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janeiro aabril de 2014 N.º 1/2014
1. Destaque
Regime juRídico dos valoRes RepResen-tativos de dívida de cuRto pRazo (“pa-pel comeRcial”)
O Decreto-Lei n.º 29/2014, de 25 de fevereiro, veio alterar o regime jurídico dos valores representativos de dívida de curto prazo, usualmente conhecidos por “papel comercial”, constante do Decreto-Lei n.º 69/2004, de 25 de março, conforme alterado pelo Decreto-Lei n.º 52/2006, de 15 de março. O referido Decreto-Lei n.º 29/2014 visa incentivar o recurso a este meio de financiamento por parte de um conjunto maior de emitentes e fomentar os mercados de emissão, admissão e negociação de papel comercial. Neste quadro, as principais alterações introduzidas foram as seguintes:
a) Os requisitos de emissão de papel comercial com valor unitário inferior a 50.000 euros foram alterados: i) permite-se a emissão de papel co-mercial, sem limites à obtenção de fundos e in-dependentemente do nível de capitais próprios, quando a estrutura de capitais do emitente per-mita assegurar, depois da emissão, um rácio de autonomia financeira considerado adequado, nos termos a definir pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (“CMVM”); ii) os requisi-tos da garantia e da avaliação do risco foram flexibilizados; e iii) aditou-se, como requisito al-ternativo de emissão, a existência da figura do “patrocinador da emissão” que tem como princi-pal função a criação de mercado e a assistência ao emitente no cumprimento dos deveres de in-formação, para além do compromisso de reten-ção de 5% da emissão.
b) O emitente de papel comercial admitido à ne-gociação em mercado regulamentado ficará su-jeito: i) ao dever de divulgação imediata de in-formação privilegiada ao mercado quando esta seja suscetível de comprometer a sua capaci-dade de reembolso da emissão e,
consequen-temente, de afetar o preço de mercado do papel comercial; e ii) ao dever de divulgar o seu rela-tório e contas do exercício mais recente, através do sítio na “internet” do emitente, sem prejuízo de divulgação através do sistema de difusão de informação da CMVM. Nos casos em que a emissão não se destine a ser admitida à nego-ciação em mercado, as informações atrás indi-cadas devem ser dadas aos respetivos titulares. c) Para além da possibilidade, anteriormente pre-vista, de admissão do papel comercial à nego-ciação em mercado regulamentado, o referido Decreto-Lei veio permitir também a sua admis-são à negociação a qualquer outra plataforma de negociação.
d) a nota informativa a apresentar com cada emis-são ou programa de emisemis-são de papel comer-cial deverá seguir o modelo publicado em anexo ao mencionado Decreto-Lei n.º 29/2014.
2. LegisLação NaCioNaL
taxas de incidência da contRibuição so-bRe o setoR bancáRio
a Portaria n.º 64/2014, de 12 de março, veio definir as novas taxas aplicáveis à base de incidência da contribuição sobre o setor bancário, previstas a Portaria n.º 121/2011, de 30 de março, conforme alterada pela Portaria n.º 77/2012, de 26 de março, na sequência da Lei n.º 83-C/2013, de 31 de dezembro, que aprovou o Orçamento do estado para 2014, no que diz respeito ao regime da contribuição sobre o setor bancário.
execução do EuropEan MarkEt
In-frastructurE rEgulatIon (“emiR”) em
poRtugal
o Decreto-Lei n.º 40/2014, de 18 de março, veio proceder à execução na ordem jurídica portuguesa índice 1. destaque | 2. legislação nacional | 3. NorMas reguLaMeNtares
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do regulamento (ue) n.º 648/2012, do Parlamento europeu e do Conselho, de 4 de julho de 2012, relativo aos derivados do mercado de balcão, às contrapartes centrais e aos repositórios de transações (“regulamento eMir”), incluindo os atos delegados e atos de execução que o desenvolvem. Para o referido efeito, o referido Decreto-Lei procedeu: a) à designação das autoridades competentes para a supervisão de contrapartes financeiras, contrapartes não financeiras e contrapartes centrais; b) à designação da autoridade competente para a verificação da autenticidade das decisões da autoridade europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (“esMa”); e c) à definição do regime sancionatório aplicável às contrapartes financeiras e às contrapartes não financeiras da violação das normas do regulamento eMir. em sequência, foram alterados diversos diplomas, nomeadamente, o Código dos Valores Mobiliários; o Decreto-Lei n.º 221/2000; o Decreto- -Lei n.º 357-C/2007, e a Portaria n.º 1619/2007. Pelo referido Decreto-Lei foi, ainda, aprovado o regime jurídico das contrapartes centrais, constante do anexo ao mesmo.
3. NorMas reguLaMeNtares banco de poRtugal
avisos
prevenção do branqueamento de capitais
(aviso do banco de Portugal (“bdP”) n.º 1/2014)
o aviso do bdP n.º 1/2014, de 28 de fevereiro, alterou o aviso do bdP n.º 5/2013, de 18 de dezembro, que regulamenta as condições, mecanismos e procedimentos para o cumprimento dos deveres preventivos do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. as principais alterações ao aviso do bdP n.º 5/2013 referem-se: a) ao alargamento do prazo para a implementação pelas instituições sujeitas dos
registos centralizados para efeitos do controlo dos limites aplicáveis às transações ocasionais e às operações de transferências de fundos; e b) à adaptação da disposição do referido aviso relativa às operações de crédito com recurso a meios de comunicação à distância.
instRuções
Reporte de informação relativa à atividade de recirculação de moeda metálica
(instrução do bdP n.º 31/2013)
a instrução do bdP n.º 31/2013 veio alterar a instrução do bdP n.º 5/2012, que define os termos e as condições de reporte de informação relativa à atividade de recirculação de moeda metálica, quanto aos dados operacionais a reportar e quanto aos requisitos relativos aos períodos e periodicidades do reporte.
mercado de operações de intervenção
(instrução do bdP n.º 33/2013)
através da instrução do bdP n.º 33/2013 foi alterada a instrução n.º 1/99, que regulamentou o Mercado de operações de intervenção (“M.o.i.”), tendo, nomeadamente, revogado e substituído a Parte iV do anexo à instrução do bdP n.º 1/99, relativa aos procedimentos para a utilização de ativos de garantia nas operações de crédito do eurosistema (direitos de crédito na forma de empréstimos bancários e instrumentos de dívida transacionáveis sem avaliação de crédito externa).
Regulamento do sistema de compensação interbancária
a instrução do bdP n.º 1/2014 fixou o dia 1 de agosto de 2014, ou a data que vier a constar de diploma que altere o regulamento (eu) n.º 260/2012 (“regulamento sePa”), como a data de encerramento do sistema tradicional de transferências a crédito e de débitos diretos do índice 1. Destaque | 2. LegisLação NaCioNaL | 3. noRmas RegulamentaRes
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sistema de Compensação interbancária (“siCoi”), alterando, em conformidade, a Instrução do bdP n.º 3/2009. a partir da data atrás referida, a vertente tradicional do subsistema “transferências eletrónicas Interbancárias” apenas aceitará, para processamento e compensação, as operações iniciadas a partir de contas abertas em prestadores de serviços de pagamento sediados em territórios não integrados no espaço sePa.
taegs máximas para o crédito ao consumo
(instrução do bdP n.º 2/2014)
a instrução do bdP n.º 2/2014 veio fixar as taxas anuais de encargos efetivas globais (“taeg”) máximas a praticar durante o segundo trimestre de 2014 para cada tipo de contrato de crédito aos consumidores celebrados no âmbito do Decreto-Lei n.º 133/2009, de 2 de Junho.
4. JurisPruDêNCia
FiadoR de contRato de cRédito ao consumidoR - deveR de inFoRmação Pelo acórdão de 21 de janeiro de 2014, o supremo tribunal de Justiça (“stJ”) entendeu que não é aplicável ao fiador de contrato de crédito ao consumidor o dever de informação previsto no regime das Cláusulas Contratuais gerais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442/85, de 25 de outubro, por ser da opinião que a qualidade em que o devedor assume a dívida perante o credor não pode ser transmitida ao fiador. De acordo com o stJ, o fiador obriga-se a prestar, perante o credor, um quantitativo correspondente ao que o devedor se comprometeu a prestar, independentemente da qualidade em que assumiu a obrigação.
contRato de abeRtuRa de conta ban-cáRia - titulaRidade
O acórdão do stJ de 27 de fevereiro de 2014 veio considerar que, tendo um titular indicado no ato da abertura de conta bancária um outro titular e beneficiário da referida conta, que não assinou a respetiva ficha de abertura por não saber assinar, que esta pessoa é também titular da conta bancária. De referir que, ao tempo da abertura da conta, vigorava o aviso do bdP n.º 48/96, o qual não exigia a assinatura dos titulares da conta na respetiva ficha de abertura.
gaRantia bancáRia à pRimeiRa solici-tação - limites
O stJ entendeu no seu acórdão de 6 de março de 2014 que, apesar de na gíria bancária uma garantia bancária à primeira solicitação (“on first demand”), autónoma e independente significar “pediu, pagou”, nos termos da qual o garante deverá, uma vez interpelado, pagar a quantia garantida sem poder invocar qualquer exceção, tal não significa que, em caso de violação manifesta e óbvia dos princípios da boa-fé ou de fraude evidente, o banco deva cumprir com a sua obrigação de pagamento. No entanto, o stJ esclarece no próprio acórdão que “sob pena de se frustrar o escopo das garantias à primeira solicitação, que só viriam a ser pagas após longa controvérsia, quando existem precisamente para evitar dilações, deve ser-se muito restritivo e exigente na demonstração da quebra pelo beneficiário dos deveres acessórios de conduta, como a boa-fé.” índice 1. Destaque | 2. LegisLação NaCioNaL | 3. NorMas reguLaMeNtares
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5. LegisLação CoMuNitária
RetiFicação da diRetiva 2013/50/eu, que alteRa as diRetivas 2004/109/ce, 2003/71/ ce e 2007/14/ce
Foi publicada no Jornal oficial da união europeia, no dia 18 de janeiro de 2014, uma retificação da Diretiva 2013/50/eu, do Parlamento europeu e do Conselho, de 22 de outubro de 2013, que altera a Diretiva 2004/109/Ce, do Parlamento europeu e do Conselho, relativa à harmonização dos requisitos de transparência no que se refere às informações respeitantes aos emitentes cujos valores mobiliários estão admitidos à negociação num mercado regulamentado, a Diretiva 2003/71/ Ce, do Parlamento europeu e do Conselho, relativa ao prospeto a publicar em caso de oferta pública de valores mobiliários ou da sua admissão à negociação e a Diretiva 2007/14/Ce, da Comissão, que estabelece as normas de execução de determinadas disposições da Diretiva 2004/109/Ce. RetiFicação da diRetiva 2010/78/ue, do paRlamento euRopeu e do conselho, de 24 de novembRo de 2010
Foi publicada no Jornal oficial da união europeia, no dia 22 de fevereiro de 2014, uma retificação da Diretiva 2010/78/eu, do Parlamento europeu e do Conselho, de 24 de novembro de 2010, que altera as Diretivas 98/26/Ce, 2002/87/Ce, 2003/6/Ce, 2003/41/Ce, 2003/71/Ce, 2004/39/Ce, 2004/109/ Ce, 2005/60/Ce, 2006/48/Ce, 2006/49/Ce e 2009/65/Ce no que diz respeito às competências da autoridade europeia de supervisão (autoridade bancária europeia), da autoridade europeia de supervisão (autoridade europeia dos seguros e Pensões Complementares de reforma) e da autoridade europeia de supervisão (autoridade europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados).
Requisitos pRudenciais paRa as insti-tuições de cRédito e paRa as empRe-sas de investimento
o regulamento Delegado (ue) n.º 183/2014, da Comissão, de 20 de dezembro de 2013, veio complementar o regulamento (ue) n.º 575/2013 do Parlamento europeu e do Conselho, relativo aos requisitos prudenciais para as instituições de crédito e para as empresas de investimento. O referido Regulamento Delegado estabelece as normas técnicas para determinar o que são ajustamentos para o risco específico de crédito e para o risco geral de crédito, definidos no regulamento (ue) n.º 575/2013.
noRmas técnicas de Regulamentação dos Requisitos de Fundos pRópRios das instituições
através do regulamento Delegado (ue) n.º 241/2014, da Comissão, de 7 de janeiro de 2014, foi completado o regulamento (ue) n.º 575/2013, do Parlamento europeu e do Conselho, relativo aos requisitos prudenciais para as instituições de crédito e para as empresas de investimento. O referido Regulamento Delegado veio estabelecer as normas técnicas relativas aos elementos dos requisitos de fundos próprios das instituições e das deduções a esses mesmos elementos de fundos próprios. noRmas técnicas de Regulamentação do Regulamento emiR
o regulamento Delegado (ue) n.º 285/2014, da Comissão, de 13 de fevereiro de 2014, estabeleceu normas técnicas relativas aos contratos que tenham um efeito direto, substancial e previsível na união, bem como normas técnicas relativas à prevenção da evasão às regras e obrigações previstas no regulamento (ue) n.º 648/2012, do Parlamento europeu e do Conselho, relativo aos derivados do mercado de balcão, às contrapartes centrais e aos repositórios de transações (regulamento eMir). índice 1. Destaque | 2. LegisLação NaCioNaL | 3. NorMas reguLaMeNtares | 4. JurisPruDêNCia
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conglomeRados FinanceiRos - méto-dos de cálculo méto-dos Requisitos de adequação dos Fundos pRópRios o regulamento Delegado (ue) n.º 342/2014, da Comissão, de 21 de janeiro de 2014, que complementa a Diretiva 2002/87/Ce, do Parlamento europeu e do Conselho, relativa à supervisão complementar de instituições de crédito, empresas de seguros e empresas de investimento de um conglomerado financeiro, e o regulamento (ue) n.º 575/2013, do Parlamento europeu e do Conselho, relativo aos requisitos prudenciais para as instituições de crédito e para as empresas de investimento, veio estabelecer as normas técnicas de regulamentação para efeitos de aplicação dos métodos de cálculo dos requisitos de adequação dos fundos próprios aplicáveis aos conglomerados financeiros.
assistência FinanceiRa da união a poRtugal
a Decisão de execução 2011/344/eu, relativa à concessão de assistência financeira da união a Portugal, foi alterada pela Decisão de execução do Conselho, de 23 de abril de 2014. Nos termos da referida Decisão de 23 de abril de 2014, e no que se refere ao sector financeiro, Portugal deve, em geral, procurar manter um nível adequado de fundos próprios no seu setor bancário e assegurar um processo de desalavancagem ordenada e, em especial, entre outros: a) assegurar que as reservas de capital dos bancos se mantêm adequadas e respeitam os novos requisitos de fundos próprios; b) aconselhar os bancos portugueses a reforçarem de forma sustentável as suas reservas de garantias; c) reduzir a médio prazo a dependência do financiamento concedido pelo eurosistema; d) continuar a reforçar a estrutura de supervisão do bdP, otimizar os seus processos de supervisão e desenvolver e aplicar novas metodologias e instrumentos de supervisão; e) continuar a controlar, trimestralmente, as
potenciais necessidades de capital dos bancos, numa perspetiva de futuro em situações de esforço; f) analisar os planos de recuperação dos bancos e emitir orientações para o sistema bancário sobre os planos de recuperação; g) continuar a acompanhar a aplicação do enquadramento que permite às instituições financeiras efetuar uma reestruturação extrajudicial da dívida das famílias e flexibilizar a aplicação do enquadramento para a reestruturação da dívida das empresas; h) continuar a acompanhar o elevado nível de endividamento do setor empresarial e das famílias através de relatórios trimestrais, bem como a aplicação do novo quadro de reestruturação da dívida, a fim de garantir o seu funcionamento mais eficaz possível; e i) incentivar a diversificação das alternativas de financiamento para o setor empresarial face ao crédito bancário tradicional.
pRogRama de ajustamento macRoeco-nómico de poRtugal
Pela Decisão de execução do Conselho, de 23 de abril de 2014, foi aprovada a atualização do programa de ajustamento macroeconómico de Portugal, constante da Decisão de execução 2011/344/eu.
6. CoNsuLtas PúbLiCas
consulta pública do bdp n.º 1/2014 – deve-Res de inFoRmação na vigência dos con-tRatos de cRédito aos consumidoRes o bdP submeteu a consulta pública um projeto de aviso sobre “Deveres de informação na vigência dos contratos de crédito aos consumidores”. Os eventuais contributos para esta consulta pública deverão ser remetidos ao bdP até ao próximo dia 30 de junho.
índice 1. Destaque | 2. LegisLação NaCioNaL | 3. NorMas reguLaMeNtares | 4. JurisPruDêNCia 5. LegisLação CoMuNitária | 6. consultas públicas
miRanda coRReia amendoeiRa & associados - sociedade de advogados, Rl
av. engenheiro Duarte Pacheco, 7 1070-100 Lisboa
telefone: 217 814 800 Fax: 217 814 802
www.mirandalawfirm.com
gRupo de pRática bancáRio e FinanceiRo
Diogo Xavier da Cunha
Mafalda Monteiro
alberto Galhardo simões
Filipa Fonseca santos
Nuno Cabeçadas
bruno sampaio santos
[email protected] Nuno Galinha [email protected] rodrigo Costeira [email protected] saul Fonseca [email protected]
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