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Mestrado profissional e a questão da qualidade

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Mest rado profissional e a quest ão da qualidade

Professional m ast er and t he quest ion of qualit y

Mast er profesional y la cuest ión de la calidad

Mast er professionnel et la quest ion de qualit é

Lea Car v alho Rodr igues*

* Mest r e em An t r op olog ia Social e d ou t or a em Ciên cias Sociais p ela UNI CAMP, at u alm en t e é p r of essor a d o D ep ar t am en t o d e Ci ên ci as So ci ai s d a UFC ( ár ea d e An t r o p o l o g i a) e co o r d en ad o r a d o Mest r ad o em Av aliação de Polít icas Pú blicas da m esm a u n iv er sidade. E- m ail: lea@u f c. br

Criado efet ivam ent e em 1998, o Mest rado Pr ofissional ( MP) só v eio a ser for t em ent e r egulam ent ado em 2009, com o par t e da Po-lít ica Nacional da Educação do gov er no Lula, quando da edição da Por t ar ia 17, de 28 de dezem bro de 2009 .

O obj et iv o no pr esent e t ex t o é ex at a-m ent e debr uçar - se sobr e o cont eúdo dest a port aria e as declarações do Minist ro da Edu-cação, à época, t ecendo um a r eflex ão m ais sist em át ica sobr e as possív eis im plicações de seu cont eúdo sobr e a qualidade dos r e-fer idos m est r ados. Com o supor t e par a est a r eflex ão t r az- se, ainda, algum as discussões e d e l i b e r a çõ e s d o Fó r u m Na ci o n a l d o s Mest r ados Pr ofissionais ( FNMP) que aj udam a com preender diferent es leit uras e posições dos coor denador es de m est r ados pr ofissio-nais, sobr e a quest ão, bem com o as est r a-t égias e deliber ações do FNMP.

Com o j á apresent ado no t ext o ant erior, de aut oria de Ana Maria Ferreira Menezes, a Por-t aria 80, de 16 de dezem bro de 1998, é que efet ivam ent e cria o MP, m as ist o se dá no âm bit o da Fundação Coordenação de Aper-feiçoam ent o de Pessoal de Nível Superior – CAPES. Vale ainda ressalt ar que essa port a-ria era om issa quant o a vários aspect os ne-cessários a um a perfeit a com preensão e ori-ent ação ao funcionam ori-ent o desse m est rado. O que a port aria est abelecia de form a clara er a o obj et ivo m aior dos MP, de “ form ação de profissionais pós- graduados apt os a elaborar novas t écnicas e processos, com desem -penho diferenciado de egressos dos cursos

de m est rado que visem preferencialm ent e um aprofundam ent o de conhecim ent os ou t écni-cas de pesquisa cient ífica, t ecnológica ou art íst ica”. Fixava, ainda, que os cursos seri-am avaliados periodicseri-am ent e pela Capes, j un-t am enun-t e com os dem ais program as de pós-graduação, aludindo às suas especificidades, m as sem fixar parâm et ros de diferenciação. O pont o que m ais int eressa à present e refle-xão, a questão da qualidade do curso, se apre-sent ava nas considerações da port aria com o “ a inarredável m anut enção de níveis de qua-lidade condizent es com os padrões da pós-graduação st rict o sensu e consist ent es com a feição peculiar do Mest rado dirigido à for-m ação profissional”. Dessa forfor-m a, propugnava que os MP deveriam m ant er o m esm o nível de qualidade dos m est rados acadêm icos, m an-t endo as suas especificidades de curso pro-fissional. Ou sej a, dizia m uit o em um a única frase, m as no plano concret o, efet ivam ent e, nada dizia. I st o significa que cada curso de MP aprovado passou a operar de acordo com os ent endim ent os de suas universidades, Pró-reit orias de Pesquisa e Coordenações. Considerando se, ainda, que os MP, por serem cur -sos aut ofinanciados, acabam se const it uindo com o um nicho de m ercado de int eresse de universidades que não t êm cursos de pós-graduação e podem ver nos MP a possibilida-de possibilida-de abri- los, dispondo possibilida-de m aior flexibilidapossibilida-de na fixação dos produt os exigidos para a ob-t enção do ob-t íob-t ulo, j á que ele abre a possibili-d a possibili-d e possibili-d a possibili-d i v e r s i f i c a ç ã o possibili-d e p r o possibili-d u t o s – m et odologias, soft wares, pat ent es1 – o que

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poderia levar à elim inação da exigência do texto de dissert ação, sua exist ência e a pouca cla-reza quant o às suas especificidades, acaba-ram gerando reações não m uit o posit ivas, na verdade pouca aceit ação de boa part e dos cursos de pós- graduação acadêm icos2.

Ressalt o que est as observações são feit as a part ir de m inha at uação passada com o co-ordenadora de um curso de MP na Universida-de FeUniversida-deral do Ceará, o Universida-de Mest rado em Avalação de Polít icas Públicas, e com base na m i-nha participação nas discussões levadas a efei-t o por ocasião das reuniões de área prom ovi-das pela Capes, bem com o dos encontros anu-ais realizados pelo FNMP.

O FNMP foi instituído em 5 de m aio de 2006, por ocasião da realização do prim eiro encon-t ro nacional, realizado em São Paulo3, t endo conseguido se firm ar com o o principal int erlo-cut or dos MP frent e a Capes e responsável por im port ant es definições no âm bit o da ava-liação da Capes, com o a fixação de parâm etros diferenciados para a avaliação.

Anualm ent e ocorrem os encont ros nacio-nais, j á exist indo agora os encont ros regio-nais, sendo que, em 2008, houve um a m esa-redonda dedicada à apresent ação de art igos t écnicos relat ando experiências, previam ent e selecionadas, sobre a im plant ação e condu-ção de MP no país; experiências essas consi-deradas relevant es pela com issão que os se-lecionou. Post eriorm ent e, os t ext os foram pu-blicados pelo FNMP e const it uem um docu-m ent o idocu-m port ant e sobre est a docu-m odalidade da pós- graduação que, desde aquela época, j á apr esent av a um for t e cr escim ent o no âm bi-t o da pós- graduação brasileira. Com o ponbi-t os cent rais de discussão naquele encont ro, des-t acam - se, ainda, a inserção dos MP na socie-dade, os parâm et ros de avaliação da Capes par a os MP, a inst it ucionalização do FNMP e a sust ent abilidade dos MP.

O Encont ro Nacional, realizado em 2009, foi de especial im port ância em razão das pre-ocupações que a princípio t om aram cont a dos cursos nest a m odalidade, no país, em razão da Port aria nº 7do Minist ério da Educação e Cult ura – MEC, de 22 de j unho de 2009 que dois m eses depois sofreu algum as m odifica-ções result ando na Port aria Norm at iva Nº 17, de 28 de dezem bro de 2009, que efet ivam en-t e esen-t abelece princípios claros e regulam enen-t a os MP, dent ro de um a polít ica de est ado.

Os pont os m ais cont roversos dest a port a-ria, geradores de apreensão e grandes dis-cussões no FNMP realizado em 2009 foram :

1 ) O it em I V do ar t igo 5 º que coloca com o ex igência aos MP “ apr esent ar, de for m a equilibr ada, cor po docent e int egr ado por dout or es, pr ofissionais e t écnicos com ex per iência em pes-qu isa aplicada ao desen v olv im en t o e à inov ação” ;

2) O par ágr afo 3º do ar t igo 5º , sobr e o t r ab alh o d e con clu são p ar a ob t en -ção do t ít ulo do m est r e, que dispõe o seguint e:

“ O t r ab alh o d e con clu são f in al d o cur so poder á ser apr esent ado em difer ent es for m at os, t ais com o disser -t ação, r ev isão sis-t em á-t ica e apr ofun-dada da lit er at ur a, ar t igo, pat ent e, r egist r os de pr opr iedade in t elect u -a l , p r o j et o s t écn i co s, p u b l i c-a çõ es t ecn o l ó g i cas; d esen v o l v i m en t o d e aplicat iv os, de m at er iais didát icos e inst r ucionais e de pr odut os, pr ocesso s e t écn i cas; p r o d u ção d e p r o -gr am as de m ídia, edit or ia, com posi-ções, concer t os, r elat ór ios finais de p e sq u i sa , so f t w a r e s, e st u d o s d e caso, r elat ór io t écn ico com r eg r as de sigilo, m anual de oper ação t écni-ca , p r o t o co l o ex p er i m en t a l o u d e aplicação em ser v iços, pr opost a de in t er v en ção em p r oced im en t os clí-nicos ou de ser v iço per t inent e, pr o-j e t o d e a p l i c a ç ã o o u a d e q u a ç ã o t ecnológica, pr ot ót ipos par a desenv oldesenv im en t o ou pr odu ção de in st r u -m ent os, equipa-m ent os e k it s, pr oj et o s d e i n o v ação et ecn o l ó g i ca, p r o -dução ar t íst ica; sem pr ej uízo de ou-t r os for m aou-t os, de acor do com a nat ur eza da ár ea e a finalidade do cur -so, desde que pr ev iam ent e pr opos-t os e apr ov ados pela CAPES”

Em prim eiro lugar foi apont ada a incon-sist ência ent re o que est abelece a nova por-t ar ia e a Ficha de Av aliação, ou sej a, os parâm et ros pelos quais os cursos serão avali-ados. Houve discussões quant o à possibilida-de possibilida-de um professor não dout or orient ar e, a princípio, ficou est abelecido consensualm ent e

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que não, sendo considerado, ainda, que ist o d ev er ia ser ev it ad o, m esm o a t ít u lo d e coorient ação. Ent ret ant o, em razão de colo-cações feit as por coordenadores das áreas m ais t écnicas, de que há casos de pr ofissio-nais com alt a com pet ência, fundam ent ais na or ient ação, sem dout or ado, a t endência er a p ar a q u e a d ecisão f icasse a cr it ér io d o colegiado do cur so. Ao final, as dir et r izes est abelecidas for am no sent ido de conj ugar pr ofissionais/ t écnicos com a t it ulação ( dou-t or ado) , dev endo aqueles que não dou-t iv er em qualificação ser colocados com o colabor a-dor es, desde que não ult r apassem 30% do t ot al de pr ofessor es do cor po docent e. Um a coor denador a de cur so MP da ár ea de saúde alegou que sequer t inha com o cr edenciar não- dout or es com o per t encent es ao cor po docent e por que o r egulam ent o da sua uni-v er sidade não o per m it e. Tudo ist o, enfim , deix av a m uit o clar o a t odos que a por t ar ia hav ia flex ibilizado m uit o, pr incipalm ent e em r azã o da av aliação, condição par a a cont i-nuidade do cur so, ser r ealizada pela Capes com pr iv ilégio dos cr it ér ios acadêm icos, t o-dos t endo clar eza que os com it ês de av alia-ção não ir ão flex ibilizar. Com o a pr eocupa-ção m aior é a av aliaeocupa-ção da Capes, a t ônica foi adequar - se à por t ar ia, desde que est a não fer isse os par âm et r os da Capes.

Quant o ao segundo pont o, a div er sidade de form as de elaboração do t rabalho de con-clusão do cur so, foi unânim e a deliber ação

par a que se m ant enha a disser t ação, a qua-lidade e o r igor cient ífico.

Ou se j a , o FN MP t e m a t u a d o co m o direcionador da qualidade dos cursos e perce-be- se que seu em penho é na m anut enção da qualidade dos t rabalhos result ant es dos cur-sos de MP, enquant o que, de out ro lado, há ações j unt o a Capes para que se m odifiquem os parâm et ros de avaliação dos MP nos it ens produção int elect ual ( em que se pede m aior peso par a a pr odução t écnica) , t em po de t it ulação ( m aior t em po, por se t rat ar de pro-fissionais que t rabalham e não recebem bolsa de pesquisa) , inserção social e regional ( pede-se m aiores percent uais na Ficha de Avalia-ção) , com it ê de avaliação ( reivindicação de com it ê especial para a a avaliação dos MP) .

Por fim , percebeu- se que os dirigent es do FNMP 2009 e os palest rant es m ais at ivos posicionaram - se posit ivam ent e frent e à polí-t ica do MEC em relação aos Mespolí-t rados Pro-fissionais ( com o polít ica de est ado condizen-t e com a polícondizen-t ica de form ação profissional ado-t ada pelo governo Lula, em ado-t odos os níveis) e a est rat égia adot ada foi a de propor e apro-var m edidas de cont role da qualidade dos cur sos bem com o inv est ir na m aior inst i-t ucionalização do Fórum , visi-t o com o insi-t ân-cia cada vez m ais at iva e port adora de legit m idade frent e a Capes, um a vez que nos últ i-m os anos est a acat ou várias das reivindica-ções levadas pela direção do FNMP por oca-sião das reuniões dos com it ês de área.

Refer ências bibliogr aficas

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FUNDAÇÃO COORDENAÇÃO DE APERFEI ÇOAMENTO DE PESSOAL DE NI VEL SUPERI OR – CAPES. Por t ar ia Nº 80, de 16 de dezem br o de 1998.

MATTOS, Pedr o Lincoln. Disser t ações Não- Acadêm icas em Mest r ados Pr ofissionais: I sso é Possível?, RAC, v.1, n.2, Maio/ Ago. 1997: 153- 171

MI NI STÉRI O DA EDUCAÇÃO E CULTURA – MEC. Por t ar ia Nor m at iv a Nº 17, de 28 de dezem br o de 2009 - dispõe sobr e o Mest r ado Pr ofissional no âm bit o da Fundação Coor denação de Aper feiçoam ent o de Pessoal de Nív el Super ior - CAPES

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Not as

1 A r espeit o v ide Mat t os ( 1997) que j á quest ionou est a aber t ur a em 1997, ainda no âm bit o da Por t ar ia n. 47,

de 1 7 / 1 0 / 9 5 .

2 Vale r essalt ar, ent r et ant o, que as coor denações dos MP, m ost ravam est ar pr eocupadas e dispost as a m

an-t er a q u alid ade dos cu r sos, r ecu san d o desd e o in ício a elim in ação da disser an-t ação. Com o f ica clar o n o ar t igo de Agopy an e Oliv eir a ( 2005) t ant o o m est r ado acadêm ico com o o pr ofissional dev em pr im ar pelo r ig or m et od ológ ico e cien t íf ico. Dizem os au t or es q u e a d if er en ça en t r e os d ois d ev e est ar n a f or m a com o o con h ecim en t o é apr opr iado: n os acadêm icos, com o r azão m esm a da pesqu isa e n os MP “ com o ap licação d o con h ecim en t o p ar a a in ov ação” ( p . 8 7 )

3 Par a in f or m ações m ais det alh adas v ide h t t p: / / w w w . f n m p. br.

Referências

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