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Rev. Bras. Psiquiatr. vol.29 número3

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Academic year: 2018

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Rev Bras Psiquiatr. 2007;29(3):298-9 299

Biologia da Depressão

Julio Licinio, Ma-Li Wong (editores). Tradução de Ronaldo Cataldo Costa. Artmed, 2007.

ISBN 85-363-0633-5

Ao primeiro manuseio da tradução da obra dos Professores Wong e Licinio nota-se o importante trabalho de adaptação da obra, não só ao público brasileiro, mas principalmente na trans-formação do original em inglês, com capítulos altamente técni-cos, em uma versão mais enxuta e, certamente, mais relevante para a área de psiquiatria clínica. A versão brasileira, compactada em um único livro, ficou elegante, perdendo a gordura do origi-nal de dois volumes e tornando competitiva comercialmente a obra que no mercado internacional tem preço proporcional ao seu sucesso (no momento em que escrevemos essa resenha, a versão em inglês é vendida na internet por 545 dólares). A visão editorial da Artmed foi expediente em notar essas potencialidades e, em relativo curto período de tempo, entregar um exemplar que pode ser considerado como o melhor guia para os aspectos básicos da pesquisa corrente em saúde mental para clínicos da área. Os capítulos suprimidos da versão traduzida são técnicos e de menor relevância para aqueles que atuam em contato mais direto com pacientes. Esses, porém, mostram um relevante as-pecto da carreira dos organizadores, consolidado na publicação de sua obra antecessora à Biologia da Depressão, o livro “Pharmacogenomics”, ainda hoje a principal referência nessa nova disciplina. Este, inteiramente na interface das ciências básicas, gerou uma expectativa por parte do público dos autores por uma obra capaz de esmiuçar aspectos técnicos e relevantes à pesquisa de bancada no segundo livro. Dessa forma, a primei-ra edição de Biologia da Depressão contou com um volume quase inteiramente dedicado à pesquisa sobre depressão realiza-da em laboratórios, cujo interesse para o leitor realiza-da versão traduzirealiza-da é periférico.

Assim, o leitor brasileiro herda uma obra contendo um grupo estelar de colaboradores, indiscutivelmente entre os principais líderes de suas sub-áreas específicas. O capítulo sobre discussão do espectro dos transtornos de humor traz o já bastante conheci-do no Brasil, Dr. Hagop Akiskal, enquanto nomes históricos como o de Harold Pincus e Max Fink são, respectivamente, os princi-pais responsáveis pelos capítulos sobre classificação diagnóstica da depressão e alterações biológicas da eletroconvulsoterapia. O último, mostrando seu espírito ainda combativo e sua lucidez sobre o papel atual da eletroconvulsoterapia como método terapêutico e oportunidade incomum para estudar mecanismos fisiopatológicos dos transtornos de humor. Certamente um capí-tulo de boa leitura, em formato pouco convencional em livros didáticos, mas de extrema relevância intelectual e científica, permitindo acesso a um dos pensadores mais interessantes em neurociências.

Destaca-se também o capítulo sobre depressão em países em desenvolvimento, primorosamente escrito pelos epidemiologistas e psiquiatras brasileiros Maurício Lima e Bernardo Soares. Aqui, desvia-se ligeiramente dos aspectos bioquímicos da doença, mas se consolida a obra com uma importante e bem organizada apre-ciação dos fatores ambientais envolvidos no transtorno, impedin-do noções biológicas reducionistas sobre um fenômeno altamente complexo, como os mecanismos fisiopatológicos da depressão.

Esse livro é certamente o destaque atual na interface das psi-quiatrias clínica e básica, e sua montagem deve muito ao fato de os autores serem os editores do mais importante jornal científico em psiquiatria biológica, o periódico Molecular Psychiatry, pu-blicado pelo grupo Nature, hoje com um fator de impacto de 11,8 pontos de acordo com o Journal Citation Reports. Sem dúvida, essa experiência e ponto de vista privilegiados foram pas-sados à obra, e Biologia da Depressão merece um lugar desta-cado nas bibliotecas de psiquiatria.

João Vicente Busnello, Luciana Ribeiro

Department of Psychiatry & Behavioral Sciences, Center on Pharmacogenomics, Batchelor Children’s Research Institute, University of Miami Miller School of Medicine, Miami, USA

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