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"Do ponto de vista tecnico, 0 balan~o e positivo"

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Academic year: 2021

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ENTREVISTA

IZELIA PINHEIRO

"Do ponto de vista tecnico, 0 balan~o

e positivo"

A rede urbana de frio e calor do Parque das Na~oes ja tern onze anos e Joao Castanheira, director-geral

da Clirnaespa~o, faz

0

balan~o.

Garante que os pre~os SaGcornpeti- tivos com elevada eficiencia energe- tica, mas diz que a recupera~ao do

investimento esta ser rnais lenta do que

0

esperado. A crise imobiliaria,

com os edificios ocupados ainda a 50%, afectou

0

turn-over do pro- jecto. Mas considera que

0

pior e

a falta de ernpenho dos poderes publicos: mantem-se a penaliza~ao

fiscal em sede de IVA e a Cidade Judiciaria, que devia ser urn dos maiores dientes, esta em tribunal por ter decidido nao se ligar it rede.

Qual 0conceito e objectivos do pro- jecto de rede de frio e calor do Parque das Na~oes?

o

projecto Climaespa~o surgiuno ambito daExpo 98. Na altura em que se pensou organizar a exposi~ao mundial pensou- se em reabilitar um espa~o degradado da cidade e tambem, nasdiferentes are- as,em ir buscaraquilo quefosse stateof the art na gestao urbana. Por exemplo, nesta zona nao existe a normal recolha de lixoem contentores, mas um sistema de recolha pneumatica de resfduos Foi

af que surgiu 0conceito da distribui~ao centralizada defrio edecalor, que eum conceito muito antigo - existem redes de distribui~ao de calor com mais de 100 anos. 0 conceito da distribui~ao centralizada de frio e um pouco mais recente mas tambem ja existem redes de frio com umas decadas. EmLisboa articulamos osdois econstrufmos uma rede que distribui simultaneamente frio e calor. 0 conceito basico e que em vez de existir uma produ~ao localizada em cada edificio com os seus pr6prios

sistemas de climatiza~ao, existe uma central unica para toda esta zona da cidade onde e produzida a energia. 0 objectivo primordial deste projecto foi ter uma produ~ao de frio e calor que consumisse 0 mlnimo de energia pri- maria possivel eque tivesse 0minimo de emissoes poluentes. 0 sistema pro- porciona umaeconomia deemissoes de CO2na ordem dos 40%. Houve depois um segundo objectivo, de limpar as fachadas dos ediffcios dos aparelhos de ar condicionado que descaracteri-

(2)

zam asfachadas. Nesta zona, uma vez que naoha produ~ao localizada de frio e calor nos ediffcios, asfachadas sao completamente limpas.

Como

e

que 0sistema funciona?

Existeumacentral deprodu~ao deener- gia,existe umarede dedistribui~ao aos ediffcios utilizadores e depois existem as chamadas subesta~oes, dentro de cada um dos edificios utilizadores, onde se processa a transferencia de frio e de calor para 0 interior dos ediffcios.

Acentral utiliza uma tecnologia de tri- gera~ao, 0 que significa que e uma central on de se produz electricidade, mas ao contrario das centra is electricas convencionais, 0calor que e libertado da produ~ao de electricidade nao e desperdi~ado. Uma central termoelec- trica como ade Sines, onde seproduz electricidade com base em carvao, tem um rendimento de cercade37%, 0que significa que quase 2/3 da energia que equeimada edesperdi~ada sobaforma de calor. Ascentraisde cicio combinado como a do carregado ou da tapada do outeiro tem rendimentos da ordem dos 55%. N6s temos uma central que ao produzir simultaneamente frio ecalor tem um rendimento de 84%. I

Por que motivo estas tecnologias de cogera~ao nao sao usadas em maior escala?

Para haver co e trigera~ao tem que haver quem consuma a componente termica, ouseja0calore0frio. Quando se constr6i uma central electrica em Sines, ha uma quantidade enorme de electricidade que e produzida, mas 56 se houvesse ali ao lado um grande complexo ou uma grande cidade e que podia haver uma rede de distribui~ao afazer uso do calor. Casocontrario, 0

calor e libertado e nao ha consumi- dores. 0 que n6s fazemos com este tipo de centrais que sao de pequena dimensao e construir a central Junto aos consumidores -a central estaaqui, no Parque das Na~oes - e com isso

diminuimos as perdas de distribui~ao porque se encontram consumidores mesmo avolta da central.

Trata-se de uma central em meio urbano, que produz decerto emis- soes...

A central fica na zona Norte, ja a ca- minho da ponte Vasco daGama, bem disfar~ada, porque esta em ambiente urbano e tera sempre emissoes, quesao sempre controladas, emuito inferiores as de qualquer outra tecnologia.

Quantas pessoas estao ligadas

a

rede da Climaespa~o?

o

Parque das Na~oes esta concebido paraumapopula~ao de40.000 pessoas, entre habita~ao e terciario, que ainda esta longe de seratingida. Mas temos ligados cercadel20 ediffcios ouconJun- tos de ediHcios e temos cerca de 3000 clientes / frac~oes,quecorrespondem a muito mais pessoas doque isso.Dentro dos clientes temos os muito grandes clientes - Centro Comercial Vasco da Gama, Oceanario, sede da Vodafone, Casino Lisboa - mas tambem temos opequeno cliente - 0 apartamento, a loja, 0escrit6rio individual e issoe uma mais-valia deste projecto. Normalmente neste tipo deredes no resto da Europa oque acontece quanta aos ediffcios de habita~ao equeexiste um contrato com o condominia do ediffcio, 0fornecedor de energia entrega energia ao condo- mfnio e afactura e repartida por todos oscond6minos. 1550desresponsabiliza as pessoas pelos seusconsumos e nao incentiva a economia e a eficiencia, pois afactura eindexada apermilagem. 0 que nosfizemos aqui foi levar aentrega de energia

a

porta de cadaconsumidor, cada cliente tem 0 seu contador de energia e cada pessoa, cada casa ou cadaloja eresponsavel pelo seuconsu- mo. [550emais uma forma de incentivar autiliza~ao racional de energia que e anossa preocupa~ao de base.

(3)

cionamento. Qual

e

0 balan~o?

Do ponto de vista tecnico 0 balanco e muitfssimo positivo. E evidente que quando um conceito novo e introduzido as pessoas tem alguma desconfianca e isso aconteceu em 1998 e na altura foi um bocado diffcil de ultrapassar, mashoje em dia, passados onze anos, podemos dizer que foi um sucesso.

Temosum servico com uma fiabilidade elevadissima, com pouquissimas horas deinterrupcao doservico e sob0ponto de vista tecnico osclientes estao muito satisfeitos. Os objectivos em termos de ligacao de editrcios estao alcanca- dos. Praticamente todos os edifrcios climatizados do Parque das Nacoes tem ligacao

a

Climaespa~o e quem la habita, na maioria, tem 0 servico. A dificuldade quetemos e queuma parte dos ediffcios ja estaconstruida masnao esta ainda habitada. Ha uma grande quantidade de escrit6rios que nao estao ocupados e de apartamentos que nao estao vendidos eissotem aver com a conjuntura econ6mica do Pais e com o excesso de oferta imobiliaria que ha no mercado.

Masparece haver pessoas que desis- tiram do contrato com a Climaespa~o, porque naoestao satisfeitas com os tarifarios.

A Climaespa~o nao tem liberdade de escolher pre~os, os nossos precos de venda de energia depend em de um conjunto de indices que saD indices publicados oficialmente, um dosquais

e

o pre~odo gasnatural. Fruto darecente evolucao edaliberaliza~ao do mercado dogas baixamos 0preco devenda da nossa energia ja a partir deste mes de Julho 24%. Ou seja, se0 servico ja era competitivo a partir de agora vai ser ainda mais.

Mas temos que recusar a questao da tarifa com numeros. Neste momenta temos uma tarifa de venda de calor que

e

de cercade 0,035 euros por KW

jhora, que eigual para 0aquecimento ambiente e para 0 aquecimento de aguas. 0 valor da electricidade ou do gas

e

varias vezes superior A tarifa da electricidade e na casa dos 0,11, ou 0,12euros porKWjhora, ouseJa, varias vezes mais caro. Nao e verdade que o servi~o seja mais caro, sendo certo que com a Climaespa~o nao existem

equipamentos de producao de energia nos pr6prios ediffcios, 0 que significa queaspessoas naotem quese preocu- par com asuaaquisicao, substituicao e manuten~ao. Simplesmente, aspessoas abrem a"torneira" e sai agua quente esaiagua fria.

Estaideiade quehaveria umpre~omais carD tem maisaver com aparte defrio:

o aquecimento emuito mais barato do que qualquer algum tipo de alternati- va. Na parte do frio, e n6s corrigimos isso ameio do percurso, 0 tarifario foi pensado inicialmente sobretudo para grandes clientes, ediffcios de escrit6rios, museus, hoteis, que precisam demuita climatizacao durante grande parte do

~no-a estrutura tinha uma componente fixa dafactura elevada, com um preco da energia muito baixo. Paraquem 56 usa frio durante 3 ou 4meses por ana podia estar a pagar uma componen- te fixa da qual nao tirava vantagem, enquanto um grande cliente que usa frio todo 0ana beneficia de0 preco da energia ser muito baixo. N6s resolve- mos esseproblema ha varios anos mas admito que a informacao nao esteja ainda disponivel no mercado, criando um tarifario opcional para osclientes residenciais que baixou ao mlnimo esta componente fixa ehoje em dia0unico custo fixo para a componente frio

e

na

casa dos5euros pormesoOepoispaga- se aquilo que se consumir.

Pode entao afirmar positivamente Que

e

compensador para um c1iente residencial contratar 0 servi~o da Climaespa~o face as demais op~oes de c1imatiza~ao do mercado, mesmo incluindo 0 frio?

Sim,com nfveis de custo fixo tao baixos - nofrio estamos a falar de 60 eurosj ano, 56 mesmo para alguem que nao esteja a habitar a casa e nao use0ser- vi~o e que euadmito que nao seja.

Tendo em conta0Que diz, parece que 56por falta de informa~ao

e

que nao estao ainda todas as pessoas ligadas ao sistema da Climaespa~o ...

o

numero de pessoas que nao estao utilizar 0servico emuito baixo. Temos taxas de utilizacao que saD muito pr6- ximas das taxas de ocupa~ao dos edi- flcios. Se eu tiver uma taxa de liga~ao do editrcio de 70%, essataxa e muito

Nao

e

verdade que0servi~o seja mais caro, sendo certo que com a Climaespa~o nao existem equipamentos de produ~ao de energia nos pr6prios edificios, o que significa que as pessoas nao tern que se preocupar com a sua aquisi~ao, substitui~ao e manuten~ao. Simplesmente, as pessoas abrem a "torneira" e sai agua quente e sai agua fria.

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proxima dataxa de ocupaeao do edifi- cio. as outros 30% nao estao autilizar oservieo e simplesmente porque nao vivem la, porque de facto ha um certo numero de apartamentos que foram comprados para investimento, outros que nao foram ainda vendidos. Ecerto tambem que 0 numero de clientes de calor e superior aonumero declientes de frio.

Em que termos esta prevista a liga-

{aO

dos edificios desta zona

a

rede da Climaespa{o? Quem quiser pode op- tar pelo gas para agua quente e por outros sistemas de c1imatiza{ao?

Nestazona da cidade hauma legislaeao especffica Hauma portaria que regu- / la 0 plano de urbanizaeao, prevendo a questao da climatizaeao e diz que, se os edifrcios desta zona da cidade tiverem aquecimento ouarrefecimento ambiente, entao devem usar ouener- gias renovaveis oua rede de frio e calor fornecida pela Climaespaeo. Nao ha uma obrigaeao de ligaeao

a

rede, ha duas alternativas que san oferecidas e quesan ambientalmente comparaveis.

Mas a agua quente nao tem nenhum tipo de limitaeao, as pessoas pod em usaros sistemas que quiserem. Se qui- serem usar esquentadores a gas ou acumuladores electricos, podem usar Eevidente que existindo uma rede de frio e calor, ela e, do ponto de vista economico, maisvantajosa do queestes sistemas. Usar a electricidade parafazer aquecimento de agua e, para alem de um crime ambiental, quase um crime economico, pelo que isso custa. Eha uma outra questao que eadaseguran- ea- pelo facto de existir esta rede de frio e calor significa que nao existem esquentadores e caldeiras dentro das casas e isso significa uma redueao de riscos que tem aver com a queima de gaspara aquecimento de agua.

A Climaespa{o esta sujeita

a

regu-

la{ao da ERSE(Entidade Reguladora dos Servi{os Energeticos)?

Anossaactividade nao e regulada pela ERSE,mas como existe um contrato de concessao existe um concedente, que em nome do Estado portugues regula a nossa actividade. A Parque EXpo,que tem aindaagestao dos servieos urbanos desta zona, e aainda a entidade que

regula a nossa actividade, pensa-se que no futuro possam ser as camaras municipais.

Passando a questoes mais globais.

Como avalia hoje a execu{ao do contrato de concessao celebrado em 1997?

Isto eum investimento totalmente pri- vado,sem nenhuma comparticipaeao do Estadoportugues, e a contra partida que nos foidada foi a de poder operar este sistema durante 25anos,findos os quais havera um novo concurso epodera ser escolhida umaoutra entidade. Este pro- jecto quando surgiu aqui em Lisboa foi pioneiro em muitas coisas.Ja existiam muitas redes de calor pelo mundo in- teiro, jaexistiam algumas redes de frio, mas nao existia este conceito terfrio e calor no mesmo sistema e diferentes tecnologias namesma central, tanto e que 0 nosso grupo - 0grupo GDFSuez -tem construfdo varias outras redesem varios pafses

a

imagem de Lisboaenos

temos muito orgulho nisso.Construfmos redes semelhante a estaem Barcelona nazona doForum 2004, em Saragoea, para aExpo 2008, e estamos a construir uma rede bastante maior em Londres, para a zona dos jogos Olfmpicos de 2012. Eaprendemos muito com este projecto, para 0 bem e para 0 mal.

Houve de facto coisas que correram menos bem neste projecto. Desde logo, hauma nota importante: neste projecto de Lisboa todo 0investimento foi feito

Desde logo, ha urna nota irn tante: neste projecto de Usb - todo 0investirnento foi feito pelo operador privado, 0que significa que todo 0investirre - to e repercutido nas tarifas a consurnidores finais. A verda _ e que a rnais-valia arnbienta e energetica que este projec tern para0 pais nao e levada em conta, nao houve nenhli tipo de participa~ao das enti - des publicas neste projecto.

(5)

pela operador privado, aque significa quetodo a investimento erepercutido nas tarifas aos consumidores finais. A verdade eque a mais-valia ambiental e energetica que este projecto tem para a paisnao e levada em conta, nao houve nenhum tipo departicipa~ao das enti- dades publicas neste projecto.

As tarifas sao entao tarifas rea is, em linha do que tem sido defendi- do como boa pratica em materia de consumo de recursos natura is...

As tarifas sao reais, elas reflectem as custos do servi~o, masnao a beneficia ambiental deste servi~o. Aquilo que acontece em projectos semelhantes a este mais recentes eque pelafacto deaprojecto contribuir para aredu~ao das emissoes de CO2do pais, para a redu~ao das importa~oes de petr61eoe degas,ospr6prios Estadosparticipam esaGfinanciadores do projecto, e isso permite que astarifas de energia se- jam um pouco mais baixas. Estetipo deprojecto e decapital intensivo, tem

~Quintasao loa<>

NUdeo Empresarial de Arruda Vinhos

• Escr. E2

2630·310 ARRUDA DOS VINHOS

um investimento enorme naconstru~ao dacentral, da rede edassubesta~oes, ea recupera~ao deste investimento e feita amuito longo pram Nem todos asinvestidores estao preparados para trabalhar neste tipo de projectos e e preciso saber esperar para conseguir recuperar 0 investimento em muito longo pram

E

por isso que, onze anos depois, esta continua a ser a (mica rede de frio e calor em Portugal?

Esta e uma questao importante, sen- do este tipo de sistemas bom para a ambiente. Por um lado, 0 conceito

e

ainda novo em Portugal eha alguma relutancia em aceitar este conceito. Par outro lado,haalgumas barreiras impor- tantes, de que posso dar um exemplo paradigmatico: osclientes daClimaes- pa~o pagam IVAa20% enquanto que os consumidores de electricidade ou de gas natural pagam IVA a 5%, aque significa que em Portugal temos uma fiscalidade que em vez de serverde e

(6)

vermelha. Haum incentivo

a

electrici-

dade e ao gas.Somos 0 unico pais da Europa onde isto acontece Ja fizemos exposi~6es ao governo portugues e explicamos que nao ejusta que os con- sumidores de uma energia amiga do ambiente sejam penalizados face aos consumidores de electricidade e de gas, mas, mais do que isso, um pais que impoe estas barreiras e um pais que nao quer receber mais investimentos deste tipo. Ha apoios especiais para as energias renovaveis, que estao muito em voga, mas a eficiencia energetica, e e disso que estamos aqui a fa/art e ainda um parente pobre em Portu- gal. Enos dias de hoje, nao e possfvel suprir todas as nossas necessidades energeticas com recurso as energias renovaveis. Vamos ter ainda, durante nao sabemos quantos anos, que usar combustrveis fosseis e temos que 0

fazer da forma mais eficiente possf- vel. Eaf que a eficiencia energetica e fundamental, e por isso que a politica europeia na area da energia promove acogera~ao, atrigera~ao, as redes de frio e calor.

E somos 0 unico pais da Uniao que nao 0faz?

Em 2006 foi alterada a directiva do IVA,passando a permitir baixar 0 IVA para a electricidade e para 0 gas e tambem para 0 aquecimento urbano.

EmPortugal nao se fez uso desta pos- sibilidade e somos neste momento 0

unico pais onde 0IVA doaquecimento urbano e superior. Esta descida teria peso praticamente zero em termos de receita fiscal perdida, porque os gran- des consumidores ja recuperam 0 IVA e teria impacto apenas para os clien- tes residenciais. Eem term os do sinal que se daao mercado era importante, estamos a dar a mensagem errada.

Nao e apenas a rede de frio e calor do Parque das Na~oes que esta em causa- enquanto houver este tipo de barreiras em Portugal os investidores VaGescolher outros parses. Asentida- des publicas deviam envolver-se mais nestes projectos, se calhar nem sempre financiando ou subsidiando, mas nao faz sentido quevivam

a

margem destes projectos - faz sentido que ajudem a resolver os problemas, por exemplo nesta questao do IVA.

oar que, no passado, a (lirnaespa~o tenha cornprado electricidade

a

EDP,

em vez de a produzir? Isso continua a ser cornpensador?

Nos produzimos a electricidade que consumimos, masha situa~oesem que,

setivermos que parar anossa turbina

durante dois dias para fazer manuten-

~ao, paramos deproduzir electricidade e temos que a comprar. Issoacontece, mas apenas pontualmente. Aquestao tem aver com 0interesse economico em comprar electricidade em vez dea produzir edefacto houve uma faseem que isso aconteceu, atrigera~ao deixou de funcionar e nos passamos nessas semanas a adquirir electricidade para p(odu~ao de frio e0gasera apenaspara produ~aode calor.1550foiuma situa~ao- limite em que as tarifas de venda de gas eram de tal forma inadequadas que tornavam impossivel aopera~ao.

Foiuma decisao polftica, para marcar uma posi~ao,mas0nosso objectivo nao e esse, mas sim 0 de ter a trigera~ao afuncionar eanao ser que haja con- di~oesabsolutamente anormais, 0que nao e0 caso, nos vamos funcionar de acordo com 0principio que definimos

a

partida ee isso que temos feito em 99,99% da nossa opera~ao.

A nao existencia de obriga~ao de liga~ao dos edificios

e

urn factor Ii- rnitante?

A liberdade de contratar deve existir.

Eu nao digo que se deva obrigar uma pessoa ou uma empresa a contratar umservi~o que nao quer. Agora, quem pretender ter um servi~o deve respei- tar asregras existentes. As regras san suficientes: quem quer ter um siste- ma de climatiza~ao, usa a rede, que e um sistema eficiente, ou usaenergias renovaveis - nao pode e usar outra coisa. E preciso e que isto seja cum- prido e eu diria que e quase sempre cumprido, masnem sempre. 0sistema e mais vantajoso para os utilizadores finais, mas paraquem constroi elenao e necessariamente mais barato. Quem beneficia equem usa,e ha quem pense assim: 0meu edificio nao precisa de cli- matiza~ao, e depois quem vem habitar aquele edificio vai chegar a conclusao de que ate precisa. Eainda existe um diferendo com um promotor desta zona que decidiu nao se ligar a Climaespa~o

A liberdade de contratar deve existir. Eu nao digo que se deva obrigar uma pessoa ou uma empresa a contratar urn servi-

~o

que nao quer. Agora, quem pretender ter urnservi~odeve respeitar as regras existen- tes.As regras SaDsuficientes:

quem quer ter urn sistema de

c1imatiza~ao,

usa a rede, que

e

urn sistema eficiente, ou usa energias renovaveis- nao pode

e

usar outra coisa.

(7)

nem utilizar um sistema com recurso a energias renovaveis.

A cidade judicia ria?

Sim.Essecomplexo, queseriaum clien- te da dimensao do Vasco da Gama, de facto naotem liga~ao

a

rede daClimaes-

pa~onem energias renovaveis, tem um sistema convencional, 0que e como ter um edifrcio numa cidade com umarede de esgotos que em vezde se ligar

a

rede faz uma fossaI0 problema aqui foique a propria Camara Municipal de Lisboa licenciou 0 edifrcio nestas condi~oes, em nossa opiniao em clara viola~ao da lei, que recentemente foi refor~ada pela propria regulamenta~ao energetica que diz que se existir na zona ou nas proximidades uma rede de frio e calor, entao aliga~aoeobrigatoria, desde que economicamente justificavel 0 caso esta em tribunal porque a Climaespa~o accionou a Camara com 0 argumento de que foi licenciada uma constru~ao que nao respeita alegisla~ao aplicavel nesta zona da cidade, mas paraalem da questao legal, ha aqui uma questao de conceito - que sentido e que faz numa zona destas on de existe esta rede nao ter aquele conjunto de edifrcios ligado a esta rede7 Isto acontece porque ha ainda pouca consciencia destas ques- toes eha outros valores que sesobre- poem apesar de 0 discurso ambiental e energetico estar muito presente no discurso politico.

o

que pode concluir-se entao do pro- jecto dec1imatiza~ao do Parque das

Na~oes, apesar de ascondi~oes nao serem asidea is?

Visto

a

luz daquilo que nos sabemos hoje, se soubessemos que ia ser assim e que ialevar tanto tempo arecuperar o investimento, se calhar nao tfnhamos feito 0investimento - essaeaquestao.

Nosvamos la chegar, mas so aofim de muitos anos.

Essas contas nao estavam feitas

a

partida?

Estavam feitas mas nao sarram como esperado, porque aconteceu uma se- rie de situa~oes que nao estavam pre- vistas inicialmente, nomeadamente a crise economica eaexcesso de oferta imobiliaria no mercado, a existencia de edificios sem consumidores. Essa questao nao estava equacionada. 0 resto das questOes, como adoIVA,que constitui mais uma barreira

a

replica~ao deste tipo desistema, foi-se descobrin- do posteriormente.

Mesmo assim, a Climaespa~o vai continuar a apostar neste neg6cio em Portugal?

o

nosso grupo esta, apesar das barrei- ras, atento a este mercado e esta em vias de constituir uma novaempresa em Portugal, dedicada aos servi~os ener- geticos, que vai ter como prioridade precisamente a area da cogera~ao, da distribui~ao centralizada de frio ecalor e em que vamos activamente procurar novas oportunidades de negocio nesta area. Nos proximos tempos havera no- vidades quanta a isso.

Visto

a

luz daquilo que nos sabemos hoje, se soubesse- mos que ia ser assim e que ia levar tanto tempo a recuperar o investimento, se calhar nao tinhamos feito 0 investimento - essa e a questao. N6s vamos

la

chegar, mas s6 ao fim de muitos anos.

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