Direitos Autorais:
Perguntas e Respostas
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira
Presidente
Diretoria-Geral do Sistema FIRJAN
Augusto Cesar Franco de Alencar
Diretor
Diretoria Regional do SENAI-RJ
Maria Lúcia Telles
Diretora
Diretoria de Educação
Andréa Marinho de Souza Franco
Diretora
Gerência de Educação Profissional
Regina Helena Malta do Nascimento
Direitos Autorais:
Perguntas e Respostas
SENAI-RJ
Rua Maris e Barros, 678
Praça da Bandeira - RJ - 20270-903 Tel: (21) 2587-1323
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Direitos Autorais: perguntas e respostas 2009
Diretoria de Educação
Gerência de Educação Profissional
Equipe técnica
Angela Elisabeth Denecke (GEP) Gisela Gadelha Dantas (DJUR/ GJL) Gisele Rodrigues Martins (GEP) Lienice Silva de Souza (GEP) Márcia Salles (GDP/ DINOD)
Marcelo Breyer Amorim (GDP/DINOD) Vera Regina da Costa Abreu (GEP)
Patrícia Sotello Soares Revisão Gramatical/Editorial
É permitida a reprodução deste material na íntegra, mantendo-se a autoria.
Sumário
Apresentação ... 7
Perguntas e Respostas ... 9
Lei nº 9.610 ... 31
7
APRESENTAÇÃO
A Lei de Direitos Autorais tem se constituído em fon-te de angústia para nós professores. O que posso fazer sem infringir a lei? O que é permitido? O que não posso fazer? Quando estou infringindo a lei? São dilemas com os quais nos deparamos a todo instante no exercício do magistério.No afã de divulgar informação, de dar acesso aos nossos alunos ao que foi produzido sobre determi-nado tema, e também por desconhecimento da própria lei, acabamos por ferir um ou mais artigos dela.
O SENAI-RJ, sabedor dessas questões, entendeu que uma publicação sobre o assunto era uma contribuição essencial ao trabalho de nossos docentes. Nesse sen-tido, apresentamos nesta cartilha, em linguagem sim-ples, algumas das questões que afligem os professores no que se refere a Direitos Autorais e que foram respon-didas pela Departamento Jurídico e Setor de Documen-tação do Sistema FIRJAN também de forma objetiva e clara.
Buscamos incluir nesta cartilha as perguntas que sem-pre ouvimos quando discutimos esse assunto e, se hou-ver alguma que não tenha sido formulada, envie-a para a Gerência de Educação Profissional, que ela será inseri-da na próxima edição desta cartilha.
Além das perguntas e respostas, incluímos, anexa, a Lei 9.610/98, para aqueles que desejem se aprofundar no assunto.
9
1.
Qual a lei que rege o direito autoral no
Brasil?
Atualmente, a proteção ao direito autoral no Brasil é garantida pela Constituição Federal, pelo Código Civil brasileiro, pela Lei federal nº 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais), além de diversos acordos e convenções multilaterais. No que diz respeito à proteção ao programa de computador, aplica-se a Lei nº 9.609/98, conhecida como Lei de Software.
2.
O que é reprodução autorizada de uma
obra?
A reprodução autorizada de uma obra consiste na produção de cópias consentida, de forma prévia e expressa, pelo autor da obra ou por seu substituto.
3.
Quais as punições para quem reproduz
ilegal-mente?
A reprodução não autorizada de uma obra, chamada de contrafação pela Lei 9.610/98, sujeita o infrator à aplicação de punições de natureza
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cível e criminal. As sanções incluem a apreensão e a inutilização das cópias, o pagamento do valor obtido com a venda dos exemplares não autorizados, a destruição dos equipamentos utilizados na produção das cópias e até a pena de multa e/ou detenção que varia entre três meses e quatro anos.
4. O que é “pirataria editorial”?
É a reprodução e a utilização não autorizadas de livros e congêneres com finalidade de lucro.
5.
Por que é crime copiar livros?
Porque a reprodução não autorizada de livros representa uma apropriação injusta de trabalho alheio. O livro é resultado da criação intelectual do autor e da produção editorial do editor. Essas atividades têm custos e precisam ser remuneradas. Então, para proteger o trabalho do autor e do editor, a lei penal transformou a cópia ilegal de livros em crime.
6. Como o professor deve proceder frente à lei
de direitos autorais? O que é permitido?
Primeiramente, é fundamental que o professor conheça a Lei de Direitos Autorais. A lei define
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situações em que o uso de obras alheias é permitido e proibido.
Veja-se um breve passo a passo para sanar dúvidas simples. Em primeiro lugar, há de se examinar se a obra é protegida ou não pela Lei. De acordo com o art. 7º, as obras protegidas são “as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível”, das quais são exemplos os textos de obras literárias, as conferências, as obras dramáticas e coreográficas, as compo-sições musicais, desenhos, fotografias etc. A reprodução desses materiais protegidos, antes que se complete o período de setenta anos após a morte do autor, depende, em regra, da prévia e expressa autorização do autor ou do titular do direito de reprodução.
A autorização, porém, é desnecessária quando a reprodução se enquadra em alguma das hipó-teses de dispensa previstas nos arts. 46, 47 e 48 da Lei de Direitos Autorais.
Art. 46. Não constitui ofensa aos
direi-tos autorais:
I - a reprodução:
a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, pu-blicado em diários ou periódicos, com
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a menção do nome do autor, se assi-nados, e da publicação de onde foram transcritos;
b) em diários ou periódicos, de discursos pronunciados em reuniões públicas de qualquer natureza;
c) de retratos, ou de outra forma de representação da imagem, feitos sob encomenda, quando realizada pelo pro-prietário do objeto encomendado, não havendo a oposição da pessoa neles re-presentada ou de seus herdeiros;
d) de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso exclusivo de defi-cientes visuais, sempre que a reprodu-ção, sem fins comerciais, seja feita me-diante o sistema Braille ou outro pro-cedimento em qualquer suporte para esses destinatários;
II - a reprodução, em um só exemplar
de pequenos trechos, para uso priva-do priva-do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro;
III - a citação em livros, jornais, revis-tas ou qualquer outro meio de comuni-cação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atin-gir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra;
13 IV - o apanhado de lições em
esta-belecimentos de ensino por aqueles a quem elas se dirigem, vedada sua pu-blicação, integral ou parcial, sem auto-rização prévia e expressa de quem as ministrou;
V - a utilização de obras literárias,
artísticas ou científicas, fonogramas e transmissão de rádio e televisão em estabelecimentos comerciais, exclusi-vamente para demonstração à clientela, desde que esses estabelecimentos co-mercializem os suportes ou equipamen-tos que permitam a sua utilização;
VI - a representação teatral e a
exe-cução musical, quando realizadas no recesso familiar ou, para fins exclusiva-mente didáticos, nos estabelecimentos de ensino, não havendo em qualquer caso intuito de lucro;
VII - a utilização de obras literárias,
artísticas ou científicas para produzir prova judiciária ou administrativa;
VIII - a reprodução, em quaisquer
obras, de pequenos trechos de obras preexistentes, de qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásti-cas, sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração nor-mal da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos inte-resses dos autores.
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Art. 47. São livres as paráfrases e
paró-dias que não forem verdadeiras repro-duções da obra originária nem lhe im-plicarem descrédito.
Art. 48. As obras situadas
permanente-mente em logradouros públicos podem ser representadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos audiovisuais.
Além das obras protegidas e das situ-ações de dispensa expressas na Lei, subsistem criações desprotegidas cuja reprodução é livre e irrestrita. É o caso de obras de domínio comum, como re-ceitas culinárias e piadas, e das obras que a Lei expressamente excluiu de sua proteção, dispostas no art. 8º. Quais se-riam elas?
Art. 8º Não são objeto de proteção como
direitos autorais de que trata esta Lei:
I - as ideias, procedimentos
norma-tivos, sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos como tais;
II - os esquemas, planos ou regras
para realizar atos mentais, jogos ou ne-gócios;
III - os formulários em branco para
serem preenchidos por qualquer tipo de informação, científica ou não, e suas instruções;
15 IV - os textos de tratados ou
conven-ções, leis, decretos, regulamentos, deci-sões judiciais e demais atos oficiais;
V - as informações de uso comum
tais como calendários, agendas, cadas-tros ou legendas;
VI - os nomes e títulos isolados;
VII - o aproveitamento industrial ou
comercial das ideias contidas nas obras.
Para o professor, cremos que a norma mais relevante está no art. 46, inc VIII, o qual prevê a possibilidade de livre re-produção de pequenos trechos sem fi-nalidade lucrativa, desde que isso não prejudique a comercialização da obra. A nosso ver, essa previsão autoriza o pro-fessor a distribuir a seus alunos cópias de pequenos trechos de obras protegi-das. Embora a lei não defina a expres-são “pequenos trechos”, a maioria das decisões de nossos Tribunais são no sentido de permitir apenas cópia de me-nos de um capítulo.
Qualquer forma de uso que não se en-caixe nas permissões legais deve ser prévia e expressamente autorizada pelo autor ou titular do direito de reprodu-ção. Para isso, é necessária a celebração de um termo de autorização de uso.
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Finalmente, é importante lembrar que o professor é, antes de tudo, um forma-dor de opinião e cabe a ele esclarecer a respeito da proteção à propriedade intelectual. Ademais, frequentemente o professor é um autor e sabe que escre-ver uma obra demanda longo período de pesquisas. A cópia da obra, contu-do, tira do autor a legítima remuneração por este trabalho.
7.
O professor pode copiar algumas páginas de
um livro para entregar aos alunos?
Sim, essa hipótese se encaixa justamente na permissão inscrita no art. 46, inc. VIII, a respeito de pequenos trechos. É importante notar que a distribuição do material deve ser gratuita, sem finalidade lucrativa – do contrário, haverá crime, conforme a definição do art. 184, §1º do Código Penal.
8.
Colocando-se o nome do autor e a fonte, o
professor pode copiar e entregar aos alunos
um capítulo de um livro?
Não, tendo em vista as considerações feitas no item 6.
17
9.
O professor pode utilizar catálogos/manuais
de empresas para fins didáticos? A cópia
des-ses catálogos é permitida?
Sim, o professor pode empregar catálogos e manuais para fins didáticos, observadas as condições da Lei de Direitos Autorais. Em se tratando de catálogos, a Lei prevê que são obras intelectuais protegidas “as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual” (art. 7º, inc XIII). Dessa redação, depreende-se a proteção dos catálogos. Já no que diz respeito aos manuais, muito embora a Lei não trate expressamente da hipótese, a partir do momento em que as informações são organizadas a ponto de configurar uma criação intelectual, passa a incidir a proteção legal. De toda sorte, se o professor decidir usar mais que pequenos trechos, é importante que a reprodução desses materiais seja autorizada pelas empresas que os confeccionaram. Com frequência, os titulares dos direitos de reprodução concedem gratuitamente a autorização necessária.
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10.
O professor pode copiar partes de livros
para distribuição como material didático em
suas aulas? Em que quantidade?
Sim, a reprodução e a distribuição podem ser realizadas, contanto que observem as condições já expostas nas respostas 6 e 7. Na dúvida, convém que se solicite autorização do autor e da editora para isso.
11.
Se o professor fizer várias cópias de um
tex-to para usar na sala de aula e depois recolher
essas cópias, há infração da Lei?
Não, desde que respeitado o item 10.
12.
Textos/imagens/fotos que estão na internet
são livres para a cópia?
Em regra, não, materiais da internet não estão livres para cópia. A reprodução depende de autorização, ressalvada a hipótese de a obra já ter caído em domínio público (setenta anos após a morte do autor).
A respeito de textos, a possibilidade de cópia deve ainda ser analisada no caso concreto. Primeiro, há que se avaliar se o texto caracteriza uma obra protegida nos termos da Lei, art. 7º. Sendo a resposta afirmativa, deve-se
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então averiguar se a reprodução enquadra-se em alguma das previsões do art. 46, o que dispensaria a necessidade de autorização. Do contrário, é preciso requerer o prévio e expresso consentimento do autor para a reprodução. Já as fotos inspiram duplo cuidado: além da autorização do fotógrafo, caso as pessoas fotografadas sejam reconhecidas, é igualmente necessária a autorização delas para o uso de imagem, salvo no caso de pessoas notórias em exposição pública.
13.
O professor pode copiar fotos, ilustrações de
equipamentos, gráficos, esquemas e colocar
em texto por ele criado?
Depende. Valem as observações da resposta anterior.
Na internet, é relevante também observar se o autor da obra não escolheu, antecipadamente, um tratamento para reprodução. Para isso servem as licenças e os avisos nas páginas visitadas. Assim, se o autor de antemão deixou registrado que autoriza a reprodução para quaisquer fins, novo pedido de autorização é desnecessário. Basta então identificar, na cópia, o autor e a fonte.
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14.
Se a edição do livro estiver esgotada e a
editora tiver sinalizado que não irá fazer uma
nova edição, o livro pode ser copiado? E as
có-pias podem ser distribuídas pelo professor?
Pelo teor da lei, a cópia integral de um livro, ainda que esgotado, não está livremente autorizada. O que se deve fazer é contactar o titular do direito de reprodução, que pode ser o autor, seus herdeiros, a editora ou mesmo um terceiro, e negociar uma autorização. A distribuição das novas cópias deve estar prevista no instrumento de autorização.
15.
O que constitui plágio? Quantas palavras/
linhas/parágrafos podem ser copiados sem
constituir plágio?
Plágio é o ato de apresentar ou assinar como própria uma obra alheia. Não há definição legal específica, mas o Código Penal dispõe no art. 184 uma previsão genérica sobre o crime de violação a direitos autorais na qual o plágio pode ser enquadrado.
Acerca da quantidade de palavras, linhas e parágrafos, não há parâmetro exato para se aferir plágio. A rigor, todavia, qualquer citação deve ser devidamente identificada como tal.
21
16.
A lei de direito autoral permite citações de
obras de outros autores, incluindo a fonte e
o autor?
Sim. Isso está expressamente autorizado pelo art. 46, inc III:
Art. 46. Não constitui ofensa aos
direi-tos autorais:
III - a citação em livros, jornais,
revis-tas ou qualquer outro meio de comuni-cação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atin-gir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra;
17.
Gostaríamos de esclarecimento sobre o que
o artigo 46 da Lei 9.610/98,
principalmen-te no que concerne à questão dos pequenos
trechos.
Art. 46. Não constitui ofensa aos
direi-tos autorais:
VIII - a reprodução, em quaisquer
obras, de pequenos trechos de obras pre-existentes, de qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásticas, sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração normal da obra reproduzida nem cause um
prejuí-22
zo injustificado aos legítimos interesses dos autores.
Pequenos trechos é um conceito jurídico indeterminado. Não há critério cabal, tampouco número fixado. O que se recomenda é o bom senso.
18.
Ao escrever um texto, o autor pode incluir
citações de outros autores sem pedir
permis-são?
Sim. A Lei de Direitos Autorais prevê expressamente que é lícita a citação de “passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra”. (art. 46, inc. III).
19.
Que materiais nossos docentes podem
en-tregar aos alunos sem constituir infração da
lei de direitos autorais?
Além das cópias de pequenos trechos, podem ser entregues materiais que eles mesmos tenham produzido, materiais cedidos por outros profissionais, materiais cujo uso tenha sido expressamente autorizado etc.
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20.
As ilustrações e fotos precisam de cessão
de diretos autorais para seu uso nos
mate-riais didáticos?
É necessário obter o consentimento dos autores das ilustrações, exceto nos casos em que eles tenham antecipado e expressamente autorizado a livre reprodução, ou em que as obras já tenham caído em domínio público. Isso pode ser feito através de um instrumento de cessão, mas normalmente o que se usa é um instrumento de autorização.
Caso haja pessoas identificáveis nas fotos, também é necessária a autorização de uso de imagem.
21.
Quando o professor seleciona
textos/ilustra-ções de diversos autores e cria, dessa forma,
um conteúdo para ser entregue ao aluno, ele
está ferindo a Lei de Direitos Autorais, mesmo
que tenha indicado as fontes de onde
selecio-nou?
Para as ilustrações, em regra, é necessária a autorização de cada autor. A identificação das fontes não dispensa o consentimento dos
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autores, expresso na autorização, ressalvados os casos já expostos acima.
Com relação aos textos, admite-se que o professor efetue reproduções independente de autorização, contanto que suas seleções configurem a hipótese de pequenos trechos, prevista no art. 46, inc VIII.
VIII. A reprodução, em quaisquer
obras, de pequenos trechos de obras preexistentes, de qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásti-cas, sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração nor-mal da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos inte-resses dos autores.
Além dessa, subsistem outras exceções. É expressamente permitida a citação para fins de estudo ou crítica com referência ao nome do autor e à origem da obra, conforme o art.46, inc III. Independente de autorização é permitida, por exemplo, a reprodução de texto jornalístico, com referência à fonte (nome do articulista e do periódico), de textos de lei e de decisões judiciais, de informações de uso comum como calendários, legendas etc.
25
23.
No caso de fotografias em que apareçam
pessoas, temos que pedir cessão de uso de
imagem?
A rigor, deve-se pedir autorização de uso de imagem. A regra é a necessidade de consentimento do fotografado, ressalvadas as hipóteses de pessoas não identificadas e de pessoas notórias em exposição pública.
24.
Ao conteúdo entregue pelo conteudista
cha-mamos de conteúdo bruto, pois no processo
de elaboração, ele sofre alterações feitas nas
diversas etapas (revisão pedagógica, revisão
gramatical e revisão editorial). O texto
resul-tante desse processo difere do original
en-tregue, às vezes pouco, às vezes muito. Esse
texto resultante continua sendo do autor do
original ou passa a pertencer a esse grupo de
profissionais?
O texto alterado pertence ao autor do original. Ele é quem criou a obra. As alterações introduzidas não têm o condão de conferir ao grupo de revisores coautoria. Nesse sentido, veja-se o §1º do art. 15 da Lei 9.610/98:
26
Art. 15. A coautoria da obra é atribuída
àqueles em cujo nome, pseudônimo ou sinal convencional for utilizada.
§ 1º Não se considera coautor quem
simplesmente auxiliou o autor na produ-ção da obra literária, artística ou científi-ca, revendo-a, atualizando-a, bem como fiscalizando ou dirigindo sua edição ou apresentação por qualquer meio.
25.
Para modificarmos o conteúdo bruto
(origi-nal entregue pelo conteudista) precisamos da
autorização do autor?
Sim, as modificações devem ser autorizadas pelo autor.
26.
Como devemos proceder quando da
utili-zação de materiais didáticos elaborados por
funcionários já desligados ou falecidos?
Há de se examinar o que foi ajustado no contrato firmado com os funcionários.
27.
Que nomenclatura deve ser usada na ficha
técnica quando o professor faz uma coletânea
de textos para fins didáticos? Ele precisa da
autorização dos autores?
A primeira parte da pergunta deve ser respondida por uma bibliotecária.
27
Quanto à segunda parte da pergunta, sim, a princípio, o professor precisa da autorização dos autores, exceto se o autor expressamente liberou a reprodução da obra ou se a obra já caiu em domínio público, o que acontece após setenta anos da morte do autor.
28.
Quando são utilizadas ilustrações/desenhos
de outros livros, basta colocar fonte (nome do
livro e nome do ilustrador) ou existem outras
exigências?
O crédito do autor e do titular de direito são sempre necessários, porém, insuficientes. De fato, existe outra exigência: é imprescindível a prévia e expressa autorização de quem detenha os direitos de autor para que a reprodução seja legal.
29.
A cessão de direitos autorais assinada pelo
professor elaborador de material didático
isenta a escola de qualquer responsabilidade
sobre a autoria do conteúdo escrito?
A cessão de direitos autorais torna outrem, diverso do autor, o titular dos direitos patrimoniais previstos na cessão. Caso o professor ceda seus direitos à escola, esta passa a exercitar os direitos sobre a comercialização da obra, tais
28
como a edição, a reprodução etc, na forma e nos limites do termo de cessão.
A cessão é incapaz de transferir à escola a autoria do material. A princípio, a responsabilidade pela autoria é de quem realmente criou o material, isto é, o autor, mesmo que haja cedido seus direitos patrimoniais.
Contudo, a responsabilidade do autor não exclui, de pronto, a da escola em eventual ação de responsabilidade civil. A escola, como prestador de serviço tutelado pelo Código de Defesa do Consumidor, é responsável pela qualidade do que quer que ofereça – inclusive dos materiais didáticos que adota.
Por fim, o termo deve ser redigido de forma a tentar resguardar a escola na hipótese de plágio. Neste caso, numa eventual ação judicial proposta por terceiros prejudicados, a escola terá direito de regresso em face do cedente.
30.
Qual o tempo de duração de uma cessão de
direitos autorais?
Como a lei não fixa de antemão um prazo, o tempo de duração depende do que for estabelecido no contrato pelo acordo das partes. No silêncio do
29
contrato, costuma-se falar que as cessões têm prazo indeterminado, o que não corresponde à verdade. Afinal, a lei é clara: na hipótese de não haver estipulação contratual escrita, o prazo máximo será de 05 (cinco) anos (art. 49, III, da Lei de Direitos Autorais).
31.
Sem a autorização do autor, um conteúdo
pode ser usado em mídia diferente daquela
do original?
Não. A autorização para uso em uma mídia não se estende automaticamente a outra. Assim determina a Lei de 9.610/98, em seu art. 31:
Art. 31. As diversas modalidades de
uti-lização de obras literárias, artísticas ou científicas ou de fonogramas são inde-pendentes entre si, e a autorização con-cedida pelo autor, ou pelo produtor, res-pectivamente, não se estende a quais-quer das demais.
32.
Um conteúdo pode ser traduzido para outra
língua sem autorização do autor?
Não. A Lei de Direitos Autorais exige prévia e expressa autorização do autor para que sua obra seja vertida para outra língua. Confira-se o art. 29, inc IV:
30
Art. 29. Depende de autorização prévia
e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como:
(...)
IV - a tradução para qualquer
idio-ma;
Em síntese, os termos de cessão/auto-rização devem ser redigidos de forma clara, objetiva e detalhada, uma vez que os referidos instrumentos jurídi-cos serão interpretados de forma res-tritiva (art. 4º, da Lei de Direitos Auto-rais). Melhor dizendo, só vale o que está escrito!
31
LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998
Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Título I
Disposições Preliminares
Art. 1º - Esta Lei regula os direitos autorais,
entendendo-se sob esta denominação os di-reitos de autor e os que lhes são conexos.
Art. 2º - Os estrangeiros domiciliados no
ex-terior gozarão da proteção assegurada nos acordos, convenções e tratados em vigor no Brasil.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto nesta
Lei aos nacionais ou pessoas domiciliadas em país que assegure aos brasileiros ou pessoas domiciliadas no Brasil a reciproci-dade na proteção aos direitos autorais ou equivalentes.
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Art. 3º - Os direitos autorais reputam-se, para
os efeitos legais, bens móveis.
Art. 4º - Interpretam-se restritivamente os
ne-gócios jurídicos sobre os direitos autorais.
Art. 5º - Para os efeitos desta Lei,
considera-se:
I - publicação - o oferecimento de obra
lite-rária, artística ou científica ao conhecimen-to do público, com o consentimenconhecimen-to do au-tor, ou de qualquer outro titular de direito de autor, por qualquer forma ou processo;
II - transmissão ou emissão - a difusão de
sons ou de sons e imagens, por meio de ondas radioelétricas; sinais de satélite; fio, cabo, ou outro condutor; meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético;
III - retransmissão - a emissão simultânea
da transmissão de uma empresa por ou-tra;
IV - distribuição - a colocação à disposição
do público do original ou cópia de obras li-terárias, artísticas ou científicas, interpreta-ções ou execuinterpreta-ções fixadas e fonogramas, mediante a venda, locação ou qualquer outra forma de transferência de proprieda-de ou posse;
V - comunicação ao público - ato mediante
o qual a obra é colocada ao alcance do pú-blico, por qualquer meio ou
procedimen-33
to e que não consista na distribuição de exemplares;
VI - reprodução - a cópia de um ou vários
exemplares de uma obra literária, artística ou científica ou de um fonograma, de qual-quer forma tangível, incluindo qualqual-quer ar-mazenamento permanente ou temporário por meios eletrônicos ou qualquer outro meio de fixação que venha a ser desenvol-vido;
VII - contrafação - a reprodução não
auto-rizada;
VIII - obra:
a) em coautoria - quando é criada em comum, por dois ou mais autores; b) anônima - quando não se indica o nome do autor, por sua vontade ou por ser desconhecido;
c) pseudônima - quando o autor se ocul-ta sob nome suposto;
d) inédita - a que não haja sido objeto de publicação;
e) póstuma - a que se publique após a morte do autor;
f) originária - a criação primígena;
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intelectual nova, resulta da transforma-ção de obra originária;
h) coletiva - a criada por iniciativa, orga-nização e responsabilidade de uma pes-soa física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca e que é constituída pela participação de diferentes autores, cujas contribuições se fundem numa criação autônoma;
i) audiovisual - a que resulta da fixação de imagens com ou sem som, que tenha a finalidade de criar, por meio de sua re-produção, a impressão de movimento, independentemente dos processos de sua captação, do suporte usado inicial ou posteriormente para fixá-lo, bem como dos meios utilizados para sua vei-culação;
IX - fonograma - toda fixação de sons de
uma execução ou interpretação ou de ou-tros sons, ou de uma representação de sons que não seja uma fixação incluída em uma obra audiovisual;
X - editor - a pessoa física ou jurídica à qual
se atribui o direito exclusivo de reprodução da obra e o dever de divulgá-la, nos limites previstos no contrato de edição;
XI - produtor - a pessoa física ou jurídica
que toma a iniciativa e tem a responsabili-dade econômica da primeira fixação do
fo-35
nograma ou da obra audiovisual, qualquer que seja a natureza do suporte utilizado;
XII - radiodifusão - a transmissão sem fio,
inclusive por satélites, de sons ou imagens e sons ou das representações desses, para recepção ao público e a transmissão de si-nais codificados, quando os meios de de-codificação sejam oferecidos ao público pelo organismo de radiodifusão ou com seu consentimento;
XIII - artistas intérpretes ou executantes -
todos os atores, cantores, músicos, baila-rinos ou outras pessoas que representem um papel, cantem, recitem, declamem, in-terpretem ou executem em qualquer forma obras literárias ou artísticas ou expressões do folclore.
Art. 6º - Não serão de domínio da União, dos
Estados, do Distrito Federal ou dos Municí-pios as obras por eles simplesmente subven-cionadas.
Título II
Das Obras Intelectuais
Capítulo I
Das Obras Protegidas
Art. 7º - São obras intelectuais protegidas as
criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte,
tangí-36
vel ou intangível, conhecido ou que se inven-te no futuro, tais como:
I - os textos de obras literárias, artísticas ou
científicas;
II - as conferências, alocuções, sermões e
outras obras da mesma natureza;
III - as obras dramáticas e
dramático-mu-sicais;
IV - as obras coreográficas e
pantomími-cas, cuja execução cênica se fixe por escri-to ou por outra qualquer forma;
V - as composições musicais, tenham ou
não letra;
VI - as obras audiovisuais, sonorizadas ou
não, inclusive as cinematográficas;
VII - as obras fotográficas e as produzidas
por qualquer processo análogo ao da foto-grafia;
VIII - as obras de desenho, pintura,
gravu-ra, escultugravu-ra, litografia e arte cinética;
IX - as ilustrações, cartas geográficas e
ou-tras obras da mesma natureza;
X - os projetos, esboços e obras plásticas
concernentes à geografia, engenharia, to-pografia, arquitetura, paisagismo, ceno-grafia e ciência;
37 XI - as adaptações, traduções e outras
transformações de obras originais, apre-sentadas como criação intelectual nova;
XII - os programas de computador;
XIII - as coletâneas ou compilações,
anto-logias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteú-do, constituam uma criação intelectual.
§ 1º Os programas de computador são
ob-jeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis.
§ 2º A proteção concedida no inciso XIII
não abarca os dados ou materiais em si mesmos e se entende sem prejuízo de quaisquer direitos autorais que subsistam a respeito dos dados ou materiais contidos nas obras.
§ 3º No domínio das ciências, a proteção
recairá sobre a forma literária ou artística, não abrangendo o seu conteúdo científico ou técnico, sem prejuízo dos direitos que protegem os demais campos da proprie-dade imaterial.
Art. 8º - Não são objeto de proteção como
di-reitos autorais de que trata esta Lei:
I - as ideias, procedimentos normativos,
sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos como tais;
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II - os esquemas, planos ou regras para
re-alizar atos mentais, jogos ou negócios;
III - os formulários em branco para serem
preenchidos por qualquer tipo de informa-ção, científica ou não, e suas instruções;
IV - os textos de tratados ou convenções,
leis, decretos, regulamentos, decisões ju-diciais e demais atos oficiais;
V - as informações de uso comum tais
como calendários, agendas, cadastros ou legendas;
VI - os nomes e títulos isolados;
VII - o aproveitamento industrial ou
comer-cial das ideias contidas nas obras.
Art. 9º - À cópia de obra de arte plástica
fei-ta pelo próprio autor é assegurada a mesma proteção de que goza o original.
Art. 10 - A proteção à obra intelectual abrange
o seu título, se original e inconfundível com o de obra do mesmo gênero, divulgada ante-riormente por outro autor.
Parágrafo único. O título de publicações
periódicas, inclusive jornais, é protegido até um ano após a saída do seu último nú-mero, salvo se forem anuais, caso em que esse prazo se elevará a dois anos.
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Capítulo II
Da Autoria das Obras Intelectuais
Art. 11 - Autor é a pessoa física criadora de
obra literária, artística ou científica.
Parágrafo único. A proteção concedida ao
autor poderá aplicar-se às pessoas jurídi-cas nos jurídi-casos previstos nesta Lei.
Art. 12 - Para se identificar como autor,
po-derá o criador da obra literária, artística ou científica usar de seu nome civil, completo ou abreviado até por suas iniciais, de pseudôni-mo ou qualquer outro sinal convencional.
Art. 13 - Considera-se autor da obra
intelec-tual, não havendo prova em contrário, aquele que, por uma das modalidades de identifica-ção referidas no artigo anterior, tiver, em con-formidade com o uso, indicada ou anunciada essa qualidade na sua utilização.
Art. 14 - É titular de direitos de autor quem
adapta, traduz, arranja ou orquestra obra caí-da no domínio público, não podendo opor-se a outra adaptação, arranjo, orquestração ou tradução, salvo se for cópia da sua.
Art. 15 - A coautoria da obra é atribuída
àque-les em cujo nome, pseudônimo ou sinal con-vencional for utilizada.
§ 1º Não se considera coautor quem
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obra literária, artística ou científica, reven-do-a, atualizanreven-do-a, bem como fiscalizan-do ou diriginfiscalizan-do sua edição ou apresenta-ção por qualquer meio.
§ 2º Ao coautor, cuja contribuição possa ser
utilizada separadamente, são asseguradas todas as faculdades inerentes à sua cria-ção como obra individual, vedada, porém, a utilização que possa acarretar prejuízo à exploração da obra comum.
Art. 16 - São coautores da obra audiovisual o
autor do assunto ou argumento literário, mu-sical ou lítero-mumu-sical e o diretor.
Parágrafo único. Consideram-se coautores
de desenhos animados os que criam os desenhos utilizados na obra audiovisual.
Art. 17 - É assegurada a proteção às
participa-ções individuais em obras coletivas.
§ 1º Qualquer dos participantes, no
exercí-cio de seus direitos morais, poderá proibir que se indique ou anuncie seu nome na obra coletiva, sem prejuízo do direito de haver a remuneração contratada.
§ 2º Cabe ao organizador a titularidade dos
direitos patrimoniais sobre o conjunto da obra coletiva.
§ 3º O contrato com o organizador
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para entrega ou realização, a remuneração e demais condições para sua execução.
Capítulo III
Do Registro das Obras Intelectuais *(1)
Art. 18 - A proteção aos direitos de que trata
esta Lei independe de registro.
Art. 19 - É facultado ao autor registrar a sua
obra no órgão público definido no caput e no § 1º do art. 17 da Lei nº 5.988, de 14 de dezem-bro de 1973.
Art. 20 - Para os serviços de registro previstos
nesta Lei será cobrada retribuição, cujo valor e processo de recolhimento serão estabeleci-dos por ato do titular do órgão da administra-ção pública federal a que estiver vinculado o registro das obras intelectuais.
Art. 21 - Os serviços de registro de que trata
esta Lei serão organizados conforme precei-tua o § 2º do art. 17 da Lei nº 5.988, de 14 de dezembro de 1973.
*(ˇ).Nota: art. 17 da Lei 5.988/73
Art. 17 – Para segurança de seus direitos, o
autor da obra intelectual poderá registrá-la, conforme sua natureza, na Biblioteca Nacio-nal, na Escola de Música, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Ja-neiro, no Instituto Nacional do Cinema ou no
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Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.
§ 1º – Se a obra for de natureza que
com-porte registro em mais de um desses ór-gãos, deverá ser registrada naquele com que tiver maior afinidade.
§ 2º – O Poder Executivo, mediante
Decre-to, poderá a qualquer tempo, reorganizar os serviços de registro, conferindo a ou-tros Órgãos as atribuições a que se refere este artigo.
Título III
Dos Direitos do Autor
Capítulo I
Disposições Preliminares
Art. 22 - Pertencem ao autor os direitos
mo-rais e patrimoniais sobre a obra que criou.
Art. 23 - Os coautores da obra intelectual
exercerão, de comum acordo, os seus direi-tos, salvo convenção em contrário.
Capítulo II
Dos Direitos Morais do Autor
Art. 24 - São direitos morais do autor:
I - o de reivindicar, a qualquer tempo, a
43 II - o de ter seu nome, pseudônimo ou
si-nal convenciosi-nal indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra;
III - o de conservar a obra inédita;
IV - o de assegurar a integridade da obra,
opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como au-tor, em sua reputação ou honra;
V - o de modificar a obra, antes ou depois
de utilizada;
VI - o de retirar de circulação a obra ou de
suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utiliza-ção implicarem afronta à sua reputautiliza-ção e imagem;
VII - o de ter acesso a exemplar único e
raro da obra, quando se encontre legitima-mente em poder de outrem, para o fim de, por meio de processo fotográfico ou as-semelhado, ou audiovisual, preservar sua memória, de forma que cause o menor in-conveniente possível a seu detentor, que, em todo caso, será indenizado de qualquer dano ou prejuízo que lhe seja causado.
§ 1º Por morte do autor, transmitem-se
a seus sucessores os direitos a que se referem os incisos I a IV.
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§ 2º Compete ao Estado a defesa da
in-tegridade e autoria da obra caída em domínio público.
§ 3º Nos casos dos incisos V e VI,
ressal-vam-se as prévias indenizações a tercei-ros, quando couberem.
Art. 25 - Cabe exclusivamente ao diretor o
exercício dos direitos morais sobre a obra au-diovisual.
Art. 26 - O autor poderá repudiar a autoria
de projeto arquitetônico alterado sem o seu consentimento durante a execução ou após a conclusão da construção.
Parágrafo único. O proprietário da
cons-trução responde pelos danos que causar ao autor sempre que, após o repúdio, der como sendo daquele a autoria do projeto repudiado.
Art. 27 - Os direitos morais do autor são
ina-lienáveis e irrenunciáveis.
Capítulo III
Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua Duração
Art. 28 - Cabe ao autor o direito exclusivo de
utilizar, fruir e dispor da obra literária, artísti-ca ou científiartísti-ca.
Art. 29 - Depende de autorização prévia e
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quaisquer modalidades, tais como:
I - a reprodução parcial ou integral; II - a edição;
III - a adaptação, o arranjo musical e
quais-quer outras transformações;
IV - a tradução para qualquer idioma; V - a inclusão em fonograma ou produção
audiovisual;
VI - a distribuição, quando não intrínseca
ao contrato firmado pelo autor com tercei-ros para uso ou exploração da obra;
VII - a distribuição para oferta de obras ou
produções mediante cabo, fibra ótica, saté-lite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário;
VIII - a utilização, direta ou indireta, da obra
literária, artística ou científica, mediante: a) representação, recitação ou declama-ção;
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c) emprego de alto-falante ou de siste-mas análogos;
d) radiodifusão sonora ou televisiva; e) captação de transmissão de radiodi-fusão em locais de frequência coletiva; f) sonorização ambiental;
g) a exibição audiovisual, cinematográ-fica ou por processo assemelhado; h) emprego de satélites artificiais; i) emprego de sistemas óticos, fios tele-fônicos ou não, cabos de qualquer tipo e meios de comunicação similares que venham a ser adotados;
j) exposição de obras de artes plásticas e figurativas;
IX - a inclusão em base de dados, o
arma-zenamento em computador, a microfilma-gem e as demais formas de arquivamento do gênero;
X - quaisquer outras modalidades de
utili-zação existentes ou que venham a ser in-ventadas.
Art. 30 - No exercício do direito de
reprodu-ção, o titular dos direitos autorais poderá co-locar à disposição do público a obra, na for-ma, local e pelo tempo que desejar, a título oneroso ou gratuito.
47 § 1º O direito de exclusividade de
repro-dução não será aplicável quando ela for temporária e apenas tiver o propósito de tornar a obra, fonograma ou interpretação perceptível em meio eletrônico ou quan-do for de natureza transitória e incidental, desde que ocorra no curso do uso devida-mente autorizado da obra, pelo titular.
§ 2º Em qualquer modalidade de
repro-dução, a quantidade de exemplares será informada e controlada, cabendo a quem reproduzir a obra a responsabilidade de manter os registros que permitam, ao au-tor, a fiscalização do aproveitamento eco-nômico da exploração.
Art. 31 - As diversas modalidades de utilização
de obras literárias, artísticas ou científicas ou de fonogramas são independentes entre si, e a autorização concedida pelo autor, ou pelo produtor, respectivamente, não se estende a quaisquer das demais.
Art. 32 - Quando uma obra feita em regime de
coautoria não for divisível, nenhum dos co-autores, sob pena de responder por perdas e danos, poderá, sem consentimento dos de-mais, publicá-la ou autorizar-lhe a publicação, salvo na coleção de suas obras completas.
§ 1º Havendo divergência, os coautores
de-cidirão por maioria.
§ 2º Ao coautor dissidente é assegurado o
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de publicação, renunciando à sua parte nos lucros, e o de vedar que se inscreva seu nome na obra.
§ 3º Cada coautor pode, individualmente,
sem aquiescência dos outros, registrar a obra e defender os próprios direitos contra terceiros.
Art. 33 - Ninguém pode reproduzir obra que
não pertença ao domínio público, a pretexto de anotá-la, comentá-la ou melhorá-la, sem permissão do autor.
Parágrafo único. Os comentários ou
ano-tações poderão ser publicados separada-mente.
Art. 34 - As cartas missivas, cuja publicação
está condicionada à permissão do autor, po-derão ser juntadas como documento de pro-va em processos administrativos e judiciais.
Art. 35 - Quando o autor, em virtude de
revi-são, tiver dado à obra versão definitiva, não poderão seus sucessores reproduzir versões anteriores.
Art. 36 - O direito de utilização econômica dos
escritos publicados pela imprensa, diária ou periódica, com exceção dos assinados ou que apresentem sinal de reserva, pertence ao edi-tor, salvo convenção em contrário.
Parágrafo único. A autorização para
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publicação em diários e periódicos, não produz efeito além do prazo da periodici-dade acrescido de vinte dias, a contar de sua publicação, findo o qual recobra o au-tor o seu direito.
Art. 37 - A aquisição do original de uma obra,
ou de exemplar, não confere ao adquirente qualquer dos direitos patrimoniais do autor, salvo convenção em contrário entre as partes e os casos previstos nesta Lei.
Art. 38 - O autor tem o direito, irrenunciável
e inalienável, de perceber, no mínimo, cinco por cento sobre o aumento do preço eventu-almente verificável em cada revenda de obra de arte ou manuscrito, sendo originais, que houver alienado.
Parágrafo único. Caso o autor não perceba
o seu direito de sequência no ato da reven-da, o vendedor é considerado depositário da quantia a ele devida, salvo se a opera-ção for realizada por leiloeiro, quando será este o depositário.
Art. 39 - Os direitos patrimoniais do autor,
ex-cetuados os rendimentos resultantes de sua exploração, não se comunicam, salvo pacto antenupcial em contrário.
Art. 40 - Tratando-se de obra anônima ou
pseudônima, caberá a quem publicá-la o exercício dos direitos patrimoniais do autor.
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Parágrafo único. O autor que se der a
co-nhecer assumirá o exercício dos direitos patrimoniais, ressalvados os direitos ad-quiridos por terceiros.
Art. 41 - Os direitos patrimoniais do autor
perduram por setenta anos contados de 1º de janeiro do ano subsequente ao de seu faleci-mento, obedecida a ordem sucessória da lei civil.
Parágrafo único. Aplica-se às obras
pós-tumas o prazo de proteção a que alude o caput deste artigo.
Art. 42 - Quando a obra literária, artística ou
científica, realizada em coautoria for indivisí-vel, o prazo previsto no artigo anterior será contado da morte do último dos coautores sobreviventes.
Parágrafo único. Acrescer-se-ão aos dos
sobreviventes os direitos do coautor que falecer sem sucessores.
Art. 43 - Será de setenta anos o prazo de
pro-teção aos direitos patrimoniais sobre as obras anônimas ou pseudônimas, contado de 1º de janeiro do ano imediatamente posterior ao da primeira publicação.
Parágrafo único. Aplicar-se-á o disposto no
art. 41 e seu parágrafo único, sempre que o autor se der a conhecer antes do termo do prazo previsto no caput deste artigo.
51 Art. 44 - O prazo de proteção aos direitos
patrimoniais sobre obras audiovisuais e fo-tográficas será de setenta anos, a contar de 1º de janeiro do ano subsequente ao de sua divulgação.
Art. 45 - Além das obras em relação às quais
decorreu o prazo de proteção aos direitos pa-trimoniais, pertencem ao domínio público:
I - as de autores falecidos que não tenham
deixado sucessores;
II - as de autor desconhecido, ressalvada a
proteção legal aos conhecimentos étnicos e tradicionais.
Capítulo IV
Das Limitações aos Direitos Autorais
Art. 46 - Não constitui ofensa aos direitos
au-torais:
I - a reprodução:
a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, pu-blicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assi-nados, e da publicação de onde foram transcritos;
b) em diários ou periódicos, de discur-sos pronunciados em reuniões públicas de qualquer natureza;
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c) de retratos, ou de outra forma de re-presentação da imagem, feitos sob en-comenda, quando realizada pelo pro-prietário do objeto encomendado, não havendo a oposição da pessoa neles representada ou de seus herdeiros; d) de obras literárias, artísticas ou cien-tíficas, para uso exclusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o sistema Braille ou outro procedimento em qualquer suporte para esses desti-natários;
II - a reprodução, em um só exemplar de
pequenos trechos, para uso privado do co-pista, desde que feita por este, sem intuito de lucro;
III - a citação em livros, jornais, revistas ou
qualquer outro meio de comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida jus-tificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra;
IV - o apanhado de lições em
estabeleci-mentos de ensino por aqueles a quem elas se dirigem, vedada sua publicação, inte-gral ou parcial, sem autorização prévia e expressa de quem as ministrou;
V - a utilização de obras literárias, artísticas
ou científicas, fonogramas e transmissão de rádio e televisão em estabelecimentos
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comerciais, exclusivamente para demons-tração à clientela, desde que esses estabe-lecimentos comercializem os suportes ou equipamentos que permitam a sua utiliza-ção;
VI - a representação teatral e a execução
musical, quando realizadas no recesso fa-miliar ou, para fins exclusivamente didáti-cos, nos estabelecimentos de ensino, não havendo em qualquer caso intuito de lu-cro;
VII - a utilização de obras literárias,
artísti-cas ou científiartísti-cas para produzir prova judi-ciária ou administrativa;
VIII - a reprodução, em quaisquer obras, de
pequenos trechos de obras preexistentes, de qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásticas, sempre que a reprodução em si não seja o objetivo prin-cipal da obra nova e que não prejudique a exploração normal da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos autores.
Art. 47 - São livres as paráfrases e
paró-dias que não forem verdadeiras reprodu-ções da obra originária nem lhe implicarem descrédito.
Art. 48 - As obras situadas permanentemente
em logradouros públicos podem ser repre-sentadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e procedimentos au-diovisuais.
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Capítulo V
Da Transferência dos Direitos de Autor
Art. 49 - Os direitos de autor poderão ser total
ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obe-decidas as seguintes limitações:
I - a transmissão total compreende todos
os direitos de autor, salvo os de natureza moral e os expressamente excluídos por lei;
II - somente se admitirá transmissão total
e definitiva dos direitos mediante estipula-ção contratual escrita;
III - na hipótese de não haver estipulação
contratual escrita, o prazo máximo será de cinco anos;
IV - a cessão será válida unicamente para
o país em que se firmou o contrato, salvo estipulação em contrário;
V - a cessão só se operará para
modali-dades de utilização já existente à data do contrato;
VI - não havendo especificações quanto à
modalidade de utilização, o contrato será interpretado restritivamente,
entendendo-55
se como limitada apenas a uma que seja aquela indispensável ao cumprimento da finalidade do contrato.
Art. 50 - A cessão total ou parcial dos
direi-tos de autor, que se fará sempre por escrito, presume-se onerosa.
§ 1º Poderá a cessão ser averbada à
margem do registro a que se refere o art. 19 desta Lei, ou, não estando a obra registrada, poderá o instrumento ser re-gistrado em Cartório de Títulos e Docu-mentos.
§ 2º Constarão do instrumento de
ces-são como elementos essenciais seu ob-jeto e as condições de exercício do direi-to quandirei-to a tempo, lugar e preço.
Art. 51 - A cessão dos direitos de autor sobre
obras futuras abrangerá, no máximo, o perío-do de cinco anos.
Parágrafo único. O prazo será reduzido a
cinco anos sempre que indeterminado ou superior, diminuindo-se, na devida propor-ção, o preço estipulado.
Art. 52 - A omissão do nome do autor, ou de
coautor, na divulgação da obra não presume o anonimato ou a cessão de seus direitos.
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Título IV
Da Utilização de Obras Intelectuais e dos Fonogramas
Capítulo I
Da Edição
Art. 53 - Mediante contrato de edição, o editor,
obrigando-se a reproduzir e a divulgar a obra literária, artística ou científica, fica autorizado, em caráter de exclusividade, a publicá-la e a explorá-la pelo prazo e nas condições pactua-das com o autor.
Parágrafo único. Em cada exemplar da
obra o editor mencionará:
I - o título da obra e seu autor;
II - no caso de tradução, o título original e o
nome do tradutor;
III - o ano de publicação;
IV - o seu nome ou marca que o
identifi-que.
Art. 54 - Pelo mesmo contrato pode o autor
obrigar-se à feitura de obra literária, artística ou científica em cuja publicação e divulgação se empenha o editor.
Art. 55 - Em caso de falecimento ou de
im-pedimento do autor para concluir a obra, o editor poderá:
57 I - considerar resolvido o contrato, mesmo
que tenha sido entregue parte considerá-vel da obra;
II - editar a obra, sendo autônoma,
median-te pagamento proporcional do preço;
III - mandar que outro a termine, desde que
consintam os sucessores e seja o fato indi-cado na edição.
Parágrafo único. É vedada a publicação
parcial, se o autor manifestou a vontade de só publicá-la por inteiro ou se assim o decidirem seus sucessores.
Art. 56 - Entende-se que o contrato versa
ape-nas sobre uma edição, se não houver cláusu-la expressa em contrário.
Parágrafo único. No silêncio do contrato,
considera-se que cada edição se constitui de três mil exemplares.
Art. 57 - O preço da retribuição será arbitrado,
com base nos usos e costumes, sempre que no contrato não a tiver estipulado expressa-mente o autor.
Art. 58 - Se os originais forem entregues em
desacordo com o ajustado e o editor não os recusar nos trinta dias seguintes ao do rece-bimento, ter-se-ão por aceitas as alterações introduzidas pelo autor.