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UMBANDA, 103 ANOS DE FÉ, AMOR E CARIDADE.

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Academic year: 2021

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U

Expediente: Alan Levasseur Rubens Saraceni

UMBANDA, 103 ANOS DE FÉ, AMOR E CARIDADE

.

NOSSA HOMENAGEM AO SEU FUNDADOR, PAI ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES

E AO SENHOR CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS.

Jornal Nacional da Umbanda Edição nº 24 Índice de Matérias

EDITORIAL

Quem surgiu 1º?A Umbanda ou os Guias?(Rubens Saraceni) pág. 02

Zélio Fernandino de Moraes (Pai Ronaldo Linares) pág. 04

O Pai da Umbanda (Alexandre Cumino) pág. 05

Umbanda 103 anos (Pai Ronaldo Linares) pág. 07

Refletiu a Luz Divina (André Cozta) pág. 08

DOUTRINA

Umbanda (Alan Levasseur) pág.10 A Justiça Divina é cega? (Arley Lobo) pág.15 Água mole em pedra dura... (Arley Lobo) pág. 16

Entendendo a Umbanda (Newton C. Marcellino) pág. 17

PSICOGRAFIA

Em algum lugar existe salvação (André Monteiro de Oliveira) pág. 19

BALUARTES DA UMBANDA Mãe Maria Imaculada (JNU) pág. 20

Mãe Monica Berezutchi (JNU) pág. 21

OFERENDAS, MADIA E TRABALHOS UMBANDISTAS Oferenda aos Ancestrais (Pai Marcelo Chiafareli) pág. 23

BENEFICIOS PARA A SAUDE Espinheira Santa (Alan Levasseur) pág. 24

EVENTOS UMBANDISTAS

Um convite para uma festa imperdível (Átila Nunes.) pág. 25

Semana da Umbanda (JNU) pág. 22

Curso de Curimba e Canto (Severino Senna) pág. 26

CADERNO DO LEITOR

Perdemos... (Elisabete Mitiko Watanabe) pág. 27

Merecimento! Como? (Alex Valente) pág. 28

Agradecimento Mãe Alzira Saraceni (Roseli Pereira) pág. 29

Ogans na Umbanda Sagrada (Cicera C. Neves) pág. 30

ÚLTIMA PÁGINA

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EDITORIAL

QUEM SURGIU PRIMEIRO, A UMBANDA OU OS

GUIAS ESPIRITUAIS?

Em 1981 ou 1982 comprei um livro cujo autor desenvolvia a tese de que a Umbanda era uma religião milenar cuja origem datava do tempo da Lemuria ou da Atlântida, da Índia, etc., sendo que, por isto, não havia sido o Pai Zélio o seu fundador encarnado e nem o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas era o seu anunciador espiritual, porque muito antes dele se apresentar e anunciar o início dela, em algum outro lugar já havia acontecido a incorporação de um espirito cujo nome era, se não me engano, Caboclo Cugurussu.

Este autor umbandista criou esta polêmica 48 anos depois da fundação da Umbanda, apresentando a dele, denominada umbanda esotérica, esta sim verdadeira, pois remontava a milhares de anos no passado. E ele, baseado unicamente na informação de que alguém incorporava um espirito com o nome acima citado antes da manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, então que este não poderia ter fundado a Umbanda.

Pois bem! Esta informação ficou em minha mente e alguns anos depois, ao ouvir de Pai Ronaldo Linares que ela havia sido anunciada pelo Senhor Caboclo das Sete Encruzilhada dentro de um Centro Espirita, quando ele foi convidado a se retirar dos trabalhos porque ali não era o local adequado para ele. E, no dia seguinte, às 20 horas no Bairro de Neves em Niterói a Umbanda teve sua primeira gira, com o Caboclo abrindo-a e anunciando que “com os espíritos mais evoluídos se aprenderia, aos mais atrasados se ensinaria e a nenhum se renegaria”.

Duas informações contraditórias ficaram em minha mente e mais adiante descobri que havia uma discórdia dentro da Umbanda sobre sua origem, discórdia esta muito parecida com aquela sobre “o ovo e a galinha”, quando se pergunta a alguém: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Se o inquirido responder que foi o ovo, o inquiridor vem com outra pergunta: E quem pôs o ovo?

Esta é uma questão sem resposta porque sem um não existe o outro, certo?

Mas no caso da Umbanda, logo mais adiante um Espirito Guia respondeu à minha pergunta acima dizendo isto:

--Filho, quando a Umbanda foi fundada milhares de espíritos já se manifestavam tanto no Espiritismo Kardecista quanto nos Cultos de “resistência religiosa afro brasileira”, onde davam consultas e ajudavam as pessoas que frequentavam suas reuniões. E isto não acontecia só Estado do Rio de Janeiro, pois estas manifestações, ainda que com outros nomes, aconteciam por todo o Brasil.

E ele prosseguiu:

--Filho, a incorporação de espíritos vem acontecendo no mundo todo desde eras remotas, não sendo privilégio deste ou daquele povo tal fenômeno. Procure livros de pesquisadores sérios sobre este assunto e verá que há outro embate muito mais antigo entre as religiões, com umas condenando a manifestações dos espíritos e outras defendendo-as.

Você verá que sempre houve manifestações de espíritos incorporados em seus médiuns, não sendo privilégio do Espiritismo tal coisa e sim, Allan Kardec só codificou os tipos de mediunidades.

Fiz o que ele recomendou e, de fato, descobri que o embate já era muito antigo mesmo, e que os espíritos sempre interferiram, ora a nosso favor, ora contra, mas que sempre estavam presentes.

Quando tornei a conversar com aquele Guia Espiritual perguntei-lhe o porquê desta interferência dos espíritos junto das pessoas e ele respondeu-me isto:

--Filho, a vida neste planeta é um “ir e vir” contínuo entre os seus dois lados, sendo que quem volta para o lado espiritual sempre deixa estes queridos do outro e vice versa. E isto faz com que quem esta de um lado interfira em favor dos seus entes queridos que estão no outro lado.

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--Assim tem sido e assim sempre será! Sentenciou ele, com sua voz firme e convicta. E prosseguiu: -- Eu mesmo, logo depois de desencarnar, procurei um jeito de ajudar meus familiares que haviam ficado para traz, no plano material.

--Então. E ele não me deixou prosseguir, pois falou isto:

--Filho, você leu a descrição de uma sessão Espirita, onde espíritos incorporam em seus médiuns e realizam todo um trabalho em beneficio das pessoas presentes a ela, não?

--Li sim meu pai.

-- E você leu sobre uma reunião de um centro de Macumba, não? --Eu li sim meu pai.

-- Em ambas as sessões não eram espíritos que incorporavam em seus médiuns a cada sessão, para auxiliarem as pessoas presentes a elas?

-Foi isto que li, meu pai.

--Então sua pergunta inicial esta respondida e esta polemica sem fim não tem razão de existir, pois caso você não saiba, até o Espirito Mensageiro da Umbanda aprendeu a incorporar, incorporando dentro de um centro de Macumba, onde trabalhou atendendo pessoas e dando consultas quando incorporava em seu médium de então, que era o mesmo filho Zélio, mas encarnado em outro corpo, no corpo de um mestiço, de um “caboclo”, como eles eram chamados então, sabe?

-- Isto eu não sabia, meu pai.

-Espíritos de ex sacerdotes africanos, de ex pajés indígenas, de ex benzedores, ex padres cristãos, de mestiços ou caboclos brasileiros, todos movidos pela vontade de auxiliarem os encarnados, já baixavam na Macumba, na Cabula, no Catimbó, na Jurema, no Batuque e em vários outros Cultos, todos anteriores à Umbanda.

Pretos e Pretas, velhos benzedores e velhas rezadeiras, todos já iniciados em algum dos muitos Cultos de Nação de então, após desencarnarem, voltavam para ajudar seu entes queridos ainda encarnados. E, conhecedores de rezas e mandigas poderosas, incorporavam quase que à força nos seus médiuns e começavam a dar conselhos (consultas) e a recomendar trabalhos aos necessitados.

Dizer que estes espíritos só começaram a se manifestar depois da fundação da Umbanda é faltar com a verdade, mas recorrer ao nome de um Pajé indígena que incorporava em um médium antes da fundação da Umbanda, para negar os seus idealizadores e fundadores e remeter a existência dela a um passado remoto e improvável, também é faltar com a verdade. Principalmente por alguém que se apresentava como o criador da umbanda esotérica, esta sim, a “verdadeira Umbanda”.

Ou trata-se de ignorância, pois desconhecia a existência de tantos cultos religiosos, também mediúnicos e nos quais os médiuns incorporavam espíritos ou trata-se de má fé, tentando apresentar-se como o “verdadeiro fundador” da “verdadeira umbanda”, atribuindo à fundada pelo Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas como uma falsa Umbanda.

Que julgue quem quiser, pois fora desses dois casos, não é possível imaginar outra hipótese. Saiba também que o filho Zélio, antes de reencarnar mais uma vez, já era um médium que trabalhava com vários espíritos em um centro de Macumba. E ele desencarnou em um dia e no seguinte, ainda inconsciente, já foi reconduzido a uma nova encarnação, amparado o tempo todo pelo Anjo Mensageiro de Boas Novas para a humanidade, meu filho!

Ele não veio sozinho à carne não! Uma legião muito grande de Espíritos Guias acompanharam-no o tempo todo e, no momento certo, o verdadeiro “Pai da Umbanda” se manifestou nele e anunciou a Boa Nova para a humanidade: A Umbanda!

Isto, eu não tenho como provar com você encarnado. Mas quando você desencarnar, cada palavra dita a você por mim, te provarei! E até o conduzirei até eles, pois você, assim como eu, fazia parte desta imensa legião de espíritos que os acompanhou e os auxiliou na semeadura de uma nova religião em solo brasileiro.

--E quanto a esta polemica sem fim dentro da Umbanda, meu pai?

--Deixe ela prosseguir, pois assim como o autor do livro que nega a fundação dela em 1908 hoje amarga um imenso remorso e um amargo arrependimento, sentimentos estes vibrados muito fortes por ele após descobrir que blasfemara contra o Anjo Mensageiro de Boas Novas para a humanidade, e que o negativaram de tal forma que ele foi parar na terceira faixa vibratória negativa,

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de onde se recusa sair devido à vergonha que ainda sente por ter escrito tantos absurdos e bobagens e, com certeza, seus arautos também passarão por esta decepção amarga.

O Tempo, que é Deus em ação contínua sobre toda a Sua Criação, no tempo certo mostrará a cada um deles como estavam enganados!

Capitulo retirado do livro psicografado por mim, mas ainda não publicado denominado “A IDEALIZAÇÃO ASTRAL DA UMBANDA”.

Por: Pai Rubens Saraceni.

ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES

Ronaldo Antônio Linares

Diamantino Fernandes Trindade

O fundador da Umbanda, o Caboclo das Sete Encruzilhadas (que foi padre em vidas anteriores) ao se incorporar no médium fluminense Zélio de Moraes, ditou as normas de como deviam funcionar os terreiros de Umbanda, praticando a caridade gratuita; sem tocar tambores (atabaques) nem palmas no acompanhamento dos cânticos; fazer desobsessões (descargas) transportando os espíritos maus para os médiuns de incorporação, doutrinando-os e afastando-os, aliviando os doentes, curando-os da falsa loucura.

Zélio de Moraes, que faleceu aos 83 anos, em 1975, aos ser entrevistado por Ronaldo Antônio Linares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, na Rua Visconde de Inhaúma, 1174, Vila Gerty, em São Caetano do Sul, diz: Não havia Umbanda antes de 1908. Havia a chamada macumba, que era feita pelo Candomblé, por causa das oferendas aos santos. A Umbanda não é macumba, não é Candomblé. Na Umbanda não se usa isso. Nós não batemos tambor (atabaque).

Quem bate é a macumba. Nossa Umbanda não tem tambor e nem palmas, nem roupa de seda. Aqui, em meu terreiro, se usa roupa simples de algodão e sapato de corda ou descalço. Não tem seda, nem luxo. Tenho ouvido que muitos umbandistas aqui na Guanabara estão “fazendo santo”. Médium fazer santo? Eu não creio nisso. Nós trazemos isso do berço. Ninguém bota santo na cabeça dos outros. Em nossas sessões, temos a preocupação de curar os loucos (desobsessões). Já foram curados muitos, que estavam em sanatórios e que eram de outras religiões. Eu trabalho com o Orixá Mallet, de Ogum, que foi trazido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas para curar os loucos ou obsedados.

Zélio de Moraes, na sua entrevista a Ronaldo Antônio Linares, tira a máscara de muitos chefes de terreiro que dizem ter Orixás incorporados.

— Orixá não se incorpora. São espíritos que trabalham na sua irradiação, na sua força. Não são os Orixás que se incorporam, mas os seus enviados. Na Umbanda não existe feitura de cabeça, nem coroação. Eu não acredito nisso. O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca mandou “fazer cabeça” de ninguém. Isso não existe. Nem isso, nem coroação.

Na mesma entrevista Zélio disse: existe em São Paulo uma Federação de Umbanda, dirigida por falso umbandista, que obriga os chefes de terreiro a “fazerem o santo” e reúne os médiuns do terreiro para lhes tirar o dinheiro para que o pai de santo de “obrigação para o santo”. Isso não existe na Umbanda. Estão corrompendo a Umbanda utilizando o ritual do Candomblé, que também não tem fundamento nenhum. Estão transformando os terreiros em rituais de Umbandomblé, e depois os chefes de terreiro não entendem nada de Umbanda, nem de Candomblé, conforme declarou o Senhor. Demétrio Domingues, que está lutando para separar a Umbanda do Candomblé. Ele nos dizia:

— Umbanda não é Candomblé. Umbanda é Umbanda. Candomblé é Candomblé. Querer misturar as duas coisas só trás confusões, pois o chefe do terreiro passa a não entender nem de Umbanda, nem de Candomblé.

A verdade é que estão corrompendo a Umbanda, obrigando santo, dar obrigações para o santo, tirando dinheiro dos filhos de santo.

A última mensagem de Zélio de Moraes é de 1973 e foi transmitida através de Ronaldo Antônio Linares pela Rádio Cacique de São Caetano do Sul. Era assim:

— “Umbandistas de São Paulo. A vocês todos eu desejo muita paz e felicidade. Há muita gente em São Paulo que me conhece, pois por aí passei muitas vezes, curando doentes com rezas e preces. Com a fé que tenho muita gente ficou curada. Por isso, a esses irmãos de São Paulo, aos umbandistas que praticam a Umbanda sem pensar na vil moeda, no dinheiro, o meu abraço fraternal.

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O dinheiro estraga os homens e as mulheres. A vocês umbandistas sinceros, eu desejo muitas felicidades. Que Jesus irradie as vossas casas e os vossos corações. Que Jesus permita que as falanges do bem, que assistem a Umbanda de humildade, amor e caridade pura, a Umbanda criada pelo Caboclo das Sete encruzilhadas, que é uma corrente poderosa, possa levar a cada lar uma centelha de luz, retirando de vossas casas os espíritos que estejam nas trevas, para que todos os enfermos sejam curados. Desejo a vocês paulistas, paz, saúde e felicidade. Salve a nossa Umbanda de humildade, amor e caridade”.

Dois anos depois, em 1975, Zélio de Moraes falecia em Neves, próximo de São Gonçalo, no Estado do Rio. Durante toda vida lutou por uma Umbanda pura, não corrompida pelo dinheiro, com médiuns “dando de graça o que de graça estavam recebendo de Deus”.

Pouco tempo depois do desencarne de Zélio, o noticioso Macaia, dirigido por Lilia Ribeiro, apresentava o seguinte texto:

O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS nunca permitiu que fossem prestadas homenagens ao seu médium, ou melhor, que a mediunidade se tornasse meio de promoção pessoal. Somente após o desencarne de Zélio seu retrato foi colocado na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, Cachoeiras de Macacu, onde ele viveu seus últimos anos, exercendo sempre a sua missão mediúnica.

A cerimônia simples – uma cerimônia em família, porque todos que ali se encontravam pertenciam, direta ou indiretamente, á grande família umbandista que tem, como mentor, o Caboclo das Sete Encruzilhadas – emocionou os antigos companheiros de Zélio e eles prestaram sua homenagem ao precursor da Umbanda, em poucas palavras, porque a emoção não permitia que se alongassem.

Esta matéria foi publicada no livro Memórias da Umbanda do Brasil, Ícone Editora, 2011.

“O PAI DA UMBANDA”

Por: Alexandre Cumino

Conheci a Umbanda em 1995, um senhor clarividente havia me dito que, mesmo sem saber, minha religião era a Umbanda, eu que me considerava espirita não sabia o que era Umbanda e logo na mesma semana uma amiga me convidou a visitar um terreiro de Umbanda, na Vila Jaguara, Tenda de Umbanda do Caboclo Flecha Dourada e Zé Baiano. Encantei-me com a religião e a mesma amiga começou a incorporar dentro de um apartamento no qual demos inicio a um terreiro de Umbanda (Eternos Aprendizes do Amor e da Fé em Oxalá).

Assim comecei na Umbanda sem saber nada junto de uma amiga que também não sabia nada ao lado de sua mãe, irmã e uma amiga. Todos leigos praticando Umbanda pois os espíritos de Caboclo, Preto Velho, Cigano, Criança, etc. se manifestavam e já realizavam um bom trabalho junto destes médiuns que tinham uma única certeza, que este trabalho mediúnico nos fazia muito bem e que o contato com a espiritualidade era real e propiciava aprendizado importante junto aos guias e mensageiros de luz que se manifestavam. Estávamos aprendendo Umbanda de forma direta, pura e simples com as entidades comunicantes.

Para muitas pessoas este contato, esta pratica e seus resultados salutares em sua vida já são o suficiente, não se interessam em se aprofundar na religião ou mesmo em sua espiritualidade. Não faz diferença conhecer mais sobre a Religião de Umbanda, o único interesse é praticar, se descarregar e descarregar as mazelas alheias.

Reconheço a grandiosidade de um trabalho de cura com ou sem informação, no qual só as qualidades de um bom coração podem determinar, nas quais informação nem sempre representa qualidade de vibração. No entanto quando se realiza algo dentro de um contexto é importante saber que fazemos parte de algo maior, que não estamos só, que aquela pratica realizada também se repete em milhares de outros pontos de luz (residências, casas, tendas, centros, núcleos, terreiros, etc.) todos eles, Templos de Umbanda.

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Definir que trabalho é este e em qual contexto se manifesta ajuda a contextualizar a situação e compreender melhor o Todo ao qual estamos fazendo parte e que muitas vezes ignoramos, desconhecemos e até discriminamos por crenças e valores estabelecidos.

Os espíritos mensageiros de Umbanda respeitam tanto o nosso livre arbítrio que não nos forçam a nada, nem a uma conversão para a religião muito menos a uma doutrinação forçada como exigir que decoremos certos dogmas fundamentais de nossa religião, pois não temos dogmas além da Crença em Deus ao qual é mais uma condição de fé fundamental e universal que um dogma.

Todos os outros valores de Umbanda tem uma razão de ser logo não se definem como dogma (uma verdade que deve ser aceita sem questionamentos).

Assim é a Umbanda e a forma de manifestar-se das entidades de Umbanda, procuram nos direcionar sempre, mas nunca ferir nossos egos já tão melindrados por qualquer situação. Desde que se queira ajudar ao próximo e a si mesmo nossos mentores já se disponibilizam para um bom trabalho, a força de vontade e ânimo de nossos corações abre a porta mediúnica de comunicação com ou sem ritual ou formalidades.

E é exatamente por este perfil da Umbanda e do médium de Umbanda que não podemos recriminar a tantos que praticam a religião sem o conhecimento de sua história, sem a ciência de que todos estamos ligados e fazemos parte deste todo chamado Umbanda, uma religião brasileira que vem sendo discriminada com o preconceito

alheio já a muito tempo.

O que poucos se dão conta é que no momento em que tomarmos o conhecimento de que todos fazemos parte de uma mesma e única religião linda, encantadora e fascinante, a Umbanda, então neste momento, quando todos se orgulharem de sua pratica espiritual sob a denominação Umbanda, vamos erradicar o preconceito pois somos milhões.

Bastaria uma mobilização nacional de identificação de quem é e pratica Umbanda para mudar a atual situação. No entanto o que aprendemos é que tudo tem a sua hora certa de acontecer, ou seja se somos discriminados e sofremos o preconceito existe uma razão para isso no astral e nos planos de construção do perfil e identidade umbandista.

Pertencer a uma religião discriminada nos tornam pessoas muito especiais, do tipo que não se preocupam com aparência, somos fortes e determinados, pois o que tem mais valia é o que sentimos e não o que pensam ou falam de nossa religião. Temos convicções religiosas muito arraigadas, viscerais, que nos tomam e envolvem do corpo, mente espírito e alma. A Umbanda se manifesta de dentro para fora e de fora para dentro em nosso ser.

Ainda assim, por mais satisfeitos que a gente seja e por menos que cada uma tenha de interesse em explicar algo sobre sua pratica espiritual a qual temos dificuldades em comparar com as religiões tradicionais, ainda assim devemos ter a consciência de que vivemos em sociedade.

Ainda estamos encarnados e seguimos regras e valores sociais para uma vida saudável e tranquila. Posso não gostar de fazer declaração anual de imposto de renda, mas tenho obrigação de fazê-la. Posso não gostar de ter uma conta no banco, mas preciso da mesma. Posso não gostar de estudar Geografia, mas ficarei perdido quando começar a pensar em viajar. Posso não gostar de história, mas serei sempre um ignorante cultural se não desenvolver em algum momento um interesse por esta matéria.

Logo posso praticar Umbanda sem nenhum conhecimento, sem nenhum estudo, sem ter a mínima ideia de onde veio e para onde vai a Umbanda, no entanto estarei demonstrando minha falta de interesse real e de aprofundamento naquilo mesmo ao qual afirmo querer bem, onde coloco meu coração. Revelo uma ignorância cultural ou um preconceito por não querer fazer parte de algo que é discriminado e ao mesmo tempo querer me beneficiar do que há de bom, a manifestação de seus guias e mentores: Caboclo, Preto Velho, Criança, Baiano, Boiadeiro, Marinheiro, Cigano, Orientais, Malandros, Mestres, Exu, Pomba Gira, Exu Mirim e etc.

Afinal sempre ouvimos o discurso de quem afirma que gosta de todas as religiões, aceita todas, faz parte de todas e pega o que tem de bom em cada uma para sua vida, mas na pratica realiza um trabalho com as entidades de Umbanda. Assim como tantos que não tem religião, que são avessos a religião, mas todas semana estão no terreiro para tomar um passe com aquele Preto Velho lindo maravilhoso e tão sabido.

Confundimos “ter religião” com o fato de “ser católico”, pois ser umbandista não muda em nada o fato de acreditar em todas as outras religiões e sentir que Deus está em todas elas. Ser umbandista nos mantém com a mesma liberdade de quem não tem uma religião e crê em todas as

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religiões. A final a Umbanda nos dá liberdade total de ir e vir onde quisermos e crê que todas as religiões são boas.

A umbanda é universalista por natureza, é ainda, uma nova religião e que agrega em seu seio uma grande parcela de adeptos que não aceitam viver com dogmas, doutrinação radical e valores que venham a nos podar a liberdade.

Ser umbandista é ser livre de amarras, Umbanda deve ser e é sinônimo desta liberdade de praticar uma espiritualidade muito leve e tranquila ao mesmo tempo que é forte e poderosa em nossas vidas e de quem procura nossos guias.

Identificar-se com a Umbanda é identificar-se com algo real no contexto social e urbano também e não apenas uma experiência espiritual isolada, embora muitas vezes é o que sentimos, que estamos sozinhos... Mas nossos guias não estão sozinhos e eles se manifestam em muitos outros lugares e todos eles ligados como portas que se abrem para uma mesma e única realidade a Umbanda no Astral.

Cada manifestação de entidades de Umbanda, manifestações de espíritos que assumem arquétipos e uma forma de trabalhar muito peculiar a qual identificamos como Umbanda é um portal, um acesso a esta realidade na qual se revela uma unidade, Umbanda, uma na essência e no astral.

Esta forma de trabalhar com a espiritualidade, tem contexto histórico, tem história, é possível identificar quem, primeiro, realizou um trabalho com todo este conjunto de fatores fundamentais aos quais identificamos Umbanda. Templo (mesmo que seja dentro de um quarto ou quintal), Altar (mesmo que seja apenas uma vela), roupa branca (na maioria das vezes com exceções claro), defumação (mesmo que seja um incenso), magia (do uso das velas, patuás, banhos e pontos riscados) e atendimento caritativo com a presença de no mínimo caboclos e pretos velhos.

Este trabalho, da forma como conhecemos, e não apenas a manifestação mediúnica, teve uma origem fatual, histórica e real por meio de seu primeiro praticante e médium: Zélio Fernandino de Moraes.

O primeiro praticante é sempre o fundador de algo, se declare como tal ou não, Zélio nunca chamou a si nenhum titulo, mas sempre deixou muito clara sua historia com o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

E o Caboclo das Sete Encruzilhadas, carinhosamente chamado de “O Chefe”, sempre afirmava com todas as letras, por meio da boca de seu médium, que veio trazer a Umbanda com este médium que teve sua primeira manifestação no dia 15 de Novembro de 1908, em meio a uma sessão Espirita. E conta com detalhes a história que todo aquele que se identifica com a Umbanda já deve conhecer.

Sim, este é, nas palavras de Pai Ronaldo Linares, o Pai da Umbanda.

Você é Umbandista? Então saiba que tem muito a estudar, começando com Historia da Umbanda.

e-mail: [email protected]

UMBANDA 103 ANOS – PAI RONALDO LINARES

Eis que chega novembro e recebo de Pai Rubens Saraceni o convite para escrever algo (ainda inédito) sobre o Pai da Umbanda Zélio Fernandino de Morais, nesse momento que estamos comemorando mais um aniversário de nossa gloriosa e sagrada religião, A UMBANDA, afinal foi a mim que ele se referia quando o procurei pela primeira vez dizendo à sua dileta filha Zilméia: “É o Ronaldo, minha filha, é o homem que vai tornar conhecido o meu trabalho”. Lá se vão mais de 40 anos. Não fui o primeiro a escrever sobre Zélio, mas, a verdade é que nos anos 60 e 70 a Umbanda crescia rapidamente e ninguém mais se lembrava de Leal de Souza e sua obra não era mais divulgada. Não houve uma segunda edição de seu livro.

Nessa época eu fazia parte da programação da TV Bandeirantes ao lado da Xênia Bier e tinha programa na Rádio Cacique e, logo em seguida na TV Gazeta, ou seja, como homem de rádio e televisão, realmente tinha os meios necessários para a divulgação do criador da Umbanda. Foi o que fiz e faço até hoje! Por isso lembro que das inúmeras vezes que estive em sua companhia, um

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fato não inédito, mas pouco divulgado foi o de uma previsão feita pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, na sua primeira manifestação, quando no diálogo com o Sr. José de Souza, na Federação Kardecista de Niterói, ao afirmar:

- “Venho trazer a Umbanda, uma religião que

harmonizará a família brasileira pois graves acontecimentos virão”.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas falou que as mulheres perderiam a honra e a vergonha, que o vil metal compraria o caráter dos homens, etc, mas, pouco se fala de sua maior previsão:

- “Uma vaga (onda) de sangue varrerá a Europa, e nem bem ela tiver voltado, uma outra de

proporções mil vezes maior, varrerá o mundo e um único engenho bélico será capaz de matar não dezenas ou centenas de pessoas, mas milhares e milhares”.

Isto aconteceu em 1908. No Brasil os meios de transporte ainda eram o cavalo e a charrete e boa parte da navegação comercial ainda era a vela, os vapores eram uma grande novidade, e em Paris ainda fazia grande sucesso um homem que apenas dois anos antes havia tirado do solo o primeiro veículo mais pesado do que o ar - o brasileiro Santos Dumont.

Nessa época tão primitiva, quando o progresso de hoje era inimaginável, o Caboclo das Sete Encruzilhadas previu com exatidão a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e a bomba atômica lançada pelos americanos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

Em 1974 perguntei ao Sr. Zélio por que essa tão importante previsão fora tão pouco divulgada. E ele serenamente respondeu:

- “Meu filho, naquela época isso causou grande curiosidade, mas acho que ninguém acreditou.” Em 2008 quando do depoimento de sua filha Zilméia de Moraes Cunha, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a convite de Marcelo Fritz e a pedido da própria Zilméia, lembrei este fato que pouca gente conhecia. Dona Zilméia confirmou cada uma de minhas palavras.

O Pai da Umbanda não se enganou, sua previsão foi corretíssima, o povo da época é que não estava preparado para esta revelação.

Pai Ronaldo Linares O plantador de florestas

FEDERAÇÃO UMBANDISTA DO GRANDE ”ABC”

Mantenedora do SANTUÁRIO NACIONAL DA UMBANDA

REFLETIU A LUZ DIVINA

Por André Cozta

Mal sabiam os presentes àquela cerimônia na sede da Federação Espírita, em Niterói-RJ, no histórico dia 15 de novembro de 1908, que ali ocorreria um evento que mudaria os rumos da Fé no Brasil.

Data histórica, em que se comemorava a proclamação da República em nosso país. E justamente naquele dia, era instituída naquele local, uma Religião que viria, como disse o Senhor Caboclo das 7 Encruzilhadas, para ser “a manifestação do espírito para a caridade”.

Pai Zélio Fernandino de Moraes, já há algum tempo, manifestava a sua mediunidade, causando estranheza a seus parentes e à comunidade onde vivia, à época, na cidade de São Gonçalo-RJ. E o que acontecia com ele, também acontecia com muitos outros médiuns, nos 4 cantos deste país continental. E não encontravam esteio para suas manifestações mediúnicas.

Então, parece obvio que os Mestres Magos da Luz dirigentes da nossa Religião, encontraram nela, a solução para tal “problema”.

E, se aquele evento que habita o íntimo de todos os umbandistas até hoje, foi um marco para a Fé neste país (exatamente, porque anunciou uma religião que viria falar ao povo, através do povo, ou seja, de arquétipos historicamente discriminados em nossa sociedade- como o negro e o índio, por exemplo-), trouxe também, uma nova esperança à Fé das pessoas.

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Nascia, em solo brasileiro, uma manifestação de Fé em Deus que, na sua origem, abraçaria a todos sem qualquer tipo de discriminação.

Uma Religião que passou a atuar, daquele momento em diante, no tempo, como o grande remédio para a cura das feridas adquiridas pelos espíritos humanos durante as suas jornadas. Mas, também no tempo, esta religião seria (e realmente tem sido, ao longo da história recente), uma aceleradora das evoluções daqueles que a procuram, uma bloqueadora de muitos males que assolam a vida das pessoas e uma orientadora àqueles que sentem necessidade de renovarem-se e trilhar corretamente o caminho que leva de volta aos braços do Pai Maior e Divino Criador Senhor Deus.

Mas, voltando ao evento de fundação da nossa Sagrada Umbanda: naquela data, que foi e sempre será um marco para a Fé do povo brasileiro, em dado momento, Pai Zélio anunciou que “faltava uma flor” naquele ambiente. Levantou-se, foi ao jardim e voltou com uma rosa, que colocou à mesa.

Aquele ato simbolizava Fé e Amor, 1º e 2º Sentidos da Vida, 1ª e 2ª Linhas de Umbanda, manifestadas já nos primeiros instantes da nossa Sagrada Religião no plano material.

Além disso, anunciava-se ali uma doutrina espiritualista, cultuadora de Deus Pai através da Natureza Mãe e das Divindades manifestadoras de Seus Poderes Divinos, os Sagrados Orixás.

Sempre que penso sobre este evento, fico imaginando a “balbúrdia” que o mesmo deve ter provocado nas mentes e corações daqueles que se encontravam presentes àquele ambiente.

Esta “tal” Umbanda, anunciada por um Mestre Excelso, o Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, já habitava o íntimo dos brasileiros.

Uma prova concreta disso foi o segundo dia de manifestação da nossa Religião, em 16 de novembro de 1908, na casa de Pai Zélio Fernandino de Moraes (recentemente destruída), em São Gonçalo-RJ.

Naquela data também histórica (onde aconteceu a primeira sessão ou “gira” de Umbanda), às 20h, uma multidão encontrava-se à frente da casa de Pai Zélio. E, usando um termo comum àquela época e apropriado para o momento, alguns “milagres” ocorreram naquela modesta residência.

Porém, os “milagres” que aconteceram naquela noite, nada mais eram do que trabalhos de Magia e Cura, comuns até hoje, diariamente, nos Templos Sagrados de Umbanda por este Brasil afora.

A fundação (ou a “oficialização”) da Umbanda no plano material (após seu amadurecimento no plano astral, por Mestres Magos da Luz que nos orientam nos trabalhos religiosos) foi, naquele momento, o alicerce de um movimento de fé (muito mais do que religioso, um movimento de fé é aquele que trabalha pela evolução humana sem “prender” quem quer que seja a seus dogmas) que servirá de base e apoio para a Nova Era que se avizinha.

O grande marco da espiritualidade renovada no planeta, de agora em diante, chama-se Umbanda.

Sei que serei chamado por muitos de ousado, presunçoso ou outras qualidades do gênero. Mas, a história comprovará esta minha convicção.

Aos irmãos umbandistas, nesta data comemorativa, sugiro que se lembrem sempre com amor de Pai Zélio Fernandino de Moraes. Um homem humilde, manifestador primeiro de uma religião que fala para os humildes e tem na humildade sua maior bandeira. E também, reverenciem sempre em seus trabalhos religiosos os Senhor Caboclo das 7 Encruzilhadas, o Mestre Mensageiro deste movimento religioso, a nossa Sagrada Umbanda.

Fé, Amor, Conhecimento, Equilíbrio, Ordenação, Transmutação e Criatividade: 7 Linhas de Umbanda, 7 Sentidos da Vida, 7 Luzes Divinas.

Em 15 de novembro de 1908, parafraseando nosso belo hino, “refletiu a luz divina, com todo o seu esplendor”... refletiram-se as 7 Luzes Divinas: a Luz da Fé, a Luz do Amor, a Luz do Conhecimento, a Luz da Justiça, a Luz da Lei, a Luz da Evolução e a Luz da Geração e da Vida.

Que todos nós, umbandistas, banhemo-nos sempre nestas 7 Luzes, as 7 Linhas da nossa Religião e, através delas e da mensagem deixada a nós, pelo Mestre Caboclo das 7 Encruzilhadas, possamos abarcar nossos irmãos, conduzindo-os na senda reta evolutiva, como deseja e quer o Divino Olorum, nosso Pai Maior e Criador.

Laroiê, Senhor Exu! Laroiê, Senhora Pombagira! Laroiê, Senhor Exu Mirim!

Epa Babá, Pai Oxalá! Salve Mãe Oiá, Senhora do Tempo! Oraieiê Ô, Mãe Oxum! Oribobôi, Pai Oxumaré! Okê Arô, Pai Oxossi! Akirô Oba yê, Mãe Obá! Kaô Kabiecile, Pai Xangô! Epa Hei, Mãe

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Yansã! Ogum Yê, Meu Pai, Senhor da Lei! Kali Yê, Mãe Egunitá! Atotô, Pai Obaluayê! Saluba, Mãe Nanã! Odoyá, Mãe Yemanjá! Omulu Yê, Tatá!

Saravá a todos os Guias Espirituais, Mestres Magos da Luz da direita e da esquerda! Saravá a todos os irmãos umbandistas!

Saravá Umbanda Sagrada!

E-mail: [email protected]

UMBANDA

Rejeitado no kardecismo, Zélio

criou sua Religião.

Considerada por muitos como a única religião verdadeiramente brasileira, por reunir elementos da cultura Indígena, Africana e Europeia, a umbanda completou seu primeiro centenário em 2008. Apesar disso, o culto ainda é visto com maus olhos por alguns líderes protestantes. A discriminação sofrida pelos umbandistas não é de hoje e está na própria raiz da religião, como atesta a história de Zélio Fernandino de Moraes.

Jovem de uma tradicional família de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, Zélio completou 17 anos em abril de 1908. Preparava-se para prestar exames para a Escola Naval, quando uma estranha paralisia pôs fim a seus planos. Renomados médicos foram chamados e iniciaram uma série de tratamentos, mas nenhum deles conseguia diagnosticar a doença do rapaz e seu estado de saúde só se agravava.

A partir de outubro, Zélio começou a falar palavras sem nexo, teve visões e apresentou quadro de aparente perturbação mental. Sem sucesso, outros clínicos buscavam cura para os males. Seria difícil imaginar que a solução viria do próprio enfermo. Em novembro, Zélio anunciou a seus pais que voltaria a andar. De fato, um dia depois do aviso, ele estava novamente em pé. Os sinais tidos como distúrbio da mente, no entanto, permaneciam.

Muito católica, a família recorreu então aos padres, que aconselharam o retorno aos tratamentos médicos especializados. Por sua vez, suspeitando de uma obsessão espiritual, um vizinho recomendou levá-lo à Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro. A instituição fora fundada em 1907 em Niterói, onde funciona até hoje.

Durante uma reunião com o presidente e outros membros da Federação, o jovem incorporou um caboclo e foi recriminado pelo dirigente da mesa devido ao “atraso espiritual” desta alma. Zélio protestou e anunciou que, no dia seguinte, seria iniciada uma nova religião, “em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem, e assim cumprir sua missão”. Assim, na noite de 16 de novembro, uma multidão aglomerava-se na Rua Floriano Peixoto, no bairro de Neves, em São Gonçalo. Todos aguardavam Zélio que, em breve, fundaria a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade. A espera não foi em vão: nascia ali uma nova religião.

Zélio nunca explicou a razão da palavra “umbanda”, embora ele tenha vivido até 1975. Por isso, historiadores divergem sobre sua procedência, mas a imensa maioria acredita que ela decorra do vocábulo “m’banda”, usada pelas tribos Quimbundo, da África, para designar os seus sacerdotes, e que era também uma palavra sagrada dos índios tupis. Portanto, uma tradução livre indicaria “Tenda de Sacerdotes”.

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Sua criação foi seguida, no mesmo ato, de algumas regras básicas e simples, tais como o uso apenas de roupas brancas, ter como adereço somente uma fita da cor do orixá ou do santo do dia comemorado, não receber nenhuma recompensa dos que recorrem à Umbanda, não praticar sacrifício de animais e fazer da caridade a prática permanente segundo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em 1918, Zélio criou sete novas tendas. Apenas uma delas ficou no distrito de Neves, pois a maioria foi para o Rio de Janeiro, capital do país na época, o que pode ter contribuído para a expansão da crença por todo território nacional.

Zélio, entretanto, não se dedicava apenas à umbanda. Como era norma não receber recompensa pelo bem distribuído, também trabalhava como comerciante. Em 1924, fez uma incursão na política e foi eleito vereador. Três anos depois, foi reeleito e escolhido por seus pares para ser secretário do Legislativo gonçalense. No poder público, dedicava-se principalmente à difusão de escolas públicas, tanto que ele mesmo criara uma, gratuita, de curso primário, em seu centro espírita para atender as crianças de Neves.

Casado com dona Isabel de Moraes, teve duas filhas, Zélia e Zilméia, às quais passou a direção da tenda original em 1963. Zélio faleceu no dia 3 de outubro de 1975 em Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro. Como homenagem, a Câmara Municipal de São Gonçalo batizou com seu nome uma rua no bairro de Mangueira.

ZÉLIO NA POLITICA:

1. Com o intuito de ajudar a população de seu município, Zélio de Moraes se candidatou a vereador de São Gonçalo em 1924, sendo eleito em 18 de maio. Conforme normas legislativas da época, sua posse ocorre no dia 06 de junho do mesmo ano, com término do mandato em 30 de abril de 1927. Como vereador, dedicou-se principalmente à difusão de escolas públicas no município em que residia. Tamanha foi sua dedicação a este tema, que criou uma escola totalmente gratuita, de curso primário, funcionando na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, para atender as crianças do bairro de Neves;

2. Buscando continuar o trabalho que vinha fazendo no legislativo de São Gonçalo, de difusão das escolas públicas no município, Zélio se candidatou à reeleição, logrando êxito no pleito de 10 de abril de 1927. Conforme normas legislativas da época, sua posse ocorreu no dia 30 de abril do mesmo ano, com término do mandato em 31 de dezembro de 1929;

3. Buscando continuar o trabalho de difusão das escolas públicas no município, o qual se dedicara nos dois mandatos anteriores, Zélio se candidatou novamente à reeleição no pleito de 01 de setembro de 1929, porém, dessa vez, não logrou êxito. Após essa derrota nas eleições, Zélio de Moraes abandonou a política.

E essa é a história de como foi descoberta e divulgada a passagem de Zélio de Moraes pela política.

A HISTÓRIA:

No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos.

Esses "ataques" do rapaz, eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da natureza.

Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.

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Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.

Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.

O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o "seu atraso espiritual" e convidando-os a se retirarem.

Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou:

_"Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa de suas origens sociais e da cor ?"

Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: _"Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?

_"Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados."

_"O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro."

Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:

_"Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”

O vidente retrucou: _"Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto" ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse:

_"Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei". Para finalizar o caboclo completou:

_"Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?"

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social.

A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam

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uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.

Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos.

O caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que haviam neste local, praticando suas curas.

Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras:

"_ Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá."

Após insistência dos presentes fala:

"_Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nego."

Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:

"_Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca."

Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antonio".

No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele.

Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. "_Não os aceite. Devolva-os!", ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda.

O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os

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banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto grau de evolução desta entidade de muita luz. Ei-la:

"A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro.

É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão. Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda.

Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa. Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade.

Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria.

Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas".

Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuam em ação através de suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, que têm em seus corações um grande amor pela Umbanda, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los.

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Neste imóvel, localizado na Rua Floriano Peixoto, nº 30, em Neves, Niterói – RJ iniciou-se a religião de Umbanda, anunciada no dia 16 de novembro de 1908, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Cabana do Pai Antônio - Neste espaço Umbandista, Zélio Fernandino de Moraes dava segmento aos trabalhos caritativos, através do iluminado e querido Preto Velho Pai Antônio. Localizava-se em Boca do Mato, Distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ.

Zélia e Zilméa de Moraes Filhas do saudoso Zélio Fernandino de Moraes, na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, localizada na Rua Teodoro da Silva, nº 997 – RJ

A JUSTIÇA DIVINA É CEGA?

Arley Lobo é médium da Tenda de Caridade Umbandista Pai Oxalá – [email protected]

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), “saúde é um estado de completo

bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade” (WHO, 1946).

O equilíbrio físico, emocional, social, espiritual e afetivo são buscados, diariamente, por todos os viventes. Cada ser humano age de acordo com sua consciência, sua cultura, a educação familiar e religiosa, o meio no qual está inserido, almejando amor, respeito, aceitação dos seus atos, pensamentos e sentimentos, buscando comportamentos adequados e nunca optando por cometer erros.

Quando as atitudes estão de acordo com o socialmente esperado, normalmente, passa despercebido, nenhum comentário ou reconhecimento, porém, quando há erros, pequenos ou grandes, o “culpado” carrega esse rótulo dentro do grupo que participa por algum tempo e todas as atitudes, sentimentos, ações, diálogos emitidos acertadamente até então, são esquecidos, ignorados e, muitas vezes, deixam de existir aos olhos alheios mas não aos olhos de Olorum.

O Pai Olorum, na sua onipresença divina está em todos os lugares, sem distinguir, o (a) filho (a) mais amado, mais engraçado, mais rico, mais bonito, mais gentil, mais inteligente, mais reservado, mais digno de pena ou qualquer outra característica que poderia encantar ou despertar

Sua atenção. Ele está presente em todos os momentos. É conhecedor das nossas limitações, como também, das nossas virtudes. Ao errarmos, somos corrigidos e orientados, através da lei de

Enviado por: Alan Levasseur E-mail: [email protected]

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causa e efeito e do reflexo das leis divinas sob nossas ações e nova oportunidade nos é dada, afinal temos livre arbítrio, o plantio é opcional, mas a colheita é certa. Ao acertamos, recebemos como prêmio a paz, alegria, convivência e união com as pessoas que amamos, prosperidade e tudo que desejamos, dentro do nosso merecimento e necessidades.

Ao cometer um equívoco, um erro, o ser humano deve ser corrigido ou, em nome da “velha amizade” ou amor incondicional, altera-se o conceito de certo e errado e, o comportamento inadequado torna-se, momentaneamente, comportamento aceitável?

O que devemos valorizar: os erros ou acertos? Um irmão de egrégora age corretamente por 1 ano e, por um momento de displicência, comete um erro. Ele deve ser corrigido, carinhosamente orientado, cuidadosamente equilibrado e seguir adiante; deve ser expulso da sua vida/terreiro pelo erro cometido, afinal, “ele nunca prestou mesmo”; ele não deve ser corrigido, pois a vida ensinará e, afinal, ele “é útil, pode se chatear e deixar de frequentar o terreiro”. Qual a atitude mais justa?

“O termo justiça (do latim iustitia, por via semi erudita), de maneira simples, diz respeito à igualdade de todos os cidadãos. É o principio básico de um acordo que objetiva manter a ordem social através da preservação dos direitos em sua forma legal (constitucionalidade das leis) ou na sua aplicação a casos específicos da sociedade (litígio)”.

Ora, se a justiça é cega e pretende manter a ordem social, preservar os direitos e a igualdade entre todos os cidadãos, o ato falho independente do autor, deverá ser identificado, orientado, corrigido e, se necessário, o autor deverá sofrer as sanções impostas pelas leis terrenas e divinas.

Ou isso é maldade, falta de amor, rigidez, falta de flexibilidade? Não, isso é justiça, isso é contribuir para a melhoria contínua do ser humano e da vida em comunidade, isso é não enganar as pessoas que confiam em nossas orientações, isso é agir de acordo com os ensinamentos divinos,

isso é amor, afinal, qual a nossa missão: educar ou enganar? Amar ou usar? Ensinar a honestidade ou estimular a falsidade? Pensemos nisso!

Abraço fraterno e que o amor incondicional, restaurador, equilibrador e curador da Mamãe Oxum abençoe-nos hoje e sempre!

Contato com a autora – [email protected]

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA...

Enviado por Arley R. Lobo.

Vamos refletir um pouco sobre Ser Humano.

Somos seres humanos, dotados de inúmeras qualidades, que normalmente passam despercebidas aos olhos e corações de outros humanos como nós e, alguns defeitos que sempre são valorizados e destacados, mas, ainda assim, somos humanos, e nos utilizamos da condição de seres em evolução para justificar nossas falhas e deficiências.

Essa condição não nos isenta de nossas responsabilidades e temos o compromisso de sermos amorosos, mas não irracionais; bons, mas não bobos; carinhosos, mas não falsos.

Alguns irmãos são envolventes, cativantes, alegres, carinhosos, animados e, ao mesmo tempo, traiçoeiros, aproveitadores, vingativos, maldosos.

O médium umbandista deve estar atento ao seu desenvolvimento e as investidas das trevas, que utilizam todos os artifícios conhecidos e alguns, desconhecidos por nossa ingenuidade humana, para nos envolver, seduzir e induzir a cometer atos contrários àqueles que normalmente teríamos.

Esses atos são frutos da nossa própria debilidade, quando nos autodenominamos conhecedores, manipuladores e controladores de todos os processos mentais, espirituais, cognitivos e afetivos existentes, resultado de nossa real e inconsciente condição de pessoas arrogantes, dotadas de soberbia involuntária e desejo de demonstrar poder, sabedoria e controle.

Por isso, não desdenhemos, não subestimemos a inteligência, perspicácia e organização das trevas.

“Orai e Vigiai”. É vital que estejamos sempre em alerta, fazendo, sem nos enganarmos, nossa reforma íntima para verdadeiramente termos consciência dos nossos atos e do reflexo que eles terão para nós e na vida das outras pessoas.

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Raiva, mágoa, desentendimentos não podem ser peças fundamentais no desenrolar das situações, principalmente quando temos responsabilidades e quando somos ouvidos, respeitados e amados por outros que também estão em busca de evolução.

O médium umbandista é assim, um ser em evolução, uma centelha divina amada e respeitada por outros seres humanos.

Somos formadores de opinião e devemos honrar essa condição. Independente de ser médium de incorporação ou não, quantas pessoas já foram lhe procurar para agradecer um bem recebido através de um passe ou consulta dada por uma entidade que lhe assiste, que você camboneou ou simplesmente por ter informado o endereço do templo religioso que frequenta?

Quando não há conscientização da nossa condição de instrumentos do amor justo e equilibrador de Olorum, esse agradecimento pode tornar-se tolo e infantil ou motivo de vaidade e soberbia, mas, quando há responsabilidade mediante o trabalho mediúnico realizado, esse fato torna-se mola propulsora para busca de novos conhecimentos e procura constante por melhoria interior.

Somos seres humanos, seres pequeninos diante da grandiosidade do planeta azul em que estamos hospedados, uma centelha divina, parte do Criador que nunca nos abandona, nunca subestima nossa limitada inteligência e sempre nos estimula a buscar, compreender, fazer sempre o melhor por nós e por nossos semelhantes.

Assim é o Criador, um Pai que ama, que investe, que ensina, que educa, que equilibra e acredita que um dia conseguiremos ser mais irmãos e menos guerreiros, mais sinceros e menos interesseiros, mais honestos e menos maquiavélicos, mais amáveis e menos falsos, mais espirituosos e menos materialistas, mais responsáveis e menos inconsequentes afinal, água mole em pedra dura...

Contatos com a autora: [email protected]

ENTENDENDO A UMBANDA

Capítulo 5 – Cambono

A Sacerdotisa Sofia já contava com alguns anos à frente de seu terreiro e sempre ministrava cursos sobre Umbanda para poder sanar as dúvidas dos membros da corrente mediúnica.

Continuando as perguntas dos alunos de um de seus cursos: - O que é cambono?

- Cambono, samba, cambone ou outros nomes adotados pelos terreiros é aquela pessoa de extrema importância que ajuda os médiuns que incorporam os guias espirituais, no manejo e ordem de suas ferramentas e apetrechos ritualísticos, além de ajudar os consulentes na comunicação com os guias.

Há terreiros que também consideram como cambono, aquelas pessoas que ficam na recepção do terreiro, que organizam a assistência e a chamada de todos para o atendimento mediúnico, os voluntários das obras assistenciais da casa, etc.

Normalmente a pessoa fica no cargo de cambono durante todo o processo de desenvolvimento mediúnico, que pode durar desde alguns meses como alguns anos, e quando estiver preparada, ela passa a trabalhar juntamente com os médiuns de incorporação.

Mas ser cambono é tão prazeroso, que muitas pessoas optam seguir neste posto dignificante por toda a vida.

- Eu já vi alguns guias espirituais pronunciando palavras complicadas e difíceis de entender. O cambono entende tudo o que eles falam?

- Com certo tempo de convívio com os guias espirituais e, principalmente, com a sintonia entre cambono e guia, posso dizer que o cambono consegue entender praticamente tudo o que os guias falam, e por isso se tornam intérpretes nas comunicações com os consulentes.

- Alguns consulentes sentem receio de falar determinadas coisas para os guias e haver vazamento de informações pessoais. Há esse perigo?

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- Como toda religião ou qualquer segmento humano, há o perigo de alguém cometer erros com finalidades de baixo teor moral. Porém, tenho certeza de que todos os sacerdotes pregam o sigilo absoluto das comunicações entre os guias e os consulentes.

Os cambonos e os médiuns de incorporação não devem nunca comentar com ninguém, nem mesmo com o sacerdote, o que é confidenciado pelo consulente! Todas as pessoas merecem respeito por suas particularidades, por mais fútil que possa parecer!

O consulente também pode optar por pedir licença ao cambono para poder confidenciar algo ao guia espiritual de sua confiança.

Outro ponto importantíssimo: o cambono apenas ajuda na comunicação entre o guia espiritual e o consulente e nunca se intromete na conversa entre ambos dando palpites! O guia espiritual sabe exatamente aquilo o que a pessoa precisa ouvir e como ela recebe as informações! Por outro lado, se o guia espiritual e ou o consulente pedirem ajuda ao cambono, este também pode participar da conversa, trocando experiências. O bom senso e o respeito com as pessoas é o que faz um ótimo cambono.

- O cambono trabalha exclusivamente para um médium?

- Isso depende do terreiro! Para melhor aproveitar as pessoas, a maioria dos terreiros prefere que os cambonos fiquem atentos a todas as pessoas, para poder contribuir com todos. Por vezes, um cambono acaba ajudando mais de um médium por vez.

A ideia não é sobrecarregar as pessoas, mas dividir as funções com todos!

- Ouvi dizer que o cambono doa suas energias para o guia espiritual poder trabalhar. Isso é verdade?

- Mais ou menos!

Na verdade ninguém “doa” a sua energia, mas sim serve como um meio onde as energias são trabalhadas pelos guias espirituais.

Para entender melhor, vou explicar da seguinte maneira: nós estamos mergulhados na imensa energia que flui de Olorum, Deus. Nós nos servimos dessa energia o tempo todo e os espíritos também.

O nosso corpo leva certo tempo para processar essa energia e torná-la própria para nosso uso, por isso, os guias concentram energias em nossos corpos para serem processadas, e o excesso, já processado, é rapidamente transferido às pessoas que necessitam, mas que não tem força suficiente para processar energia com facilidade, devido a enfermidades corporais, mentais ou espirituais.

Com base nisso, concluímos que todos no terreiro, que estão em boas condições de saúde, são utilizados pelos guias para ajudar nesse processamento de energias, principalmente os médiuns de incorporação e os cambonos, que estão preparados para essa constante troca de energias sem, por vezes, nem perceber!

Então, não doamos a nossa energia, mas sim, servimos de instrumentos de processamento e transição de energias.

- Mas isso não é a mesma coisa que doar?

- Não! Veja bem: o cano que leva a água para a sua casa é o condutor do líquido e não doador, pois sua composição continua a mesma, sem perder nada durante o trajeto.

O mesmo vale para nós! Somos condutores de energias. Conseguimos processá-las em nosso corpo saudável, mas é um processo natural em que não há perdas!

Nossa função como processadores e condutores de energias é extremamente louvável e bem visto por nosso pai, tanto que Ele nos retribui aumentando ainda mais nosso potencial de saúde corporal, mental e espiritual!

Por: Newton C. Marcellino Críticas e sugestões: [email protected] Blog: http://umbandatemfundamento.blogspot.com

Referências

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