• Nenhum resultado encontrado

Uma monografia e alguma notas

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Uma monografia e alguma notas"

Copied!
31
0
0

Texto

(1)

Modalidades de unidade agrícola, familiares e

outras, e contextos territoriais no Continente

português à beira dos anos 2020

Uma monografia e alguma notas

Joaquim Cabral Rolo

(2)

Índice

Prévio ... 1

Contexto I – Solo rústico ... 5

Contexto II – População (rural) e rendimentos ... 7

Contexto III – As economias ... 8

Contexto IV – Capital humano (a escolarização) ... 9

Dinâmicas 2009-16 das modalidades de unidade agrícola ... 12

a dimensão económica ... 12

explorações familiares e não familiares (“patronais” e outras) e a dimensão económica ... 13

Um panorama das modalidades de agricultura em 2016 ... 15

a pequena agricultura – “muito pequenas” e “pequenas” explorações ... 15

a exploração agrícola como fonte de proventos familiares ... 16

importância das modalidades de agricultura: familiar e não familiar, dependência dos rendimentos e dimensão económica ... 17

pequena e média agricultura familiar com a exploração agrícola como fonte primacial de rendimento familiar: relevância municipal ... 18

traços estruturais das modalidades de unidade agrícola ... 19

usos/ocupações das terras ... 19

partição por atividades vegetais e animais do valor económico gerado (VPP) ... 20

contributos das modalidades para o valor da produção do Continente ... 21

relações terra, trabalho e resultados económicos ... 21

Anexos ... 24

I. Modalidades de exploração agrícola à beira do Recenseamento Agrícola de 2019:

procedimentos de avaliação ao nível municipal do Continente português ... 24

II. Zonamento (agrupamentos municipais), no âmbito das Comunidades

Intermunicipais (CIM), de "tipos de rural", de "territórios do interior" e de intervenção

de Associações de Desenvolvimento Local (ADL) ... 28

(3)

Modalidades de unidade agrícola, familiares e outras, e contextos

territoriais no Continente português à beira dos anos 2020. Uma

monografia e alguma notas

Joaquim Cabral Rolo1*

(doc. de estudo, versão 1- fev. 2021)

Prévio

Em breve estarão disponíveis dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) provenientes do Recenseamento Agrícola de 20191 sobre o objeto central deste

documento2: as modalidades de exploração agrícola em 2016, e com alguma

vista à dinâmica pós 2009. Todavia, a sua análise/estudo exigirá tempo, pelo que se justifica (?) o que aqui se reúne com a datação genérica à beira dos anos 2020. Justificação deste documento também como contributo para/da Operação da Rede Rural Nacional “Agricultura Familiar: Conhecimento, Organização e Linhas Estratégicas”3.

O foco, como se referiu, está nas modalidades de exploração agrícola; a qual tem o entendimento estabelecido pelo INE, em conformidade com as regras da UE em matéria de estruturas agrárias e de suporte instrumental da política agrícola comum4. Explorações agrícolas, cuja definição persiste vincadamente

agrícola, que moldam, expressivamente, o rural – nos acertos e desacertos com

*InvestigadorCoordenador ap. do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV, I.P.).

1 Vd. INE, “Recenseamento Agrícola 2019 - Resultados Preliminares”, Destaque, 18 de dezembro de 2020.

2 A natureza da informação compilada/elaborada e as anotações que se reúnem neste documento são tributárias de bibliografia de vários autores, designadamente sobre os temas “rural”, “agricultura familiar”, “agricultura de pequena dimensão”. Refira-se, genericamente e de tempo mais próximo, a de autorias portuguesas resultantes da efervescência do chamamento do Ano Internacional da Agricultura Familiar (2014); embora com data anterior, explicita-se apenas pelo adquirido histórico: Baptista (2001: Parte I e Cap. 4 da Parte II).

3 Operação que tem como Entidade Gestora: Minha Terra – Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local e como Parceiros: 1. Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGDAR), 2. Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), 3. Universidade de Évora.

4 Vd. o conceito de exploração agrícola em https://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/5261 e, para uma análise sobre possíveis ajustamentos/alterações, Rolo (2016).

(4)

o urbano. O rural, nas suas duas dimensões – o solo rústico/rural e a população que lhe dá vida, em primeiro lugar, a que reside nos pequenos aglomerados – enforma os contextos.

Fixaram-se, no Continente português, quatro demarcações de espaços territoriais (agrupamentos de concelhos): a dos tipos de rural5 (“baixa

densidade”, “agrícola”, “indústria e serviços”, “urbano”), a das Comunidades Intermunicipais (CIM), a das Associações de Desenvolvimento Local (ADL) e a do Interior6. São quatro escalas de leitura dos recursos e das populações e

agentes económicos; sobre estes a incidência é limitada à entidade “exploração agrícola”.

A convenção fixada para o conceito de exploração agrícola familiar determina as quantificações (importância relativa, usos do solo e indicadores estruturais) de caracterização do universo de unidades agrícolas7. Com efeito, assume-se a

exploração familiar como a entidade de produtor singular/individual (pessoa

física) em que o funcionamento do aparelho de produção está a cargo em pelo

menos 50% da mão-de-obra familiar (produtor, cônjuge e outros membros do agregado), que não recebe salário, no total da mão-de-obra utilizada na exploração8; ou seja, no total das unidades de trabalho ano, UTA, avaliadas

pelos padrões estabelecidos de tempos de trabalho/pessoa (1 UTA = 225 dias de trabalho a 8 horas por dia; 1 800 horas/ano ou 40 horas/semana9), 50% ou

5 Vd. Rolo e Cordovil (2018).

6 Na aceção do instrumento jurídico Portaria n.º 208/2017 de 13 de julho. Vd. Anexo II, Zonamento, no âmbito das Comunidades Intermunicipais (CIM), de "tipos de rural", de "territórios do interior" e de intervenção de Associações de Desenvolvimento Local (ADL).

7 Vd. Anexo relativo aos procedimentos de avaliação das modalidades de exploração agrícola. 8 Tal como foi feito em Cordovil c/ Rolo (2014). Recorda-se a descoincidência de conceitos/classificações: (a) Empresa agrícola familiar – “Empresa em que a mão de obra agrícola fornecida pelo produtor agrícola e pelos membros do seu agregado familiar, que não recebem salário, representa cerca de 75% ou mais de toda a mão de obra agrícola utilizada na exploração”

(Aprovado pelo Conselho Superior de Estatística desde 03-11-2005, in

https://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/998; (b) Produtor singular autónomo - o produtor agrícola [enquanto] “pessoa física se permanente e predominantemente utiliza a atividade própria ou de pessoas do seu agregado doméstico na sua exploração, com ou sem recurso excecional ao trabalho assalariado” (a autoclassificação dos respondentes ao questionário, vd. INE, 2017. Inquérito à

Estrutura das Explorações Agrícolas 2016 [INE, 2017. IEEA2016: 15]. ISBN: 978-989-25-0429-2,

www.ine.pt.).

(5)

mais advêm de UTA familiares (não assalariadas). Em contraponto, o produtor singular, ainda que conte com trabalho familiar, em que mais de metade das necessidades laborais é preenchida com recurso ao salariato engloba-se no grupo de unidades agrícolas (com as de natureza jurídica pessoa moral – por convenção só laboram com trabalho assalariado -: sociedades, baldios, Estado, seminários …) sob o apelativo de agricultura (explorações) não familiar. Vale ter em conta que o registo oficial da natureza jurídica – no caso como sociedade – obscurece a classificação sob a vertente trabalho (familiar-assalariado, nos seus matizes). E, também, que as orientações de políticas públicas, de subsidiação e ou fiscais, repercutem-se na identificação e classificação das unidades económicas10; salienta-se, nesta linha, a existência de unidades agrícolas

familiares com o estatuto de “sociedade”.

Não se excluem, em paradigmas, outros atributos de concetualização de exploração familiar associados aos laços/funções família-unidade agrícola11.

Todavia, o trabalho – pesem as reconfigurações que se sucedem (quer nas especificidades ao nível da família12, quer no esboroar de relações formais e no

crescendo da informalidade e do “trabalho atípico”13) – subsiste, até pela

objetividade (possível) de medição, como atributo determinante de individualização/classificação. Nele assenta a destrinça de racionalidades económicas de funcionamento das explorações – a gestão e remuneração do trabalho familiar vs. o custo do trabalho assalariado a comprimir o mais possível14. Mas também as sinergias intrafamiliares no desempenho das tarefas

10 No que se relaciona com ajudas públicas no âmbito da PAC, vd. Rolo (2016: 125); e ligado à fiscalidade, por ex. no quadro do Orçamento de Estado para 2013 (Lei n.º 66-B/2012 de 31 de dezembro), vd. Caldas et al. (2020: 69).

11 Vd. Veiga, 2014.

12 A família como unidade de trabalho a transformar-se numa unidade de gestão e de uso (segundo

as funções que a exploração assegura a cada um dos seus membros); ou, sob a ótica patrimonial,

o caminho da conversão da “exploração familiar” em “exploração da família” – Baptista (2001: 95). Sobreleva-se a relevância dos “outros membros da família” - face ao “produtor” e ao “cônjuge” no seio dos agregados familiares com exploração agrícola – no que respeita ao “capital humano” e ao tempo de trabalho na exploração agrícola; estes dois parâmetros são abordados nesta monografia.

13 A submersão do “fator” trabalho sob o formato ascendente da “aquisição de serviços”. 14 Baptista e Rolo, 2017: 35; vd., também, Veiga, 2014: 6.

(6)

na exploração (os tempos e os momentos de trabalho): o triângulo entre as figuras “produtor”, “cônjuge” e “outros membros da família”.

Resulta daqui, e perante o conceito, a não homogeneidade de racionalidade da agricultura (explorações) familiar: é um segmento lato que vai da exclusividade do trabalho familiar, a situações que, de par com a remuneração das UTA familiares, emerge o objetivo de gerir o custo salarial; o qual pode mediar entre alguma(s) jorna(s) de trabalho e cerca de metade das UTA mobilizadas pela exploração – as situações de “fronteira”15; acrescem as gradações no trabalho

dos elementos da família16.

Para além da destrinça fundamental entre explorações familiares e não familiares, as modalidades de unidade agrícola definem-se em função dos critérios: relevância da exploração agrícola nos rendimentos dos agregados familiares - o que, pela circunstância da fonte de informação, só abrange os produtores singulares - e dimensão económica (DE: a estratificação pelo valor global das produções vegetais e animais17).

Quanto àquele primeiro critério, segue-se a tripartição veiculada pelo INE do exclusivo dos rendimentos da família da exploração, mais de metade da exploração e mais de metade dos proventos de fora da exploração. As duas últimas situações contemplam uma âncora da incrustação da “agricultura” na sociedade portuguesa: o primado da articulação pelos mercados de trabalho e outros que não os do ramo “agrícola”. São as fontes de proventos familiares diversas da “exploração agrícola” - de salários, de pensões/reformas, de negócios em outros ramos de atividade, de rendas … (com o exclusivo ou em conjugação, com o maior ou menor predomínio de alguma).

Sobre o critério DE, acentua-se: reporta em exclusivo aos produtos da superfície agrícola utilizada (SAU), o que significa o arredar das parcelas da superfície total

15 Vd. Veiga, 2014: 8.

16 As situações, por ex., de coabitação intergeracional.

17 O resultado da multiplicação do valor da produção padrão, VPP (um padrão como média regional), por unidade (superfície e cabeça de gado), pelas dimensões das respetivas atividades vegetais e animais.

(7)

relativas às terras com floresta sem cultivos no sob coberto (floresta estreme) e à designada superfície agrícola não utilizada.

Por último, neste introito: no que respeita à informação inserida neste documento, deverá ter-se presente quer a sua origem, quer, sobretudo, os procedimentos da reelaboração à escala municipal18; sublinha-se a falibilidade,

em nível diferenciado, dos dados (resultados de processos de estimativa) e, por conseguinte, o apelo à prudência e sentido crítico sobre as quantificações divulgadas.

Contexto I - Solo rústico

Sob as tendências pesadas da evolução económica (das desigualdades sociais e territoriais, às alterações ambientais), pressupõe-se o desenvolvimento rural alicerçado na matriz:

A classificação do solo como rústico visa proteger o solo como recurso natural escasso e não renovável, salvaguardar as áreas com reconhecida aptidão para usos agrícolas, pecuários e florestais, afetas à exploração de recursos geológicos e energéticos ou à conservação da natureza e da biodiversidade e enquadrar adequadamente outras ocupações e usos incompatíveis com a integração em espaço urbano ou que não confiram o estatuto de solo urbano19.

O solo como recurso natural e, em simultâneo, como sustentáculo de recursos - usos/ocupações – agrícolas (a produção alimentar), mas também florestais, de captações energéticas, de minas e pedreiras, de extração de águas minerais naturais20 e recetáculo da multiplicidade de construções sociais/instituições (das

Regiões Demarcadas Vitivinícolas, aos Geoparques da Rede da Unesco, à Rede Natura, …).

18 Vd., em especial, o Anexo I Modalidades de exploração agrícola à beira do Recenseamento

Agrícola de 2019: procedimentos de avaliação ao nível municipal do Continente português.

19 Presidência do Conselho de Ministros, 2019. Decreto regulamentar n.º 5/2019 de 27 de setembro, procede à fixação dos conceitos técnicos atualizados nos domínios do ordenamento do território e do urbanismo, p. 74.

20 Vd. http://www.roteirodeminas.pt/listagem-de-registos/newslist-pt/roteiro-das-minas-e-pontos-de-interesse-mineiro-e-geologico-de-portugal-e-muito-mais-no-facebook.aspx.

(8)

Esta é a perceção das imbricações da população – a associada, com diferentes vínculos, a “explorações agrícolas” e outra – com os recursos do solo rústico/rural; e onde se configuram as formas de exploração fundiária e se geram valores mercantis e não mercantis de apropriação pública e privada. Com a informação reunida no próximo ficheiro traz-se à leitura das paisagens do Continente, e à reflexão sobre os modelos “agrícolas” (“alimentares”21 e

silvícolas), a tríade de usos/ocupações “agricultura”-“pastagens/matos/gados”-“floresta”22.

Que articulações destes “mosaicos” na senda do ordenamento do território e do desenvolvimento? – Que equilíbrios entre “especialização” e “diversificação” de usos às escalas da exploração e do território? - Que agentes as promovem/podem promover? – Que políticas públicas?

Observa-se: (a) As quatro delimitações territoriais fixadas do Continente mostram a diferenciação na composição dos usos do solo rútico (diversidade de paisagens). (b) Os usos do universo “exploração agrícola” cobrem (apenas) uma parte das respetivas parcelas do solo rústico23 – são outros os agentes do que está fora, em extensão

por vezes expressiva, do universo de unidades agrícolas (agricultores, sem os requisitos de “exploração agrícola” - proprietários florestais; proprietários

florestais-agricultores; tão só proprietários florestais). (c) Na média do

Continente: (c1) a floresta ocupa a 1.ª posição (perto de 40%, mas a porção

21 Vd. Gasselin et al. (2021: 10); como se lê na introdução deste livro: propõem-se quatro dimensões teóricas que permitem questionar sobre a coexistência e o confronto de diferentes modelos agrícolas e alimentares. Estas dimensões são a diversificação (por oposição à especialização), a inovação, a adaptação e a transição (Id., ibidem).

22 Vd. Rolo (2020) e, sobre a problemática dos incêndios florestais e rurais, o Estudo Técnico (2020), O Uso do Fogo em Portugal …, do Observatório Técnico Independente [Assembleia da República]. Retenha-se, ainda: a referência relativa à componente florestas do Plano de Recuperação e Resiliência [PRR] - Recuperar Portugal 2021-2026 (p. 80); e o estudo analítico e prospetivo da incidência territorial da PAC no Continente português de Cordovil (2018). 23 Vd. Cordovil (2021).

Ocupações do solo

(9)

inserida em explorações agrícolas ronda os 18%); (c2) a componente matos e

pastagens (30%) secunda a floresta, sendo a prevalecente (acima de 40%) nos territórios de “baixa densidade” do Norte e Centro.

Vincam-se as especificidades territoriais nas dimensões dos recursos do solo rústico.

Contexto II – População (rural) e rendimentos

No transcurso dos anos 2011-18 a população residente diminuiu (-2,5%), mas o declínio dos residentes em aglomerados de pequena dimensão (menos de 2 000 habitantes) estima-se ter sido mais pronunciado (-6,5% na média do Continente). A constatação: o rural prosseguiu o trilho do encolhimento – ocorreu em todas as manchas do rural, mas foi mais intenso nos territórios de “baixa densidade” (veja-se a informação do ficheiro próximo); todavia, tal não significou a estagnação da vida (e da vida das economias): nos anos 2013 a 2019 o declínio dos registos de desemprego foi generalizado.

Notam-se, entretanto, os contrastes espaciais nos planos do rendimento das famílias e da desigualdade no seio das circunscrições municipais fixadas, nas quotas de população com emprego (vs. a porção de pensionistas/reformados) e de emprego no setor primário; contrastes, ainda, nas dinâmicas dos tecidos económicos avaliadas pelas recentes trajetórias do desemprego (os impactos das crises financeira, 2009-13, e pandémica, 2020).

Observe-se: (a) a um peso relativo de emprego na “agricultura, …” de 45% no

rural de “baixa densidade” do Norte (veja-se, também como exemplo de leitura,

a parcela de “baixa densidade” da CIM Douro: 68% do emprego no primário), que comparava com cerca de 9% no Continente, correspondia um rendimento disponível bruto per capita das famílias a rondar os 9 mil euros, contra a média global em redor de 12 400€; (b) a diferença nos valores do indicador de desigualdade na distribuição de rendimento entre, por exemplo, os territórios de “baixa densidade” da CIM de Coimbra (a menor desigualdade pelo coeficiente

Pop rural Rendim Emprego Rur CIM ADL Int

(10)

de Gini: 27,6%) – com um rendimento per capita das famílias de perto de 9 300€ e uma quota de emprego na “agricultura …” de 22% – e Trás-os-Montes (coeficiente de Gini: 32,6%) – com cerca de 9 900€ de rendimento médio e um rácio de emprego “agrícola” da ordem de 40%.

Contexto III – As economias

Subsiste o fosso abissal entre o peso económico do rural “urbano” (a rondar os 80% da riqueza gerada, avaliada pelo agregado económico valor acrescentado bruto, VAB, em 2015-16) e as demais manchas do rural; sinaliza-se que o designado Interior – com perto de 80% da superfície de solo rústico, mas tão só 20% dos residentes no Continente – tem um contributo pouco superior a 15% (vd. a informação sobre os tecidos produtivos nas malhas municipais fixadas no ficheiro que se segue).

Se se atentar na valia do conjunto de atividades agrupadas sob o apelativo complexo agroflorestal (5,5% do VAB na média do Continente) a observação – agora nos espaços de intervenção das Associações de Desenvolvimento Local, ADL - fá-lo emergir (com valores a rondar ou acima de 20%) no Pinhal Interior Sul, na Charneca

Ribatejana, no Alto Alentejo e no Centro Alentejo; naquela, a importância advém

da silvicultura, nas três outras ADL tal resulta da conjugação das quotas relevantes – bem acima das médias do Continente – da agricultura e da silvicultura.

Com a exceção daquelas três, em todas as outras ADL do Continente o peso das atividades não englobadas no complexo agroflorestal e nas designadas “atividades territoriais” (agricultura, silvicultura, indústria extrativa e turismo) suplanta os 75%; ou seja, são atividades dissociadas da agricultura e da silvicultura e indústrias conexas (os serviços, a indústria, a construção) que constituem o suporte determinante das respetivas economias.

Contexto III

(11)

Contexto IV – Capital humano (a escolarização)

A população dos agregados familiares de produtores agrícolas singulares - a designada população agrícola familiar24 - contar-se-á, hoje, em cerca de 655 000

pessoas (perto de 7% dos residentes no Continente).

Contudo, as discrepâncias ‘regionais’ na importância daquele grupo populacional são de monta (vd. o ficheiro próximo). Vejam-se, por ex., os valores das CIM Terras de Trás-os-Montes (45% da população residente está associada a explorações agrícolas) ou Alto Tâmega (38%), em comparação com Região de Aveiro (6%) ou Região de Leiria (7%).

De par com a população agrícola familiar há, é certo, outra população (“agrícola”) ligada às explorações agrícolas25. Mas é em

relação àquela fração que se traz a primeiro plano26 a inferioridade,

face à população em geral, de “capital humano” (avaliado, simples, pela escolarização).

Anota-se: (a) no decurso da década 2010, o aumento do n.º de anos de escolaridade da população agrícola familiar acompanha o da globalidade da população residente; (b) no entanto, em tempo próximo, enquanto no todo da população os sem qualquer nível de escolaridade representavam cerca de 8%, esta proporção subia para 17% na população agrícola familiar; (c) acrescia que, nesta, o nível de escolaridade superior se contava em 8%, que se comparava com 18% na média da população residente; (d) na média do país, e no âmbito da população agrícola familiar, a escolarização é maior nos produtores com menos de 45 anos – cujo peso relativo no total de produtores singulares diminuiu – e no grupo de “outros membros da família” face a “produtores” e “cônjuges”;

24 A população correspondente às famílias com explorações de pessoas físicas – produtores singulares autónomos e empresários (INE).

25 Mencionem-se, para além de trabalhadores assalariados/prestadores de serviços, a população das famílias das explorações com a natureza jurídica de pessoa moral, designadamente, as com o estatuto de sociedade.

26 Entre outras dimensões, ligadas, por exemplo, à logística com os mercados, dinâmica associativa e serviços de “aconselhamento”/”formação profissional”, reflete-se nos desígnios da

Agenda de Inovação para a Agricultura 20-30 (vd. Resolução do Conselho de Ministros n.º

86/2020).

Contexto Agriculturas

(12)

(e) sublinha-se este último traço, que se associa ao ciclos familiares e ao envelhecimento populacional, da maior escolarização dos “outros membros da família”: uma proporção com nível de escolaridade superior em redor de 12%, que compara com 8% na média da população agrícola familiar.

Contexto V - Trabalho nas explorações agrícolas

O muito forte declínio do trabalho na agricultura – longevo -, em especial do contributo familiar, plasma-se no esbatimento do peso relativo das explorações com apelo a mão-de-obra familiar (acima de 98% em 2000; cerca de 95% em 2016).

Por sua vez, o ganho crescente do assalariamento reflete-se no fortalecer, na década de 2010, da importância das unidades com recurso a trabalho assalariado contratado regularmente (5,5% das explorações em 1999 e em 2009, elevam-se a perto de 10% em 2016). 932 239 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1 000

Volume de trabalho na agricultura (N.º UTA: 1980-2020)

Volume de Mão de obra Agrícola Total Volume de Mão de obra Agrícola Assalariada Volume de Mão de obra Agrícola Não assalariada

Fonte: INE, Contas

Económicas da Agricultura

(13)

Relevante: pelo meio dos anos 2010, cerca de metade das explorações agrícolas registadas laboravam com menos de uma unidade de trabalho ano.

Sobreleva-se, também, que a diminuição do trabalho (UTA ano), em média nacional e no período 2009-16 (-13%), não foi generalizada a todos os territórios. Apontam-se (ficheiro próximo) os aumentos no Douro, em Trás-os-Montes, no Oeste e nas CIM do Alentejo. E, em continuação, (a) o esbatimento do peso relativo do trabalho familiar (80% em 2009; 72% em 2016);

(b) a estabilidade dos contributos, no total de UTA familiares, do “produtor” e do “cônjuge” e aumento, comum a todos os territórios do rural, do envolvimento de “outros membros da família”; (c) incremento de envolvimento deste grupo indiciado também pelo tempo de trabalho dedicado à exploração – em contraponto ao que ocorreu com as figuras “produtor” e “cônjuge”; (d) ascendente, generalizado em todas as manchas do rural e em linha com o acima referido, da quota de trabalhadores permanentes no conjunto das UTA não familiares (57% em 2009; em redor de 65% em 2016).

<1 UTA 1 a < 3 UTA >= 3 UTA <1 UTA 1 a < 3 UTA >= 3 UTA

2 016 49,4 46,4 4,2 50,6 47,0 2,4 2 013 47,2 48,5 4,4 48,2 49,1 2,7 2 009 47,1 49,2 3,7 47,8 49,5 2,6 2 007 44,1 51,9 4,1 44,5 52,4 3,1 2 005 43,6 52,5 3,9 43,9 53,1 3,1 2 003 41,9 53,8 4,3 42,2 54,2 3,6 1 999 42,9 52,6 4,5 43,1 53,0 3,9

Fonte: INE, Estatísticas agrícolas de base, http://www.ine.pt

Continente

Explorações agrícolas (% nos totais expl.) por Tipo de

mão-de-obra e Classes de unidades de trabalho ano (UTA)

Classes de unidades de trabalho ano

Mão-de-obra agrícola total Mão-de-obra agrícola familiar

Trabalho nas expl. agrícolas 2009-16

(14)

Dinâmicas 2009-16 das modalidades de unidade agrícola

O cenário geral do percurso 2009 a 2016 no universo de explorações agrícolas mostra-se no quadro seguinte.

a dimensão económica

Como referido, a dimensão económica (DE) constitui um dos parâmetros de classificação/delimitação das modalidades de unidade agrícola (“exploração agrícola”). Identificam-se três estratos fundamentais de DE: pequena (< 25 000€ de VPP total ano; englobando as “muito pequenas”, < 8 000€, e as “pequenas” explorações agrícolas); média; grande (> 100 000€).

Nos anos 2009-16, num quadro em que a parcela de solo rústico incluída no universo “exploração agrícola” teve uma retração de 5% – resultante de sobremaneira da perda da floresta estreme (quase -25%) – a superfície agrícola utilizada (SAU), ou seja, sublinha-se, a superfície atinente à geração do valor económico da agricultura (o VPP vegetal e animal), manteve-se no patamar de 3 500 mil hectares. Como revela a informação do ficheiro próximo, (a) aumentou o valor da produção, derivado dos incrementos nos territórios do rural de “baixa densidade” do Norte e do Sul e “denso” (o rural “urbano”); (b) as subidas em alguns espaços do n.º de UTA, como aliás já se anotou, não contrariaram o registo de diminuição na média do Continente (- 13,5%); (c) das explorações contadas no Continente em 2009, saíram do universo de inquirição 15% – veja-se, com maior expressão, as variações (acima de – 25%) nas ADL Ribatejo Interior, Ribatejo Norte, Pinhais do Zêzere ou Vale do Minho; (d) foram as explorações do estrato de pequena DE que desapareceram e, mais especificamente, as do grupo “muito pequenas” (-21%), já que o conjunto das “pequenas” até se robusteceu (+ 5,5% em n.º

2009 (n.º) Var. 2016-09 (%) 2009 (n.º) Var. 2016-09 (%) 2009

(103 ha)Var. 2016-09 (%) (102009 3 ha)Var. 2016-09 (%) (102009 3 ha) Var. 2016-09 (%) (10 2009 6 €) Var. 2016-09 (%)

"Agricultura" Total

(Explorações agrícolas ) 278 114 -15,2 341 502 -13,5 4 380 -5,3 837 -24,4 3 542 -0,8 4 208 2,8

Dinâmica, 2009-16, no universo das explorações agrícolas no Continente português Continente

Fonte: Determinações de Joaquim Cabral Rolo (2020) com base: 2009 - INE, Rec. Agr. 2009 (ap. específico: INE/GPP MA), cf. Cordovil c/ Rolo (2014); 2016 -

Estimativas de Rolo (2020) com base nuclear em INE, Inq. EEA 2016 (ap. específico: INE/GPP MA).

Total de explorações UTATotal Superfície Agrícola e Florestal Sup Florestal estreme SAU Valor da Produção (VPP) Modalidades DE 2009 16 q 6A

(15)

de explorações e + 7% em SAU) – acompanhando, assim, no global, o reforço do posicionamento, numérico e de UTA (não territorial, nem económico) da

média e, sobretudo, da grande DE – pelo meio da década 2010, cerca de 3,5%

das explorações detinham quase 45% da SAU e geravam 60% do VPP; (e) destaca-se, ainda, na média agricultura o ganho de relevância da SAU e económico no rural da “baixa densidade” Norte e da floresta estreme na “baixa densidade” do Centro e no rural de “indústria e serviços”.

explorações familiares e não familiares (“patronais” e outras) e a dimensão económica

A agricultura familiar, vista sob as vertentes social, territorial e económica, teve uma quebra muito expressiva, como mostram os dados reunidos no quadro, ao nível do Continente, e no ficheiro próximo, reportados às quatro configurações territoriais.

Regressão mais pesada da exploração familiar de grande dimensão – embora com muito exíguo significado numérico, ainda detinha em 2009, na média do Continente, um contributo económico no limiar de 17%, em 2016 tal descia para 9%. Também da média: - 20% em VPP. Mas sobreleva-se a perda de expressão, significativa, da pequena exploração familiar: de quase 90% do n.º de explorações para 83% e variações negativas quer do recurso terra fruído (- 35% da superfície de floresta estreme; perto de – 15% da SAU), quer, ainda mais,

(16)

da quota no valor da produção (acima de – 35%; de quase 25% do valor económico da agricultura, fica-se, em 2016, abaixo do limiar dos 15%).

Em seguimento do que se aflorou acima, o esbatimento do relevo da pequena agricultura familiar decorreu sobretudo da quebra das “muito pequenas” explorações (< 8 000€ de VPP anual): de quase 80% são em 2016 70% e a valia económica desceu de 13% para 5%. É que, se também o segmento das “pequenas” explorações (o estrato de DE > 8 000 a < 25 000€) esteve em quebra na média global do Continente assim não ocorreu por todos os territórios; ao invés, assinalam-se reforços de posicionamento. Vejam-se as situações do rural de “baixa densidade” do Norte e do rural “agrícola” ou, ainda, as CIM Alto Tâmega e Tâmega e Sousa.

No reverso, o reforço de posição das unidades agrícolas não familiares foi generalizado em todas as delimitações ‘regionais’ e em todos os estratos de dimensão económica.

Importa, contudo, ter presente, quer o limiar do peso relativo da participação de trabalho assalariado (mais de 50%) na definição de unidades de produtores singulares “patronais”, quer a atribuição (convenção estatística) de todo o trabalho ao assalariamento nas explorações com o estatuto de sociedade. É a fluidez – pelas proporções relativas da natureza do trabalho – de uma secção de explorações entre o familiar e o não familiar.

Destaca-se: a grande agricultura não familiar passou de uma quota de 9% em 2009 para 15% em 2016, no que se refere às unidades de trabalho, e de um contributo de 39% para 52% no valor económico da produção agrícola do Continente.

Modalidades

(17)

Um panorama das modalidades de agricultura em 2016

a pequena agricultura – “muito pequenas” e “pequenas” explorações

Observa-se, com os dados do ficheiro próximo e para as quatro escalas territoriais do Continente, o significado, à data de 2016, das “muito pequenas” (< 8 000€ de VPP ano) e “pequenas” explorações, cujo conjunto encorpa a

pequena agricultura (< 25 000€).

No todo, a agricultura de pequena dimensão (cerca de 90% do n.º de explorações e de 70% das unidades de trabalho) responde por 20% do valor da produção vegetal e animal; mas a quota de valia económica é bem superada no uso/ocupação do solo rústico, seja no que respeita à superfície agrícola utilizada (SAU) e à superfície irrigável (≈30%), seja, sobretudo, no tocante às extensões de floresta estreme e de superfície agrícola não utilizada27 (uma e outra em redor de 60% do integrado em

explorações agrícolas). É certo que estas duas últimas ocupações (735 500 ha no total) reportam a uma pequena fração da superfície total circunscrita por explorações agrícolas (16%); contudo, a sua concentração neste estrato não deixa de indiciar o risco de o fim das condições para as unidades englobadas continuarem no universo de “explorações agrícolas”. Mais ainda quando se observa a partição, adentro da pequena agricultura, entre “muito pequenas” e “pequenas” explorações: mais de 75% daquelas superfícies estão sob o domínio das “muito pequenas”.

Evidencia-se: na pequena agricultura, mais de 80% são “muito pequenas” explorações (< 8 000€), que reúnem 75% das UTA e concentram mais de metade da SAU; contudo, o seu relevo económico fica abaixo (47%) do proporcionado pelas “pequenas” explorações (a DE de 8 000 a 25 000€; 17% em n.º e 53% em VPP).

27 SAñU – “superfície da exploração anteriormente utilizada como superfície agrícola, mas que já o não é por razões económicas, sociais ou outras. Não entra em rotações culturais. Pode voltar a ser utilizada com auxílio dos meios geralmente disponíveis na exploração” (INE, 2017. IEEA2016: 21).

Relevância da Peq Agric 2016 rural CIM ADL Int

(18)

a exploração agrícola como fonte de proventos familiares

O atributo fonte de proventos na relação exploração-família constitui, como se escreveu, uma das dimensões de tipificação das modalidades de agricultura. Como também se referiu, esta dimensão respeita exclusivamente a uma parte das explorações agrícolas – as com o estatuto jurídico de pessoa física (os produtores singulares).

A importância28, na agricultura (o todo das explorações

agrícolas), daqueles produtores, assim como, para eles, dos proventos da exploração nos rendimentos globais das respetivas famílias revela-se pelos dados reunidos no ficheiro junto.

Salienta-se: (a) 95% das explorações registam-se como de produtores singulares, cuja relevância social, territorial e económica se mede por um valor índice, na média do Continente, em redor de 70% - com o máximo no rural de “baixa densidade” do Norte (86,7%) e o valor mais baixo no rural de “baixa densidade” do Sul (56,2%); (b) a importância das explorações de produtores que declaram a exploração como fonte exclusiva dos proventos familiares (são 5% do universo inquirido) cifra-se em cerca de 7,5% - vd., acima dos 10% o

rural de “baixa densidade” do Norte e as CIM Alto Tâmega, Terras de

Trás-os-Montes e Baixo Alentejo; (c) a muito vincada dependência dos rendimentos das famílias de outras proveniências que não a exploração agrícola: retendo apenas as situações em que mais de metade dos réditos fluem de fora da exploração a respetiva relevância ronda, na média do Continente, os 45%; (d) abaixo deste valor emerge o rural de “baixa densidade” do Norte e do Sul, e com índices acima de 70% os espaços das ADL: Pinhal do Zêzere; Pinhal Interior Sul; Montemuro, Arada e Gralheira; Dão; Dão, Lafões e Alto Paiva; Serra da Lousã e Beira Serra29.

28 Avaliada pelo índice composto dos pesos relativos (%): (((n.º total de explorações + n.º de unidades de trabalho ano, UTA) /2) + superfície total + valor económico da produção agrícola, VPP) /3.

29 Espaços com forte dependência de pensões/reformas.

Relevância expl fonte

(19)

Uma alusão, tão só nas manchas do rural, à importância das pensões/reformas como fonte de proventos das famílias com exploração agrícola. O quadro junto mostra o seu significado, como a origem primeira, quer para os produtores com rendimentos sobretudo da exploração, quer para os produtores em que a exploração é secundária no conjunto dos rendimentos familiares.

Em quase metade do domínio de explorações agrícolas do Continente existe um vínculo aos regimes de segurança social.

importância das modalidades de agricultura: familiar e não familiar, dependência dos rendimentos e dimensão económica

Agora, a observação mais fina das modalidades de exploração agrícola na aceção conjugada dos parâmetros natureza do trabalho, rendimento familiar e dimensão económica (vd. o ficheiro próximo).

Notas de leitura: (a) pequena agricultura familiar com rendimentos da família provenientes sobretudo do exterior da exploração - a modalidade predominante no quadro da pequena agricultura familiar (índice de importância na agricultura do Continente: 31,7% em 39,4%) - e grande agricultura não familiar equivalem-se em importância; (b) juntas representam 63% da agricultura do Continente; (c) o relevo daquela advém do peso social (72% do n.º de explorações e mais de metade das unidades de trabalho), o da grande reside no fundiário detido (38% da SAU e, destaca-se, 42% da superfície irrigável – o seu peso numérico situa-se em 2,5%) e, mais ainda, no contributo económico (52% - que compara com 10% da

pequena); (d) sinaliza-se a distância naquela modalidade de pequena agricultura Tipos de rural % no n.º total

das expl.

Importância (%) (a)

Continente 47,3 19,4

Baixa densidade TOTAL 47,9 18,0

Baixa densidade Norte 48,8 29,6

Baixa densidade Centro 57,5 25,7

Baixa densidade Sul 40,8 13,0

Agrícola 46,1 24,6

Indústria e Serviços 52,8 25,7

Denso (o URBANO total) 43,2 20,8

Explorações/produtores cujos rendimentos familiares têm origem fundamental em pensões/reformas

Fonte: Joaquim Cabral Rolo (2020) com base nuclear em INE, IEEA2016 e RA2009. (a) Avaliada pelo índice composto dos pesos relativos (%): (((n.º total de explorações + n.º de unidades de trabalho ano, UTA)/2) + superfície total+ valor económico da produção agrícola, VPP)/3

Import Modal expl Fam e ñ Fam rur CIM ADL Int

(20)

familiar entre a fração de valia económica e a atinente ao solo rústico fruído (23% da superfície total das explorações, 21% da superfície irrigável); (e) a diferenciação ‘regional’ entre ambas as modalidades é, contudo, marcante: vejam-se as CIM Alto Tâmega, Tâmega e Sousa, Terras de Trás-os-Montes, Região de Coimbra, Viseu Dão Lafões, com índices de importância em redor e acima de 60% da pequena agricultura familiar com rendimentos sobretudo do exterior da exploração; (f) no âmbito da grande agricultura não familiar emergem em primeira linha as sociedades (1,6% das explorações, detêm 33% da superfície irrigável e geram perto de 40% do valor da produção do Continente); (g) a importância da média agricultura familiar, face ao padrão do Continente (um índice de 9,7%; são 5% das explorações, com uma quota do VPP de 12%), desponta nas CIM Cávado, Terras de Trás-os-Montes, Oeste, Beira Baixa, Beiras e Serra da Estrela e Algarve.

pequena e média agricultura familiar com a exploração agrícola como fonte primacial de rendimento familiar: relevância municipal

Congrega-se no ficheiro próximo informação sobre o impacte da pequena e da

média agriculturas familiares com a unidade agrícola como âncora dos proventos

familiares. Fixa-se a escala municipal no âmbito das circunscrições do rural e retomam-se alguns indicadores de contexto.

Notas de leitura: (a) no rural de “baixa densidade” do Norte - que concentra cerca de 30% (26% da superfície) da pequena agricultura familiar cujos réditos familiares têm origem na principal quota na economia da unidade agrícola - é o município de Montalegre que detêm a primeira posição na modalidade em apreço, segue-se-lhe Vinhais; (b) note-se que a importância da pequena agricultura familiar dependente sobretudo do rendimento da exploração se mede ao nível do Continente por um índice de 9,3%; (c) mas vale reparar que a importância naquele município desta modalidade deriva em grande medida da relevância das “muito pequenas” explorações – em Montalegre, o peso das explorações com dimensão económica < 8 000€ e com mais de metade dos rendimentos familiares provenientes da exploração triplica o registo do Continente.

Expl. fonte determ Rend Peq e Média agric fam

(21)

traços estruturais das modalidades de unidade agrícola

usos/ocupações das terras

Da informação reunida no ficheiro que se segue salienta-se: (a) a heterogeneidade dos usos a nível ‘regional’ e, o que se traz a primeiro plano, entre modalidades de exploração agrícola; (b) em comparação com a pequena

agricultura, o maior peso relativo da SAU – recorda-se que é a fração de fundiário que suporta a determinação do valor da produção (vegetal e animal) –, face à superfície total (ST) das explorações, na média agricultura familiar e na grande agricultura não familiar (ao nível do Continente, no patamar de 90%, que confronta com pouco mais de 65% na pequena agricultura familiar); (c) superioridade também, embora ligeira, da grande agricultura não familiar – em particular a de natureza societária (20% - vd. quadro, que compara com 14% na média exploração não familiar e 16% na

pequena agricultura familiar)

- no que respeita à SAU irrigável; (d) o reverso da constatação sobre a relação SAU/ST é a maior importância da superfície de floresta estreme, quer, sobretudo, nas explorações não familiares de pequena e de média dimensão económica, quer na pequena agricultura familiar (para esta, um rácio de cerca de 20% - que ascende bem acima de 25% nos territórios do

rural “agrícola”, “indústria e serviços” e “denso” - que compara com 7% na grande agricultura; (e) a fração da SAU ocupada por pastagens permanentes

cresce com o aumento da dimensão económica das explorações, mas é menor nas modalidades familiares do que nas não familiares; (f) no que respeita a esta ocupação da SAU é bem expressiva a diferença na pequena agricultura familiar (e na agricultura de grande DE) do rural “denso” (11%) e de “indústria e serviços” (17%) face ao rural “agrícola” (38%) e de “baixa densidade” (43%).

Sup. floresta estreme/Sup. total SAñU/Sup. total SAU/Sup. total Sup. Irrigável/ SAU Sup. P. Pastagens perm./SAU Sup. P. Pastagens perm. pobres/SAU 14,0 2,3 77,8 15,5 52,1 39,8 Total 6,9 0,7 89,1 13,0 64,9 46,9 Familiar 2,9 1,0 91,7 14,5 55,6 50,1 Não familiar 7,7 0,9 88,2 17,0 60,8 39,7 Sociedades 8,2 0,9 87,2 20,3 59,3 42,5 Grande agricultura

Usos/ocupações das terras na grande agricultura do Continente português em 2016

Total Continente

Fonte: J. Cabral Rolo (2020) com base nuclear em INE, IEEA2016 e RA2009 (ap. espec. INE/GPP-MA). Continente. Un.: %

Uso terras Modal 2016 Rur CIM ADL Int

(22)

partição por atividades vegetais e animais do valor económico gerado (VPP) Os dados do ficheiro seguinte revelam, para as circunscrições do rural e das CIM, a composição do valor económico agrícola por grandes setores de atividade por modalidade de exploração30; mostra-se também, repetindo, o peso relativo da

superfície florestal estreme.

Notas de leitura ao nível do Continente31: (a) enquanto na

pequena agricultura, familiar e mais ainda na não familiar, e

na média agricultura não familiar, as culturas permanentes (fruteiras, olival, vinha) são o sustentáculo do valor gerado (acima de 50% do VPP), nas médias explorações familiares e nas grandes o peso económico destas culturas desce abaixo do limiar dos 30%; (b) o sector hortícola (incluindo a parcela de leguminosas secas e batata), de cerca de 10% da valia económica da pequena agricultura familiar, ascende acima de 15% na média exploração familiar e na agricultura de grande dimensão; (c) o contributo das grandes culturas (cereais e culturas industriais) equivale-se em importância (12-10%) na pequena agricultura familiar e nas grandes explorações; (d) o impacto expressivo dos granívoros regista-se na grande agricultura, mais ainda na de natureza societária, sendo muito mitigado na pequena e média; (e) os pesos relativos dos valores de produção de bovinos e de outros herbívoros (ovinos, caprinos e equídeos), nas respetivas valias agrícolas das modalidades, marcam a diferenciação entre pequena e grande agricultura: nesta, a maior preponderância dos bovinos (em redor e acima de 25% - em especial na modalidade familiar -, tal como, aliás, o registo na média exploração familiar), naquela, a maior relevância é dos outros herbívoros; (f) veja-se que o contributo destas espécies desce de 10% na pequena unidade familiar (mas 14% na não familiar e 11,5% na média familiar) para menos de 3% na grande agricultura; (g) uma última nota relativa à pequena e média exploração não familiar, caracterizadas pelo predomínio do valor económico dos cultivos arbóreo-arbustivos: naquela, estes cultivos associados ao contributo do valor de outros

30 Uma base para o estudo da especialização produtiva (por modalidade e por territórios). 31 Sublinha-se a diversidade produtiva ‘regional’.

Composição % VPP

(23)

herbívoros perfazem quase 90% do valor económico da modalidade, na média, é a junção com os bovinos que coloca a fasquia acima de 75%.

contributos das modalidades para o valor da produção do Continente

Em seguimento, mostra-se no ficheiro próximo os contributos para as produções (em VPP), de grandes grupos de atividade, do Continente das manchas do rural e das modalidades de agricultura. Perante a relevância económica e a heterogeneidade regional das espécies que compõem o agregado, acrescenta-se a repartição, em área, das culturas permanentes. Breve, como leitura: (a) muito elevada dependência da grande agricultura não familiar, em particular de sociedades, no respeitante à produção de hortícolas intensivas (50%), bovinos (≈55%, cabendo a sociedades perto de 40%), hortícolas extensivas (≈65%), granívoros (≈80%) e culturas industriais (≈85%); (b) donde, são diminutos os contributos da pequena agricultura familiar no tocante a culturas industriais e hortícolas extensivas (5%) e, embora um pouco mais, a granívoros (7%) e a bovinos (9%); (c) mas assim não sucede, no referente aos valores gerados de cereais (31%, compara com 37% da grande agricultura não familiar), de leguminosas secas e batata (≈30%, contra 8%), de outros herbívoros (≈30%, contra 18% da grande agricultura não familiar); (d) expressiva é ainda a quota de valor das cultura permanentes detida pelas explorações familiares de

pequena dimensão (22%, o dobro do desempenho da média agricultura familiar,

com 37% da grande agricultura não familiar).

relações terra, trabalho e resultados económicos

Os dados reunidos no quadro seguinte sintetizam para o Continente os contrastes estruturais – disponibilidade de terra e mobilização de trabalho - e as diferenças de resultados económicos das modalidades de exploração agrícola32.

32 Os valores dos indicadores devem ser lidos como ordens de grandeza e com a precaução inerente às metodologias de estimativa das variáveis envolvidas.

VPP quem produz o quê

(24)

No ficheiro que se segue reúne-se a mesma informação para as quatro delimitações territoriais retidas no estudo.

Destaca-se: (a) De par com o contraste na escala fundiária das modalidades – cujos contornos se acentuam na diversidade ‘regional’ – a diferenciada importância da SAU na superfície total das explorações (em crescendo, na agricultura familiar e na não familiar, com o aumento da dimensão económica); (b) A descida gradual com o aumento da dimensão económica do peso relativo do trabalho familiar (o balanço entre remuneração do trabalho familiar e custo com salários); (c) E, nesta linha, a expressão nos resultados económicos (médios) das modalidades; (d) Sobre estes, e embora, sublinha-se, o valor da produção esteja expurgado quer dos custos inerentes, quer dos subsídios (PAC)33, faz-se a aproximação comparativa

com o que se anotou acima sobre os rendimentos da população34: (d

1) na média

do Continente o valor da produção (VPP) por unidade de trabalho ano (UTA)

33 Informação para outros agregados económicos (por ex., valor acrescentado bruto, VAB, excedente líquido de exploração) está disponível para o referencial dimensão económica das explorações agrícolas (Rolo, 2020 – in

http://www.iniav.pt/fotos/editor2/metodologia_regionaliz_e_de_agregados_das_cea_v2_2021.p df.

34 Vd. ficheiro em Contexto II – População (rural) e rendimentos.

Sup. total/expl. total (ha) SAU/Sup. total (%) Sup. Irrigável/SAU (%) Sup. total/UTA (ha) UTA total/expl. Total UTA Familiar/UTA Total (%) VPP/expl. c/SAU (€) VPP/UTA (€) VPP/SAU (€) 100 19,2 77,8 15,5 15,3 1,3 72,0 20 869 15 523 1 304 53,7 9,8 74,7 15,0 9,5 1,0 91,8 8 091 7 324 1 029 Total 39,4 6,9 66,4 16,1 7,1 1,0 93,7 2 535 3 406 725 c/ > 50% Rendimento familiar de fora da exploração 31,7 6,0 63,9 17,2 6,7 0,9 92,7 2 900 3 006 704 9,7 44,6 90,2 12,9 26,0 1,7 79,4 47 775 26 673 1 138 4,6 92,1 91,7 14,5 37,3 2,5 66,7 223 423 80 133 2 346 6,6 26,0 53,4 11,6 19,9 1,3 38,3 23 466 16 809 1 582 8,2 94,9 76,4 14,1 31,9 3,0 24,1 50 547 17 970 737 Total 31,5 254,3 88,2 17,0 34,9 7,3 8,4 448 184 54 431 1 767 Sociedades 22,3 269,9 87,2 20,3 30,1 9,0 - 507 886 51 773 1 974

"Agricultura" Total (Explorações agrícolas em 2016)

Indicadores estruturais de modalidades de exploração agrícola no Continente português Importância social e económico-territorial (a) (%) Continente

Fonte: Joaquim Cabral Rolo (2020) com base nuclear em INE, IEEA2016 e RA2009 (ap. espec. INE/GPP-MA). Notas:(a)importância medida pela média das vertentes: social (semisoma dos pesos

relativos do n.º de explorações e do n.º de unidades de trabalho ano, UTA), territorial (% da superfície total das explorações) e económica (% do valor da produção, VPP). SAU = superfície agrícola utilizada (terra arável limpa + culturas permanentes + sobcoberto florestal + prados e pastagens permanentes em terra limpa); UTA = unidade de trabalho ano na exploração agrícola; VPP = valor da produção padrão total (cultura temporárias, culturas permanentes, prados e pastagens permanentes e produções animais).

Agricultura Familiar (em correspondência com

a avaliação das UTA: > 50% de UTA familiar) Média Agricultura (25 000 a 100 000€) Grande Agricultura (>100 000€) Pequena Agricultura (<25 000€) Agricultura ñ Familiar Pequena Agricultur a (<25 000€) Média Agricultura (25 000 a 100 000€) Grande Agricultura (>100 000€) Total Relações terra

(25)

supera os valores dos indicadores rendimento disponível bruto das famílias por habitante (12 387€) e rendimento médio líquido anual da população empregada por conta de outrem (11 774€); (d2) o mesmo se regista tanto na agricultura

não familiar como na agricultura familiar de média e grande dimensão; (d3) bem

diferente é a situação na pequena agricultura familiar com VPP/UTA deveras inferior aos valores daqueles indicadores ou menor na ordem de duas vezes que a remuneração anual mínima garantida (7 779€). (e) Nesta última modalidade, para além de congregar parte expressiva de população sem mobilidade no mercado de trabalho e, portanto, aqui encontra abrigo, integra-se o vasto segmento para quem a exploração constitui um complemento dos rendimentos dos agregados familiares (são outras as origens dos proventos: pensões, salários, negócios outros – restauração, construção civil, prestação de serviços …). (f) Mas também, perspetiva-se, face à maior concentração de superfícies de floresta estreme e agrícola não utilizada, os réditos advenientes da floresta (ou de recursos silvestres) – não contados, como se sublinhou, no valor da produção agrícola - confluirão no aumento dos rendimentos da exploração e da família. (g) E serão ainda estes proventos que, aventa-se, ajudarão à sobrevivência de

pequena agricultura familiar que declara viver exclusivamente do rendimento

retirado da exploração. (h) Pese a eventualidade destes recursos, a que acresce a do significado do autoconsumo de bens alimentares e da autolocação – vertente que não deixa de ser comum a outras modalidades -, é plausível que seja naquela última modalidade que se encontra a porção mais relevante das pessoas ligadas à “agricultura” integrantes do estrato social português em “risco de pobreza” (17% em 201835).

35 A "taxa de risco de pobreza correspondia, em 2018, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 6 014 euros anuais" (INE, Destaque, 2019).

(26)

Anexos

I. Modalidades de exploração agrícola à beira do Recenseamento

Agrícola de 2019: procedimentos de avaliação ao nível municipal do

Continente português*

1. As estimativas para os concelhos do Continente português, em 2016,

alicerçam-se em duas fontes fundamentais do Instituto Nacional de Estatística (INE): o Recenseamento agrícola de 2009 (RA2009) e o Inquérito à estrutura

das explorações agrícolas de 2016 (IEEA2016). Os resultados destas operações

estatísticas foram objeto de apuramentos específicos36 em função de

classificação própria das explorações agrícolas. Tal classificação congrega três dimensões: a dimensão económica (DE, em Valor da Produção Padrão - VPP), a natureza jurídica (produtores individuais – autónomos/familiares e empresários; sociedades; outras) e, para os produtores individuais, a proveniência dos rendimentos dos respetivos agregados familiares.

2. Destaca-se que, enquanto o RA2009 corresponde a um levantamento

exaustivo das explorações agrícolas e, por conseguinte, proporciona informação à escala municipal, o IEEA2016 é um “inquérito amostral” cujos resultados assumem validade estatística apenas no patamar da meso escala (o nível II da Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins estatísticos, NUT II e a Região Agrária37). A Região Agrária é o nível de “desagregação geográfica máxima” (vd.

INE, DEE/AA, 2016) e ao qual reporta o apuramento facultado pelo INE38 e que

suporta as determinações efetuadas.

3. Para além da maior limitação nas variáveis observadas no IEEA2016, face

ao RA2009, também no tocante à classificação das explorações sob a vertente

* Joaquim Cabral Rolo, abril, 2020. Oeiras, INIAV, I.P.

36 Os apuramentos específicos – desenhados por Joaquim Cabral Rolo e Francisco Cordovil (INIAV, I.P.) – foram solicitados ao INE por via do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura (MA) e do Ministério do Mar (MM). Com base nos resultados do apuramento do RA2009 (INE, 2012), cf. Rolo e Cordovil (2018: 84-97); e com sustentação num outro apuramento (também sobre o RA2009; INE/GPP, 2014) para a delimitação mais rigorosa das agriculturas familiares, a que adiante se apela, cf. Cordovil c/ Rolo, 2014. Ambas as bases de dados originadas pelos apuramentos mencionados foram operacionalizadas por F. Cordovil.

37 Cf. INE, Sistema Integrado de Meta informação (http://smi.ine.pt/Categoria) V00131 –

Nomenclatura agrária e florestal, 1997 e V00017 - Código da divisão administrativa (distritos/municípios/freguesias).

38O INE também facultou, através do GPP, a informação referenciada ao nível II da Nomenclatura

(27)

origem dos rendimentos das famílias dos produtores individuais tão só foi possível acolher informação sobre a relevância económica das unidades agrícolas; ou seja, se os rendimentos dos agregados familiares provêm: “exclusivamente da exploração”, “principalmente da exploração” ou “principalmente de origem exterior à exploração”. Por conseguinte, ao invés do apuramento do RA2009, para 2016 não se dispõe de informação sobre a prevalência da fonte de proventos exteriores à exploração: de salários, de atividade empresarial, de pensões ou de outras fontes39. Neste domínio, os

resultados alcançados correspondem a estimativas para qualquer nível territorial.

4. Determinante nos resultados alcançados são as hipóteses fixadas nas

dinâmicas intrarregionais no período de 2009 a 2016; ou seja, as transformações expetáveis no universo explorações agrícolas à escala municipal (o número de unidades, respetiva natureza jurídica e extensões de ocupação do solo). Para este efeito, apela-se às seguintes fontes de informação: INE, Estatísticas de Uso

e Ocupação do Solo [Classes Ocupação do Solo, COS]; INE, Estimativas anuais

da população residente [classes etárias]; INE, Sistema de Contas Integradas das

Empresas; IFAP, Estatísticas – Indicadores de Campanha.

5. Agora, a especificação do procedimento das avaliações concelhias em

2016:

1.º. Partição dos valores inventariados ao nível da Região Agrária pelos

respetivos concelhos em conformidade com a situação estrutural revelada pelo RA2009.

2.º. Determinações, à escala municipal, e a partir de 1.º., de indicadores

de caraterização das explorações agrícolas classificadas por DE * Natureza jurídica * Proveniência dos réditos familiares dos produtores individuais40:

39 Do RA2009, e quanto às fontes de rendimentos exteriores à exploração, retiveram-se as

situações: (a) (relevância de) “salários” - se salários do setor primário + salários do setor secundário + salários do setor terciário> 25% a <50%; (b) “pensões/reformas” - se pensões e reformas for> 25% a <50%; (c) “atividade empresarial e outras [origens] ” - se atividade empresarial + outras origens (subsídio de desemprego, abono de família, remessas de emigrantes, rendas, juros e dividendos, etc.) for> 25% e < 50%; (d) “atividade económica” - se “salários” + “atividade empresarial e outras” for> 25% e <50%; (e) “diversas” - o remanescente da diferença entre a % inscrita em proventos da exploração agrícola (cf. Rolo e Cordovil, 2018: 99).

40 Na base do trabalho estiveram os parâmetros de classificação: (a) Dimensão Económica, DE -

< 8 000€ de VPP total, de 8 000 a 25 000€, de 25 000 a 100 000€, > 100 000€; (b) Natureza jurídica: produtores individuais (autónomos/familiares e empresários), sociedades e outras entidades; (c) Proveniência dos rendimentos familiares: só da exploração, principalmente da exploração e principalmente de fora da exploração e, para estas duas últimas situações, (d) A

(28)

superfícies médias por exploração (ex.: superfície total, ST; superfície agrícola utilizada, SAU; superfície irrigável); efetivo pecuário por exploração (em cabeças normais, CN, e composição do efetivo pecuário: %, em CN, de herbívoros); VPP total/ha de SAU e composição do VPP total: % cereais, culturas permanentes, bovinos, etc.; Unidades de Trabalho ano por exploração (UTA/exploração e % de UTA familiares/UTA total).

3.º. Avaliações, para os concelhos, da situação expetável em 2016, face

ao apurado pelo RA2009, em termos do número de unidades agrícolas e da respetiva superfície (ST e SAU). Para este efeito, faz-se uso do proxy de dinâmicas estruturais: para o n.º total de unidades agrícolas – produtores inscritos (em 2009 e 2018-19) no regime de “pagamento único/regime de pagamento base” e “manutenção da atividade agrícola em Zonas Desfavorecidas” (IFAP, GPE – APEP); para as superfícies – idem, com as respetivas “áreas declaradas”, conjugadas com INE, Estatísticas de Uso …

solo41. Os resultados assim obtidos alinharam-se aos registos do IEEA2016

para a meso escala Região Agrária.

4.º. A multiplicação dos valores obtidos em 3.º. – n.º de explorações (total

e com SAU) e áreas (ST e SAU) – pelos indicadores determinados em (2.º) proporcionou o preenchimento do quadro relativo a 2016.

5.º. No âmbito da natureza jurídica dos produtores, os valores regionais

foram alocados aos municípios: (a) outras entidades (que não sociedades, nem produtores individuais) – segundo a estrutura revelada pelo RA2009; (b) sociedades – acompanhando a estrutura derivada42 das situações mostradas

pelo RA2009 e pelo Sistema de Contas Integradas das Empresas (INE, SCIE); (c) produtores individuais – diferença para o total de (a) e (b);

prevalência da origem dos réditos: nas pensões, nos salários e outras (cf.: INE, 2017: 15 e 38; Rolo e Cordovil, 2018: 84-5, 90, 99).

41Fez-se uso da média dos indicadores INE, COS (30%) e IFAP, “áreas declaradas” (70%). E

retiveram-se de COS as classes: Área agrícola + Área de pastagens + Sistemas agroflorestais + Área florestal + Área de matos no respeitante à dinâmica da superfície total e da superfície agrícola ou florestal; Área agrícola + Área de pastagens + Sistemas agroflorestais para a ligação à dinâmica da SAU; e Área florestal + Área de matos para a Superfície Florestal sem culturas sob coberto (as ‘matas estremes’ nas explorações agrícolas).

42Fixou-se o seguinte critério de ponderação para a fonte SCIE (o complementar para a estrutura

IEEA2016 – Região Agrária – com RA2009 – concelhos): (a) se o rácio SCIE/IEEA16-RA09 <1,35,

um peso de 0,5; (b) se SCIE/IEA2016 e RA2009 > 1,35 e < 2, então SCIE =0,20; (c) se SCIE/IEA2016 e RA2009 > 2, então SCIE =0,10. Com 0,05 nos concelhos (urbanos): Porto, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa. Tem-se em conta que a informação do SCIE reporta à localização da sede da empresa e não à da respetiva atividade.

(29)

6.º. Quanto ao parâmetro (da classificação das explorações)

prevalecimento de fonte de réditos familiares exteriores à exploração agrícola, adotaram-se como fatores de alteração face a 2009: “pensões” – rácio da população com mais de 65 anos em 2018 e 2011; outras proveniências (dominantes: “salários”, “atividade empresarial”, etc.) - rácio da população com mais de 30 anos e menos de 65 anos em 2018 e 2011 (INE, Estimativas

… da população residente);

7.º. A avaliação dos casos, a nível de concelho, dos produtores individuais

cujos rendimentos familiares têm origem em exclusivo na exploração apura-se por diferença para o total de produtores/explorações após a contabilização – com ajustamento ao que foi contado nas Regiões Agrárias pelo IEEA2016 – dos produtores individuais cujos proventos das famílias são provenientes “principalmente da exploração” e “principalmente de fora da exploração”. Todos os resultados deduzidos por estimativa foram harmonizados com os apuramentos do IEEA2016.

8.º. Uma última nota metodológica: as avaliações feitas em conformidade

com o conceito de produtor autónomo43 foram ajustadas à delimitação de

“agricultura familiar” estabelecida segundo a medição do trabalho familiar na exploração; ou seja, segundo o indicador UTA familiar ≥ 50% de UTA total. Para tanto seguiram-se, ao nível de concelho * estratos de dimensão económica das explorações, os resultados dos apuramentos específicos do

RA2009 (INE/GPP) com, respetivamente, a auto classificação de produtor autónomo (cf. Rolo e Cordovil, 2018: 99-100) e a reclassificação das

explorações em função do indicador ≥ 50% de UTA familiar (cf. Cordovil c/ Rolo, 2014). Admite-se, assim, a hipótese de se manterem em 2016 as relações verificadas em 2009 de “explorações com ≥ 50% de UTA familiar” /”produtores autónomos”. Este passo, implicando a reclassificação dos produtores individuais (de autónomos para empresários), induziu o reacerto matricial da quantificação das variáveis. Assim, tendo presente a formulação: total de produtores individuais (familiares e empresários) = produtores com rendimento do agregado familiar “exclusivamente da exploração agrícola” + “predominantemente da exploração” + “predominantemente do exterior da exploração agrícola”, nos casos dos empresários em que não se dispunha de informação sobre esta partição, a alocação seguiu a constatada (a nível de

43 “Produtor singular autónomo, se permanente e predominantemente, utiliza a atividade própria

ou de pessoas do seu agregado doméstico na sua exploração, com ou sem recurso excecional ao trabalho assalariado” (INE, IEEA2016: 15).

Referências

Documentos relacionados

1 - Pelo incumprimento de obrigações emergentes do contrato, o Municipio de Reguengos de Monsaraz pode exigir ao adjudicatário o pagamento de uma pena pecuniária,

Como visto no capítulo III, a opção pelo regime jurídico tributário especial SIMPLES Nacional pode representar uma redução da carga tributária em alguns setores, como o setor

1. No caso de admissão do cliente, a este e/ou ao seu representante legal são prestadas as informações sobre as regras de funcionamento da ESTRUTURA RESIDENCIAL

Otto: Este filósofo e teólogo toma como base para sua definição de religião a experiência religiosa e introduz na discussão um conceito que muito vai influenciar a compreensão

No final, os EUA viram a maioria das questões que tinham de ser resolvidas no sentido da criação de um tribunal que lhe fosse aceitável serem estabelecidas em sentido oposto, pelo

Realizar a manipulação, o armazenamento e o processamento dessa massa enorme de dados utilizando os bancos de dados relacionais se mostrou ineficiente, pois o

O fenoterol provocou menor estimulação cardíaca e tremores comparados ao salbutamol, foi mais seguro e houve maior facilidade, menor custo e menor gasto de tempo na

A Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL-MG, por meio da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, no uso de suas atribuições, torna público que estarão abertas as