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Revestimentos comestíveis aplicados em frutas e hortaliças

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Academic year: 2021

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Revestimentos comestíveis

aplicados em frutas e hortaliças

Disciplina: Tecnologia Pós-Colheita de Produtos Hortícolas

Dra. Paula Porrelli Moreira da Silva

Dra. Jacqueline de Oliveira

Laboratório de Frutas e Hortaliças

(2)

AGENDA

1. Contextualização

2. Definição

3. Efeitos em frutas e hortaliças

4. Tipos e propriedades de revestimentos comestíveis

5. Modo de aplicação de revestimentos em frutas e hortaliças

6. Aditivos em revestimentos comestíveis

7. Estudos na área

(3)

“Da lavoura ao lixo”

https://www.dinheirorural.com.br/da-lavoura-ao-lixo/

04/06/2018

Introdução - Perdas pós-colheita

https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio- ambiente/2020/09/desperdicio-e-perda-de-comida-aumentam-no-brasil-durante-a-pandemia-sao-paulo

(4)

Introdução - Perdas pós-colheita

Perda pós-colheita:

produtos colhidos e não consumidos

○ indireta: energia, água, insumos, etc.

● Onde ocorrem?

○ campo (colheita), beneficiamento e transporte

○ varejo (armazenamento inadequado)

○ consumidor

Ações que podem reduzir as perdas*

:

○ treinamento dos envolvidos no setor

○ beneficiamento e classificação eficientes

○ embalagens modernas e eficientes

(5)

Introdução - Outro problema...

● Uso excessivo de

embalagens plásticas

○ alto custo ambiental na sua produção (derivados de petróleo,

emitem gases tóxicos e efluentes, consumo de água e energia)

○ descarte incorreto no ambiente (vai para mares, rios, bueiros) =

aumento da poluição e pouco é reciclado

● Ações para o consumo consciente de sacolas plásticas

○ atitude responsável de cada um: Recusar, reduzir, reutilizar

○ sacolas retornáveis*

○ sacos de papel (aumento do uso de celulose), plástico

biodegradável...

(6)

Planeta plástico

Revista Pesquisa FAPESP Ed. 281, jul. 2019 https://revistapesquisa.fapesp. br/planeta-plastico/ Brasil: 4° maior gerador de resíduos plásticos do mundo.

(7)
(8)

https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Empresas-e-Negocios/noticia/2016/04/comida-granel.html

Emiliano do Amaral no Armazém Cerealista, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo

(9)

Embalagens para frutas e hortaliças

● Finalidades (principais):

○ proteger o alimento contaminações ou perdas;

○ facilitar e assegurar o transporte;

○ facilitar a distribuição;

○ identificação do produto: qualidade, quantidade, fabricante,

características nutricionais;

● Requisitos (principais):

○ ser atóxica e oferecer proteção sanitária

○ proteger contra: perda de umidade, transferência de gases,

aromas;

(10)

Os materiais dessas embalagens protegem o alimento, e também

interagem com o produto e o meio ambiente , conservando as funções e

qualidade do alimento, além de aumentar a sua vida útil com segurança

de uso.

Embalagens ativas ou inteligentes

Exemplos:

1. Filmes plásticos

2. Ceras diversas aplicadas nas superfícies dos produtos

3. Revestimentos comestíveis  embalagens antimicrobianas

https://ital.agricultura.sp.gov. br/arquivos/cetea/informativo/ v21n1/v21n1_artigo1.pdf https://ainfo.cnptia.embra pa.br/digital/bitstream/ite m/129760/1/antoniolli- XIVENFRUTE-P4-maio2015.pdf

(11)

Revestimentos

comestíveis

Constituem em “nova” tecnologia pós-colheita para

conservação de frutas in natura e minimamente processados.

Podem ser utilizados de forma isolada ou associada às práticas

convencionais.

Melhoram a qualidade de frutas e hortaliças e aumentam o período de vida

útil  benefício em toda a cadeia produtiva

Revestimentos comestíveis biodegradáveis

:

é uma embalagem = aplicado diretamente na superfície do produto.

Material biodegradável: precisa ser completamente degradado em CO

2

,

água, metano e biomassa.

Amido, celulose, proteínas, pectinas, lipídeos = são completamente

biodegradáveis e comestíveis

(12)

Revestimentos

comestíveis

● Revestimentos = recobrimentos = coberturas

● Formulações:

○ Preparadas com substâncias reconhecidas como seguras (GRAS =

Generally recognized as save)

○ lipídeos, proteínas, derivados da celulose e do amido e outros

polissacarídeos

● São aplicados diretamente na superfície de frutas ou hortaliças 

forma-se uma película fina sobre a superfície

● Foram desenvolvidos por causa do interesse dos consumidores em

terem produtos de boa qualidade com longo período de vida útil.

Ausência de toxicidade

(13)

Revestimentos

comestíveis - Finalidades

1.

Controle da transferência de umidade do produto para o

ambiente  perda de massa em frutas e hortaliças frescas

2.

Controle da entrada de O

2

no produto

a. Diminuição da respiração  diminuir a produção de etileno ->

aumento do período de armazenamento

3.

Retenção ou carreamento de aditivos químicos na superfície do

produto  auxiliam na manutenção da qualidade e reduz a

deterioração por microrganismos.

4.

Controlam a perda de voláteis responsáveis pelo

“flavor” do produto

(características sensoriais)

5.

Serem invisíveis e terem aderência suficiente para não serem

facilmente removidos no manuseio

(14)

Recobrimentos comestíveis: vantagens

● Biodegradáveis (consumidos como parte dos produtos)

● Podem ser incorporados com aditivos = melhorar a capacidade sensorial

ou diminuir crescimento microbiano

● Previnem ou reduzem a perda de massa e o murchamento em produtos

frescos

● Criação de atmosfera interna modificada no produto

● Retardamento do amadurecimento em produtos imaturos

● Reduzem a infecção por doenças ou incidência delas  película

protetora com ou sem aditivos antimicrobianos

● Melhora a aparência de frutas e hortaliças: cor mais viva, brilho, ‘frescor’.

● Atuam contra o escurecimento enzimático em frutas minimamente

(15)

Key-words: Composite; Binary; Ternary; Edible films; coatings and Food

packaging

-

Combinação de vários tipos de polímeros para formação do revestimento

comestível.

- Adição de compostos antimicrobianos = revestimentos funcionais

https://doi.org/10.1007/s13197-018-3402-9

(16)
(17)

Revestimentos Comestíveis

• Escolha do revestimento

• Tipos de revestimentos

• Modo de aplicação

• Aditivos em revestimentos

• Alguns estudos

(18)

Revestimentos x Filmes

Estruturas independentes

pré-formadas que envolvem ou

cobrem os alimentos depois de

serem formadas.

Aplicados na forma

líquida ou formados

(19)

Cada fruta apresenta

uma fisiologia própria

Não há um revestimento “universal”, uma formulação que

possa ser aplicada a qualquer fruta indiscriminadamente.

Taxa de respiração;

Maturação;

Senescência.

caracterizando-se como única

do ponto de vista da elaboração

de um revestimento adequado.

(20)

Escolha do revestimento

- Características superficiais da fruta;

- Características do biopolímero ;

- Condições de armazenamento do produto;

- Objetivos almejados para o revestimento.

(21)

Características Superficiais das frutas

Grau de hidrofobicidade deve ser avaliado (pela medida de molhabilidade) A água possui caráter polar e quando ela apresenta com outra superfície um ângulo de contato

< 90° = superfície é considerada hidrofílica (materiais com estruturas nas quais predominam grupos amido, hidroxilas e carboxilas, ou funcionalidades características por ligações covalentes polares).

> 90° = superfície é considerada hidrofóbica (materiais constituídos por moléculas nas quais predominam ligações que tendem a formarem estruturas ou grupos eletricamente neutros, isto é, não configuram regiões ou sítios polares definidos).

(22)

Características Superficiais das frutas

Normalmente recoberto por uma cutícula constituída de material lipídico (caráter hidrofóbico)

Materiais com características semelhantes, em relação a hidrofobicidade, terão maior afinidade.

Um material hidrofóbico adere bem sobre uma superfície hidrofóbica. Enquanto uma material hidrofílico estabelece forte interação com uma superfície hidrofílica.

(23)

Tipos de Revestimentos

As matérias-primas empregadas na formação das coberturas e

revestimentos comestíveis podem ter origem animal ou vegetal

• Polissacarídeos (celulose, pectina, amido, quitosana, etc).

• Lipídios (óleo vegetal / mineral, cera de carnaúba, cera de parafina, cera de abelha) • Proteínas (zeínas, caseína, gelatina, albumina de ovo, etc).

(24)

Propriedades de alguns revestimentos

Cada um desses materiais, isolados ou combinados, apresenta vantagens e desvantagens específicas na forma de coberturas;

Variações nas concentrações e adição de plastificantes e antioxidantes têm sido práticas comuns na busca de formulações que gerem uma maior eficiência dos revestimentos formados.

Polissacarídeos Ceras

(25)

Polissacarídeos

Celulose, gomas (arábica, xantana, guar), pectina, amido e polissacarídeos polieletrólitos como a carboximetilcelulose, a quitina/quitosana, o alginato etc.

(26)

Alginato + CMC

Fonte: Marcos Tosi - Gazeta do Povo

Embrapa desenvolve películas comestíveis de baixo custo que aumentam em até quatro vezes a vida útil das frutas

(27)

• São solúveis em soluções aquosas neutras, levemente ácidas ou alcalinas;

• Apresentam uma melhor dispersão no soluto; • Formação de coberturas mais homogêneas; • Barreira pouco efetiva a umidade;

• As vantagens são maiores nas trocas gasosas do que na diminuição da perda de umidade;

• São recobrimentos mais brilhantes.

Podem retardar a perda de umidade de alguns alimentos, devido à evaporação da umidade do gel antes da desidratação do alimento revestido

(28)

Lipídios

Concentrações = condições de anaerobiose = alterações indesejáveis de sabor e

odor, por serem susceptíveis a oxidação

• Limitar o transporte de umidade, em função de sua baixa polaridade; • Retarda o enrugamento e proporciona brilho;

• Diminuir a abrasividade durante o manuseio; • Diminuir a incidência de queimaduras na casca. • São recobrimentos foscos (precisam de polimento)

(29)

Lipídios

Exemplos

• Ceras naturais* = carnaúba, abelha, candelila, farelo de arroz • Ceras de petróleo = polietileno oxidado

• Óleos = óleos mineral e vegetal

Em geral, em uma tonelada de fruta, se usa um litro de cera.

(30)
(31)

Proteínas

Ex: colágeno, gelatina, zeína do milho, glúten do trigo, isolado proteico de soja e caseína do leite

Principal classe de proteínas para produção de revestimentos comestíveis = classe das zeínas!

Proteínas de reserva do milho;

Hidrofóbicas devido à presença de altos teores de aminoácidos apolares;

Solúveis em álcool para sua extração;

(32)

Proteínas

• Boas propriedades mecânicas e de barreira ( que de polissacarídeos);

• Alguns componentes proteicos podem ser modificados pela adição de ácidos orgânicos ou lipídeos para formar filmes mais aderentes às superfícies dos alimentos.

(33)

Indicativo inicial para escolha do material

Hidrofílicos

Hidrofóbicos

• Superfícies fatiadas;

• Revestimento de frutas com aspectos brilhantes;

• > afinidade por água: > período de superfície hidratada e com aspecto brilhante.

Frutas com alta taxa de transpiração, nas quais a degradação ocorre

essencialmente por perda de água levando a uma rápida desidratação e

alteração do aspecto superficial.

**Essas indicações, contudo, são bastante genéricas. Demais aspectos, tanto da estrutura polimérica quanto das frutas a serem revestidas, devem ser avaliados para que a seleção de uma formulação tenha um resultado final satisfatório

(34)

Fonte: B. Yousuf et al., 2018.

Propriedades de alguns revestimentos

Frutas com alta taxa de transpiração, nas quais a

degradação ocorre essencialmente por perda de

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Revestimentos

Compósitos: bicamada e emulsões

• Cada material de revestimento individualmente tem funções e limitações únicas não sendo eficazes na conservação da qualidade dos frutos e vegetais, por si. Pelo que uma vez juntos podem ver a sua funcionalidade ser reforçada.

Polissacarídeos e Proteínas Lipídeos Ex cel en te ba rrei ra de ox ig ên io Ba rrei ra de ox ig ên io Barreira à um idade Barreira à um idade

(36)

Deposição e formação de filme superficial

• Imersão (procedimento que garante que toda a superfície entre em contato

com a solução filmogênica e uma leve agitação permite o desprendimento

de bolhas, possibilitando uma deposição mais homogênea)

• Aspersão

• Pincel

(37)

• Deposição das espécies poliméricas dissolvidas no meio

• Estabelecimento de ligações fortes ou fracas com a superfície das frutas • Evaporação do solvente e reticulação do polímero: formação da cobertura

(38)

Fonte: Assis e Britto, 2014.

Deposição e formação de filme superficial

Agente formador de filme (macromoléculas, polímeros de

alto peso molecular)

água, etanol, água/etanol

Ácido acético; Hidróxido de amônia

Glicerol; Sorbitol

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Objetivo: aumentar a flexibilidade do recobrimento e favorecer maior adesão do recobrimento

Adição de plastificante no recobrimento

Fruta orgão vivo Processos fisiológicos pequenas alterações (volume e textura) Flexibilidade mínima para acompanhar essas pequenas alterações (sem gerar

trincas e destacamento)

(40)

Os plastificantes são substâncias não-voláteis que, quando adicionadas a um material altera suas propriedades mecânicas e/ou físicas.

Sorbitol, glicerol, propileno glicol, ácidos graxos saturados e

insaturados

Essas alterações estruturais podem reduzir as propriedades de barreira e a aderência, e facilitar a proliferação de fungos.

Adição de plastificante no recobrimento

Elevadas adições de plastificantes devem ser evitadas, já que podem inviabilizar o uso da formulação como

(41)
(42)

O revestimento pode servir como um transportador de ingredientes funcionais: antioxidantes, compostos antimicrobianos, nutrientes e sabores.

Aditivos no recobrimento

A influência de um aditivo dependerá: • Concentração;

• Estrutura química;

• Grau de dispersão no filme;

(43)

Quitosana a 1,5% reduziu significativamente a incidência de podridão final e antracnose em abacates inoculados e naturalmente infectados (14 dias / 7,5°C)

(44)

CH+CI 0,5% e 1,0% = melhores efeitos de preservação em citros sem afetar a cor da fruta.

taxa de doença da fruta; perda de peso;

intensidade respiratória,

(45)

Cera de carnaúba

• Obtida a partir de uma palmeira brasileira;

• Inúmeras marcas comercializadas em diferentes concentrações e misturas;

• Atóxica – pode ser aplicada em produtos que também se consome a casca;

• Facilmente removível com água; • Confere brilho;

• Reduz perda de matéria fresca dos produtos;

(46)

• Apresenta diferentes taxas de permeabilidade ao O2, CO2 e ao vapor d’água em função das propriedades da matéria prima, de sua concentração e da espessura do revestimento.

Cera de carnaúba

Controle Cera + Fungicida Cera + Resina vegetal

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Euphorbia antisyphilitica

(48)

Cera de origem vegetal;

Solúvel em acetona, clorofórmio, benzeno e outros solventes orgânicos

Substância GRASS para aplicação na indústria de alimentos

Minimizou significativamente as mudanças na aparência;

Manteve a firmeza inicial e a textura dos abacates foi melhorada; Manteve a qualidade dos abacateiros e prolongando sua vida útil em comparação com outros tratamentos.

(49)

Colletotrichum acutatum

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Colletotrichum gloesporioides

(Antracnose)

• Valores Luminosidade e Croma foram gradualmente elevado durante o armazenamento, tornando a fruta mais clara e com coloração mais viva. Em frutos tratados com CMC esse processo foi mais lento;

• Manutenção da Firmeza;

• Menor perda de massa durante o armazenamento;

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Desafios

• O sucesso comercial dos revestimentos comestíveis pode ser limitado

devido ao número elevado de fatores que se deve levar em consideração ao aplica-lo.

• Baixa propriedade de barreira contra umidade, fraca adesão superficial de alguns materiais de revestimento;

• Potencial alergênico de revestimento baseados em proteína;

• Qualidade sensorial indesejável de alguns materiais de revestimento e viabilidade de escala para um ambiente industrial.

• Os materiais de revestimento e as formulações devem ser cuidadosamente selecionados e projetados.

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Desafios

Aplicação de revestimento em um ambiente industrial

• Sistema de leito fluidizado exige tombamento intenso: proteger frutas e vegetais contra danos físicos durante a aplicação do

revestimento, proporcionando adesão e durabilidade necessárias ao revestimento.

• Evitar a perda de umidade e a desidratação da superfície durante a secagem após a aplicação do revestimento

A busca de sistemas de aplicação de revestimento mais viáveis, que forneçam distribuição uniforme da solução de revestimento na superfície de frutas e vegetais e uma secagem eficiente, é necessária em escala.

(53)
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Referências

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