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1° estágio_Responsabilidade Civil - Evolução Histórica 02

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Academic year: 2021

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(1)RESPONSABILIDADE CIVIL – BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA Paulo Afonso da Cunha Alves1. O presente artigo tem o intuito de conhecermos a evolução do instituto da Responsabilidade Civil desde seu inicio até os nossos dias no Brasil.. Verificamos que, em tempos idos, o ofendido reagia ao dano de maneira imediata e brutal, agindo por puro instinto. Assim predominava o sistema da vingança privada.. Tal instituto tinha como base a Lei de Talião, do Velho Testamento (1.550/1.300 a.C.), onde se utilizava dos preceitos do “olho por olho, dente por dente”, “quem com ferro fere com ferro será ferido”. Era a reparação do mal pelo mal, onde bastava apenas o dano, não se buscava analisar a culpa, ou seja, era a responsabilidade objetiva. Nesta época, o poder público praticamente não intervinha.. Embora nas legislações mais antigas, como o Código de Hammurabi (1.780 a.C.) e o Código de Manu (Ur Manu - Século II a.C.), existissem sanções baseadas na lei de Talião, observamos que nesses estatutos não havia regra prevendo a responsabilidade a quem causasse dano a outrem. Ao contrário, prevalecia a tipicidade das condutas, ou seja, havia a previsão de um comportamento com resultado danoso. Cotinuava a não se exigir o elemento culpa, considerando irrelevante para se caracterizar a responsabilidade. Prevalecia a causalidade entre a conduta e o dano para configuração da responsabilidade (responsabilidade objetiva).. Da mesma forma que a maioria dos Institutos do Direito Civil da era atual, a Responsabilidade Civil tem origem no Direito Romano, que consistia numa vingança privada, sendo que a responsabilidade não recaía somente. 1. Graduado em Direito pela UNISUAM. Egresso da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro – EMERJ. Mestrando em Políticas Públicas e Formação Humana – Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ..

(2) sobre o patrimônio do agressor, mas também em seu próprio corpo: os danos e prejuízos eram compensados através de atos violentos contra o agente causador dos mesmos. Desta forma, a responsabilidade civil e penal não se diferenciava. Com a evolução do Direito e com o intuito de evitar a instabilidade social, resguardando a seguraça, não mais se permitiu a justiça privada.. Podemos afirmar, porém, que foi com os romanos que começou a ser delineado um esboço de diferenciação entre pena e reparação, ocorrendo a distinção entre os chamados delitos públicos e delitos privados. Nos primeiros, por serem as ofensas consideradas mais graves e perturbadoras da ordem, o ofensor se obrigava a recolher a pena a favor dos cofres públicos. Nos segundos, a autoridade intervinha apenas para fixar a composição. Chamamos a atenção para o fato de que a reparação continuava objetiva, isto é, independente da análise da culpa.. A partir deste período, ocorre uma mudança substancial, pois surge a possibilidade da composição voluntária, ou seja, o ofendido passa a ter a possibilidade de substituir a retaliação ao ofensor por uma compensação de ordem patrimonial. Passa o dinheiro a substituir o castigo físico.. Esta mudança se deve à alteração na estrutura estatal, com o surgimento da autoridade soberana. Desta forma, encerra a fase da vítima fazer justiça com as próprias mãos, pois cabe ao Estado dosar a pena ao agente causador do dano, deixando a composição de ser voluntária para ser obrigatória. Passa a haver uma tarifação dos danos, ou seja, um determinado valor para cada tipo de lesão.. Ressaltamos aqui a importância da Lei das XII Tábuas (449 a.C.) para os romanos, tendo em vista o fato de ter ela representado a passagem da norma consuetudinária para a lei escrita. As penas impostas por ela iam desde a multa até o exílio, da prisão até a morte, sendo certo que muitas delas tinham por base a sanção da retaliação (pena de Talião)..

(3) Muitos doutrinadores consideram que a Lei Poetelia Papiria (428 a.C) foi o marco divisório da responsabilidade civil, pois através dela deixou de ser aplicada a pena do pagamento com o próprio corpo, respondendo pelo ato apenas o patrimônio.. Com a Lex Aquila (289 a.C.), surgiu a Damnum injuria datum (dano produzido pela injúria). É o que hoje consideramos dano moral, e ocorre quando uma pessoa se acha afetada em seu ânimo psíquico, moral e intelectual, seja por ofensa à sua honra, na sua privacidade, intimidade, imagem, nome, ou em seu próprio corpo físico, e poderá estender-se ao dano patrimonial se a ofensa de alguma forma impedir ou dificultar a atividade profissional da vítima. O dano moral corresponde às lesões sofridas pela pessoa humana, consistindo em violações de natureza não econômica. Porém, para os romanos, consistia num delito onde alguém causava dano a coisa alheia, animada ou inanimada, onde o ressarcimento previsto não era tarifado, mas devia corresponder a um valor proporcional ao dano causado.. Não resta dúvida de que, com esta lei, surge o princípio geral da reparação do dano, vindo desta época as ideias iniciais sobre a noção de culpa. Afirmamos que a responsabilidade passa a delinear os conceitos de culpa subjetiva, havendo a necessidade de averiguação da culpa do agente para a caracterização da obrigação de ressacir, além da grande importância para a responsabilidade extracontratual, que se tornou comum para designá-la como. responsabilidade. aquiliana,. caracterizando. uma. responsabilidade. penal. evolução. na. responsabilidade civil.. Podemos. deduzir. que. a. é. anterior. à. responsabilidade civil, concluindo que esta evoluiu a partir daquela. O posicionamento que representou esta separação vem da época de Justiniano, denominado de actio legis aquiliae. Hoje, existe uma ramificação distinta do direito, pois a responsabilidade penal está afeta ao direito público, enquanto a responsabilidade civil integra o direito privado..

(4) Na Idade Média, mais precisamente na França, o pensamento romano foi sendo aperfeiçoado. Passa por um processo gradual de evolução no que tange a enumeração dos casos de composição obrigatória para um princípio geral, chegando à consagração do princípio aquiliano, segundo o qual a culpa, ainda que levíssima, obriga a indenizar.. Após a Revolução Francesa (1789), já na Idade Contemporânea, surge o Código de Napoleão (Código Civil Francês de 1804), que prevê a responsabilidade contratual, a distinção entre a responsabilidade penal e a civil, e encontramos em seu artigo 1.382 a responsabilidade civil subjetiva, que se baseia na culpa do agente, distinguindo-se da tipicidade característica dos ordenamentos anteriores, e que estabelecia que “tout fait quelconque de l’homme, qui cause à autrui un dommage, oblige celui par la faute duquel il est arrivé, à le réparer”2. Este Código exerceu grande influência sobre as codificações que se seguiram, inclusive sobre o Código Civil Brasileiro de 1916.. No Brasil, as Ordenações do Reino não destinguiam o ilícito civil, e recorriam subsidiariamente ao Direito Romano e à Lei de Boa Razão (Lei de 18 de Agosto de 1769). Com o Código Criminal de 1830, foi previsto o instituto da satisfação, que estabelecia o dever de reparação do dano causado. O Código Civil Brasileiro de 1916, no seu artigo 159, determinava: Aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.3. A legislação civil pátria adotou a culpa como fundamento da responsabilidade civil (responsabilidade civil subjetiva). Era de somenos importância ser a conduta do agente dolosa, imprudente, negligente ou imperita, qualquer das espécies de culpa são suficientes para caracterizar a. 2. GIORDANI, José Acir Lessa, A Responsabilidade Civil Objetiva Genérica no Código Civil 2002, 2 ed, Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2007, p. 8. ‘‘Todo ato, qualquer que seja, de homem que causar a outrem um dano, obriga aquele por culpa do qual ocorreu, a repará-lo’’.(tradução do autor) 3 BRASIL, Códigos, 3 ed, São Paulo: Manole, 2004, p. 506..

(5) responsabilidade civil, independentemente da gravidade do ato, bastando a existência de culpa levíssima para levar à obrigação de reparar.. Continua sendo a regra no Código Civil de 2002 a exigência da culpa, conforme foi exposto acima, basta combinarmos os preceitos do artigo 927, caput, com o artigo 186.. Enquanto o caput do artigo 927 estipula que “aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”, o disposto no artigo 186 deixa claro que a culpa normalmente é exigida para a configuração da responsabilidade civil (“Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”). A razão é que se exige ser culposa a conduta causadora do dano, seja em decorrência de imprudência ou de negligência, na qual se insere a imperícia de maneira implícita..

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