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Open Resiliência e apoio social em idosos: uma interface com a qualidade de vida

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Academic year: 2018

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA INSTITUTO FEDERAL DE MATO GROSSO

PROGRAMA DE DOUTORADO – DINTER- PSICOLOGIA SOCIAL

RESILIÊNCIA E APOIO SOCIAL EM IDOSOS: UMA INTERFACE COM A QUALIDADE DE VIDA

SUSIMAUREM NAVARRO ROQUE

(2)

SUSIMAUREM NAVARRO ROQUE

RESILIÊNCIA E APOIO SOCIAL EM IDOSOS: UMA INTERFACE COM A QUALIDADE DE VIDA

Ana Raquel Rosas Torres Orientadora

Bernardino Fernández Calvo Co-orientador

(3)

R786r Roque, Susimaurem Navarro.

Resiliência e apoio social em idosos: uma interface com a qualidade de vida / Susimaurem Navarro Roque.- João

Pessoa, 2013.

261f. : il.

Orientadora: Ana Raquel Rosas Torres

Coorientador: Bernardino Fernández Calvo

Tese (Doutorado) – UFPB-IFMT 1. Psicologia social. 2. Idoso - resiliência. 3. Apoio social. 4. Idoso - qualidade de vida.

UFPB/BC CDU: 316.6(043)

(4)

SUSIMAUREM NAVARRO ROQUE

RESILIÊNCIA E APOIO SOCIAL EM IDOSOS: UMA INTERFACE COM A QUALIDADE DE VIDA

Tese apresentada ao Programa de Doutorado Interinstitucional em Psicologia Social da Universidade Federal da Paraíba e do Instituto Federal de Mato Grosso, por Susimaurem Navarro Roque, sob a orientação da Profª Drª Ana Raquel Rosas Torres e co-orientação do Prof. Dr. Bernardino Fernández Calvo, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutora em Psicologia Social.

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RESILIÊNCIA E APOIO SOCIAL EM IDOSOS: UMA INTERFACE COM A QUALIDADE DE VIDA

SUSIMAUREM NAVARRO ROQUE Banca avaliadora:

__________________________________________________________________ Profª Drª Ana Raquel Rosas Torres (UFPB, Orientadora)

______________________________________________________________________ Prof. Dr. Bernardino Fernández Calvo (UFPB, Membro Interno – Co-orientador)

_____________________________________________________________________ Profª DrªMaria da Penha de Lima Coutinho ( UFPB, Membro Interno)

_____________________________________________________________________ Profª Drª. Ana Alayde Werba Saldanha Pichelli (UFPB, Membro Interno)

______________________________________________________________________ Profª Drª.Regina Lígia Wanderlei de Azevedo (UFCG, Membro externo)

___________________________________________________________________ Prof. Dr. José Luis Álvaro Estramiana (UCM, Espanha, Membro Externo)

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Dedico aos...

Meus pais Wilson Roque e Antônia Navarro Roque

Pela vida, amor e incentivos na minha vida

Meus filhos Fernando (in memória), Bruno e Filipe

Motivo do meu viver

Meu companheiro Robson Dantas

Pela presença, paciência e incentivo

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AGRADECIMENTOS

Este estudo é resultado de um longo trabalho realizado com o esforço e a colaboração de muitas pessoas. A todos que, de alguma forma, contribuíram para que este projeto se tornasse realidade, o meu profundo agradecimento!

Primeiramente a Deus que me deu força suficiente para persistir e continuar.

A minha orientadoraProfª Drª Ana Raquel Rosas Torres pela sua contribuição e pela gentileza em aceitar me orientar.

Ao Prof. Dr. Bernardino Fernández Calvo, pela co-orientação, ensinamentos, oportunidade, confiança e exemplo, certamente os grandes mestres ficam para sempre na nossa memória.

Aos professores que aceitaram participar da Banca Avaliadora desta tese. Agradeço a vocês pelo exemplo de pesquisadores comprometidos, ética e socialmente, com o avanço da área e com a promoção do pleno desenvolvimento humano.

Aos coordenadores Maria da Penha Coutinho, Rita Oliveira e Valdiney Gouveia que contribuíram incondicionalmente para a realização do Dinter, meus agradecimentos pelo constante apoio, dedicação e carinho.

Ao Prof. Dr. Márcio Coutinho que brilhantemente nos apoiou na estatística e proporcionou valiosas contribuições para esta pesquisa.

Aos meus pais Wilson Roque e Antônia Navarro Roque, pelo exemplo de vida, de persistência e força, o meu porto seguro.

(8)

Aos meus filhos Fernando, Bruno e Felipe, vocês sempre foram a base a partir da qual pude arriscar-me sem medo nesta vida!

Aos meus irmãos, por que mesmo distantes, estiveram sempre presentes na minha vida.

À Vânia Nadaf que além de colega de trabalho tornou-se uma amiga sem igual, obrigada por termos compartilhado tantas coisas: aprendizado, leituras, experiências, frustrações; muito obrigada pelo companheirismo, você contribuiu muito para a realização desse trabalho.

A minha amiga Monikey, pelo carinho e palavras de sabedoria, quando mais precisei. Aos amigos de Cuiabá e João Pessoa, que compartilharam esses momentos de minha vida, realmente amigos são tesouros valiosos.

À família Dinter obrigada pelo apoio e pela ajuda, sem os quais seria impossível realizar este trabalho.

(9)

Resumo

Os idosos são a parcela da população brasileira que mais cresce, sendo de suma importância conhecer as capacidades físicas, funcionais e sociais que fazem parte do seu cotidiano. A resiliência refere-se à capacidade de se acomodar e reequilibrar-se constantemente em situações adversas. Esta capacidade leva as pessoas a não perderem seu funcionamento psicossocial inicial. O apoio social tem sido evidenciado como fator de proteção à medida que as relações que se desenvolvem ao logo da vida podem influenciar na superação das adversidades através de mecanismos de controle emocional efetivo e cognitivo. A qualidade de vida para o idoso significa estar satisfeito com a vida atual e ter expectativas positivas em relação ao futuro. Neste contexto, investigamos a relação entre resiliência, apoio social e qualidade de vida em uma amostra de idosos de Cuiabá. O enfoque metodológico utilizado neste estudo caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa com delineamento transversal. A amostra é composta por 270 idosos do IFMT, de Centros de Convivência para Idosos e do Restaurante Popular. Foram utilizadas as escalas de Resiliência para idosos (RSA I; Nadaf, 2013), Suporte Social SSQ6 (Sarason, Sarason, Shearin e Pierce, 1987), Hospitalar de ansiedade e depressão (HADS, Zigmond &Snaith,1983) e Qualidade de vida WHOQOL-bref (Fleck et al.2002). No estudo foi confirmada a relação entre resiliência e as variáveis idade e

gênero. Os resultados mostraram que os mais idosos (mais de 75 anos) (M=161,30 e DP=

24,13) e as mulheres (M=157,01 e DP=26,90) apresentaram maiores escores em resiliência, confirmando a hipótese I e II. Foi observada correlação positiva e significativa entre resiliência e apoio social subjetivo (r = .20, p<.001), resiliência e qualidade de vida (r = .23, p<.05) e entre apoio social e qualidade de vida (r = .12, p<.05) na amostra estudada, confirmando as hipóteses IIIa, IVa e Va. Também foi observado que os idosos com maior apoio social apresentaram maiores escores em qualidade de vida (M=97,19 e DP=8,18) e os idosos com maior resiliência apresentaram maiores escores em apoio social (p<.001) e qualidade de vida (p<.001), confirmando as hipóteses IIIb, IVb e Vb. Diante destes resultados, pensamos que as perdas consequentes do envelhecimento podem ser compensadas através dos fatores protetores como a resiliência e o apoio social, promovendo melhores condições para que os idosos tenham melhor qualidade de vida.

(10)

Abstract

The elderly are agrowing segment of the population, based on that evidence it is extremely important to identify their physical, functional and social capabilities that have been presented in the routine of this population.The concept of resilience refers to the capabilities of humans to adapt and overcome risk and adversity. This ability causes people to not lose their initial psychosocial functioning.Social support has been defined as a protective factor that occurs as long as the relationships which have developedalong the life influence in overcoming adversities through mechanisms of effective cognitive and emotional control. The quality of life for the elderly means being satisfied with their current life and develops positive expectations about the future. In this context, it was investigated the relationship between resilience, social support and quality of life in a sample of elderly in Cuiabáa city in the state of Mato Grosso, in Brazil. This study counted on a methodology characterized as cross-sectional of quantitative approach. This study relied on a methodology characterized as cross-sectional quantitative approach. The sample consisted on 270 elderly Federal Institute of Mato Grosso - IFMT, Social Centres for the Elderly and Community Restaurant. It was used scales (RSA I; Nadaf, 2013) Social Support SSQ6 (Sarason, Sarason, Shearin e Pierce, 1987), Hospital, Anxiety and Depression Scale (HADS, Zigmond & Snaith, 1983) and Quality of Life WHOQOL-BREF (Fleck et al.2002). The results indicated that the older participants (over 75 years) (M=161.30,SD = 24.13) and the women (M=157.01, SD = 26.90) presented higher scores on resilience, confirming the hypotheses I and II. It was observed a significant positive association between resilience and subjective social support(r =.20, p<.001), resilience and quality of life (r = .23, p<.05)and social support and quality of life (r = .12, p<.05) at the studied sample, confirming hypotheses IIIa, IVa and Va. It was also observed that the elderly who scored higher on social support presented higher scores in quality of life (M=97,19 and DP=8,18)and theelderly who presented higher resilience presented higher scores in social support (p<.001) and quality of life (p<.001), confirming the hypothesis IIIb, IVb and Vb. Based on these results it isassumed that the consequential losses of aging might be compensated through the protective factors such as resilience and social support, promoting better conditions and also better quality of life for the elderly.

(11)

Resumen

Los ancianos son el segmento de la población que crece más y es muy importante conocer las habilidades físicas, funcionales y sociales que forman parte de la vida cotidiana. La resiliencia se refiere a la capacidad de acomodar yreequilibrarse a menudo en situaciones adversas. Esta capacidad hace con que las personas no pierdan su funcionamiento psicosocial inicial. El apoyo social ha demostrado ser un factor de protección en cuanto las relaciones que se desarrollan a lo largo de la vida pueden influir en la superación de las adversidades a través de mecanismos de control emocional, afectivo y cognitivo.La calidad de vida para los mayores significa estar satisfechos con su vida actual y tener expectativas positivas con relación al futuro. En este contexto, se investigó la relación entre resiliencia, apoyo social y calidad de vida en una muestra de ancianos de Cuiabá. El enfoque metodológico que se utilizó en este estudio se caracteriza como un estudio cuantitativo con diseño transversal. La muestra fue de 270 personas mayores del IFMT, Centros Sociales de convivio para Personas Mayores y del restaurante popular. Se utilizaron las escalas de resiliencia para ancianos (RSA I; Nadaf, 2013), Soporte Social SSQ6 (Sarason, Sarason, Shearin e Pierce, 1987), Hospitalaria de ansiedad y depresión (HADS, Zigmond & Snaith,1983) y calidad de vida WHOQOL-bref (Fleck et al.2002). El estudio confirmó la relación entre la resiliencia y las variables edad y sexo. Los resultados mostraron que los mayores (de 75 años)(M=161,30 e DP= 24,13) y las mujeres (M=157,01 e DP=26,90) presentaron escores más altos en resiliencia lo que confirmó la hipótesis I y II. Se observó una correlación positiva y significativa entre la resiliencia y apoyo social subjetivo(r = .20, p <.001), resiliencia y calidad de vida (r = .23, p <.05) y entre el apoyo social y calidad de vida (r = .20, p <.001), resistencia y calidad de vida (r = .23, p <.05) y entre el apoyo social y calidad de vida (r = .23, p <.05) en la muestra estudiada, lo que confirma las hipótesis IIIa, IVa y Va. También se observó que los ancianos con mayor apoyo social presentaron escores más altos en la calidad de vida (M=97,19 e DP=8,18) y los ancianos con mayor resiliencia presentaron escores más altos en el apoyo social (p <.001) y la calidad de vida (p <.001), lo que confirma las hipótesis IIIb, IVb y Vb. Frente a estos resultados, creemos que las pérdidas consecuentes del envejecimiento pueden ser compensadas a través de los factores de protectores, tales como la resiliencia y el apoyo social, promocionando mejores condiciones para que los ancianos tengan mejor calidad de vida.

(12)

Índice de figuras

PG Figura 1 População e Taxas Brutas de Mortalidade e Natalidade, Brasil

1950-2010

28

Figura 2 Velocidade do envelhecimento populacional dos países desenvolvidos e subdesenvolvidos (idosos com 65 anos ou +)

31

Figura 3 Brasil: População, participação relativa de grupos etários selecionados e índice de idosos 1980 - 2050.

32

Figura 4 Transição de fecundidade no Brasil 1940-2020 33

Figura 5 Determinantes do Envelhecimento Ativo 48

Figura 6 Definições de resiliência 68

Figura 7 Taxonomia das definições de qualidade de vida, segundo Farquhar

83

Figura 8 Porcentagem de idosos na população brasileira de 1940 a 2000 e previsão para 2025

145

(13)

Índice de tabelas

Tabela 1 Distribuição da população por grupo de idade e sexo 117 Tabela 2 Frequência absoluta e relativa, segundo as características

sociodemográficas dos idosos: estado civil, escolaridade e filhos

118

Tabela 3 Frequência absoluta e relativa, segundo as características sociodemográficas dos idosos: trabalho, distribuição de renda, moradia e plano de saúde

119

Tabela 4 Frequência absoluta e relativa, segundo as características sociodemográficas dos idosos: atividade física,satisfação com a saúde, satisfação com a vida, exames preventivos, atividade religiosa

120

Tabela 5 Relação da escala de resiliência RSI total com as variáveis sociodemográficas

121

Tabela 6 Relação da escala de resiliência RSI total com as variáveis sociodemográficas

122

Tabela 7 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão Otimismo 123 Tabela 8 Relação de valores sociodemográficos com a escala apoio social

SSQ6-total

124

Tabela 9 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão apoio objetivo SSQ6 N

125

Tabela 10 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão apoio subjetivo SSQ6 S

126

Tabela 11 Relação de valores sociodemográficos com a escala hospitalar-HADS-total

(14)

Tabela 12 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão Ansiedade da escala hospitalar-HADS

128

Tabela 13 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão Depressão da escala Hospitalar-HADS

129

Tabela 14 Relação de valores sociodemográficos com a escala qualidade de vida WHOQOL-bref total

130

Tabela 15 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão Física da escala WHOQOL-bref

131

Tabela 16 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão Psicológica da escala WHOQOL-bref

132

Tabela 17 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão Relações Sociais da escala WHOQOL-bref

133

Tabela 18 Relação de valores sociodemográficos com a dimensão Meio Ambiente da escala WHOQOL-bref

134

Tabela 19 Relação de valores das variáveis sociodemográficos com a dimensão Faceta Geral da escala WHOQOL-bref

135

Tabela 20 Relação das escalas analisadas neste estudo e a variável Está satisfeito com a saúde?

136

Tabela 21 Relação entre as escalas analisadas no estudo e a variávelEstá satisfeito com sua vida?

137

Tabela 22 Correlação entre as variáveis de estudo RSI-total, SSQ6-total, HADS-total, WHOQOL-bref-total e suas dimensões.

139

(15)

Lista de siglas e abreviaturas

AVIDs - Atividades Básicas de Vida Diária AIVDs - Atividades Instrumentais de Vida Diária BPC- Benefício de Prestação Continuada

CCPD - Centro de Prevenção de Doenças

CEP-HUJM - Conselho de Ética do Hospital Júlio Miller CoBa - Competências Básicas

CoEx - Competências Expandidas

CPS/FGV - Centro de Politicas Sociais da fundação Getúlio Vargas DCNT - Doenças Crônicas não Transmissíveis

DNA -Desoxirribonucleico (ácido)

DSM - Manual de Diagnóstico de um Episódio Depressivo Maior HADS - Scale Hospital Anxiety and Depression Scale

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IEF - Índice de Expectativa das Famílias

IFMT - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

IPP - Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos MT - Mato Grosso

OMS - Organização Mundial da Saúde ONU - Organização das Nações Unidas PAIF- Programa de Atenção Integral a família

(16)

RSA - Escala de Resiliência para Adultos PR - Paraná

RN - Rio Grande do Norte

SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia SC - Santa Catarina

Setecs - Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social SOC - Seleção, Otimização e Compensação

SPSS - Statistical Package for the Social Sciences SSQ6 - Social Support Questionnaire 6

SUS - Sistema Único de Saúde

SESC/SP - Serviço Social do Comércio de São Paulo UFPB - Universidade Federal da Paraíba

UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

UnATI/UERJ - Universidade Aberta da Terceira Idade do Estado do Rio de Janeiro UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura WHO - Word Health Organization

(17)

Sumário

Introdução ...21

CAPÍTULO I – Envelhecimento...26

1.1 O envelhecimento e as diferentes abordagens...27

1.2 Teorias do envelhecimento...36

1.2.1 Teorias biológicas do envelhecimento ...36

1.2.2Teorias psicossociais do envelhecimento ...39

1.3 Vulnerabilidades em idosos ...41

1.3.1 Envelhecimento bem-sucedido ...45

1.3.2 Envelhecimento ativo ...47

1.3.2.1 Fatores determinantes à cultura e ao gênero (transversais) ...48

1.3.2.2 Fatores determinantes à saúde e ao serviço social ...49

1.3.2.3 Fatores determinantes aos aspectos comportamentais ...49

1.3.2.4 Fatores determinantes aos aspectos pessoais ...49

1.3.2.5 Fatores determinantes ao ambiente físico ...50

1.3.2.6 Fatores determinantes ao ambiente social ...50

1.3.2.7 Fatores econômicos determinantes ...51

1.3.2.7.1 Renda ...51

1.3.2.7.2 Proteção social ...51

1.3.2.7.3 Trabalho ...51

1.4 Políticas públicas de proteção social ao idoso ...52

CAPÍTULO II - Resiliência e apoio social em idosos ...57

2.1 Resiliência e desenvolvimento histórico do conceito ...58

2.2 O conceito de resiliência ...64

2.3 Resiliência e envelhecimento ...69

2.4 Apoio social como fator de proteção ao idoso ...74

(18)

3.1 Origem do constructo qualidade de vida ...80

3.2 Definições para a qualidade de vida ...82

3.3 Fatores que afetam a qualidade de vida em idosos ...88

3.4 A relação entre resiliência, apoio social e qualidade de vida ...95

PARTE II: Estudo Empírico...99

Contextualização do objeto de estudo ...100

CAPÍTULO IV – Método e procedimentos ...106

4.1 Delineamento do estudo ...107

4.2 Lócus ...107

4.3 Amostra ...107

4.4 Critérios de inclusão ...107

4.5 Instrumentos da pesquisa ...107

4.5.1 Questionário sociodemográfico ...107

4.5.2 Escala de resiliência para idosos (RSI, Nadaf, 2013-Hjemdal, Friborg, Martinussen, & Rosenvinge, 2006) ...108

4.5.3 Escala de suporte social (SSQ-6, Sarason, Sarason, Shearin, & Pierce, 1987) ...109

4.5.4 O questionário breve de avaliação de qualidade de vida (WHOQOL-bref; Fleck et al., 2002) ...111

4.5.5 Escala hospitalar de ansiedade e depressão (HADS; Zigmond & Snaith, 1983) ...112

4.6 Procedimentos de coleta de dados ...113

4.7 Procedimentos éticos ...114

4.8 Processamento e análise dos dados ...115

4.9 Análise estatística ...115

CAPÍTULO V– Resultados ...116

5.1 Idade e sexo ...117

5.2 Estado civil, escolaridade e filho...117

(19)

5.5 Resultado das escalas do estudo (RSI, SSQ6, HADS, WHOQOL-bref) com variáveis

sociodemográficas ...120

5.6 Análise da relação entre as escalas de resiliência, apoio social, hospitalar, qualidade de vida e suas respectivas dimensões com as perguntas feitas aos idosos “Está satisfeito com sua saúde”? e “Está satisfeito com sua vida”? ...135

5.7 Correlação entre as variáveis do estudo ...137

5.8 Análise da relação entre as escalas do estudo, resiliência RSI, apoio social SSQ6, hospitalar HADS, qualidade de vida WHOQOL-bref e suas dimensões ...140

CAPÍTULO VI – Discussão ...143

6.1. Discussão sociodemográfica ...144

6.1.1 Quanto à idade ...144

6.1.2 Quanto ao gênero ...145

6.1.3 Quanto à situação conjugal ...148

6.1.4 Quanto ao número de filhos ...149

6.1.5 Quanto à escolaridade ...150

6.1.6 Quanto à renda ...151

6.1.7 Quanto à moradia ...153

6.1.8 Quanto à prática de atividade física ...153

6.1.9 Quanto à variável: Está satisfeito com sua saúde? ...154

6.1.10 Quanto à variável: Está satisfeito com a sua vida?...154

6.1.11 Quanto à religiosidade ...155

6.2 Relação da escala de resiliência e suas dimensões (coesão familiar e otimismo) com as variáveis sociodemográficas ...156

6.3 Relação da escala apoio social SSQ6 e suas dimensões SSQ6 N e SSQ6 S com as variáveis sociodemográficas ...165

(20)

6.5 Relação da escala qualidade de vida WHOQOL-bref e suas dimensões (física, psicológica, relações sociais, meio ambiente e faceta geral), com as variáveis

sociodemográficas ...171

6.6 Relação entre a escala de resiliência RSI e suas dimensões (coesão familiar e otimismo) com a escala apoio social SSQ6 e suas dimensões (objetiva SSQ6 N e subjetiva SSQ6 S)175 6.7 Relação entre a escala de resiliência RSI e suas dimensões (coesão familiar e otimismo) e a escala qualidade de vida WHOQOL-bref e suas dimensões (físico, psicológico, relações sociais, meio ambiente e geral) ...178

6.8 Relações entre a escala apoio social SSQ6 e suas dimensões (SSQ6 N e SSQ6 S) e a escala qualidade de vida WHOQOL-bref e suas dimensões (físico, psicológico, relações sociais, meio ambiente e geral) ...180

6.9 Limitações do estudo ...183

Considerações finais...185

Referências...189

Anexo ...234

(21)

21 Introdução

A humanidade caminha para o envelhecimento. Devido a esta constatação,este fenômeno tem recebido especial atenção dos pesquisadores em função de estar provocando mudanças na estrutura da população não só no Brasil, mas em todo o mundo. Este fato traznovos desafios e leva anovas reflexões com as quais se busca melhorar o entendimento sobre esta fase do desenvolvimento humano (Baltes, 2006; Camarano, 2004; Veras, 1995).

SegundoLourenço, Martins, Sanches e Veras (2005), dois fatores nos últimos 30 anos têm contribuído para esta mudança demográfica: a diminuição da fecundidade e o aumento da expectativa de vida.Como resultado tem-se, então, o aumento absoluto e relativo da população idosa brasileira. As estimativas mostram que no ano de 2020, os habitantes com 60 anos ou mais irão compor um contingente estimado de 32 milhões de pessoas. O crescimento desse segmento populacional situará o Brasil na 6ª posição entre os países com maiores índices de envelhecimento humano (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2010).

A maior longevidade dos brasileiros está relacionada às melhorias das condições de vida da população como campanhas de vacinação, água tratada, maior acesso a médicose melhor alimentação, o que reflete em melhor qualidade de vida e,consequentemente, no aumento da expectativa média de vida no Brasil.

(22)

22 da vida podem influenciar de maneira decisiva na vida do idoso. O conhecimento do processo de envelhecimento, a busca por uma vida saudável, o cuidado com a saúde e a prática de atividades físicas farão com que as pessoas envelheçam com qualidade de vida (“Envelhecimento e Saúde,” 2009; Kanashiro, 2012).

Neste contexto, o objetivo do envelhecimento deixa de ser apenas prolongar a vida e se torna, principalmente, de desenvolvimento da capacidade funcional de cada indivíduo idoso, de forma que ele permaneça autônomo e independente pelo maior tempo possível (Soares et al., 2001). Uma maneira de permanecer autônomo é promover a saúde, prevenirdoençase investir em políticas públicas que busquem o controle de fatores de risco e o estímulo a estilos de vida saudável que garantam a melhor qualidade de vida dos idosos.

O envelhecimento tem provocado inquietações em nível nacional e internacional, por este motivo diversas organizações têm procurado discutir sobre as questões do envelhecimento como: a Primeira e a Segunda Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento, oCongresso Mundial sobre o Envelhecimento, aConferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, asDeclarações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas (ONU), a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), oCentro de Controle e Prevenção de Doenças, entre tantos outros. O principal objetivo dessas organizações governamentais e não-governamentais é acriação de ações e programas para arrecadar recursos financeiros e promover o envelhecimento com qualidade de vida (Benedetti, Gonçalves,& Mota, 2007).

(23)

23 tendo como base valores capazes de garantir um patamar mínimo à subsistência da dignidade do ser humano (Camarano & Pasinato, 2004; Pessoa, 2009).

Para Battini, Maciel e Finato (2006), o envelhecimento populacional, acompanhado do progresso científico no controle de doenças e da saúde, aumentou a capacidade dos indivíduos de sobreviver favorecendo a mudança da mentalidade acerca da velhice, que passa a ser percebida como uma fase no desenvolvimento que não está ligada, exclusivamente, às incapacidades e perdas.

Para a OMS, qualidade de vida na velhice significa a manutenção da saúde em todos os seus aspectos: físico, emocional, social e espiritual. Segundo Santos, Santos, Fernandes e Henriques (2002), vários elementos são apontados como determinantes ou indicadores de bem-estar na velhice como longevidade, saúde biológica, saúde mental, satisfação com a vida, controle cognitivo, competência social, produtividade, atividade, eficácia cognitiva, status social, renda, continuidade de papéis familiares e ocupacionais e continuidade de relações informais com amigos. Neste novo caminhar científico, as reflexões recaem sobre as potencialidades do ser humano, ao invés de somente destacar as adversidades e eventos estressantes como ocorria no passado. Surge a necessidade de valorização da imagem da velhice e da identidade do sujeito idoso e, ainda, destacam-se pesquisas sobre a qualidade de vida desvinculando a velhice de um período de estagnação e improdutividade.

Diante dessa visão, o envelhecimento é entendido como parte integrante e fundamental no curso de vida de cada indivíduo. É nessa fase que emergem experiências e características próprias e peculiares, resultantes da trajetória de vida, sendo que umas têm maior dimensão e complexidade que outras, integrando assim a formação do indivíduo idoso.

(24)

24 adaptar e superar as adversidades e ainda desenvolver melhor qualidade de vida (Rowe & Kahn, 1997; Sullivan & Fisher, 1994).

Tem-se assim a necessidade de ressaltar a existência de uma rede de suporte social adequada e equilibrada que também parece minimizar os efeitos negativosdo envelhecimento, constituindo-se, por isso, em um fator de proteção para a população idosa. Assim, torna-se o objetivo geral deste estudo é investigar a relação entre resiliência eapoio social como suporte para a qualidade de vida em um grupo de idosos de Cuiabá. E os objetivos específicos: 1- Investigar as relações entre Resiliência e Apoio Social em uma amostra de idosos; 2- Estudar as relações entre Resiliência e Qualidade de Vida em uma amostra de idosos; 3- Avaliar as relações entre Apoio Social e Qualidade de Vida em uma amostra de idosos e 4- Investigar as relações entre as escalas do estudo (RSI, SSQ6, HADS e WOQOL-bref) e os dados sociodemográficos.

Para a consecução desse objetivo, estruturou-se esta tese emoito capítulos, divididos em duas partes, como seguem: Parte I – Marco Teórico–serão apresentados os fundamentos teóricos e conceituais que subsidiam esta pesquisa. Nela constam as discussões dos aspectos históricos dos constructos pesquisados, os quais estão divididos em três capítulos. No primeiro capítulo,serão apresentadas questões que envolvem o envelhecimento populacional e que o evidenciam como um fenômeno eminentemente contemporâneo, considerando principalmente o aumento do número de idosos no Brasil e as decorrentes transformações demográficas, sociais, econômicas, biológicas e culturais. Também serão discutidas questões que envolvem a vulnerabilidade frente ao envelhecimento, aos fatores de risco (depressão e ansiedade) e o bom envelhecimento aos olhos da teoria Life Spam.

(25)

25 que possibilitam aos idosos a adaptação e a superação de situações de crise e adversidades. Na última parte desse capítulo será revisado o apoio social como um fator protetor potencialmente importante para qualidade de vida dos idosos.Finalmente, no terceiro capítulo, se abordará a qualidade de vida e seus indicadores no envelhecimento.

Parte II – Empírico –serão apresentadas: a metodologia, a descrição e as discussões

(26)
(27)

27 Envelhecimento

1.1.O envelhecimento e as diferentes abordagens

O que era antes o privilégio de poucos, chegar à velhice, na atualidade passa a ser a norma, mesmo nos países mais pobres. O fenômeno da longevidade é uma das maiores conquistas do século XX, e se transformou em um grande desafio para o século XXI. É consenso mundial que simplesmente viver mais não basta, esse prolongamento da vida tem que ter qualidade (Lima-Costa & Veras, 2003).

O presente capítulo tem como objetivo compreender o fenômeno do envelhecimento da humanidade que passou a ocupar espaços importantes nas investigações científicas (Baltes & Baltes, 1990; Birren & Schroots, 2001;Rowe & Kahn, 1997). Ele tem sido analisado sob duas grandes perspectivas: o envelhecimento demográfico (o aumento do número de pessoas que estão envelhecendo) e o envelhecimento individual (maior longevidade).

Para Neri (2001), quando falamos em envelhecimento demográfico estamos nos referindo ao aumento da proporção das pessoas idosas na população total. Estima-se que mundialmente um milhão de pessoas a cada mês atinja 60 anos de vida e que até 2025, grande parte esteja situada em países em desenvolvimento (Neri, 2007).

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28 Figura 1:População e Taxas Brutas de Mortalidade e Natalidade, Brasil 1950-2010. Censos demográficos do IBGE 1970 a 2010 e Projeções UN/ES (1998).

Como se pode perceber, esses fatores contribuíram para a mudança na estrutura etária da população brasileira, o que fez aumentar o número de pessoas acima de 60 anos, idadeconsiderada como definidora do início do envelhecimento (OMS, 2005). Nem todos os países consideram a mesma idade para esseinício. No Brasil, é considerada como idosa –para a maioria das instituições que visam dar aos idosos, atenção à saúde, psicológica, social e física – apessoa que tem 60 anos ou mais de idade, enquanto que nos países desenvolvidos é necessário ter maisde 65 anos (Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas, Área Técnica Saúde do Idoso). Para facilitar a análise das diferenças entre os grupos etários ocorreram diversas propostas de reagrupamento que permitem diferenciar os grupos de idosos segundo a idade. Entre esses agrupamentos podemos citar os idosos mais jovens (de 60 a 75 anos) e idosos mais idosos (acimade 75 anos) (Camarano, 1999, 2004; Debert, 1999).

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29 • Meia-idade;

• Velhice;

• Velhice avançada; e • Velhice muito avançada.

Para esse autor, a meia-idade compreende a faixa etária situada de 40 a 65 anos, sendo que, neste período, os principais sistemas biológicos começam a apresentar declínios funcionais. Esses declínios podem variar entre 10 e 30% em relação aos valores máximos de quando essa pessoa era adulta jovem. Já a “velhice” considerada fase inicial da velhice, compreende o intervalo etário entre 65 e 75 anos e ocorre posteriormente à aposentadoria. Estudos apontam que ainda não se encontra um dano grande na homeostasia nesta fase, mas, mesmo assim, já pode ser encontrado algum dano substancial nas funções ligadas às atividades diárias. Já a “velhice avançada” é muitas vezes descrita como velhice “mediana” e compreende a faixa situada entre 75 e 85 anos.Pesquisas demonstram que, nesta etapa, os danos são mais substanciais nas funções ligadas principalmente às atividades diárias. Porém, nesta fase, o indivíduo ainda possui certa independência. O mesmo não ocorre na “velhice muito avançada,” que compreende a faixa etária acima dos 85 anos. Neste período os idosos normalmente requerem cuidados especiais, sejam institucionais, de enfermagem ou ambos.

Ainda sobre a distribuição dos grupos etários no período da velhice ou “das velhices,” Schaie e Willis (1996), propuseram três grupos etários:

• Velhos-jovens; • Velhos; e • Velhos-velhos.

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30 situados aqueles que estão na faixa etária de 75-80 a 90 anos e apresentam características de maior fragilidade física, mas diante do suporte pessoal e ambiental recebido, continuam levando uma vida completa. Enquanto que na faixa dos “velhos-velhos” estão os que possuem mais de 90 anos, que geralmente apresentam alguma desvantagem física ou mental, necessitando de maior apoio emocional e físico dos seus familiares.

Segundo Freitas (2004), o fenômeno do aumento do contingente de idosos foi notado primeiro nos países desenvolvidos. O envelhecimento populacional sempre esteve muito associado às regiões mais ricas do mundo. Os dados comprovam que nove entre os dez países com população superior a 10 milhões e com maior proporção de idosos encontram-se na Europa. Espera-se que até 2025 os indivíduos com idade acima de 60 anos irão compor aproximadamente um terço da população de alguns países europeus (OMS, 2005).

Nos países em desenvolvimento, esse fenômeno só começou a ocorrer a partir de 1950, e vem chamando a atenção para a necessidade da adoção de políticas específicas com o objetivo de propiciar um envelhecimento ativo, respeitando-se os direitos, as propriedades, as preferências, as capacidades e a dignidade dos idosos (Netto, 2002).

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31

Figura 2: Velocidade do envelhecimento populacional dos países desenvolvidos e

subdesenvolvidos (idosos com 65 anos ou +).Adaptado de “Why Population Aging Matters: A Global Perspective”, National Institute of Aging, National Institutes of Health, US Dept. of Health and Human Services, US Dept. of State, 2007.

Como exemplo pode-se citar o Brasil que, de forma muito rápida, atingiu altos índices de envelhecimento populacionais, acarretando a necessidade de se criar políticas públicas, particularmente voltadas para atender às crescentes demandas nas áreas da saúde, previdência e assistência social (Ministério da Saúde, 2010).

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32 Figura 3: Brasil: População, participação relativa de grupos etários selecionados e índice de idosos 1980 - 2050. Adapatado de “Censo Demográfico de 2002”, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2008.

Este aumento relativamente rápido da população idosa do Brasil traz impactos que repercutem profundamente em nossa sociedade, uma vez que altera seu perfil demográfico. Até o começo dos anos de 1980, a população brasileira era predominantemente jovem e as políticas públicas eram voltadas para atender as necessidades desta população.

Entretanto, o que vem chamando a atenção no Brasil é principalmente quanto ao envelhecimento individual, ou seja, a longevidade dos indivíduos, poisos idosos passaram a viver mais, alterando a composição dentro do próprio grupo etário. Este fenômeno é responsável pelo aumento do número de pessoas com mais de 80 anos. No ano de 2000, a população com 80 anos ou mais era 1,8 milhões, o que correspondia a 1,09% da população total e 13% da população considerada idosa (acima de 60 anos). No ano de 2020, a perspectiva é que essa população chegue a seis milhões, o que corresponderá a 2,7% da população total e a 19% da população idosa (Camarano & Pasinato, 2007).

A estimativa da vida humana no século XXI vem sendo ampliada, podendo chegar a 120 anos, graças ao progresso social e aos avanços da ciência (Neri, 2007).

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33 passado, quando o planejamento familiar era inexistente, e ainda não se usava os métodos artificiais de anticoncepção que somados à redução da mortalidade contribuíram para o aumento dessa população nas últimas décadas do século XX (Camarano, 2002).

Quanto à queda da fecundidade (Figura 4), pode ser analisada como resultante de vários fatores que provocaram a redução do número de filhos, como o processo de urbanização que impõe à mulher uma participação maior no mercado de trabalho, o uso de métodos contraceptivos, a esterilização da mulher em fase reprodutiva, as crises econômicas, entre outros. Esses fatores, quando associados, dificultam a vida das famílias, o que as faz preferir ter menos filhos (Camarano, 2000; Chaimowicz, 1997; Paschoal, 2005).

Figura 4: Transição de fecundidade no Brasil 1940-2020. Adaptado de “Censo Demográfico 1940-2010 e projeção 2020”

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34 Como consequência da queda na taxa de mortalidade, um maior número de pessoas passou a atingir a velhice. Contudo, o envelhecimento deixa de ser uma conquista individual de um grupo que conseguiu atingir certa condição de vida e passa a ser considerado um fenômeno social (Ministério da Saúde, 2011; Schroots & Birren, 1980, citado por Fonseca, 2006).

Na visão dos estudiosos (Netto, 2002;Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social[SEADS], 2009; Veras, 2002; Zimerman, 2000), é necessária a compreensão do envelhecimento de forma mais abrangente, que leve em consideração tambéma maneira como a pessoa se adapta ao envelhecimento e a forma como a sociedade vivencia e lida com a passagem do tempo, uma vez que esses fatores influenciam diretamente no envelhecimento.

Neste sentido, Schroots e Birren (1980, citado por Fonseca, 2006) apontam as três categorias de envelhecimento como sendo:

1 - O envelhecimento biológico, a que chamamos de senescência, designa as transformações que ocorrem nos sistemas orgânicos e funcionais reduzindo a sua capacidade biológica de autorregulação e, consequentemente, aumentando a probabilidade de morte. A exemplo pode ocorrer diminuição da densidade óssea, flacidez da pele, perda e aparecimento de cabelos brancos, perda da massa muscular e diminuição auditiva e visual, sendo estas algumas das modificações naturais do processo de envelhecimento. Apesar de todo o avanço da medicina em relação a novas descobertas e tratamentos de doenças, e também a novidades farmacológicas – por exemplo, o desenvolvimento de técnicas estéticas – até hoje nada tem impedido o fenômeno do envelhecimento e sequer o faz reverter.

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35 modificações que ocorrem com a idade. As alterações cognitivas situam-se entre o declínio ligeiro e o moderado (como por exemplo, no nível da velocidade perceptiva, da memória de trabalho ou da atenção complexa), havendo áreas em que o desempenho se mantém ou melhora (por exemplo, o fundo de conhecimentos ou o vocabulário). O ajustamento saudável às mudanças internas e externas impostas pelo envelhecimento depende do desenvolvimento, ao longo da vida, de um conjunto de competências associadas à maturidade (por exemplo, aceitação de si e dos outros, abertura a novas experiências, compaixão, harmonia interior, resistência à frustração, descoberta deum sentido para a vida).

3 - O envelhecimento social encontra-se marcado pela cultura e história de cada sociedade e refere-se ao desempenho de papéis sociais e às expectativas que a sociedade imputa à pessoa. No campo social ocorreu a massificação do envelhecimento e a desvalorização das competências adquiridas, bem como a valorização das novidades, o que mudou consideravelmente o conceito sobre o envelhecimento, levando os idosos a serem vistos como indivíduos improdutivos e consumidores de recursos sociais. A aposentadoria marca o começo dessa improdutividade e, para muitos, é considerada como a perda da autonomia e o começo da dependência e da limitação da vida social (Ferreira, 2007).

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36 diversas teorias sobre os diversos envelhecimentos e suas características que serão tratadas a seguir.

1.2 Teorias do envelhecimento

O fenômeno do envelhecimento, apesar de ser um processo natural da vida e comum a todos os seres humanos e animais, ainda é algo bastante desconhecido (Neto & Cunha, 2002). Na tentativa de explicar os diversos padrões de envelhecimento, os cientistas recorrem a uma série de teorias e hipóteses das quais trataremos em seguida.

1.2.1. Teorias biológicas do envelhecimento.

Segundo Farinatti (2002), as teorias biológicas do envelhecimento examinam o assunto sob a ótica da degeneração tanto da função quanto da estrutura dos sistemas orgânicos e das células. De forma geral podem ser classificadas em duas categorias: as de natureza genético-desenvolvimentista e as de natureza estocástica:

Genético-desenvolvimentistas (teorias sistêmicas) - estas entendem o

envelhecimento no contexto de um continuum controlado geneticamente e talvez programado. Que podem ser agrupadas em:

1- Teoria Metabólica - longevidade como função do declínio metabólico, de modo que alterações da taxa metabólica induzidas por temperatura e/ou dieta produziriam mudanças correspondentes na longevidade. São divididas em dois grupos:

• Teoria da taxa de vida: longevidade e taxa metabólica seriam inversamente proporcionais, entretanto o controle do metabolismo parece ser o motivo das diferenças de longevidade;

• Teoria do dano mitocondrial: declínio da função celular seria resultante de danos cumulativos de oxigênio sobre a mitocôndria, comprometendo gradualmente a produção de energia.

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37 formação de anticorpos que atacam as células do organismo provocando o envelhecimento. As células agem para destruir ou neutralizar os invasores preservando assim a homeostasia. Em um organismo em envelhecimento, o sistema imunológico parece deixar de ser capaz de distinguir os componentes normais dos invasores. Neste caso, o sistema imunológico ataca pequenas partes do corpo como se fossem invasores originando o fenômeno de autoimunidade (Farinatti, 2002; Neto & Cunha, 2002).

3- Teoria Genética - revela que o envelhecimento é a última etapa de um processo genético, definido e orientado. Para muitos estudiosos é considerado uma consequência da deterioração da informação genética necessária à formação das proteínas celulares. Esta instabilidade originaria modificações da molécula do DNA, advindo daí erro na síntese das proteínas (Farinatti, 2002).

4- Teoria Neuro-Endócrina - o envelhecimento é provocado pelo fracasso ou

insuficiência do sistema endócrino. A alteração na produção e liberação de certos hormônios explicaria essas mudanças. O sistema endócrino está em perfeita harmonia com o sistema nervoso para manter a homeostase (Lustri & Morelli, 2007; Neto & Cunha, 2002).

5- Apoptose - Sinais extracelulares dirigidos a um gene ou a um conjunto de genes

ativariam um programa de apoptose (morte celular programada). Diversas doenças seriam causadas pela falha em reprimir ou induzir a apoptose, porém não está claro seu papel na senescência (Neto & Cunha, 2002).

6- Fagocitose - Teoria comprovada experimentalmente, porém com ação restrita.

Segundo esta teoria, as células senescentes possuiriam proteínas de membranas típicas que as identificariam e marcariam como alvo para a destruição por outras células (Neto & Cunha, 2002).

De natureza estocástica - acreditam que o processo depende principalmente da

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38 manutenção das funções orgânicas e da vida. Entre elas destacam-se: Teoria do Erro-catástrofe, Teoria dos Radicais Livres, Teoria do Desgaste (Farinatti, 2002; Mota, Figueiredo,& Duarte, 2004).

1- Teoria do Erro-Catástrofe - Sugere que a ocorrência natural de erros nos processos de transcrição e/ou tradução do material genético seria o ponto de partida do envelhecimento celular. Os erros na produção enzimática, principalmente na produção de polimerases, poderiam alterar uma ou mais sequências de bases nitrogenadas e, consequentemente, o código genético, repercutindo na produção de proteínas anormais, comprometendo a renovação celular e, a longo prazo, a função de sistemas orgânicos inteiros (Lustri & Morellli, 2007; Neto & Cunha, 2002).

2- Teoria dos Radicais Livres - o envelhecimento e a morte celular provêm dos efeitos nefastos causados pelos radicais livres causando danos sobre o DNA que podem levar a mutações responsáveis pela neoplasia (Farinatti, 2002; Lustri & Morelli, 2007).

3- Teoria do Desgaste - se o organismo for comparado com uma máquina , parte do corpo pode sofrer maior desgaste que outras. Este desgaste provocaria as anomalias que levam à paragem dos mecanismos celulares (Farinatti, 2002; Neto & Cunha, 2002).

Vimos que várias teorias procuram explicar o envelhecimento do ponto de vista biológico. Algumas enfatizam o possível controle genético do envelhecimento celular, outras enfatizam as agressões externas a que estas células são permanentemente expostas. Mas todas ajudam a explicar as alterações que levam a uma diminuição nas habilidades do organismo decorrentes do envelhecimento biológico e a necessidade de adaptação do indivíduo ao meio.

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39 1.2.2 Teorias psicossociais do envelhecimento.

Algumas teorias psicossociais procuram explicar o envelhecimento e qual o impacto que este novo perfil populacional provoca sobre a sociedade e sobre o próprio idoso. Segundo Eliopoulos (2005), essas teorias são:

1-Teoria da Atividade - a existência de um consenso sobre relação entre as atividades sociais e a satisfação com a vida. Estudos desenvolvidos com idosos têm demonstrado que o índice de satisfação com a vida aumenta quando aumenta a participação em atividades sociais (Lima, 1999; Matsudo,Matsudo, & Neto, 2000). O menor índice de satisfação com a vida é proporcional à diminuição das atividades sociais. Cabe à sociedade reorganizar-se na busca de novos papéis de modo a manter a autoestima dos idosos para que estes obtenham mais satisfação e aprazo pela vida (Eliopoulos, 2005; Havighurst, 1963).

2-Teoria da Desinserção - No envelhecimento ocorre um desmembrar entre o indivíduo e a sociedade. As perdas – da função social, das relações interpessoais e sociais – são consideradas situações normais e rotineiras para o idoso. À medida que diminui a rotina diária, diminui a satisfação com a vida (Cumming, 1964, citado por Eliopoulos, 2005).

3-Teoria da Continuidade - Afirma que o envelhecimento é uma parte integrante e funcional do ciclo da vida, e não um período final. Sendo o idoso capaz de manter todos seus hábitos de vida, preferências, experiências e compromissos adquiridos durante a vida. E, nos últimos anos, a pressão que recebe provoca a adaptação de novos comportamentos, dando continuidade à vida (Neugarten, 1964, citado por Eliopoulos, 2005).

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40 5-Teoria da Gero-Transcendência - Ao envelhecer, as pessoas ficam menos preocupadas com aos bens materiais, com os relacionamentos de pouca importância, inclusive com os interesses pessoais. Buscam relacionamentos mais significativos e duradouros (Tornstom,1994, citado por Eliopoulos, 2005).

6-Teoria crítica - A abordagem desta teoria corresponde não ao estudo dos fatos naturais da velhice, mas sim ao estudo dos aspectos sociais que mostram que esses fatos são socialmente construídos e que, por isso, poderiam ser diferentes.

Estudos realizados na área dapsicologia do envelhecimento ou psicogerontologia têm procurado investigar as transformações que ocorrem ao longo da vida, conhecer os efeitos da longevidade, as modificações ocorridas nos corpos, os aspectos subjetivos deste processo, as mudanças de comportamentos, e os efeitos psíquicos do envelhecer, em que não só as perdas, mas também os ganhos podem ser perceptíveis no cotidiano (Altaman, 2011; Irigaray & Trentini, 2009; Lima, Silva,& Galhardoni, 2008; Neri, 2005, 2007).

O enfoque deste trabalho são os conceitos e modelos associados às teorias de desenvolvimento inspiradas no paradigma lifespan, na qual o envelhecimento é compreendido como um processo de transformações do organismo que ocorre após a maturidade sexual.

Embora muitas teorias busquem a criação de modelos positivos do envelhecimento baseadas na força e na diversidade do processo, essa fase traz muitas mudanças para os idosos, o que pode colocá-los em condições de vulnerabilidade.

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41 As teorias contemporâneas do desenvolvimento humano aceitam que as mudanças são mais marcantes em períodos de transição rápida e, por isso, é preciso expandir o escopo do entendimento dos seus estudos. Este é um paradigma atualmente consolidado, que possui um conjunto de princípios teóricos e empíricos que o sustentam.

Dentre as teorias que orientam este trabalho encontram-se:Erikson (1972) e Baltes (1999) que dão uma ênfase comum às relações estabelecidas entre a pessoa e o contexto, e também, dão visibilidade à necessidade de enquadrar o estudo do desenvolvimento humano nos cenários reais da sua própria existência (Fonseca, 2007, 2010).

Erikson (1972) considera o desenvolvimento como um fenômeno que ocorre desde o nascimento até a morte, de maneira interrupta é um processo que atravessa todas as fases da vida. Divide o desenvolvimento em oito estágios (do nascimento até a morte) o homem como um “diagrama epigenético”- termo que tomou emprestado da embriologia que significa “ algo que se revela ou se desdobra sucessivamente, e os estágios mais avançados estão contidos nos anteriores”. Em cada um deles existe um conflito entre tendências a crescimento ou expansão e tendências de estagnação e regressão (Neri, 2005, p. 34).

Baltes e Baltes, 1990 (citado por Neri, 1995),desenvolveram um modelo psicológico sobre uma velhice bem-sucedida, o qual associa a continuidade das competências comportamentais e a recuperação de déficit a processos de seleção, otimização e compensação (SOC), aplicados às limitações e às potencialidades para o funcionamento existentes na velhice.

1.3. Vulnerabilidades em idosos

Compreender as perdas e mudanças significativas ao longo dos anos determina a necessidade de entender a vulnerabilidade do idoso frente a essas mudanças.

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42 ou a um grupo social conforme a sua capacidade de prevenir, de resistir e de contornar potenciais impactos. De acordo com Ayres, França, Calazans e Saletti (2003) a vulnerabilidade pessoal compreende os aspectos biológicos, emocionais, cognitivos, atitudinais e referentes às relações sociais. Já a vulnerabilidade social é caracterizada por aspectos culturais, sociais e econômicos que determinam as oportunidades de acesso a bens e serviços, valorizando também o acesso aos meios de comunicação e a disponibilidade de usufruir de recursos cognitivos e materiais. Já o plano de vulnerabilidade programática refere-se aos recursos sociais necessários para a proteção do indivíduo a riscos à integridade e ao bem-estar físico, psicológico e social. Enfatiza ainda que a vulnerabilidade depende da combinação dos elementos dos três domínios no momento atual. Depende também das experiências relativas a cada um deles, no passado, e de como as pessoas lidaram e lidam com as facilidades e as dificuldades recorrentes do envelhecimento.

As pessoas vulneráveis são aquelas que, por diversas razões, não têm essa capacidade desenvolvida e que, por conseguinte, se encontram em situação de risco.

Segundo Garmezy (1993), o termo vulnerabilidade é utilizado para definir as suscetibilidades físicas e/ou psicológicas que podem potencializar os efeitos dos eventos estressores, predispor ao desenvolvimento de várias formas de psicopatologias e provocar alterações no desenvolvimento de uma pessoa submetida a situações ou fatores de risco.

Para Neri (2007), os eventos estressores que colocam os idosos em condição de vulnerabilidade ocorrem por que falta planejamento para atender as necessidades de natureza econômica, educacional, médica, habitacional e social no Brasil; e uma parcela significativa tem sofrido os efeitos da falta desses recursos.

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43 As alterações biológicas tornam o idoso menos capaz de manter o equilíbrio quando submetido a um estresse fisiológico. Segundo Erminda (1999), essas alterações, principalmente quando associadas à idade cronológica avançada, determinam maior suscetibilidade à ação de doenças, crescente vulnerabilidade e maior probabilidade de morte (Ministério da Saúde, 2001).

Por vulnerabilidade individual entende-se o que um indivíduo, na sua singularidade, pensa, faz e quer, e o que, ao mesmo tempo, o expõe ou não à aquisição de um agravo à saúde. Refere-se à idade, à hereditariedade, assim como ao tipo de informação de que a pessoa dispõe, e de como a utiliza (Ayres et al., 2003; Erminda, 1999).

Conforme Paz, Santos e Eidt (2006), a vulnerabilidade social do idoso decorre da diversidade de circunstâncias enfrentadas no cotidiano pela população envelhecida relacionada a aspectos sociais, políticos e culturais combinados: acesso a informações, grau de escolaridade, disponibilidade de recursos materiais, poder de influenciar decisões políticas, possibilidades de enfrentar barreiras. A vulnerabilidade social pode ser entendida, portanto, como um espelho das condições de bem-estar social, que envolvem moradia, acesso a bens de consumo e graus de liberdade de pensamento e expressão. Quanto menor a possibilidade de interferir nas instâncias de tomada de decisão referentes a sua vida, maior a vulnerabilidade dos cidadãos.

Estudos realizados por Netto (2002) salientaram que vários fatores sociais têm influenciado no envelhecimento, como os descritos a seguir:

• a má distribuição de renda – é a quarta pior do planeta, os 10% mais ricos se apropriam de quase metade do total dos rendimentos dos ocupados;

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• a brusca passagem de sociedade rural para urbana, na qual as famílias são menores e as mulheres saem de casa para trabalhar.

Além dos problemas sociais, o estresse, a pouca estimulação ambiental, a perda de relações sociais, associados à má nutrição, ao consumo de álcool, cigarros ou à presença de doenças podem determinar a vulnerabilidade física e psicológica e provocar perda da capacidade de adaptação dos idosos.

Em relação à vulnerabilidade institucional ou pragmática, esta engloba o acesso e a forma de organização dos serviços de saúde e programas voltados à prevenção, à assistência e ao controle e, ainda, a políticas públicas de saúde. Seu planejamento e execução ocorrem em níveis nacional, regional ou local, e os seus executores são os governos municipais, estadual e federal, ou até mesmo as organizações não-governamentais (Ayres et al., 2003; Erminda, 1999).

Socialmente, tanto no Brasil quanto em outros países, os idosos possuem vários direitos como direito a renda, trabalho, transporte, lazer, saúde e educação que, segundo Pinheiro (2006), têm o objetivo de promover a participação efetiva dessas pessoas na sociedade, assegurando-lhes condições de mobilidade e o exercício de seus direitos básicos. Se os direitos fossem respeitados ou mesmo estimulados gerariam forte impacto na vida dos idosos promovendo maior qualidade de vida.

Durante muito tempo a velhice foi entendida como uma etapa da vida capaz de provocar depressão, ansiedade e medos frente ao desconhecido que é a própria velhice. Na atualidade, é entendida como um acontecimento que pode ser uma experiência potencialmente bem sucedida na medida em que se busquemmecanismos de superação que possibilitem maior qualidade de vida aos idosos.

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45 qualidade de vida através da adaptação do indivíduo a esta nova etapa, na qual as consequências negativas são adiadas. Dentre essas novas propostas de envelhecimento podemos citar o “envelhecimento bem-sucedido” e o “envelhecimento ativo”.

1.3.1. Envelhecimento bem-sucedido.

A possibilidade de envelhecer de forma satisfatória ou bem-sucedida mesmo na presença do risco, acrescida de bem-estar, prazer e qualidade de vida vem sendo há muito tempo objeto de pesquisa de estudiosos interessados em compreender a última fase do ciclo da vida.

Apesar da vasta literatura nas últimas décadas em torno do Successful Aging (Envelhecimento bem-sucedido), persistem os debates em relação a seu conceito, por que o

que significa ser bem-sucedido para alguns pode não significar para outros. Para Depp e Jeste (2006) no envelhecimento bem-sucedido a plasticidade comportamental está preservada e são mantidas as características e a funcionalidade do idoso em níveis comparáveis aos de indivíduos mais jovens, excedendo os da maioria de seus contemporâneos.

Na sociedade ocidental, a busca pelo significado de envelhecimento bem-sucedido, iniciou em 1944, ano em que o American Social Science Research Council (ConselhoAmericana de Pesquisa Ciências Sociais) estabeleceu o Committee on Social Adjustment to Old Age (Comissão de Adequação Social à Velhice) (Torres, 1999). O trabalho

realizado por esse comitê iniciou discussão sobre seu conceito e promoveu o desenvolvimento de instrumentos de medidas que correlacionaram o bem-estar subjetivo aos fatores como autonomia, bem-estar psicológico, estratégias de enfrentamento e geratividade.

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46 O interesse sobre o conceito continuou crescendo durante os anos de 1960 e 1970, mas foi somente no final dos anos de 1980 com a publicação dos artigos Science: Human aging-usual and sucessful (Ciência Humana: envelhecimento-usual e bem-sucedido)e Physiological changes associated With aging (Mudanças psicológicas associadas ao envelhecimento), que o envelhecimento bem sucedido atingiu o auge de atenção novamente (Bearon, 1996).

No início da década de 1990 o conceito de envelhecimento bem-sucedido recebeu novo significado e passou a ser tratado por dois modelos teóricos: o deRowe e Kahn (1998), que foi baseado nos dados do estudo norte-americano “MacArthur Foundation Study” e de Baltes e Baltes (1990), que propôs o modelo teórico de “Seleção, Otimização e Compensação (SOC)” para representar, no âmbito das ciências psicológicas, as possibilidades de plasticidade comportamental e funcional em face das perdas associadas às últimas fases do ciclo de vida.

Para Rowe e Kahn (1998) o envelhecimento bem-sucedido inclui três domínios: 1- baixa probabilidade de doenças e de incapacidades relacionadas às doenças; 2- alta capacidade funcional cognitiva e física; 3- engajamento ativo com a vida. Ambas são importantes, mas é a combinação entre os fatores anteriores com o engajamento ativo com a vida que melhor representaria o conceito.

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47 A otimização refere-se à aquisição, aplicação, coordenação e manutenção de recursos internos e externos envolvidos no alcance de níveis mais altos de funcionamento. Pode ser realizada mediante a educação, a prática e o suporte social dirigido à cognição, à saúde, à capacidade atlética e a habilidades artísticas e sociais (Baltes et al.,1999).

Por sua vez, acompensação envolve a adoção de alternativas para manter o funcionamento. Como o uso de aparelhos auditivos, cadeiras de rodas, pistas visuais, deixas para auxiliar a memória entre outras estratégias (Baltes et al., 1999; Neri, 2006b).

Rowe e Kahn (1987) propuseram a diferença entre envelhecimento normal e envelhecimento bem-sucedido, e sugeriram a observação dos indivíduos com características fisiológicas e psicossociais acima da média na idade madura. No envelhecimento normal, os fatores extrínsecos intensificam os efeitos do envelhecimento por si só e no envelhecimento bem-sucedido os efeitos são positivos ou neutros.

Kahn (2002) observa que os modelos de Baltes e Baltes (1990) e Rowe e Kahn (1998) se completam. Uma vez que o primeiro considera a importância da satisfação com a vida, a participação social e os recursos psicológicos; e o segundo enfatiza a possibilidade de os indivíduos manterem e melhorarem a capacidade física e mental.

Diante dessa discussão emerge o conceito de envelhecimento ativo, adotado pela OMS nos anos 90. Envelhecimento ativo é definido como “o processo de otimizar oportunidades para saúde, participação e segurança de modo a realçar a qualidade de vida

na medida em que as pessoas envelhecem” (World Health Organization [WHO], 2002).

1.3.2. Envelhecimento ativo.

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48 participem da sociedade de acordo com as suas necessidades, desejos e capacidades; ao mesmo tempo, propicia proteção, segurança e cuidados adequados, quando necessários.

É reconhecida a influência de um conjunto de determinantes que interagem continuamente para o envelhecimento ativo (econômicos, comportamentais, pessoais, relacionados ao meio ambiente físico, social e aos serviços sociais e de saúde) transversalmente influenciados por aspectos relativos a gênero e cultura, como pode ser observado na Figura 5.

Figura 5:Determinantes do Envelhecimento Ativo. Adaptado de “Envelhecimento ativo: uma política de saúde”, Organização Mundial da Saúde, 2005.

1.3.2.1 Fatores determinantes à cultura e ao gênero (transversais).

Abrangem todas as pessoas e interferem na forma de envelhecer ativamente. São os valores culturais e as tradições que determinam como a sociedade encara as pessoas idosas e o processo de envelhecimento. É necessário desmistificar estereótipos sobre o envelhecimento e inserir valores sobre ética e cidadania (OMS, 2005).

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49 balanceada, a educação e até mesmo a lazer. E quando envelhecem, deixam o trabalho remunerado para cuidar da casa, dos filhos, netos, marido e dos idosos.

1.3.2.2. Fatores determinantes à saúde e ao serviço social.

Os sistemas de saúde em conjunto com o serviço social precisam agir no sentido de criar perspectivas de curso de vida que visem a promoção da saúde facilitando o acesso do idoso e promovendo a prevenção a longo prazo (OMS,2005).

1.3.2.3. Fatores determinantes aos aspectos comportamentais.

A adoção de um estilo de vida saudável, com prática de atividade física e alimentação balanceada, aliada a atitudes como manter-se ativo socialmente, não beber, não fumar, são cuidados que podem prevenir as doenças e o declínio funcional, aumentando a longevidade com qualidade de vida.

1.3.2.4. Fatores determinantes aos aspectos pessoais.

A biologia e a genética têm uma grande influência sobre o processo de envelhecimento. O envelhecimento representa um conjunto de processos geneticamente determinados, e pode ser definido como uma deterioração funcional progressiva e generalizada, resultando tanto em uma perda da capacidade de resposta adaptativa às situações de estresse, quanto em um aumento no risco de doenças relacionadas à velhice (Kirkwood, 1996).

Embora a biologia genética tenha uma forte influência sobre o processo de envelhecimento, para Gray (1996) são os fatores externos comportamentais e ambientais os causadores de doenças nos idosos.

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50 cognitivas (inclusive a rapidez de aprendizagem e memória) diminuem, naturalmente, com a idade. Entretanto, essas perdas podem ser compensadas por ganhos em sabedoria, conhecimento e experiência.

1.3.2.5. Fatores determinantes ao ambiente físico.

Ambientes físicos adequados à idade podem representar a diferença entre a independência e a dependência para todos os indivíduos, mas especialmente para aqueles em processo de envelhecimento. Por exemplo, pessoas idosas que moram em ambientes ou áreas de risco com múltiplas barreiras físicas saem, provavelmente, com menos frequência, e, por isto, estão mais propensas ao isolamento, depressão, menor preparo físico e mais problemas de mobilidade.

Os perigos no ambiente físico como a falta de moradia adequada, um sistema de transportes deficiente, ausência de água tratada e de ar limpo podem causar lesões incapacitantes e dolorosas nos idosos (OMS, 2005).

Para o idoso, a localização, incluindo a proximidade de membros da família, serviços e transporte podem significar a diferença entre uma interação social positiva e o isolamento.

1.3.2.6. Fatores determinantes ao ambiente social.

Apoio social, oportunidades de educação e aprendizagem permanente, paz e proteção contra a violência e os maus-tratos são fatores essenciais do ambiente social que estimulam a saúde, a participação e a segurança, à medida que as pessoas envelhecem. Solidão, isolamento social, analfabetismo e falta de educação, maus tratos e exposição a situações de conflito aumentam muito os riscos de deficiências e morte precoce.

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Figura 1:População e Taxas Brutas de Mortalidade e Natalidade, Brasil 1950-2010. Censos  demográficos do IBGE 1970 a 2010 e Projeções UN/ES (1998)
Figura  2:  Velocidade  do  envelhecimento  populacional  dos  países  desenvolvidos  e  subdesenvolvidos (idosos com 65 anos ou +).Adaptado de “Why Population Aging Matters:
Figura 3: Brasil: População, participação relativa de grupos etários selecionados e índice de  idosos  1980  -  2050
Figura 4: Transição de fecundidade no Brasil 1940-2020. Adaptado de “Censo Demográfico  1940-2010 e projeção 2020”
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