UNIVERSIDADE DE ÉVORA

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Texto

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UNIVERSIDADE DE ÉVORA

ESCOLA CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS

DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA

ESTUDO DAS COMUNIDADES DE MACROFUNGOS

EM MONTADOS DE SOBRO SUJEITOS A

DIFERENTES MANEIOS

Patrícia Alexandra Bolou Alegria

Orientação: Doutora Celeste Maria Martins Santos e

Silva

Mestrado emBiologia da Conservação Dissertação

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UNIVERSIDADE DE ÉVORA

ESCOLA CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS

DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA

ESTUDO DAS COMUNIDADES DE MACROFUNGOS EM

MONTADOS DE SOBRO SUJEITOS A DIFERENTES MANEIOS

Patrícia Alexandra Bolou Alegria

Orientação: Doutora Celeste Maria Martins Santos e Silva

Mestrado emBiologia da Conservação Dissertação

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ii A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita. (Mahatma Gandhi)

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Agradecimentos

À Professora Celeste Maria Martins Santos e Silva, pela sua orientação, pelo conhecimento que me transmitiu, pelas opiniões e críticas e pelo esclarecimento de dúvidas ao longo da realização deste trabalho.

Ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), que através do INALENTEJO, financiou o projeto “A gestão da intensidade do pastoreio face à valorização do montado como sistema de elevado valor natural”, onde foram retirados os dados deste trabalho. Bem como à Professora Celeste Maria Martins Santos e Silva, ao Mestre Rogério Louro e ao Mestre Carlos Godinho, que me cederam os dados que me permitiram realizar este o trabalho.

Aos meus familiares e amigos, pelo apoio, amizade e auxílio prestado.

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Estudo das comunidades de macrofungos em montados de

sobro sujeitos a diferentes maneios

Resumo

O montado de sobro apresenta uma grande diversidade de nichos ecológicos resultantes da ação humana. Os macrofungos, que desempenham importantes papéis nestes locais, podem ser influenciados pelos diferentes maneios. Neste trabalho pretendeu-se compreender a influência do maneio na ocorrência de macrofungos. Em 55 pontos de amostragem (75x20m), na Serra de Monfurado, recolheu-se os corpos de frutificação epígeos e quantificou-se algumas variáveis que caracterizam o local. Recolheu-se um total de 142 espécies (68 micorrízicas, 72 sapróbias e 2 parasitas), distribuídas de forma heterogénea pelos locais amostrados. Os dados demonstraram a relação entre espécies micorrízicas e variáveis relacionadas com a vegetação arbórea e arbustiva. Tal como a relação entre as espécies sapróbias e variáveis relacionadas com a ação do gado.

Palavras-chave: Montado, Quercus suber L., Macrofungos, Corpos de frutificação, Maneios do Solo.

Study of macrofungi communities in cork oak montado

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Abstract

The cork oak montado presents diverse ecological niches resulting from human action. The macrofungi, which play important roles in these places, can be influenced by different managements. This paper intend to understand the influence of management on the occurrence of macrofungi. At 55 sampling points (75x20m), in Serra de Monfurado, was collected the epigean fruiting bodies and quantified some variables that characterize the place. It was collected a total of 142 species (68 mycorrhizal 72 saprobic and 2 parasites), they are distributed by heterogeneously in sampled locations. The data demonstrated the relationship between mycorrhizal species and arboreous and shrubby vegetation. Such as the relationship between saprobic species and variables related to the actions of livestock.

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Índice

1. Introdução ... 1

1.1. Fungos ... 1

1.2. Montado de sobro ... 3

1.3. Importância dos fungos no Montado ... 5

1.4. Objetivos ... 10

2. Materiais e Métodos ... 11

2.1. Local de estudo... 11

2.2. Amostragem ... 11

2.3. Identificação taxonómica ... 12

2.4. Análise dos dados ... 13

3. Resultados ... 14

3.1. Riqueza específica e distribuição das espécies pelos grupos tróficos ... 14

3.2. Relação entre os macrofungos e variáveis ambientais ... 18

4. Discussão ... 25

5. Conclusão ... 28

6. Bibliografia ... 29

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Índice de figuras

Figura 1 – Cistus sp. 3

Figura 2 - Corpo de frutificação de Armillaria mellea Fonte: Mitra-nature 7 Figura 3- Corpo de frutificação de Boletus reticulatus Fonte: Mitra-nature 8 Figura 4 – Corpos de frutificação de Astraeus hygrometricus. 8 Figura 5 – Corpo de frutificação de Amanita curtipes Fonte: Mitra-nature 9 Figura 6 - Corpo de frutificação de Russula cyanoxantha Fonte: Mitra-nature 9 Figura 7 – Representação gráfica da percentagem (%) de espécies para cada um dos grupos

tróficos, num total de 142 espécies. 14 Figura 8 - Representação gráfica do número de espécies para cada tipo trófico, em cada

ponto amostrado (representados pela numeração correspondente) 15 Figura 9 - O número total de ocorrência de cada espécie. Os números do eixo vertical

correspondem às espécies, utilizando os números que as representam, conforme o anexo 1. As barras a vermelho representam as espécies sapróbias, as azuis as espécies micorrízicas e a verde a parasita. 17 Figura 10 – Biplot obtido pela CCA entre as espécies (representadas a azul) e as variáveis

ambientais (representadas a vermelho). As espécies estão representadas pelos números correspondentes, conforme o anexo 1. As variáveis C1, C2, C3 e C4

correspondem, respetivamente, à proporção de cobertura da vegetação, menos de 0,5m; entre 0,5 e 2m; entre 2m e 8m e mais de 8m. Qr, Ct, Ru e Ul correspondem à presença/ausência das espécies Q. rotundifolia, Cistus sp., Rubus sp. e Ulex sp.. Djt corresponde ao número médio de dejetos por m2. Pst corresponde ao pisoteio que varia entre 1 e 4 (pouco-muito). Prfl, Prun e Prop correspondem, respectivamente, à proporção de árvores afectadas por C. florentinus, C. undatus e P.cylindrus. Prog corresponde à proporção de árvores orifícios com mais de 2mm provocados por várias

espécies de insetos. 20

Figura 11 – Biplot obtido pela CCA entre os locais amostrados (a vermelho) representados pela numeração correspondente e as espécies (a azul) representadas pelos números correspondentes, conforme o anexo 1. 21 Figura 12 – Biplot obtido pela CCA entre os locais amostrados (a preto) representados pela

numeração correspondente às variáveis ambientais (a vermelho). As variáveis C1, C2, C3 e C4 correspondem, respectivamente, à proporção de cobertura da vegetação, menos de 0,5m; entre 0,5 e 2m; entre 2m e 8m e mais de 8m. Qr, Ct, Ru e Ul

correspondem à presença/ausência das espécies Q. rotundifolia, Cistus sp., Rubus sp. e

Ulex sp.. Djt corresponde ao número médio de dejetos por m2. Pst corresponde ao

pisoteio que varia entre 1 e 4 (pouco-muito). Prfl, Prun e Prop correspondem, respetivamente, à proporção de árvores afectadas por C. florentinus, C. undatus e

P.cylindrus. Prog corresponde à proporção de árvores orifícios com mais de 2mm

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Índice de tabelas

Tabela 1 - Máximo (Max.), Mínimo (Min), Moda e Média de cada uma das variáveis quantificadas: C1, C2, C3 e C4 correspondem, respectivamente, à proporção de cobertura da vegetação, menos de 0,5m; entre 0,5 e 2m; entre 2m e 8m e mais de 8m. Qr, Ct, Ru e Ul correspondem à presença/ausência das espécies Q. rotundifolia,

Cistus sp., Rubus sp. e Ulex sp.. Djt corresponde ao número médio de dejetos por m2.

Pst corresponde ao pisoteio que varia ente 1 e 4 (pouco-muito). Prfl, Prun e Prop correspondem, respectivamente, à proporção de árvores afetadas por C. florentinus, C.

undatus e P.cylindrus. Prog corresponde à proporção de árvores orifícios com mais de

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1. Introdução

1.1. Fungos

Inicialmente, os fungos, foram considerados plantas por Linnaeus (1735), devido a encontrarem-se fixos ao substrato. Apenas em 1960, Whittaker propôs um sistema de classificação baseado na forma dos organismos obterem alimento. Distinguiu plantas, animais e fungos por apresentarem nutrição baseada, respectivamente, na fotossíntese, digestão e absorção. Por esta razão, os fungos foram classificados como um reino distinto das plantas, o Reino Fungi (Moreno et al., 1986). Sendo um reino bastante diversificado, segundo as estimativas, é constituído por cerca de 1,5 milhões de espécies (Hawksworth, 2001).

Os macrofungos, ou fungos superiores, distinguem-se por produzirem corpos de frutificação visíveis a olho nu. Estes corpos de frutificação surgem acima do solo e no solo, sendo designados, respectivamente, por cogumelos e trufas. São encontrados, principalmente, no Outono e Primavera (Pinto-Correia et al., 2013), tendo como função a dispersão dos esporos. Estão incluídos dentro das divisões Ascomycota e Basidiomycota (Pinto-Correia et al., 2013). As duas divisões são distinguidas, principalmente, pelas estruturas em que são formados os esporos. Na divisão Ascomycota, os esporos são produzidos em estruturas com forma de saco, os ascos. Na divisão Basidiomycota os esporos são produzidos no exterior de uma célula modificada localizada no himênio, o basídio (Hood, 2006).

Os fungos alimentam-se de forma heterotrófica, a partir das hifas, obtendo o seu alimento por absorção (Cooke, 1979; Hood, 2006). Por não possuírem a capacidade de produzir o seu próprio alimento, são completamente dependentes da preexistência de matéria orgânica (Cooke, 1979). Apresentam diferentes estratégias tróficas, podendo ser sapróbios, parasitas ou simbiontes de plantas.

Os fungos sapróbios (ou decompositores) decompõem a matéria orgânica, desempenhando um papel essencial para o funcionamento dos ecossistemas. Este processo é conseguido através da produção de uma variedade de enzimas extracelulares, que degradam os polímeros orgânicos complexos em formas mais simples (Peay et al., 2008). A ação dos fungos sapróbios exerce uma importante influência na dinâmica da

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matéria orgânica no solo (A’Bear et al., 2013), sendo essencial para que os minerais presentes nos detritos de matéria orgânica não sejam perdidos (Peay et al., 2008). Após a ação dos fungos sapróbios, os nutrientes resultantes podem ser absorvidos tanto pelos próprios fungos, como por outros organismos (Peay et al., 2008).

Por sua vez, os fungos parasitas vivem no interior de outros organismos, normalmente causando dano aos hospedeiros. Após a infeção, o hospedeiro pode ser eliminado ou resistir ao parasita. A exclusão dos organismos mais fracos, que não resistiram ao parasita, pode beneficiar o valor adaptativo dos hospedeiros (Moreno et al., 1986).

As micorrizas formam-se por associação entre fungos micorrízicos e plantas hospedeiras. Beneficiam o crescimento das plantas em locais com pouca disponibilidade de nutrientes, conferindo-lhes tolerância à secura, resistência a compostos tóxicos e proteção contra doenças (Azul et al., 2008). São associações duradoras e os organismos dependem um do outro (Isaac, 1992), existindo um intercâmbio bilateral de metabolitos (Moreno et

al., 1986). O micélio ligado à raiz da planta aumenta a volume de absorção, contribuindo

para o aumento da eficiência na absorção de água e nutrientes. O fungo irá beneficiar desta associação obtendo um fornecimento de carbono a partir do hospedeiro (Isaac, 1992).

Dos vários tipos de micorrizas conhecidos, os mais importantes são as endomicorrízas (ou micorrizas arbusculares) e as ectomicorrízas. Os restantes tipos são específicos de uma família de plantas (Brundrett, 2002).

Os fungos endomicorrízicos são muito comuns, colonizando mais de 80% das plantas vasculares (Brundrett, 2002; Paszkowski, 2006; Souza et al., 2006). Pertencem à divisão Glomeromycota. São simbióticos obrigatórios e formam estruturas intracelulares (Russell & Bulman, 2005).

Nas ectomicorrízas o micélio envolve as células das raízes formando uma estrutura, denominada rede de Hartig, que serve como interface entre o fungo e a planta. As raízes com ectomicorrízas geralmente não apresentam pêlos, pois a sua função é desempenhada pelo fungo (Souza et al., 2006).

Existem, aproximadamente, 20000 a 25000 espécies descritas de fungos ectomicorrízicos (Ortega et al., 2010). Pertencem maioritariamente à divisão

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3 Basidiomycota, embora também seja possível encontrar fungos ectomicorrízicos

pertencentes à divisão Ascomycota (Souza et al., 2006).

1.2. Montado de sobro

O montado de sobro é o ecossistema predominante no Alentejo, na região sul de Portugal (Surova & Pinto-Correia, 2008). Esta região possui cerca de 527 000 ha de montado de sobro (Belo et al., 2009).

É um ecossistema do tipo agro-silvo-pastoril (Surova & Pinto-Correia, 2008; Belo, et

al., 2009) e a sua paisagem é do tipo savana (Surova & Pinto-Correia, 2008). As árvores são

maioritariamente da espécie Quercus suber L. (Sobreiro), pertencente à família Fagaceae. Por vezes podem apresentar outras espécies de árvores, como Quercus rotundifolia Lam. ,

Pinus pinaster Aiton. e Pinus pinea L. (Bugalho et al., 2011). As árvores encontram-se

dispersas, com densidade, normalmente, inferior a 80 árvores por ha (Belo et al., 2009). Também apresentam um mosaico de subcoberto, que pode variar entre o mato disperso e culturas agrícolas (Pinto-Correia et al., 2013).

Entre as espécies arbustivas presentes no montado é possível destacar os arbustos pertencentes ao género Cistus (Fig. 1), muito comuns nestes locais. Este género encontra-se repreencontra-sentado, na Península Ibérica, por 12 espécies, entre elas Cistus ladanifer L. e

Cistus salvifolius L.. Geralmente, Cistus sp. são pirofóricos, ou seja, a sua germinação está

relacionada com as altas temperaturas, uma adaptação aos frequentes incêndios nas florestas mediterrâneas (Águeda et al., 2006).

Figura 1 – Cistos sp. Fonte: Elaborada pela Autora

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O montado assegura uma série de importantes serviços, como a regulação do ciclo da água, a prevenção da erosão dos solos e a fixação do carbono (Pinto-Correia et al., 2013).

Para o ser humano, o montado tem como objetivo rentabilizar os escassos recursos existentes numa região com solos pobres. (Pinto-Correia et al., 2013). Uma das principais fontes de rendimento do montado é a cortiça (Silva & Catry 2006), recolhida dos sobreiros, uma vez em cada 9 a 12 anos (Bugalho et al., 2011). Portugal produz mais de metade da cortiça do mundo (Silva & Catry, 2006). Entre outras fontes de rendimento, pode-se destacar a produção de lenha, ervas aromáticas, mel, cogumelos, carne de bovinos, ovinos, suínos e caprinos. O montado também pode ser explorado como local lúdico e de atração turística (Pinto-Correia et al., 2013).

O montado tem origem em bosques mediterrâneos, que começaram a ser desmatados, há cerca de 9 mil anos, com finalidade de criar locais para agricultura e pastagem (Pinto-Correia et al., 2013). A biodiversidade presente neste ecossistema deve-se a essas alterações. (Bugalho et al., 2011). Com o objetivo de evitar incêndios, de promover o estabelecimento de pastagens e culturas anuais, os arbustos são limpos periodicamente (Barrico et al., 2010; Bugalho et al., 2011), resultando num mosaico em constante mudança. Através desta ação humana, o montado apresenta uma grande variedade de nichos ecológicos, promovendo a biodiversidade (Bugalho et al., 2011). Por esta razão, as principais ameaças a que o montado está sujeito são abandono e as práticas de maneio insuficiente. Por outro lado, o uso excessivo do solo também pode ser prejudicial (Bugalho

et al., 2011). Assim, as características destes locais estão dependentes da ação humana.

Para além das ameaças resultantes da ação humana, o montado está sujeito a outros fatores que levam a um desequilíbrio no ecossistema. Esses fatores podem ser abióticos, como as propriedades físicas e químicas do solo e o clima, ou bióticos, como a ocorrência de pragas e doenças (Sousa et al., 2007).

Em Portugal, existem 92 espécies de insetos que podem causar danos em árvores das espécies Q. suber e Q. rotundifolia. Os insetos que atacam as folhas enfraquecem as árvores, reduzindo o seu crescimento, mas normalmente não as matam. Por sua vez, os insetos que atacam o tronco e ramos podem causar a morte das árvores, sobretudo se estas já se encontrarem debilitadas (Sousa et al., 2007). Neste trabalho foram recolhidos dados referentes a algumas pragas de insetos que atacam os ramos e troncos das árvores.

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O inseto Coroebus florentinus Herbst. causa danos nos ramos não muito grossos e na copa, torna-a castanho-amarelada. Na península ibérica, ataca principalmente Q. suber e Q. rotundifolia (Iglesias & Rubio,1993). Por sua vez, a larva do inseto Coroebus undatus Fabricius. ataca os troncos, construindo galerias em zigzag. Ataca diversas árvores da família Fagaceae, mas é mais agressiva para Q. suber (Suñer & Abós, 1994). Estas duas espécies causam grandes danos na cortiça, provocando uma redução na sua qualidade (Fürstenau et al., 2012).

Os orifícios com menos de 2 mm no tronco podem corresponder ao inseto Platypus

cylindrus Fab.. Este inseto ataca tanto árvores debilitadas como saudáveis,

provocando-lhes a morte. Pode afetar as árvores Q. suber, Quercus robur L., Fraxinus excelsior L. e

Castanea sativa Mill (Ferreira & Ferreira, 1989), estando associado ao declínio do montado

(Sousa et al., 2007).

Os orifícios com mais de 2 mm no tronco podem corresponder a vários insetos, como por exemplo, Cerambyx cerdo, Linnaeus. As larvas de Cerambyx cerdo desenvolvem-se principalmente em Quercus spp., atacando sobretudo o tronco, mas também podem atacar os ramos e as raízes. São identificados através de orifícios de saída ovais, que podem ter até 20 mm (Albert et al., 2012).

1.3. Importância dos fungos no Montado

No montado de sobro, os macrofungos desempenham diferentes funções, consoante a sua estratégia trófica.

Como já foi referido anteriormente, os fungos sapróbios são de extrema importância para o ecossistema, uma vez que influenciam a fertilidade do solo, a decomposição, e a reciclagem de minerais e matéria orgânica (Osono et al., 2008; Barrico

et al., 2010; Persiani et al., 2011).

Dependendo do substrato que ocupam, é possível distinguir vários grupos de sapróbios (Martínez de Aragón et al., 2012). Existem sapróbios que se desenvolvem no solo, nos restos orgânicos, sobre as folhas, entre outros. Irei destacar os fungos lenhícolas, que vivem sobre a madeira morta, e os coprófilos, que vivem sobre os excrementos dos animais.

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Os sapróbios lenhícolas são o principal agente de deterioração da madeira em ambientes terrestres. O elenco de espécies é determinado principalmente, pelo estado de decomposição da madeira, apesar de poder ter outras variáveis, como por exemplo, a espécie vegetal, o seu tamanho, a causa da morte e a posição em que a madeira morta se encontra (Ódor et al., 2006). Stereum hirsutum (Willd.) é um exemplo de sapróbio lenhícola, que coloniza a madeira no início da decadência, causando podridão branca. A produção de cogumelos pode ocorrer após um ano da queda do ramo e o micélio poderá persistir durante muitos anos (Peiris et al., 2008).

Por sua vez, os fungos sapróbios coprófilos são importantes para o ecossistema por serem responsáveis pela reciclagem dos excrementos dos animais (Richardson, 2001). Os seus esporos conseguem suportar a passagem pelos intestinos do animal, estando em muitos casos dependentes dessa passagem para se desenvolverem. Os seus corpos de frutificação fazem grandes descargas de esporos no ar. Se os esporos pousarem numa planta, poderão ser ingeridos por animais, recomeçando seu o ciclo de vida (Richardson, 2003). Panaeolus papilionaceus (Bull.) é um exemplo de um fungo coprófilo (Bull.), cresce em excrementos, principalmente de vacas e de cavalos (Kuo, 2007).

No montado, os fungos parasitas desempenham uma importante função de fitossanidade, excluindo os indivíduos mais debilitados. Só se encontram manifestações desses indivíduos nas fases mais ou menos adiantadas do declínio das árvores, indicando que a sua presença é condicionada pelo estado de vigor da planta (Sousa et al., 2007). O género Armillaria pode ter comportamento parasita ou sapróbio (Travadon, at. al. 2012). Em Portugal, encontram-se várias espécies vegetais que podem ser parasitadas por estes fungos, como Q. suber e P. pinaster. Podem, ainda, parasitar espécies ornamentais e frutícolas (Bragança et al., 2004). Armillaria mellea (Vahl) (Fig. 2) é conhecido por ser um parasita agressivo (Travadon et al., 2012), sendo particularmente agressivo para Q. suber. Existe a perceção que esta espécie ocorre nas zonas mais degradadas do montado (Sousa

et al., 2007). A. mellea coloniza as raízes lenhosas, matando-as e usando-as como

substrato. Após a morte do hospedeiro, o micélio pode persistir, alimentando-se como sapróbio. As raízes infetadas servem como inoculo, para que o fungo possa, posteriormente, infetar outras plantas. O micélio também pode espalhar-se pelo solo, através de uma estrutura especializada, o rizomorfo. Estas duas formas de propagação de

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7 Figura 2 - Corpo de frutificação de Armillaria mellea

Fonte: Mitra-nature

Um fungo micorrízico pode ter vários hospedeiros, ligando-os numa rede de micélio e servindo como mediadores entre as plantas. Desta forma, os fungos micorrízicos influenciam a capacidade das plântulas em estabelecer-se nos ecossistemas mediterrâneos e contribuem para a dinâmica da comunidade de plantas (Richard et al., 2009).

Os arbustos do género Cistus podem formar ectomicorrízas e endomicorrízas. Existem mais de 200 espécies, pertencentes a 40 géneros, de fungos ectomicorrízicos com capacidade de se associar com Cistus spp. (Águeda et al., 2008). Após a ocorrência de uma perturbação no ecossistema, este género de plantas pode servir de reservatório para fungos micorrízicos (Águeda et al., 2006 e Águeda et al., 2008).

Dentro dos macrofungos que formam micorrizas com as plantas do montado é possível destacar algumas espécies.

O género de macrofungos micorrízico Boletus forma micorrizas com as famílias

Fagaceae, Cistaceae, Betulaceae, Malvaceae, Salicaceae, Ericaceae, Pinaceae (Águeda et al., 2008). Pertence à ordem Boletales e engloba mais de mil espécies. Encontra-se

amplamente distribuído nas zonas mais quentes do Hemisfério Norte (Águeda et al., 2006 e Águeda et al., 2008). O complexo de espécies Boletus edulis inclui quatro espécies, onde estão presentes as espécies Boletus reticulatus Schaeff. (Fig. 3). (Águeda et al., 2006). Os corpos de frutificação produzidos por estas espécies possuem um alto valor económico, sendo dos mais consumidos do mundo. Estima-se que, anualmente, sejam consumidos entre 20.000 e 100.000 toneladas destes cogumelos (Águeda et al., 2008).

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8 Figura 3- Corpo de frutificação de Boletus reticulatus

Fonte: Mitra-nature

Ainda dentro da ordem Boletales encontra-se a espécie Astraeus hygrometricus (Pers.) (Fig. 4). Esta espécie forma ectomicorrízas com plantas das famílias Fagaceae,

Dipterocarpaceae, e Pinaceae. É bastante comum em climas temperados quentes,

subtropicais e tropicais. Ocorre em todos os continentes, exceto na Antártida (Phosri et al., 2013).

Figura 4 – Corpos de frutificação de Astraeus hygrometricus. Fonte: Elaborada pela Autora

O género Amanita forma micorrizas com um grande número de hospedeiros. É, também, um género cosmopolita. Inclui espécies com propriedades alucinogénias e com propriedades mortais. (Li & Oberlies, 2005). Este género também inclui algumas espécies comestíveis, como é o caso da Amanita curtipes E.-J. Gilbert. (Fig. 5). Os seus corpos de frutificação são pequenos em comparação com outras espécies do género. Pode ser encontrada em florestas mediterrâneas de Q. suber, Q. rotundifolia e Cistus ladanifer, tal

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como em bosques de Pinus pinaster. Distribui-se na zona do Mediterrâneo (Portugal, França, Itália, Espanha, Córsega, Argélia e Marrocos) (Moreno et al., 2008).

Figura 5 – Corpo de frutificação de Amanita curtipes Fonte: Mitra-nature

O género Russula forma micorrizas com diversas famílias de plantas, incluindo

Fagaceae e Pinaceae (Li et al., 2015). Possui muitas espécies morfologicamente

semelhantes e é difícil distingui-las (Miller & Buyck, 2002). Russula cyanoxantha (Schaeff.) (Fig. 6) é uma espécie comestível. Pode apresentar diferentes cores, como verde e púrpura. Frutifica no outono ou no fim da primavera (Jiménez et al., 2005).

Figura 6 - Corpo de frutificação de Russula cyanoxantha Fonte: Mitra-nature

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10 1.4. Objetivos

Este trabalho tem como objetivo contribuir para o conhecimento da diversidade micológica no montado de sobro, tendo em consideração as diferentes condições ambientais do local. Para atingir este objetivo, foram comparadas áreas de montado com características distintas, avaliando a proporção dos diferentes grupos tróficos, a riqueza específica e a existência de espécies com interesse económico. Foram relacionadas diversas variáveis ambientais, como as espécies vegetais, a estrutura da vegetação, as pragas de insetos e a ação do gado, com a ocorrência de macrofungos. Sendo, desta forma, possível compreender como as diferenças no habitat podem influenciar as comunidades de macrofungos.

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2. Materiais e Métodos

2.1. Local de estudo

A Serra de Monfurado é um SIC (sítio de importância comunitária) da rede Natura 2000. Localiza-se nos concelhos de Montemor-o-Novo e Évora, no distrito de Évora (Silva et

al., 2009). Destaca-se da planície Alentejana, tendo mais de 400 metros de altitude (CME,

2010). A sua rede hidrográfica divide-se pelas bacias hidrográficas dos Rios Tejo e Sado (CME, 2010).

Localiza-se na unidade morfoestrutural da Península Ibérica, o Maciço Hespérico. Os terrenos mais antigos datam do Proterozóico Superior, sendo constituídos por migmatitos e gnaisses granitóides sobrepostos por um complexo metamórfico com várias litologias (CME, 2010).

O Clima é mediterrâneo, integrando-se no andar meso-mediterrâneo inferior, com ombroclima dominante sub-húmido. A precipitação ronda os 900 mm/ano (CME, 2010).

No Sítio de Monfurado podem ser encontradas as espécies vegetais Quercus

faginea subesp. broteroi e Quercus pyrenaica sendo, para esta o limite sul da sua

distribuição geográfica em Portugal (Silva et al., 2009).

Nos locais estudados, para além de Q. suber, que caracteriza o montado de sobro, é possível encontrar outras espécies vegetais típicas destes ecossistemas, como Q.

rotundifolia, Cistus sp., Rubus sp. e Ulex sp.. Tal como acontece tipicamente nestes

ecossistemas, na área estudada é possível observar a existência de gado bovino, caprino e ovino.

2.2. Amostragem

A amostragem e a determinação das espécies de macrofungos foi realizada no outono de 2013 (meses de novembro e dezembro) e na primavera de 2014 (mês de março) (Santos-Silva & Louro, dados não publicados). Foram selecionadas várias parcelas na Serra de Monfurado, onde foram selecionados 55 pontos de amostragem, com 100m de raio. Dentro de cada parcela foi traçado um transecto com 1500 m2 (75x20m), onde foram

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recolhidos os corpos de frutificação epígeos em bom estado, para posterior identificação em laboratório. Segundo Barrento (2012), a amostragem realizada durante um ano permite amostrar, de forma significativa, a população de macrofungos, tendo obtido um número de espécies semelhante ao de outros estudos realizados durante mais tempo.

Em cada um dos pontos de amostragem foram quantificadas várias variáveis, que caracterizam o local (Godinho et al., dados não publicados), referentes às pragas de insetos, ao pisoteio, ao número de dejetos, às espécies vegetais existentes e à cobertura de vegetação.

Foi quantificada a percentagem de árvores afetadas pelos insetos Coroebus

florentinus, (Prfl) e Coroebus undatus (Prun). Ainda nos troncos foi quantificada a

percentagem de orifícios com menos de 2 mm, correspondendo ao inseto Platypus

cylindrus (Prop), bem como a percentagem de orifícios um pouco maiores (>2 mm), que

podem corresponder a várias espécies de insetos.

Em cada local, o pisoteio (Pst) foi classificado em 4 níveis; sendo que o 4 corresponde aos locais muito pisoteados e 1 aos pouco pisoteados. Contabilizou-se, também, o número médio de dejetos por m2 (Djt).

Registou-se a presença/ausência das seguintes espécies vegetais Q. rotundifolia (Qr), Cistus sp. (Ct), Rubus sp (Ru) e Ulex sp. (Ul). A cobertura da vegetação foi quantificada dentro de quatro classes. A primeira classe (C1) corresponde à vegetação com menos de 0,5m; a segunda classe (C2) corresponde à vegetação entre 0,5 m e 2 m; a terceira classe (C3) corresponde à vegetação entre 2 e 8 m e a quarta classe (C4) corresponde à vegetação com mais de 8 m.

2.3. Identificação taxonómica

Os macrofungos recolhidos foram determinados até à espécie, ou subespécies, quando possível (Santos-Silva & Louro, dados não publicados). Quando essa identificação não foi possível, foram classificados ao nível do género, seguido por uma identificação numérica. Para cada espécie foi identificado o grupo trófico a que pertencem e a comestibilidade. Para tal foi usada a seguinte bibliografia: Moser, 1983; Moreno et al., 1986; Breitenbach & Kränzlin, 1991, 1995, 2000; Courtecuisse & Duhem, 1995; Frade &

(22)

13

Alfonso, 2003; Kränzlin, 2005. A taxonomia foi atualizada com base nas informações consultadas no sitio http://www.indexfungorum.org/, visitado dia 6/02/2015. Os exemplares recolhidos foram integrados no Herbário da Universidade de Évora (UEVH– FUNGI) (Santos-Silva & Louro, dados não publicados).

2.4. Análise dos dados

Para analisar a diversidade de espécies e demonstrar o estado de sanidade dos locais amostrados foi determinada a riqueza específica (S) e a proporção de espécies micorrízicas/sapróbias, para cada uma das parcelas amostradas e para o total das parcelas. Determinou-se o número de vezes que uma espécie ocorreu, tendo-se em atenção o seu grupo trófico. Foi também contabilizado o número de espécies por género e família.

De forma a caracterizar os locais amostrados, foram calculados dados estatísticos (máximo, mínimo, moda e média) referentes às variáveis ambientais.

Para demonstrar a forma como as espécies estão relacionadas com as parcelas amostradas e com as variáveis ambientais, usou-se a análise de correspondência canônica. O programa informático utilizado foi o CANOCO para Windows, versão 4.5. Foram construídos três biplots, relacionando as variáveis ambientais com as espécies, os locais amostrados com as espécies e as variáveis ambientais com os locais. A construção de três

biplots deveu-se à grande quantidade de dados, que tornaria ilegível apenas com um biplot.

As espécies raras ou muito frequentes podem influenciar negativamente a CCA, criam modificações na inércia total da configuração dos dados ou distorcendo a ordenação de espécies (Godinho et al., 2009). Neste trabalho não foram registadas espécies muito frequentes, mas muitas espécies apenas apresentavam apenas um registo, então essas espécies foram excluídas da CCA.

(23)

14

3. Resultados

3.1. Riqueza específica e distribuição das espécies pelos grupos tróficos

Foram identificadas 142 espécies de macrofungos, distribuídas por 62 géneros, distribuídos por 31 famílias. A família com mais espécies representadas (28 espécies) foi Russulaceae, incluindo os géneros Lactarius (6 espécies) e Russula (22 espécies), este foi também o género com mais espécies registadas. A segunda família mais representada foi

Agaricaceae (17 espécies) incluindo os géneros Agaricus (4 espécies), Bovista (1 espécie), Calvatia (1 espécie) Coprinus (2 espécies), Cyathus (1 espécies), Lepiota (2 espécies), Lycoperdon (3 espécies), Macrolepiota (2 espécies) e Vascellum (1 espécie).

Registaram-se nove espécies comestíveis: Agaricus campestres, Amanita curtipes,

Auricularia auricula-judae, Boletus reticulatus, Cantharellus cibarius, Coprinus comatus, Lepista nuda, Macrolepiota procera e Russula cyanoxantha.

Das 142 espécies registadas, 68 são micorrízicas, 72 são sapróbias e 2 são parasitas. Na figura 7 é possível ver a percentagem de cada um dos grupos tróficos. A proporção total de espécies micorrízicas/sapróbias total foi de 0,944.

Figura 7 – Representação gráfica da percentagem (%) de espécies para cada um dos grupos tróficos, num total de 142 espécies.

47,89% 50,70%

1,41%

Percentagem de espécies de cada grupo

trófico

Micorrizico Sapróbio Parasita

(24)

15

A riqueza específica e a distribuição dos grupos tróficos foi bastante heterogénea entre os locais amostrados (Fig. 8).

Figura 8 - Representação gráfica do número de espécies para cada tipo trófico, em cada ponto amostrado (representados pela numeração correspondente)

Foram excluídas da restante análise estatística as 51 espécies que só foram registadas uma vez (Godinho et al., 2009). Estas espécies foram: Agaricus

porphyrocephalus, Agaricus silvaticus, Agaricus sylvicola, Agrocybe praecox, Amanita citrina, Amanita crocea, Amanita curtipes, Armillaria mellea, Bolbitius vitellinus, Boletus luridus, Boletus pulverulentus, Cantharellus cibarius, Clathrus ruber, Clitocybe metachroa, Clitocybe obsoleta, Conocybe macrospora, Coprinellus xanthothrix, Coprinus alopecia, Cortinarius sp2, Cortinarius sp3, Galerina vittiformis, Gymnopilus spectabilis, Gymnopus dryophilus, Gyroporus castaneus, Hebeloma edurum, Helvella atra, Hygrophorus eburneus, Inocybe asterospora, Inocybe rimosa, Inocybe sp1, Lactarius azonites, Lactarius subumbonatus, Lepiota clypeolaria, Lepiota phaeodisca, Lycoperdon perlatum, Melanoleuca exscissa, Mycena haematopus, Mycena pura, Ossicaulis lignicola, Phaeomarasmius erinaceus, Pluteus cervinus, Pseudoclitocybe cyathiformis, Russula chloroides, Russula curtipes, Russula decipiens, Russula fragilis, Russula praetervisa, Russula sp1, Trametes versicolor, Tricharina gilva e Vascellum pratense. Das 91 espécies restantes

46 são micorrízicas 44 são sapróbias e 1 é parasita.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51 53 55 N m u erp d e es p éc ie s Ponto amostrado

Número de espécies de cada tipo trófico

Micorríza Sapróbio Parasita

(25)

16

As espécies coprófilas Panaeolus papilionaceus (56) e Psilocybe merdaria (66) foram as duas com um maior número de registos. Seguidas das espécies micorrízicas Laccaria

laccata (40), Scleroderma verrucosum (84), Russula subfoetens (80), Xerocomellus chrysenteron (91), Astraeus hygrometricus (7) e da parasita Armillaria tabescens (6) (Fig. 9).

(26)

17 Figura 9 - O número total de ocorrência de cada espécie. Os números do eixo vertical correspondem às espécies,

utilizando os números que as representam, conforme o anexo 1. As barras a vermelho representam as espécies sapróbias, as azuis as espécies micorrízicas e a verde a parasita.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 3 8 10 16 17 19 32 31 34 36 38 39 51 52 53 54 58 62 69 70 71 76 77 79 81 82 85 88 89 1 2 11 12 13 25 22 28 35 42 46 47 50 57 61 65 83 4 21 24 27 29 30 37 55 75 14 18 33 49 64 68 73 23 41 43 63 67 72 74 5 20 44 78 86 90 9 45 48 59 87 15 26 60 6 7 91 80 84 40 66 56

(27)

18

3.2. Relação entre os macrofungos e variáveis ambientais

A Tabela 1 ilustra os dados estatísticos (máximo, mínimo, moda, média) referentes às variáveis utilizadas para caracterizar cada um dos locais.

Tabela 1 - Máximo (Max.), Mínimo (Min), Moda e Média de cada uma das variáveis quantificadas: C1, C2, C3 e C4 correspondem, respectivamente, à proporção de cobertura da vegetação, menos de 0,5m; entre 0,5 e 2m; entre 2m e 8m e mais de 8m. Qr, Ct, Ru e Ul correspondem à presença/ausência das espécies Q. rotundifolia, Cistus sp., Rubus sp. e

Ulex sp.. Djt corresponde ao número médio de dejetos por m2. Pst corresponde ao pisoteio que varia ente 1 e 4 (pouco-muito). Prfl, Prun e Prop correspondem, respectivamente, à proporção de árvores afetadas por C. florentinus, C.

undatu e P.cylindrus. Prog corresponde à proporção de árvores orifícios com mais de 2mm provocados por várias

espécies de insetos.

C1 C2 C3 C4 Qr Ct Ru Ul Djt Pst Prfl Prun Prop Prog Max. 0,7 0,3 0,8 0,15 1 1 1 1 10,33 4 0,6 1 0,4 0,2

Min. 0 0 0,15 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0

Moda 0,05 0,1 0,4 0 0 0 0 0 0 1 0 0,4 0 0

Média 0,13 0,09 0,43 0,01 0,13 0,31 0,40 0,35 2,25 2,47 0,19 0,56 0,02 0,01

Dentro das variáveis relativas à cobertura da vegetação, a variável C3 (vegetação entre 2 e 8 m), foi a classe melhor representada. Está presente em todos os locais e apresenta uma média e uma moda superiores às das restantes classes (Tabela 1). A classe C3 pode incluir algumas espécies de árvores de menor porte ou que ainda não atingiram a sua altura máxima. Também podem incluir algumas espécies de arbustos, como por exemplo, Cistus Ladanifer, que pode atingir até 2,8 m (Valdes et al, 1987).

Por sua vez, a classe de vegetação C4 (vegetação com mais de 8 m) foi a que apresentou menor proporção de cobertura (Tabela 1). Segundo Soares-Ferreira (2011), Q.

suber tem um altura média entre 10 e 15 metros. Apesar disso, alguns indivíduos desta

espécie podem estar incluídos nas outras classes, devido a não terem atingido a sua altura máxima.

Dentro das espécies vegetais registadas nos locais amostrados, a mais frequente foi

Rubus sp. e a espécie menos frequente foi Quercus rotundifolia (Tabela 1).

O número médio de dejetos por m2 (Djt) e o pisoteio (Pst) podem demonstrar o ação dos animais nos locais amostrados. Os resultados da Tabela 1 demonstram que a ação dos animais é muito variável dentro dos locais amostrados.

Dentro das variáveis que correspondem a pragas causadas por insetos, Prun foi a melhor representada. Num dos locais amostrados, C. undatus, infetava todas as árvores (Tabela 1). Nenhuma das pragas está presente em todos os locais amostrados.

(28)

19

Os resultados da Análise de Correspondência Canônica estão representados nos

biplots apresentados nas figuras 10, 11 e 12. A figura 10 relaciona as espécies de

macrofungos com as variáveis ambientais, a figura 11 relaciona os locais amostrados com as espécies e a figura 12 relaciona as variáveis com os locais amostrados. Os autovalores (eigenvalues) para os eixos de ordenação foram 0,066; 0,037; 0,033; 0,025, explicando 6,6%; 10,3%; 13,6% e 16,1%.

(29)

20 Figura 10 – Biplot obtido pela CCA entre as espécies (representadas a azul) e as variáveis ambientais (representadas a vermelho). As espécies estão representadas pelos números correspondentes, conforme o anexo 1. As variáveis C1, C2, C3 e C4 correspondem, respetivamente, à proporção de cobertura da vegetação, menos de 0,5m; entre 0,5 e 2m; entre 2m e 8m e mais de 8m. Qr, Ct, Ru e Ul correspondem à presença/ausência das espécies Q. rotundifolia, Cistus sp.,

Rubus sp. e Ulex sp.. Djt corresponde ao número médio de dejetos por m2. Pst corresponde ao pisoteio que varia entre 1 e 4 (pouco-muito). Prfl, Prun e Prop correspondem, respectivamente, à proporção de árvores afectadas por C.

florentinus, C. undatu e P.cylindrus. Prog corresponde à proporção de árvores orifícios com mais de 2mm provocados

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21 Figura 11 – Biplot obtido pela CCA entre os locais amostrados (a vermelho) representados pela numeração

(31)

22 Figura 12 – Biplot obtido pela CCA entre os locais amostrados (a preto) representados pela numeração correspondente às variáveis ambientais (a vermelho). As variáveis C1, C2, C3 e C4 correspondem, respectivamente, à proporção de cobertura da vegetação, menos de 0,5m; entre 0,5 e 2m; entre 2m e 8m e mais de 8m. Qr, Ct, Ru e Ul correspondem à presença/ausência das espécies Q. rotundifolia, Cistus sp., Rubus sp. e Ulex sp.. Djt corresponde ao número médio de dejetos por m2. Pst corresponde ao pisoteio que varia entre 1 e 4 (pouco-muito). Prfl, Prun e Prop correspondem, respetivamente, à proporção de árvores afectadas por C. florentinus, C. undatu e P.cylindrus. Prog corresponde à proporção de árvores orifícios com mais de 2mm provocados por várias espécies de insetos.

(32)

23

A variável C1 é uma das variáveis mais influentes. As espécies sapróbias Bovista

plumbea (11) e Lepista nuda (46) são influenciadas pela C1 (Fig. 10). Bovista plumbea pode

ser encontrada em prados e Lepista nuda frutifica em todos os tipos de bosques. (Jiménez,

et al., 2005). O ponto 21 (14 espécies sapróbias) e o ponto 8 (4 espécies sapróbias e 1

espécie micorrízica) são influenciados por esta variável e por estas espécies (Fig. 11, Fig. 12 e Fig. 8).

A variável C3 foi uma das mais influentes. Relacionadas com esta variável estão as espécies micorrízicas Cortinarius sp1 (24), Cortinarius anomalus (25), Entoloma sinuatum (30), Inocybe fraudans (37), Lactarius camphoratus (41), Lactarius chrysorrheus (42),

Lactarius decipiens (43), Russula sororia (78) (Fig. 10). Estas espécies poderão estar

associadas às espécies vegetais do montado, como Q. suber, que poderá ter indivíduos incluídos nesta classe. Os pontos de amostragem 44 (2 espécies micorrízicas e 1 parasita), e o ponto 47 (13 espécies micorrízicas, 1 sapróbia e 1 parasita), estão relacionados com esta variável (Fig. 12 e Fig. 8).

A variável Ul (Ulex sp.) é também uma das mais influentes. As espécies micorrízicas

Entoloma cistophilum (28), Pisolithus arhizus (58) encontram-se relacionadas com esta

variável (Fig. 10). Os pontos 5 (5 espécies micorrízicas e 4 sapróbias), 25 (9 espécies micorrízicas e 5 sapróbias) e 34 (2 espécies micorrízicas), encontram-se influenciados por esta variável (Fig. 12 e Fig. 8).

Por sua vez, as espécies Clitocybe costata (13), Clitocybe dealbata (14), Conocybe

semiglobata (18) e Psathyrella spadiceogrisea (63) encontram-se sob a influência das

variáveis pisoteio (Pst) e quantidade de dejetos (Djt) (Fig. 10). Todas estas espécies são sapróbias. O pisoteio é um das variáveis mais influentes. O ponto 14, onde só ocorrem sapróbios está associado a Pst (Fig. 12). A variável Djt tem associadas as espécies sapróbias

Panaeolus papilionaceus (56) e Parasola auricoma (57) (Fig. 10) e os pontos 20, 15 e 2 (Fig.

12). O ponto 20 só têm espécies sapróbias. Os pontos 15 e 2 têm cada um 7 espécies sapróbias e 1 micorrízica (Fig. 9).

A variável Prfl (proporção de árvores infetadas com a praga C. florentinus) tem associadas à espécie sapróbia Polyporus arcularius (59) (Fig. 10). Os pontos 3 (7 espécies sapróbias), 4 (8 espécies sapróbias, 5 micorrízicas e 1 parasita), 32 (2 espécies sapróbias), 37 (1 espécie sapróbia e 1 parasita), 48, (5 espécies micorrízicas e 5 sapróbias) e 49 (7

(33)

24

espécies sapróbias, 4 micorrízicas e 1 parasita) estão associados a esta variável (Fig. 12 e Fig. 8).

A variável Prop (proporção de árvores infectadas com a praga P.cylindrus) foi uma das variáveis mais influentes. As espécies sapróbias Coprinus comatus (21), Gymnopilus

suberis (33), Clitocybe odora (16), e Schizophyllum commune (83) encontram-se associadas

a esta variável (Fig. 10). Os pontos 38 (1 espécie sapróbia e 1 parasita) e 23 (5 espécies sapróbias e 3 micorrízicas), também estão associados a Prop (Fig. 12 e Fig. 8).

(34)

25

4. Discussão

O montado de sobro é um ecossistema muito diverso. Para ser possível a compreensão da forma como o ambiente influencia a presença de macrofungos nestes ecossistemas, foram selecionadas várias áreas em montado de sobro, onde se registou a presença de corpos de frutificação de macrofungos. Dentro destes locais foram também registadas algumas variáveis ambientais, que podem caracterizar o local e demonstrar a sua influência nas comunidades de macrofungos.

Registaram-se 142 espécies de macrofungos. A amostragem foi feita apenas durante um ano (outono de 2013 e primavera de 2014), o que faz com que algumas espécies tenham sido recolhidas poucas vezes. Mesmo após a exclusão das espécies que só aparecem uma vez, das 91 restantes, ainda existem 29 espécies que só aparecem duas vezes (Fig. 9). Desta forma, seria espectável que a percentagem explicativa das variáveis ambientais para a ocorrência de espécies de macrofungos não fosse elevada. Apesar disso foi possível observar algumas relações entre as espécies mais frequentes e as variáveis ambientais.

Apesar do período de amostragem ser insuficiente para se puderem retirar conclusões definitivas ou extrapolar livremente para outras situações, foi possível registar um elevado número de espécies. Foi superior ao número de espécies registado por Barrento (2012), com 132 espécies, em montado de sobro, onde a amostragem também ocorreu apenas durante um ano. Comparando com outros estudos, em ecossistemas semelhantes, mas que tiveram duração e área amostrada diferente do presente estudo, é possível observar que foi obtido um número superior de espécies em relação a Azul et al. (2010), com 121 espécies em montado de sobro; Calado et al. (2009) com 59 espécies em montado de sobro, Barrico e. al. (2010) com 42 espécies em montado de sobro, Santos-Silva, et al. (2011) com 123 espécies em montado de sobro e azinho. O número de espécies foi apenas inferiores aos registados por Azul et al. (2009) com 171 espécies em montado de sobro, por Richard, et al. (2004) com 234 espécies em montado de azinho e por Louro, et

al. (2009), com 162 espécies em montados de azinho. Apesar da amostragem ter decorrido

durante apenas um ano, em relação à riqueza específica a amostragem parece ter sido relevante.

(35)

26 Russulaceae foi a família com mais espécies registadas. Outros estudos apontam

nesse sentido, como Azul et al. (2009) e Azul et al. (2010) Santos-Silva & Louro (2015). Esta família inclui os géneros Russula e Lactarius. Russula incluiu um grande número de espécies micorrízicas, que se podem associar a espécies vegetais no montado, tendo sido o género representado por mais espécies neste trabalho. A segunda família com mais espécies registadas foi Agaricaceae. Ao contrário do que sucede com a família Russulaceae, que inclui poucos géneros com muitas espécies, a família Agaricaceae foi representada por um grande número de géneros, apesar de nenhum deles estar representado por um grande número de espécies.

No total das espécies registadas, a proporção de espécies micorrízicas/sapróbias foi relativamente equilibrada (0,944), ou seja, embora exista um número superior de espécies sapróbias, a diferença entre estes dois grupos tróficos não foi muito acentuada.

A distribuição dos grupos tróficos é muito diversificada entre os locais amostrados. Segundo Ortega & Lorite (2007), a proporção de espécies micorrízicas/sapróbias pode constituir um parâmetro para medir o grau de maturidade e o estado de conservação de uma comunidade. Ou seja, quando o número de espécies micorrízicas é maior que o número de espécies sapróbias, o ecossistema é saudável. Desta forma, é possível perceber, que dentro dos locais amostrados há uma grande disparidade ao nível do estado de saúde do ecossistema. Esta disparidade pode dever-se às características do montado, onde a diversidade ecológica depende da utilização dada ao terreno.

Nos locais com maior densidade de vegetação e com menos ação do gado, é de esperar que haja um maior número de espécies micorrízicas, que se associam a árvores e arbustos. A variável C3, onde podem estar incluídos os arbustos de maior porte e as árvores de menor porte, bem como a variável Ul (presença de Ulex sp.) estão associadas a alguma espécies micorrízicas (Fig. 10) e a locais onde este grupo trófico predomina (Fig. 12). Em Santos-Silva & Louro (2015) foi demonstrado que a diversidade de espécies micorrízicas é superior em locais onde os arbustos não foram cortados, ou seja, o corte de arbustos pode ter um impacto negativo na diversidade e composição de espécies micorrízicas.

Por outro lado, os locais mais degradados, onde os efeitos da ação do gado, como a deposição de matéria orgânica no solo e o pisoteio são mais significativos, têm tendência para apresentarem um maior número de espécies sapróbias.

(36)

27

Nas zonas de pastagem, representadas pela variável C1, existe uma predominância de espécies sapróbias, que se deve tanto à menor proporção de árvores e arbustos, como a uma maior quantidade de matéria orgânica no solo.

Associadas à ação de animais encontra-se a variável quantidade de dejetos (Djt). Esta variável está relacionada com a ocorrência de espécies sapróbias, algumas delas coprófilas. As duas espécies que foram registadas mais vezes são coprófilas (Fig. 9), demonstrando a forma como a ação dos animais foi evidente em alguns dos locais amostrados. Por sua vez, o pisoteio (Pst) tem um efeito negativo nas comunidades de macrofungos. O pisoteio pode reduzir cerca de 70% o número de espécies (Baptista, et al. 2010).

(37)

28

5. Conclusão

O montado de sobro é um ecossistema seminatural, onde as árvores Q. suber são predominantes. Os diferentes maneios deste ecossistema podem conferir-lhe uma grande diversidade de habitats. Os fungos, como integrantes do montado, são essenciais para o seu bom funcionamento. Neste trabalho observaram-se alguns efeitos das variáveis ambientais na comunidade de macrofungos. Os resultados poderiam ser diferentes, se a amostragem tivesse durado mais tempo e/ou existissem pontos de amostragem não sujeitas a pastoreio.

Foi possível observar a grande variedade de nichos ecológicos existentes no montado. Foram registadas espécies que ocupam os mais diversos nichos ecológicos, como espécies micorrízicas que estão associadas a determinadas espécies vegetais e espécies sapróbias, especializadas num dado substrato, como por exemplo, as espécies lenhícolas e coprófilas.

O modo como as diferentes utilizações do local influenciam a comunidade de macrofungos também foi percetível. Os locais com maior proporção de vegetação arbustiva e arbórea, ou seja, com pouca ação do gado, influenciam a ocorrência de macrofungos micorrízicos. Por outro lado, as espécies sapróbias relacionam-se com o excesso da ação do gado, ou seja, a ação excessiva de animais domésticos pode afetar negativamente o estado de saúde do ecossistema.

Como bons indicadores do estado de conservação do montado, seria relevante a existência de mais estudos relacionados com o efeito da ação humana nos ecossistemas, utilizando os macrofungos.

(38)

29

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