2019 1a Edição
C álCulo A vAnçAdo : n úmeros C omplexos e e quAções d iferenCiAis
Profa. Jaqueline Luiza Horbach Prof. Luiz Carlos Pitzer
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Profa. Dra. Jaqueline Luiza Horbach Prof. Me. Luiz Carlos Pitzer
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
H811c
Horbach, Jaqueline Luiza
Cálculo avançado: números complexos e equações diferenciais. / Jaqueline Luiza Horbach; Luiz Carlos Pitzer. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.
217 p.; il.
ISBN 978-85-515-0294-5
1. Cálculo avançado. – Brasil. 2. Números complexos. – Brasil. 3. Equações diferenciais. – Brasil. I. Pitzer, Luiz Carlos II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 515
A presentAção
Prezado acadêmico! Bem-vindo à disciplina de Cálculo Avançado:
Números Complexos e Equações Diferenciais. Neste livro iremos estender os assuntos que você já estudou nas disciplinas de Cálculo Diferencial e Integral e Equações Diferenciais. Este campo do conhecimento tem aplicabilidade em diversas áreas do conhecimento como em mecânica dos fluidos, eletrostática, entre outras. Você deve se sentir curioso e instigado a pesquisar outros materiais para relembrar e completar seu aprendizado.
Este material está dividido em três unidades, que abordam situações envolvendo funções complexas e equações diferenciais. Na primeira unidade apresentaremos os conceitos introdutórios de funções complexas, iremos relembrar a definição de um número complexo e estudar as principais funções complexas e então desenvolveremos os conceitos de limites e continuidade de funções de uma varável complexa.
Na Unidade 2 iremos continuar o estudo das funções complexas, entendendo o conceito de derivada e integral de funções complexas e com o auxílio desses conceitos definir funções analíticas, funções que possuem características e propriedades muito interessantes.
Já na sequência, Unidade 3, iremos apresentar três métodos de resolução para equações diferenciais.
Sabemos, acadêmico, que a disciplina de final de curso e você já deve saber que existem fatores importantes para o seu bom desempenho, mas sempre é bom relembrar alguns deles, como a disciplina, organização e um horário de estudos pré-definido, que são imprescindíveis para que você obtenha sucesso. Em sua caminhada acadêmica, você é quem faz a diferença.
Como todo texto matemático, por vezes denso, você necessitará de papel, lápis, borracha, calculadora, muita concentração e dedicação. Aproveitando esta motivação vamos iniciar a leitura do livro. A melhoria constante deve ser o objetivo de todo acadêmico.
Esperamos, que ao final do estudo, você consiga notar a evolução do seu entendimento matemático, e consiga aplicar os conhecimentos na sua área de atuação. Desta forma, a disciplina pretende oportunizar a compreensão da construção dos conhecimentos aqui trabalhados e servir de subsídio para os conhecimentos subsequentes.
Bons estudos!
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão.
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE.
Bons estudos!
NOTA
UNI
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!
UNIDADE 1 – FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS ... 1
TÓPICO 1 – NÚMEROS COMPLEXOS ... 3
1 INTRODUÇÃO ... 3
2 HISTÓRIA DOS NÚMEROS COMPLEXOS ... 3
3 A UNIDADE IMAGINÁRIA ... 6
4 FORMA ALGÉBRICA DOS NÚMEROS COMPLEXOS ... 8
5 OPERAÇÕES NA FORMA ALGÉBRICA ... 9
6 REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA ... 12
7 FORMA TRIGONOMÉTRICA OU POLAR DOS NÚMEROS COMPLEXOS ... 15
8 OPERAÇÕES NA FORMA TRIGONOMÉTRICA ... 17
RESUMO DO TÓPICO 1... 24
AUTOATIVIDADE ... 26
TÓPICO 2 – FUNÇÕES ELEMENTARES COM VARIÁVEIS COMPLEXAS ... 27
1 INTRODUÇÃO ... 27
2 FUNÇÕES POLINOMIAIS E RACIONAIS ... 27
3 FUNÇÕES EXPONENCIAIS E TRIGONOMÉTRICAS ... 32
3.1 FUNÇÃO EXPONENCIAL ... 33
3.2 FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ... 36
4 FUNÇÕES HIPERBÓLICAS ... 38
RESUMO DO TÓPICO 2... 46
AUTOATIVIDADE ... 47
TÓPICO 3 – LIMITE E CONTINUIDADE DE FUNÇÕES COMPLEXAS ... 49
1 INTRODUÇÃO ... 49
2 LIMITE DE FUNÇÕES COMPLEXAS ... 49
3 CONTINUIDADE DE FUNÇÕES COMPLEXAS ... 53
LEITURA COMPLEMENTAR ... 55
RESUMO DO TÓPICO 3... 66
AUTOATIVIDADE ... 68
UNIDADE 2 – OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM ... 69
TÓPICO 1 – DERIVADAS DE FUNÇÕES COMPLEXAS ... 71
1 INTRODUÇÃO ... 71
2 DERIVADA DE FUNÇÕES COMPLEXAS ... 71
3 EQUAÇÕES DE CAUCHY-RIEMANN ... 77
4 FUNÇÕES ANALÍTICAS ... 83
RESUMO DO TÓPICO 1... 86
AUTOATIVIDADE ... 88
s umário
TÓPICO 2 – INTEGRAL DE FUNÇÕES ANALÍTICAS . ...91
1 INTRODUÇÃO ...91
2 PARAMETRIZAÇÃO DE CURVAS NO PLANO REAL ...91
3 CURVAS NO PLANO COMPLEXO ...95
4 INTEGRAÇÃO ...103
4.1 INTEGRAL DEFINIDA ...103
4.2 INTEGRAL DE CAMINHO ...105
5 TEOREMA DE CAUCHY-GOURSAT ...112
RESUMO DO TÓPICO 2...114
AUTOATIVIDADE ...116
TÓPICO 3 – FUNÇÕES HARMÔNICAS ...119
1 INTRODUÇÃO ...119
2 FÓRMULAS INTEGRAIS DE CAUCHY ...119
3 FUNÇÕES HARMÔNICAS ...122
LEITURA COMPLEMENTAR ...128
RESUMO DO TÓPICO 3...137
AUTOATIVIDADE ...138
UNIDADE 3 – EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ...139
TÓPICO 1 – EQUAÇÕES DIFERENCIAIS – RESOLUÇÕES ...141
1 INTRODUÇÃO ...141
2 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ...142
3 SOLUÇÃO DE UMA EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ...144
4 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS DE PRIMEIRA ORDEM ...147
5 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS LINEARES DE SEGUNDA ORDEM ...150
RESUMO DO TÓPICO 1...153
AUTOATIVIDADE ...154
TÓPICO 2 – SÉRIE DE POTÊNCIA ...155
1 INTRODUÇÃO ...155
2 SÉRIE DE POTÊNCIA ...155
3 SÉRIES DE TAYLOR E MACLAURIN ...161
4 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ...162
RESUMO DO TÓPICO 2...168
AUTOATIVIDADE ...169
TÓPICO 3 – SÉRIE DE FOURIER...171
1 INTRODUÇÃO ...171
2 SÉRIE DE FOURIER ...171
3 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ...182
RESUMO DO TÓPICO 3...189
AUTOATIVIDADE ...190
TÓPICO 4 – TRANSFORMAÇÃO DE LAPLACE ...193
1 INTRODUÇÃO ...193
2 TRANSFORMADA DE LAPLACE ...193
3 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ...200
LEITURA COMPLEMENTAR ...203
RESUMO DO TÓPICO 4...214
AUTOATIVIDADE ...215
REFERÊNCIAS ...217
UNIDADE 1
FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você será capaz de:
• definir números complexos;
• definir funções de variáveis complexas;
• relacionar números complexos com funções trigonométricas hiperbólicas;
• definir e calcular limite de funções complexas;
• verificar a continuidade de funções complexas.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – NÚMEROS COMPLEXOS
TÓPICO 2 – FUNÇÕES ELEMENTARES COM VARIÁVEIS COMPLEXAS TÓPICO 3 – LIMITE E CONTINUIDADE DE FUNÇÕES COMPLEXAS
TÓPICO 1
UNIDADE 1
NÚMEROS COMPLEXOS
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro momento queremos recordar um assunto comumente estudado no ensino médio e que será importante para o desenvolvimento dos próximos tópicos, o estudo dos números complexos. Mesmo que a existência dos números complexos já tenha sido provada a muito tempo, eles continuam sendo estranhos para nós, já que eles não têm uma relação tão óbvia com o mundo real como os números reais.
Iniciaremos nossos estudos dos números complexos falando da parte histórica do seu surgimento e daremos continuidade com o desenvolvimento algébrico e sua representação gráfica. Veremos que os números complexos surgiram de uma aplicação indireta do nosso dia a dia e iremos perceber que os números complexos têm uma relação muito íntima com o plano cartesiano.
Caro acadêmico! Vamos, então, dar início aos estudos deste material, que trará uma contribuição significativa para você, nos estudos matemáticos.
2 HISTÓRIA DOS NÚMEROS COMPLEXOS
Algumas pessoas acreditam que o surgimento dos números complexos se deu nos estudos das equações algébricas de segundo grau. Todavia, esta afirmação, segundo historiadores, está equivocada. Quando resolvida a equação e não encontrada solução real, simplesmente admitiam que não havia solução, pois sempre buscavam uma solução possível para o problema real.
O surgimento dos números complexos está vinculado à resolução de problemas algébricos de terceiro grau. Tudo começa com um matemático italiano chamado Niccolo Fontana, que também é muito conhecido como Tartaglia.
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
FIGURA 1 – MATEMÁTICO ITALIANO NICCOLO FONTANA
FONTE: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0b/Niccol%C3%B2_Tartaglia.jpg>.
Acesso em: 1 out. 2018
A demonstração pode ser vista em:
<https://rrgoncalez.wordpress.com/2012/09/08/deducao-da-formula-de-tartaglia-ferro- cardano/>.
NOTA
Tartaglia desenvolveu um método que resolvia equações do 3º grau do tipo:
x3 + px + q = 0, com p e q números reais.
A fórmula pode ser observada a seguir:
2 3 2 3
3
q q p q q p
x = - + + + - - +
2 4 27 2 4 27
3
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
FIGURA 2 – MATEMÁTICO GIROLAMO CARDANO E SEU LIVRO “ARS MAGNA”
FONTE: <https://en.wikipedia.org/wiki/Gerolamo_Cardano#/media/File:Jer%C3%B4me_Cardan.
jpg> e <https://en.wikipedia.org/wiki/Ars_Magna_(Gerolamo_Cardano)#/media/File:ArsMagna.
jpg>. Acesso em: 1 out. 2018.
O problema é que Cardano não obteve avanço nesse assunto, pois não conseguia dar significado à fórmula quando encontrava uma situação como a da equação a seguir:
x3 - 15x -4 = 0.
Pois ao colocar os dados da equação na fórmula, obtinha:
3 3
x = 2+ -121 + 2 - -121.
Isso não fazia sentido, pois mesmo sabendo que 4 era solução, a fórmula se mostrava ineficiente pelas raízes quadradas negativas. Entretanto, Rafael Bombelli, que foi um discípulo de Cardano, conseguiu resolver este problema, resolvendo a equação pelo caminho inverso. Apesar do sucesso de Bombelli, o método inverso não era simples, pois contava com vários artifícios algébricos.
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
3 A UNIDADE IMAGINÁRIA
Cerca de 200 anos depois de Bombelli e Cardano, em 1777, o suíço Leonard Euler contribuiu com o tratamento dos números complexos, dando uma decisiva definição. Ele atribuiu a letra i para representar
-
1, que tem por consequência:i2 = - 1.
A esta representação, damos o nome de unidade imaginária.
FIGURA 3 – MATEMÁTICO LEONARDO EULER
FONTE: <https://micro.magnet.fsu.edu/optics/timeline/people/euler.html>. Acesso em: 1 out. 2018.
Como consequência das demais potências da unidade imaginária, podemos perceber que estas são cíclicas. Veja alguns exemplos:
( ) ( ) ( )
( ) ( )
0
2
i i i
i i.i i i
i i i
i i i i i i i i
i i i i i
1 2 3
4 2 2
5 4
6 4 2
7 6
1 1 1
1
1 1 1 1
1 1 1 1
=
=
= -
= = - = -
= = - - =
= = =
= = - = -
= = - = -
.
. .
. .
. .
. .
1 2 3
i
i i
i
i i
0 1
1
=
=
= -
= -
4 5 6 7
i
i i
i
i i
1 1
=
=
= -
= -
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
Perceba que os valores possuem um ciclo que se repete de 4 em 4. Desta forma, podemos resolver as potências da unidade imaginária com números inteiros, utilizando as propriedades de potenciação para números reais e do fato que i 2 = -1 ou de que i 4 = 1. Vejamos um exemplo:
Exemplo: qual é o valor de i357.
Resolução: para resolver esse exemplo, vamos apresentar dois métodos.
Método 1: utilizando do fato que i 2 = -1. Perceba que 357 pode ser escrito como:
357 = 2 . 178 + 1.
Logo i 357 = i 2.178+1
= i 2.178 .i1
= (i2)178.i
= (-1)178.i
= (+1).i
= i.
Perceba que nesta ideia devemos representar a potência como sendo o produto do número dois com o seu consequente, pois, cairemos sempre em uma potência com (-1).
Método 2: utilizando do fato que i4 = 1. Perceba que 357 pode ser escrito como:
357 = 4 .89 + 1 Logo
i 357= i4.89+1
= i 4.89. i1
= (i4)89. i
= 189. i
= i.
De uma forma resumida, basta dividir a potência por 4 e utilizar o resto da divisão para expressar a potência da unidade imaginária, porém vale a observação de que podemos resolver o mesmo problema de outras formas, mas que ambas recaíram em potências com os números 1 ou -1.
Com a definição da unidade imaginária, podemos determinar agora a raiz quadrada de um número negativo, o que até então não fazia sentido. Além disso, qualquer raiz com índice par e radicando negativo possui resolução. Vejamos dois exemplos de resoluções de equações quadráticas, que até os estudos dos números reais, não havia solução.
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
x2 + 64 = 0.
x2 =- 64.
x = ± √-64.
x = ± √64.(-1).
x = ± √64 . √-1.
x = ± 8i.
Portanto, a solução deste problema é s = {8i, - 8i}.
Exemplo: resolva a equação x2 - 6x +10 = 0
Resolução: utilizando da fórmula geral para equações quadráticas, teremos:
( ) ( )
b b ac
x
a x
x x
x i
x i
2
2
4 2
6 6 4 1 10 2 1
6 36 40 2
6 4
6 42 3 22 - ± -
=
- - ± - -
=
± -
=
= ± -
= ±
= ±
. . .
Portanto, a solução deste problema é s = {3 + 2i,3 - 2i}.
4 FORMA ALGÉBRICA DOS NÚMEROS COMPLEXOS
Note que, no exemplo anterior, as raízes da equação quadrática apareceram em um formato curioso, composto de uma parte real e outra parte um número também real multiplicando a unidade imaginária. A esta forma de representar números, chamaremos de conjunto dos números complexos e denotaremos por este conjunto.
Utilizando a letra z para representar um número complexo, denominamos de forma algébrica todo número com a seguinte característica, z = a + bi, em que a, b
∈
e i representa a unidade imaginária. O coeficiente a é denominado de parte real e que pode ser denotado por R e (z), enquanto e o coeficiente b é denominado de parte imaginária do número complexo e que pode ser denotado por Im(z).Perceba que como a e b podem assumir qualquer número real, o conjunto dos números complexos contém o conjunto dos números reais:
⊂ .
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
O conjunto dos números reais está contido no conjunto dos números complexos.
UNI
Veja alguns exemplos na tabela a seguir, de números complexos separados pela parte real e imaginária.
TABELA 1 – EXEMPLO DE NÚMEROS COMPLEXOS COM SUA PARTE REAL E IMAGINÁRIA Número
Complexo Parte Real Parte
Imaginária
z = 2 + 3i 2 3
w = -4 -4 0
m = -5i 0 -5
FONTE: Os autores
Para números cujo valor da parte real for zero, chamaremos de imaginário puro. Para que dois números complexos sejam considerados iguais, tanto a parte real quanto a parte imaginária devem ser iguais.
5 OPERAÇÕES NA FORMA ALGÉBRICA
O procedimento para operar com os números complexos na forma algébrica é igual às operações realizadas com números reais, apenas tendo o cuidado das potências da unidade imaginária. No caso da soma (ou subtração) de z = a + bi com w = c + di, o procedimento decorre da seguinte forma:
z + w = (a+c) + (b+d) i
Assim, para realizar a soma de dois números complexos, basta juntar as partes reais e as partes imaginárias. Todas as propriedades podem ser verificadas:
a) Comutatividade z + w = w + z
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
b) Associatividade ( z + w) + m = z + (w + m)
c) Existência de elemento neutro z + (0 + 0i) = z
d) Existência do elemento simétrico z + (-z) = (0 + 0i) = 0
A representação -z representa o oposto do número complexo, basta invertermos os seus sinais, da parte real e da parte imaginária.
NOTA
A subtração não precisa ser definida, pois basta realizar o oposto do número complexo para torná-la uma soma. Para a multiplicação, o procedimento acontece de forma análoga ao realizado em binômios multiplicados, onde realizamos a distributividade. Sendo z = a + bi e w = c + di, a multiplicação fica, então, assim definida:
z . w = (a + bi) (c + di) = ac + adi + bci + bdi 2 Como i2 = -1, então:
z . w = (ac - bd) + (ad + bc) i.
Propriedades válidas:
a) Comutatividade
z.w = w.z b) Associatividade
(z . w) . m = z .(w. m) c) Existência de elemento neutro
z . (1 + 0i) = z
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
d) Existência de elemento inverso ou inverso multiplicativo
( )
z i
.
1 1 0 1z = + =
Exemplo: Seja z = 4 - i, w = 2i e m = - 2 - 3i, determine:
a) z + w - m b) w + z . m Resolução a):
z + w - m = 4 - i + 2i - (-2 - 3i) = 4 - i + 2i + 2 + 3i
= 6 + 4i.
Resolução b):
w + z . m = 2i + (4 - i) . (-2 -3i) = 2i - 8 -12i + 2i +3i2 = 2i - 8 - 12i + 2i - 3
= -11 -8i.
Para resolver divisões entre números complexos, utilizaremos de uma estratégia algébrica que possui o nome de conjugado. Seja um número complexo z = a + bi, chamaremos e representaremos o conjugado de z por
z a bi = -
.Exemplo: seja z = 4 - 2i, w = 5i e m = -2, determine o conjugado de cada um:
Resolução:
z = 4 - 2i ⇒
z
= 4 + 2i w = 5i w = -5i m = -2 m = - 2.⇒
⇒
É intuitivo perceber que para determinar o conjugado de um número complexo, basta trocar o sinal da parte imaginária.
Nas operações com conjugados, são válidas as seguintes propriedades:
a)
( )
n( )
nz w z w
z z
z w z w . = .
= + = +
b)c)
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
e) Se z é real, então
z z =
Como já comentado, o conjugado de um número complexo tem um papel importante para resolver divisões. O fato decorre, pois, sempre que multiplicamos um número complexo pelo seu conjugado, obtemos um número real:
( ) ( )
2 2z . z = a + bi . a - bi = a + b .
Deste modo, para resolver uma divisão que apresente a parte imaginária, basta multiplicar o numerador e denominador da divisão pelo conjugado do denominador.
Exemplo: seja z = 2 - 3i e w = 1 + 2i, determine a divisão de z por w:
Resolução:
z i
w i
i i
i i
i i i
i i
2
2 2
2 3 1 2 2 3 . 1 2
1 2 1 2
2 4 3 6 1 2 4 7
4 7 . 5 5 5
= - +
- -
= + - - - +
= +
= - -
= - -
Para a operação de potenciação, poderíamos aplicar na forma de multiplicações sucessivas, porém nem sempre será conveniente, logo, para estes casos não convenientes e para determinação de raízes de números complexos, veremos um método mais eficiente no decorrer deste tópico.
6 REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA
Os números complexos possuem uma representação geométrica semelhante ao plano cartesiano. A diferença é que em vez de termos os eixos ortogonais chamados de abscissa e ordenada, teremos respectivamente, um eixo real e outro imaginário. O nome dado ao plano complexo é Plano de Argand-Gauss.
Todo número complexo na forma z = a + bi, pode se associar a um ponto no Plano de Argand-Gauss pelas coordenadas z = (a,b). A este ponto chamamos de imagem ou afixo de z.
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
GRÁFICO 1 – PLANO DE ARGAND-GAUSS
FONTE: Os autores
Como base na representação geométrica, surgem dois importantes conceitos, que são o módulo e o argumento do número complexo. No caso do módulo, este tem uma interpretação bem simples, compreende a distância da origem do Plano de Argand-Gauss até o afixo do número complexo. Normalmente é denotado por
z
ou pela letra gregaρ
(rô).GRÁFICO 2 – PLANO DE ARGAND-GAUSS
FONTE: Os autores
Para determinar o módulo, basta perceber pela ilustração anterior, que surge um triângulo retângulo. Então, basta utilizar o Teorema de Pitágoras para determinar uma expressão para o módulo
a b
2 2. ρ = + b
Re (z) z = (a, b)
a
ρ
lm(z) b
Re (z) a
z = (a, b)
lm(z)
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
Exemplo: determine o módulo do número complexo z = 4 - 6i.
Resolução: sendo a = 4 e b = -6
( )
a b
2 2
2 2
4 6
16 36 52 2 13 ρ = +
= + -
= +
=
=
Com uma definição tão elementar quanto a do módulo, o argumento compreende o arco delimitado pelo eixo real positivo ao segmento que une o afixo à origem do plano no sentido anti-horário. Denotaremos o argumento pela letra grega θ (teta).
GRÁFICO 3 – PLANO DE ARGAND-GAUSS
b
θ
Re (z) z = (a, b)
Im (z)
a
ρ
FONTE: Os autores
Utilizando as razões trigonométricas seno, cosseno e tangente, podemos montar as seguintes expressões:
b a b
sin cos tan
a.
θ θ θ
ρ ρ
= = =
Normalmente, o argumento está representado em radiano ou em graus.
Cabe ao leitor, por assuntos já estudados, ser capaz de operar com as duas unidades angulares.
Exemplo: determine o argumento do número complexo z = - 2 + 2i.
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
FONTE: Os autores
Resolução: como a = - 2 e b = 2 é intuitivo perceber que a localização do afixo de z é no 2º quadrante.
GRÁFICO 4 – PLANO DE ARGAND-GAUSS
θ
Re (z) -2
z = (-2, 2)
Im (z)
ρ 2
Para não precisar determinar o módulo, utilizaremos a razão trigonométrica da tangente.
b a
tan 2 1.
θ = = 2 = - -
Quais são as menores determinações de arcos, cujo valor da tangente corresponde a -1?
Ou é o arco de 135° ou 315°, porém como o afixo apresenta-se no 2º quadrante, podemos concluir que o argumento é:
3 rad
135 .
4 θ = ° = π
7 FORMA TRIGONOMÉTRICA OU POLAR DOS NÚMEROS COMPLEXOS
Uma forma muito importante para representar os números complexos é a trigonométrica ou polar. Para compreendermos como esta representação está definida, recordaremos alguns pontos considerados no item estudado anteriormente:
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
b b
sin θ ρ .sin θ
= ρ ⇒ = a
ea
cos θ ρ .cos . θ
= ρ ⇒ =
Trocando as duas considerações na forma algébrica, temos:
( )
z a bi
z i
z i
z cis .cos . .sin . cos .sin
. .
ρ θ ρ θ
ρ θ θ
ρ θ
= +
= +
= +
=
Esta representação é o que chamamos de forma trigonométrica ou polar. Nesta representação, as operações de multiplicação, divisão, potenciação e radiciação ficam mais simples de realizar. Antes de começarmos a mostrar como realizar tais operações, vejamos um exemplo que transforma um número complexo na forma algébrica para a trigonométrica.
Exemplo: determine a forma trigonométrica do número complexo
z = - 1 i 3
.Resolução: para determinar a forma trigonométrica, devemos determinar o módulo e o argumento do número complexo. Como a = 1 e
b = - 3
é intuitivo perceber que a localização do afixo de z é no 4º quadrante. Então, utilizaremos a razão trigonométrica da tangente.b a
tan 3 3.
θ = =-1 = -
Para tangente ser
- 3
no quarto quadrante, o argumento deve ser:5 rad
300 .
3 θ = ° = π
O módulo terá valor correspondendo a:
( )
a b
2 2
2 2
1 3
1 3 2.
ρ= +
= + -
= +
=
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
Portanto, a representação trigonométrica será:
z i
z cis
5 5
2. cos .sin
3 3
2. 5 . 3
π π
π
= +
=
Em casos em que for necessário realizar o processo contrário (trigonométrico para algébrico), basta determinar os valores de seno e cosseno e realizar a distributiva do módulo.
8 OPERAÇÕES NA FORMA TRIGONOMÉTRICA
Para realizar as operações de multiplicação, divisão, potenciação e radiciação, a forma trigonométrica mostra-se bem útil. A simplicidade se dá nas operações que devem ser feitas, transformando multiplicações em somas, divisões em subtrações, potenciações em multiplicações e radiciações em divisões, semelhante ao que acontece com as funções logarítmicas.
Utilizaremos, para as considerações a seguir, dois números complexos:
( )
( )
z i
z i
1 1 1 1
2 2 2 2
. cos .sin . cos .sin
ρ θ θ
ρ θ θ
= +
= +
• Multiplicação:
( ) ( )
( )
( )
( )
z z i i
i i i
i
i
1 2 1 1 1 2 2 2
2
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
1 2 1 2
. . cos .sin . . cos .sin
. . cos .cos cos . .sin .sin .cos .sin .sin . . cos .cos sin .sin . sin .cos cos .sin
. . cos .s
ρ θ θ ρ θ θ
ρ ρ θ θ θ θ θ θ θ θ
ρ ρ θ θ θ θ θ θ θ θ
ρ ρ θ θ
= + +
= + + +
= - + +
= + + in ( θ θ
1+
2) .
Podemos generalizar a multiplicação para:( ) ( )
z
1⋅ ⋅ ... z
n= ρ
1⋅ ⋅ ... ρ n . cos θ
1+ + ... θ n i + .sin θ
1+ + ... θ n .
cosseno da soma de dois arcos seno da soma de dois arcos
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
• Divisão:
( )
( )
( )
( ) ( )
( )
z i
z i
i i
i i
i i
i
1 1 1
1
2 2 2 2
1 1 2 2
1
2 2 2 2 2
1 1 2 1 1 2 2 1 2
2 2
2 2 2
1 2 1
1 2
. cos .sin . cos .sin
cos .sin cos .sin
. .
cos .sin cos .sin
cos .cos .cos .sin .cos .sin .sin
. cos sin
cos .cos .cos .s .
ρ θ θ
ρ θ θ
θ θ θ θ
ρ
ρ θ θ θ θ
ρ θ θ θ θ θ θ θ
ρ θ θ
θ θ θ
ρ ρ
= +
+
+ -
= + -
- -
= +
= -
( )
( ) ( )
i i
i
2 1 2 2 1 2
2 2 2
2
1 1 2 1 2
2
in . sin .cos .sin .sin
cos sin
. cos .sin .
θ θ θ θ θ
θ θ
ρ θ θ θ θ
ρ
+ -
+
= - + -
Algumas considerações importantes que podemos perceber sobre as operações na forma trigonométrica é que no caso da multiplicação de números complexos, basta multiplicar os módulos e somar os argumentos e, de forma análoga, na divisão, dividir os módulos e subtrair os argumentos. Em uma visão geométrica, a multiplicação e divisão podem ser compreendidas como a rotação do número complexo que está sendo operado pelo outro e a ampliação ou a redução do seu módulo (homotetia). Veja, no exemplo a seguir, o vetor z sendo multiplicado pelo vetor w.
cosseno da diferença de dois arcos | seno da diferença de dois arcos
igual a 1
GRÁFICO 5 – REPRESENTAÇÃO DA MULTIPLICAÇÃO DE DOIS NÚMEROS COMPLEXOS
θ w
θ
Re (z) z . w
z
Im (z)
FONTE: Os autores
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
Perceba que z rotacionou θ (o argumento de w) e alterou o seu módulo.
DICAS
• Potenciação:
A fórmula que será apresentada é atribuída ao matemático francês Abraham de Moivre (1667-1754), chamada de 1ª Fórmula de Moivre. Utilizando recursivamente da multiplicação:
( ) ( )
z
1⋅ ⋅ ... z
n= ρ
1⋅ ⋅ ... ρ n . cos θ
1+ + ... θ n i + .sin θ
1+ + ... θ n .
Caso todos os números complexos sejam os mesmos, teremos:( ) ( )
z ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ... z ρ ... ρ . cos θ + + ... θ + i .sin θ + + ... θ
( ) ( )
n n
z = ρ . cos . n θ + i .sin . n θ .
A demonstração pode ser feita utilizando indução matemática.
• Raízes complexas
Antes de determinarmos uma fórmula para as raízes dos números complexos, vamos considerar a seguinte colocação:
“para todo
z ∈
, existe umw ∈
tal que zn = w comn∈
, n > 1”.Sendo:
( )
( )
z i
w r i
. cos .sin . cos .sin
ρ θ θ
α α
= +
= +
n vezes n vezes n vezes n vezes
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
Perceba que zn = w está implicando z= wn .
NOTA
Então:
( ) ( ) ( )
. cos .sin . cos .sin .
n n
z w
n i n r i
ρ θ θ α α
=
+ = +
O que implica:
2 . , 2 . .
n r r r
n k k k
n
ρ ρ
α π
θ α π θ
= ⇒ =
= + ∈ ⇒ = +
Quando atribuímos a expressão
2 .k π
, estamos considerando todos os arcos possíveis.DICAS
Assim:
2 . 2 .
. cos .sin .
n n
k n
z w z w
k k
z r i
n n
α π α π
= ⇒ =
+ +
= +
Perceba que cada zk proporcionará uma raiz, porém haverá apenas n raízes, como pode ser notado a seguir.
Para k = 0
0
2 .0 2 .0
. cos .sin
z
nr i
n n
α π α π
+ +
= +
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
0 n
. cos .sin .
z r i
n n
α α
= +
Para k = 1
1
1
2 .1 2 .1
. cos .sin
2 2
. cos .sin .
n
n
z r i
n n
z r i
n n
α π α π
α π α π
+ +
= +
+ +
= +
Repetindo o processo n vezes.
Para k = n
n n
n n
n n
z r i
n n
z r i
n n
2 . 2 .
. cos .sin
. cos 2 .sin 2 .
α π α π
α π α π
+ +
= +
= + + +
Note que em k = n, o argumento é congruente ao k = 0. Portanto, de 0 até n - 1, haverá n raízes. Fica então estabelecido que para um certo
z = ρ . cos ( θ + i .sin θ )
,a n
z
fica determinado por:{ }
2 . 2 .
. cos .sin , 0,1,..., 1 .
n n
k
k k
z z i k n
n n
θ π θ π
ρ + +
= = + ∈ -
Esta fórmula é conhecida como a 2ª Fórmula de Moivre.
Exemplo: determine a raiz quarta do número complexo:
z 16. cos i .sin .
3 3
π π
= +
Resolução: utilizando da 2ª Fórmula de Moivre, temos que
{ }
4 4
2 . 2 .
3 3
16. cos k .sin k , 0,1,2,3 .
z z i k
π π π π
+ +
= = + ∈
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
Para k = 0
0
0
2 .0 2 .0
3 3
2. cos .sin
4 4
2 cos .sin .
12 12
z i
z i
π π π π
π π
+ +
= +
= +
Para k = 1
1
1
1
2 .1 2 .1
3 3
2. cos .sin
4 4
7 7
2 cos .sin
3 3
4 4
7 7
2 cos .sin .
12 12
z i
z i
z i
π π π π
π π
π π
+ +
= +
= +
= +
Para k = 2
2
2
2
2 .2 2 .2
3 3
2. cos .sin
4 4
13 13
2 cos .sin
3 3
4 4
13 13
2 cos .sin .
12 12
z i
z i
z i
π π π π
π π
π π
+ +
= +
= +
= +
TÓPICO 1 | NÚMEROS COMPLEXOS
Para k = 3
3
3
3
2 .3 2 .3
3 3
2. cos .sin
4 4
19 19
2 cos 3 .sin 3
4 4
19 19
2 cos .sin .
12 12
z i
z i
z i
π π π π
π π
π π
+ +
= +
= +
= +
Portanto, o conjunto solução na forma trigonométrica será:
2. cos .sin ,
12 12
7 7
2. cos .sin ,
12 12
13 13
2. cos .sin ,
12 12
19 19
2. cos .sin
12 12
i i s
i i
π π
π π
π π
π π
+
+
=
+
+
Neste tópico, você estudou que:
• A unidade imaginária é definida por
i = - 1
e i2 = -1.• As potências sobre a unidade imaginária acontecem de forma cíclica, variando entre 1, i, -1 e -i.
• Os números complexos na forma algébrica possuem a seguinte característica, z
= a + bi, em que a, b ∈
e i representam a unidade imaginária. O coeficiente a é denominado de parte real e denotado por Re(z), e o coeficiente b é denominado de parte imaginária e será denotado por Im(z).• Valem as seguintes igualdades:
i0 = 1 i4 = 1 i1 = i i5 = i i2 = -1 i6 = -1
i3 = -i i7 = -i
• As operações de soma, subtração, multiplicação e potenciação na forma algébrica procedem da mesma forma que a das operações entre binômios, cuidando apenas da potência da unidade imaginária.
• O Plano de Argand-Gauss é o plano em que representamos os números complexos com um eixo horizontal dos reais e vertical da parte imaginária.
• Com a representação no Plano de Argand-Gauss:
o Os afixos (pontos) representam a posição do número complexo neste espaço.
o A distância do afixo até a origem chamamos de módulo.
(
z ouρ )
.2 2
a b ρ = +
o O arco delimitado pelo eixo real positivo ao segmento que une o afixo à origem do plano no sentido anti-horário chamamos de argumento. (θ)
sin b cos a tan b
θ θ θ a
ρ ρ
= = =
RESUMO DO TÓPICO 1
• A representação trigonométrica ou polar é determinada por:
( )
. cos .sin .
z i
z cis
ρ θ θ
ρ θ
= +
=
• As operações na forma trigonométricas ficaram assim definidas:
o Multiplicação
( ) ( )
1 2
.
1. . cos
2 1 2.sin
1 2.
z z = ρ ρ θ θ + + i θ θ +
o Divisão
( ) ( )
1 1
1 2 1 2
2 2
. cos .sin .
z i
z
ρ θ θ θ θ
ρ
= - + -
o Potenciação
( ) ( )
. cos . .sin . .
n n
z = ρ n θ + i n θ
o Radiciação{ }
2 . 2 .
. cos .sin , 0,1,..., 1 .
n n
n
k k
z z i k n
n n
θ π θ π
ρ + +
= = + ∈ -
Acadêmico! O processo de entendimento total do conteúdo finaliza aqui. Utilize estas questões para realmente absorver os conteúdos explorados neste tópico. Bom estudo!
1 Determine as raízes da função f: ∈ definida por f (x) = x2 + 4x + 5.
2 A forma algébrica do complexo: z = 3
+
6 . 7 6
cos 7
π π
sen
i é?
3 O inverso do número complexo z = 2 + i é?
4 Determine o número complexo z tal que:
z
= 3i97 + 2i75 + 9i18.5 A forma trigonométrica (ou polar) do número complexo
( ) 1 1 i i
2-
+
tem argumento (em graus e radinhos) igual a?6 Se m(cos θ + i sen θ) = 1 + i, e 0
≤ θ ≤
2π
, então os valores respectivos de m e θ (em radianos) são?7 Calcule o número complexo: i126 + i-126 + i31 - i180 .
8 Considere, z1 = – 3 + 3i e z2=4 + 2i A representação polar de
z z
1+
2 é?9 A forma algébrica do complexo, z =
2 ⋅
+
6 . 7 6
cos 7
π
i senπ
, é?10 Da questão 2, determine na forma trigonométrica z20.
11 Determine a raiz cúbica do número complexo:
27. cos 3 .sin 3 .
4 4
z π i π
= +
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 2
FUNÇÕES ELEMENTARES COM VARIÁVEIS COMPLEXAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, agora que já relembramos o que são números complexos e suas principais propriedades, vamos estender nosso conhecimento apresentando algumas funções complexas. As funções que estudaremos são funções conhecidas, porém o domínio dessas funções serão os números complexos e não os números reais, como estamos acostumados. No final desse tópico iremos introduzir funções novas e que só fazem sentido no contexto dos números complexos, são as funções trigonométricas hiperbólicas. No Tópico 3 vamos trabalhar com limites e continuidades de funções complexas, por isso é importante que você entenda muito bem todas as funções trabalhadas neste tópico, elas serão a base para o estudo do Tópico 3.
2 FUNÇÕES POLINOMIAIS E RACIONAIS
Neste primeiro subtópico iremos abordar funções elementares mais simples, funções a que já estamos acostumados, mas agora com domínio de definição os números complexos.
Sempre que estivermos falando de funções complexas, iremos usar a seguinte notação
f: → z f (z)
mesmo que a função tenha como imagem um número real.
Como no tópico anterior aprendemos a somar, subtrair, multiplicar e dividir números complexos, então faz sentido operarmos com os números complexos, mesmo que um deles seja variável, assim temos algumas funções preliminares, com z ∈ a variável complexa:
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
1) Função constante: f (z) = a, a ∈ . 2) Função translação: f(z) = z + a, a ∈ . 3) Função rotação: f (z) = az, a ∈ .
4) Função n-ésima potência: f(z) = zn, n ∈ . 5) Função inversão:
f z ( ) = 1 z
, com z ≠ 0.Neste subtópico vamos estudar funções complexas que são combinações das anteriores.
Lembre-se de que quando começamos a estudar funções, primeiro aprendemos o que são funções constantes, funções afim, funções quadráticas e polinômios de grau n. Aqui nosso primeiro passo é entender o que é uma função constante no contexto dos números complexos.
Seja a0 ∈, dizemos que f (z) = a0 é uma função constante.
São exemplos de funções constantes:
a) f (z) = 2i
b) f (z) = 3 - i
Você pode observar que, independentemente do valor de z que considerarmos, o valor da função continua o mesmo.
Vamos agora definir uma função polinomial de primeiro grau, dados a0 e a1 números complexos, dizemos que uma função polinomial complexa é da forma
f (z) = a1z + a0
Um exemplo de função polinomial complexa do primeiro grau é f (z) =(2 + i)z - 7 - i .
Vamos calcular o valor numérico da função f (z) =(2 + i)z + 7 - i em alguns pontos. No ponto z = 1 + i, temos que
f (1 + i) = (2 + i)(1 + i) -7 -i
= 2 + 2i + i + i2 - 7 - i
= - 5 + 2 i + i2
= - 5 + 2i - 1 = - 6 + 2i.
No ponto z = 3 - i
f (3 - i) = (2 + i)(3 - i) - 7 - i
= 6 - 2i + 3i - i2 - 7 - i
= - 1 - i2
= - 1 + 1 = 0.
Como o valor numérico de f no ponto z = 3 - i é igual a zero, dizemos que z = 3 - i é raiz da função f.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES ELEMENTARES COM VARIÁVEIS COMPLEXAS
Também podemos definir a parte real e parte imaginária de função complexa, da mesma maneira que de números complexos, no caso da função f(z)
= (2 + i)z - 7 - i como z = x + iy podemos reescrever f (z) = (2 + i)(x + iy) - 7 - i
= 2x + 2yi + xi + i2y - 7 - i
= (2x - y - 7) + (2y + x - 1) i.
Portanto, a parte real da função f (z) é Re f (z) = 2x - y - 7 e a parte imaginária da função f(z) é Im f (z) = 2y + x -1.
Análogo ao que foi feito para polinômios reais, considere os números complexos a0, a1,..., an definimos o polinômio f: de grau n da seguinte forma f (z) = anzn + an-1zn-1 + ... + a1z + a0 com z ∈ , ou seja, z = x + iy e x, y ∈
. Osnúmeros complexos a0,a1,...,an são chamados de coeficientes do polinômio f.
Quando estudamos funções, queremos e precisamos operar essas funções, usando as ideias de funções reais e as propriedades de adição, subtração, multiplicação e divisão de números complexos, podemos somar, subtrair, multiplicar e dividir funções complexas.
Exemplo: considere os polinômios f (z) = z2 + 3iz + 4 - 3i e g(z) = 4z3 + (4 + i) z2 + 2iz, calcule f + g, f - g e f . g.
Resolução: vamos calcular f + g
f(x) + g(x) = (z2 + 3iz + 4 - 3i) + (4z3 + (4 + i) z2 + 2iz)
= 4z3 + (1 + (4 + i)) z2 + (3i + 2i) z + 4 -3i
= 4z3 + (5 + i)z2 + 5iz + 4 -3i.
Agora, vamos calcular f - g
f(x) - g(x) = (z2 + 3iz + 4 - 3i) - (4z3 + (4 + i) z2 + 2iz)
= -4z3 + (1 - (4 + i)) z2 + (3i - 2i) z + 4 -3i
= 4z3 + (-3 + i)z2 + iz + 4 -3i.
E por último calcular f . g
f(x) . g(x) = (z2 + 3iz + 4 - 3i) . (4z3 + (4 + i) z2 + 2iz)
= z2 . 4z3 + z2.(4 + i) z2 + z2.2iz + 3iz . 4z3 + 3iz . (4 + i)z2 + 3iz . 2iz + 4 . 4z3 + 4 . (4 + i)z2 + 4 . 2iz - 3i . 4z3 - 3i . (4 + i)z2 - 3i . 2iz
=4z5 + (4 + i)z4 + 2iz3 + 12iz4 + (12i - 3) z3 - 6z2 +16z3 + (16 + 4i)z2 + 8iz - 12iz3 - (12i - 3) z2 + 6z
=4z5 + (4 + i + 12i) z4 + (2i + 12i - 3 + 16 -12i)z3 + (- 6 + 16 + 4i - 12i + 3)z2 + (8i + 6)z
UNIDADE 1 | FUNÇÕES DE VARIÁVEIS COMPLEXAS
Para calcular a divisão de polinômios complexos, vamos usar o método da chave.
Exemplo: considere os polinômios f(z) = 4z3 + (4 - 1) z2 + 2iz e g(x) = z2 + 2i, calcule f ÷ g.
Resolução: usando o método da chave, temos
( ) ( )
( ) ( )
z i z iz z z
i z iz
i z + i iz i
3 2
3 3
2 2
4 4 2
4 4
4 8
4 2 8
6 2 8
+ - +
- -
- -
- - +
- + +
Com o auxílio dos polinômios complexos definidos no subtópico anterior, podemos agora definir o que são funções racionais complexas. Dados dois polinômios complexos g(z) e h(z), uma função é racional complexa é dada por
( ) ( ) g z ( ) ,
f z = h z
desde que h (z) ≠ 0.Exemplo: calcule o valor numérico, quando z = 2 - i, da função racional
( ) z i 1 .
f z z
= - +
Resolução: substituindo z = 2 - i na função, temos
f ( 2 - = i ) 2 2 - + - - i i i 1 = 2 2 3 - - i i .
Multiplicando no denominador e numerador pelo conjugado de 3 - i,
temos que
( 2 ) 2 2 3 . 6 2 6 2 8 4 4 .
3 3 9 1 10 5
i i i i i i
f i
i i
- + + + + - -
- = = = =
- + +
Outra operação que podemos fazer com funções é compor duas funções.
A mesma definição para funções reais vale para funções complexas. Dadas as funções complexas f: → e g: → , definimos a composição de f com g da seguinte maneira:
f ° g (z) = f (g(z))
aqui é imprescindível que o domínio da função g seja igual à imagem de f para a definição ser verdadeira.
Exemplo: Calcule a f ° g e g ° f se f (z) = z2 + 3 - i e g (z) = z - i.
( )
2