Homem como ser social
A psicologia social tem como objecto o estudo da influência do meio social no
comportamento, no pensamento e nos sentimentos dos seres humanos. É o estudo das
interacções.
Cultura
Conjunto de produções humanas como: crenças, conhecimentos, valores, normas, comportamentos, produções técnicas, científicas, artísticas, etc.
É tudo o que no meio é devido ao Homem e que é transmitido de geração em geração. Traduz-se por padrões de comportamento e pensamento (padrões de cultura).
Padrões de
cultura
Modelos de comportamento, pensamento, valores e formas de agir de uma dada cultura.
Permitem prever, até certo ponto, o comportamento das pessoas que pertencem a uma comunidade.
Orientam os processos sociais e enquadram as experiências individuais e colectivas.
Relatividade
cultural
Conceito que designa a existência de uma multiplicidade de normas, hábitos, comportamentos, crenças e costumes específicos de uma comunidade e que, consequentemente, implica diferentes formas de agir, pensar e sentir por parte dos seus membros.
Variabilidade de respostas que corresponde a diferentes formas de as comunidades humanas responder às necessidades que resultam da relação com o meio e com os outros.
Diferentes comunidades desenvolvem padrões culturais próprios.
Aculturação
Modificação dos modelos culturais devido ao contacto de uma comunidade ou pessoa com uma cultura que não é originalmente a sua.
Socialização
Socialização
Processo de integração do indivíduo numa sociedade que decorre desde que a pessoa nasce até morrer.
Consiste na apropriação de comportamentos e atitudes que permitem a inserção da pessoa numa sociedade.
As pessoas não são mero “produto” da influência social. O indivíduo é um elemento activo na construção da sua personalidade e no modo como se integra na vida em sociedade.
Socialização
primária
Processo de integração social que ocorre durante a infância e a adolescência.
Processo em que o indivíduo adquire competências sociais básicas, comportamentos, normas e valores.
Socialização
secundária
Processo de integração social a partir da idade adulta, sempre que ocorre um processo de adaptação a novas situações sociais, que implique novas competências.
Mantém-se o processo de interiorização de modelos de comportamento, de normas e valores.
Agendes de
socialização
Grupos sociais, estruturas, instituições que introduzem as normas, valores e comportamentos vigentes numa sociedade.
Na infância e na adolescência: Família, escola, grupos de pares e meios de comunicação.
Na idade adulta: grupos socioprofissionais, grupos de amigos, grupos religiosos, grupos políticos e meios de comunicação.
Os diferentes agentes de socialização são responsáveis pela formação e mudança das atitudes.
Atitudes
Atitudes
Tendência para responder a um objecto social – situação, pessoa, acontecimento – de modo favorável ou desfavorável.
A atitude não é um comportamento mas uma predisposição, uma tendência relativamente estável para uma pessoa se comportar de determinada maneira.
Não são directamente observáveis: inferem-se dos comportamentos. Também é possível, a partir de um comportamento, inferir a atitude que esteve na sua origem. As reacções de uma pessoa face a uma situação podem permitir prever a atitude que
lhe está subjacente.
Componentes das
atitudes
Componente Cognitiva
Conjunto de ideias, informações e crenças que se têm sobre um dado objecto social (pessoa, grupo, objecto, situação).
Componente Afectiva
Conjunto de valores, sentimentos e emoções, positivas ou negativas, relativamente ao objecto social (pessoa, grupo, situação, objecto).
Componente Comportamental
Conjunto de reacções, de respostas face ao objecto social (pessoa, grupo, objecto, situação).
Esta disposição para agir de determinada maneira depende das crenças e dos valores que se têm relativamente ao objecto social.
Formação e
mudança das
atitudes
As atitudes são aprendidas no processo de socialização. São vários os agentes sociais responsáveis pela formação e modificação das atitudes: os pais e a família, a escola, o grupo de pares e os mass media.
Na família, são os parentes mais próximos, sobretudo os pais, que exercem um papel fundamental na formação das primeiras atitudes nas crianças. São modelos que imitam e com os quais se procuram identificar. Para além dos professores e dos grupos de pares, os meios de comunicação social têm também uma grande influência na formação de novas atitudes ou no reforço das que já existem.
Apesar da relativa estabilidade das atitudes, estas podem mudar ao longo da vida por influência dos diferentes agentes de socialização.
Medida das
atitudes
São constituídas por questionários formados por um conjunto de afirmações relativamente às quais as pessoas registam o seu posicionamento.
Duas das escalas mais importantes: Escala de Lickert e Thurstone. Têm o mesmo objectivo, distinguem-se pelo modo como se regista a concordância/discordância face às afirmações.
Escala de Lickert: as pessoas têm de registar o seu nível de concordância, que pode variar numa escala de cinco valores entre concordo totalmente ou discordo totalmente. Escala de Thurstone: face a uma afirmação, as pessoas manifestam a sua concordância
assinalando um V ou a sua discordância assinalando com um X.
Estereótipos
Conjunto de ideias simplificadas e relativamente rígidas que resultam de generalizações sobre pessoas, grupos ou situações.
É um esquema cognitivo que condensa um conjunto de características. Pode ser positivo ou negativo.
Preconceito
Atitude que parte de um pré-julgamento, na maior parte das vezes negativo, sobre um objecto social (pessoas, situações, ou grupos).
É uma atitude sem fundamento, constituída, na maior parte das vezes, sem haver contacto directo com o objecto social, que pode conduzir à discriminação. (Componente afectiva).
Grupo Social
Podemos definir grupo social como um conjunto de pessoas que: Têm objectivos comuns cooperando para os atingir;
Interagem com frequência; Têm papéis interdependentes; Partilham valores e normas;
Mantêm uma relativa permanência no tempo e estabilidade;
Apresentam diferenciação de funções (têm um sistema de estatutos e papéis); Desenvolvem actividades em conjunto;
Reconhecem-se e são reconhecidos pelos outros como sendo um grupo.
Integrando no meio social, o indivíduo pertence a vários grupos: família, escola, grupo de amigos, associações recreativas, desportivas, humanitárias, etc. Pode-se dizer que a vida social se encontra organizada em grupos nos quais as pessoas integram. Não se pode confundir o grupo com outros conjuntos sociais, em que pode haver uma
proximidade física e uma eventual mas breve comunicação. É o caso de uma manifestação ou um ajuntamento.
Grupo primário
Grupo constituído por um número restrito de indivíduo que comunicam directamente. Os seus membros mantêm relações espontâneas, intensas e marcadas pela
afectividade.
As relações são prolongadas no tempo. Ex: família, turma, grupo de amigos.
Grupo secundário
Grupo geralmente de grande dimensão em que a comunicação se faz na maior parte das vezes de forma indirecta.
As relações que se estabelecem são determinadas pelas relações de trabalho e pelas posições ocupadas na hierarquia de grupo.
Ex: empresas, sindicatos, partidos políticos, etc.
Redes de comunicação
Redes de
comunicação
Representam a estrutura de um grupo ou organização.
Reproduzem os modelos de transmissão de mensagens que se estabelecem entre os seus membros.
Redes
centralizadas
Redes em que predomina um tipo de estrutura de comunicação em que toda a informação passa por um elemento do grupo. É este elemento que decide se a comunicação é assada para os outros elementos ou não.
Em tarefas simples a informação circula rapidamente e com poucas distorções; permitem rapidez e eficácia.
O nível de satisfação dos membros do grupo é baixo. Ex: rede em estrela e rede em Y.
Redes
descentralizadas
Redes em que predomina um tipo de estrutura de comunicação em que nenhum elemento tem acesso privilegiado à informação.
A comunicação circula entre todos os elementos, que interagem livremente. É um tipo de rede que favorece a resolução de problemas complexos.
O nível de satisfação e segurança dos membros é maior do que nas redes centralizadas.
Ex: rede em círculo e em cadeia.
Características
Redes centralizadas
(estrela e em Y)
Redes descentralizadas
(círculo e cadeia)
Resolução do problema
Rápida
Lenta
Ênfase do problema
Marcada
Nenhuma
Moral dos participantes
Pobre
Muito boa
Abertura para a mudança
Lenta
Rápida
Liderança
Líder autoritário ou
autocrático
Comanda todas as actividades, que define e distribui as tarefas, tomando todas as iniciativas sem consultar o grupo.
Não comunica os objectivos a atingir. Toda a comunicação passa pelo líder. Não é objectivo nas apreciações, recorrendo
ao elogio e à crítica destrutiva.
Não esclarece os critérios subjacentes à avaliação que faz.
A quantidade de trabalho produzido é elevada.
O nível de motivação e satisfação é baixo.
Há desinteresse e desinvestimento. São frequentes os conflitos entre os
membros que constituem o grupo.
Líder permissivo
ou laissez-faire
Não assume a orientação do grupo.
Só intervém quando solicitado, não tomando iniciativas nem decisões.
Procura não avaliar os elementos do grupo. Quando avalia é muito subjectivo nas suas
apreciações.
A quantidade e qualidade de trabalho produzido são baixas. O nível de motivação e satisfação é
baixo.
São frequentes as discussões e os conflitos entre os membros do grupo.
Líder democrático
Consulta os elementos do grupo sobre a forma como o trabalho deve decorrer. O grupo participa nas suas decisões
contribuindo na definição de estratégias e meios para atingir os objectivos.
Procura ser objectivo nas avaliações que faz sobre o trabalho produzido.
A produtividade é satisfatória. Os membros apresentam elevados
níveis de motivação e satisfação. As relações entre os elementos do
grupo são marcadas pela cooperação e entreajuda.
Interacção grupal
Interacção grupal
Influência mútua que os membros do grupo exercem entre si. O conformismo é uma forma de interacção, de influência grupal.
Os grupos, têm que se reger por normas que devem ser aceites pelos seus membros. A coesão do grupo depende dessa aceitação sendo exercidas influências e pressões nesse sentido.
Conformismo
Forma de influência social que consiste na adopção do mesmo comportamento ouatitudes que os outros elementos do grupo que adoptam.Inconformismo
Adopções de atitudes que não respondem às expectativas do grupo.
As pessoas que adoptam atitudes inconformistas são objecto de crítica social que pode ir desde o sarcasmo, à sanção, ou até à marginalização.
Estatuto
Conjunto de comportamentos e atitudes que se espera da parte dos outros tendo em conta a posição que se ocupa na hierarquia social, no interior dos grupos sociais. Corresponde à posição e direitos de um indivíduo num grupo.
O papel exercido pelo indivíduo decorre do respectivo estatuto.
Papel
Conjunto de comportamentos e atitudes que os outros esperam de uma pessoa tendo em conta a posição que ela ocupa num grupo.
O papel depende do estatuto num grupo.
Corresponde ao conjunto de deveres de um indivíduo num grupo.
Conflito interpapéis
Conflito que pode ocorrer quando uma pessoa para responder a um papel ficaimpossibilitado de responder a outro.
Conflito de
descontinuidade de
papéis
Conflito que pode ocorrer quando um indivíduo passa a desempenhar funções inferiores às anteriormente ocupadas. Corresponde geralmente a uma perda de poder e prestigio.