• Nenhum resultado encontrado

ECA AULA III

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ECA AULA III"

Copied!
28
0
0

Texto

(1)

Os Direitos da

Os Direitos da

Criança e do

Criança e do

Adolescente

Adolescente

Legislação pátria

Legislação pátria

(2)

Da Família Substituta

Da Família Substituta

Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á

mediante guarda, tutela ou adoção

independentemente da situação jurídica da criança

ou adolescente, nos termos desta Lei

Importante não perder de vista, no entanto, que a

colocação de criança ou adolescente em família

substituta é medida de proteção que visa beneficiar

a estes (princípio do melhor interesse) e não aos

adultos que eventualmente a pleiteiem. Possui

também um caráter excepcional, pois a

preocupação primeiradeve ser a manutenção da

criança ou adolescente em sua família de origem

(3)

Manutenção do vínculo familiar

Adoção

Tutela

Guarda

(4)

§ 1o Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada.

(Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)

 A oitiva da criança ou adolescente que se pretende colocar em família substituta decorre de sua condição de sujeitos de direito, no caso, o direito à convivência familiar, sendo os verdadeiros destinatários desta que, afinal, se constitui numa medida de proteção (cf. art. 101, inciso IX, do ECA). Não mais é admissível,

portanto, pura e simplesmente invocar, de forma vaga e vazia de conteúdo, que se está agindo no “melhor interesse do menor” (sic.), como quando da vigência do Código de Menores, mas sim é necessário colher

elementos idôneos, inclusive junto à própria criança ou adolescente, para que se tenha o máximo de garantias de que tal solução é, de fato, a mais adequada.

 O dispositivo destaca ainda a importância da existência de uma equipe interprofissional habilitada a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, cuja intervenção é de todo recomendável em se tratando de crianças de tenra idade

(5)

§ 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de

idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência.

(Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência  O dispositivo torna obrigatória a realização de

audiência para a coleta do consentimento do

adolescente com sua colocação em família substituta, em qualquer das suas modalidades. Vale observar que, pela sistemática anterior, o consentimento do adolescente era exigido apenas quando de sua adoção.

§ 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as

consequências decorrentes da medida.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

 Pode-se dizer que, para fins de colocação de crianças e adolescentes em família substituta, a relação de

afinidade ou afetividade (sempre consideradas sob o ponto de vista da criança ou adolescente, que são os destinatários da medida), deve mesmo preponderar em relação ao grau de parentesco.

(6)

§ 4o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

 Deve-se procurar preservar os vínculos fraternais,

ressalvada a comprovada ocorrência de situação

excepcionalíssima que autorize solução diversa como, por exemplo, no caso de abusos praticados por um dos irmãos em relação ao outro.

§ 5o A colocação da criança ou adolescente em família substituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanhamento posterior, realizados pela equipe

interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com o apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

 O contido no presente dispositivo deve ser também

aplicado (por analogia) quando da reintegração da criança ou adolescente afastado do convívio familiar à sua família de origem, de modo que haja uma preparação adequada e um acompanhamento posterior, devendo-se, em qualquer caso, tomar as cautelas e providências

necessárias para que a medida surta os resultados desejados e que a criança/adolescente cresça num ambiente familiar saudável

(7)

§ 6o Em se tratando de criança ou adolescente

indígena ou proveniente de comunidade

remanescente de quilombo, é ainda obrigatório:

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

Vigência

I - que sejam consideradas e respeitadas sua

identidade social e cultural, os seus costumes e

tradições, bem como suas instituições, desde que

não sejam incompatíveis com os direitos

fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela

Constituição Federal;

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

Vigência

II - que a colocação familiar ocorra

prioritariamente no seio de sua comunidade ou

junto a membros da mesma etnia;

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

Vigência

III - a intervenção e oitiva de representantes do

órgão federal responsável pela política indigenista,

no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de

antropólogos, perante a equipe interprofissional ou

multidisciplinar que irá acompanhar o caso.

(8)

Art. 29. Não se deferirá colocação em família

substituta a pessoa que revele, por qualquer modo,

incompatibilidade com a natureza da medida ou

não ofereça ambiente familiar adequado.

ADOÇÃO.FAMÍLIA SUBSTITUTA. ESTUDO

SOCIAL CONTRÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO

DOS REQUISITOS LEGAIS (ARTIGOS 29 e 43 DO

ECA). DECISÃO CONFIRMADA. 1. Para que uma

criança seja colocada mediante adoção, em uma

família substituta, é necessário a rigorosa

comprovação dos critérios de compatibilidade da

pessoa que deseja adotar com a natureza da

medida, do ambiente familiar adequado, das

vantagens para o adotando e da fundamentação

calcada em motivos legítimos, previstos nos artigos

29 e 43, do ECA, vez que os interesses do menor

prevalecem sobre a vontade dos adotantes. 2. Não

elididos os pontos contrários à adoção constantes

do estudo social, pelas provas produzidas pelos

requerentes, deve ser rejeitada a pretensão de

colocação da criança na família substituta. (TJPR.

Rec.Ap.ECA nº 98.2581-2. Rel. Des. Accácio

(9)

Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem autorização judicial

A colocação de criança ou adolescente em família

substituta, em qualquer de suas modalidades, é medida de competência privativa da autoridade judiciária, não podendo ser aplicada pelo Conselho Tutelar (inteligência do art. 136, inciso I, do ECA) e muito menos por

entidades de acolhimento familiar

Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção.

Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo, mediante termo nos autos

 Tal compromisso não é exigido dos adotantes, pois estes assumem, pleno jure, a condição de pais dos adotados, com todos os deveres inerentes ao poder familiar

(10)

Da guarda

Da guarda

 Importante salientar que a guarda de que trata o ECA

se constitui numa modalidade de colocação de criança ou adolescente em família substituta, não se

confundindo, portanto, com a “guarda” decorrente do poder familiar que os pais exercem em relação a seus filhos, esta regulada pelo Código Civil (art. 1634, inciso II).

 A guarda pode ser revogada a qualquer tempo. A

guarda é medida provisória por excelência, se constituindo numa alternativa preferencial ao

acolhimento institucional como forma de garantir o exercício do direito à convivência familiar

 O deferimento da guarda de uma criança ou

adolescente a terceira pessoa, por si só, não importa na suspensão ou destituição do poder familiar

 A guarda pressupõe a permanência da criança ou

adolescente na companhia do guardião, não havendo de ser deferida quando tal situação concretamente não se verificar.

(11)

 APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE GUARDA DE MENOR. PÓLO

ATIVO INTEGRADO PELO PAI E AVÓS PATERNOS. EXCLUSÃO DOS AVÓS PATERNOS DA RELAÇÃO

PROCESSUAL. IGUALDADE ENTRE PAI E MÃE PARA O

PÁTRIO PODER. CONCESSÃO DO EXERCÍCIO DA GUARDA ÀQUELE QUE REÚNE AS MELHORES CONDIÇÕES PARA CRIAÇÃO DO MENOR. INTERESSE DA CRIANÇA.

ASSISTÊNCIA DOS AVÓS. 1. A concessão da guarda de menor à chamada 'família substituta', no caso os avós paternos,

somente deve ocorrer em casos excepcionais, devendo-se

priorizar o exercício da guarda pelos pais da criança, mostrando-se impossível a disputa do pai e dos avós paternos pelo

exercício conjunto da guarda da menor em desfavor da mãe, razão pela qual imperiosa é a exclusão dos avós paternos do pólo ativo da demanda. 2. A concessão da guarda de menor deve, primordialmente, atender aos interesses deste. De acordo com a CF/88, o ECA e o CC/02, o poder familiar será exercido pelo pai e pela mãe em igualdade de condições. Todavia, o exercício da guarda será concedido àquele que oferecer as

melhores condições para a criação e desenvolvimento do menor. 3. Na esteira dessas premissas, deve-se conceder o exercício da guarda ao pai, eis que foi quem apresentou as melhores

condições para criação da criança oferecendo-lhe um ambiente familiar mais adequado que a mãe, preenchido, ademais, com a frequente assistência - não apenas material - promovida pelos avós paternos. 4. Recurso conhecido e improvido. (TJGO. 3ª C. Cív. Ap. Cív. nº 98719-1/188 - 200601505551. Rel. Sandra

(12)

 Guarda Provisória

A guarda pode ser utilizada como medida provisória de caráter liminar nos processos de adoção e tutela. A concessão da guarda provisória (art. 33 § 1º do ECA) tem por objetivo regularizar a situação de fato para evitar que a criança permaneça nessa família sem proteção legal até a concessão final do pedido – adoção ou tutela. Nesses processos, a guarda com caráter liminar por si só deixa de existir quando da prolação da sentença definitiva da adoção ou tutela, visto que esses institutos a contemplam como um dos seus atributos.

Na prática judiciária a guarda provisória também tem sido deferida liminarmente nas ações próprias de guarda, durante o trâmite do processo. Há situações informais na convivência de crianças e adolescentes em famílias que pedem uma providência em caráter de urgência, com vistas à proteção da

criança/adolescente. Encaminhamentos de tratamento de doenças, matrícula escolar e viagens são alguns exemplos que ilustram essa demanda.

(13)

 Guarda definitiva

Os processos de guarda propriamente ditos são aquelas situações onde os autores (pessoas que entram com o pedido na justiça) pretendem tão somente exercer a guarda, ou seja, os cuidados de criação e educação em relação àquela criança/adolescente, não desejando, pelo menos naquele momento, a sua adoção ou tutela. Na classificação jurídica trata-se de uma Ação de Guarda. É comum a referência a esse tipo de ação como “guarda

definitiva” para fazer diferença em relação à guarda

provisória. O termo definitivo vai de encontro ao princípio da revogabilidade da guarda (previsto nos arts. 35 e 169, parágrafo único do ECA), o que torna essa definição um tanto inadequada. Isso porque a redação usada de guarda definitiva induz a confusão, uma vez que a guarda é

sempre revogável, atendendo aos melhores interesses da criança. Outra expressão utilizada por Figueirêdo para definir esse tipo de ação, objetivando maior clareza da

medida, é “guarda satisfativa“, visto que nesses processos a guarda se basta em si mesma e satisfaz a pretensão de quem ingressa com o pedido. No caso de, futuramente, desejarem os requerentes a adoção da criança que está sob sua guarda, deverão fazê-lo em processo próprio de adoção, obedecendo aos princípios enunciados pelo ECA

(14)

Medida de proteção

A guarda pode ser deferida como medida de

proteção, fora dos casos de adoção e tutela e fora

dos casos da guarda satisfativa (definitiva), para

atender “a situações peculiares ou a falta eventual

dos pais ou responsável” (parágrafo 2º, artigo 33 do

ECA).

Nesses casos, pode a guarda simplesmente ter a

função de proteção jurídica, pois os guardiões não

pretendem substituir os pais no exercício da

parentalidade. Pretendem, tão somente, oferecer

proteção, cuidado e afeto para crianças e

adolescentes, de maneira temporária; dadas as

circunstâncias familiares que culminaram com o

seu afastamento do núcleo familiar de origem.

Sob esse prisma, vislumbra-se o programa

(15)

Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência

material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. (Vide Lei nº 12.010, de 2009)

Vigência

 São mais restritos que o do tutor e dos pais, posto que a

guarda pode coexistir com o poder familiar e não confere o direito de representação do guardião em relação ao guardado (vide art. 33, §2º, in fine, do ECA). Importante destacar que, por força do disposto no art. 33, §4º, do ECA, o fato de o guardião se obrigado a prestar

assistência material à criança não desobriga os pais deste mesmo dever

 Ficam os pais desfalcados da prerrogativa de dirigir a

criação e educação de seus filhos colocados sob guarda, podendo, no entanto, recorrer à autoridade judiciária

sempre que entenderem necessário, na defesa dos interesses de seus filhos

§ 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros.

(16)

§ 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o direito de

representação para a prática de atos determinados

 O dispositivo reforça a idéia de que a colocação de uma criança ou adolescente sob a guarda de terceiro não deve, como regra absoluta, assumir um caráter “definitivo”. O caráter excepcional da guarda, fora dos casos de tutela ou adoção, faz com que sua

concessão (especialmente em se tratando de crianças recém nascidas ou de tenra idade) seja revestida de cautelas redobradas, inclusive para impedir a burla ao cadastro de adoção

 Se houver necessidade da representação sistemática da criança ou adolescente pelo guardião, para prática dos atos da vida civil, a solução não será a concessão de guarda, mas sim de tutela, com todas as cautelas e obrigações a ela inerentes (inclusive, se for o caso, a necessidade de prévia suspensão ou destituição do poder familiar)

 Por ser excepcional deve ser justificada. Analise a questão seguinte:

(17)

APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA. PEDIDO DE

GUARDA. ACORDO DE TRANSFERÊNCIA DA

GUARDA PARA A AVÓ MATERNA COM O

CONSENTIMENTO MÃE. PRETENSÃO DE

HOMOLOGAÇÃO. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA

DE SITUAÇÃO PECULIAR OU DE RISCO.

AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DESABONATÓRIOS

EM RELAÇÃO À GENITORA. NÃO

CONFIGURAÇÃO do disposto no § 2º do art. 33,

do estatuto da criança e do adolescente. Intenção

clara de recebimento, pela menina, de benefício

previdenciário concedido pelo governo a portadores

de determinadas moléstias. Impossível se mostra a

alteração da guarda de menina de 13 anos de

idade da mãe para a avó materna para o fim de

recebimento de benefício previdenciário pago à

portadora de moléstia grave. Além do que não há

nos autos prova da existência de elementos

desabonatórios atinentes à mãe da menina que

justifiquem a alteração da guarda. APELAÇÃO

DESPROVIDA. (TJRS. 7ª C. Cív. A.I. nº

70035700343. Rel. Des. José Conrado de Souza

Júnior. J. em 26/05/2010)

(18)

§ 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários.

Importante mencionar que não se admite a concessão da guarda

apenas para que o guardado possa figurar, junto à previdência social e/ou planos de saúde/seguridade privados. Se a guarda obriga a prestação de assistência material, nada mais correto do que reconhecer a dependência econômica para fins

previdenciários

A ausência de guarda de fato ou a convivência sob o mesmo teto

dos genitores, ademais, inviabiliza a concessão da guarda judicial e a concessão de benefício previdenciários.

GUARDA. FINALIDADE MERAMENTE ECONÔMICA. É vedada a concessão da guarda de infante a terceiro para fins meramente econômicos como dependência em plano de saúde, ainda que particular. Negado provimento ao apelo. (TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. nº 70010115996. Rel. Maria Berenice Dias. J. em

06/01/2005).

 2. Inexistindo comprovação de guarda de direito ou de fato do avô

falecido sobre o menor e a dependência econômica, uma vez que a mãe do autor participava ativamente de sua criação, recebendo salário, além do que o pai destinava-lhe alimentos, não é caso de reconhecimento de dependência do requerente em relação ao de cujus, porquanto não atendida a exigência inserta no artigo 16, inciso I e § 2º, da Lei n.º 8.213/91. (TRF 4ª Reg. 5ª T. AC nº 2001.04.01.065109-7. Rel. Des. Luiz Antonio Bonato

(19)

§ 4o Salvo expressa e fundamentada

determinação em contrário, da autoridade judiciária

competente, ou quando a medida for aplicada em

preparação para adoção, o deferimento da guarda

de criança ou adolescente a terceiros não impede o

exercício do direito de visitas pelos pais, assim

como o dever de prestar alimentos, que serão

objeto de regulamentação específica, a pedido do

interessado ou do Ministério Público.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

Vigência

Sendo a guarda um medida temporária por

excelência, nada mais natural que a preocupação

com a manutenção dos vínculos entre a

criança/adolescente e seus pais, com vista à futura

reintegração familiar.

O direito de visitas aos filhos colocados sob

aguarda de terceiros (direito este que, a rigor,

também pertence aos filhos) somente pode ser

suprimido mediante decisão judicial fundamentada,

em sede de procedimento contencioso, no qual

seja assegurado aos pais o exercício do

contraditório e da ampla defesa

(20)

Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente afastado do convívio familiar.

(Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

§ 1o A inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar terá preferência a seu acolhimento

institucional, observado, em qualquer caso, o caráter

temporário e excepcional da medida, nos termos desta Lei.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

§ 2o Na hipótese do § 1o deste artigo a pessoa ou casal cadastrado no programa de acolhimento familiar poderá receber a criança ou adolescente mediante guarda,

observado o disposto nos arts. 28 a 33 desta Lei.

(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, ouvido o Ministério Público

 Embora a destituição de guarda possa ser decretada em caráter liminar, a medida não poderá ser tomada de forma arbitrária, devendo se observados os princípios

(21)

Procedimento

Procedimento

Duas são as formas procedimentais apresentadas

pelo Estatuto da Criança e do Adolescente: uma de

jurisdição administrativa, sem lide; outra,

contraditória, com lide (ECA, arts. 165 a 170).

Jurisdição administrativa: nas situações em que

os pais forem falecidos, já tiverem sido destituídos

ou suspensos do poder familiar, ou houverem

anuído ao pedido de guarda, podendo ser feito o

pedido diretamente em Cartório, pelos requerentes,

sem a presença de Advogado, portanto.

Contraditório: A segunda surgirá quando houver

discordância quando implicar suspensão ou

destituição do poder familiar, estas como

pressupostos lógicos da medida principal de

colocação em família substituta, que será

contraditória. Tal pode se aplicar à guarda, se esta

for pedida e se se enquadrar numa dessas

(22)

MENOR. COLOCAÇÃO EM FAMÍLIA

SUBSTITUTA. EXPRESSA

CONCORDÂNCIA DOS PAIS.

Desnecessidade de ser o requerimento

feito por advogado, bastando petição

assinada pelos requerentes. Aplicação do

art. 166 da Lei 8.069/90. Para a colocação

de menor em família substituta, tendo

havido expressa concordância dos pais,

não há como exigir-se o requerimento por

advogado, bastando petição assinada

pelos requerentes, de acordo com o art.

166 da Lei 8.069/90 (TJSP. C. Esp. A.I. nº

12.793-0. Rel. Des. Sylvio do Amaral. J.

em 06/06/1991).

(23)

Da Tutela

Da Tutela

 Para o Estatuto da Criança e do Adolescente constitui-se

a tutela em forma de colocação de criança ou adolescente em família substituta.

 O ECA não traz muitas disposições relativas à tutela, que

é regulada basicamente pelo Código Civil. A inserção da tutela também no ECA, no entanto, é importante para enfatizar a necessidade de uma interpretação conjunta entre as disposições contidas no ECA e na Lei Civil, de modo que os princípios e regras de hermenêutica por aquele estabelecidos sejam considerados e aplicados

 Assim, sob a ótica do ECA, pode-se conceituar tutela

como medida protetiva, operacionalizada quando

suspenso ou extinto o poder familiar, que tem por escopo conferir os cuidados do menor, bem como de seu

patrimônio, a uma família substituta.

 Reveste-se a tutela de um encargo imposto pelo Estado a R

terceiro, em favor daquela criança ou adolescente

 Desse conceito, extrai-se os requisitos básicos da tutela,

quais sejam: tutelado menor de 18 anos; tutor capaz; e suspensão ou perda do poder familiar.

(24)

Diferença entre tutela e guarda

Diferença entre tutela e guarda

O objetivo precípuo da tutela (e seu maior

O objetivo precípuo da tutela (e seu maior

diferencial em relação à guarda), é o de

diferencial em relação à guarda), é o de

conferir um representante legal à criança

conferir um representante legal à criança

ou adolescente que não o possui, sendo

ou adolescente que não o possui, sendo

cabível mais especificamente nas

cabível mais especificamente nas

hipóteses previstas no art. 1728, do CC

hipóteses previstas no art. 1728, do CC

Na guarda, embora atribua-se ao guardião

Na guarda, embora atribua-se ao guardião

a condição responsável legal pela criança

a condição responsável legal pela criança

ou adolescente, não lhe confere o direito

ou adolescente, não lhe confere o direito

de representá-la na prática dos atos da

de representá-la na prática dos atos da

vida civil.

vida civil.

Ao contrário do que ocorre com a guarda,

Ao contrário do que ocorre com a guarda,

a tutela não pode coexistir com o poder

a tutela não pode coexistir com o poder

familiar, tendo assim por pressuposto a

familiar, tendo assim por pressuposto a

prévia suspensão, destituição ou extinção

prévia suspensão, destituição ou extinção

deste.

(25)

Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei

civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)

Vigência

Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão

do pátrio poder poder familiar e implica

necessariamente o dever de guarda. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

 É imprescindível, portanto, que a criança ou adolescente resida com o tutor nomeado, que

deverá prestar-lhe toda assistência material, moral e educacional (art. 33, primeira parte, do ECA),

representá-lo ou assisti-lo na prática dos atos da

vida civil e exercer os demais encargos previstos nos arts. 1740, 1741, 1747 e 1748, todos do CC. Isto não significa, no entanto, que o tutor não possa pleitear alimentos junto aos pais de seu pupilo, pois como visto acima, o dever de prestar alimentos persiste mesmo após eventual destituição do poder familiar, já que é determinado pela relação de parentesco (cf. art. 1694, do CC e art. 229, da CF), que não é

(26)

Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer documento autêntico, conforme previsto no parágrafo único do art. 1.729 C.C deverá, no prazo de 30 (trinta) dias após a abertura da sucessão, ingressar com pedido destinado ao controle judicial do ato,

observando o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

 Se o tutor nomeado não ingressar com o pedido de nomeação no

prazo legal, o Ministério Público poderá fazê-lo

Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão observados os requisitos previstos nos arts. 28 e 29 desta Lei, somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada na disposição de última vontade, se restar comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando e que não existe outra pessoa em melhores condições de assumi-la.(Redação dada pela Lei nº 12.010, de

2009) Vigência

 A “nomeação de tutor por testamento”, embora deva ser A

considerada e o quanto possível respeitada pela autoridade judiciária, não é “automática”, nem confere à pessoa indicada o “direito” de assumir a tutela. A tutela é uma medida de proteção, visando atender aos interesses da criança/adolescente, e não dos adultos, e as normas relativas à colocação em família substituta são de direito público, orientadas pelo princípio

constitucional da proteção integral à criança e ao adolescente, que considera estes como sujeitos de direitos (e não meros “objetos” de livre disposição - máxime quando post mortem - de seus pais

(27)

Art. 38. Aplica-se à destituição da

tutela o disposto no art. 24.

A destituição da tutela é medida

aplicável ao tutor (art. 129, inciso IX,

do ECA), que somente pode ser

decretada pela autoridade judiciária,

em procedimento contencioso, no

qual seja assegurado o contraditório

e a ampla defesa, conforme

disposição expressa do art. 24, do

ECA, a que se faz remissão

(28)

A Tutela no Código Civil e no ECA

A Tutela no Código Civil e no ECA

A única diferenciação da tutela na regulamentação

pelo Código Civil e no ECA é justamente no que

concerne ao procedimento.

Assim, visando facilitar o acesso ao instituto, exige o

Estatuto, apenas:

a) a perda ou suspensão anterior do pátrio poder dos

genitores (art. 36), chegando mesmo a dispensar a

especialização da hipoteca legal (art. 37)

(modificação

proporcionada pela Lei n° 12.010/09)

.

Quanto as hipóteses de cessação da tutela manteve o

ECA os casos previstos na legislação civil, apenas

garantindo expressamente o direito ao contraditório do

tutor, respeitando mandamento constitucional (art. 5º,

LV).

Referências

Documentos relacionados

Tabela 6: Situação dos estudantes do curso de Psicologia após o término do período letivo 2019/2 Taxa de Eficiência Conclusão (acima do tempo padrão) Conclusão (Total)

Depois de fixadas as melhorias nas estima¸c˜ oes dos parˆ ametros referentes aos m´ etodos m´ etodos baseados em verossimilhan¸ca penalizada foi realizado a compara¸c˜ ao entre

b) Execução dos serviços em período a ser combinado com equipe técnica. c) Orientação para alocação do equipamento no local de instalação. d) Serviço de ligação das

A proposta também revela que os docentes do programa são muito ativos em diversas outras atividades, incluindo organização de eventos, atividades na graduação e programas de

Relatório de Gestão e Demonstrações Financeiras 2007 |

A transformação do IPCA em fundação pública de regime privado implica algumas alterações ao nível do modelo organizacional, gestão financeira e patrimonial, autonomia e modelo

No Tratado dos sistemas (1986), Condillac conduziu sua pesquisa sobre o conhecimento e as sensações através das leituras dos Clássicos, Platão e Aristóteles, e do

responsabilizam por todo e qualquer dano ou conseqüência causada pelo uso ou manuseio do produto que não esteja de acordo com as informações desta ficha e as instruções de