ECOEFICIÊNCIA: UMA ANÁLISE DO
PROCESSO DE DESCARTE DE
EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS
Juliene Barbosa Ferreira (UFU)Glaydson Barbosa Ferreira (Pitágoras)
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2010), o agronegócio brasileiro gerou um PIB de cerca de R$ 718 bilhões no ano de 2011, o que representa 25% do PIB total do País. No mundo, em 2007, segundo Stefanelo (2008), o aggronegócio gerou US$ 10,7 trilhões e vem apresentando uma taxa de crescimento em torno de 1,5% ao ano, devendo, assim, atingir US$ 13,5 trilhões em 2025. Isso faz com que o Brasil consuma, em média, 5,5 kg de agrotóxicos por hectare cultivado, segundo o IMA (2010). Devido a sua extensão territorial agrícola e ao consumo elevado de agrotóxicos, há grande número de embalagens utilizadas a serem retornadas (SATO et al., 2006). Numa região predominantemente agrícola como Monte Carmelo-MG, onde o agronegócio tem papel fundamental na economia, esse volume de embalagens vazias também é expressivo. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo analisar a Logística Reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas em uma Central de Recebimento, localizada no município de Monte Carmelo (MG), mensurando o resultado de ecoeficiência gerado no processo do descarte correto desses produtos fitossanitários. A pesquisa foi basicamente dividida em duas etapas: teórica e de levantamento de dados primários. A coleta de dados primários teve como foco principal a evolução histórica no recolhimento de embalagens na Central de Recebimento deste município, no período de 2005 a 20011. Os dados coletados foram tratados utilizando o método adotado pela Fundação Espaço Eco no estudo sobre ecoeficiência, que faz uma relação entre a destinação final adequada das embalagens de agrotóxicos e um correspondente ganho ambiental referente à redução de emissão de CO2 lançados na atmosfera, ou à quantidade de árvores que deixaram de ser cortadas ou ainda dos barris de petróleo que deixaram de ser extraídos. Os resultados apontam que o processo de logística reversa das embalagens de agrotóxicos para a empresa estudada vem melhorando ao longo do tempo e aumentando sua efetividade, considerando um acréscimo de 140% em média por ano nas devoluções de embalagens. Esses números traduzidos em ganhos ambientais ou ecoeficiência demonstram que o processo de destinação correta das embalagens vazias de agrotóxicos desenvolvido na empresa estudada se traduz em benefícios para o meio ambiente local
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e redução dos impactos ambientais. Verificou-se que a cada 128 quilogramas de embalagens recebidas na Central, uma árvore deixou de ser cortada, a cada 279 quilogramas de embalagens, um barril de petróleo deixou de ser extraído e ainda a cada 643 quilogramas de embalagens recebidas, uma tonelada de CO2 dei
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Introdução
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA (2010), o agronegócio brasileiro gerou um Produto Interno Bruto - PIB de cerca de R$ 718 bilhões no ano de 2009, o que representa 29% do PIB total do País. No mundo, em 2007, segundo Stefanelo (2002), o agronegócio gerou US$ 10,7 trilhões e vem apresentando uma taxa de crescimento em torno de 1,5% ao ano, devendo, assim, atingir US$ 13,5 trilhões em 2025. O maior volume desses negócios vem das operações fora das propriedades, como o suprimento de insumos, o beneficiamento, o processamento e o armazenamento das matérias-primas e a distribuição dos produtos, o que reforça a importância do setor na economia do País, aumentando sua competitividade, gerando empregos e riquezas (STEFANELO, 2008).
O Brasil consome, em média, 5,5 kg de agrotóxicos por hectare cultivado, segundo informações do Instituto Mineiro de Agropecuária - IMA (2010). Devido a sua extensão territorial agrícola e ao consumo elevado de agrotóxicos, há grande número de embalagens utilizadas a serem retornadas e recicladas (SATO et al., 2006). Numa região predominantemente agrícola como Monte Carmelo-MG, onde o agronegócio tem papel fundamental na economia, esse volume de embalagens vazias também é expressivo.
Diante disso, o presente estudo teve como objetivo analisar a ecoeficiência gerada no processo do descarte correto das embalagens vazias de defensivos agrícolas em uma Central de Recebimento, localizada no município de Monte Carmelo (MG), avaliando a evolução do retorno dessas embalagens no período de janeiro/2005 a dezembro/20011.
1. O agronegócio e a produção de agrotóxico
Para Batalha (2001), o agronegócio, também denominado de agribusiness, é o conjunto de negócios relacionados à agricultura naperspectiva econômica. Para o autor, é recomendável dividir o estudo do agronegócio em três fases. A primeira trata dos negócios agropecuários propriamente ditos, ou aqueles comumente denominados de “dentro da porteira”, que representam os próprios produtores rurais constituídos na forma de pessoas físicas ou jurídicas. Na segunda fase estão os negócios de “pré-porteira”, ascendentes aos da agropecuária e são representados pelas indústrias e comércios que fornecem os insumos para a produção rural. São os responsáveis, por exemplo, por fabricar e comercializar fertilizantes, defensivos agrícolas, equipamentos. Na fase final, ficam os negócios à jusante dos agropecuários, também denominados de “pós-porteira” e que incluem as operações de compra, transporte, beneficiamento e venda dos produtos agropecuários, fazendo-os chegar até o consumidor final. Enquadram-se aqui os frigoríficos, as indústrias têxteis, distribuidores de produtos alimentícios.
Segundo Vilarinho (2006), fica claro que, a partir de 1930, com maior força no período de 1960 a 1980, os produtores tornaram-se especialistas, com dedicação quase exclusiva às atividades de cultivo e criação de animais. Com isso, as operações de armazenagem, processamento e distribuição dos produtos agropecuários, bem como as de suprimentos de insumos e de fatores de produção foram transferidas para as organizações produtivas e de serviços fora da fazenda, o que impulsionou ainda mais a indústria de base agrícola. O desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, nas décadas de 1970 a 1990, impulsionou o agronegócio brasileiro, permitindo que regiões consideradas impróprias para a agricultura, como, por exemplo, o cerrado, fossem exploradas e fizessem surgir uma gama de novos produtos que levaram o País a ser considerado como “dominante da agricultura tropical”. Para
4 essa autora, isso permitiu que produtos resultantes da soja, carnes e derivados de animais, açúcar, álcool, madeira, café, chá, fumo, algodão, fibras têxteis vegetais, frutas, hortaliças, cereais e a borracha natural fortalecessem a carteira de exportações brasileira. Para Lourenço e Lima (2009), a evolução do agronegócio mostra que as suas cadeias conseguem adicionar valor às matérias-primas agrícolas, cujos setores de armazenamento, processamento e distribuição são os principais propulsores de valor da produção vendida ao consumidor, o que fortalece a rede de ligação entre a agricultura e a indústria.
Lourenço e Lima (2009) afirmam que o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. Para esses autores, o agronegócio brasileiro é uma atividade próspera, segura e rentável. O Brasil possui cerca de 388 milhões de hectares de terras agricultáveis, e, desse montante, 90 milhões de hectares ainda não foram explorados. O País conta ainda com um clima bem diversificado, estações chuvosas regulares, abundância de energia solar e cerca de 13% da água doce disponível no planeta. Todas essas características fazem do Brasil um celeiro natural para o agronegócio. De 2000 a 2010, as exportações agrícolas cresceram cerca de 236% (MAPA, 2011). O Brasil já é líder mundial na exportação produtos como o açúcar, café, suco de laranja, soja, carne bovina e frango, superando concorrentes como os Estados Unidos e a Austrália, o que deve contribuir para a consolidação da sua posição de mercado (BORGES, 2007).
Como o Brasil é um país com grande extensão de terras agrícolas, com uma área colhida na safra de 2009 de 61.477.601 hectares (IBGE, 2010) e que movimenta cifras expressivas no mercado de defensivos, algo em torno de US$ 7,1 bilhões no ano de 2009 (SINDAG, 2010), é de se esperar que haja um número alto de embalagens vazias de agrotóxicos a serem retornadas. Conforme dados do INPEV (2010), esse número chegou a 28.771.427 quilogramas de embalagens retornadas no ano passado. Os problemas ambientais causados por essas embalagens, quando têm destinação final incorreta, têm preocupado organizações governamentais e não-governamentais (SATO et al., 2006).
O Decreto 4.074 (BRASIL, 2002) define agrotóxico como sendo os produtos e os agentes de processos físicos, químicos e biológicos que se destinam à utilização na produção, armazenagem e benefício dos produtos agrícolas, nas pastagens, na preservação de florestas e também nos ambientes urbanos, hídricos e industriais. Incluem-se na categoria também os afins como os desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.
Com base nisso, leis específicas para agrotóxicos e para as embalagens usadas desses produtos foram instituídas no Brasil, em especial a Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre pesquisa, experimentação, produção, embalagem e rotulagem, transporte, armazenamento, comercialização, propaganda comercial, utilização, importação, exportação, destino final de resíduos e embalagens, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização acerca de agrotóxicos, seus componentes e afins.
De acordo com a legislação brasileira, os impactos ambientais gerados pelas embalagens de defensivos agrícolas são de responsabilidade conjunta dos agentes envolvidos no processo, que são os produtores rurais, os comerciantes, a indústria fabricante e o Governo que, portanto, tornam-se responsáveis em dar o destino final adequado a essas embalagens. Para que a logística dessa cadeia pudesse funcionar de maneira ágil e eficiente com contribuição de todos os elos, verificou-se a necessidade de criar um órgão centralizador que auxiliasse nesse processo, e diante disso, em 14 de dezembro de 2001, foi fundado o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (INPEV) que iniciou suas operações em março de 2002
5 (BOLDRIN et al., 2007).
Segundo Guerino (2006), a legislação vigente estipula a obrigatoriedade dos estabelecimentos comerciais de dispor de instalações adequadas para o recebimento e armazenagem das embalagens vazias retornadas pelos produtores até o recolhimento pelos fabricantes. Visando à redução de custos, em geral, os comerciantes de uma região se unem em associações e viabilizam a construção de uma única unidade de recebimento com gerenciamento e uso compartilhado.
Conforme a Resolução nº 334 de 3 de abril de 2003 do CONAMA, os Postos são unidades de recebimento, licenciadas ambientalmente, com área construída mínima de 80 metros quadrados, gerenciadas por uma associação de comerciantes. Prestam os serviços de recebimento das embalagens dos agricultores e estabelecimentos comerciais associados, inspeção e classificação das mesmas entre lavadas e não-lavadas, emissão do comprovante de entrega e envio das embalagens para as centrais de recebimento. Já as centrais são unidades de recebimento, ambientalmente licenciadas, com área construída mínima de 160 metros quadrados, geridas por uma associação de comerciantes e/ou distribuidores com amparo do INPEV. Realizam serviços de recebimento das embalagens dos produtores, postos de recebimento e estabelecimentos comerciais associados, inspeção e classificação das embalagens em lavadas ou não-lavadas, emissão do recibo de devolução, separação por tipo do material de composição (PEAD MONO, PET, COEX, PP, metálica ou papelão) e compactação das mesmas para retirada pela indústria fabricante que fará a destinação final adequada (INPEV, 2010).
O manejo incorreto sem a destinação final apropriada para as embalagens vazias de agrotóxicos causa severos níveis de poluição e contaminação ambiental e geralmente os agricultores desconhecem os riscos aos quais estão expostos nessa situação. Os impactos ambientais gerados por estas embalagens têm sido tratados com bastante seriedade pelos órgãos responsáveis por essa cadeia de suprimento (PAVÃO et al., 2009).
Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal - Sindag (2011), o Brasil é o maior mercado consumidor de agrotóxicos do mundo, cuja indústria do setor movimentou no ano de 2011 cifras em torno de US$ 7,1 bilhões frente aos US$ 6,6 bilhões movimentados pelo segundo colocado, os Estados Unidos. Ainda segundo a fonte, no ano de 2011 os produtores brasileiros adquiriram 734.000 toneladas de agrotóxicos no Brasil. Frente a esses números, percebe-se que a logística reversa para destinação adequada das embalagens vazias de agrotóxicos é uma tarefa necessária e importante no cenário brasileiro.
2. Metodologia
O presente estudo foi realizado em uma Associação das Revendas de Defensivos Agrícolas da Região de Monte Carmelo (MG),. A empresa está localizada no Distrito Industrial de Monte Carmelo (MG) e foi inaugurada no ano de 2002. Iniciou suas atividades de recebimento de embalagens no ano de 2003, contando hoje com o trabalho de um total de seis colaboradores diretos.
A unidade compõe-se atualmente por dezoito empresas associadas, entre revendas e cooperativas e também centraliza seis postos de recebimento de embalagens na região, localizados nas cidades de Araguari, Capinópolis, Coromandel, Iraí de Minas, Santa Juliana e Uberlândia. A Empresa Estuda presta serviços no recebimento das embalagens vazias vindas dos produtores e dos postos de recebimento, separação ou triagem pelo tipo de material,
6 classificação da embalagem em lavável ou não lavável, conversão das embalagens a granel em compactadas e envio das embalagens para reciclagem ou incineração.
Conforme dados do IBGE (2011), o município de Monte Carmelo fica localizado na região do Alto Paranaíba, no Estado de Minas Gerais, possuindo uma extensão territorial de 1.353,68 km2, população de 45.975 habitantes e bioma predominante de Cerrado e Mata Atlântica. No município estão localizadas 1.375 propriedades agropecuárias, as quais totalizam a área de 105.637 hectares. Dessa área 82.652 hectares são ocupados por atividades ligadas ao agronegócio, destacando-se entre elas o cultivo de lavouras permanentes e temporárias, de forrageiras para corte, de sistemas agroflorestais e de pastagens, gerando uma ocupação de 9.395 pessoas. Esses dados reforçam a importância do agronegócio na região e também ajudam a firmar a relevância de um estudo sobre o descarte das embalagens vazias de agrotóxicos no município, já que no exercício da maioria das atividades agropecuárias se faz necessário a utilização de defensivos agrícolas.
A pesquisa foi basicamente dividida em duas etapas, a teórica e a levantamento de dados primários. Para a realização da pesquisa teórica, a busca se deu por dados secundários com levantamento bibliográfico em livros, artigos de revistas científicas, eletrônicos e dissertações, objetivando aprofundar-se no conhecimento sobre o assunto abordado.
O levantamento de dados primários teve como foco principal a evolução histórica no recolhimento de embalagens na Central de Recebimento deste município, no período de 2005 a 20011, visando a analisar os percentuais anuais dessa evolução no que se refere à quantidade de embalagens recebidas e também mensurar a contribuição gerada na preservação do meio ambiente por esta atividade.
Primeiramente, é necessário definir alguns termos como ecoeficiência, que é o modo de se produzir bens e serviços utilizando a menor quantidade de recursos possíveis e, por consequência, gerando também menos resíduos. Dióxido de Carbono Equivalente (CO2)
denomina-se a utilização nas situações em que os vários gases emitidos são convertidos para Dióxido de Carbono, principal gás que contribui para o efeito estufa (INPEV, 2008).
Os dados coletados serão tratados utilizando o método adotado pela Fundação Espaço Eco no estudo sobre ecoeficiência que faz uma relação entre a destinação final adequada das embalagens de agrotóxicos e um correspondente ganho ambiental referente à redução de emissão de CO2 lançados na atmosfera, ou à quantidade de árvores que deixaram de ser
cortadas ou ainda dos barris de petróleo que deixaram de ser extraídos. Com base nos dados apresentados no Estudo de Ecoeficiência acima mencionado, foi feita uma comparação entre a quantidade total em quilogramas de embalagens recebidas no período do estudo versus o ganho ambiental representado em cada fator, em que fator representa árvores, barris de petróleo ou CO2.
Tomando como referência os dados constantes do relatório disponibilizado pela empresa estudada, denominado Relatório das Embalagens Retiradas - Monte Carmelo, foram tabuladas as quantidades em quilogramas das embalagens vazias de agrotóxicos recebidas no período estudado (2005-20011), separando-as conforme o tipo de material de que são produzidas. Após a tabulação foi calculada a evolução percentual ano a ano da quantidade de embalagens recebidas, considerando sempre a evolução em relação ao ano anterior.
Por fim, frente aos resultados apresentados pelo INPEV (2008) referentes à medição da sustentabilidade do programa brasileiro de destinação final de embalagens vazias de
7 defensivos agrícolas, obtida por meio de um estudo encomendado pelo órgão e realizado pela Fundação Espaço Eco, foi possível também mensurar os ganhos em ecoeficiência gerada no processo de recebimento de embalagens na empresa estudada. A mensuração foi calculada seguindo o mesmo critério da Regra de Três Simples aplicado ao Estudo de Ecoeficiência do INPEV.
3. Resultados e Discussão
Os dados da Figura 1 permitem notar que a evolução percentual anual no recebimento total em quilogramas de embalagens vazias de defensivos agrícolas na empresa estudada tem crescimento, no entanto não é progressivo. No ano de 2006 o índice de 112% de aumento na quantidade de embalagens devolvidas é bastante significativo, o que justifica-se pelo fato de que é nesse ano em que a associação fortalece sua atuação na região, já que suas atividades no recebimento de embalagens iniciaram-se em 2003.
A bibliografia disponível não ofereceu subsídios seguros para explicar uma diminuição da quantidade de embalagens entregues na Central tanto de 2007 para 2008 como de 2009 para 2010. A bianualidade da lavoura cafeeira, em que há produção elevada em determinado ano e no seguinte há queda na produção, o que levaria o produtor a utilizar menos agrotóxicos no ano de menor safra, foi descartada visto que o estudo não segrega embalagens por tipo de cultura. O fato de que o produtor poderia armazenar as embalagens adquiridas e devolvê-las somente no ano seguinte ao da compra, mediante o prazo de um ano que a legislação lhe confere, também é descartado já que, pelo controle gerencial da empresa estudada, as datas das notas fiscais de compras de defensivos que acobertam a devolução das embalagens não comprovam essa teoria. Outra possibilidade seria uma safra agrícola menor nesses anos, com menor uso de agrotóxicos, mas os números do IBGE também não comprovam tal possibilidade. No entanto, vale salientar que se comparar com o ano base de 2005, todos os outros períodos analisados tiveram aumento de devolução de embalagens na média de 140%.
0 50.000 100.000 150.000 200.000 250.000 300.000 350.000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 100.530 213190 241949 219289 255001 230816 323894
Figura 1 – Quantidade de embalagens vazias de agrotóxicos recebidas na
EMPRESA ESTUDADA de 2005-2011
A análise dos dados da Figura 2 mostra que as embalagens do tipo PEAD são as que representam o maior volume recebido, perfazendo 48% do total de embalagens recebidas na empresa estudada no período estudado. Isso reforça a informação de que o material de que é composto este tipo de embalagem é a 2ª resina mais reciclada no mundo (INPEV, 2010). Em seguida têm-se 25% do total recebido representados pelas embalagens do tipo Papelão. Juntos esses dois tipos de embalagens representam 73% (1.147.416 Kg) do volume total recebido. As
8 embalagens do tipo COEX, Metal e Resíduos representam respectivamente, 12%, 7% e 6% do total recebido na Central. Os 2% restantes referem-se às embalagens do tipo Outros, sendo estas o somatório de tampas e vidros.
No levantamento realizado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal - ANDEF, sobre os tipos de embalagens de agrotóxicos comercializados no Brasil, verificou-se o aumento do uso de embalagens do tipo plásticas e de papel e também a redução das embalagens de vidro, metal e fibrolatas. O relatório da ANDEF também demonstrou que as embalagens hidrossolúveis surgiram como alternativa promissora para reduzir o volume de embalagens no campo, mas enfrentam o problema de que a maioria dos agrotóxicos ainda não pode ser armazenada nesse tipo de embalagem (COMISSÃO NACIONAL DE SEGURANÇA QUÍMICA - CONASQ, 2003). No estudo feito junto à empresa, corrobora essa informação, pois o somatório das embalagens do tipo PEAD, papelão e COEX, resulta num percentual aproximado de 85% (1.333.234 Kg) do total de embalagens recebidas na Central.
0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000 700.000 800.000
PEAD Papelão COEX Metal Resíduos Outros 754.724
392692
185818
106587 104807
40041
Figura 2 - Quantidade em quilogramas por tipo de embalagens vazias de agrotóxicos
Recebidas empresa estudada de 2005 a 2011.
A média proporcional calculada sobre os dados do Estudo de Ecoeficiência do programa de descarte de embalagens vazias de defensivos no Brasil apresentados pelo INPEV (2008) permitiu também mensurar os números do ganho ambiental gerado pelo processo de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos na empresa estudada e calcular a proporção de equivalência, ou seja, quantos quilos de embalagens vazias geravam o ganho ambiental para uma árvore não cortada, para um barril de petróleo não explorado ou para uma tonelada de CO2 não emitido na atmosfera.
Como pode ser observado na Figura 3, o ganho ambiental gerado no recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos, traduzido em árvores não cortadas, é equivalente a 785 árvores preservadas em 2005, 1.666 em 2006, 1.890 em 2007, 1.713 em 2008, 1.992 em 2009, 1.803 em 2010 e 2.530 em 2011. Levando-se em consideração a quantidade total de embalagens vazias recebidas no período estudado (1.584.669 Kg, conforme gráfico 2) versus a quantidade total de árvores não cortadas no mesmo período (12.379 unidades) é possível afirmar que o ganho ambiental gerado no processo demonstra aproximadamente que a cada 128 quilogramas de embalagens recebidas na Central, uma árvore deixou de ser cortada.
9 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 785 1666 1890 1713 1992 1803 2530
Figura 3 - Resultado de Ecoeficiência gerado no recebimento total de embalagens vazias de agrotóxicos
recebidas na Empresa - 2005-2011 - Árvores não cortadas
Os números da Figura 4, aponta que o ganho ambiental gerado no recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos na Centralempresa estudada, traduzido em barris de petróleo não extraídos, é equivalente a 360 barris de petróleo preservados em 2003, 764 em 2004, 867 em 2005, 786 em 2006, 914 em 2007, 827 em 2008 e 1.161 em 2009. Levando-se em consideração a quantidade total de embalagens vazias recebidas no período estudado (1.584.669 Kg, conforme gráfico 2) versus a quantidade total de barris de petróleo não extraídos no mesmo período (5.679 unidades) é possível afirmar que o ganho ambiental gerado no processo demonstra aproximadamente que a cada 279 quilogramas de embalagens recebidas na Central, um barril de petróleo deixou de ser extraído.
0 200 400 600 800 1.000 1.200 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 360 764 867 786 914 827 1161
Figura 4 - Resultado de Ecoeficiência gerado no recebimento total de embalagens vazias de
agrotóxicos recebidas na Central empresa estudada - 2005-2011 - Barris de petróleo não extraídos.
Já as informações da Figura 5 mostram que o ganho ambiental gerado no recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos na Central de coletaempresa, traduzido em toneladas de CO2 não lançadas na atmosfera, é equivalente a 156 toneladas de Dióxido de Carbono
Equivalente não lançadas na atmosfera em 2003, 332 em 2004, 376 em 2005, 341 em 2006, 397 em 2007, 359 em 2008 e 504 em 2009. Levando-se em consideração a quantidade total de embalagens vazias recebidas no período estudado (1.584.669 Kg, conforme gráfico 2) versus a quantidade total de CO2 não lançado na atmosfera no mesmo período (2.465 toneladas) é
10 0 100 200 300 400 500 600 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 156 332 376 341 397 359 504
possível afirmar que o ganho ambiental gerado no processo demonstra aproximadamente que a cada a cada 643 quilogramas de embalagens recebidas uma tonelada de CO2 deixou de ser
lançada na atmosfera.
Figura 5 - Resultado de Ecoeficiência gerado no recebimento total de embalagens vazias de agrotóxicos
recebidas na Central empresa estudada – 2005 - 2011 - CO2 não lançado na atmosfera
Conforme informações da Central as embalagens vazias recebidas têm destinação para reciclagem ou incineração de acordo com o tipo de material de composição e também pelo fator contaminação. Assim, as embalagens PEAD e COEX são enviadas para indústrias localizadas nos municípios de Taubaté (SP), Louveira (SP) e Contagem (MG). As embalagens de papelão são encaminhadas para indústrias dos municípios de Pindamonhagaba (SP) e Bragança Paulista (SP). As embalagens metálicas e de aço são endereçadas para recicladoras dos municípios de Barra do Piraí (RJ) e de Piracicaba (SP). As tampas têm como destino as indústrias de Duque de Caxias (RJ) e os vidros as indústrias de Belford Roxo (RJ). Já as embalagens contaminadas são enviadas para incineradoras dos municípios de Suzano (SP), Guaratinguetá (SP) e Belford Roxo (RJ).
A Empresa afirma também que os recursos financeiros necessários para gestão do negócio são provenientes das receitas geradas com as vendas das embalagens vazias para reciclagem, das mensalidades pagas pelas empresas associadas e do repasse de verbas do Governo Federal por meio do INPEV.
4. Considerações Finais
Os números traduzidos em ganhos ambientais ou ecoeficiência demonstram que o processo de destinação correta das embalagens vazias de agrotóxicos desenvolvido na empresa estudada se traduz em benefícios para o meio ambiente local e redução dos impactos ambientais. Por meio desse processo, as embalagens vazias deixam de serem lançadas em locais inadequados, gerando ganhos na região para o meio ambiente, para a sociedade e para as gerações futuras, cumprindo, dessa forma, o papel socioambiental almejado pela parceria empresa estudada e INPEV. Portanto, o programa se mostra viável e apresenta resultados positivos.
5. Referências
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