$
0,10
pelos
minutosfala dos dentro dafranquia
eR$ 0,19
pelos
minutosexcedentes.
Ela diz que tenhooPlano Básicode 200mi
nutospor
R$ 39,17,
equecomprei
umafranquia
adicional de600minutospor
R$
20,74,
oque elevaminhacontapara
R$ 59,910
preço dominutoagoraé
R$ 0,19
nafranquiae
R$ 0,10
pelos
excedentes.Luanatambémafuma queos
primeiros
30segundos
sãogratuitos
e apartir daí,
acobrança
éfeitaacada6
segundos
a10"10 do valor dominuto.Nossaligação
acaba às 22h20.
(De
acordocom aAnateie com ositeda
própria
BrasilTelecom,
osprsneíros
30segundos
não são
gratuitos.
Osconsumidor paga,nomínimo,
oequivalente
a30segundos
deconversação,
mesmoque falemenosque
isso).
Voltoaligarparao
10314naesperançaderesol
ver o
problema
Oatendente daveznãoseapresenta.Quarenta
minutosnotelefoneequasesempaciência.
escutoumterceiro
tipo
deplano
parameutelefone.Segundo
oatendenteanênimo,
tenhooPlano Básicocom200minutospor
R$
39,69
eumafranquia
adicional de 200minutospor
R$
6,83.
Ovalor dominutDé
igual
aode Fernando:R$ 0,10
dentro dafranquia
eR$ 0,19
pelos
minutDsexcedentes.Desisto.Mais confusa queantes,
ligo
paraaAnatei(Agência
Nacional deTelecomunicações),
para200minutDs,
R$
0,03415.
Foradasfranquias
ovaloréde
R$ 0,03878.
Confuso?ComcertezaDiferentementedo que foi ioíormadonacentral
de
atendimento,
omodo decobrança
éousadonomodelo doPasoo
(Plano
Alternativo deServiço
de OfertaObrigatória).
Emhorárionormal,
écobradaumataxade
completamento
daligação equivalen
teaquatro minutos,que
segundo
oatendimentoon-line da Brasil Telecom é de
R$ 0,15512. Depois
a
cobrança
éfeitaacadaseissegundos
por 10"10 dovalor dominuto.Noshorátios reduzidos
(de
segunda
a
sexta-feira,
de Oh-6h,
aossábados das14h-Oh,
aos
domingos
efeliadosodiatodo),
sóataxadecompletamento
écobrada.Segundo
Capítulo:
"O Herói"Educadoe
bem-humorado,
SidineiParisoto,
diretor do Procon
(Órgão
deDefesadoConsumidor)
Estadual,
perde
acalmaquando
oassuntoéBrasil Telecom"Imagine
umadaquelas
redomas devidro, gigantes
einaoessíveisnoestilo 'filme deficção
científica'.ABrasilTelecom está lá dentro".Esegue
indignado, inerrompendo
o meurelato decomofuiatendidacom
epresões
como"despreparo
tDtal,
descasoe
desrespeito
aoconsumidor".
Enquanto
aguar davaaentrevista,aindanasala de espera,ase
cretáriadeParisoto,An
dréia, ligou
paraaBrasilTelecomeperguntouo
valor dominutodas li
gaçãe;
locais.Emmenosde 5minutos láestava elacom a
ufonnação
"O
negócio
éligar
direío na
fonte",
conta,sem revelar o número
mágico
queusou.Logo
depois,
quando
já
estava nasala de
Parisoto,
Andréiaentrou dizendo
queo
"pessoal
da BrasilTelecom
ligou"
equeospreços iníormades
esta-vamerrados.Prometeramqueembreve mandariam
umfaxcom osvalorescorretDs.
Aempresa éumavelhaconhecidadoProcon.
SóemagostDde
2007,
226pessoas procuraramoórgão
para reclamaroutirardúvidas sobreaoperadoraNomesmo
período,
foramregistrados
apenas15 atendinlentDs da
operadora
GvrEntreagostD
de2006e
2007,
foram 1772redamaçõs
sobreaBrasilTelecomcontra85 da GvrEoqueocliente
pode
fazer?Reclamare reclamar. "O Consumidor espera que
oProcon
coloque
umaestrelanopeito,
entrenumfusca brancoevá até as
operadoras
para darumsoco na cam
deles,
masnão éassimque funciona". Parisotogarante
queasqueixas
devemserencaminhadas para quese
faça
umlevantamento decomoandaoatendinlento.
Quando
oassuntoéamudança
depulso
paraminutos,odireíor doProcondiz que ela é
positiva,
pois permite
queacobrança
seja
feita deumamaneiramaisclara"Acontadetalhada éumaluta de vá
tios anos".O
problema
estánomodocomofoi feitaEntre todas
asopções
dadas
pelos
atendentes da Brasil
Telecom,
tente
marcar aopção
correta:
(A)
Fernando(B)
Luana(C)
Terceiro atendente(D)
Atendimento on-line(E)
Gisele(F)
Nenhuma alternativasPergunto
omotivo dadiferença
e porque osexcedentes sãomaiscaros.Femandonãoconsegue daruma
explicação
racional,
talvez por quenão existatalexplicação.
Apenas
diz quenãovoupassar dafranquia,
pois
te nhomuitos minutespara falar.Então,
tudo bem(Depois
fizascontasnaminha calculadoraenão
cheguei
anenhum desses valores. Dividindo
R$
46,52
por400minutosda minhafranquia
inicialominuto sairiapor
R$
0,1163
edividindoR$
46,52
por600minutosdafranquia
total,
oresultado dá
R$ 0,ü775).
Sobre a
cobrança
noshoráriosreduzidos,
Fernando diz que devo
ligar
parao 0800 da empresa. "Possoajudar
emmaisalguma
coi- sa,senhora?".Não,obrigada.
"A Brasil Telecomagradece
sualigação".
Próximatentativa,o0800 411414.
À)
22hcomeça tudooutravez:"Bem vindoaBrasil Telecom
Agora
usandoo14vocêliga
paraqualquer lugar
do Brasiledo mundo"Maisumalista de
opçãe;. k
22ho6,
Luanaatendecom umavozmaisanimadi nha queade Fernando.Plano
Preço
dominuto Inicial de 400 porR$ 39,69
Nafranquia: R$ 0,10
Adicional de 200 porR$ 6,83
Fora:R$ 0,19
Inicial de 200 por
R$39,17
Nafranquia: R$ 0,19
Adicional de 600 porR$ 20,74
Fora:R$ 0,10
Inicial de.200por
R$39,69
Adicional de 200 porR$6,83
Inicial de 400 porR$
39,69 Adicional de 200 porR$ 6,83
Inicial de 200 porR$ 39,69
Adicional de 200 porR$ 6,83
Dentroefora:R$ 0,1056
registrar
umaqueixa.
O atendimento émaisrápido
e semmusiquinhas.
Em cincodias úteis devo receberresposta
daoperadora.
Protocoloanotado,
agora é sóaguardar.
Arespostaveioantes,devidoaoe-mail queman
dei diretamente paraaBrasil Telecom: "Em
primeiro
lugar
cabeaqui
umsinceropedido
dedesulpas
pelo
atendirpento
equivocado
porparte
da central 10314".Também írformam que
"segue
abaixoasiníormaçãe;
con-etassobreseuplano".
Será?De acordocom o"atendimento
on-line",
tenhooPlano
Franquia
Adicional600minutos.Divididosem uma
franquia
inicial de400minutos
(antígos
100pulsos)
porR$ 39,
69
e umafranquia
adicional de200 minutos(antigos
50pulsos)
porR$
6,83.
E nãoé queoFernando,
oprimeiro atendente,
estavacerto?Sobreopreço dominuto,
ninguém
acertou.Deacordocom o
e-mail,
opreço variadeplano
parapla
no.Nomeucaso,dentro dafranquia
de400 minuíos, édeR$ 0,099225
edentro dafranqina
adicional de"Faltou ufonna
ção
edivulgação.
A Brasil Telecom
mesmo não fez
qual
quertipo
dedivulgação".
Segundo
aAnatei,
apenas2%dosconsumidores
pedi
rarn o detalliamento dacontae1% solicitou o compara tivo entre o Pl31l0 Básicoe o
Pl3110Pasoo.Comodetalllamento daconta
telefônica,
tDdasasligaçãe;
virãolistadascom a
data,
ohorário,
aduração
eopreço de cada chamadaJá
ocompar.ativo,
fazumasímulação
dequantosenaacontase oconsumidortivesseusado outro
plano.
Osdoisselviços
sãogratuitos.
Assinlcomo amudança
deum
pl3110
paraoutro.Terceiro
capítulo:
"As vítimas"O romerdante
Thiago
Coutoéumdosusuários insatisfeitoscom o atendimento da Brasil
Telecom Eletentoumudaro
endereço
e oprefixo
dacontateleíônicado bairro
Ingleses
para Canasvieiras. Na
primeira
tentativamudaramoende reço,masnãoonúmero.Nasegunda,
mudaramonúmeroenãoo
prefixo.
Thiago
queria
trocaro3369
(de
Ingleses)
pelo
3266 (de Canasvieiras).
Na terceira vez,cancelouaantiga
linhaecomprououtra,tambémnaBrasil TelecomAoinstalaro novo
telefone soube queo
prefixo
seriaoantigo
3369,
aquele
queThiago
nãoqueria
Otécnicodeinstalação
solucionouoproblema
- fezuma"gambiar
ra"ecolocouo
prefixo
desejado
porThiago.
Ummês
depois, quando
tudoparecia
estarresolvido,
ele recebeuumacontadeseu
antigo
número quenão existia mais. Foiirformado
pelo
atendimento daoperadora
queovalorera umresíduo doantigo
telefone.Como
Thiago já
tinha recebidouma contareferenteaosúltimos diasemqueusou a
snííga
linha,
sabia queera umacobrança
indevida.Foiatéopostoda
operadora
emCanasvieiraseouviuamesma
explicação.
Decidiu procuraroProcon.Quando
aatendente doProconligou
paraaBrasil
Telecom,
aoperadora
reconheceu que tinhafeitDuma
cobrança
indevidaRegistrada
aqueixa,
Thiago
deve voltaraoórgão
em15 dias paraverificarse oprocesso está correndoconíormeo
prometido.
Aoperadora
afuma quevai retiraracobrança
Aos23311OS,
Thiago
já
édono dopróprio negá
cio,umadistribuidora de
gás
de cozinha Mas antesdaautonomia, trabalhouduranteseismeses no102
da Brasil Telecomedefendeos
colegas.
"Nãochega
a serincompetência,
édespreparo
mesmo".Eletra balhavaquatrohoras por diaganhando
cercadeR$
220."TInha vale
trànsporte,
maisR$
96,00
de valealimentação".
Horáriodealmoço?
Não.Apenas
umintervalo de 15minutosparaumlanchee ameta
de realizaroatendinlentoem30
segundos.
Emcadatumo,
atendia, média,
500ligaçi'íe;.
Thiago
estádentro das estatísticas daAnateLDeacordocom oPlano Geral deMetasde
Qualidade
de2007,
aBrasilTelecom,
Filialse,
nãoatendeu atéomêsde
juUm
nenhuma dasmetasdeemissão
decontasno
quesito
"Número dedocumentos de
cobrança
coml-e-clamação
deerro emcada mildocumentos emitidosnamoda
lidade local".A metaéde até2%deerro.O mais
próxinlo
disso foiem
janeiro,
quando
2,81%
dascontas
ti-veram falhas
Foram
equívocos
namedição
de
serviço
emPonte Serranae cobrança dupla
para clientes do PlanoConta
Completa
(cobrado
franquia
mensalemaisassinatura).
Opico
deredarnações
foiregísrado
emjunho,
com
4,85%
decontas comcobranças
incorretas.
Segundo
aAnatel,
ametanãofoicumpti
da porque houve "uma falhapontual
nosistemadefaturamentoqueocasionou
cobrança
indevidaaosclientes do Pl31l0 Conta
Completa
ede ADSL'.Quarto
capítulo:
"Omediador"Em
relação
àmudança
depulso
paraminutos,o assessorde
imprensa
daAnatei, Augusto
DrumondMoraes,disse que a
Agência proibiu
o
marketing
direto das empresas, queestavamligando
paraacasa dos clientes e oferecendoplanos
deminutosnão-oficiais.Moraesdiz quea Anatei funciona como um mediador entre
consumídore
operadora
..Ediz que éimportante
queoconsumidor procure
primeiro
aoperadora
para solucionaros
problemas.
Equando
aoperadoratrazmaisconfusão do que
solução?
"AísimprocureaAnateL
É importante
reclamar paraaagência,
pois
subsidiaaAnatei deírformações"
Deacordocom oassessor,ocorretoé
ligar
primei
roparaaempresa,anotaronúmerodo
protocolo
e se oproblema
nãoforsolucionado,
ligar
paraaAnateLDentrodecincodias úteisa
operadora
deveentraremcontatocom oconsumidorcom
uma
solução
paraoproblema.
As
operadoras
realmente dãoumarespostaaoconsumidor
depois
deumaqueixa
naAnateLReconià
agência
para reclamar sobreaconfusãode valores.Umpoucoantesdeíerminaressa
reportagem,
recebiumtelefonema da Brasil Telecom.Aatendente
Giseleinícrrrou que tenhooPlano Básicocom200
minutospor
R$
39.69
equeominutDéR$
0,1056.
Omodo de
cobrança
éodo Plano Básico:semtaxade
completamento.
Conclusão:sevocêsvoltaremaoinícioda
matéria,
vãoverqueaconfusãocontinua Eque
ninguém
acertDu.Eselembram queaBrasil Telecomiamandar
umfaxcom osvalorescorretosdominuíoparaodi
retordo Proeon?Pois
é,
nãomandaram. Momes aindacontaqueembreveteremosreajuste
nastarifas locais. Oaumentojá
tinha sidoauíorízadoem
julbo,
masparanãoprovocar confusãocom a
mudança
depulso
paraminutos, foiadiadopara outubro.
Segundo
o assessordaAnatei,
aBrasilTelecomvai
reajustar
astarfasem2,13%.PorSabtinaCarozzi