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Cad. Saúde Pública vol.5 número4

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Academic year: 2018

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ANÁLISE

Planejamento e Programa-ção em Saúde — Um Enfo-que Estratégico, de F. Ja-vier Uribe Rivera (Org.), Mário Testa e Carlos Ma-tus. São Paulo, Cortez/A-brasco, Coleção Pensamen-to Social e Saúde. Vol. 2, 222 pgs., 1989.

ISBN 85-249-0190-X.

Diretor da ENSP/ FIOCRUZ

Debate, em Alto Estilo, do Planejamento na Área da Saúde

Paulo Marchiori Buss*

Esta Coletânea constitui-se em um painel sobre a situação da doutrina do planejamento de saúde na América Latina. E uma caracterização histórica da evolução do discurso do planejamento de saúde, em termos da superação relativa do paradigma normativo, economicista (representado pelo modelo CENDES/ OPS, 1965) e da afirmação do paradigma estratégico ou interativo. Ambos os paradigmas são analisados do ponto de vista de suas racionalidades interna e externa, sendo dedicada uma particular atenção à análi-se do enfoque estratégico do planejamento, repreanáli-sen- represen-tado, principalmente, por dois autores desta Coletâ-nea, Mario Testa e Carlos Matus.

A crítica sistemática ao planejamento normativo configura o ponto de partida do enfoque desses dois autores; essa crítica se centra no caráter tecnicista e economicista de enfoque normativo, na sua rigidez interna, na exclusão das variáveis políticas, determi-nando uma falsa neutralidade metodológica etc. O en-foque estratégico, que surge como alternativa, propõe-se a incorporar a questão política do conflito no âmago da planificação, a qual assume, destarte, um caráter de racionalidade substantiva, em que a busca de ima-gens-objetivo acontece no interior de um processo con-traditório , onde vários atores participam ativa e criati-vamente de modo a diversificar as possibilidades do desenho representado pelo plano (este deixa de depen-der, portanto, de um único ator, como no enfoque normativo, isto é, do Estado). A vertente do enfoque estratégico de Mario Testa destaca os aspectos relati-vos ao poder em saúde, tido como o ponto de partida e de chegada da planificação.

Esta é encarada, assim, como instrumento social (não necessariamente do governo) de acumulação/de-sacumulação de poder. Os aspectos normativos, embu-tidos no plano, subordinam-se, portanto, àquele obje-tivo central. Matus, por outro lado, contribui para construir, a partir do econômico e do social, a proposta da planificação situacional, que enfatiza o caráter auto-referencial da explicação da situação virtualmente pla-nejável, o caráter social e essencial da produção dos fatos diagnosticáveis e a natureza interativa do cálculo da planificação.

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técni-cas de governo. Os trabalhos referentes ao organizador da Coletânea visam, finalmente, analisar sistematica-mente a obra dos autores mencionados e propor mode-los ou enfoques aplicados de formulação de políticas de saúde e de programação, baseando-se, para tal, no pensamento estratégico e principalmente na planifi-cação situacional.

Referências

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