CAPÍTULO VI – Discussão
6.3 Relação da escala apoio social SSQ6 e suas dimensões SSQ6 N e SSQ6 S com as
Os resultados obtidos neste estudo mostraram relação significativa entre Apoio Social SSQ6-total e a variável atividade religiosa. Os que praticam atividade religiosa apresentaram maiores escores em apoio social.
Na literatura são vários os estudos que corroboram com os resultados encontrados. Arrossi (1994), Santos e Marcelino (1996), Spiegel (1997) e Valla (1998, 1999), em seus estudos, evidenciaram a relação entre apoio social e a prática da atividade religiosa, o que os levou a considerar que os espaços religiosos procuram valorizar os sentimentos de confiança e de pertencimento entre seus membros. À medida que o idoso vence o isolamento e se sente pertencente a uma comunidade participando das atividades, pode ressurgir o otimismo, a esperança e o restabelecimento da confiança em si mesmo. A percepção de apoio diminui o estresse e a raiva, e favorece maior reflexão no sentido de lidar com as situações mais desgastantes do dia a dia e se adaptar aos problemas (Lotufo, Lotufo,& Martins, 2009; Spiegel, 1997; Teixeira & Lefevre, 2008).
166 se manifesta a presença sagrada do sobrenatural, garante um âmbito simbólico onde buscar consolo e encontrar energias morais e orientação para enfrentar a incerteza apresentada pela angustiosa situação...”, para o idoso essa situação de angústia é provocada pelas incertezas do envelhecimento.
Visivelmente a atividade religiosa tem se constituído em apoio tanto social quanto emocional na prevenção de doenças físicas e mentais, que surgem a partir de situações estressantes vivenciados pelos idosos (Lotufo et al., 2009).
Na dimensão objetiva da escala de apoio social SSQ6 N a relação significativa ocorreu com a variável renda. Os que possuem maior renda (mais de sete salários) apresentaram maiores escores em apoio social objetivo (SSQ6 N).
A renda é importante preditor do apoio social objetivo (SSQ6 N) na medida em que reflete o acesso do idoso a moradia, plano de saúde, serviços práticos e recursos materiais como dinheiro e empréstimos de utensílios em caso de necessidade, garantindo-lhe certa independência. Estudos anteriores observaram que, entre os idosos, melhores níveis de apoio associam-se com melhores níveis de renda, independentemente do gênero (Rodrigues & Neri, 2012).
Embora a renda do idoso brasileiro não se compare à dos idosos dos países desenvolvidos, os dados levantados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE, 2007) apontaram que os mais velhos geraram 19,4% do rendimento total dos brasileiros. Passaram a responder por 64,5% do rendimento familiar. Como foi dito anteriormente, o idoso deste estudo continua com a condição de provedor das famílias consideradas de baixa renda. Para as famílias de maior renda esta se soma às dos demais membros para a manutenção da casa. Essa responsabilidade de continuar tendo familiares que dependem da sua renda pode ser considerada boa à medida que os idosos passam a usufruir dos cuidados que os familiares possam oferecer. Quando o idoso não consegue ajudar, pode
167 ocorrer sofrimento, e até mesmo isolamento familiar, colocando-o em situação de vulnerabilidade social (Santos & Pavarini, 2011).
Em estudo desenvolvido sobre o tema, Paz et al. (2006), confiam que a vulnerabilidade social do idoso decorre da diversidade de circunstâncias enfrentadas no cotidiano pela população envelhecida. Tais circunstâncias referem-se aos aspectos relacionados a questões culturais, sociais, econômicas, de saúde, entre outros.
Em estudo realizado por Brito (2011), no município de São Carlos-SP, que teve como objetivo verificar a associação entre apoio social de idosos com alterações cognitivas e os diferentes contextos de vulnerabilidade social foi encontrada correlação entre apoio social e renda familiar, número de pessoas residentes no domicílio e presença de criança coabitando com idosos.
Resultados semelhantes foram encontrado em estudo realizado por Pinto et al. (2006), em Tauquarituba-SP, cujo objetivo foi descrever as características do apoio social e identificar as relações com as variáveis sociodemográficas, em uma amostra de 52 idosos. Os resultados revelaram que os menores escores em apoio social foram para as mulheres, viúvos e solteiros e idosos com renda entre um e dois salários, nível considerado baixa renda.
Para a dimensão subjetiva do apoio social SSQ6 S as correlações significativas ocorrem com as variáveis filho e prática de atividade religiosa. Os idosos que possuem filhos e praticam atividade religiosa apresentaram maiores escores em apoio social subjetivo (SSQ6 S).
Estudos mostram que os idosos, mesmo vivendo em condições que desafiam sua integridade física e mental, quando percebem que contam com apoio dos amigos e dos familiares mais próximos como os filhos, netos e esposa (o) para ajudá-los em momentos de necessidade, mantêm maior senso de controle sobre a própria vida, o que diminui o estresse e proporciona maior habilidade para lidar com o cotidiano (Cockerham, 1991; Schulz,
168 Heckhausen,& O’Brien, 1994; Triadó & Villar, 2007).
Embora previsto na Constituição Brasileira no artigo art. 229 que cabe aos pais o dever de amparar os filhos menores, enquanto os filhos maiores são incumbidos de prestar auxílio aos pais na velhice, carência ou enfermidade, muitos estudos têm constatado que nem sempre as relações entre pais idosos e filhos acontecem da melhor maneira possível. Muitos idosos sofrem a dor e a humilhação do abandono de sua família, lhes são negado o afeto, o convívio e o próprio alimento, os danos não são apenas materiais, pois o sofrimento é tanto físico quanto emocional, contribuindo para o maior agravamento das limitações da própria idade. Além disso, a ausência deste apoio está associada com maior número de doenças e de mortalidade entre idosos (Neto, 2005; Orth-Gomer & Johnson, 1987; Steptoe et al., 2011).
Quanto à relação apoio social objetivo (SSQ6 S) e atividade religiosa, os que participam de atividade religiosa pontuaram mais alto em apoio social. A religião é evidenciada como um fator que influencia positivamente na vida do idoso. Por um lado, porque facilita os relacionamentos interpessoais diminuindo a sensação de vazio e solidão; e por outro porque se constitui em um suporte emocional para enfrentar as situações difíceis que o idoso enfrenta no dia a dia em função do envelhecimento. A religião pode fornecer um sentido, um significado à vida, que transcende o sofrimento, a perda e a percepção da proximidade da morte (Silva, 2012).
Estudo desenvolvido por Cardoso e Ferreira (2009), cujo objetivo foi investigar as inter-relações do envolvimento religioso com o bem-estar subjetivo em idosos – e do qual participaram 256 indivíduos de ambos os sexos, com idades variando de 60 a 90 anos – aponta a importância do suporte espiritual, emocional e social encontrado na religião responsável pelo bem-estar na velhice.
6.4. Relação da escala hospitalar e suas dimensões ansiedade HADS A e depressão