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DECISÃO ADMINISTRATIVA CAUTELAR

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Processo Administrativo nº 2575/2013

Auto de Infração nº 045/2013

Interessado: NÚCLEO MUNICIPAL DE PROTEÇÃO E DEFESA DO

CONSUMIDOR - PROCON-LD

Fornecedor: A M DE ANDRADE FERRER - MÓVEIS - ME (DEGRAUS

DESIGN)

DECISÃO ADMINISTRATIVA CAUTELAR

I - RELATÓRIO

Em monitoramento dos registros de reclamações, constantes do sistema CELEPAR, foi verificado que a empresa A M DE ANDRADE FERRER - MÓVEIS - ME (DEGRAUS DESIGN) foi condenada por este PROCON-LD, em decisão administrativa proferida nos Autos do Protocolo sob nº. 7751/2012, redundando na imposição do pagamento de multa, por não ter prestado a devida assistência técnica em bem por si comercializado, decisão esta que já se tornou definitiva, tendo em vista o transcurso in albis do prazo para recurso perante a Secretaria de Governo.

Face ao exame posterior e aprofundado dos registros de reclamações em face da referida Fornecedora, pela Gerência de Fiscalização e Atendimento, foi verificada uma grande quantidade de registros em seu desfavor, sendo que foram constatados no sistema 24 (vinte e quatro) registros de reclamações sobre vício em produto e na prestação de serviços, principalmente:

a) falta de cumprimento de oferta;

b) não observância no prazo de entrega;

c) entrega de produtos não adquiridos pelo consumidor; d) entrega de produtos já contendo avarias e vícios; e) não prestação de assistência técnica.

Em virtude da grande quantidade de reclamações apresentadas perante este Órgão Protetivo, e de sua gravidade, foi solicitado ao Setor de Fiscalização, a elaboração de um relatório acerca do principal motivo de reclamação por parte dos consumidores.

Realizado o relatório pela Gerência de Fiscalização, cuja cópia segue em anexo, passou-se a análise do mesmo, ocasião na qual foi constatada a existência de 24 (vinte e quatro) reclamações, consistentes no descumprimento de

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oferta/contrato, vez que não foram entregues os produtos adquiridos no prazo e na forma pactuados, ou, em algumas situações, o Fornecedor cumpriu apenas parcialmente os contratos celebrados, sendo ainda que, em alguns casos, os produtos apresentaram vícios, os quais não foram sanados pela assistência técnica.

Deste modo, foram avocados os autos dos protocolos mencionados no relatório em anexo e, compulsando-os, os Fiscais entenderam haver indícios suficientes de práticas infrativas pelo Fornecedor A M DE ANDRADE FERRER - MÓVEIS - ME (DEGRAUS DESIGN), o que ensejou a lavratura do Auto de Infração sob nº. 045/2013, nos seguintes termos:

“Conforme protocolos de atendimento abaixo discriminados, os consumidores relatam que tiveram problemas com a entrega e instalação de produtos adquiridos junto ao fornecedor DEGRAUS DESIGN, ou ainda, a existência de vícios nos produtos comprados, sem a prestação da devida assistência do fornecedor supracitado. Conforme protocolo de atendimento nº 1741/2013, a consumidora [omissis], comprou um jogo de mesa e cadeiras em 04/11/2012 no valor total de R$ 1.699 (fls. 03 dos autos da mesma reclamação). O produto foi entregue com o tampo de vidro da mesa riscado, tendo sido prometido pelo fornecedor a troca, o que não foi cumprido, então a consumidora compareceu ao PROCON-LD para solicitar a troca das partes viciadas. Conforme protocolo de atendimento nº 1617/2013, a consumidora [omissis], comprou um jogo de mesa e cadeiras em 21/02/2013 no valor total de R$ 1.900 (fls. 03 dos autos da mesma reclamação), sendo que foram entregues duas cadeiras diferentes das demais, também sendo prometida a troca, o que não ocorreu, dessa forma, a consumidora solicitou o cancelamento da compra, pela falta de cumprimento da oferta. Conforme protocolo nº 8151/2012, o consumidor [omissis], comprou um jogo de mesa e seis cadeiras em 12/08/2012, no valor total de R$ 2.279 (fls. 04 dos autos da mesma reclamação ), sendo que a primeira entrega foi de peça de mostruário, não aceita pelo consumidor, e mesmo após a troca, as novas peças também apresentaram vícios sendo realizadas outras cinco trocas, sem resolver o problema, diante do exposto, o consumidor solicitou o cancelamento da compra e devolução do valor pago. Conforme protocolo de atendimento nº 7518/2012, a consumidora [omissis], comprou diversos produtos em 30/03/2012 no valor total de R$ 6.800 (fls. 03 dos autos da mesma reclamação ), tendo cancelado parte do pedido, ficando apenas com um jogo de sofá e um jogo de mesa. O sofá entregue era diferente do que foi escolhido na loja, além de ambos apresentarem vícios. A assistência não foi satisfatória, sendo prometido a troca dos produtos, mas não cumprida pelo fornecedor. A solicitação feita por intermédio do PROCON-LD foi de troca do sofá, e assistência ou troca da mesa, além da nota fiscal dos produtos. Conforme protocolo nº 7128/2012, o consumidor [omissis], relata que comprou diversos produtos em 08/09/2012, dentre eles um sofá e serviço de impermeabilização no valor total de R$ 1.850 (fls. 03 c/c fls. 01 dos autos da mesma reclamação), sendo que foi entregue produto diferente do solicitado, além de não ter sido realizado corretamente o serviço contratado. O consumidor não conseguiu

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realizar a troca diretamente com o fornecedor, e solicitou por intermédio do PROCON-LD a entrega do produto correto, além das notas fiscais. Conforme protocolo nº 5715/2012, a consumidora [omissis], adquiriu um armário embutido em 23/05/2012, no valor de R$ 3.600, sendo que o fornecedor não concluiu a instalação do produto de forma satisfatória, além de deixar de entregar duas prateleiras, e como não conseguiu a entrega final diretamente com o fornecedor, foi solicitado a execução do serviço contratado. Conforme protocolo n. 6735/2011, a consumidora [omissis], relatou ter adquirido um guarda roupas com espelho, no valor de R$ 1034,00, na data de 21/05/2011, tendo sido o mesmo entregue apenas parcialmente, tendo em vista a falta do espelho. Nas sete reclamações, o fornecedor foi devidamente notificado com A. R juntado aos autos, entretanto, em nenhuma reclamação houve manifestação do mesmo junto ao PROCON-LD, tampouco resolução da questão diretamente com o consumidor, conforme termos de declaração também anexados aos autos. Ressalte-se ainda, de maneira a comprovar a gravidade da conduta , que: 1. que em todas as reclamações houve atraso na entrega dos produtos, ou até a não entrega de partes do pedido; 2. Que em 2 (dois) dos 7 (sete) casos em tela - a saber, nos casos das reclamações sob os protocolos 7518/2012; 7128/2012 – os consumidores realizaram, como maneira de tentar resolver o problema causado pelo Fornecedor, pedidos alternativos, e que nem mesmo assim o Fornecedor procurou resolver as questões. Por estes motivos, autua-se o Fornecedor DEGRAUS DESIGN, com os fundamentos legais abaixo elencados.”

Ato contínuo, em virtude da gravidade dos fatos constatados pelo Setor de Fiscalização, e da falta de qualquer pronunciamento do Fornecedor, que não se digna, após as devidas notificações, a resolver os problemas, muito menos a apresentar defesa, esta Coordenadoria, com o objetivo de examinar o potencial efeito lesivo ou ofensivo para a coletividade londrinense, avocou os Autos de Infração sob nº 045/2013, que contempla e analisa apenas 7 (sete) reclamações (das 24 existentes), declarando a existência de infrações aos art. 6º, VI, art. 18, §1º, I e II, art. 35, I, II e III, além do art. 39, XII, todos da Lei nº. 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor).

Destarte, por todo o relatado nos autos de infração mencionados, bem como em razão da inércia e do descaso do Fornecedor em sequer responder as numerosas notificações emitidas por este PROCON-LD, visto que o mesmo, a partir do ano de 2011, não se dignou sequer a apresentar manifestação nas reclamações registradas, foi proferida a decisão abaixo fundamentada.

II - FUNDAMENTAÇÃO

Considerando que foram constatadas pelos Fiscais, em 07 (sete) diferentes reclamações fundamentadas, que resultaram na lavratura dos Autos de

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Infração sob nº 045/2013, o descumprimento pela A M DE ANDRADE FERRER - MÓVEIS - ME (DEGRAUS DESIGN), dos arts. 6º, VI; art. 18, §1º, I e II; art. 35, I, II e III; e art. 39, XII, todos da Lei nº. 8.078/90, redundando em infração a direitos básicos do consumidor, bem como no descumprimento de oferta e em prática abusiva;

Considerando também, em exame de cognição sumária, que as práticas de não cumprir a oferta ou contrato, não observar prazo de entrega, não prestar assistência técnica, entregar produto contendo vícios e avarias, entregar produtos não adquiridos pelo consumidor, bem como as demais relatadas, podem ser consideradas como reiteradas, na medida em que existem, em trâmite neste Órgão, mais 09 (nove) reclamações sobre os mesmos temas, que ainda não sofreram apreciação pela Gerência de Fiscalização, conforme relatório anexo;

Considerando ainda, também em exame de cognição sumária, que as práticas já autuadas podem ser classificadas como vícios de qualidade e quantidade na comercialização de produtos e serviços, na razão em que os produtos e serviços fornecidos não oferecem a segurança e a qualidade legitimamente esperadas pelo consumidor, uma vez que existe disparidade com as condições indicadas na oferta, inclusive no que se refere ao prazo para entrega, e que em alguns casos não foi prestada a devida assistência técnica, conforme art. 12, §1º, art. 14, §1º, art. 18, art. 19, e art. 20, todos da Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor);

Considerando, da mesma forma, que o fato de não responder as insistentes e devidas notificações do Procon-LD, motivadas por numerosas reclamações efetuadas por consumidores, pode indicar total descaso e desídia, não só pela atuação do Órgão Protetivo, mas o que é mais grave, pelos direitos e interesses de seus próprios consumidores;

Considerando também, que a Fornecedora já foi condenada por este PROCON-LD, em recente decisão administrativa, proferida nos Autos do Protocolo sob nº. 7751/2012, redundando na imposição do pagamento de multa, por não ter prestado a devida assistência técnica em bem por si comercializado, já com trânsito em julgado, de modo que se indica que a prática consignada nos Autos de Infração sob nº. 045/2013, pode ser considerada como reiterada.

Considerando que os Autos de Infração sob nº. 045/2013, cuja lavratura se deu em razão de 07 (sete) reclamações fundamentadas, deve gerar defesa pela empresa A M DE ANDRADE FERRER - MÓVEIS - ME (DEGRAUS DESIGN), e antes de qualquer julgamento de mérito por parte desta Coordenação, na medida em que são assegurados, também em sede de procedimento administrativo, os direitos constitucionais à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, nos exatos termos do art. 5º, incs. LIV e LV, da Constituição Federal de 1988; mas levando-se em consideração também a potencialidade de ocorrência de dano irreparável ou de difícil reparação à massa de consumidores da Cidade de Londrina, visto que os contratos envolvem quantias de valor

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E, considerando ainda:

- o dever do Estado de promover a defesa do consumidor (art. 5º, XXXII, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988);

- o dever do Estado de assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social, observado, dentre outros, o princípio da defesa do consumidor (art. 170, inc. V, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988);

- os objetivos da Política Nacional das Relações de Consumo, no que pertine:

a) a atender às necessidades dos consumidores, de respeito à sua dignidade, de proteção de seus interesses econômicos, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo (art. 4º, caput, da Lei nº. 8.078/90);

b) a proteger efetivamente o consumidor por iniciativa direta, pela presença do Estado no mercado de consumo e pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho (art. 4º, inc. II, da Lei nº. 8.078/90);

c) a compatibilizar a proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores (art. 4º, inc. III, da Lei nº. 8.078/90);

d) a coibir e reprimir todos os abusos praticados no mercado de consumo que possam causar prejuízos aos consumidores (art. 4º, inc. VI, da Lei nº. 8.078/90);

Considerando, por último, a necessidade do cumprimento do direito básico dos consumidores à efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, inclusive coletivos e difusos (art. 6º, VI, da Lei nº. 8.078/90), esta Coordenadoria Executiva, Unidade do Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, que é Órgão da Administração Pública Direta, por entender a existência dos requisitos do fumus boni iuris, bem como do periculum in mora, passa a decidir da seguinte forma.

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Por tudo quanto foi relatado e fundamentado, a fim de

proteger direitos coletivos e difusos da população londrinense, evitando

que a massa de consumidores dos produtos e serviços ofertados pelo

autuado venha a sofrer danos materiais e morais em razão de eventual

vício de qualidade e quantidade,

e com fundamento no art. 56, inc. VI, e

parágrafo único, c/c art. 58, ambos da Lei nº. 8.078/90, c/c art. 18, inc VI, do Decreto Federal nº. 2.181/97, bem como art. 6º, inc. VI, do Decreto Municipal nº. 436/2007,

DETERMINO, cautelarmente, a SUSPENSÃO DO FORNECIMENTO

DE PRODUTOS E SERVIÇOS pela A M DE ANDRADE FERRER -

MÓVEIS - ME (DEGRAUS DESIGN), compreendendo A PROIBIÇÃO

DE REALIZAR, no âmbito do Município de Londrina, Paraná, novos

contratos de venda de produtos ou de prestação de serviços, de

quaisquer

natureza,

POR

SI

OU

POR

INTERMÉDIO

DE

REPRESENTANTES COMERCIAIS, PREPOSTOS, EMPREGADOS,

EMPRESAS AUTORIZADAS, CONCESSIONÁRIOS, FRANQUEADOS

OU POR QUALQUER INTERPOSTA PESSOA, sob pena de se

caracterizar crime de desobediência, nos termos do art. 33, §2º, do

Decreto Federal nº. 2.181/97, perdurando a presente proibição até

que sejam resolvidos os problemas relatados em todas as 16

(dezesseis) reclamações pendentes neste PROCON-LD, constantes

do relatório em anexo.

Que a fim de dar cumprimento à presente decisão, com

plena efetividade, determino também que o estabelecimento

comercial ou fundo de comércio da referida empresa, sito em

Londrina, Paraná, na avenida Juscelino Kubitscheck, nº 658, seja

devidamente lacrado pelo Setor de Fiscalização, deixando via de

acesso para atendimento dos consumidores em relação ao

contratos já firmados até esta data, bem como os consumidores

que propuseram as reclamações que motivaram esta decisão.

Isto posto, intime-se o Fornecedor A M DE ANDRADE

FERRER - MÓVEIS - ME (DEGRAUS DESIGN) para que dê

cumprimento imediato à presente decisão.

Expeça-se ofício para a Promotoria de Defesa do

Consumidor, extraindo-se cópia da presente decisão e dos documentos

que a acompanham, a fim de que possa tomar as medidas que entender

necessárias.

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Londrina, 17 de maio de 2013.

RODRIGO BRUM SILVA Coordenador Executivo

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