Os Direitos da
Os Direitos da
Criança e do
Criança e do
Adolescente
Adolescente
Legislação pátria
Legislação pátria
Da Família Substituta
Da Família Substituta
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á
mediante guarda, tutela ou adoção
independentemente da situação jurídica da criança
ou adolescente, nos termos desta Lei
Importante não perder de vista, no entanto, que a
colocação de criança ou adolescente em família
substituta é medida de proteção que visa beneficiar
a estes (princípio do melhor interesse) e não aos
adultos que eventualmente a pleiteiem. Possui
também um caráter excepcional, pois a
preocupação primeiradeve ser a manutenção da
criança ou adolescente em sua família de origem
Manutenção do vínculo familiar
Adoção
Tutela
Guarda
§ 1o Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada.
(Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)
A oitiva da criança ou adolescente que se pretende colocar em família substituta decorre de sua condição de sujeitos de direito, no caso, o direito à convivência familiar, sendo os verdadeiros destinatários desta que, afinal, se constitui numa medida de proteção (cf. art. 101, inciso IX, do ECA). Não mais é admissível,
portanto, pura e simplesmente invocar, de forma vaga e vazia de conteúdo, que se está agindo no “melhor interesse do menor” (sic.), como quando da vigência do Código de Menores, mas sim é necessário colher
elementos idôneos, inclusive junto à própria criança ou adolescente, para que se tenha o máximo de garantias de que tal solução é, de fato, a mais adequada.
O dispositivo destaca ainda a importância da existência de uma equipe interprofissional habilitada a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, cuja intervenção é de todo recomendável em se tratando de crianças de tenra idade
§ 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de
idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência.
(Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência O dispositivo torna obrigatória a realização de
audiência para a coleta do consentimento do
adolescente com sua colocação em família substituta, em qualquer das suas modalidades. Vale observar que, pela sistemática anterior, o consentimento do adolescente era exigido apenas quando de sua adoção.
§ 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as
consequências decorrentes da medida.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Pode-se dizer que, para fins de colocação de crianças e adolescentes em família substituta, a relação de
afinidade ou afetividade (sempre consideradas sob o ponto de vista da criança ou adolescente, que são os destinatários da medida), deve mesmo preponderar em relação ao grau de parentesco.
§ 4o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Deve-se procurar preservar os vínculos fraternais,
ressalvada a comprovada ocorrência de situação
excepcionalíssima que autorize solução diversa como, por exemplo, no caso de abusos praticados por um dos irmãos em relação ao outro.
§ 5o A colocação da criança ou adolescente em família substituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanhamento posterior, realizados pela equipe
interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com o apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
O contido no presente dispositivo deve ser também
aplicado (por analogia) quando da reintegração da criança ou adolescente afastado do convívio familiar à sua família de origem, de modo que haja uma preparação adequada e um acompanhamento posterior, devendo-se, em qualquer caso, tomar as cautelas e providências
necessárias para que a medida surta os resultados desejados e que a criança/adolescente cresça num ambiente familiar saudável
§ 6o Em se tratando de criança ou adolescente
indígena ou proveniente de comunidade
remanescente de quilombo, é ainda obrigatório:
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
I - que sejam consideradas e respeitadas sua
identidade social e cultural, os seus costumes e
tradições, bem como suas instituições, desde que
não sejam incompatíveis com os direitos
fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela
Constituição Federal;
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
II - que a colocação familiar ocorra
prioritariamente no seio de sua comunidade ou
junto a membros da mesma etnia;
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
III - a intervenção e oitiva de representantes do
órgão federal responsável pela política indigenista,
no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de
antropólogos, perante a equipe interprofissional ou
multidisciplinar que irá acompanhar o caso.
Art. 29. Não se deferirá colocação em família
substituta a pessoa que revele, por qualquer modo,
incompatibilidade com a natureza da medida ou
não ofereça ambiente familiar adequado.
ADOÇÃO.FAMÍLIA SUBSTITUTA. ESTUDO
SOCIAL CONTRÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO
DOS REQUISITOS LEGAIS (ARTIGOS 29 e 43 DO
ECA). DECISÃO CONFIRMADA. 1. Para que uma
criança seja colocada mediante adoção, em uma
família substituta, é necessário a rigorosa
comprovação dos critérios de compatibilidade da
pessoa que deseja adotar com a natureza da
medida, do ambiente familiar adequado, das
vantagens para o adotando e da fundamentação
calcada em motivos legítimos, previstos nos artigos
29 e 43, do ECA, vez que os interesses do menor
prevalecem sobre a vontade dos adotantes. 2. Não
elididos os pontos contrários à adoção constantes
do estudo social, pelas provas produzidas pelos
requerentes, deve ser rejeitada a pretensão de
colocação da criança na família substituta. (TJPR.
Rec.Ap.ECA nº 98.2581-2. Rel. Des. Accácio
Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem autorização judicial
A colocação de criança ou adolescente em família
substituta, em qualquer de suas modalidades, é medida de competência privativa da autoridade judiciária, não podendo ser aplicada pelo Conselho Tutelar (inteligência do art. 136, inciso I, do ECA) e muito menos por
entidades de acolhimento familiar
Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção.
Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo, mediante termo nos autos
Tal compromisso não é exigido dos adotantes, pois estes assumem, pleno jure, a condição de pais dos adotados, com todos os deveres inerentes ao poder familiar
Da guarda
Da guarda
Importante salientar que a guarda de que trata o ECA
se constitui numa modalidade de colocação de criança ou adolescente em família substituta, não se
confundindo, portanto, com a “guarda” decorrente do poder familiar que os pais exercem em relação a seus filhos, esta regulada pelo Código Civil (art. 1634, inciso II).
A guarda pode ser revogada a qualquer tempo. A
guarda é medida provisória por excelência, se constituindo numa alternativa preferencial ao
acolhimento institucional como forma de garantir o exercício do direito à convivência familiar
O deferimento da guarda de uma criança ou
adolescente a terceira pessoa, por si só, não importa na suspensão ou destituição do poder familiar
A guarda pressupõe a permanência da criança ou
adolescente na companhia do guardião, não havendo de ser deferida quando tal situação concretamente não se verificar.
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE GUARDA DE MENOR. PÓLO
ATIVO INTEGRADO PELO PAI E AVÓS PATERNOS. EXCLUSÃO DOS AVÓS PATERNOS DA RELAÇÃO
PROCESSUAL. IGUALDADE ENTRE PAI E MÃE PARA O
PÁTRIO PODER. CONCESSÃO DO EXERCÍCIO DA GUARDA ÀQUELE QUE REÚNE AS MELHORES CONDIÇÕES PARA CRIAÇÃO DO MENOR. INTERESSE DA CRIANÇA.
ASSISTÊNCIA DOS AVÓS. 1. A concessão da guarda de menor à chamada 'família substituta', no caso os avós paternos,
somente deve ocorrer em casos excepcionais, devendo-se
priorizar o exercício da guarda pelos pais da criança, mostrando-se impossível a disputa do pai e dos avós paternos pelo
exercício conjunto da guarda da menor em desfavor da mãe, razão pela qual imperiosa é a exclusão dos avós paternos do pólo ativo da demanda. 2. A concessão da guarda de menor deve, primordialmente, atender aos interesses deste. De acordo com a CF/88, o ECA e o CC/02, o poder familiar será exercido pelo pai e pela mãe em igualdade de condições. Todavia, o exercício da guarda será concedido àquele que oferecer as
melhores condições para a criação e desenvolvimento do menor. 3. Na esteira dessas premissas, deve-se conceder o exercício da guarda ao pai, eis que foi quem apresentou as melhores
condições para criação da criança oferecendo-lhe um ambiente familiar mais adequado que a mãe, preenchido, ademais, com a frequente assistência - não apenas material - promovida pelos avós paternos. 4. Recurso conhecido e improvido. (TJGO. 3ª C. Cív. Ap. Cív. nº 98719-1/188 - 200601505551. Rel. Sandra
Guarda Provisória
A guarda pode ser utilizada como medida provisória de caráter liminar nos processos de adoção e tutela. A concessão da guarda provisória (art. 33 § 1º do ECA) tem por objetivo regularizar a situação de fato para evitar que a criança permaneça nessa família sem proteção legal até a concessão final do pedido – adoção ou tutela. Nesses processos, a guarda com caráter liminar por si só deixa de existir quando da prolação da sentença definitiva da adoção ou tutela, visto que esses institutos a contemplam como um dos seus atributos.
Na prática judiciária a guarda provisória também tem sido deferida liminarmente nas ações próprias de guarda, durante o trâmite do processo. Há situações informais na convivência de crianças e adolescentes em famílias que pedem uma providência em caráter de urgência, com vistas à proteção da
criança/adolescente. Encaminhamentos de tratamento de doenças, matrícula escolar e viagens são alguns exemplos que ilustram essa demanda.
Guarda definitiva
Os processos de guarda propriamente ditos são aquelas situações onde os autores (pessoas que entram com o pedido na justiça) pretendem tão somente exercer a guarda, ou seja, os cuidados de criação e educação em relação àquela criança/adolescente, não desejando, pelo menos naquele momento, a sua adoção ou tutela. Na classificação jurídica trata-se de uma Ação de Guarda. É comum a referência a esse tipo de ação como “guarda
definitiva” para fazer diferença em relação à guarda
provisória. O termo definitivo vai de encontro ao princípio da revogabilidade da guarda (previsto nos arts. 35 e 169, parágrafo único do ECA), o que torna essa definição um tanto inadequada. Isso porque a redação usada de guarda definitiva induz a confusão, uma vez que a guarda é
sempre revogável, atendendo aos melhores interesses da criança. Outra expressão utilizada por Figueirêdo para definir esse tipo de ação, objetivando maior clareza da
medida, é “guarda satisfativa“, visto que nesses processos a guarda se basta em si mesma e satisfaz a pretensão de quem ingressa com o pedido. No caso de, futuramente, desejarem os requerentes a adoção da criança que está sob sua guarda, deverão fazê-lo em processo próprio de adoção, obedecendo aos princípios enunciados pelo ECA
Medida de proteção
A guarda pode ser deferida como medida de
proteção, fora dos casos de adoção e tutela e fora
dos casos da guarda satisfativa (definitiva), para
atender “a situações peculiares ou a falta eventual
dos pais ou responsável” (parágrafo 2º, artigo 33 do
ECA).
Nesses casos, pode a guarda simplesmente ter a
função de proteção jurídica, pois os guardiões não
pretendem substituir os pais no exercício da
parentalidade. Pretendem, tão somente, oferecer
proteção, cuidado e afeto para crianças e
adolescentes, de maneira temporária; dadas as
circunstâncias familiares que culminaram com o
seu afastamento do núcleo familiar de origem.
Sob esse prisma, vislumbra-se o programa
Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência
material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. (Vide Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
São mais restritos que o do tutor e dos pais, posto que a
guarda pode coexistir com o poder familiar e não confere o direito de representação do guardião em relação ao guardado (vide art. 33, §2º, in fine, do ECA). Importante destacar que, por força do disposto no art. 33, §4º, do ECA, o fato de o guardião se obrigado a prestar
assistência material à criança não desobriga os pais deste mesmo dever
Ficam os pais desfalcados da prerrogativa de dirigir a
criação e educação de seus filhos colocados sob guarda, podendo, no entanto, recorrer à autoridade judiciária
sempre que entenderem necessário, na defesa dos interesses de seus filhos
§ 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros.
§ 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o direito de
representação para a prática de atos determinados
O dispositivo reforça a idéia de que a colocação de uma criança ou adolescente sob a guarda de terceiro não deve, como regra absoluta, assumir um caráter “definitivo”. O caráter excepcional da guarda, fora dos casos de tutela ou adoção, faz com que sua
concessão (especialmente em se tratando de crianças recém nascidas ou de tenra idade) seja revestida de cautelas redobradas, inclusive para impedir a burla ao cadastro de adoção
Se houver necessidade da representação sistemática da criança ou adolescente pelo guardião, para prática dos atos da vida civil, a solução não será a concessão de guarda, mas sim de tutela, com todas as cautelas e obrigações a ela inerentes (inclusive, se for o caso, a necessidade de prévia suspensão ou destituição do poder familiar)
Por ser excepcional deve ser justificada. Analise a questão seguinte:
APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA. PEDIDO DE
GUARDA. ACORDO DE TRANSFERÊNCIA DA
GUARDA PARA A AVÓ MATERNA COM O
CONSENTIMENTO MÃE. PRETENSÃO DE
HOMOLOGAÇÃO. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA
DE SITUAÇÃO PECULIAR OU DE RISCO.
AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DESABONATÓRIOS
EM RELAÇÃO À GENITORA. NÃO
CONFIGURAÇÃO do disposto no § 2º do art. 33,
do estatuto da criança e do adolescente. Intenção
clara de recebimento, pela menina, de benefício
previdenciário concedido pelo governo a portadores
de determinadas moléstias. Impossível se mostra a
alteração da guarda de menina de 13 anos de
idade da mãe para a avó materna para o fim de
recebimento de benefício previdenciário pago à
portadora de moléstia grave. Além do que não há
nos autos prova da existência de elementos
desabonatórios atinentes à mãe da menina que
justifiquem a alteração da guarda. APELAÇÃO
DESPROVIDA. (TJRS. 7ª C. Cív. A.I. nº
70035700343. Rel. Des. José Conrado de Souza
Júnior. J. em 26/05/2010)
§ 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários.
Importante mencionar que não se admite a concessão da guarda
apenas para que o guardado possa figurar, junto à previdência social e/ou planos de saúde/seguridade privados. Se a guarda obriga a prestação de assistência material, nada mais correto do que reconhecer a dependência econômica para fins
previdenciários
A ausência de guarda de fato ou a convivência sob o mesmo teto
dos genitores, ademais, inviabiliza a concessão da guarda judicial e a concessão de benefício previdenciários.
GUARDA. FINALIDADE MERAMENTE ECONÔMICA. É vedada a concessão da guarda de infante a terceiro para fins meramente econômicos como dependência em plano de saúde, ainda que particular. Negado provimento ao apelo. (TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. nº 70010115996. Rel. Maria Berenice Dias. J. em
06/01/2005).
2. Inexistindo comprovação de guarda de direito ou de fato do avô
falecido sobre o menor e a dependência econômica, uma vez que a mãe do autor participava ativamente de sua criação, recebendo salário, além do que o pai destinava-lhe alimentos, não é caso de reconhecimento de dependência do requerente em relação ao de cujus, porquanto não atendida a exigência inserta no artigo 16, inciso I e § 2º, da Lei n.º 8.213/91. (TRF 4ª Reg. 5ª T. AC nº 2001.04.01.065109-7. Rel. Des. Luiz Antonio Bonato
§ 4o Salvo expressa e fundamentada
determinação em contrário, da autoridade judiciária
competente, ou quando a medida for aplicada em
preparação para adoção, o deferimento da guarda
de criança ou adolescente a terceiros não impede o
exercício do direito de visitas pelos pais, assim
como o dever de prestar alimentos, que serão
objeto de regulamentação específica, a pedido do
interessado ou do Ministério Público.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
Sendo a guarda um medida temporária por
excelência, nada mais natural que a preocupação
com a manutenção dos vínculos entre a
criança/adolescente e seus pais, com vista à futura
reintegração familiar.
O direito de visitas aos filhos colocados sob
aguarda de terceiros (direito este que, a rigor,
também pertence aos filhos) somente pode ser
suprimido mediante decisão judicial fundamentada,
em sede de procedimento contencioso, no qual
seja assegurado aos pais o exercício do
contraditório e da ampla defesa
Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente afastado do convívio familiar.
(Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 1o A inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar terá preferência a seu acolhimento
institucional, observado, em qualquer caso, o caráter
temporário e excepcional da medida, nos termos desta Lei.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 2o Na hipótese do § 1o deste artigo a pessoa ou casal cadastrado no programa de acolhimento familiar poderá receber a criança ou adolescente mediante guarda,
observado o disposto nos arts. 28 a 33 desta Lei.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, ouvido o Ministério Público
Embora a destituição de guarda possa ser decretada em caráter liminar, a medida não poderá ser tomada de forma arbitrária, devendo se observados os princípios
Procedimento
Procedimento
Duas são as formas procedimentais apresentadas
pelo Estatuto da Criança e do Adolescente: uma de
jurisdição administrativa, sem lide; outra,
contraditória, com lide (ECA, arts. 165 a 170).
Jurisdição administrativa: nas situações em que
os pais forem falecidos, já tiverem sido destituídos
ou suspensos do poder familiar, ou houverem
anuído ao pedido de guarda, podendo ser feito o
pedido diretamente em Cartório, pelos requerentes,
sem a presença de Advogado, portanto.
Contraditório: A segunda surgirá quando houver
discordância quando implicar suspensão ou
destituição do poder familiar, estas como
pressupostos lógicos da medida principal de
colocação em família substituta, que será
contraditória. Tal pode se aplicar à guarda, se esta
for pedida e se se enquadrar numa dessas
MENOR. COLOCAÇÃO EM FAMÍLIA
SUBSTITUTA. EXPRESSA
CONCORDÂNCIA DOS PAIS.
Desnecessidade de ser o requerimento
feito por advogado, bastando petição
assinada pelos requerentes. Aplicação do
art. 166 da Lei 8.069/90. Para a colocação
de menor em família substituta, tendo
havido expressa concordância dos pais,
não há como exigir-se o requerimento por
advogado, bastando petição assinada
pelos requerentes, de acordo com o art.
166 da Lei 8.069/90 (TJSP. C. Esp. A.I. nº
12.793-0. Rel. Des. Sylvio do Amaral. J.
em 06/06/1991).
Da Tutela
Da Tutela
Para o Estatuto da Criança e do Adolescente constitui-se
a tutela em forma de colocação de criança ou adolescente em família substituta.
O ECA não traz muitas disposições relativas à tutela, que
é regulada basicamente pelo Código Civil. A inserção da tutela também no ECA, no entanto, é importante para enfatizar a necessidade de uma interpretação conjunta entre as disposições contidas no ECA e na Lei Civil, de modo que os princípios e regras de hermenêutica por aquele estabelecidos sejam considerados e aplicados
Assim, sob a ótica do ECA, pode-se conceituar tutela
como medida protetiva, operacionalizada quando
suspenso ou extinto o poder familiar, que tem por escopo conferir os cuidados do menor, bem como de seu
patrimônio, a uma família substituta.
Reveste-se a tutela de um encargo imposto pelo Estado a R
terceiro, em favor daquela criança ou adolescente
Desse conceito, extrai-se os requisitos básicos da tutela,
quais sejam: tutelado menor de 18 anos; tutor capaz; e suspensão ou perda do poder familiar.
Diferença entre tutela e guarda
Diferença entre tutela e guarda
O objetivo precípuo da tutela (e seu maior
O objetivo precípuo da tutela (e seu maior
diferencial em relação à guarda), é o de
diferencial em relação à guarda), é o de
conferir um representante legal à criança
conferir um representante legal à criança
ou adolescente que não o possui, sendo
ou adolescente que não o possui, sendo
cabível mais especificamente nas
cabível mais especificamente nas
hipóteses previstas no art. 1728, do CC
hipóteses previstas no art. 1728, do CC
Na guarda, embora atribua-se ao guardião
Na guarda, embora atribua-se ao guardião
a condição responsável legal pela criança
a condição responsável legal pela criança
ou adolescente, não lhe confere o direito
ou adolescente, não lhe confere o direito
de representá-la na prática dos atos da
de representá-la na prática dos atos da
vida civil.
vida civil.
Ao contrário do que ocorre com a guarda,
Ao contrário do que ocorre com a guarda,
a tutela não pode coexistir com o poder
a tutela não pode coexistir com o poder
familiar, tendo assim por pressuposto a
familiar, tendo assim por pressuposto a
prévia suspensão, destituição ou extinção
prévia suspensão, destituição ou extinção
deste.
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei
civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão
do pátrio poder poder familiar e implica
necessariamente o dever de guarda. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
É imprescindível, portanto, que a criança ou adolescente resida com o tutor nomeado, que
deverá prestar-lhe toda assistência material, moral e educacional (art. 33, primeira parte, do ECA),
representá-lo ou assisti-lo na prática dos atos da
vida civil e exercer os demais encargos previstos nos arts. 1740, 1741, 1747 e 1748, todos do CC. Isto não significa, no entanto, que o tutor não possa pleitear alimentos junto aos pais de seu pupilo, pois como visto acima, o dever de prestar alimentos persiste mesmo após eventual destituição do poder familiar, já que é determinado pela relação de parentesco (cf. art. 1694, do CC e art. 229, da CF), que não é
Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer documento autêntico, conforme previsto no parágrafo único do art. 1.729 C.C deverá, no prazo de 30 (trinta) dias após a abertura da sucessão, ingressar com pedido destinado ao controle judicial do ato,
observando o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Se o tutor nomeado não ingressar com o pedido de nomeação no
prazo legal, o Ministério Público poderá fazê-lo
Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão observados os requisitos previstos nos arts. 28 e 29 desta Lei, somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada na disposição de última vontade, se restar comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando e que não existe outra pessoa em melhores condições de assumi-la.(Redação dada pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
A “nomeação de tutor por testamento”, embora deva ser A
considerada e o quanto possível respeitada pela autoridade judiciária, não é “automática”, nem confere à pessoa indicada o “direito” de assumir a tutela. A tutela é uma medida de proteção, visando atender aos interesses da criança/adolescente, e não dos adultos, e as normas relativas à colocação em família substituta são de direito público, orientadas pelo princípio
constitucional da proteção integral à criança e ao adolescente, que considera estes como sujeitos de direitos (e não meros “objetos” de livre disposição - máxime quando post mortem - de seus pais
Art. 38. Aplica-se à destituição da
tutela o disposto no art. 24.
A destituição da tutela é medida
aplicável ao tutor (art. 129, inciso IX,
do ECA), que somente pode ser
decretada pela autoridade judiciária,
em procedimento contencioso, no
qual seja assegurado o contraditório
e a ampla defesa, conforme
disposição expressa do art. 24, do
ECA, a que se faz remissão
A Tutela no Código Civil e no ECA
A Tutela no Código Civil e no ECA
A única diferenciação da tutela na regulamentação
pelo Código Civil e no ECA é justamente no que
concerne ao procedimento.
Assim, visando facilitar o acesso ao instituto, exige o
Estatuto, apenas:
a) a perda ou suspensão anterior do pátrio poder dos
genitores (art. 36), chegando mesmo a dispensar a
especialização da hipoteca legal (art. 37)
(modificação
proporcionada pela Lei n° 12.010/09)
.