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DESENVOLVIMENTO DE UMA ESCALA DE COR PARA IRÍS EM PRÓTESE OCULAR

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Academic year: 2021

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DESENVOLVIMENTO DE UMA ESCALA DE COR PARA IRÍS EM PRÓTESE OCULAR

Bárbara Ingrid de Almeida Grangeiro

1

, Daniela Alves de Carvalho

2

, Ana Christina

Claro Neves

3

Faculdade de Odontologia/Ciências da Saúde, Universidade do Vale do Paraíba. Av. Shishima Hifumi, 2911, Urbanova, 12244-000 - São José dos Campos, São Paulo

[email protected]

Resumo - O objetivo deste estudo foi desenvolver uma escala de cor de íris que possa auxiliar o

profissional durante a pintura da íris protética, facilitando o procedimento e reduzindo o tempo e o custo da confecção da prótese ocular. Inicialmente foram selecionadas 1200 imagens de íris obtidas na plataforma Google, que foram divididas nos grupos: íris com tonalidades de marrom (castanha), íris com tonalidades de verde, íris com tonalidades de azul. A partir da observação das imagens, foram selecionadas as seis cores de íris que mais se repetiram dentro de cada grupo, as quais foram impressas em papel fotográfico para facilitar a observação no momento da pintura das íris. As íris artificiais foram pintadas em discos de resina incolor, com tinta acrílica. A escolha das cores para a pintura de cada íris foi determinada pela observação das imagens impressas. Após a pintura foi elaborada uma escala de cor de íris composta por seis íris com tonalidades de marrom (castanha), seis com tonalidades de verde e seis com tonalidades de azul. Embora as cores de íris desenvolvidas no presente trabalho não reproduzam todas as cores de íris existentes, poderá facilitar a definição dos tons da íris do paciente, quando da pintura das íris artificiais.

Palavras-chave:

Prótese Ocular, Anoftalmia, Íris Protética

Área do Conhecimento: Odontologia Introdução

Em decorrência da face identificar o ser humano e exprimir as emoções, a perda de um olho, quase sempre, provoca problemas físicos e emocionais significativos nos seus portadores (ARTOPOULOU et al., 2006). A dificuldade de adaptação à incapacidade funcional e ao novo olhar da sociedade gera nesses pacientes uma situação angustiante e profundo sentimento de inferioridade, com conseqüente dificuldade no estabelecimento de vínculos afetivos e no desenvolvimento de aspectos importantes da vida social, como educação e emprego (NICODEMO, FERREIRA, 2006; FERNANDES, GOIATO, SANTOS, 2007).

Dessa forma, é fundamental que a deformidade seja reparada por meio de cirurgia plástica ou prótese. Embora a reconstrução cirúrgica seja sempre preferível, existem estruturas anatômicas que não são passíveis desse tipo de reconstrução, como é o caso do globo ocular (MORONI et al, 2005), restando como única opção, a reparação protética. A prótese ocular é uma modalidade de prótese facial que visa à reparação das perdas ou deformidades do bulbo ocular (MORONI; MORONI,1999). Sua instalação, na maioria dos casos, possibilita ao paciente o retorno ao convívio social, mas para isso é necessário que ela se

assemelhe ao olho são, em forma, cor e movimento (BUZAYAN et al., 2014).

A reprodução da íris protética é um dos passos mais difíceis da confecção de prótese ocular e constitui um desafio para os profissionais da área. Embora muitos pesquisadores venham estudando a obtenção de imagens digitais para a reprodução da íris humana, os resultados, até o momento, são controversos (ARTOPOULOU, 2006; JAYASWAL, DANGE, KHALIKAR, 2011; REIS e DIAS, 2013; BUZAYAN, 2014). Sendo assim, resta ao profissional pintar a íris protética a partir da visualização, na presença do paciente, da íris sã. Esse tipo de pintura pode levar muitas sessões para ser finalizada, obrigando o paciente a ficar grandes períodos afastados da rotina diária.

Dessa forma, o objetivo desse estudo foi desenvolver uma escala de cor de íris que facilite a pintura da íris protética, reduzindo o tempo e o custo de confecção da prótese ocular.

Material e Métodos

Inicialmente foi realizada a busca por imagens de íris humanas na internet. Para a seleção das imagens, foram inseridas na plataforma Google as palavras-chave: cor de olho, cor de íris, olhos

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castanhos, olhos verdes, olhos azuis.

Mais de 5.000 imagens foram encontradas e dessas foram excluídas 3800 que tinham resolução inferior a 350 dpi. As 1200 imagens restantes foram divididas nos grupos: íris castanha, íris verde e íris azul. A partir da observação visual das imagens de cada grupo, três examinadores selecionaram as seis cores de íris que mais se repetiram dentro de cada um deles.

As seis cores selecionadas de cada grupo foram impressas em papel fotográfico para facilitar a observação visual no momento da pintura das íris.

As íris artificiais foram pintadas em discos de resina acrílica incolor termopolimerizável (Artigos Odontológicos Clássico, São Paulo, Brasil), que apresentavam uma face inferior plana (Figura1) com 11,0mm de diâmetro, uma superior convexa e, no centro, um pino.

Figura 1 - Botão acrílico para pintura de íris protética

A pintura das íris foi realizada na face plana dos discos com tinta acrílica (Acrilex do Brasil, São Paulo, São Paulo, Brasil) nas cores: Branco de Titânio, Preto, Azul ftalocianina, Azul turquesa, Marron Van Dick, Marron de garranza, Alizarin crimson, Óxido cromo verde, Sombra Natural, Terra de sombra natural, Amarelo ocre, Stil de grain pardo. Todas as tintas utilizadas foram provenientes de um único lote. Os pincéis utilizados foram os de número 00 e 000 de pelo de marta (Condor, São Bento do Sul, Santa Catarina, Brasil). Inicialmente, utilizando a técnica do carimbo, as pupilas foram pintadas com tinta acrílica preta com auxílio da ponta do cabo de uma broca minicult (American Burs, PanYu, Guangzhou, China) (Figura 2).

Figura 2 - Pintura da pupila

Após a pintura da pupila, com pincel de pelo de marta número 00, foi realizada a pintura do halo externo (Figura 3).

Figura 3 - Pintura do halo externo

Em seguida foram pintados o halo peripupilar e a cor base do estroma (Figura 4), respectivamente. Durante todo o processo a escolha das cores e sua distribuição foram determinadas pela observação visual das imagens impressas e pela técnica de tentativa (acerto-erro).

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Figura 4 - Pintura do halo peripupilar e da cor base do estroma

Com relação à pintura do estroma, quando necessário, com esculpidor hollenback 3S (Golgran, São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil), foram criados espaços na cor base e, tonalidades, algumas vezes mais claras, outras vezes mais escuras foram depositadas nesses espaços para simular detalhes como estrias e manchas.

Para possibilitar a reprodução das cores de íris da escala, as tintas foram inseridas em seringas plásticas de 1 mL, com graduação de 0,01 mL (Figura 5), e as quantidades e cores usadas anotadas.

Figura 5 - Seringa plástica de 1mL

Resultados

A partir da pintura dos discos, foi confeccionada a escala de cor compreendendo: seis íris com tonalidades de verde, seis com tonalidades de azul e seis com tonalidades de marrom (castanhas).

Por motivo didático, a escala está apresentada em três figuras (Figuras 6,7 e 8).

Figura 6 - Escala de cor de íris com tonalidades de verde

Figura 7 - Escala de cor de íris com tonalidades de azul

Figura 8 - Escala de cor de íris com tonalidades de marrom (castanha)

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As cores e quantidades das tintas utilizadas para a pintura de cada íris podem ser observadas nas figuras 9, 10 e 11.

Figura 9 - Cores e quantidades das tintas utilizadas

para a pintura das íris com tonalidades de verde

Figura 11 - Cores e quantidades das tintas utilizadas para a pintura das íris com tonalidades de azul

Figura 10 - Cores e quantidades das tintas utilizadas para a pintura das íris com tonalidades de marrom (castanha)

Discussão

Embora a instalação de uma prótese ocular, quase sempre, possibilite ao paciente seu retorno ao convívio social, é necessário que ela se assemelhe ao olho são, em forma, cor e movimento, para satisfazer a exigência estética de seu usuário. Em caso contrário, o paciente, costumeiramente, tem dificuldade de aceitar a reparação (BUZAYAN et al., 2014).

A pintura da íris protética é a etapa mais desafiadora da confecção da prótese ocular e requer abordagem rigorosa para que seja alcançado resultado satisfatório. A afirmativa de Fine (1978) de que são necessários muitos anos de prática para se desenvolver um bom senso de coloração, e que poucas pessoas instintivamente combinam, misturam e reproduzem bem as cores, corrobora nosso pensamento. Acreditamos que igualar a cor de uma íris protética com a cor da íris do paciente, pelo método de tentativa (acerto e erro), é possível para profissionais experientes e talentosos, sendo uma cor aceitável obtida e reproduzida bem mais rapidamente, com o auxílio de uma escala. A escala de cores possibilita ao

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protesista que, de forma lógica e objetiva, seja avaliada, selecionada e aplicada cor as íris protéticas, alcançando consequentemente, de forma mais econômica, rápida e segura, melhores resultados estéticos, à semelhança do que se faz com as escalas de cor de dentes artificiais.

Nesse trabalho, objetivando facilitar e otimizar a confecção da prótese ocular, foram desenvolvidas três escalas de íris a partir da observação de imagens de íris humanas.

Várias técnicas e diferentes materiais têm sido utilizados para obtenção das íris protéticas. Erpf, Dietz, Wirtz (1945), Brandt (1946) e Stewart (1947) pintavam as íris em discos de celulose e Bartlett e Moore (1973) em papel aquarela. Fonseca, Rode e Rosa (1973) e Fonseca e Rode (1974) utilizavam a cartolina preta para pintura da íris protética, pois acreditavam que esse material apresentava melhor estabilidade cromática sob ação dos raios solares. Artopoulou et al. (2006), Jayaswal, Dange, Khalikar, 2011 (2011), Reis e Dias (2013) e Buzayan (2014) utilizaram imagens digitais de íris humanas coladas em discos de resina acrílica.

Neste estudo, assim como Graziani (1982) as íris foram pintadas diretamente sobre a superfície plana de uma calota de acrílico. Esse material facilita a obtenção do resultado desejado, pois permite a visualização imediata e direta da pintura através da calota transparente de resina, permitindo as modificações necessárias. Adicionalmente, pode ser facilmente encontrado no mercado, com custo acessível.

Diversos tipos de tinta para pintura das íris artificiais têm sido avaliadas com relação à estabilidade cromática. Macedo (1982) estudou tintas hidrossolúveis, oleosas e acrílicas e, segundo o autor, a tinta hidrossolúvel, tipo aquarela apresentou a menor alteração de cor após envelhecimento artificial. Silva (1991) utilizou pigmentos puros misturados a monômero e polímero, tinta aquarela, tinta para aeromodelismo e tinta automotiva para a pintura das íris protéticas e observou melhor resultado com a aquarela e com os pigmentos puros. D’ Almeida (2002) avaliou a estabilidade de cor de tinta a óleo, tinta automotiva à base de laca nitrocelulose e tinta automotiva à base de poliéster nas cores preta, marrom, azul, vermelha e branca. As tintas pretas e marrons apresentaram melhor estabilidade cromática. Fernandes, Goiato, Santos (2007) avaliaram as tintas acrílica hidrossolúvel, automotiva à base de nitrocelulose, guache hidrossolúvel e óleo. Segundo os autores a tinta a óleo apresentou a melhor estabilidade cromática frente ao envelhecimento acelerado.

Neste estudo as íris protéticas foram pintadas com tinta acrílica. A opção por este material foi feita com base nos resultados relatados por Mundim et al. (2012) de que entre as tintas guache, óleo e acrílica, apenas a tinta acrílica apresenta valores clinicamente aceitáveis após envelhecimento artificial. As tintas acrílicas são de fácil manipulação, solúveis em água, secam rapidamente e têm ótimo custo. Todos esses fatores também contribuíram para a escolha deste material.

A técnica para a pintura das íris deste estudo foi baseada na descrita por Bartlett e Moore (1973) e Oliveira (1982) que iniciavam a pintura da íris pela cor mais escura, aplicando uma camada espessa de tinta, de forma radiada, sem depositar tinta na área do halo peripupilar, o qual era pintado posteriormente, assim como as estrias mais claras da íris.

Embora o estudo realizado apresente limitações já que as tintas podem apresentar pequenas variações de cor nos diferentes lotes fabricados, acreditamos estar contribuindo para otimizar a confecção das próteses oculares, auxiliando na escolha dos materiais, técnicas e cores utilizadas na pintura das íris artificiais.

Conclusão

Embora as cores de íris desenvolvidas no presente trabalho não reproduzam todos as cores de íris existentes, poderá facilitar a definição dos tons da íris do paciente, quando da pintura das íris artificiais.

Referências

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