Direito Administrativo
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PODERES DA ADMINISTRAÇÃO
• O Estado age por meio de seus agentes públicos, aos quais são conferidas prerrogativas diferenciadas, a serem utilizadas para o alcanças os seus fins: a satisfação dos interesses públicos. Esse conjunto de prerrogativas denomina-se Poderes Administrativos, ou seja, são instrumentos conferidos à Administração
para o atendimento do interesse público.
• Por outro lado, por tutelarem interesses coletivos, são impostos aos agentes públicos alguns Deveres Administrativos.
• Há hipóteses e que os Poderes se convertem em verdadeiros Deveres, pois enquanto na esfera privada o Poder é mera faculdade daquele que o detém, na esfera pública representa um Dever do administrador para com os administrados. Segundo a doutrina, trata-se do chamado Poder-dever de agir, de forma que se o
PODER-DEVER DE AGIR
• O administrador público não tem apenas o poder, mas também o dever de agir, ou seja, ele tem por obrigação exercitar esse poder em benefício da coletividade, sendo esse poder irrenunciável.
• Segundo Hely Lopes Meirelles: Se para o particular o poder de agir é uma
faculdade, para o administrador público é uma obrigação de atuar, desde que se apresente o ensejo de exercitá-lo em benefício da comunidade. É que o Direito Público ajunta ao poder do administrador o dever de administrar.
• Em sendo um poder-dever, a omissão da autoridade ou o silêncio administrativo resultará em responsabilização do agente omisso.
DEVERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO
DEVERES Eficiência Prestação de contas Probidade
Dever de Probidade
• O dever de probidade é considerado um dos mais importantes. Significa que a conduta do agente, além de estar pautada na Lei, deve ser honesta, respeitando a
noção de moral administrativa e também da própria sociedade.
• A própria Constituição faz referência à probidade no § 4º, art. 37: Os atos de
improbidade importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.
• Lei 8.429/92 (chamada Lei de Improbidade Administrativa), que dispõe sobre atos de improbidade administrativa.
Dever de Prestar Contas
• O administrador faz a gestão de bens e interesses alheios (bens e interesses públicos), tendo, portanto, o dever de prestar contas do que realizou a toda
coletividade. Esse dever abrange não apenas os agentes públicos, mas a todos que tenham sob sua responsabilidade dinheiros, bens, ou interesses públicos, independentemente de serem ou não administradores públicos.
• Segundo Hely Lopes Meirelles: a regra é universal: quem gere dinheiro público ou
administra bens ou interesses da comunidade deve contas ao órgão competente para a fiscalização.
Dever de Eficiência
• A Eficiência foi elevada a à categoria de Princípio Constitucional de Administração Pública com a Emenda Constitucional 19/1998, impondo que cabe ao agente público realizar suas atribuições com presteza, celeridade, perfeição e rendimento funcional.
PODERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO
Poderes
Hierárquico Vinculado Polícia Regulamentar (normativo) Discricionário Disciplinar
Poder Vinculado
• Também chamado de regrado, é o poder conferido pela lei à Administração para a prática de ato de sua competência, mas com pré-determinação dos elementos e
requisitos necessários a sua formalização, ou seja, é aquele nos quais a liberdade de atuação do agente é mínima ou inexiste.
• Portanto, o poder vinculado difere-se do poder discricionário, pois neste há maior liberdade de atuação da Administração.
• Para alguns autores, a idéia de poder é contraditória nesse caso, já que o administrador está limitado a respeito dos elementos que compõem o ato (competência, finalidade, forma, motivo e objeto), não gozando de liberdade.
Poder Discricionário
• É o poder conferido à Administração que, embora deva estar de acordo com a lei,
confere uma maior liberdade ao Administrador, que poderá adotar uma ou outra
conduta de acordo com a conveniência e oportunidade, ou seja, a Lei faculta ao administrador a possibilidade de escolher as entre as condutas possíveis, a qual deve estar de acordo com o melhor atendimento do interesse público.
• Não se pode confundir discricionariedade com arbitrariedade ou livre arbítrio, pois a Administração Pública, ao revés dos particulares de modo geral, só pode fazer aquilo que a Lei lhe determina ou autoriza. Arbitrariedade é, para a Administração Pública, sinônimo de ilegalidade; enquanto o livre arbítrio é a possibilidade de fazer o que bem entender, conduta que também não é permitida por estar o administrador restrito à legalidade.
Poder Regulamentar (ou Normativo)
• É o poder conferido aos chefes do Executivo para editar decretos e regulamentos com a finalidade de permitir a efetiva implementação da Lei (são os chamados
regulamentos executivos).
• Enquanto as Leis são criadas no âmbito do Poder Legislativo, a Administração
Pública poderá criar esses decretos e regulamentos para complementá-las, aos
quais não podem contrariar, restringir ou ampliar as disposições da Lei.
• Incumbe à Administração, então, complementar as Leis, criando os mecanismos para sua efetiva implementação (Ex.: Lei 8.112 x Decreto 5.707).
• De acordo com a “Constituição Federal – Art.84. Compete privativamente ao
Presidente da República: IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;”. Em decorrência do
princípio da simetria constitucional, os Chefes de Executivos dos Estados possuem a mesma prerrogativa. Outras autoridades, como os Ministros, podem editar atos normativos (inc. II, § único, art. 87, CF), bem como entidades (ex.: agências reguladoras).
Poder Hierárquico
• A hierarquia é inerente ao Poder Executivo.
• No âmbito do Poder Legislativo ou Judiciário, onde ocorra o desempenho de função administrativa (atividade atípica desses poderes), poderá haver hierarquia; porém, em relação às funções típicas exercidas pelos membros desses dois poderes (legislativa e jurisdicional) não há hierarquia entre seus membros (parlamentares e membros da magistratura).
• O poder hierárquico tem íntima relação com o poder disciplinar e objetiva ordenar,
coordenar, controlar e corrigir as atividades administrativas no âmbito interno da
Administração. É através do poder hierárquico que a Administração escalona a função de seus órgãos, revê a atuação de seus agentes e estabelece a relação de subordinação entre seus servidores. Nas relações hierárquicas há vínculo de subordinação entre órgãos e agentes.
• Obs.: não há hierarquia entre administração direta e entidades da administração
Poder Disciplinar
• O Poder Disciplinar é o exercido pela Administração para apurar as infrações dos
servidores e das demais pessoas que ficarem sujeitas à disciplina administrativa
(ex.: empresas privadas contratadas para prestarem serviços públicos).
• Decorre do escalonamento hierárquico visto anteriormente, ou seja, se ao superior é dado poder de fiscalizar os atos dos seus subordinados, por óbvio que, verificando o descumprimento de ordens ou normas, tenha a possibilidade de impor as devidas sanções previstas para aquela conduta.
• Portanto, o Poder Disciplinar afeta a estrutura interna da Administração.
• Hely Lopes Meirelles conceitua o Poder Disciplinar como “faculdade de punir
internamente as infrações funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração.”
• Muito embora Hely se refira a poder como uma “faculdade”, importante salientar que não se trata de uma decisão discricionária da autoridade, já que diante de uma irregularidade, o agente tem o poder-dever de agir, ou seja, é obrigado a apurar e
penalizar o infrator.
• Exemplificando, estabelece o art. 143 da Lei 8.112/90: A autoridade que tiver ciência
de irregularidade no serviço público é obrigada a promover sua apuração
imediata....”. Já em relação à penalidade a ser aplicada, em razão de adotarmos a
chamada tipicidade aberta, há uma margem discricionária para que a Administração decida, de acordo com as circunstâncias, natureza ou gravidade de cada infração, a pena que irá aplicar, desde que observando o princípio da adequação punitiva (que seja aplicada uma pena adequada para a infração).
Poder de Polícia
• O Código Tributário Nacional - CTN, conceitua Poder de Polícia, dispondo em seu art. 78 que: considera-se poder de polícia a atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
• Poder de Polícia, portanto, é a atividade do Estado que limita os direitos individuais em benefício do interesse público, ou seja, é o mecanismo de frenagem de que
dispõe a Administração Pública para conter os abusos do direito individual (Hely
Lopes Meirelles).
• O interesse público está relacionado com a segurança, moral, saúde, meio
• Polícia Administrativa e Judiciária
• O poder de polícia do Estado pode ocorrer em duas áreas:
na administrativa, feita pelos órgãos administrativos, atuando sobre as atividades do indivíduos (ex.: fiscalização da atividade de comércio);
na judiciária, executada pelos órgãos de segurança, atuando sobre o indivíduo que poderia cometer algum ilícito penal (ex.: polícia civil de um estado).
polícia
administrativa
preventiva atividadepolícia
• Competência para Exercício
• A princípio, o critério para determinação de competência para o exercício do Poder de Polícia é o que diz respeito ao poder de regular a matéria, o qual, por sua vez,
arrima-se no princípio de predominância do interesse.
• Para Hely Lopes Meirelles: os assuntos de interesse nacional ficam sujeitos à
regulamentação e policiamento da União; as matérias de interesse regional sujeitam-se às normas e à polícia estadual; os assuntos de interesse local subordinam-se aos regulamentos edilícios e ao policiamento administrativo municipal.
• Ex.:
Regulação de mercados de título e valores imobiliários (assunto que compete à União, então ela fiscaliza);
Normas pertinentes a prevenção de incêndio (compete à esfera estadual, então ela inspeciona, vistoria, expede alvará...)
Planejamento e controle de uso de solo urbano (compete ao município, então ele concede licença, regula o funcionamento, aplica sanções...)
• Atributos ou Características
• Os atributos costumeiramente apontados pela doutrina no que se refere aos atos resultantes do exercício regular do poder de polícia são 3:
discricionariedade (livre escolha de oportunidade e conveniência);
auto-executoriedade (decidir e executar diretamente sua decisão sem a intervenção do Judiciário);
• Sanções decorrentes do Poder de Polícia
• As sansões são impostas pela própria Administração em procedimentos administrativos compatíveis com as exigências do interesse público, respeitando a
legalidade da sanção e a sua proporcionalidade à infração.
• Exemplificando, podemos citar as seguintes sanções administrativas, em decorrência do exercício do Poder de Polícia: as multas, a interdição de atividades, demolição de construções irregulares, inutilização de gêneros, apreensão de objetos.
Uso e Abuso de Poder
• No Estado Democrático de Direito, a Administração Pública deve agir sempre dentro dos limites de suas atribuições, em consonância com o direito e a moral, com
respeito aos direitos dos administrados.
• No entanto, se o administrador extrapolar os limites de suas competências ou se utilizar das suas atribuições para fins diversos do interesse público, teremos o
• O abuso de poder pode se manifestar de duas formas:
• Excesso de Poder – quando o gestor atua fora dos limites de suas competências, exercendo atribuições que não são de sua competência;
• Desvio de Poder – quando o gestor exerce suas competências, mas para alcançar
finalidade diversa da definida em lei.
Abuso de Poder
Excesso
• (FUNDATEC – PROCURADOR - ADAPTADA) O poder hierárquico tem por
objetivo não somente ordenar, mas também coordenar, controlar e corrigir
as atividades administrativas, no âmbito interno da Administração Pública.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• O poder disciplinar é correlato com o poder hierárquico, mas com ele não se
confunde.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• Tradicionalmente são arrolados, pela doutrina brasileira, como atributos do
poder de polícia estatal, a discricionariedade, a auto- executoriedade e a
coercibilidade.
• (FUNDATEC - SEFAZ-RS - Agente Fiscal do Tesouro do Estado) Considerando-se os chamados poderes (poderes-deveres} administrativos, relacione- os com o ato ou conduta administrativa respectivo. • 1. Poder discricionário. • 2. Poder vinculado. • 3. Poder de polícia . • 4. Poder regulamentar. • 5. Poder disciplinar.
( ) Apreensão de mercadorias ilegais vendidas por ambulantes.
( ) Penalidade de advertência, em processo administrativo disciplinar. ( ) Expedição de licença para dirigir.
( ) instrução normativa.
( ) Nomeação para cargo em comissão.
• A seqüência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: • a) 3- 5- 1 - 4 - 2. b) 5- 1 -3 -2 - 1 . c) 2- 1 - 5 - 3 - 4.
• (UFRGS – 2017 - ADAPTADA) Sobre poderes e deveres do
administrador público assinale.
• O administrador público deve ter uma conduta honesta e pautada pela
lei.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• O Administrador Público responsável pela gestão de dinheiro ou bens
públicos tem o dever de prestar contas para o órgão fiscalizador.
• (UFRGS – 2017 - ADAPTADA) Sobre poderes e deveres do
administrador público assinale.
• O poder que confere ao Administrador Público a prerrogativa de
ordenar, delegar e fiscalizar os subordinados chama-se Poder
Hierárquico.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• O Administrador Público pode utilizar livremente seu juízo para
determinar quais as melhores decisões a serem tomadas em nome da
coletividade.
• (UFRGS – 2017 - ADAPTADA) Sobre poderes e deveres do
administrador público assinale.
• O Administrador Público deve pautar-se pelo elevado padrão de
qualidade na atividade administrativa zelando pelo dever de eficiência.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• (CESPE – 2015) Julgue os itens que se seguem, referentes aos poderes
da administração pública. O poder hierárquico é aquele que confere à
administração pública a capacidade de aplicar penalidades.
• (CESPE – 2016) A respeito dos agentes públicos e dos poderes da
administração pública, julgue os itens que se seguem. Quando um
servidor detentor de cargo de chefia assina expediente em
concordância com o conteúdo de ato elaborado por servidor
subordinado, está caracterizada uma expressão do poder hierárquico.
• ( ) CERTO
( ) ERRADO
• (CESPE – 2015) A respeito dos poderes da administração pública, julgue
o item a seguir. Pelo poder hierárquico, são possíveis a apuração de
faltas funcionais e a aplicação de punições ao agente infrator.
• (CESGRANRIO) Um cidadão resolve construir uma casa, para fins de
moradia, em área de preservação ambiental permanente, onde são
vedadas construções. Ao tomar ciência do fato, o agente fiscal
competente da União procede à notificação do construtor e, no prazo
legal, realiza a demolição do imóvel. Tal ato é considerado um(a)
A.abuso de direito
B.ofensa ao direito de propriedade
C.decorrência do poder de polícia
D.agressão à necessidade de moradia
E.ofensa à dignidade da pessoa humana
• (CESPE – 2103) No que concerne aos poderes administrativos, julgue os
itens que se seguem. As multas de trânsito são um exemplo de sanções
aplicadas no exercício do poder de polícia do Estado.
• (CESPE – 2104) No que se refere aos agentes públicos, aos poderes
administrativos e ao controle da administração pública, julgue os itens
subsecutivos. Existem casos em que mesmo existindo lei específica
sobre determinada matéria, cumpre à administração criar mecanismos
para aplicá-la. Nessas hipóteses, surge o poder regulamentar, que
confere à administração a prerrogativa de editar atos gerais para alterar
e complementar as leis.
• (CESPE – 2104) Acerca de agentes administrativos, poderes
administrativos, improbidade administrativa e serviços públicos, julgue
os itens seguintes. No âmbito do Poder Executivo, a prerrogativa de
apurar as infrações e impor sanções aos próprios servidores,
independentemente de decisão judicial, decorre diretamente do poder
hierárquico, segundo o qual determinado servidor pode ser demitido
pela autoridade competente após o regular processo administrativo
disciplinar, por irregularidades cometidas no exercício do cargo.
• (CESPE – 2104) Considere que, durante uma fiscalização, fiscais do DF
tenham encontrado alimentos com prazo de validade expirado na
geladeira de um restaurante. Diante da ocorrência, lavraram auto de
infração, aplicaram multa e apreenderam esses alimentos. Com base
na situação hipotética apresentada, julgue os itens subsecutivos. A
aplicação de multa ao estabelecimento comercial decorre do poder
disciplinar da administração pública.
• (CESPE – 2104) Julgue os itens que se seguem, relativos aos atos
administrativos e poderes da administração. O poder para a
instauração de processo administrativo disciplinar e aplicação da
respectiva penalidade decorre do poder de polícia da administração.
• (CESPE – 2103) Julgue os itens de 39 a 42, a respeito dos atos e agentes
administrativos e dos poderes da administração. Por meio do poder
regulamentar, a administração pública poderá complementar e alterar
a lei a fim de permitir a sua efetiva aplicação.
• (CESPE – 2103) Considere que, após o regular procedimento
administrativo específico, um servidor público, tenha sido suspenso por
ter praticado atos irregulares no exercício do cargo. A sanção a ele
imposta decorreu diretamente da prerrogativa da administração
pública de exercer o poder
• A.regulamentar.
• B.vinculado.
• C.hierárquico.
• D.disciplinar.
• (CESPE – 2016 – Auditor TCE) Acerca dos servidores públicos, dos
poderes da administração pública e do regime jurídico-administrativo,
julgue os itens que se seguem. Situação hipotética: O proprietário de
determinado restaurante recebeu notificação na qual constava a
determinação de que a obra que havia sido irregularmente realizada na
calçada do referido estabelecimento, para a colocação de mesas, teria
de ser demolida. Assertiva: Nesse caso, decorrendo o prazo sem
cumprimento da ordem, a administração poderá promover a
demolição sob o manto da autoexecutoriedade dos atos
administrativos e do poder de polícia.
• (CESPE – 2015) Considerando os poderes regulamentar, disciplinar e
hierárquico da administração pública, julgue os seguintes itens. A
administração, quando aplica sanção administrativa a uma pessoa que
descumpre as normas de vigilância sanitária, atua no exercício do
poder disciplinar, que se baseia na ideia de supremacia geral e se dirige
a todos os administrados de forma indistinta.
• (CESPE – 2104) Em relação aos poderes administrativos, julgue os itens
subsecutivos. Constitui exemplo de poder de polícia a interdição de
restaurante pela autoridade administrativa de vigilância sanitária.
Direito Administrativo
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• Intervenção do Estado na propriedade:
• limitações administrativas,
• requisição de uso,
• servidão administrativa,
• tombamento,
• desapropriação. Conceitos. Requisitos. Regimes jurídicos da
desapropriação: geral, sancionatório-urbanístico, para fins de reforma
agrária e sancionatórioconfiscatório.
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE
• Modalidades de Intervenção do Estado na Propriedade:
Servidão Administrativa (ex.: passagem de redes elétricas; placas com nomes de
rua na casa);
Requisição (ex.: em perigo iminente, a Administração requisita meu veículo para
um salvamento);
Ocupação Temporária (ex.: utilização de espaços privados para maquinários de obras);
Limitações Administrativas (ex.: limpeza de terreno, limite ao desmatamento...); Tombamento (ex.: para proteger o patrimônio cultural);
Desapropriação (Estado retira coercitivamente a propriedade de terceiro e a
SERVIDÃO ADMINISTRATIVA
Exemplos:
- Instalações de redes elétricas e redes telefônicas;
- Implantação de gasodutos e oleodutos;
- Colocação de placas em prédios privados com nomes de ruas;
• CONCEITO DE SERVIDÃO ADMINISTRATIVA
• Hely Lopes Meirelles: “servidão administrativa ou pública é ônus real de uso
imposto pela Administração à propriedade particular para assegurar a
realização e conservação de obras e serviços públicos ou de utilidade pública,
mediante indenização dos prejuízos efetivamente suportados pelo
proprietário”.
• CARACTERÍSTICAS DA SERVIDÃO ADMINISTRATIVA
• Instituição
– mediante
acordo administrativo feito por escritura pública ou
mediante
sentença judicial (quando não há acordo), não havendo, portanto,
autoexecutoriedade na servidão administrativa.
• Indenização condicionada
– por se tratar apenas de um direito de uso pelo
Poder Público (não há transferência de propriedade), a regra é de que
não
haja indenização, exceto por danos ou prejuízos comprovadamente
causados.
• Portanto, a servidão administrativa incide sobre bens imóveis, com natureza
de
direito real, com caráter de definitivo, sem autoexecutoriedade e
indenização condicionada (somente no caso de danos ou prejuízos efetivos).
• Portanto, a servidão administrativa:
incide sobre
bens imóveis;
com natureza de
direito real;
com caráter de
definitivo;
sem autoexecutoriedade;
REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA
Exemplos:
- em uma emergência, situação de perigo público iminente, a polícia pode requisitar meu veículo para fazer um salvamento;
- em uma calamidade pública, a o Poder público pode requisitar o uso das instalações e dos serviços de um imóvel particular, bem como de equipamentos e serviços médicos de um hospital privado.
• CONCEITO DE REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA
• Maria Sylvia Zanella di Piettro: “ato administrativo unilateral,
auto-executório e oneroso, consistente na utilização de bens ou de serviços
particulares pela Administração, para atender a necessidades coletivas em
tempo de guerra ou em caso de perigo público iminente”.
• Hely Lopes Meirelles: “requisição é a utilização coativa de bens ou serviços
particulares, pelo Poder Público, por ato de execução imediata e direta da
autoridade requisitante e indenização ulterior, para atendimento de
necessidades coletivas urgentes e transitórias”.
• CARACTERÍSTICAS DA REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA
• Determina o art. 5º, XXV da CF que “no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano”.
• A requisição administrativa poderá ser civil ou militar. A requisicão civil visa a evitar danos, à vida, à saúde e aos bens da coletividade diante de uma inundação, incêndios, epidemas, catástrofes; a requisição militar objetiva o resguardo da segurança interna e a manutenção da Soberania Nacional durante um conflito armado ou uma comoção interna.
• Indenização ulterior condicionada – haverá indenização apenas se houver danos, posteriormente paga ao particular.
• Portanto, a requisição administrativa:
incide sobre
bens móveis, imóveis e serviços (na servidão era apenas
imóveis);
com natureza de
direito pessoal (na servidão era real);
com caráter de
transitório (na servidão era definitivo);
com autoexecutoriedade (na servidão era sem);
indenização ulterior condicionada (apenas em caso de dano) (na servidão é
LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS
Exemplos:
- Obrigação de observar o recuo da calçada ao construir;
- Proibição de desmatamentos em uma propriedades rurais; - Obrigação de efetuar limpezas de terrenos;
• CONCEITO DE LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS
• Hely Lopes Meirelles: “limitação administrativa é toda imposição geral,
gratuita, unilateral e de ordem pública condicionadora do exercício de
direitos ou de atividades particulares às exigências do bem-estar social”.
• Maria Sylvia Zanella di Piettro: “medidas de caráter geral, previstas em lei
com fundamento no poder de polícia do Estado, gerando para os
proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o
exercício do direito de propriedade ao bem-estar social”.
• Portanto, as limitações administrativas:
são atos legislativos ou administrativos de caráter geral;
com caráter
definitivo (igual servidão);
com autoexecutoriedade (igual a requisição);
motivos de interesses públicos abstratos;
TOMBAMENTO
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo “tombamento é a modalidade de intervenção na propriedade por meio da qual o Poder Público procura proteger o patromônio cultural brasileiro”.
CF, art. 216, § 1º: O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá
e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
• Portanto, o tombamento pode ser:
Voluntário – quando o proprietário concorda com o tombamento, seja ele
mesmo solicitando ou concordando com a proposta feita pelo Poder Público;
Compulsório – quando o Poder Público realiza a inscrição do bem como
tombado, mesmo que o proprietário não concorde.
Provisório – enquanto não concluído o processo administrativo de
tombamento.
Definitivo – após a conclusão do processo, quando o Poder Público realiza a
inscrição do bem como tombado e leva a registro.
DESAPROPRIAÇÃO
Art. 5º, XXII
- é garantido o direito de
propriedade.
Art. 5º, XXIII
- a propriedade atenderá a sua
função social;
Art. 5º, XXIV
- a lei estabelecerá o procedimento para
desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e
prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta
Constituição;
• Conceito: Desapropriação é o procedimento de direito público mediante o qual o
Estado, ou quem a lei autorize, retira coercitivamente a propriedade de terceiro e transfere para si – ou, excepcionalmente, para outras entidades – fundado em razões de utilidade pública, de necessidade pública, ou de interesse social, em regra, com o pagamento de justa indenização (Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo)
• É a mais gravosa modalidade de intervenção do Estado na propriedade!
• Em regra, as modalidades de intervenção do Estado na propriedade limitam ou
condicionam o exercício dos poderes ao domínio (intervenção restritiva);
entretanto, a desapropriação enseja, também, a perda da propriedade (intervenção supressiva).
Pressupostos:
a) utilidade pública – por mera conveniência do poder público (ex.: desapropriar um imóvel para construir uma escola; desapropriar imóveis para alargar vias);
b) necessidade pública – por situações de urgência ou emergência (ex.: desapropriação de um imóvel em face de uma calamidade ou salvaguardar a segurança nacional);
c) interesse social – quando o bem não está cumprindo sua função social - para promover a justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem estar social (ex.: desapropriar area para construção de casas populares, ou para reforma agrária).
Tipos de desapropriação:
• Desapropriação urbanística (art. 182, § 4º, III, CF) – possui caráter sancionatório,
aplicável ao proprietário de solo urbano que não atende as exigências de promover o adequado aproveitamento da propriedade, conforme o plano diretor do município.
• Indenização: mediante títulos da dívida pública, com prazo de resgate de até 10 anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas.
• Desapropriação rural (art. 184, CF) – incide sobre imóveis rurais, em regra,
destinados à Reforma Agrária; é uma desapropriação por interesse social, que
sujeitam os imóveis rurais que não esteja atendendo à sua função social.
• Indenização: títulos da dívida agrária, resgatáveis em até 20 anos, a partir do segundo ano de sua emissão.
• Expropriante: apenas a União pode desapropriar .
• Não pode ser desapropriada: a) propriedade produtiva; b) a pequena e média propriedade, desde que seu proprietário não possua outra.
• Desapropriação confiscatória (art. 243, CF) – incide sobre propriedades rurais e
urbanas de qualquer região do País, onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo; serão desapropriadas para fins de habitação popular ou Reforma Agrária.
• Indenização: não há indenização! Sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
• Desapropriação indireta (art. 35, DL 3.365/41) – quando o Estado se apropria do
bem do particular sem a observância dos requisitos ou do devido processo legal; ou seja, não declara o bem como de interesse público e não paga a indenização que deveria. Nesse caso, não há a anulação da desapropriação! O expropriado apenas terá direito à indenização por perdas e danos.
Legislação:
Decreto-Lei nº 3.365/41 (Lei Geral de Desapropriação, que trata da desapropriação por utilidade pública);
Lei nº 4.132/62 (desapropriação por interesse social);
Lei nº 8257/91 (desapropriação de imóveis onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas);
Lei nº 8.629/93 (desapropriação rural, por interesse social, para fins de reforma agrária);
LC nº 76/93 (procedimento judicial de desapropriação rural, por interesse social, para fins de reforma agrária).
Bens desapropriáveis:
Em regra, qualquer bem susceptível de valor patrimonial pode ser desapropriado; móvel ou imóvel, corpóreo ou incorpóreo.
Exceções – são insusceptíveis de desapropriação:
a) moeda corrente do País;
b) direito personalíssimos (honra, liberdade, cidadania...);
c) desapropriar pessoas jurídicas (seus bens podem ser desapropriados).
Obs.: bens públicos pertencentes à entidades políticas podem ser desapropriados,
desde que haja autorização legislativa.
União pode desapropriar bens dos E, DF e M Estados podem desapropriar bens dos seus M
A desapropriação de bens imóveis só pode se dar por ente federado em cujo território esteja situado.
União
Estado
Procedimento de desapropriação:
O procedimento de desapropriação é composto de 2 fases:
a) fase declaratória – o Poder Público manifesta a intenção de desapropriar, em regra, através de Decreto do Presidente, Governador ou Prefeito.
b) fase executória – onde são adotadas as providências para consumar a transferência do bem para o patrimônio do expropriante.
• A fase executória pode se dar por via administrativa, quando houver acordo em ter o Poder Público e o expropriado, caso em que terá natureza de compra e venda e recebe o nome de “desapropriação amigável”.
• Não havendo acordo, será proposta ação judicial para solucionar o conflito, onde somente podem ser discutidos vícios do processo ou impugnação ao preço da
indenização (demais alegações dependem de ação autônoma). O MP intervirá,
• (FUNDATEC – PGE – 2015 - ADAPTADA) As limitações administrativas
são restrições à propriedade de caráter geral que, como regra, geram o
dever de indenizar o proprietário.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• As servidões administrativas são restrições à propriedade de caráter
concreto, podendo gerar o dever de indenizar o proprietário em caso de
dano comprovado.
• (FUNDATEC – PGE – 2015 - ADAPTADA) A desapropriação sem pagamento de
indenização se limita às glebas em que localizado o cultivo de plantas
psicotrópicas ilegais ou verificada a utilização de trabalho escravo.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária os imóveis
rurais produtivos e aqueles, pequenos e médios, que sejam os únicos imóveis
do proprietário.
( ) CERTO
( ) ERRADO
• A limitação da discussão, nas ações de desapropriação, a questões
processuais e ao valor da indenização, não impede que outras questões
sejam deduzidas em ação própria.
• (DPE/RS) A Administração pública construiu uma unidade prisional em terreno que julgava ser de sua propriedade. Apurou-se, meses depois da inauguração da unidade, que o terreno era particular, por ocasião de decisão em pedido de licenciamento ambiental para implantação de empreendimento habitacional pelo então real proprietário. O proprietário do terreno onde foi edificada a unidade prisional
(A) pode ajuizar medida judicial para exigir a restituição do terreno, precedida da demolição da obra pública.
(B) torna-se proprietário das construções lá edificadas, devendo equacionar com o poder público a utilização do terreno para evitar a interrupção do serviço.
(C) pode ajuizar ação de indenização em razão da limitação administrativa imposta pelo poder público à propriedade particular.
(D) pode ajuizar ação de improbidade administrativa em face do atual administrador, em razão da administração pública ter edificado em terreno alheio.
(E) pode ajuizar ação de indenização em razão da desapropriação indireta promovida pelo poder público quando edificou no terreno particular equipamento público com intuito de ocupação definitiva.