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A realidade sobre a saúde do idoso no município de Nova Ramada/RS e a construção de um modelo assistencial

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Academic year: 2021

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UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

A REALIDADE SOBRE A SAÚDE DO IDOSO NO MUNICÍPIO DE NOVA RAMADA/RS E A CONSTRUÇÃO DE UM MODELO ASSISTENCIAL

ALINE MAFALDA

IJUÍ (RS) 2011

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ALINE MAFALDA

A REALIDADE SOBRE A SAÚDE DO IDOSO NO MUNICÍPIO DE NOVA RAMADA/RS E A CONSTRUÇÃO DE UM MODELO ASSISTENCIAL

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Pós-graduação Lato Sensu em Fisioterapia em Geriatria do Departamento Ciências da Vida – DCVida, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial para a obtenção do título de especialista em Fisioterapia em Geriatria.

Orientadora: Heloisa Meincke Eickhoff

IJUÍ, RS 2011

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RESUMO

O aumento de idosos na população brasileira e o conseqüente predomínio das doenças crônico-degenerativas desafiam o Sistema Único de Saúde a buscarem novos modelos assistenciais de atenção a pessoa idosa, que necessita de um cuidado contínuo, complexo e interdisciplinar. Neste contexto e como profissional inserida na equipe básica de saúde do município de Nova Ramada (RS), objetivou-se estudar a população idosa deste município e assim elaborar um plano assistencial à esta população.

Palavras-Chave: idoso, plano assistencial, equipe interdisciplinar

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ABSTRACT

The increase of elderly in the Brazilian population and a predominance of chronic diseases challenge the Sistema Único de Saude to seek health care models of caring to elderly people who require continuous care, complex and interdisciplinary. In this context and as a professional team entered in the basic health of the city of Nova Ramada (RS), aimed to study the elderly population of this city and so develop a plan of care to this population.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Pirâmide Etária ... ... ... ... 13

Figura 2 - Dinâmica funcional da equipe de enfermagem . ... 16

Figura 3 - Número de idosos de Nova Ramada/RS que sofreram quedas no último ano .. 20

Figura 4 - Avaliação multidimensional rápida dos idosos de Nova Ramada/RS ... 22

Figura 5 - Avaliação das atividades básicas de vida diária dos idosos de Nova Ramada/ RS ... 22

Figura 6 - Avaliação das atividades instrumentais de vida diária dos idosos de Nova Ramada/RS ... 23

Figura 7 - Folder com informações sobre Incontinência Urinária ... 24

Figura 8 - Folder com informações para prevenção de quedas ... 25

Figura 9 - Folder com informações nutricionais para idosos ... 25

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Estratos de risco de fragilização ... 11 Tabela 2 - População residente em Nova Ramada/RS ... 12 Tabela 3 – Risco de (re)internação hospitalar dos idosos de Nova Ramada/RS ... 19 Tabela 4 - Utilização de diferentes medicamentos pelos idosos do Município de Nova

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LISTA DE ABREVIATURAS

UBS – Unidade Básica de Saúde TR – Triagem Rápida

AFB – Avaliação Funcional Breve

AIVDs – Atividades Instrumentais de Vida Diária ESF – Estratégia em Saúde da Família

MS – Ministério da Saúde

CISA – Consórcio Intermunicipal de Saúde do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul PA – Pressão Arterial

IMC – Índice de Massa Corporal

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ... ... 08 1 METODOLOGIA ... 10 2 A REALIDADE EM ESTUDO ... 12 2.1 A Instituição ... 13 2.1.1 Estrutura física ... 13 2.1.2 Composição da equipe ... 14 2.1.3 Dinâmica funcional ... 15 2.1.4 Convênios e parcerias ... 16 2.1.5 Serviços à comunidade ... 16 3 RESULTADOS ... 19

3.1 Condições gerais de saúde e capacidade funcional da população idosa do município de Nova Ramada/RS ... 19

4 PLANO ASSISTENCIAL ... 24

5 REFLETINDO SOBRE O TEMA DO ESTUDO ... 28

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 31

REFERÊNCIAS ... 32

APÊNDICE ... 34

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INTRODUÇÃO

O Brasil vivencia um momento de transição demográfica, decorrente, principalmente, do aumento progressivo da população de idosos. Hoje, existem aproximadamente 18 milhões de idosos no país, que equivale a 10% da população total 1.

Este rápido crescimento da população idosa causa importante impacto em toda a sociedade, principalmente no sistema de saúde e na infra-estrutura necessária para responder às demandas desse grupo etário, especialmente quanto a instalações, programas específicos e recursos humanos adequados, quantitativa e qualitativamente. Acompanhando as transformações demográficas, o Brasil tem experimentado alterações relevantes no seu quadro de morbi-mortalidade, conhecidas como transição epidemiológica, fazendo com que as doenças crônico-degenerativas ocupem hoje as principais posições de ocorrência de doenças e causas de mortalidade 2.

Esta mudança no quadro de morbi-mortalidade do idoso nos traz hoje uma nova realidade no que diz respeito à assistência a esta população. Em geral, as doenças dos idosos são crônicas, múltiplas, perdurando por vários anos e exigindo acompanhamento profissional contínuo e, antes de representarem um risco de vida, constituem uma ameaça à autonomia e independência do indivíduo 3.

A questão da capacidade funcional e autonomia do idoso pode ser mais importante que a própria questão da morbidade, pois se relacionam diretamente com a sua qualidade de vida. Cerca de 30 a 50% dos indivíduos muito idosos (85 anos acima) são incapazes para realizar pelo menos cinco das atividades da vida diária (banhar-se, vestir-se, alimentar-se, transferir-se da cama para a cadeira, usar o sanitário e manter a continência urinária e/ou fecal) e necessitam de cuidados pessoais em tempo integral. Eles são frágeis e apresentam elevado risco de quedas, confusão mental, hospitalizações freqüentes, sinais de maus-tratos e, em conseqüência, admissão em instituições de longa permanência (asilos) 4.

Dificultando esta realidade, a assistência ao idoso apresenta uma demanda reprimida por atendimentos ambulatoriais especializados, o que gera falta de identificação de idosos

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com risco de adoecer e morrer precocemente. Acresce-se a esse fato o pequeno número de profissionais de saúde habilitados a tratar de idosos, o que tem contribuído decisivamente para as dificuldades na abordagem adequada desse paciente 5.

Para Paschoal (2005) 6, o objetivo fundamental na atenção a saúde do idoso é conseguir a manutenção de um bom estado de saúde, e assim alcançar o máximo de vida ativa, junto à família, na comunidade, com a maior autonomia possível e independência física, psíquica e social.

A família é fundamental no processo de prestação de cuidado ao idoso, contribuindo para a humanização da assistência e a construção de um ambiente favorável para a recuperação da saúde do idoso, evitando, na medida do possível, hospitalizações, asilamentos ou outras institucionalizações 7.

Neste sentido, a prevenção das doenças crônico-degenerativas, a assistência à saúde dos idosos dependentes e o suporte aos cuidadores familiares são situações que representam novos desafios para o sistema de saúde instalado no Brasil 8.

A rede de serviços de saúde deve adaptar-se ao atual perfil demográfico e epidemiológico, ampliando a oferta de atendimento especializado de geriatria com forte enfoque na promoção, prevenção e reabilitação. A rede de atenção básica deve ser capaz de identificar idosos fragilizados, isto é, aqueles com maior risco de desenvolver incapacidade funcional. Deve, ainda, acompanhar de forma eficiente os de menor risco, paralelamente ao desenvolvimento de ações e atividades de educação e promoção de saúde.

Reconhecendo esta situação como de suma importância para uma assistência adequada à população idosa, como profissional inserida na equipe básica de saúde do município de Nova Ramada (RS), objetivou-se estudar a população idosa deste município e elaborar um plano assistencial à esta população.

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1 METODOLOGIA

Este trabalho baseia-se no relato de caso de experiência profissional, em que se descreve a realidade sobre a assistência a idosos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Nova Ramada/RS. Inicialmente buscou-se o conhecimento das condições gerais de saúde desta população e então a elaboração de um plano assistencial.

Para o levantamento das condições gerais de saúde e a capacidade funcional dos idosos, foram aplicados questionários e protocolos de avaliação específicos, pelos agentes de saúde da unidade, que foram previamente treinados e capacitados.

Os questionários e protocolos utilizados possuem a capacidade de detectar as condições gerais de saúde dos idosos avaliados além do risco de (re)internação hospitalar de cada idoso, e a partir disto direcionar para avaliações mais específicas bem como para as principais e mais urgentes abordagens terapêuticas 5,9,10.

Para a categorização dos indivíduos em classes de risco para (re)internação hospitalar utilizou-se o Instrumento de Triagem Rápida (TR) (anexo I), preconizado por Boult et al (1993) 9, sendo este de aplicação rápida e capaz de identificar indivíduos com doenças graves ou em risco de desenvolvê-las através de uma fórmula de regressão logística que define o idoso de maior ou menor risco. Os critérios avaliados são: idade, sexo, disponibilidade de cuidador, autopercepção da saúde, presença de doença cardíaca, presença de diabetes mellitus, pernoite hospitalar e consultas médicas nos últimos 12 meses. A classificação do risco está descrita na Tabela 1, proposta por Lourenço et al 3. Portanto quanto maior a idade, sexo masculino, pior percepção da saúde, ausência de cuidador, presença de doença cardíaca e diabetes mellitus, maior número de internações e consultas médicas irá classificar o idoso como de alto risco de (re)internação hospitalar.

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Tabela 1 - Estratos de risco de fragilização. Nível * Prh Estratificação de risco Risco 0 < 0,300 Baixo Risco 1 0,300 a 0,399 Médio Risco 2 0,400 a 0,499 Médio/alto Risco 3 ≥ a 0,500 Alto

* Prh = probabilidade de reinternação hospitalar

Para a constatação das condições de limitação e os problemas principais do idoso aplicou-se o Instrumento de Avaliação Funcional Breve (AFB) (anexo II). Este é um instrumento composto por 11 itens, cada um avaliando uma área específica. São eles: a visão, a audição, a função dos braços e pernas, a continência urinária, a nutrição, o estado mental, os distúrbios do afeto, as atividades de vida diária, o ambiente no domicílio e a rede de suporte social. Trata-se de um conjunto de questões e testes de desempenho que, avaliados em outras realidades, mostraram-se altamente sensíveis para a detecção de distúrbios nas áreas pertinentes 11,12. A partir desta avaliação pode-se observar distúrbios em diferentes sistemas e assim encaminhar a assistência necessária e manter o contato com o profissional indicado.

Também foram aplicados os protocolos para avaliação da independência funcional do idoso através da Escala de Katz e de Lawton 10 (anexo III), onde a primeira consiste num instrumento para medir a habilidade da pessoa em desempenhar suas atividades cotidianas de forma independente e assim determinar as necessárias intervenções de reabilitação. A segunda é um instrumento proposto para avaliar as Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD), consideradas mais complexas e cuja independência para desempenho está diretamente relacionada com a capacidade de vida comunitária independente, possuindo um escore máximo de 21 pontos. A capacidade em realizá-las torna as pessoas idosas mais autoconfiantes para a vida em comunidade.

Após a avaliação dos idosos e estabelecimento de suas condições de saúde e capacidade funcional um plano assistencial foi elaborado, buscando a participação de toda a equipe de saúde, pois o trabalho interdisciplinar é fundamental na atenção ao idoso, visto que este apresenta diferentes acometimentos e necessidades.

Deve-se salientar que o Secretario de Saúde do município de Nova Ramada ciente das informações pesquisadas, autorizou a utilização dos dados para a elaboração deste trabalho mediante assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (apêndice A). Também foram assegurados os aspectos legais da lei 196/96.

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2 A REALIDADE EM ESTUDO

O município de Nova Ramada localiza-se no interior do estado do Rio Grande do Sul, pertence a 17ª Coordenadoria de Saúde, possui apenas uma Unidade de Saúde, sendo esta a única referência em saúde dentro do município, oferecendo serviços de atenção básica e saúde da família, além de serviço de urgência e emergência.

O município conta com uma população total de 2455 habitantes13 sendo 1280 do gênero masculino e 1175 do gênero feminino. As faixas etárias que apresentam maior número de pessoas são entre os 20 a 29 anos e 40 a 49 anos 13 (tabela 2; figura 1).

Ainda, o município de Nova Ramada encontra-se em conformidade com a Política Nacional de Atenção Básica que prioriza a existência de equipe multiprofissional de saúde da família responsável por, no máximo, 4.000 habitantes, sendo a média recomendada de 3.000 habitantes 14.

A população acima de 60 anos, ou seja, a população idosa, conta com 473 habitantes, o que representa 19,3% da população total do município de Nova Ramada, fato que merece destaque, pois em comparação com a proporção total de idosos do país, que é de 10% 1, Nova Ramada apresenta uma taxa superior, evidenciando uma população já mais envelhecida. Outra informação disponível diz respeito ao gênero destes indivíduos, onde 240 são homens e 233 são mulheres.

Tabela 2 – População Residente em Nova Ramada/RS

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Figura 1 - Pirâmide Etária

Em relação à população total do município, 96% da população é coberta pela Estratégia em Saúde da Família (ESF).

2.1 A Instituição

A atenção básica do município de Nova Ramada/RS é composta por uma equipe de UBS com Estratégia em Saúde da Família, estando estruturada de acordo com as orientações da Política Nacional de Atenção Básica do Ministério da Saúde (MS) a qual orienta que UBS com ou sem Saúde da Família, de acordo com o desenvolvimento de suas ações, devem disponibilizar equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, cirurgião dentista, auxiliar de consultório dentário ou técnico em higiene dental, auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde, entre outros; consultório médico, consultório odontológico e consultório de enfermagem para os profissionais da atenção básica; área de recepção, local para arquivos e registros, uma sala de cuidados básicos de enfermagem, uma sala de vacina e sanitários, por unidade; existência e manutenção regular de estoque dos insumos necessários para o funcionamento das unidades básicas de saúde, incluindo dispensação de medicamentos pactuados nacionalmente 14.

2.1.1 Estrutura física

A UBS de Nova Ramada conta atualmente com uma estrutura física de 540 m², dividida entre as seguintes salas:

- 1 sala de espera e uma recepção central; - 1 sala para a auxiliar administrativa;

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- 1 sala para o secretário da saúde; - 1 farmácia;

- 1 sala para os agentes de saúde e a enfermeira responsável pelo ESF; - 1 sala de triagem dos pacientes;

- 1 sala para a vigilância epidemiológica; - 2 salas para as médicas;

- 1 consultório odontológico; - 1 sala para fisioterapia;

- 1 ambulatório para pequenos procedimentos;

- 1 sala de observação e internações rápidas com 4 leitos; - 1 sala para a psicóloga a nutricionista e a fonoaudióloga; - 1 cozinha;

- 1 sala para higienização e esterilização de materiais; - 1 lavanderia;

- 3 banheiros;

- 3 salas destinadas a estoque de medicamentos e outros materiais.

2.1.2 Composição da equipe

A equipe da Secretaria de Saúde de Nova Ramada é composta por 31 funcionários, sendo estes concursados, contratados ou terceirizados via Consórcio Intermunicipal de Saúde do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (CISA).

Possui uma equipe de Estratégia de Saúde da Família composta por uma médica, uma odontóloga, uma auxiliar de dentista, uma enfermeira, uma técnica em enfermagem e um auxiliar administrativo. E demais profissionais atuando na unidade básica, onde ocorre o pronto atendimento aos pacientes além de urgências e emergências.

A equipe é formada por:

- 2 médicas (uma médica da família com 40h e uma clínica geral 20h - contrato) - 1 psicóloga (40 h - concurso);

- 1 nutricionista (16h - CISA); - 1 fonoaudióloga (16h - CISA);

- 2 fisioterapeutas (20h cada - contrato);

- 3 enfermeiras (40h cada – 2 concurso; 1 contrato); - 1 odontóloga (40h - concurso);

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- 1 auxiliar de dentista (40h - contrato); - 4 técnicas de enfermagem (40h - concurso); - 1 farmacêutica (40h - contrato);

- 2 auxiliar administrativo (40h – concurso); - 7 agentes de saúde (concurso);

- 1 agente epidemiológico (40h - contrato); - 3 motoristas (40h – 2 concurso; 1 contrato).

2.1.3 Dinâmica funcional

A equipe trabalha e se organiza de acordo com a realidade do município, suas demandas e carências, onde a dinâmica funcional busca facilitar o acesso aos serviços de saúde e proporcionar um atendimento qualificado e resolutivo.

Para um melhor entendimento desta dinâmica preferiu-se abordar cada área de forma separada, relatando a organização e articulação de cada setor.

Para consulta odontológica ocorre agendamento todas as segundas-feiras mediante ligação telefônica ou na própria unidade de saúde. A odontóloga e sua auxiliar realizam também trabalhos nas escolas como escovação e aplicação de flúor.

A médica responsável pela ESF atende a população mediante agendamento que ocorre todas as sextas-feiras por ligação telefônica e na unidade de saúde, sendo agendados 16 pacientes por dia. Esta realiza ainda visitas domiciliares, palestras com a comunidade e pequenos procedimentos cirúrgicos.

A médica clínica geral atende o pronto atendimento onde os pacientes passam pelo acolhimento e classificação de risco realizado pela equipe de enfermagem.

A psicóloga realiza atendimentos individualizados e também em grupo através dos grupos de autoajuda e saúde mental onde trabalha com dependentes químicos, psicóticos e depressivos. A nutricionista e a fonoaudióloga realizam atendimentos na unidade de saúde e também trabalhos nas escolas. O agendamento de consultas com estas profissionais é feito na recepção central da unidade ou diretamente com as profissionais.

As fisioterapeutas realizam atendimentos individualizados, em grupos terapêuticos (grupo de lombalgia e grupo de idosos), visitas domiciliares, trabalhos em escolas e palestras na comunidade. O agendamento é realizado na recepção central onde há uma lista de espera.

Já a equipe de enfermagem realiza o acolhimento e a classificação de risco dos pacientes que chegam à unidade necessitando de atendimento médico sem agendamento

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prévio. No caso de consulta médica o paciente é encaminhado pela recepção para a equipe de enfermagem que primeiramente localiza o prontuário do paciente e repassa para a enfermeira responsável pela triagem, esta questionará sobre a queixa do paciente e se necessário encaminhará para a consulta médica ou para outro profissional levando em consideração a classificação de risco do paciente, ou seja, idoso, criança, gestante, hipertenso. Nos casos de hipertermia, algia ou outro quadro crítico há encaminhamento direto para a sala de observação e atendimento médico imediato (figura 2).

Figura 2 – Dinâmica funcional da equipe de enfermagem

2.1.4 Convênios e parcerias

A unidade de saúde possui convênios via CISA com clínicas no município de Ijuí, Passo Fundo, Porto Alegre e Crissiumal. Os encaminhamentos hospitalares são feitos para o hospital Bom Pastor de Santo Augusto, o qual é a referência para o município, mas os pacientes com quadros mais complexos são encaminhados para o Hospital de Caridade de Ijuí (HCI). Pacientes dependentes químicos são encaminhados para o centro de referência em Augusto Pestana.

2.1.5 Serviços à comunidade

A unidade presta diferentes serviços à comunidade, visando à promoção, detecção, prevenção e tratamento de diferentes patologias e agravos a saúde.

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Oferece serviços de prevenção e detecção de doenças com realização de exames como Papanicolau e encaminhamentos de mamografias em mulheres, exames para detecção de câncer de próstata nos homens, puericultura para crianças menores de 5 anos, pré-natal para as gestantes, investigação de novos indivíduos hipertensos e diabéticos, casos de hanseníase e tuberculose, entre outros.

Nas escolas são realizados diversos trabalhos educativos e de detecção, como palestras sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e uso de drogas, além da realização de avaliação nutricional para detecção de crianças com baixo peso ou sobrepeso e avaliação postural para detecção de crianças com alterações posturais e assim encaminhamento fisioterapêutico precoce.

Com relação ao diagnóstico de diferentes patologias, praticamente todos os exames são realizados em outros municípios, exceto o eletrocardiograma em repouso e alguns exames laboratoriais que são coletados na própria UBS.

Para os hipertensos, diabéticos e idosos é realizado um trabalho de check-up semestral ou anualmente, onde este deve realizar uma consulta médica e repetir exames de acompanhamento e somente assim renovar sua receita médica e poder continuar recebendo a medição gratuitamente.

Para pacientes acamados ou com muita dificuldade de acesso a unidade de saúde, são feitas visitas domiciliares para realização de curativos, verificação da pressão arterial sistêmica, orientações e cuidados, realização de fisioterapia para reabilitação de distúrbios motores e respiratórios, consulta médica, entre outros procedimentos.

A UBS, como já mencionado anteriormente, possui alguns grupos terapêuticos, como o grupo de lombalgia, formado por pacientes que possuem problemas e dores lombares, fato bastante frequente no município. Auxilia também na efetivação do grupo de 3ª idade “Unidos Venceremos”, o qual realiza encontros semanais com prática de exercícios físicos coordenados por uma das fisioterapeutas, além de trabalhos com a equipe de enfermagem, palestras com a médica e demais profissionais. Os grupos de autoajuda e saúde mental que trabalham com dependentes químicos, psicóticos e depressivos, organizados pela psicóloga da unidade com auxílio dos demais profissionais da equipe. E ainda possui um grupo de gestantes formado duas vezes ao ano, onde diferentes assuntos são abordados: tipos de parto, amamentação, exercícios pré e pós o parto, orientações nutricionais para a mãe e o bebê, entre outros temas.

A unidade segue as orientações das políticas públicas do Ministério da Saúde, que caracteriza a atenção básica por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e

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coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. E ainda visa à eliminação da hanseníase, o controle da tuberculose, o controle da hipertensão arterial, o controle do diabetes mellitus, a eliminação da desnutrição infantil, a saúde da criança, a saúde da mulher, a saúde do idoso, a saúde bucal e a promoção da saúde 14.

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3 RESULTADOS

3.1 Condições gerais de saúde e capacidade funcional da população idosa do município de Nova Ramada/RS

Para o levantamento das condições gerais de saúde e capacidade funcional dos idosos foram avaliados 236 idosos, de um total de 473 idosos residentes no município de Nova Ramada13, o que caracteriza uma amostra de 50% da população idosa deste município.

Através dos questionamentos na Triagem Rápida, constatou-se que dos 236 idosos, 102 (43, 2%) apresentaram baixo risco de (re)internação hospitalar; 67 (28,4%) apresentaram médio risco; 54 (22,9%) demonstraram médio/alto risco de (re)internação hospitalar e 13 idosos (5,5%) apresentaram alto risco para (re)internação hospitalar (tabela 3).

Tabela 3 – Risco de (re)internação hospitalar dos idosos de Nova Ramada/RS

Estratificação de Risco Idosos (n) %

Baixo 102 43,2

Médio 67 28,4

Médio/Alto 54 22,9

Alto 13 5,5

TOTAL 236 100

Na AFB observou-se que a idade média da população idosa avaliada foi de 69,6 anos. Em relação ao nível de escolaridade, 23 idosos (9,8%) eram analfabetos, 205 (86, 9%) possuíam o ensino fundamental incompleto, 02 idosos (0,8%) com o ensino fundamental completo, apenas 01 idoso (0,4%) possuía o médio incompleto, 03 idosos (1,3%) com o ensino médio completo e 02 (0,8%) com ensino superior.

Em relação a avaliação de doenças e condições de saúde, observou-se que 12 idosos (5,1%) possuíam distúrbio de comportamento, 108 (45,8%) apresentavam problemas

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articulares, 113 (47,9%) com esquecimento, 57 (24,2%) possuíam colesterol elevado, 40 idosos (16,9%) com catarata, 38 (16,1%) apresentavam tremor, 73 ( 30,9%) indivíduos com sintomas de tonturas, 14 idosos (5,9%) já haviam sofrido um derrame, 12 (5,1%) com glaucoma, 08 idosos (3,4%) com Parkinson e, outra doença que se destacou foi câncer, com 09 idosos (3,8%).

Na avaliação da ocorrência de quedas entre os idosos, 176 indivíduos (74,6%) não haviam sofrido nenhuma queda no último ano, já 33 idosos (14%) haviam caído pelo menos uma vez, 16 (6,8%) caíram duas vezes, 08 idosos (3,4%) apresentaram três quedas no último ano, 02 indivíduos (0,8%) caíram quatro vezes e 01 idoso (0,4%) caiu cinco vezes, significando que 25,4% da população idosa avaliada apresentaram de uma a cinco quedas no último ano (figura 3).

Figura 3 – Número de idosos de Nova Ramada/RS que sofreram quedas no último ano

Com relação a avaliação da pressão arterial (PA), realizada mediante verificação direta no dia da avaliação, 93 idosos (39,4%) apresentaram PA normal (≤120/≤80 mmHg), 53 indivíduos (22,5%) caracterizaram-se como pré-hipertensos (>120-139/>80-89 mmHg), já 67 idosos (28,4%) apresentaram hipertensão arterial em estágio I (140-159/90-99 mmHg) e 23 idosos (9,7%) com hipertensão estágio II (>160/>100 mmHg).

A avaliação da utilização de diferentes medicamentos pelos idosos, demonstrou que 52 indivíduos não faziam uso de nenhuma medicação, já 97 idosos (41,1%) usavam entre um e três medicamentos, 58 idosos (24,6%) faziam uso de quatro a seis medicamentos diferentes, 20 idosos (8,5%) utilizavam entre sete e nove drogas, 08 indivíduos (3,4%) usavam entre dez e doze medicamentos e 01 idoso (0,4%) fazia uso de treze a quinze medicamentos diferentes (tabela 4).

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Tabela 4 – Utilização de diferentes medicamentos pelos idosos do Município de Nova Ramada/RS Medicação (n) Idosos (n) % Nenhuma 52 22 1 – 3 97 41,1 4 – 6 58 24,6 7 – 9 20 8,5 10 – 12 8 3,4 13 – 15 1 0,4 TOTAL 236 100

Ao questionar sobre a prática de exercícios físicos pelos idosos de Nova Ramada observou-se que 86 idosos (36,4%) praticavam algum tipo de atividade física, mas a maioria, 150 idosos (63,6%) não realizava nenhum exercício físico.

No item avaliação multidimensional rápida da pessoa idosa, dentro da AFB, vários elementos foram analisados, sendo possível constatar que: 165 idosos (69,9%) possuíam dificuldade visual; 71 idosos (30,1%) apresentavam déficit auditivo; 35 idosos (14,8%) possuíam incontinência urinária; 04 idosos (1,7%) com limitação dos movimentos dos membros superiores e 17 idosos (7,2%) apresentavam limitação na função dos membros inferiores; no aspecto nutricional, 129 idosos (54,7%) apresentaram Índice de Massa Corporal (IMC) normal, 66 idosos (27,9%) com Índice de Massa Corporal (IMC) alto e 28 idosos (11,9%) com IMC baixo, sendo que ainda 13 idosos (5,5%) não sabiam informar o seu peso ou altura; na avaliação da cognição e memória 55 idosos (23,3%) apresentaram déficit cognitivo; 153 idosos (64,8%) relataram sentirem-se às vezes deprimidos ou tristes; a avaliação do ambiente domiciliar demonstrou que 206 idosos (87,3%) possuíam escadas, tapetes soltos, local com pouca iluminação ou não possuíam corrimões no banheiro, o que facilita quedas e acidentes; e em relação ao apoio social e familiar, apenas 01 idoso não possuía familiares ou amigos com quem podia contar (figura 4).

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Figura 4- Avaliação multidimensional rápida dos idosos de Nova Ramada/RS

Na avaliação das Atividades Básicas de Vida Diária (AVDs), com a aplicação da escala de Katz, foi possível constatar que 214 idosos (90,7%) eram independentes para todas as atividades avaliadas; 08 idosos (3,4%) eram independentes para todas as atividades menos uma; 04 idosos (1,7%) eram independentes para todas as atividades menos banho e mais uma adicional; 01 idoso (0,4%) era independente para todas as atividades menos banho, vestuário e mais uma adicional; 01 idoso (0,4%) era dependente para banho, vestuário, ir ao banheiro e mais uma adicional; 03 idosos (1,3%) dependentes para banho, vestuário, ir ao banheiro, transferência e mais uma adicional; 04 idosos (1,7%) eram dependentes para todas as atividades; 01 idoso (0,4%) era dependente em pelo menos duas funções, mas que não se classificava nas alternativas anteriores (figura 5).

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Em relação ao desempenho das AIVDs, avaliado através da escala de Lawton, observou-se que 07 idosos (2,9%) obtiveram sete pontos o que indica dependência para a realização de todas as AIVDs avaliadas; 28 idosos (11,9%) alcançaram de oito a quatorze pontos, indicando dependência parcial ou capacidade com ajuda; 201 idosos (85,2%) obtiveram de quinze a vinte e um pontos, demonstrando maior independência e independência total para as atividades avaliadas (figura 6).

Figura 6 - Avaliação das atividades instrumentais de vida diária dos idosos de Nova

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4 PLANO ASSISTENCIAL

Com os resultados da avaliação das condições gerais de saúde e capacidade funcional de uma parcela da população idosa do município de Nova Ramada, foi possível tirar algumas conclusões e elencar elementos a serem trabalhados num primeiro momento na construção do plano assistencial.

Primeiramente pensou-se em trabalhar com temas ainda não abordados, ou pouco explorados pela equipe, desta forma, com a colaboração dos colegas, foram elaborados alguns folders informativos para distribuição nos domicílios. Temas como incontinência urinária, quedas e orientações nutricionais para idosos foram abordados (figura 7; figura 8; figura 9).

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Figura 8 – Folder com informações para prevenção de quedas

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Pensando também no risco de (re)internação hospitalar elaborou-se um esquema de encaminhamentos a serem dados de acordo com a classificação do risco. Desta forma estabelece-se que :

Idosos com Baixo e Médio Risco de (re)internação hospitalar:

encaminhamento/convite para participação do grupo de terceira idade “Unidos Venceremos”. Grupo supervisionado por uma fisioterapeuta com auxílio de todos os profissionais da equipe de saúde, onde são realizados exercícios físicos semanais, palestras, atividades lúdicas, recreativas, educativas, viagens, entre outros (figura 10).

Idosos com Médio/Alto e Alto Risco de (re)internação hospitalar: realização de

atendimentos ambulatoriais e visitas (atendimentos) domiciliares de acordo com cada caso, onde a primeira visita domiciliar seria realizada pela fisioterapeuta, com orientações ao idoso e seus familiares (cuidadores), e sempre que observado a necessidade, encaminhamento de outro profissional da equipe para seguimento do tratamento e acompanhamento necessário.

Figura 10 – Carta convite para os idosos

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Como mencionando anteriormente, este trabalho buscou uma abordagem interdisciplinar visando a atenção integral dos idosos. A comunicação e a interação entre os profissionais da unidade foi de fundamental importância para uma atenção integral e o mais resolutiva possível, pois as demandas da população idosa são muitas e variadas, sendo assim, apenas um profissional não conseguiria dar conta desta assistência.

Para as famílias, principalmente para os cuidadores de idosos dependentes, também buscou-se oferecer assistência, orientações de cuidados tanto com o idoso como com sua própria saúde.

Os primeiros encaminhamentos dados foram estes, mas sabe-se que muitas outras abordagens podem ser tomadas, pois várias são as necessidades observadas. Temas como a depressão no idoso, o estímulo cognitivo e a polifarmácia também poderiam ser abordados em outro momento.

O objetivo principal de toda essa intervenção é manter o idoso o maior tempo possível independente e funcional e com melhores condições de saúde tanto física como mental, e assim diminuir também as internações hospitalares que tanto fragilizam o idoso e aumentam os custos da saúde pública.

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5 REFLETINDO SOBRE O TEMA DO ESTUDO

A população idosa esta sobre risco de desenvolver doenças crônico-degenerativas que tendem a gerar incapacidade e dependência, aumentando a demanda por serviços de saúde e de maior complexidade. Mas o idoso é ainda tratado no sistema de saúde brasileiro como um adulto, no entanto, a fragilidade que se instala pelo processo fisiológico do envelhecimento coloca este indivíduo em uma situação de maior vulnerabilidade, mas há falta de planejamento e continuidade de atenção que possam reduzir o risco de complicações de doenças instaladas, internações e incapacidades.

Neste sentido a efetivação de uma assistência especializada através da implementação de um plano assistencial para o idoso vêm como uma tentativa de mudança desta realidade, visando uma atenção integral que busque não só o tratamento de acometimentos já existentes, mas também identificação de novas situações e prevenção de agravos.

Para isto, assumiu-se o pressuposto básico que, ao estimar o risco de internação repetida de uma determinada população, avalia-se a presença de um perfil de fragilização que, além de aumentar a probabilidade de internações repetidas, leva à redução progressiva da capacidade funcional e, conseqüentemente, à maior demanda por serviços de saúde em todos os níveis 15.

Um elemento de grande relevância a ser considerado quando se trabalha com saúde do idoso, diz respeito a ocorrência de quedas nesta população, pois estas podem levá-lo à incapacidade, injúria e morte. Seu custo social é imenso e torna-se maior quando o idoso tem diminuição da autonomia e da independência. Problemas com ambiente domiciliar também trazem risco ao idoso, principalmente àquele que já apresenta alguma deficiência de equilíbrio e marcha, situações que propiciem escorregar, tropeçar, pisar em falso, além de ambientes inseguros e mal iluminados, mal planejados e mal construídos, com barreiras arquitetônicas devem ser observados. Uma forma de trabalhar a queda seria realizando sua prevenção, por meio de visitas domiciliares. A Política Nacional de Saúde do Idoso já aborda esse tipo de assistência, onde os programas de saúde devem estabelecer protocolos para identificar

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possíveis riscos causadores de queda, além de reforçar a importância do autocuidado e alertar família/cuidador para que participem ativamente da prevenção de quedas com os idosos 16.

A inatividade física também é um dos fatores de risco mais importantes para o acometimento da saúde do idoso. É bastante prevalente a inatividade física entre os idosos, pois o estilo de vida moderno propicia o gasto da maior parte do tempo livre em atividades sedentárias, como por exemplo, assistir televisão. É preciso lembrar que saúde não é apenas uma questão de assistência médica e de acesso a medicamentos. A promoção de "estilos de vida saudáveis" é encarada pelo sistema de saúde como uma ação estratégica. A pessoa que deixa de ser sedentária diminui em 40% o risco de morte por doenças cardiovasculares e, associada a uma dieta adequada, é capaz de reduzir em 58% o risco de progressão do diabetes tipo II, demonstrando que uma pequena mudança no comportamento pode provocar grande melhora na saúde e qualidade de vida 10.

A formação e participação em grupos de convivência e terapêuticos também vêm como uma alternativa para socialização do idoso, além de funcionar como um espaço possível e privilegiado de rede de apoio e um meio para discussão das situações comuns vivenciadas no dia-a-dia. Permite descobrir potencialidades e trabalhar a vulnerabilidade e, consequentemente, eleva a auto-estima. O trabalho em grupos possibilita a ampliação do vínculo entre equipe e pessoa idosa, sendo um espaço complementar da consulta individual, de troca de informações, de oferecimento de orientação e de educação em saúde 10.

O profissional de saúde, além da responsabilidade direta com o idoso, também é responsável por dar suporte ao familiar que desempenha o cuidado diário do idoso, pensa-se que este suporte possa ser efetivado por esclarecimento de dúvidas sobre a doença, medicamentos, perspectivas, o manuseio do idoso para trocas de decúbito, retirada do leito, sinais de alerta, cuidados nutricionais dentre outros, pois o suporte do profissional da saúde tem de ter como fundamentação as necessidades de cada cuidador, respeitando a sua história, os aspectos sociais, econômicos e culturais e as suas limitações.

E neste contexto, um acompanhamento domiciliar contribui para a melhoria da assistência prestada à população idosa, promovendo uma visão mais abrangente de saúde integral do idoso pela equipe de saúde e procurando identificar e sanar mais rápido possível, complicações no período de reabilitação de suas atividades cognitivas e motoras que possam culminar em uma nova reinternação. Ajuda ainda a promover uma melhor compreensão do idoso e de seu cuidador, do processo natural de envelhecimento e debilitação do organismo humano e informar ao cuidador acerca dos cuidados básicos que eles mesmos podem

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desenvolver junto ao seu idoso no domicílio, reduzindo o risco de novas hospitalizações e contribuindo na melhora da sua saúde geral 17.

Ainda, na visita domiciliar a equipe de saúde pode avaliar as necessidades do idoso, de seus familiares e do seu ambiente, bem como realizar um gerenciamento efetivo da saúde do idoso visando à prevenção de agravos por meio de intervenções precoces sobre situações de risco que possam comprometer a saúde e a capacidade funcional do idoso, visando aumentar a sua autonomia 18.

Neste sentido, o objetivo principal do sistema de saúde deve ser a manutenção da capacidade funcional do idoso, mantendo-o na comunidade, pelo maior tempo possível, gozando ao máximo sua independência. A manutenção da capacidade funcional é, em essência, uma atividade multiprofissional para a qual concorrem médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos e assistentes sociais. A presença desses profissionais na rede de saúde deve ser vista como uma prioridade

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A experiência relatada no presente estudo tem como base a minha vivência como fisioterapeuta inserida como membro da equipe da Unidade de Saúde do município de Nova Ramada/RS, onde busquei implementar um plano assistencial ao idoso, conduzida pela experiência acadêmica em um projeto de extensão universitária, com bases interdisciplinares para a atenção ao idoso, PROGRAMA DE ATENÇÃO AO IDOSO.

Através desta inserção profissional, tive a oportunidade de dar continuidade a um trabalho iniciado na graduação e transferi-lo para moldes maiores, podendo assim observar as dificuldades e limitações existentes na condução de um trabalho direcionado especificamente para a população idosa, no sistema hoje instalado.

Desta forma posso dizer que esta experiência me fez crescer muito, pude confirmar que o trabalho em equipe é fundamental, principalmente quando se trata da saúde do idoso, além de perceber que esta articulação entre diferentes profissionais não é simples, demanda tempo e muita comunicação. Posso também dizer que o trabalho realizado foi apenas um pequeno passo na longa caminhada para a melhoria da assistência a população idosa, onde muitas vezes se esbarra em limitações financeiras, físicas e de pessoal disponível e capacitado para atuar nesta área, por isto digo que este foi o impulso inicial e que agora o maior desafio é manter o serviço em funcionamento e a equipe instigada no aprimoramento da conduta com os idosos, buscando a melhora da qualidade de vida desta população.

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