Universidade Federal da Bahia
Escola Polit´ecnica e Instituto de Matem´atica
P´os-Gradua¸c˜ao em Mecatrˆonica
SOFTWARE E HARDWARE PARA A
DETERMINAC¸˜AO DA QUALIDADE DE
REDES TRIF´ASICAS DE PEQUENO E
M´EDIO PORTE E AN´ALISE DE
TRANSFORMADORES DE POTˆENCIA
Elvio Prado da Silva
DISSERTAC¸˜
AO DE MESTRADO
Salvador
Universidade Federal da Bahia
Escola Polit´ecnica e Instituto de Matem´atica
Elvio Prado da Silva
SOFTWARE E HARDWARE PARA A DETERMINAC¸˜AO DA
QUALIDADE DE REDES TRIF´ASICAS DE PEQUENO E M´EDIO
PORTE E AN´ALISE DE TRANSFORMADORES DE POTˆENCIA
Trabalho apresentado ao Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Mecatrˆonica do Escola Polit´ecnica e Instituto de Ma-tem´atica da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial para obten¸c˜ao do grau de Mestre em Mecatrˆonica.
Orientador: Prof. Dr. Iuri Muniz Pepe
Salvador
iii .
Sistema de Bibliotecas - UFBA
S586 Silva, Elvio Prado da
Software e Hardware para a Determina¸c˜ao da Qualidade de Redes Trif´asicas de Pequeno e M´edio Porte e An´alise de Transformadores de Potˆencia - Salvador-BA, 2014.
92 f. :il. color.
Orientador: Prof. Dr. Iuri Muniz Pepe
Disserta¸c˜ao (Mestrado) - Universidade Federal da Bahia. Escola Polit´ecnica, 2014.
1. Transformadores de Potˆencia. 2. Oscilosc´opio Digital. 3. Qualidade da Energia El´etrica. I. Pepe, Iuri Muniz. II. Universidade Federal da Bahia. III. T´ıtulo.
Dedico este trabalho aos meus pais, Vanderlei e Ivone e `
a minha irm˜a Fl´avia que sempre me apoiaram em minha carreira e a quem espelho a minha vida; `a minha esposa Claudia e filha Iasmin Cristina que me deram for¸ca e tive-ram paciˆencia e amor na distˆancia e nos tempos dif´ıceis; e ao meu bebˆe Pedro Antonio, que apesar de ainda estar em gesta¸c˜ao, j´a ´e muito amado e querido.
“Primeiro eles te ignoram, depois te ridicularizam, depois te combatem, e por fim vocˆe vence.” — MAHATMA GANDHI
AGRADECIMENTOS
Ao meu orientador Iuri Pepe que me recebeu e acreditou neste trabalho. Aos meus colegas de trabalho do IFBA, em especial ao professor Alexandre Franco pelo incentivo e recomenda¸c˜ao do mestrado no PPGM. Aos meus colegas do laborat´orio LaPO, em espe-cial It˜a, Geydison e Lucas pelo companheirismo. Agrade¸co imensamente a Deus por esta oportunidade de subir mais um degrau na escada de minha vida.“Sua tarefa ´e descobrir o seu trabalho e ent˜ao, com todo o cora¸c˜ao, dedicar-se a ele.”
— BUDA “Onde estiver o seu tesouro, l´a estar´a tamb´em o seu cora¸c˜ao.”
—JESUS
RESUMO
Neste trabalho foi desenvolvido um sistema de medi¸c˜ao trif´asico, para a determina¸c˜ao da qualidade da rede el´etrica de instala¸c˜oes residenciais, comerciais ou de pequenas ind´ustrias. Este sistema ´e composto por um sistema de medi¸c˜ao e aquisi¸c˜ao de dados da rede, baseado em um comutador eletromecˆanico microprocessado e um oscilosc´opio digital, comercial, de dois canais, al´em de dois softwares, um destinado ao controle da aquisi¸c˜ao de dados e outro para a an´alise de transformadores de potˆencia.
O hardware respons´avel pela comuta¸c˜ao dos canais do oscilosc´opio foi denominado Hardware Acquisition, e possui a finalidade de adquirir os dados de tens˜ao e corrente das trˆes fases (uma fase por vez), recebe e processa os comando enviados por um computador pessoal. Depois de adquiridos os dados solicitados s˜ao enviados ao computador que calcula e tra¸ca os gr´aficos trif´asicos de oscilografias. O oscilosc´opio de dois canais utilizado e a interface de aquisi¸c˜ao s˜ao providos de interfaces USB para a comunica¸c˜ao com o computador, esta comunica¸c˜ao ´e feita utilizando o padr˜ao NI-VISA.
O primeiro programa foi denominado Software Acquisition e, em conjunto com a in-terface, ´e respons´avel pela aquisi¸c˜ao dos dados trif´asicos de tens˜ao e corrente el´etrica do sistema proposto.
O segundo programa foi denominado Software TRAFO e analisa, elabora laudo, calcula e tra¸ca gr´aficos de transformadores trif´asicos de potˆencia, atrav´es de dados de ensaio em vazio (sem carga) e ensaio em carga (curto-circuito). As an´alises por software consistem na determina¸c˜ao das perdas em vazio e perdas em carga de transformadores trif´asicos, bem como na determina¸c˜ao do circuito equivalente unifilar, impedˆancias, rendimento e regula¸c˜ao do mesmo, tra¸cado dos gr´aficos caracter´ısticos, al´em de realizar an´alises de Custo Total de Propriedade.
A maior contribui¸c˜ao deste trabalho est´a na utiliza¸c˜ao de um oscilosc´opio simples, comercial, de dois canais, que funciona como sistema de aquisi¸c˜ao de dados, para a determina¸c˜ao da qualidade de redes el´etricas trif´asicas. Por meio deste recurso t´ecnico e estrat´egia de medi¸c˜ao o sistema torna-se, relativamente, mais barato, acess´ıvel, mantendo a acredita¸c˜ao, acur´acia e confiabilidade pr´oprias aos oscilosc´opios.
O sistema foi testado e calibrado utilizando um transformador trif´asico did´atico de 1,5kVA Δ-Y, IP00, com prim´ario de 220V e secund´ario de 190V/110V, os laudos gerados pelo Software TRAFO e os dados adquiridos pelo Hardware Acquisition e c´alculos e gr´aficos efetuados pelo Software Acquisition atenderam as demandas e objetivos do projeto. Palavras-chave: Transformadores de Potˆencia, Sistemas Trif´asicos, Software, Hard-ware, Oscilosc´opio, Qualidade de Energia
ABSTRACT
In this work a system of three-phase measurement was developed for determining the quality of the power grid residential, commercial or industrial. This system consists of a measuring system and data acquisition, based on a microprocessor based electromecha-nical switch and a digital, commercial oscilloscope, two channels, and two softwares, one for the control of data acquisition and another for the analysis of power transformers.The responsible for hardware switching of the channels of the oscilloscope was called Hardware Acquisition, and has the purpose of acquiring the data of voltage and current of the three phases (one phase at a time), receives and processes the command sent by a personal computer. After acquired the requested data are sent to a computer which calculates and plots the AC charts oscillograms. The two channel oscilloscope used for acquisition and interface are equipped with USB interfaces for computer communication, this communication is done using the standard NI-VISA .
The first program was called Software Acquisition and, together with the interface, is responsible for acquiring data from three phase voltage and electric current of the proposed system.
The second program is called Software TRAFO and analyzes, prepares report, eva-luates and plots graphs of three-phase power transformers, using test data from no-load and load tests ( short circuit). The software analyzes consist in determining the no-load losses and load losses of three-phase transformers, as well as in determining the single-line equivalent circuit, impedance, efficiency and regulation of even trace the characteristic graphs, and performing analyzes of Total Cost of Ownership.
The major contribution of this work is the use of a simple commercial oscilloscope, two channels, which functions as a data acquisition system for determining the quality of three-phase power networks. Through this technical resource and measurement strategy the system becomes relatively cheaper, affordable, maintaining accreditation, accuracy and reliability to own oscilloscopes.
The system was tested and calibrated using a didactic phase transformer 1.5 kVA Δ -Y, IP00, with primary and secondary 220V 190V/110V, the reports generated by the Software TRAFO and data acquired by the Hardware Acquisition calculations and graphics made by the Software Acquisition met the demands and goals of the project. Keywords: Power Transformers, Tree-phase Systems, Software, Hardware, Oscillos-cope, Power Quality
SUM´ARIO
Simbologia xiv
Cap´ıtulo 1—Introdu¸c˜ao 1
1.1 Objetivos . . . 1
1.2 Transformadores Trif´asicos . . . 1
1.3 Hardware de Aquisi¸c˜ao de Dados . . . 4
1.4 An´alise da Qualidade da Energia . . . 6
Cap´ıtulo 2—Transformadores de Potˆencia 8 2.1 Funcionamento em Vazio - Ensaio em Vazio . . . 9
2.1.1 Realiza¸c˜ao do Ensaio em Vazio . . . 11
2.1.2 Corrente a Vazio (I0) . . . 12
2.1.3 Potˆencia em Vazio (P0) . . . 12
2.1.4 Fator de Potˆencia em Vazio (cosφ0) . . . 13
2.1.5 Componentes da Corrente a Vazio . . . 14
2.1.6 Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (kn) . . . 15
2.2 Parˆametros do Ramo Magnetizante . . . 16
2.2.1 Parˆametros do Ramo Magnetizante Referidos ao Lado de Baixa Tens˜ao . . . 17
2.2.2 Parˆametros do Ramo Magnetizante Referidos ao Lado de Alta Tens˜ao 18 2.3 Funcionamento em Plena Carga - Ensaio em Curto-Circuito . . . 19
2.3.1 Realiza¸c˜ao do Ensaio em Carga - Curto-Circuito . . . 20
2.3.2 Corrente Nominal e Corrente de Curto-Circuito . . . 21
2.3.3 Tens˜ao de Curto-Circuito . . . 23
2.3.4 Potˆencia de Curto-Circuito . . . 23
2.4 Parˆametros dos Enrolamentos do Transformador . . . 24
2.4.1 Parˆametros dos Enrolamentos Referidos ao Lado de Alta Tens˜ao . 25 2.4.2 Parˆametros dos Enrolamentos Referidos ao Lado de Baixa Tens˜ao 27 2.5 Detalhes do Software de Transformadores . . . 28
2.5.1 Ferramentas do Software TRAFO . . . 28
2.6 Circuito Equivalente . . . 29
2.7 Dados de Entrada . . . 31
2.8 Rendimento . . . 32
2.9 Rendimento M´edio Di´ario . . . 35
2.10 Regula¸c˜ao . . . 37 x
sum´ario xi
2.11 Diagrama de Kapp ou Diagrama de Regula¸c˜ao . . . . 39
2.11.1 Como tra¸car o Diagrama de Kapp . . . . 40
Cap´ıtulo 3—Hardware Acquisition 43 3.1 Detalhes de Funcionamento do Hardware Acquisition . . . 45
3.2 Vantagens do Hardware Acquisition . . . 51
Cap´ıtulo 4—Comunica¸c˜ao e Interfaceamento - Software Acquisition 52 4.1 Interface entre Computador e Hardware . . . 52
4.1.1 A Placa de Interface e Controle . . . 52
4.1.2 Programa¸c˜ao do Microcontrolador PIC18F4550 . . . 53
4.2 Interface entre Computador e Oscilosc´opio . . . 55
4.3 Detalhes do Software Acquisition . . . 55
4.4 C´alculos Efetuados pelo Software . . . 60
4.5 Calibra¸c˜ao do Sistema . . . 61
4.5.1 C´alculo da FFT - Transformada R´apida de Fourier . . . 62
Cap´ıtulo 5—Sugest˜oes para Trabalhos Futuros 64 5.1 Propriedade Intelectual - Direitos Autorais e Patentes . . . 64
Cap´ıtulo 6—Considera¸c˜oes Finais 65 Apˆendice A—Detalhes de Instala¸c˜ao 66 A.1 Instala¸c˜ao do Driver USB Serial COM Virtual (CDC) . . . 66
A.2 Instala¸c˜ao da Biblioteca NI-VISA . . . 67
A.3 Instala¸c˜ao do Driver do Oscilosc´opio . . . 68
Apˆendice B—Programa¸c˜ao NI-VISA em USBTMC 69
LISTA DE FIGURAS
1.1 Esquema do Projeto em uma liga¸c˜ao t´ıpica de Ensaio em Vazio de umTransformador Trif´asico comum. . . . 5
1.2 Foto do sistema constru´ıdo mostrando o Hardware Acquisition adquirindo dados de um transformador trif´asico did´atico Δ-Y de 1,5kVA com carga trif´asica ligada em Δ . . . 5
2.1 Liga¸c˜ao do Ensaio em Vazio realizado pelo lado da baixa tens˜ao . . . . . 11
2.2 Triˆangulo de Potˆencia . . . . 13
2.3 Decomposi¸c˜ao da corrente a vazio . . . . 15
2.4 Ramo Magnetizante Paralelo . . . . 17
2.5 Liga¸c˜ao do Ensaio em Curto realizado pelo lado da alta tens˜ao . . . . 21
2.6 Tela de Circuito Equivalente do Transformador . . . . 30
2.7 Dados de Entrada do Software TRAFO . . . . 31
2.8 Tela de Rendimento x Fator de Carga do Transformador . . . . 32
2.9 Tela de Rendimento M´edio Di´ario . . . . 37
2.10 Tela de Regula¸c˜ao x Fator de Carga do Transformador . . . . 39
2.11 Tela do tra¸cado do Diagrama de Kapp Real do Transformador. . . . 40
2.12 Tra¸cado do Diagrama de Kapp . . . . 41
3.1 Esquema do Acionamento dos Rel´es nos Canais do Oscilosc´opio . . . . . 46
3.2 Circuito de acionamento dos Rel´es 1 e 2 . . . . 46
3.3 Comando “a” - Acionamento Vab (Rel´e 1) e Ia (Rel´e 2) . . . . 48
3.4 Comando “b” - Acionamento Vbc (Rel´e 3) e Ib (Rel´e 4) . . . . 48
3.5 Comando “c” - Acionamento Vca (Rel´e 5) e Ic (Rel´e 6) . . . . 49
3.6 Comando “d” - Acionamento Vab (Rel´e 7) e Vbc (Rel´e 8) . . . . 49
3.7 Comando “e” - Acionamento Vbc (Rel´e 9) e Vca (Rel´e 10) . . . . 50
3.8 Hardware Acquisition em Vista Superior, Frontal e Traseira . . . . 50
3.9 Hardware Acquisition . . . . 51
4.1 Circuito da Placa de Interface . . . . 53
4.2 Tela do Software Acquisition mostra a configura¸c˜ao da Porta COM Virtual 56 4.3 Tela do Software Acquisition mostra o Rastreamento de Instrumentos co-nectados `a porta USB . . . 57
4.4 Tela do Software Acquisition Tra¸ca os Gr´aficos de Tens˜ao e Corrente Trif´asicos Capturados . . . 58
4.5 Tela do Software Acquisition mostra os Dados Capturados incluindo todos os Dez Mil pontos adquiridos. . . 58
LISTA DE FIGURAS xiii 4.6 Tela do Software Acquisition mostra os C´alculos Efetuados pelo programa 59 4.7 Tela do Software Acquisition mostra os Gr´aficos de FFT Efetuados pelo
SIMBOLOGIA
Sn – Potˆencia Nominal
U1L – Tens˜ao de Linha no Prim´ario do Transformador U1F – Tens˜ao de Fase no Prim´ario do Transformador U2L – Tens˜ao de Linha no Secund´ario do Transformador U2F – Tens˜ao de Fase no Secund´ario do Transformador In1L – Corrente Nominal de Linha Referida ao Prim´ario In2L – Corrente Nominal de Linha Referida ao Secund´ario In1F – Corrente Nominal de Fase Referida ao Prim´ario In2F – Corrente Nominal de Fase Referida ao Secund´ario
Io – Corrente a Vazio
Io1 – Corrente a Vazio de Linha Medida no Amper´ımetro 01 Io2 – Corrente a Vazio de Linha Medida no Amper´ımetro 02 Io3 – Corrente a Vazio de Linha Medida no Amper´ımetro 03 P oF – Potˆencia Ativa a Vazio por Fase
W o1 – Potˆencia Ativa de Linha Medida a Vazio no Watt´ımetro 01 W o2 – Potˆencia Ativa de Linha Medida a Vazio no Watt´ımetro 02 cos(ϕ0) – Fator de Potˆencia a Vazio
ϕ0 – ˆAngulo do Fator de Potˆencia a Vazio
Iop – Corrente a Vazio do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referente a Parte Resistiva (Rmp)
Ioq – Corrente a Vazio do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referente a Parte Indutiva(Xmp)
Kn – Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (Rela¸c˜ao Entre as Tens˜oes do
Prim´ario pelo Secund´ario)
RmpB – Resistˆencia do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referido a Baixa Tens˜ao
XmpB – Reatˆancia Indutiva do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referido a Baixa Tens˜ao
ZmB – Impedˆancia do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referido a Baixa Tens˜ao
RmpA – Resistˆencia do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referido a Alta Tens˜ao
XmpA – Reatˆancia Indutiva do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referido a Alta Tens˜ao
ZmA – Impedˆancia do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao Paralela),
Referido a Alta Tens˜ao xiv
simbologia xv
RmpB% – Resistˆencia Percentual do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao
Paralela), Referido a Baixa Tens˜ao
XmpB% – Reatˆancia Percentual Indutiva do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao
Paralela), Referido a Baixa Tens˜ao
ZmB% – Impedˆancia Percentual do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao
Paralela), Referido a Baixa Tens˜ao
RmpA% – Resistˆencia Percentual do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao
Paralela), Referido a Alta Tens˜ao
XmpA% – Reatˆancia Percentual Indutiva do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao
Paralela), Referido a Alta Tens˜ao
ZmA% – Impedˆancia Percentual do Ramo Magnetizante (Disposi¸c˜ao
Paralela),Referido a Alta Tens˜ao
ZBaseA – Impedˆancia Base Referida a Alta Tens˜ao ZBaseB – Impedˆancia Base Referida a Baixa Tens˜ao U cc – Tens˜ao de Curto-Circuito de Linha Medida Icc – Corrente de Curto-Circuito de Linha Medida IccF – Corrente de Curto-Circuito de Fase
W cc1 – Potˆencia Ativa de Linha Medida no Curto-Circuito Atrav´es do
Wattimetro 01
W cc2 – Potˆencia Ativa de Linha Medida no Curto-Circuito Atrav´es do
Wattimetro 02
P ccF – Potˆencia Ativa de Curto-Circuito por Fase Kt – Constante T´ermica do cobre (KtCobre = 234, 5) Ti – Temperatura Ambiente do Ensaio
Tf – Temperatura de Regime Permanente de Funcionamento
do Transformador
R1 – Resistˆencia de Enrolamento Referida ao Prim´ario X1 – Reatˆancia de Enrolamento Referida ao Prim´ario Z1 – Impedˆancia de Enrolamento Referida ao Prim´ario R2 – Resistˆencia de Enrolamento Referida ao Secund´ario X2 – Reatˆancia de Enrolamento Referida ao Secund´ario Z2 – Impedˆancia de Enrolamento Referida ao Secund´ario U ccn – Tens˜ao de Curto-Circuito Corrigida para valores de
Tens˜ao e Potˆencia
P ccn – Potˆencia de Curto-Circuito Corrigida para valores de
Tens˜ao e Potˆencia
R1c – Resistˆencia de Enrolamento Referida ao Prim´ario Corrigida
para Valores de Tens˜ao e Potˆencia
Z1c – Impedˆancia de Enrolamento Referida ao Prim´ario Corrigida
para Valores de Tens˜ao e Potˆencia
R1cT – Resistˆencia de Enrolamento Referida ao Prim´ario Corrigida
para Temperatura de Regime Permanente
Z1cT – Impedˆancia de Enrolamento Referida ao Prim´ario Corrigida
simbologia xvi
R1% – Resistˆencia Percentual de Enrolamento Referida ao Prim´ario X1% – Reatˆancia Percentual de Enrolamento Referida ao Prim´ario Z1% – Impedˆancia Percentual de Enrolamento Referida ao Prim´ario R2% – Resistˆencia Percentual de Enrolamento Referida ao Secund´ario X2% – Reatˆancia Percentual de Enrolamento Referida ao Secund´ario Z2% – Impedˆancia de Enrolamento Referida ao Secund´ario
P jn – Perdas Joule Nominais
f c – Fator de Carga
f cηmax – Fator de Carga para Rendimento M´aximo P ad – Perdas Adicionais
η% – Rendimento do Transformador
ηd – Rendimento M´edio Di´ario do Transformador cos(ϕc) – Fator de Potˆencia da Carga
ϕc – ˆAngulo do Fator de Potˆencia da Carga
ϕi – ˆAngulo da Impedˆancia Interna do Transformador
Eu – Energia ´Util
Epc – Energia de Perdas no Cobre Epf – Energia de Perdas no Ferro Reg% – Regula¸c˜ao do Transformador U SB – Universal Serial Bus
U SBT M C – Universal Serial Bus Test and Measurement Class CDC – Communication Driver Class
V ISA – Virtual Instrument Software Architecture
N I − V ISA – National Instruments Virtual Instrument Software Architecture N I – National Instruments c
P IC – Microcontrolador fabricado pela Microchip c GP IB – General Purpose Interface Bus ou IEEE488 VRM S – Tens˜ao Eficaz
IRM S – Corrente Eficaz Pmed – Potˆencia Ativa M´edia
Q – Potˆencia Reativa
S – Potˆencia Aparente
T HD – Taxa de Distor¸c˜ao Harmˆonica Total F F T – Transformada R´apida de Fourier
CAP´ITULO 1
INTRODUC¸˜AO
1.1 OBJETIVOSA contribui¸c˜ao deste trabalho est´a no desenvolvimento de um sistema (software e hardware) para aquisi¸c˜ao de dados de tens˜ao e corrente em sistemas trif´asicos com aux´ılio de um oscilosc´opio digital de dois canais e um software para an´alise de transformadores trif´asicos de potˆencia.
Sabe-se que para adquirir dados de tens˜ao e corrente trif´asicos, se faz necess´ario o uso de um medidor data logger de 6 canais, sendo 3 canais para tens˜ao e 3 para corrente. Este prot´otipo adquire estas 6 informa¸c˜oes usando as entradas de um oscilosc´opio digital com, somente, 2 canais.
O foco do prot´otipo est´a na an´alise dos ensaios de transformadores trif´asicos de potˆencia, para tanto foi criado um software de aquisi¸c˜ao e tratamento dos dados dos ensaios destes transformadores. Apesar do foco estar em an´alises de transformadores trif´asicos, este sistema ´e capaz de analisar quaisquer sistemas trif´asicos de energia.
Logo, o objetivo deste projeto est´a em obter um sistema de aquisi¸c˜ao de dados para an´alises de transformadores trif´asicos, de baixo custo, que utiliza como elemento chave um oscilosc´opio digital, comum, de 2 canais.
O hardware constru´ıdo est´a descrito neste trabalho como: Hardware Acquisition, o software de aquisi¸c˜ao de dados como: Software Acquisition e o software para an´alise de dados de transformadores de potˆencia como: Software TRAFO.
1.2 TRANSFORMADORES TRIF´ASICOS
Transformadores s˜ao dispositivos eletromagn´eticos usados para transformar energia el´etrica entre n´ıveis de tens˜ao. Em geral, estes equipamentos s˜ao constitu´ıdos de um
1.2 transformadores trif´asicos 2
n´ucleo ferromagn´etico rodeado por enrolamentos condutores, e sua funcionalidade baseia-se em campos el´etricos e magn´eticos acoplados [Merritt e Chaitkin 2003].
Os transformadores que s˜ao alvo de maior aten¸c˜ao e estudo s˜ao os grandes transfor-madores de for¸ca (transfortransfor-madores de usinas hidrel´etricas e subesta¸c˜oes) e de distribui¸c˜ao (transformadores urbanos).
O transformador ´e a m´aquina el´etrica mais eficiente dentre todas, com rendimento acima de 90%, tendo poucas perdas. O custo das perdas ´e um fator importante na sele¸c˜ao e especifica¸c˜ao de transformadores, pois o custo da soma das perdas el´etricas po-dem superar o custo inicial de compra do transformador [da Silva e Pepe 2012]. Logo, a decis˜ao de compra exige o equil´ıbrio entre o custo inicial e o custo das futuras per-das [Merritt e Chaitkin 2003].
Verifica-se ent˜ao que uma importante parte dos estudos dos transformadores s˜ao ba-seados nas an´alises das perdas. As perdas nos transformadores [NBR5380 1993] s˜ao divi-didas em: perdas em vazio e perdas em carga. H´a outras perdas com valores desprez´ıveis, tais como: sonoras, por vibra¸c˜ao, correntes parasitas induzidas no tanque e cinta fixadora do poste.
As perdas em vazio, que ser˜ao detalhadas no cap´ıtulo 2, se¸c˜ao 2.1, podem ser percebidas quando o transformador est´a ligado `a rede el´etrica com as cargas desligadas. Estas perdas, em sua maior parte, s˜ao geradas no n´ucleo do transformador, pois como n˜ao h´a carga, a corrente el´etrica correspondente `as perdas em vazio que percorre nos enrolamentos ´e devida a magnetiza¸c˜ao do n´ucleo de ferro do transformador e tamb´em por correntes parasitas induzidas que percorrem o mesmo. Estas correntes parasitas s˜ao dissipadas no n´ucleo gerando calor, contribuindo para o aumento da temperatura do equipamento. Para reduzir estas correntes parasitas os fabricantes utilizam chapas laminadas isoladas entre si por um verniz isolante, de forma que esta lamina¸c˜ao fique a 90◦ em rela¸c˜ao ao sentido de circula¸c˜ao das correntes parasitas, formando um caminho
que dificulta a passagem das mesmas, sem prejudicar a condu¸c˜ao de fluxo magn´etico no material ferromagn´etico do n´ucleo [Arseneau, So e Hanique 2005].
1.2 transformadores trif´asicos 3
opera¸c˜ao normal do transformador com carga. Estas perdas, em sua maior parte, s˜ao geradas pelos enrolamentos de cobre do transformador, que devido a sua caracter´ıstica resistiva dissipa potˆencia gerando calor, contribuindo tamb´em com o aumento da tem-peratura do transformador. Para reduzir estas perdas, a solu¸c˜ao ´e utilizar cobre de boa qualidade e grande pureza, e(ou) aumentar a bitola dos enrolamentos com a finalidade de reduzir a resistˆencia el´etrica dos condutores. Estas alternativas elevam o custo ini-cial de fabrica¸c˜ao e venda do transformador, mas ao reduzir as perdas aumenta-se a eficiˆencia do mesmo e economiza-se energia ao longo dos anos, tornando atrativa a com-pra de transformadores de alto rendimento, embora sejam consideravelmente mais caros [Nair e Preetha 2011].
As perdas descritas acima est˜ao relacionadas ao funcionamento do transformador considerando a rede el´etrica em estado ideal, equilibrada e sem dist´urbios.
A rede el´etrica normal n˜ao ´e ideal e sofre dist´urbios, tais como:
• Componentes de frequˆencias, diferentes da frequˆencia fundamental da rede, em
diferentes amplitudes de tens˜ao e/ou corrente, denominadas harmˆonicas;
• Os afundamentos de tens˜ao, dentre outros fenˆomenos que desbalanceam a rede
el´etrica contribuindo para o mau funcionamento de qualquer equipamento el´etrico ligado `a mesma [Kefalas e Kladas 2010].
Nesse sentido, estuda-se os fenˆomenos de dist´urbios da rede el´etrica. No caso dos transformadores, seu rendimento ´e afetado por tais dist´urbios aumentando as perdas j´a citadas, e diminuindo a vida ´util deste equipamento [Yazdani-Asrami et al. 2011]. Logo, s˜ao pesquisados novos designs e projetos de transformadores, para reduzir o impacto de sistemas desequilibrados e n˜ao lineares [Pierce 1996], visando produzir equipamentos cuja eficiˆencia n˜ao sofra tanta interferˆencia dos dist´urbios da rede el´etrica.
Um estudo demonstrado no artigo [da Silva e Pepe 2012] refere-se aos Custos Totais de Propriedade de um transformador. Verifica-se que o melhor transformador a ser ad-quirido, muitas vezes, n˜ao ´e o que possui o menor custo de compra, mas sim aquele que possui menores perdas ao longo de sua vida ´util.
Neste projeto foi desenvolvido um software para an´alise de transformadores trif´asicos, denominado Software TRAFO, que ser´a descrito na se¸c˜ao 2.5.
1.3 hardware de aquisic¸ ˜ao de dados 4
1.3 HARDWARE DE AQUISIC¸˜AO DE DADOS
A aquisi¸c˜ao de dados ´e um importante ramo de aplica¸c˜ao da tecnologia baseada em sensores, medi¸c˜oes de sinais e processamento de dados [Jiannong e Wei 2011].
Os sistemas de aquisi¸c˜ao de dados para medi¸c˜ao de eletricidade possuem em sua arquitetura:
Sensores anal´ogicos: Dentre os sensores anal´ogicos temos os sensores de tens˜ao que podem ser resistivos, capacitivos ou de Efeito Hall, e sensores de corrente, que podem ser resistivos, indutivos ou de Efeito Hall;
Filtros: S˜ao condicionadores de sinais que eliminam componentes de frequˆencias inde-sejadas;
Conversores A/D: Os conversores Anal´ogico Digitais convertem os sinais anal´ogicos em sinais digitais discretos, onde deve-se observar atentamente a frequˆencia de amostragem e a resolu¸c˜ao do conversor, para garantir maior fidelidade da aquisi¸c˜ao; M´odulo de an´alise de dados: S˜ao compostos de uma CPU de processador ou micro-controlador que processa estes dados, realiza c´alculos e os mostra em uma tela, ou os envia a um computador para que seja feito o tra¸cado de gr´aficos e an´alises de c´alculos mais complexos;
Este prot´otipo necessita apenas de um oscilosc´opio de dois canais isolados ou n˜ao isolados como “sistema de aquisi¸c˜ao de dados”, logo o sensoreamento, filtragem e con-vers˜ao anal´ogico-digital s˜ao realizados pelo pr´oprio oscilosc´opio, o que traz a vantagem de que os dados adquiridos possuem acredita¸c˜ao e acur´acia certificados pelo fabricante do oscilosc´opio.
Os canais do oscilosc´opio, por interm´edio de suas pontas de prova divisoras por 10, s˜ao conectadas a uma interface (Hardware Acquisition), descrito no cap´ıtulo 3, que direciona os canais do oscilosc´opio aos sinais de tens˜ao e corrente que devem ser medidos, em cada fase. Esta interface comunica-se com oscilosc´opio por uma porta USB [USB.ORG 2013] utilizando o protocolo padr˜ao NI-VISA USBTMC [NI 2001], [NI 2003], e um software es-pec´ıfico para esta comunica¸c˜ao, tra¸cado dos gr´aficos e an´alise dos dados foi criado e ser´a detalhado no cap´ıtulo 4.
1.3 hardware de aquisic¸ ˜ao de dados 5
Figura 1.1. Esquema do Projeto em uma liga¸c˜ao t´ıpica de Ensaio em Vazio de um Transfor-mador Trif´asico comum.
Figura 1.2. Foto do sistema constru´ıdo mostrando o Hardware Acquisition adquirindo dados de um transformador trif´asico did´atico Δ-Y de 1,5kVA com carga trif´asica ligada em Δ
1.4 an´alise da qualidade da energia 6
1.4 AN´ALISE DA QUALIDADE DA ENERGIA
Com o aumento do uso de equipamentos eletrˆonicos e das lˆampadas fluorescentes compactas, percebeu-se uma eleva¸c˜ao nos dist´urbios (“polui¸c˜oes”) da rede el´etrica. Estas distor¸c˜oes afetam a Qualidade da Energia El´etrica, afetando o funcionamento adequado do sistema el´etrico, e em alguns casos resultam na queima de aparelhos e equipamentos. O estudo destes fenˆomenos culminou com a elabora¸c˜ao de normas internacionais de regulamenta¸c˜ao como: [IEC61000-2-2 2002], [IEC61000-4-30 2008] e [IEEE519 1992].
As normas [IEC61000-2-2 2002] e [IEEE519 1992], s˜ao respons´aveis pelo equaciona-mento e qualifica¸c˜ao dos dist´urbios, e a norma [IEC61000-4-30 2008] regulamenta os m´etodos de aquisi¸c˜ao de dados para an´alise da qualidade da energia.
Dentre os dist´urbios, pode-se destacar:
• Distor¸c˜oes Harmˆonicas;
• Eleva¸c˜oes Momentˆaneas de Tens˜ao (Voltage Swell); • Afundamentos Momentˆaneos de Tens˜ao (Voltage Sag); • Fenˆomeno Flicker;
O sistema descrito neste trabalho, ao adquirir as formas de onda de corrente e tens˜ao em seus valores instantˆaneos, pode facilitar as an´alises da qualidade da energia.
As Distor¸c˜oes Harmˆonicas s˜ao componentes de tens˜ao e corrente com frequˆencia di-ferente da fundamental que s˜ao inseridas na rede, e s˜ao produzidas por equipamentos eletrˆonicos, fornos a arco e diversas cargas n˜ao lineares. Estas cargas produzem dis-tor¸c˜oes vari´aveis no tempo que podem ser harmˆonicas modulares ou inter-harmˆonicas.
A magnitude das harmˆonicas triplas (seq¨uˆencia zero) podem chegar a duas vezes a corrente de fase, isso causa um superaquecimento no condutor do neutro, que geralmente possui a mesma bitola da fase, n˜ao sendo preparado para esta sobrecorrente.
1.4 an´alise da qualidade da energia 7
A norma [IEEE1159 2009] define Swell como uma eleva¸c˜ao entre 10% e 90% do valor RMS (eficaz) da tens˜ao ou corrente na freq¨uˆencia nominal, com dura¸c˜oes entre 1/2 ciclo e 1 minuto.
A norma [IEEE1159 2009] define Sag como um decr´escimo entre 10% e 90% do valor RMS (eficaz) da tens˜ao ou corrente na freq¨uˆencia nominal, com dura¸c˜oes entre 1/2 ciclo e 1 minuto.
A norma [IEEE1159 2009] define Flicker como uma impress˜ao de instabilidade da sensa¸c˜ao visual induzida por um est´ımulo luminoso cuja luminˆancia ou distribui¸c˜ao es-pectral varia com o tempo.
CAP´ITULO 2
TRANSFORMADORES DE POTˆENCIA
Segundo [Heathcote 2007]: “Transformadores s˜ao m´aquinas el´etricas que convertem energia el´etrica em energia el´etrica, modificando as magnitudes de tens˜ao e corrente”.Este trabalho foi reservado aos transformadores trif´asicos de potˆencia, mas este estudo pode ser feito tamb´em usando transformadores monof´asicos.
O Software TRAFO, que ser´a detalhado na se¸c˜ao 2.5, constru´ıdo neste tra-balho, calcula, projeta e analisa os dados, por modelos matem´aticos, repre-sentando dados e os resultados da an´alise sob formas gr´aficas, como descritos mais adiante neste cap´ıtulo.
A rela¸c˜ao de potˆencias do prim´ario e secund´ario do transformador mostrada na equa¸c˜ao 2.1:
Pprimario[V A] = Psecundario[V A] + Pperdas (2.1)
Como o rendimento dos transformadores ´e alto, com muito boa aproxima¸c˜ao pode-se considerar que suas perdas s˜ao nulas (Pperdas = 0), portanto a potˆencia do prim´ario ´e
igual a potˆencia do secund´ario. Esta aproxima¸c˜ao ´e bastante utilizada e os erros gerados s˜ao insignificantes (dependendo da aplica¸c˜ao).
Neste trabalho estas perdas n˜ao ser˜ao descartadas, e ser˜ao estudadas na se¸c˜ao 2.1 como Perdas em Vazio (sem carga) e na se¸c˜ao 2.3 como Perdas com Carga (curto-circuito), que somam a maior parcela de contribui¸c˜ao das perdas nos transformadores.
Al´em destas perdas o transformador tamb´em sofre com outros tipos de perdas de menor relevˆancia como: ru´ıdo ac´ustico, vibra¸c˜ao, indu¸c˜ao magn´etica no tanque, fuga de corrente no ´oleo, dentre outras que n˜ao ser˜ao abordadas neste trabalho.
2.1 funcionamento em vazio - ensaio em vazio 9
2.1 FUNCIONAMENTO EM VAZIO - ENSAIO EM VAZIO
O ensaio em vazio ´e importante para o c´alculo de parˆametros do “Circuito Equiva-lente” do transformador, detalhado na se¸c˜ao 2.6. O Software TRAFO calcula e esbo¸ca graficamente o circuito equivalente do transformador trif´asico ensaiado.
O “Circuito Equivalente” do transformador ´e constitu´ıdo de impedˆancia, reatˆancia e resistˆencia, tanto do n´ucleo quanto do enrolamento. Este circuito ´e denominado equi-valente pois n˜ao pode ser medido, e sim calculado. Calcula-se ent˜ao dois “Circuitos Equivalentes”:
i) Circuito Equivalente referido ao lado de Alta Tens˜ao; ii) Circuito Equivalente referido ao lado de Baixa Tens˜ao;
Pode-se dizer que este ´e o equivalente de como o transformador se comporta na rede no lado de Alta Tens˜ao e no lado de Baixa tens˜ao. Os dados de impedˆancia, resistˆencia e reatˆancia que podem ser medidos no transformador n˜ao tem muita utilidade, pois os mesmos s˜ao alterados fisicamente em regime de opera¸c˜ao do transformador, logo, deve-se adquirir estes valores reais matematicamente atrav´es do ensaio em vazio, que ser´a apre-sentado nesta se¸c˜ao, e do ensaio em curto-circuito que est´a apreapre-sentado na se¸c˜ao 2.3.
´E necess´ario uma corrente de magnetiza¸c˜ao (corrente a vazio) para que apare¸ca o fluxo magn´etico no n´ucleo, na frequˆencia pr´e determinada de 60Hz. Ao fazˆe-lo, energia ´e dissipada [Heathcote 2007] [Hulshorst, Groeman e Kema 2002]. Esta energia ´e conhecida como perdas no n´ucleo ou perdas no ferro ou perdas em vazio (sem carga).
As perdas no n´ucleo est˜ao presentes sempre que o transformador ´e energizado. Logo, estas perdas s˜ao uma constante e determinam uma significante drenagem de energia nos sistemas el´etricos de potˆencia. Al´em disso, o fluxo alternado gera for¸cas alternadas no n´ucleo de ferro e por consequˆencia s˜ao gerados ru´ıdos [IEEE-Std-C57.12.90 1999].
As perdas em vazio tem duas origens:
2.1 funcionamento em vazio - ensaio em vazio 10
frequˆencia de opera¸c˜ao, da ´area do ciclo de histerese [Acesita 2002] e ´e fun¸c˜ao da densidade m´axima do fluxo.
Perdas por corrente de Foucault: 1 As perdas por “corrente parasita”, s˜ao depen-dentes do quadrado da frequˆencia, do quadrado da espessura e da resistividade do material ferromagn´etico.
Minimizar as perdas por histerese implica em aplicar um material com m´ınima ´area de ciclo de histerese, enquanto minimizar as perdas por corrente de Foucault implica em laminar o n´ucleo com chapas finas e de alta resistividade.
O ensaio em vazio, como o pr´oprio nome diz, ´e realizado colocando um dos lados do transformador em circuito aberto (sem carga) [Oliveira, Cogo e Abreu 1984], [Jord˜ao 2008], [Heathcote 2007].
Para este ensaio s˜ao necess´arios trˆes amper´ımetros, dois watt´ımetros (m´etodo dos dois watt´ımetros), ou trˆes watt´ımetros e um volt´ımetro (ver figura 2.1 na p´agina 11).
´E importante lembrar que o Software TRAFO pode trabalhar de forma manual, onde o usu´ario insere manualmente os dados de amper´ımetros, watt´ımetros e volt´ımetros, ou trabalhar de forma autom´atica, onde os dados s˜ao adquiridos pelo sistema (cap´ıtulo 3), atrav´es das pontas de prova do oscilosc´opio.
Logo, com os dados citados, calcula-se:
• Parˆametros do ramo magnetizante (referentes ao n´ucleo de ferro) para obten¸c˜ao do
circuito equivalente do transformador;
• Percentual da corrente a vazio em rela¸c˜ao `a nominal;
• Perdas no ferro (perdas no n´ucleo) que s˜ao limitadas por normas nacionais (veja
NBR5380 [NBR5380 1993], NBR5356 [NBR5356 1993], NBR5440 [NBR5440 1993])
e internacionais (veja IEC60076-1 [IEC60076-1 2000-04], IEC60076-5 [IEC60076-5 2006-02]),
2.1 funcionamento em vazio - ensaio em vazio 11
e como dito anteriormente, estas perdas s˜ao basicamente perdas por Histerese e per-das por corrente de Foucault.
• Rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao do transformador.
Atrav´es dos c´alculos citados acima ´e poss´ıvel verificar se o transformador possui perdas excessivas ou n˜ao, uma vez que se as perdas no ferro forem grandes, este transformador n˜ao ´e interessante para as concession´arias de energia, pois sobrecarregam o sistema des-necessariamente.
2.1.1 Realiza¸c˜ao do Ensaio em Vazio
Para a realiza¸c˜ao do ensaio em vazio em um transformador trif´asico, efetua-se as liga¸c˜oes conforme mostra a figura 2.1. Pode-se escolher entre deixar aberto o prim´ario ou o secund´ario, conforme conveniˆencia. Neste caso, escolhe-se realizar o ensaio pelo lado de baixa tens˜ao (supondo o transformador da figura 2.1 ser um transformador de distribui¸c˜ao), pois ´e mais f´acil de obten¸c˜ao da tens˜ao de ensaio em laborat´orio, e tamb´em por quest˜oes de seguran¸ca do t´ecnico que realiza o ensaio.
Trafo 3f
D-Y
B A C N B A C W W A A A Variac 3fFigura 2.1.Liga¸c˜ao do Ensaio em Vazio realizado pelo lado da baixa tens˜ao
Aplica-se ent˜ao tens˜ao nominal no lado escolhido do transformador, sendo o resultado obtido referido ao lado que recebe alimenta¸c˜ao.
Deve-se lembrar que:
Liga¸c˜ao Delta: UF = UL e IL =
√
3 · IF
Liga¸c˜oes Estrela: UL = √
2.1 funcionamento em vazio - ensaio em vazio 12
2.1.2 Corrente a Vazio (I0)
Com as leituras dos instrumentos tem-se os valores das correntes em vazio nos trˆes amper´ımetros (ver figura 2.1). A corrente em vazio I0´e adotada como sendo a m´edia das
trˆes correntes conforme equa¸c˜ao 2.2.
I0 = I01+ I02+ I03
3 (2.2)
onde:
I0 ⇒ Corrente a vazio total;
I01 ⇒ Corrente a vazio lida no amper´ımetro 1; I02 ⇒ Corrente a vazio lida no amper´ımetro 2; I03 ⇒ Corrente a vazio lida no amper´ımetro 3.
Como j´a mencionado no in´ıcio da se¸c˜ao 2.1, a corrente a vazio (I0) ´e respons´avel
pela produ¸c˜ao do fluxo magn´etico, gerando assim, perdas. Esta corrente pode ser at´e 6% da intensidade da corrente nominal (In) do transformador, referida a este
enrola-mento [Heathcote 2007].
2.1.3 Potˆencia em Vazio (P0)
Para a obten¸c˜ao da potˆencia em vazio2 (P
0), realiza-se a leitura dos dois watt´ımetros
da figura 2.1, considerando o sinal positivo ou negativo na leitura de cada aparelho. Logo, a potˆencia em vazio total ser´a obtida pela equa¸c˜ao 2.3.
P0= W01+ W02 (2.3)
Como necessita-se dos dados por fase, e em se tratando de transformador trif´asico, deve-se dividir a potˆencia em vazio da equa¸c˜ao 2.3 por trˆes, como mostra a equa¸c˜ao 2.4.
P0F = W01+ W02
3 =
P0
3 (2.4)
2.1 funcionamento em vazio - ensaio em vazio 13
onde:
P0 ⇒ Potˆencia a Vazio Total;
P0F ⇒ Potˆencia Ativa de Fase em Vazio;
W01 ⇒ Potˆencia Ativa lida no Watt´ımetro 1 (conservar o sinal); W02 ⇒ Potˆencia Ativa lida no Watt´ımetro 2 (conservar o sinal). 2.1.4 Fator de Potˆencia em Vazio (cosφ0)
´E fato conhecido que o fator de potˆencia em vazio (cosφ0) de um transformador sem
carga, ´e muito baixo3, e pode ser calculado com base no triˆangulo de potˆencias mostrado
na figura 2.2.
P [W]
Q [Var] S [VA]
f
Figura 2.2.Triˆangulo de Potˆencia
Com base na figura 2.2, tem-se que cosφ ´e o fator de potˆencia, em que φ ´e o respectivo ˆangulo de fator de potˆencia do sistema. Atrav´es do triˆangulo de potˆencias, verifica-se a equa¸c˜ao 2.5. ¯ S = P + j · Q ⇒ | ¯S| = S = P2+ Q2 (2.5) onde:
¯S ⇒ Potˆencia Aparente complexa (VA);
S ⇒ Potˆencia Aparente (VA); P ⇒ Potˆencia Ativa (W); Q ⇒ Potˆencia Reativa (VAr);
3Devido a alta potˆencia reativa dissipada no transformador, o fator de potˆencia de um transformador
2.1 funcionamento em vazio - ensaio em vazio 14
De acordo com o triˆangulo de potˆencias pode-se deduzir as equa¸c˜oes 2.6 e 2.7.
P = S · cosφ ⇒ P = U · I · cosφ (2.6)
Q= S · senφ ⇒ Q = U · I · senφ (2.7)
Logo, pelas equa¸c˜oes 2.6 e 2.4, pode-se calcular o fator de potˆencia em vazio dado pela equa¸c˜ao 2.8. Para todo o projeto foi padronizado o ´ındice “1” para o lado de Alta Tens˜ao e o ´ındice “2” para o lado de Baixa Tens˜ao.
cosφ0= P0F
U2F · I0 (2.8)
onde:
cosφ0 ⇒ Fator de Potˆencia em Vazio;
φ0 ⇒ ˆAngulo do Fator de Potˆencia em Vazio; P0F ⇒ Potˆencia Ativa de Fase em Vazio; U2F ⇒ Tens˜ao de Fase no Secund´ario.
Tem-se U2F na equa¸c˜ao 2.8, pois neste caso o ensaio em vazio est´a sendo feito pelo
lado de baixa tens˜ao, conforme exemplo da figura 2.1 na p´agina 11. Se o ensaio fosse feito pelo lado de alta tens˜ao, teria-se ent˜ao U1F como sendo Tens˜ao de Fase no Prim´ario.
2.1.5 Componentes da Corrente a Vazio
Pode-se decompor a corrente a vazio (I0) mostrada na equa¸c˜ao 2.2, em uma
compo-nente ativa (Ip) e outra reativa (Iq), como mostra a figura 2.3.
Verifica-se na figura 2.3, que quando a componente Ip se encontra em fase com V , Ip passa a determinar a potˆencia ativa dissipada no n´ucleo4. J´a a componente Iq, que
´e perpendicular a V , determina a potˆencia reativa, j´a que essa corrente est´a ligada a produ¸c˜ao de fluxo magn´etico no n´ucleo5.
4Potˆencia ativa dissipada no n´ucleo corresponde `as perdas por temperatura geradas pelas correntes
parasitas de Foucault.
2.1 funcionamento em vazio - ensaio em vazio 15
f
V Ip
Iq Io
Figura 2.3.Decomposi¸c˜ao da corrente a vazio
Logo, de acordo com a figura 2.3, as componentes da corrente a vazio podem ent˜ao ser calculadas conforme as equa¸c˜oes 2.9, 2.10 e 2.11.
I0 =Ip2+ Iq2 (2.9)
Ip = I0· cosφ (2.10)
Iq = I0· senφ (2.11)
2.1.6 Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (kn)
A rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao pode ser obtida de trˆes maneiras:
kp: Rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao de placa, verificada na placa do transformador fornecida pelo fabricante, conforme a equa¸c˜ao 2.12.
kp= U1F
U2F ou kp= U1L
U2L (2.12)
ke: Rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao verificado pela rela¸c˜ao do n´umero de espiras do transfor-mador, conforme a equa¸c˜ao 2.13.
ke= N1
N2 (2.13)
kn: Rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao medida com volt´ımetro no momento do ensaio. Mede-se a tens˜ao no prim´ario (U1F ou U1L), e mede-se a tens˜ao no secund´ario (U2F ou
2.2 parˆametros do ramo magnetizante 16
U2L). Esta rela¸c˜ao entre as tens˜oes para verifica¸c˜ao da rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao
do transformador ´e a forma mais adequada de se proceder6, e pode ser calculada
conforme a equa¸c˜ao 2.14. kn= U1F U2F ou kn= U1L U2L (2.14) onde tem-se:
kn ⇒ Rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao medida; kp ⇒ Rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao de placa;
ke ⇒ Rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao pelo n´umero de espiras; U1F ⇒ Tens˜ao de fase no prim´ario;
U1L ⇒ Tens˜ao de linha no prim´ario; U2F ⇒ Tens˜ao de fase no secund´ario; U2L ⇒ Tens˜ao de linha no secund´ario;
2.2 PARˆAMETROS DO RAMO MAGNETIZANTE
Os parˆametros do ramo magnetizante, como o pr´oprio nome diz, est˜ao relacionados ao n´ucleo de ferro do transformador. Estes parˆametros s˜ao basicamente:
• Impedˆancia de Magnetiza¸c˜ao (Zm); • Resistˆencia de Magnetiza¸c˜ao (Rm); • Reatˆancia de Magnetiza¸c˜ao (Xm).
Estes parˆametros fazem parte do Circuito Equivalente do transformador, que ser´a apresentado na se¸c˜ao 2.6.
Os parˆametros do ramo magnetizante s˜ao simplesmente artif´ıcios matem´aticos para a determina¸c˜ao do circuito equivalente do transformador, logo, estes parˆametros n˜ao tem existˆencia f´ısica n˜ao podendo ser medidos, somente calculados.
6kn ´e a forma mais adequada pois kp indicado pelo fabricante ´e uma aproxima¸c˜ao da rela¸c˜ao de
transforma¸c˜ao do transformador, ke n˜ao pode ser obtida pois n˜ao temos acesso a contagem do n´umero de espiras, e kn pode ser verificada com volt´ımetros.
2.2 parˆametros do ramo magnetizante 17
Por se tratarem de artif´ıcios matem´aticos, tem-se a representa¸c˜ao: em paralelo, con-forme figura 2.4.
Sendo:
Rmp ⇒ Resistˆencia de Magnetiza¸c˜ao Paralela; Xmp ⇒ Reatˆancia de Magnetiza¸c˜ao Paralela; Zm ⇒ Impedˆancia de Magnetiza¸c˜ao;
Xmp Rmp
Iq Ip
Io
Figura 2.4.Ramo Magnetizante Paralelo
2.2.1 Parˆametros do Ramo Magnetizante Referidos ao Lado de Baixa Tens˜ao A resistˆencia de magnetiza¸c˜ao paralela referida ao lado de baixa tens˜ao (RmpBT) pode
ser calculada pela equa¸c˜ao 2.15.
RmpBT = P0F
Ip2 (2.15)
A equa¸c˜ao 2.16 apresenta a resistˆencia de magnetiza¸c˜ao paralela referida ao lado de baixa tens˜ao em unidades percentuais.
RmpBT% =
RmpBT
ZBaseBT · 100 [%] (2.16)
Onde ZBaseBT pode ser calculado usando equa¸c˜ao 2.17. ZBaseBT =
U2F
2.2 parˆametros do ramo magnetizante 18
A reatˆancia de magnetiza¸c˜ao paralela referida ao lado de baixa tens˜ao (XmpBT)pode
ser calculada pela equa¸c˜ao 2.18.
XmpBT = U2F
Iq (2.18)
A equa¸c˜ao 2.19 permite calcular a reatˆancia de magnetiza¸c˜ao paralela referida ao lado de baixa tens˜ao em unidades percentuais.
XmpBT% =
XmpBT
ZBaseBT · 100 [%] (2.19)
A impedˆancia de magnetiza¸c˜ao referida ao lado de baixa tens˜ao (ZmBT) pode ser
calculada pela equa¸c˜ao 2.20.
ZmBT = U2F
I0 (2.20)
Esta impedˆancia tamb´em pode ser expressa em unidades percentuais como mostra a equa¸c˜ao 2.21.
ZmBT% =
Zm
ZBaseBT · 100 [%] (2.21)
Os procedimentos indicados acima est˜ao relacionados a liga¸c˜ao do ramo magnetizante em paralelo, conforme figura 2.4.
2.2.2 Parˆametros do Ramo Magnetizante Referidos ao Lado de Alta Tens˜ao Para a convers˜ao dos valores da baixa tens˜ao para a alta tens˜ao basta multipli-car os valores pelo quadrado da rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao7 (kn2), como mostra as
equa¸c˜oes 2.22, 2.23 e 2.24.
RmpAT = RmpBT · kn2 (2.22)
XmpAT = XmpBT · kn2 (2.23)
7Para converter os valores da alta tens˜ao para a baixa tens˜ao deve-se dividir pelo quadrado da rela¸c˜ao
2.3 funcionamento em plena carga - ensaio em curto-circuito 19
ZmAT = ZmBT · kn2 (2.24)
Passando para unidades percentuais os parˆametros em rela¸c˜ao a alta tens˜ao, tem-se
ZBaseAT que pode ser calculado pela equa¸c˜ao 2.25. ZBaseAT =
U1F
In1 (2.25)
Procede-se ent˜ao da mesma forma que foram calculadas as equa¸c˜oes 2.16, 2.19 e 2.21, mas referindo ao lado de alta tens˜ao, obtendo as equa¸c˜oes 2.26, 2.27 e 2.28.
RmpAT% = RmpAT ZBaseAT · 100 [%] (2.26) XmpAT% = XmpAT ZBaseAT · 100 [%] (2.27) ZmAT% = Zm ZBaseAT · 100 [%] (2.28)
Ap´os os c´alculos dos parˆametros percentuais referentes a baixa tens˜ao e a alta tens˜ao, verifica-se que independente da referˆencia, os valores na alta e baixa s˜ao percentualmente iguais. Veja equa¸c˜oes 2.29, 2.30 e 2.31.
RmpBT% = RmpAT% (2.29)
XmpBT% = XmpAT% (2.30)
ZmBT% = ZmAT% (2.31)
2.3 FUNCIONAMENTO EM PLENA CARGA - ENSAIO EM CURTO-CIRCUITO O ensaio em curto-circuito permite-nos verificar o funcionamento do transformador em plena carga (carga nominal) [Jord˜ao 2008], [IEEE-Std-C57.12.90 1999], [Heathcote 2007]. As perdas em curto circuito s˜ao as perdas geradas pela corrente de carga do transfor-mador. Estas perdas s˜ao:
2.3 funcionamento em plena carga - ensaio em curto-circuito 20
• Perdas por corrente parasita (corrente de Foucault) nos pr´oprios condutores dos
enrolamentos;
• Perdas por corrente parasita (corrente de Foucault) na estrutura e no tanque do
transformador.
As duas ´ultimas perdas citadas acima s˜ao consideradas “perdas extras” e por serem proporcionalmente muito pequenas, podem ser desprezadas para efeito de c´alculo. Com o ensaio em curto-circuito, pode-se determinar:
Perdas no cobre: Perdas nos condutores de cobre do transformador. Estas perdas s˜ao em sua maioria, perdas por efeito Joule;
Parˆametros dos enrolamentos: A impedˆancia, resistˆencia e reatˆancia percentuais do transformador;
Queda de tens˜ao interna: A queda de tens˜ao interna do transformador, em plena carga.
O ensaio em curto-circuito, como o pr´oprio nome diz, ´e realizado colocando um dos
la-dos do transformador em curto-circuito (simulando carga m´axima). [Oliveira, Cogo e Abreu 1984] [Heathcote 2007]
Para este ensaio s˜ao necess´arios trˆes amper´ımetros, dois watt´ımetros (ou trˆes watt´ımetros e um volt´ımetro, ver figura 2.1), que na solu¸c˜ao de instrumenta¸c˜ao proposta neste traba-lho, s˜ao substitu´ıdos pelas pontas de prova do oscilosc´opio inseridas no Hardware Acqui-sition que ser´a abordado no cap´ıtulo 3.
2.3.1 Realiza¸c˜ao do Ensaio em Carga - Curto-Circuito
O ensaio em carga, mais conhecido como ensaio em curto-circuito, ´e importante para obten¸c˜ao de dados para o c´alculo do Circuito Equivalente do transformador, detalhado na se¸c˜ao 2.6.
2.3 funcionamento em plena carga - ensaio em curto-circuito 21
Para a realiza¸c˜ao do ensaio em curto-circuito em um transformador trif´asico, efetua-se as liga¸c˜oes conforme mostra a figura 2.5, a instrumenta¸c˜ao ´e semelhante a do ensaio em vazio(ver se¸c˜ao 2.1, figura 2.1).
Pode-se escolher entre curtocircuitar o prim´ario ou o secund´ario, conforme conveniˆencia. Neste caso, escolhe-se realizar o ensaio pelo lado de alta tens˜ao (supondo o transformador da figura 2.5 ser um transformador de distribui¸c˜ao), logo curtocircuita-se o lado da baixa tens˜ao8. Trafo 3f
D-Y
B A C N B A C W W A A A Variac 3fFigura 2.5.Liga¸c˜ao do Ensaio em Curto realizado pelo lado da alta tens˜ao
Aplica-se ent˜ao corrente nominal no lado escolhido do transformador, sendo o re-sultado obtido referido ao lado que recebe alimenta¸c˜ao. Neste caso ´e imprescind´ıvel a utiliza¸c˜ao de um Varivolt ou Variac para aumentar a tens˜ao gradativamente afim de che-gar o mais pr´oximo da corrente nominal. Caso a corrente nominal n˜ao possa ser alcan¸cada em laborat´orio, o ensaio pode ser realizado com tens˜ao reduzida e os c´alculos de corre¸c˜ao s˜ao descritos a partir da p´agina 22 com a equa¸c˜ao 2.35.
Deve-se lembrar que:
Liga¸c˜ao Delta: UL = UF e IL = √
3 · IF;
Liga¸c˜oes Estrela: UL = √
3 · UF e IL = IF
2.3.2 Corrente Nominal e Corrente de Curto-Circuito
O interessante ´e se fazer a corrente de curto-circuito ser igual a corrente nominal, como detalhado na se¸c˜ao 2.3.1. Mas na maioria das vezes isso n˜ao ´e poss´ıvel, pois a corrente pode ultrapassar a faixa m´axima dos equipamentos do laborat´orio de ensaio.
8Nada impede de curtocircuitar o lado da alta tens˜ao e realizar o ensaio pelo lado da baixa tens˜ao.
2.3 funcionamento em plena carga - ensaio em curto-circuito 22
Para resolver este problema, o ensaio pode ser realizado com corrente reduzida, e os valores convertidos proporcionalmente para os valores nominais9.
A corrente nominal de linha referida ao lado de alta tens˜ao pode ser calculada pela equa¸c˜ao 2.32 e a corrente nominal referida ao lado da baixa tens˜ao pela equa¸c˜ao 2.33.
In1L= √P n
3 · U1L (2.32)
In2L= √P n
3 · U2L (2.33)
onde:
In1L ⇒ Corrente nominal de linha na alta tens˜ao; In2L ⇒ Corrente nominal de linha na baixa tens˜ao; U1L ⇒ Tens˜ao de linha na alta tens˜ao;
U2L ⇒ Tens˜ao de linha na baixa tens˜ao.
A corrente de curto-circuito de linha ´e obtida atrav´es da m´edia entre as correntes nos trˆes amper´ımetros, e caso o valor medido seja pr´oximo do valor nominal, aplica-se a equa¸c˜ao 2.34. Caso o ensaio seja feito com corrente reduzida, utiliza-se a mesma m´edia entre as trˆes correntes, conforme a equa¸c˜ao 2.35.
Icc= Icc1+ Icc2+ Icc3 3 = (2.34) Iccreduzida= Icc1+ Icc2+ Icc3 3 (2.35) onde:
Icc ⇒ Corrente de curto-circuito total; Iccreduzida⇒ Corrente de curto-circuito reduzida;
Icc1 ⇒ Corrente de curto-circuito lida no amper´ımetro 1;
Icc2 ⇒ Corrente de curto-circuito lida no amper´ımetro 2;
9Pode-se considerar esta proporcionalidade como sendo linear pois a maior parte das perdas s˜ao efeito
2.3 funcionamento em plena carga - ensaio em curto-circuito 23
Icc3 ⇒ Corrente de curto-circuito lida no amper´ımetro 3.
Deve-se ressaltar que, se o transformador da figura 2.5 for do tipo Delta-Estrela, e o ensaio sendo feito pelo lado da alta (Delta), a corrente de curto-circuito de fase deve ser calculada como na equa¸c˜ao 2.36:
IccF = Icc √
3 (2.36)
2.3.3 Tens˜ao de Curto-Circuito
A tens˜ao de curto-circuito de linha nominal (UccL), ´e a tens˜ao medida quando exposta
a corrente de curto-circuito nominal. Quando se efetua o ensaio em corrente reduzida, pode-se converter o valor lido de tens˜ao pela equa¸c˜ao 2.37.
U ccL =
U ccreduzida· In1L
Iccreduzida (2.37)
onde:
U ccL ⇒ Tens˜ao de curto-circuito de linha;
U ccreduzida ⇒ Tens˜ao de curto-circuito com corrente reduzida; Iccreduzida ⇒ Corrente de curto-circuito.
Lembrando-se que em uma liga¸c˜ao Delta, a tens˜ao de linha ´e igual a tens˜ao de fase (UccL = UccF).
2.3.4 Potˆencia de Curto-Circuito
Para a obten¸c˜ao da potˆencia de curto-circuito (P cc), realiza-se a leitura dos dois watt´ımetros da figura 2.5, considerando o sinal positivo ou negativo na leitura de cada aparelho.
Logo, a potˆencia em curto-circuito total ser´a obtida pela equa¸c˜ao 2.38, e a potˆencia obtida em corrente reduzida, pela equa¸c˜ao 2.39.
2.4 parˆametros dos enrolamentos do transformador 24
P cc= W cc1+ W cc2 (2.38)
P ccreduzida= W cc1+ W cc2 (2.39)
onde:
P cc ⇒ Potˆencia de curto-circuito;
P ccreduzida⇒ Potˆencia de curto-circuito com corrente reduzida; W cc1 ⇒ Potˆencia lida no watt´ımetro 1;
W cc2 ⇒ Potˆencia lida no watt´ımetro 2;
Caso os dados sejam obtidos atrav´es do ensaio em corrente reduzida, pode-se converter a potˆencia reduzida pela equa¸c˜ao 2.40.
P cc= P ccreduzida· In Iccreduzida 2 (2.40) onde: P cc ⇒ Potˆencia de curto-circuito;
P ccreduzida⇒ Potˆencia de curto-circuito com corrente reduzida;
In ⇒ Corrente nominal;
Iccreduzida ⇒ Corrente de curto-circuito reduzida;
Em se tratando de transformador trif´asico, tem-se que a potˆencia de curto-circuito por fase (P ccF) deve ser dividida por trˆes, como mostra a equa¸c˜ao 2.41.
P ccF = P cc
3 (2.41)
2.4 PARˆAMETROS DOS ENROLAMENTOS DO TRANSFORMADOR
Os parˆametros dos enrolamentos, como o pr´oprio nome diz, est˜ao relacionados aos enrolamentos de cobre do transformador. Estes parˆametros s˜ao basicamente:
• Impedˆancia (Z); • Resistˆencia (R);
2.4 parˆametros dos enrolamentos do transformador 25
• Reatˆancia (X).
Estes parˆametros, fazem parte do Circuito Equivalente do transformador, junta-mente com os parˆametros do ramo magnetizante detalhados na se¸c˜ao 2.2.
O circuito equivalente do transformador est´a apresentado na se¸c˜ao 2.6.
Os parˆametros dos enrolamentos s˜ao simplesmente artif´ıcios matem´aticos para a de-termina¸c˜ao do circuito equivalente do transformador, logo, estes parˆametros n˜ao podendo ser medidos, somente podem ser calculados.
2.4.1 Parˆametros dos Enrolamentos Referidos ao Lado de Alta Tens˜ao
Para dar prosseguimento, calcula-se a Resistˆencia equivalente referida ao lado de alta tens˜ao na equa¸c˜ao 2.42.
RAT = P ccF
Icc2F (2.42)
A Impedˆancia equivalente referida ao lado de alta tens˜ao pode ser calculada con-forme 2.43.
ZAT = U ccF
IccF (2.43)
A Reatˆancia equivalente referida ao lado de alta tens˜ao pode ser calculada con-forme 2.44.
XAT =
ZAT2 − R2AT (2.44)
Corre¸c˜ao de Temperatura
A temperatura de ensaio do transformador, geralmente ´e a temperatura ambiente, portanto o transformador durante o ensaio n˜ao est´a em sua temperatura de opera¸c˜ao normal.
A temperatura de opera¸c˜ao de um transformador gira em torno de 70oC a 115oC (Hot Spottemperatura do ponto mais quente do enrolamento), conforme [Jardini et al. 2005].
2.4 parˆametros dos enrolamentos do transformador 26
em temperatura ambiente possuem resultados diferentes dos obtidos em temperatura de opera¸c˜ao.
Para a corre¸c˜ao de temperatura [IEC60028 1925], faz-se o uso da equa¸c˜ao 2.45:
RAT t= RAT · 1 α + θf 1 α+ θi (2.45) onde:
RAT t ⇒ Resistˆencia com corre¸c˜ao de temperatura na alta tens˜ao;
α ⇒ Coeficiente de temperatura do cobre [IEC60028 1925] (α = 234, 5); θf ⇒ Temperatura final de opera¸c˜ao;
θi ⇒ Temperatura inicial de opera¸c˜ao (ambiente);
A reatˆancia n˜ao sofre efeitos da temperatura.
Para o c´alculo da nova impedˆancia ZAT t, precede-se conforme a equa¸c˜ao 2.46: ZAT t=
R2AT t+ XAT2 (2.46)
Para representar estes parˆametros em unidades percentuais, s˜ao necess´arios os valores da impedˆancia base referida ao lado de alta tens˜ao (ZBaseAT) calculada pela equa¸c˜ao 2.25,
na se¸c˜ao 2.1 e da impedˆancia base na baixa tens˜ao (ZBaseBT) que j´a foi calculada na
equa¸c˜ao 2.17, na se¸c˜ao 2.1.
Logo, a resistˆencia percentual pode ser calculada pela equa¸c˜ao 2.47:
RAT t% =
RAT t
ZBaseAT · 100 [%] (2.47)
A reatˆancia percentual pode ser calculada pela equa¸c˜ao 2.48:
XAT% = XAT
ZBaseAT · 100 [%] (2.48)
A impedˆancia percentual pode ser calculada pela equa¸c˜ao 2.49:
ZAT t% =
ZAT t
2.4 parˆametros dos enrolamentos do transformador 27
2.4.2 Parˆametros dos Enrolamentos Referidos ao Lado de Baixa Tens˜ao
Para a convers˜ao dos valores da alta tens˜ao para a baixa tens˜ao basta dividir os valores pelo quadrado da rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao10 (kn2). Logo, tem-se as equa¸c˜oes 2.50, 2.51
e 2.52. RBT = RAT kn2 (2.50) XBT = XAT kn2 (2.51) ZBT = ZAT kn2 (2.52)
Para representar estes valores em unidades relativas, s˜ao necess´arios os valores da im-pedˆancia base na alta tens˜ao (ZBaseAT) que j´a foi calculada na equa¸c˜ao 2.25, na se¸c˜ao 2.1
e da impedˆancia base na baixa tens˜ao (ZBaseBT) que j´a foi calculada na equa¸c˜ao 2.17, na
se¸c˜ao 2.1.
Procede-se ent˜ao da mesma forma que foram calculadas as equa¸c˜oes 2.47, 2.48 e 2.49, mas referindo ao lado de baixa tens˜ao, conforme mostra as equa¸c˜oes 2.53, 2.54 e 2.55.
RBT% = RBT ZBaseBT · 100 [%] (2.53) XBT% = XBT ZBaseBT · 100 [%] (2.54) ZBT% = ZBT ZBaseBT · 100 [%] (2.55)
Ap´os os c´alculos dos parˆametros percentuais referentes a alta tens˜ao e a baixa tens˜ao, verifica-se que independente da referˆencia, os valores na alta e baixa s˜ao percentualmente
10Para converter os valores da baixa tens˜ao para a alta tens˜ao devemos multiplicar pelo quadrado
2.5 detalhes do software de transformadores 28
iguais. Veja equa¸c˜oes 2.56, 2.57 e 2.58.
RBT% = RAT% (2.56)
XBT% = XAT% (2.57)
ZBT% = ZAT% (2.58)
A se¸c˜ao 2.5, mostra o Software TRAFO que calcula e apresenta todos os parˆametros descritos neste cap´ıtulo.
2.5 DETALHES DO SOFTWARE DE TRANSFORMADORES
A partir desta se¸c˜ao, ser˜ao apresentadas as funcionalidades do Software TRAFO, que possui at´e o momento 6489 linhas de c´odigo C++ implementadas, e visa auxiliar na elabora¸c˜ao de laudos de ensaios de transformadores de potˆencia.
Esta ferramenta tamb´em pode ser utilizada em aulas das disciplinas de m´aquinas el´etricas e transformadores, auxiliando na did´atica e no ensino em cursos t´ecnicos e su-periores de Engenharia El´etrica.
2.5.1 Ferramentas do Software TRAFO O software TRAFO at´e o momento calcula:
• Parˆametros do Circuito Equivalente; • Rendimento e Regula¸c˜ao;
• Rendimento M´edio Di´ario;
• Curva de Rendimento X Fator de Carga; • Curva de Regula¸c˜ao;
2.6 circuito equivalente 29
• C´alculo de Derating (influˆencias harmˆonicas).
A maior parte destes dados s˜ao calculados utilizando os dados de Ensaio em Vazio (ver se¸c˜ao 2.1) e Ensaio em Carga (ver se¸c˜ao 2.3).
2.6 CIRCUITO EQUIVALENTE
O Software TRAFO calcula e mostra o circuito equivalente do transformador trif´asico ensaiado. Estes dados s˜ao preconizados pela norma [NBR5440 1993] e citadas na norma [NBR5380 1993], e atrav´es destes dados pode-se atestar o bom funcionamento do trans-formador.
O circuito equivalente do transformador foi desenvolvido pelo alem˜ao Charles Proteus Steinmetz11(09/04/1865 a 26/10/1923†), o qual propˆos um modelo de circuito equivalente
do transformador de potˆencia, que foi obtido a partir da representa¸c˜ao dos fenˆomenos que ocorrem em um transformador real, por elementos de circuito el´etrico colocados em s´erie com um transformador ideal.
Conforme j´a mencionado na se¸c˜ao 2.1, os parˆametros do Circuito Equivalente s˜ao obtidos matematicamente, pois a impedˆancia, reatˆancia e resistˆencia do transformador s˜ao alterados em regime normal de funcionamento, e possuem valores diferentes referidas ao lado de alta tens˜ao em rela¸c˜ao ao lado de baixa tens˜ao. Portanto teremos dois circuitos equivalentes: um referido ao lado de alta tens˜ao e outro referido ao lado de baixa tens˜ao. Percentualmente os parˆametros s˜ao iguais, referidos a ambos os lados, logo prefere-se trabalhar com parˆametros de impedˆancia, reatˆancia e resistˆencia percentuais.
A figura 2.6 mostra uma tela do Software TRAFO desenvolvido neste projeto de pes-quisa, com o circuito equivalente calculado referido ao lado de alta tens˜ao e referido ao lado de baixa tens˜ao, tanto em ohms (Ω) quanto em porcentagem.
Pode-se observar no c´alculo efetuado pelo programa mostrado na figura 2.6, que os parˆametros percentuais calculados s˜ao iguais tanto no circuito equivalente referido ao
2.6 circuito equivalente 30
lado de alta tens˜ao quanto no circuito referido ao lado de baixa tens˜ao.
Para o c´alculo dos parˆametros do circuito equivalente, deve-se ensaiar o transformador com o objetivo de verificar seu comportamento sem carga (vazio), e a plena carga (curto-circuito). Veja detalhes destes c´alculos na se¸c˜ao 2.1, referente ao ensaio em vazio, e na se¸c˜ao 2.3, referente ao ensaio em curto-circuito.
Figura 2.6.Tela de Circuito Equivalente do Transformador
O exemplo da figura 2.6 mostra uma tela do Software TRAFO apresentando o resul-tado dos dados de um transformador de distribui¸c˜ao real, de 112, 5kVA, Δ-Y, 13, 8kV na alta tens˜ao e 380V/220V na baixa tens˜ao, ensaiado nos laborat´orios da UFU12
(Uni-versidade Federal de Uberlˆandia, Faculdade de Engenharia El´etrica), e calculado com o Software TRAFO.
12A UFU possui um laborat´orio homologado pela CEMIG para ensaios de seus transformadores de
potˆencia. Agradecimento especial a Rubens, t´ecnico de laborat´orio da faculdade de Engenharia El´etrica da UFU pelos dados de ensaio reais de um transformador da CEMIG cedidos generosamente.
2.7 dados de entrada 31
2.7 DADOS DE ENTRADA
O software TRAFO, possui uma tela de dados de entrada, como mostra a figura 2.7.
Figura 2.7.Dados de Entrada do Software TRAFO
Alguns dados devem ser inseridos manualmente pelo operador, tais como: i) Tipo de Liga¸c˜ao;
ii) Dados de Placa do Transformador; iii) Dados de Temperatura;
iv) Dados de Carregamento.
Os dados referentes ao ensaio em vazio e ensaio em curto-circuito podem ser tanto di-gitados manualmente, quanto adquiridos automaticamente pelo Hardware ACQUISITION proposto neste trabalho e que ser´a abordado no cap´ıtulo 3.