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Psicol. USP vol.14 número3

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Academic year: 2018

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Psicologia USP, 2003, 14(3), 11-13 11

A

PRESENTAÇÃO

Maria Inês Assumpção Fernandes Instituto de Psicologia – USP

conjunto de trabalhos presente neste dossiê expressa parte da valiosa contribuição, manifesta por investigações em diversos campos de pes-quisa social e em diferentes áreas de conhecimento, que pudemos conjugar no Simpósio Internacional Realidade Irreal, realizado no final de outubro de 2002, no Instituto de Psicologia da USP.

A presença do Professor René Kaës, professor emérito da Université Lumière - Lyon II, na França, permitiu que enfrentássemos a difícil tarefa de trabalhar nas fronteiras onde, como ele mesmo afirma, tenta-se abrir passa-gem entre disciplinas, entre objetos e métodos, sem podermos nos utilizar dos caminhos do contrabando e sem nos deixarmos sobretaxar pelos direitos da alfândega.

Questões de natureza epistemológica e problemas sociais como a vio-lência, a urbanização e a cidade foram debatidos e entrelaçados à discussão sobre formas de atuação, buscando, pelas articulações e pelo pensamento vivo expresso nos discursos durante Mesas Redondas e Conferências, as brechas possíveis para caminharmos na direção de maior compreensão sobre os fenômenos investigados.

Muitas mãos estiveram presentes para construir esta passagem ao se-gundo passo, esta abertura que permitiu estarmos juntos. A todos esses ami-gos, alunos, ex-alunos, funcionários e professores, guerreiros solidários

nes-ta banes-talha, meu imenso agradecimento

.

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Apresentação

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Talvez nenhuma igual a esta, marcada por um momento político de extrema gravidade que exigiu nossa presença e nossa energia em múltiplas frentes e sempre atravessada pelo medo. Medo de perder a guerra.

Antes, conhecíamos apenas parte do terreno no qual se dava a batalha. Terreno no qual se travava a luta entre o social e o político. Pensávamos sobre o Estado e as modalidades de difusão social da produção, o isolamento político do trabalho, a democratização da justiça, as reformas necessárias nos âmbitos da educação e da saúde públicas, especialmente da saúde men-tal, entre tantas outras questões. Percorríamos o terreno visível. Sabíamos, porém, do invisível.

Hoje, caminhamos procurando superar o medo que pudesse vir a nos paralisar e a desistir da luta. A energia consumida em descobrir o inimigo que se apresenta com múltiplas caras quase nos fez perder de vista nosso objetivo, ou nosso sonho.

Mas como diria Alfredo Bosi em relação a Dante Moreira Leite, nosso primeiro Chefe no Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, talvez tenhamos tido um motivo secreto na construção dessa caminhada. “Debru-çarmo-nos sobre a mole de resíduos culturais, na esperança de achar, perdida no meio do entulho, alguma pedra gasta, mas ainda sólida o bastante para compor o edifício de um conhecimento novo do Brasil e dos brasileiros.”

Rubem Alves nos diz que os conhecimentos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver. Sábias são as pessoas que sabem viver. Tolo é aquele que, tendo defendido tese sobre barcos e mapas, não sonha com horizontes, não planeja viagens, não imagina portos. Anda sempre em terra firme por medo de naufrágio.

Este Simpósio, que se expressa nestes breves textos do dossiê, foi marcado pelo caráter científico, mas, não nos deixemos enganar sobre a ciência que pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá, porém, não pode medir seus encantos, como escreve Manoel de Barros. Espero que nes-tes artigos possamos construir conhecimentos, embora, como ele mesmo

escreve em seu Livro sobre Nada, melhor que nomear é aludir. Verso não

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Procuramos obter conhecimentos sobre a Psicanálise, sobre os Grupos e Coletivos. Sabemos que a teoria psicanalítica não faz terapeutas. Conta Alves que um recém-formado lhe disse que estava aprendendo muitas coi-sas. Dizia ele: ontem foi uma velhinha que me ensinou. Antes de examiná-la, ela falou:

Doutor, quero lhe fazer duas perguntas. O senhor é dos médicos que dão remédios ou dos que só falam para curar? Respondeu o médico: eu sou dos que falam para curar. Pergunta a senhora novamente: essa fala que cura,

ela é aprendida na escola ou ela é de graça?

Referências

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