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16/12/2019

Número: 0813061-37.2019.8.15.0000

Classe: MANDADO DE SEGURANÇA Órgão julgador colegiado: Tribunal Pleno

Órgão julgador: Des. Oswaldo Trigueiro do Valle Filho Última distribuição : 13/12/2019

Valor da causa: R$ 1.000,00

Assuntos: ASSISTÊNCIA SOCIAL, Abuso de Poder, Parlamentares Segredo de justiça? NÃO

Justiça gratuita? SIM

Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM Tribunal de Justiça da Paraíba PJe - Processo Judicial Eletrônico

Partes Procurador/Terceiro vinculado

WALLBER VIRGOLINO DA SILVA FERREIRA (IMPETRANTE)

MICHEL PEREIRA BARREIRO (ADVOGADO) ANA LUISE VILARIM PIMENTEL NOBRE ALENCAR (ADVOGADO)

Deputada Yasnaia Pollyanna Werton Dutra (IMPETRADO)

Documentos Id. Data da Assinatura Documento Tipo 51067 65 16/12/2019 16:41 Despacho Despacho

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA

Gabinete Des. Oswaldo Trigueiro do Valle Filho

Processo nº: 0813061-37.2019.8.15.0000

Classe: MANDADO DE SEGURANÇA (120)

Assuntos: [ASSISTÊNCIA SOCIAL, Abuso de Poder, Parlamentares] IMPETRANTE: WALLBER VIRGOLINO DA SILVA FERREIRA IMPETRADO: DEPUTADA YASNAIA POLLYANNA WERTON DUTRA

D E S P A C H O

Trata-se de Mandado de Segurança Preventivo impetrado porWallber

Virgulino da Silva Ferreira em face de ato supostamente ilegal praticado porYasnaia Pollyanna Werton Dutra, na condição dePresidente da Comissão de Constituição, Justiça e

Redação da Assembleia Legislativa do Estadoda Paraíba.

Em suas razões iniciais, o impetrante aduz que, em 06.12.2019, o Diário do Legislativo Estadual tornou público o PLC nº12/2019 e a PEC nº20/2019, responsáveis pela promoção de reformas constitucionais e legais nos planos de custeio e de benefícios do regime próprio de previdência do Estado da Paraíba. Afirma, todavia, que a autoridade coatora anunciou a votação do PLC nº12/2019 na sessão ordinária do dia 12.12.2019, maculando o devido processo legislativo estabelecido na Resolução nº1.578/2012 da Assembleia Legislativa do Estado.

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Dentre os supostos vícios, sustenta o impetrante o desrespeito ao artigo 119, inciso I, da citada Resolução, que prevê o prazo de 05 (cinco) dias úteis para a apresentação de emendas parlamentares, considerando, sobretudo, que a matéria em votação ainda não teria assumido o caráter de urgência urgentíssima, nem preencheria os requisitos para tanto.

Aduz, nesse sentido, que diversas categorias de servidores públicos estaduais requereram, em 09.12.2019, a realização de audiência pública para debater a matéria. Ademais, sustenta que ainda há prazo suficiente para a deliberação acerca do tema, já que, pelos termos da Emenda à Constituição Federal nº103/2019, os Estados e Municípios teriam até 31.07.2020 para se adequar às novas regras estabelecidas em âmbito federal.

Sustentando a abusividade da votação do PLC nº12/2019 em regime de urgência urgentíssima, pugna o impetrante, liminarmente, pelo deferimento de tutela de urgência, a fim de que se impeça a tramitação do projeto de lei no regime propugnado pela autoridade coatora. No mérito, pleiteia a concessão da segurança, confirmando a medida liminar.

Verifico que o presente mandamus possui objeto idêntico ao mandado de

segurança nº 0813009-41.2019.8.15.0000, em que também figurei como relator e, no bojo do qual, concedi a medida liminar pleiteada. Por oportuno, anexo, ao fim deste despacho, o

inteiro teor do decisum.

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Notifique-se a autoridade coatora, através de ofício devidamente acompanhado de cópia integral da ação mandamental, para prestar as devidas informações no prazo de 10 (dez) dias.

Dê-se ciência do presente writ ao Órgão de representação Judicial da pessoa

jurídica interessada, nos termos do art. 7º, inciso II, da Lei n.º 12.016/2009.

Em seguida, conceda-se vistas à Procuradoria de Justiça.

João Pessoa, 16 de dezembro de 2019.

Onaldo Rocha de Queiroga Juiz Convocado - Relator

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_________________________---TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA

GABINETE DO DES. OSWALDO TRIGUEIRO DO VALLE FILHO

DECISÃO LIMINAR

MANDADO DE SEGURANÇA Nº 0813009-41.2019.815.0000. Relator: OnaldoRocha de Queiroga – Juiz de Direito Convocado. Impetrante: Roberto Raniery de Aquino Paulino.

Advogados: Bruno Bosco Farias da Silveira.

Impetrado: Adriano Cézar Galdino de Araújo, na condição de Presidente da Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba.

. Vistos

Trata-se de Mandado de Segurança Preventivo impetrado porRoberto

em face de ato supostamente ilegal praticado por

Raniery de Aquino Paulino Adriano Cézar

Galdino de Araújo, na condição dePresidente da Assembleia Legislativa do Estadoda

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Em suas razões iniciais (evento nº5084895), o impetrante aduz que, em 06.12.2019, o Diário do Legislativo Estadual tornou público o PLC nº12/2019 e a PEC nº20/2019, responsáveis pela promoção de reformas constitucionais e legais nos planos de custeio e de benefícios do regime próprio de previdência do Estado da Paraíba. Afirma, todavia, que a autoridade coatora anunciou a votação do PLC nº12/2019 na sessão ordinária do dia 12.12.2019, maculando o devido processo legislativo estabelecido na Resolução nº1.578/2012 da Assembleia Legislativa do Estado.

Dentre os supostos vícios, sustenta o impetrante o desrespeito ao artigo 119, inciso I, da citada Resolução, que prevê o prazo de 05 (cinco) dias úteis para a apresentação de emendas parlamentares, considerando, sobretudo, que a matéria em votação ainda não teria assumido o caráter de urgência urgentíssima, nem preencheria os requisitos para tanto.

Aduz, nesse sentido, que diversas categorias de servidores públicos estaduais requereram, em 09.12.2019, a realização de audiência pública para debater a matéria. Ademais, sustenta que ainda há prazo suficiente para a deliberação acerca do tema, já que, pelos termos da Emenda à Constituição Federal nº103/2019, os Estados e Municípios teriam até 31.07.2020 para se adequar às novas regras estabelecidas em âmbito federal.

Sustentando a abusividade da votação do PLC nº12/2019 em regime de urgência urgentíssima, pugna o impetrante, liminarmente, pelo deferimento de tutela de urgência, a fim de que se impeça a tramitação do projeto de lei no regime propugnado pela autoridade coatora. No mérito, pleiteia a concessão da segurança, confirmando a medida liminar.

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DECIDO.

Sabe-se que, para a concessão de uma medida liminar, exige-se a presença

conjunta de duas condições estabelecidas em lei: o fumus boni iuris e o periculum in mora. O

primeiro é verificado mediante a aparência do direito alegado, estando preenchido quando o fundamento invocado pela parte interessada encontrar amparo no ordenamento jurídico, ao passo que o segundo diz respeito ao fundado receio de ocorrência de dano irreparável ou de difícil reparação.

A respeito do tema, a doutrina de Hely Lopes Meirelles ensina:

“A medida liminar é provimento cautelar admitido pela própria lei

de mandado de segurança quando sejam relevantes os fundamentos da impetração e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da ordem judicial, se concedida ao final (art. 7º, II). Para a concessão da liminar devem concorrer os dois requisitos legais, ou seja, a relevância dos motivos em que se assenta o pedido na inicial e a possibilidade da ocorrência de lesão irreparável ao impetrante se vier a ser reconhecido na decisão de mérito – ‘fumus boni juris’ e

.

‘periculum in mora’”

Portanto, de nada serviria a análise dos fundamentos jurídicos desenvolvidos

pela impetrante para o deferimento da tutela de urgência neste writ, no que diz respeito ao

, se o outro requisito, , que também é indispensável, não

periculum in mora fumus boni iuris

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Conforme relatado, o impetrante pleiteia, mediante a concessão de liminar, que se impeça a tramitação do PLC nº12/2019 sob o regime de “urgência urgentíssima”, nos moldes dos artigos 154 a 157, da Resolução nº1.578/2012, considerando os prejuízos que poderiam advir de sua adoção.

Pois bem.

É preciso ressaltar, ab initio, que a higidez do processo legislativo constitui, segundo posição pacífica do Supremo Tribunal Federal, direito líquido e certo a ser amparado pela via mandamental em caso de ameaça ou de efetiva lesão. Enquanto instrumento judicial de controle preventivo de constitucionalidade, o writimpetrado por parlamentar tem por escopo o combate a vícios formais de tramitação de projetos de lei, ou a chamada “inconstitucionalidade nomodinâmica”, verificados, exempli gratia, nas máculas à competência legislativa (vício formal orgânico), nos aspectos relativos ao seu processamento (vício formal propriamente dito objetivo ou subjetivo), ou mesmo os pressupostos objetivos do ato normativo.

Nesse sentido, trago à colação os precedentes do Pretório Excelso:

“O processo de formação das leis ou de elaboração de emendas à

Constituição revela-se suscetível de controle incidental ou difuso pelo Poder Judiciário, sempre que, havendo possibilidade de lesão à ordem jurídico-constitucional, a impugnação vier a ser suscitada por membro do próprio Congresso Nacional, pois, nesse domínio, somente ao parlamentar – que dispõe do direito público subjetivo à correta observância das cláusulas que compõem o devido processo legislativo – assiste legitimidade ativa ad causam para provocar a

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fiscalização jurisdicional”. (STF. MS 2365/DF, Relator: Celso de Mello)

“Ainda que em caráter excepcional, cabe reconhecer que o

processo de formação das leis ou de elaboração de emendas à Constituição revela-se suscetível de controle incidental ou difuso pelo Poder Judiciário, sempre que, havendo possibilidade de lesão à ordem jurídico-constitucional, a judicial review vier a ser suscitada por membro do próprio Congresso Nacional, pois, nesse domínio, somente ao parlamentar assiste legitimidade ativa ad causam para provocar essa fiscalização”. (STF. MS 23.334/RJ, Relator: Min. Celso de Mello).

Cumpre destacar, também, que, como regra, a interferência do Judiciário não é permitida no tocante à análise de matérias interna corporis. Todavia, em situações excepcionais, nas quais a discricionariedade dos atos sob investigação acaba por gerar o justo receio de violação, por via oblíqua, de preceitos legais e/ou constitucionais, a intervenção judicial se mostra pertinente.

No caso dos autos, é preciso destacar, de antemão,que a matéria é de competência concorrente eo PLC nº12/2019 é de autoria do Governador do Estado da Paraíba, não se verificando, a princípio, vício orgânico oude iniciativa. Registre-se, neste ponto, que a iniciativa de projetos de lei que tratam sobre regime jurídico dos servidores públicos cabe exclusivamente ao Chefe do Executivo, consoante a regra estampada no artigo 63, §1º, inciso II, alínea “c”, da Constituição Estadual:

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§1º. São de iniciativa privativa do Governador do Estado as leis que: […]

II – disponham sobre:

c) servidores públicos do Estado, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria de civis, reforma e transferência de militares para a inatividade.

Todavia, acontrovérsia instaurada no presente mandamusrepousa na viabilidade detramitação do PLC nº12/2019sob o regimede “urgência urgentíssima”.

De acordo com o disposto na Resolução nº1.578/2012, o regime de urgência urgentíssima somente pode ser adotado diante de proposições que tratem sobre assuntos de singular interesse estadual. Em síntese, as proposições sujeitas a esse regime permitem celeridade no processamento, sobretudo com a imediatidade das discussões e votações.

O regime deurgência urgentíssima é didaticamente definido peloartigo 153, da citada Resolução. Confira-se:

“Art. 153. Quanto à natureza de sua tramitação, podem ser:

I – de tramitação em regime de urgência urgentíssima, as

proposições que versem sobre matérias de relevante e inadiável interesse estadual, assim reconhecida por deliberação do Plenário

”. (Grifei)

Registro, por oportuno, que oprocessamento de projetos de lei em regime de urgência urgentíssima estão condicionados à obediência de alguns requisitos, quais sejam:

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“Art. 155. A Urgência Urgentíssima poderá ser requerida para as

proposições que versem sobre matérias de relevante e inadiável

interesse estadual, com o objetivo de incluí-las automaticamente na

Ordem do Dia para discussão e votação imediata, ainda que

iniciada a sessão em que for apresentada.

Parágrafo único. Não poderá ser requerida a “urgência urgentíssima” para as seguintes proposições:

I – proposta de Emenda à Constituição Estadual; II – projeto de alteração do Regimento Interno; III – projeto de código;

IV – projetos de leis do PPA, LDO e LOA;

V – julgamento de Contas do Governador do Estado; VI – medidas provisórias;

VII – matéria em regime de urgência.

Art. 156. O requerimento somente poderá ser submetido à

deliberação do Plenário se for apresentado:

I – pela Mesa, quando se tratar de matéria de competência desta; II – por um terço dos membros da Casa ou Líderes que representem este número.

§1º. O requerimento de urgência não tem discussão, mas a sua votação pode ser encaminhada pelo Autor e por um Líder, Relator

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ou Deputado que lhe seja contrário, um e outro com o prazo improrrogável de cinco minutos. No caso do inciso I, o orador favorável será o membro da Mesa ou de Comissão designado pelo respectivo presidente.

§2º. O quórum para aprovação do requerimento de urgência urgentíssima é de maioria absoluta”.

Pela leitura do preceptivo legal, é possível concluir, ao menos em análise perfunctória da matéria, que a relevância da matéria e o inadiável interesse estadual suficientes àadoção do regime de “urgência urgentíssima” depende ao menosde: (a) requerimento prévio de iniciativa da Mesa da Assembleia, nos projetos de sua competência, ou de 1/3 dos membros da Casa Legislativa (artigo 156, capute incisos I e II); (b) reconhecimento dos pressupostos regimentais em deliberação plenária (artigo 155, caput); e

(c)aprovação do requerimento por maioria absoluta dos parlamentares(artigo 156, §2º).

Por meio de notícia veiculada no portal eletrônico da Assembleia Legislativa

(<http://www.al.pb.gov.br/35316/comissao-de-orcamento-aprova-relatorio-e-loa-2020-sera-votada-nesta-quinta.html>) , observa-se que o referido trâmite já teria sido cumprido, atendendo, portanto, às exigências

da Resolução nº1.578/2012. Na exordial, o impetrante não assevera nenhuma mácula aos requisitos citados nos itens supra.

Numa primeira leitura, seria mais conveniente concluirque a adoção do referido regime não seria, ao menos em tese,inviável, tendo em vista que, uma vez aprovado o eventual requerimentonos termos da Resolução nº1.578/2012, não haveria impeditivo à adoção do regime de urgência urgentíssima.

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No entanto, a despeito do cumprimento das formalidades exigidas pela Resolução nº1.578/2012, tenho que o caso em tela revela, ao menos a princípio, a violação ao pressuposto objetivo demandado para a adoção do regime de “urgência urgentíssima”. É que, pelo que se infere da norma legal, a sua utilização se limita aos casos de “relevante e inadiável interesse estadual”.

Parece-me, contudo, que a adoção de um regime de urgência urgentíssima acaba por trazer, para esse caso específico, efeitos diametralmente contrários às finalidades a

que ela mesma propõe. A meu ver, a outorga do aludido regime mitiga frontalmente a necessária e ponderada reflexão sobre um tema deveras complexo. A celeridade da tramitação, in casu, não compensaria os sensíveis prejuízos dela advindos, dentre eles o afastamento da participação social, representada, sobretudo, pelas classes atingidas de maneira contundente pelas medidas de austeridade.

Em casos como esse, o interesse relevante e inadiável parece ser melhor atendido a partir de uma tramitação legislativa mais cadenciada, na qual se permita a discussão detalhada de cada um dos pontos que serão objeto de alteração pelo PLC nº12/2019.

Neste ponto, destaque-seaconsulta ao inteiro teordaMensagem nº47, emitida pelo Governador da Paraíba, autor do projeto de lei. Pela leitura do ato ordinatório (<http:// sapl.al.pb.leg.br>), constata-se claramente arelevânciaque o projeto tem para a administração pública estadual. Dentre outros argumentos, o Chefe do Executivo destacoua necessidade de compatibilizar as regras estaduais aos ditames da Emenda Constitucional nº103/2019, chancelada recentemente em âmbito federal, sob pena de perda do Certificado de Regularidade Previdenciária – CRP. Além disso, salienta a posição deficitária do regime próprio de previdência do Estado da Paraíba, bem comoa patente necessidade de alteração de suas regras.

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Todavia, a despeito da plausibilidade dos argumentos apresentados, é forçoso reconhecer que o Chefe do Executivo Estadual, maior interessado na aprovação do projeto, não incita expressamente a necessidade de adoção do regime de urgência à sua tramitação, como lhe é facultado pelo artigo 159, da Resolução nº1.578/2019 e pelo artigo 64, §1º, da Constituição Estadual, indicando assim, a necessária cautela para um tema espinhoso e que afeta grande parcela dos servidores públicos estaduais. É de se ressaltar, ainda, que as necessárias adequações poderão ser realizadas até 31.07.2020, de forma a não comprometer, a curto prazo, a regularidade previdenciária da edilidade estadual.

Ora, como dito acima, o próprio Governador quando procedeu com o encaminhamento do projeto, em nenhum momento destacou o caráter de urgência na tramitação. Então, qual o motivo que embasa essa condução para um encaminhamento, repentino, não de urgência, mas, agora, de urgência, urgentíssima? Com a devida vênia, numa visão preambular, não há como se identificar esse motivo.

Assim, entendo que, embora a celeridade no trato da matéria atenda interesses administrativos primários, sobretudo em razão da necessária busca pelo equilíbrio fiscal e honradez dos compromissos previdenciários, tenho, ao menos por ora, que a tramitação do PLC nº12/2019 deve guardar a mínima equidistância entre esses objetivos e os interesses sociais envolvidos.

Sobre a possibilidade de controle judicial dos pressupostos objetivos da tramitação de ato normativo, trago à baila a posição do Supremo Tribunal Federal, que já admitiu, em situações excepcionais, o controle sobre os aspectos de relevância e urgência das medidas provisória. Tal hipótese se assemelha, a meu sentir, à situação ora posta:

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“AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.

TRIBUTÁRIO. AÇÃO POPULAR. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS). MEDIDA

PROVISÓRIA 446/2008. EXAME JUDICIAL DOS

PRESSUPOSTOS DE URGÊNCIA E RELEVÂNCIA.

EXCEPCIONALIDADE. APENAS EM CASO DE NOTÓRIO

ABUSO DE PODER. PRECEDENTES. RENOVAÇÃO

AUTOMÁTICA DO CEBAS E VALIDADE DAS RELAÇÕES JURÍDICAS SOB O AMPARO DA MEDIDA PROVISÓRIA EM

QUESTÃO. OFENSA AO TEXTO CONSTITUCIONAL.

INOCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO QUE NÃO ABALA AS RAZÕES DE DECIDIR. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO”. (STF. RE 1023267 AgR, Relator: Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 07/06/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-130 DIVULG 14-06-2019 PUBLIC 17-06-2019)

Desse modo, pela argumentação acima alinhavada e mediante um juízo de cognição sumária, evidencia-se a presença do fumus boni iuris, de modo que se mostra inviável a votação do PLC nº12/2019 sob o regime de urgência urgentíssima, ante o não preenchimento do pressuposto objetivo de relevante interesse estadual.

Quanto ao perigo da demora, também reputo constatada asua presença, tendo em vista a concreta possibilidade de votação do PLC nº12/2019 no dia 12.12.2019. A deliberação e eventual votação do projeto em desobediênciaao seu pressuposto objetivo poderá, indubitavelmente,causar prejuízos de difícil reparação.

Ante o exposto, DEFIRO O PEDIDO LIMINAR determinando que a,

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Intime-se.

Notifique-se a autoridade coatora, através de ofício devidamente acompanhado de cópia integral da ação mandamental, para prestar as devidas informações no prazo de 10 (dez) dias.

Dê-se ciência do presente writ ao Órgão de representação Judicial da pessoa

jurídica interessada, nos termos do art. 7º, inciso II, da Lei n.º 12.016/2009.

Em seguida, conceda-se vistas à Procuradoria de Justiça.

Intimações necessárias.

Cumpra-se.

João Pessoa, 11 de Dezembro de 2019.

Onaldo Rocha de Queiroga Juiz Convocado –Relator

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