Argumentação
Verdade
e Ser
Os Sofistas e Platão face à Retórica
O termo ‘democracia’ decompõe-se em: ‘Demos” = Povo
‘Cracia’ = Governo
Assim, a definição etimológica do termo democracia será:
‘Governo do povo’.
A democracia surgiu na Grécia antiga em 508 a.c. na Cidade de Atenas.
A democracia ateniense resultou das reformas introduzidas por Clístenes (560-508 a.C.) no governo de Atenas e foi consolidada pela acção de Péricles (495-429 a.C.), o maior estadista da história da cidade berço da democracia.
A democracia ateniense baseava-se nos
seguintes princípios:
Isocracia
Isonomia Isegoria
Isocracia
É o ideal da igualdade de acesso aos cargos políticos. Assim todos os cidadãos atenienses tinham o direito e o dever de participar na vida política da Pólis. As decisões normalmente tomadas em conjunto respeitavam a vontade da maioria, pois todos tinham igual direito de voto.” wikipedia
Isocracia significa ‘igualdade no acesso ao poder’ (kratos) e implica que todos
os cidadãos tenham não apenas o direito e obrigação de eleger os seus chefes, mas também que eles próprios possam vir a ser eleitos para desempenhar funções nos diferentes órgãos existentes na pólis.
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Isegoria
Isegoria, pode ser traduzida por ‘igualdade no acesso à
palavra’ ou, para usarmos a expressão consagrada, ‘liberdade de expressão’. Tratava-se de uma prerrogativa fundamental para o exercício activo da cidadania na assembleia, no conselho e nos tribunais ou então, numa equivalência mais directa do termo, naquele que era o espaço por excelência da intervenção pública: a Ágora.
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Isonomia
Isonomia é o conceito mais importante, na medida em que acaba por englobar os restantes e, por isso, ocorre nas fontes antigas como sinónimo do tipo de constituição que coloca o poder no demos ou ‘povo’ (i.e. a democracia).
Isonomia significa, à letra, ‘igualdade perante a lei’ (nomos). Em
consequência, todas as pessoas que detêm o estatuto de cidadão devem poder gozar dos mesmos direitos previstos na lei, entendida como expressão da vida em comunidade (Pólis) e que representa, por isso, a garantia de estabilidade no interior dessa mesma comunidade.
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Os cidadãos eram uma minoria da população de Atenas
As crianças, a mulheres, os escravos e os estrangeiros (metecos) não tinham o estatuto de cidadania.
Só o homens livres eram considerados cidadãos e podiam, por isso, participar no governo da cidade (Pólis).
As limitações da Democracia ateniense
Só os cidadãos mais ricos tinham tempo livre para participar na vida da Pólis
Os cidadãos que precisavam de trabalhar para sobreviver não podiam participar na vida política (embora tenham sido instituídas multas para quem faltasse ao cumprimento dos seus deveres cívicos), pelo que só os privilegiados tomavam parte nas decisões políticas mais importantes.
As limitações da Democracia ateniense
Ao longo do tempo a Retórica
ganhou importância política: só quem soubesse falar em público
podia ter um verdadeiro impacto na vida política de Atenas
E aqui entram os Sofistas, os mestres de Retórica que, a troco de autênticas fortunas, ensinavam a arte de bem argumentar aos filhos das classes privilegiadas.
As limitações da Democracia ateniense
Uma sociedade esclavagista pode ser considerada democrática?
As limitações da Democracia ateniense
Platão (427-347 a.C.) foi um dos maiores críticos da democracia. A condenação à morte do seu mestre Sócrates (469-399 a.C.) pesou na sua rejeição da
democracia como a melhor forma de governo.
Platão, seguindo a posição de Sócrates considera que a vida
política de Atenas estava dominada pelo populismo, assente no uso da Retórica como técnica de
manipulação dos cidadãos.
O principal alvo das críticas de
Sócrates e Platão foram os Sofistas
Segundo Platão os Sofistas eram verdadeiros ilusionistas: viviam da
Opinião (Doxa) e não procuravam a
Verdade nem fomentavam o
predomínio moral do Bem nas decisões políticas.
Por essa razão Platão defendeu que a Pólis devia ser governada pelos
filósofos.
A sociedade ideal de Platão era
estratificada: na sua base estariam
os trabalhadores manuais (operários
e artífices).
Acima destes estariam os guerreiros
cuja principal função é a defesa da sociedade de todos os tipos de
ameaça à sua segurança.
Por fim, no topo da hierarquia, estariam os Filósofos.
Estes seriam os únicos capazes de governar de forma prudente e justa, porque não se deixariam corromper pelos apetites sensoriais.
Os Filósofos procuram a verdade, ao contrário dos Sofistas para quem
todas as opiniões têm o mesmo
valor e o que as distingue é a forma como são defendidas.
Segundo Platão o Saber Racional
(Episteme) é muito superior à Doxa:
é verdadeiro, ou seja, assenta num conhecimento racional da realidade que se caracteriza pela sua
evidência e universalidade.
A Episteme (Ciência) dá-nos um
conhecimento do Ser (da realidade como ela é).
Por sua vez a Doxa (opinião)
corresponde a um conhecimento baseado nos sentidos.
O conhecimento sensível é muito imperfeito e incompleto - os
sentidos são enganadores e só nos
dão conta das aparências e não do
próprio ser.
A doxa, baseada no conhecimento sensível não nos mostra o que a
realidade é em si mesma mas
apenas o que ela parece ser aos nossos sentidos, por isso é um conhecimento particular e
subjectivo, não nos dá um
conhecimento completo da realidade
e varia de indivíduo para indivíduo. Assim, só que cultiva a Filosofia (a Episteme) pode estar apto a
governar a cidade.
Na cidade ideal de platão não há lugar para a Retórica, como também não há lugar para a Poesia (a Arte), na medida em que esta vive da aparência, da imitação
(mimésis) da realidade.
A forma como Platão retrata os sofistas é justa?
É verdade que Sócrates foi condenado à morte por influência dos Sofistas.
Também não podemos negar que os sofistas defenderam o relativismo gnoseológico e moral
(embora procurassem manter-se dentro daquilo a que hoje podemos chamar a 'ordem pública'.
Mas também é verdade que os Sofistas foram os
grandes educadores da Grécia Antiga, tendo sido eles que sistematizaram os valores da culturais que deviam ser ensinados à juventude, ajudando a consolidar a
a civilização grega como modelo civilizacional que acabou por ser seguido pelo mundo Ocidental.
Podemos até falar num antropocentrismo cultivado
pelos Sofistas, como se pode ver na seguinte frase de Protágoras:
"O Homem é a medida de todas as
coisas"
Platão em oposição aos Sofistas
De igual forma, o cepticismo que alguns Sofistas
defendem de forma consistente também pode ter um efeito civilizador, uma vez que permite combater a superstição. Daí a importância dos seguintes
aforismos de Górgias:
A verdade não existe
Mesmo que existisse, não poderia ser conhecida
Mesmo que pudesse ser conhecida, não poderia ser