A PSICOLOGIA E AS PSICOLOGIAS
ANA MARIA BOCK
SUMÁRI O PARTE 1
A CARACTERI ZAÇÃO DA PSI COLOGI A
CAPÍ TULO 1 A PSI COLOGI A OU AS PSI COLOGI AS Ciência e senso com um 15
O senso com um : conhecim ento da realidade 16 Áreas do conhecim ento 18
A Psicologia científica 19 A Psicologia e o m isticism o 26
Texto com plem entar: A psicologia dos psicólogos- Hilton Japiassu 28 CAPÍ TULO 2 A EVOLUÇÃO DA CI ÊNCI A PSI COLÓGI CA
Psicologia e história 31
A psicologia entre os gregos: os prim órdios 32
A psicologia no I m pério Rom ano e na I dade Média 34 A psicologia no Renascim ento 35
A origem da Psicologia científica 37 A Psicologia científica 40
As principais teorias da psicologia no século 20 43 CAPÍ TULO 3 O BEHAVI ORI SMO
O estudo do com portam ento 45
À análise experim ental do com portam ento 46 Behaviorism o: sua aplicação 55
Texto com plem entar: O eu e os outros - B.F Skinner 55 film es I ndicados: Meu tio da Am érica; Laranj a m ecânica 58 CAPÍ TULO 4 A GESTALT
A psicologia da form a 57
A teoria de cam po de Kurt Lewin 65
Texto com plem entar: Chaves da vaguidão - Fernando Sabino 67 film es indicados: Vida de solteiro; Rashom on 69
I
CAPÍ TULO 5 A PSI CANÁLI SE Sigm und Freud 70
A descoberta do inconsciente 73
psicanálise: aplicações e contribuições sociais 80
texto com plem ent ar: Sobre o inconscient e - Fábio Herm ann 82 film e indicado - Freud, além da alm a 84
CAPÍ TULO 6 PSI COLOGI A EM CNSTRUÇÃO Psicologia em construção 85
Vigotski e a Psicologia Sócio - Histórica 86
Texto com plem entar: Pensam ento e palavra - L. S. Vygotsky 94 Film es indicados: A guerra do fogo, kids 96
CAPÍ TULO 7 A PSI COLOGI A DO DESENVOLVI MENTO Um a área da psicologia 97
O desenvolvim ento hum ano 98
Aspectos do desenvolvim ento hum ano 100
A teoria do desenvolvim ento hum ano de Jean Piaget 101
O enfoque interacionista do desenvolvim ento hum ano: Vigotski 107 Vigotski e Piaget 110
Texto com plem entar: As diferenças dos irm ãos - Elias José 111 Film e indicado: Esperança e glória 113
CAPÍ TULO 8: A APRENDI ZAGEM COMO OBJETO DE ESTUDO CPÍ TULO 9: A PSI COLOGI A SOCI AL
CAPÍ TULO 10: A PSCOLOGI A COMO PROFI SSÃO.
PARTE 2
TEMAS TEÓRI COS EM PSI COLOGI A.
CAPÍ TULO 11: A Multideterm inação do Hum ano: um a visão em Psicologia CAPÍ TULO 12 A inteligência
CAPÍ TULO 13 Vida Afetiva CAPÍ TULO 14 I dentidade.
CAPÍ TULO 15 Psicologia institucional e Processo Grupal.
CAPÍ TULO 16 Sexualidade PARTE 3
Psicologia: UMA LEI TURA DA REALI DADE
CAPÍ TULO 17 Fam ília... O que está acontecendo com ela?
CAPÍ TULO 18 A escola
CAPÍ TULO 19 Meios de com unicação de m assa CAPÍ TULO 20 Adolescência: Torna- se j ovem CAPÍ TULO 21 A escolha de um a profissão CAPÍ TULO 22 As faces da violência
CAPÍ TULO 23 Saúde ou doença m ental: A questão da norm alidade
CAPÍTULO 1
A PSICOLOGIA OU AS PSICOLOGIAS CIÊNCIA E SENSO COMUM
Quant as vezes, no nosso dia- a- dia, ouvim os o t erm o psicologia? Qualquer um ent ende um pouco dela. Poderíam os at é m esm o dizer que "de psicólogo e de louco t odo m undo t em um pouco". O dit o popular não é bem est e ( "de que m édico e de louco t odo m undo t em um pouco") , m as parece servir aqui perfeit am ent e. As pessoas em geral t êm a
"sua psicologia".
Usam os o t erm o psicologia, no nosso cot idiano, com vários sent idos. Por exem plo, quando falam os do poder de persuasão do vendedor, dizem os que ele usa de "psicologia"
para vender seu produt o; quando nos referim os à j ovem est udante que usa seu poder de
sedução para at rair o rapaz, falam os que ela usa de "psicologia"; e quando procuram os aquele am igo, que está sem pre dispost o a ouvir nossos problem as, dizem os que ele t em
"psicologia" para entender as pessoas.
Será essa a psicologia dos psicólogos? Certam ent e não. Essa psicologia, usada no cot idiano pelas pessoas em geral, é denom inada de psicologia do senso com um . Mas nem por isso deixa de ser um a psicologia. O que est am os querendo dizer é que as pessoas, norm alm ent e, t êm um dom ínio, m esm o que pequeno e superficial, do conhecim ent o acum ulado pela Psicologia cient ífica, o que lhes perm it e explicar ou com preender seus problem as cotidianos de um ponto de vista psicológico.
É a Psicologia cient ífica que pret endem os apresent ar a você. Mas, ant es de iniciarm os o seu est udo, farem os um a exposição da relação ciência/ senso com um ; depois falarem os m ais det alhadam ent e sobre ciência e, assim , esperam os que você com preenda m elhor a Psicologia científica.
O SENSO COMUM:
CONHECIMENTO DA REALIDADE
Exist e um dom ínio da vida que pode ser ent endido com o vida Por excelência: é a vida do cot idiano. É no cot idiano que t udo flui que as coisas acont ecem , que nos sent im os vivos, que sent im os a realidade. Nest e inst ant e est ou lendo um livro de Psicologia, logo m ais est arei num a sala de aula fazendo um a prova e depois irei ao cinem a. Enquant o isso, t enho sede e t om o um refrigerant e na cant ina da escola; sint o um sono irresist ível e preciso de m uit a força de vont ade para não dorm ir em plena aula; lem bro- m e de que havia prom et ido chegar cedo para o alm oço. Todos esses acont ecim ent os denunciam que est am os vivos. Já a ciência é um a at ividade em inent em ent e reflexiva. Ela procura com preender, elucidar e alterar esse cotidiano, a partir de seu estudo sistem ático.
Quando fazem os ciência, baseam o- nos na realidade cot idiana e pensam os sobre ela.
Afastam o- nos dela para reflet ir e conhecer além de suas aparências. O cot idiano e o conhecim ent o cient ífico que t em os realidade aproxim am - se e se afast am : aproxim am - se porque a ciência se refere ao real; afast am - se porque a ciência abst rai a realidade para com preendê- la m elhor, ou sej a, a ciência afast a- se da realidade, t ransform ando- a em obj et o de investigação – o que perm ite a construção do conhecim ento científico sobre o real.
Para com preender isso m elhor, pense na abst ração ( no dist anciam ent o e t rabalho m ent al) que Newt on teve que fazer para, part indo da frut a a árvore ( fat o do cot idiano) , form ar a lei da gravidade ( fat o cient ífico) . Ocorre que, m esm o o m ais especializado dos cient ist as, quando sai de seu laborat ório, est á subm et ido à dinâm ica do cot idiano, que cria suas próprias "t eorias" a part ir das t eorias cient íficas, sej a com o form a de "sim plificá- las"
para o uso no dia- a- dia, ou com o sua m aneira peculiar de int erpret ar fat os, a despeit o das considerações feit as pela ciência. Todos nós - Estudant es psicólogos, físicos, art ist as, operários, t eólogos vivem os a m aior part e do t em po esse cot idiano e as suas t eorias, ist o é aceitam os as regras do seu j ogo.
O fat o é que a dona de casa, quando usa a garrafa térm ica para m ant er o café quent e, sabe por quanto t em po ele perm anecerá razoavelm ent e quent e, sem fazer nenhum cálculo com plicado e, m uit as vezes, desconhecendo com plet am ent e as leis da term odinâm ica.
Quando alguém em casa reclam a de dores no fígado, ela faz um chá de boldo, que é um a plant a m edicinal j á usada pelos avós de nossos avós, sem , no ent ant o, conhecer o princípio at ivo de suas folhas nas doenças hepát icas e sem nenhum est udo farm acológico. E nós m esm os, quando precisam os at ravessar um a avenida m ovim ent ada, com o t ráfego de veículos em alt a velocidade, sabem os perfeit am ent e m edir a dist ância e a velocidade do aut om óvel que vem nossa direção. At é hoj e não conhecem os ninguém que usasse m áquina de calcular ou fit a m ét rica para essa t arefa. Esse t ipo de conhecim ent o que vam os acum ulando no nosso cot idiano é cham ado de senso com um . Sem esse conhecim ent o
espontâneo, de tentativas e erros, a nossa vida no dia- a- dia seria m uito com plicada.
A necessidade de acum ularm os esse t ipo de conhecim ent o espont âneo parece- nos óbvia. I m agine t erm os de descobrir diariam ent e que as coisas t endem a cair, graças ao efeit o da gravidade; int uit ivo, t erm os de descobrir diariam ent e que algo at irado pela j anela t ende a cair e não a subir; que um aut om óvel em velocidade vai se aproxim ar rapidam ent e de nós e que, para fazer um aparelho eletrodom éstico funcionar, precisam os de eletricidade.
O senso com um , na produção desse t ipo de conhecim ento, percorre um cam inho que vai do hábit o à t radição, a qual, quando est abelecida, passa de geração para geração.
Assim , aprendem os com nossos pais a at ravessar um a rua, a fazer o liqüidificador funcionar, a plant ar alim ent os na época e de m aneira corret a, a conquist ar a pessoa que desej am os e assim por diant e. E é nessa t entat iva de facilit ar o dia- a- dia que o senso com um produz suas próprias "t eorias"; na realidade, um conhecim ent o que num a int erpret ação livre, poderíam os cham ar de teorias m édicas, físicas, psicológicas etc.
SENSO COMUM: UMA VISAO- DE- MUNDO
Esse conhecim ent o do senso com um , além de sua produção caract eríst ica, acaba por se apropriar, de um a m aneira m uit o singular, de conhecim ent os produzidos pelos out ros set ores da produção do saber hum ano. O senso com um m ist ura e recicla esses out ros saberes, m uit o m ais especializados, e os reduz a um t ipo de t eoria sim plificada, produzindo um a det erm inada visão- de- m undo. O que est am os querendo m ost rar a você é que o senso com um int egra, de um m odo precário ( m as é esse o seu m odo) , o conhecim ent o hum ano. É claro que ist o não ocorre m uit o rapidam ent e. Leva um cert o t em po para que o conhecim ent o m ais sofist icado e especializado sej a absorvido pelo senso com um , e nunca o é t ot alm ent e.
Quando ut ilizam os t erm os com o "rapaz com plexado", "m enina hist érica", "ficar neurót ico", est am os usando t erm os definidos pela Psicologia cient ífica. Não nos preocupam os em definir as palavras usadas e nem por isso deixam os de ser ent endidos pelo out ro. Podem os at é est ar m uit o próxim os do conceit o cient ífico m as, na m aioria das vezes, nem o sabem os.
Esses são exem plos da apropriação que o senso com um faz da ciência.
ÁREAS DO CONHECIMENTO
Os gregos j á t inham esse t ipo de conhecim ent o, porém , não seria suficient e para as exigências de desenvolvim ent o da hum anidade. O hom em desde os t em pos prim it ivos, foi ocupando cada vez m ais espaço nest e planet a, e som ent e esse conhecim ent o int uit ivo seria m uit o pouco para que ele dom inasse a Nat ureza em seu próprio proveit o. Os gregos, por volt a do século 4 a.C., j á dom inavam com plicados cálculos m at em át icos, que ainda hoj e são considerados difíceis por qualquer j ovem colegial. Os gregos precisavam ent ender esses cálculos para resolver seus problem as agrícolas, arquit et ônicos, navais et c. Era um a quest ão de sobrevivência. Com o t em po, esse t ipo de conhecim ent o foi- se especializando cada vez m ais, at é at ingir o nível de sofist icação que perm it iu ao hom em at ingir a Lua. A est e t ipo de conhecim ento, que definirem os com m ais cuidado logo adiante, cham am os de ciência.
Mas o senso com um e a ciência não são as únicas form as de conhecim ent o que o hom em possui para descobrir e interpretar a realidade.
Povos ant igos, e ent re eles cabe sem pre m encionar os gregos, preocuparam - se com a origem e com o significado da exist ência hum ana. As especulações em t orno desse t em a form aram um corpo de conhecim ent os denom inado filosofia. A form ulação de um conj unt o de pensam ent os sobre a origem do hom em , seus m ist érios, princípios m orais, form a um out ro corpo de conhecim ent o hum ano, conhecido com o religião. No Ocident e, um livro m uit o conhecido traz as crenças e t radições de nossos ant epassados e é para m uit os um m odelo de condut a: a Bíblia. Esse livro é o regist ro do conhecim ent o religioso j udaico- crist ão. Um out ro livro sem elhant e é o livro sagrado dos hindus: Livro dos Vedas. Sânscrit o ( ant iga língua clássica da Í ndia) , significa tradições. Por fim , o hom em , j á desde a sua pré- história,
deixou m arcas de sua sensibilidade nas paredes das cavernas, quando desenhou a sua própria figura e a figura da caça, criando um a expressão do conhecim ent o que t raduz a em oção e a sensibilidade. Denom inam os arte a esse tipo de conhecim ento.
Art e, religião, filosofia, ciência e senso com um são dom ínios do conhecim ent o hum ano.
A PSICOLOGIA CIENTÍFICA
Apesar de reconhecerm os a exist ência de um a psicologia do senso com um e, de cert o m odo, est arm os preocupados em defini- la, é com a outra psicologia que est e livro deverá ocupar- se –a Psicologia cient ífica. Foi preciso definir o senso com um , para que o leit or pudesse dem arcar o cam po de at uação de cada um a, sem confundi- las. Ent ret anto a t arefa de definir a Psicologia com o ciência é bem m ais árdua e com plicada. Com ecem os por definir o que ent endem os por ciência ( que t am bém não é sim ples) , para depois explicarm os por que a Psicologia é hoj e considerada um a de suas áreas.
O QUE É CIÊNCIA
A ciência com põe- se de um conj unt o de conhecim ent os sobre fat os ou aspect os da realidade ( obj et o de est udo) , expresso por m eio de um a linguagem precisa e rigorosa.
Esses conhecim ent os devem ser obt idos de m aneira program ada, sist em át ica e cont rolada, para que se perm it a a verificação de sua validade. Assim , podem os apont ar o obj et o dos diversos ram os da ciência e saber exat am ent e com o det erm inado cont eúdo foi const ruído, possibilit ando a reprodução da experiência. Dessa form a, o saber pode ser t ransm it ido, verificado, utilizado e desenvolvido.
Essa caract eríst ica da produção cient ífica possibilit a sua cont inuidade: um novo conhecim ent o é produzido sem pre a part ir de algo ant eriorm ent e desenvolvido. Negam - se, reafirm am –se descobrem - se novos aspect os, e assim a ciência avança. Nesse sent ido, a ciência caracteriza- se com o um processo.
Pense no desenvolvim ent o do m ot or m ovido a álcool hidrat ado. Ele nasceu de um a necessidade concret a ( crise do pet róleo) e foi planej ado a part ir do m ot or a gasolina, com a alt eração de poucos com ponent es dest e. No ent ant o, os prim eiros aut om óveis m ovidos a álcool apresent aram m uit os problem as, com o o seu m au funcionam ent o nos dias frios.
Apesar disso, esse tipo de m otor foi se aprim orando.
A ciência t em ainda um a caract eríst ica fundam ent al: ela aspira à obj et ividade. Suas conclusões devem ser passíveis de verificação e isent as de em oção, para assim , t ornarem - se válidas para t odos. Obj et o específico, linguagem rigorosa, m ét odos e t écnicas específicas, processo cum ulat ivo do conhecim ent o, obj et ividade fazem da ciência um a form a de conhecim ent o que supera em m uit o o conhecim ent o espont âneo do senso com um . Esse conj unt o de caract eríst icas é o que perm it e que denom inem os cient ífico a um conj unt o de conhecim ent os.
OBJETO DE ESTUDO DA PSICOLOGIA
Com o dissem os ant eriorm ent e, um conhecim ent o, para ser considerado cient ífico, requer um obj et o específico de est udo. O obj et o da Ast ronom ia são os ast ros, e o obj et o da Biologia são os seres vivos.
Essa classificação bem geral dem onst ra que é possível t rat ar o obj et o dessas ciências com um a certa dist ância, ou sej a, é possível isolar o obj et o de est udo. No caso da Ast ronom ia, o cient ist a - observador est á, por exem plo, num observat ório, e o ast ro observado, a luz de dist ância de seu t elescópio. Esse cient ist a não corre o m ínim o risco de confundir- se com o fenôm eno que está estudando.
O m esm o não ocorre com a Psicologia, com o a Ant ropologia, a Econom ia, a
Sociologia e t odas as ciências hum anas, que est uda o hom em . Cert am ent e, esta divisão é am pla dem ais e apenas coloca a Psicologia ent re as ciências hum anas. Qual é, ent ão, o obj et o específico de est udo da Psicologia? Se derm os a palavra a um psicólogo com port am ent alist a, ele dirá: "O obj et o de est udo da Psicologia é o com port am ent o hum ano." Se a palavra for dada a um psicólogo psicanalist a ele dirá: "O obj et o de est udo da psicologia é o inconscient e". Out ros dirão que é a consciência hum ana, e out ros, ainda, a personalidade.
DIVERSIDADE DE OBJETOS DA PSICOLOGIA
A diversidade de obj et os da Psicologia é explicada pelo fat o. Assim , est e cam po do conhecim ent o t er- se const it uído com o área de concepção de conhecim ent o cient ífico só m uit o recent em ent e ( final do século19) , a despeit o de exist ir há m uit o t em po na Filosofia enquant o preocupação hum ana. Esse fat o é im port ant e, j á que a ciência se caract eriza pela exat idão de sua const rução t eórica, e, quando a ciência é m uit o nova, ela não t eve t em po ainda de apresent ar t eorias acabadas e definit ivas, que perm it am det erm inar com m aior precisão seu obj et o de est udo.
Um out ro m ot ivo que cont ribui para dificult ar um a clara definição de obj et o da psicologia é o fat o de o cient ist a - o pesquisador - confundir- se com o obj et o a ser pesquisado. No sent ido m ais am plo, o obj et o de est udo da Psicologia é o hom em , e nest e caso o pesquisador est á inserido na cat egoria a ser est udada. Assim , a concepção de hom em que o pesquisador t raz consigo "cont am ina" inevit avelm ent e a sua pesquisa em Psicologia. I sso ocorre porque há diferent es concepções de hom em ent re os cient ist as ( na m edida em que est udos filosóficos e t eológicos e m esm o dout rinas polít icas acabam definindo o hom em à sua m aneira, e o cient ist a acaba necessariam ent e se vinculando a um a dest as crenças) . E o caso da concepção de hom em nat ural, form ulada pelo filósofo francês Rousseau, que im agina que o hom em era puro e foi corrom pido pela sociedade, e que cabe ent ão ao filósofo reencont rar essa pureza perdida ( vej a CAPÍ TULO 10) . Outros vêem o hom em com o ser abst rat o, com caract eríst icas definidas e que não m udam , a despeit o das condições sociais a que est ej a subm et ido. Nós, aut ores dest e livro, vem os esse hom em com o ser dat ado, determ inado pelas condições hist óricas e sociais que o cercam . Nós, aut ores dest e livro, vem os que est e é um "problem a" enfrent ado por t odas as ciências hum anas, m uit o discut ido pelos cient ist as de cada área e esse hom em at é agora sem perspect iva de solução. Conform e a definição de hom em adot ada com o ser dat ado, t erem os um a concepção de obj et o que com bine det erm inado com ela. Com o, nest e m om ent o, há um a riqueza de valores sociais pelas condições hist óricas e que perm it em várias concepções de hom em , diríam os sim plificando que, no caso da Psicologia, est a ciência est uda os "diversos hom ens" concebidos pelo conj unt o social. Assim , a Psicologia hoj e se caracteriza por um a diversidade de obj etos de estudo.
Por out ro lado, essa diversidade de obj et os j ust ifica- se porque os fenôm enos psicológicos são t ão diversos, que não podem ser acessíveis ao m esm o nível de observação e, port ant o, não podem ser suj eit os aos m esm os padrões de descrição, m edida, cont role e int erpret ação. O obj et o da Psicologia deveria ser aquele que reunisse condições de aglut inar um a am pla variedade de fenôm enos psicológicos. Ao est abelecer o padrão de descrição, m edida, cont role e int erpret ação, o psicólogo est á t am bém est abelecendo um det erm inado critério de seleção dos fenôm enos psicológicos e assim definindo um obj eto.
Est a sit uação leva- nos a quest ionar a caract erização da Psicologia com o ciência e a post ular que no m om ent o não exist e um a psicologia, m as Ciências psicológicas em brionárias e em desenvolvim ento.
A SUBJETIVIDADE COMO OBJETO DA PSICOLOGIA
Considerando t oda essa dificuldade na conceit uação única do obj et o de est udo da
Psicologia, opt am os por apresent ar um a definição que lhe sirva com o referência para os próxim os capít ulos, um a vez que você irá se deparar com diversos enfoques que t razem definições específicas desse obj eto ( o com portam ent o, o inconsciente, a consciência etc.) .
A ident idade da Psicologia é o que a diferencia dos dem ais ram os das ciências hum anas, e pode ser obt ida considerando- se que cada um desses ram os enfoca o hom em de m aneira part icular. Assim , cada especialidade - a Econom ia, a Polít ica, a Hist ória et c.
t rabalha essa m at éria- prim a de m aneira part icular, const ruindo conhecim entos dist int os e específicos a respeit o dela. A Psicologia colabora com o est udo da subj et ividade: é essa a sua form a part icular, específica de cont ribuição para a com preensão da t ot alidade da vida hum ana.
Nossa m at éria- prim a, port ant o, é o hom em em t odas as suas expressões, as visíveis ( nosso com port am ent o) e as invisíveis ( nossos sent im entos) , as singulares ( porque som os o que som os) e as genéricas ( porque som os t odos assim ) - é o hom em - corpo, hom em afet o, hom em - ação e tudo isso est á sintet izado isso est á no t erm o subj et ividade. A subj et ividade é a sínt ese singular e individual que cada um de nós vai const it uindo conform e vam os nos desenvolvendo e vivenciando as experiências da vida social e cult ural; é um a sínt ese que nos ident ifica, de um lado, por ser única, e nos iguala, de out ro lado, na m edida em que os elem ent os que a const it uem são experienciados no cam po com um da obj et ividade social.
Est a sínt ese - a subj et ividade - é o m undo de idéias, significados e em oções const ruído int ernam ent e pelo suj eit o a part ir de suas relações sociais, de suas vivências e de sua const it uição biológica; é, t am bém , font e de suas m anifestações afet ivas e com port am ent ais.
O m undo social e cult ural, conform e vai sendo experienciados por nós, possibilit a- nos a const rução de um m undo int erior. São diversos fat ores que se com binam e nos levam a um a vivência m uit o part icular. Nós at ribuím os sent ido a essas experiências e vam os nos const it uindo a cada dia. A subj et ividade é a m aneira de sent ir, pensar, fant asiar, sonhar, am ar e fazer de cada um . É o que const it ui o nosso m odo de ser: sou filho de j aponeses e m ilit ant e de um grupo ecológico, det est o Mat em át ica, adoro sam ba e black m usic, prat ico ioga, tenho vontade m as não consigo ter um a nam orada. Meu m elhor am igo é filho
de descendent es de it alianos, prim eiro aluno da classe em Mat em át ica, t rabalha e est uda, é corinthiano fanát ico, adora com er sushi e navegar pela Internet. Ou sej a, cada qual é o que é: sua singularidade. Ent ret ant o, a sínt ese que a subj et ividade represent a não é inat a ao indivíduo. Ele a const rói aos poucos, apropriando- se do m at erial do m undo social e cult ural, e faz isso ao m esm o t em po no m undo ( ext erno) , o que at ua sobre est e m undo, ou sej a, é at ivo na sua const rução; o hom em const rói e t ransform a a si próprio. Um m undo obj et ivo, em m ovim ent o, porque seres hum anos o m ovim ent am perm anent em ent e com suas int ervenções; um m undo subjet ivo em m ovim ent o porque os indivíduos est ão perm anent em ent e se apropriando de novas m at érias- prim as para const it uírem suas subj etividades.
De um cert o m odo, podem os dizer que a subj et ividade não só é fabricada, produzida, m oldada, m as t am bém é aut om oldável ou sej a, o hom em pode prom over novas form as de subj et ividade, recusando- se ao assuj eit am ent o à perda de m em ória im post a pela fugacidade da inform ação; recusando a m assificação que exclui e est igm at iza o diferent e, a aceit ação condiciona ao consum o, a m edicalização do sofrim ent o. Nesse sent ido, ret om am os a ut opia que cada hom em pode part icipar na const rução do seu dest ino e de sua colet ividade.
Por fim , podem os dizer que, estudar a subjet ividade, nos t em pos at uais, é t ent ar com preender a produção de novos m odos de ser, ist o é, as subj et ividade em ergent es, cuj a fabricação é social e hist órica. O est udo dessas novas subj et ividades vai desvendando as relações do cult ural, do polít ico, do econôm ico e do hist órico na produção do m ais ínt im o e do m ais ínt im o e do m ais observável no hom em - aquilo que o capt ura, subm et e- o ou m obiliza- o para pensar e agir sobre os efeit os das form as de subm issão da subj et ividade ( com o dizia o filósofo francês Michel Foucault) .
O m ovim ent o e a t ransform ação são os elem ent os básicos de t oda essa hist ória. E
aproveit am os para cit ar Guim arães Rosa - que em Grande Sert ão: Veredas, consegue expressar de m odo m uit o adequado e rico, o que vale a pena regist rar: "O im port ant e e o bonit o do m undo é isso: que as pessoas não est ão sem pre iguais, ainda não foram t erm inadas, m as que elas vão sem pre m udando. Afinam e desafinam ". Convidam os você a reflet ir um pouco sobre esse pensam ent o de Guim arães Rosa. As pessoas nunca serão t erm inadas, pois est arão sem pre se m odificando. Mas por quê? Com o? Sim plesm ent e porque a subj et ividade – est e m undo int erno const ruído pelo hom em com o sínt ese de suas determ inações - não cessará de se m odificar, pois as experiências sem pre t rarão novos elem ent os para renová- la. Talvez você est ej a pensando: m as eu acho que sou o que sem pre fui - eu não m e m odifico! Por acom panhar de pert o suas próprias t ransform ações ( não poderia ser diferent e! ) , você pode não percebê- las e t er a im pressão de ser com o sem pre foi. Você é o const rutor da sua transform ação ( vej a CAPÍ TULO 13) e, por isso, ela pode passar despercebida, fazendo- o pensar que não se t ransform ou. Mas você cresceu, m udou de corpo, de vont ades, de gost os, de am igos, de at ividades, afinou e desafinou, enfim , t udo em sua vida m uda e, com ela, suas vivências subj et ivas, seu cont eúdo psicológico, sua subj et ividade. I sso acont ece com todos nós. Bem , esperam os que você j á t enha um a noção do que sej a subj et ividade e possam os, ent ão, volt ar a nossa discussão sobre o obj et o da Psicologia.
A Psicologia, com o j á dissem os ant eriorm ent e, é um ram o das Ciências Hum anas e a sua ident idade, ist o é, aquilo que a diferencia, pode ser obt ida considerando- se que cada um desses ram os enfoca de m aneira part icular o obj et o hom em , const ruindo conhecim ent os dist int os e específicos a respeit o dele. Assim , com o est udo da subj et ividade, a Psicologia contribui para a com preensão da totalidade da vida hum ana.
É claro que a form a de se abordar a subj et ividade, e m esm o a form a de concebê- la, dependerá da concepção de hom em adot ada pelas diferent es escolas psicológicas ( vej a capít ulos 3, 4, 5 e 6) . No m om ent o, pelo pouco desenvolvim ent o da Psicologia, essas escolas acabam form ulando um conhecim ent o fragm ent ário de um a única e m esm a totalidade - o ser hum ano: o seu m undo int erno e as suas m anifest ações. A superação do atual im passe levará a um a Psicologia que enquadre esse hom em
com o ser concret o e m ult idet erm inado ( vej a CAPÍ TULO 10) . Esse é o papel de um a ciência crít ica, da com preensão, da com unicação e do encont ro do hom em com o m undo em que vive, j á que o hom em que com preende a Hist ória ( o m undo ext erno) t am bém com preende a si m esm o ( sua subj et ividade) , e o hom em que com preende a si m esm o pode com preender o engendram ent o do m undo e criar novas rot as e ut opias. Algum as corrent es da Psicologia consideram - na pert encent e ao cam po das Ciências do Com port am ent o e, out ras, das Ciências Sociais. Acredit am os que o cam po das Ciências Hum anas é m ais abrangent e e condizent e com a nossa propost a, que vincula a Psicologia à Hist ória, à Ant ropologia, à Econom ia et c.
A PSICOLOGIA E O MISTICISMO
A Psicologia, com o área da Ciência, vem se desenvolvendo na história desde 1875, quando Wilhelm Wundt ( 1832- 1926) criou o prim eiro Laborat ório de Experim ent os em Psicofisiologia, em Leipzig, na Alem anha. Esse m arco hist órico significou o desligam ent o das idéias psicológicas de idéias abst rat as e espirit ualist as, que defendiam a exist ência de um a alm a nos hom ens, a qual seria a sede da vida psíquica. A part ir daí, a hist ória da Psicologia é de fort alecim ent o de seu vínculo com os princípios e m ét odos cient íficos. A idéia de um hom em aut ônom o, capaz de se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvim ent o e pela sua vida, t am bém vai se fort alecendo a part ir desse m om ent o. Hoj e, a Psicologia ainda não consegue explicar m uit as coisas sobre o hom em , pois é um a área da Ciência relat ivam ent e nova ( com pouco m ais de cem anos) . Além disso, sabe- se que a Ciência não esgot ará o que há para se conhecer, pois a realidade est á em perm anent e m ovim ent o e novas pergunt as surgem a cada dia, o hom em est á em m ovim ent o e em t ransform ação, colocando t am bém
novas pergunt as para a Psicologia. A invenção dos com put adores, por exem plo, t rouxe e t rará m udanças em nossas form as de pensam ent o, em nossa int eligência, e a Psicologia precisará absorver essas t ransform ações em seu quadro t eórico. Alguns dos
"desconhecim ent os" da Psicologia t êm levado os psicólogos a buscarem respost as em out ros cam pos do saber hum ano. Com isso, algum as prát icas não- psicológicas t êm sido associadas às prát icas psicológicas. O t arô, a ast rologia, a quirom ancia, a num erologia, ent re out ras prát icas adivinhat órias e/ ou m íst icas, t êm sido associadas ao fazer e ao saber psicológico.
Est as não são prát icas da Psicologia. São out ras form as de saber - de saber sobre o hum ano - que não podem ser confundidas com a Psicologia, pois: não são const ruídas no cam po da Ciência, a part ir do m ét odo e dos princípios cient íficos; estão em oposição aos princípios da Psicologia, que vê não só o hom em com o ser aut ônom o, que se desenvolve e se const it ui a part ir de sua relação com o m undo social e cult ural, m as t am bém o hom em sem dest ino pront o, que const rói seu fut uro ao agir sobre o m undo. As prát icas m íst icas t em pressupost os opost os, pois nelas há a concepção de dest ino, da exist ência de forças que não estão no cam po do hum ano e do m undo m aterial.
A Psicologia, ao relacionar- se com esses saberes, deve ser capaz de enfrent á- los sem preconceit os, reconhecendo que o hom em const ruiu m uit os "saberes" em busca de sua felicidade. Mas é preciso dem arcar nossos cam pos. Esses saberes não est ão no cam po da Psicologia, m as podem se t ornar seu obj et o de est udo. É possível est udar as prát icas adivinhat órias e descobrir o que elas t êm de eficient e, de acordo com os crit érios cient íficos, e aprim orar seu obj et o de aprim orar t ais aspect os para um uso eficient e e racional. Nem sem pre esses crit érios cient íficos t êm sido observados e alguns psicólogos acabam por usar t ais prát icas sem o devido cuidado e observação. Esses casos, sej a daquele que usa a prát ica m íst ica com o acom panham ent o psicológico, sej a o do psicólogo que usa desse expedient e sem crit ério cient ífico com provado, são previst os pelo código de ét ica dos psicólogos e, por isso, passíveis de punição. No prim eiro caso, com o prát ica de charlat anism o e, no segundo, com o desem penho inadequado da profissão. Ent ret ant o, é preciso ponderar que esse cam po front eiriço ent re a Psicologia cient ífica e a especulação m íst ica deve ser t rat ado com o devido cuidado. Quando se t rat a de pessoa, psicóloga ou não, que decididam ent e usa do expedient e das prát icas m íst icas com o form a de t irar proveit o pecuniário ou de qualquer out ra ordem , prej udicando t erceiros, t em os um caso de polícia e a punição é salut ar. Mas m uit as vezes não é possível caract erizar a at uação daqueles que se ut ilizam dessas prát icas de form a t ão clara. Nest es casos, não podem os t ornar absolut o o conhecim ent o cient ífico com o o "conhecim ent o por excelência" e dogm atizá- lo a pont o de correr o risco de criar um t ribunal sem elhant e ao da Santa I nquisição. É preciso reconhecer que pessoas que acredit am em prát icas adivinhat órias ou m íst icas t êm o direit o de consult ar e de serem consult adas, e t am bém t em os de reconhecer, nós cient ist as, que não sabem os m uit a coisa sobre o psiquism o hum ano e verdadeiro que, m uit as vezes, novas descobert as seguem estranhos e insondáveis cam inhos. O verdadeiro cientista deve ter os olhos abertos os olhos abertos para o novo.
Enfim , nosso alerta aqui vai em dois sentidos:
* Não se deve m ist urar a Psicologia com prát icas adivinhat órias ou m íst icas que est ão baseadas em pressupostos diversos e opostos ao da Psicologia.
* "Ment e é com o pára- quedas: m elhor abert a." É preciso est ar abert o para o novo, at ent o a novos conhecim ent os que, t endo sido est udados no âm bit o da Ciência, podem t razer novos saberes, ou sej a, novas respostas para perguntas ainda não respondidas.
A Ciência, com o um a das form as de saber do hom em , tem seu cam po de at uação com m ét odos e princípios próprios, m as, com o form a de saber, não est á pront a e nunca est ará. A Ciência é, na verdade, um processo perm anente de conhecim ent o do m undo, um exercício de diálogo ent re o pensam ent o hum ano e a realidade, em t odos os seus aspect os.
Nesse sent ido, tudo o que ocorre com o hom em é m ot ivo de int eresse para a Ciência, que deve aplicar seus princípios e m étodos para construir respostas.
A PSICOLOGIA DOS PSICÓLOGOS
( ...) som os obrigados a renunciar à pret ensão de det erm inar para as m últ iplas invest igações psicológicas um obj et o ( um cam po de fat os) unit ário e coerent e. Consequent em ent e, e por sólidas razões, não som ent e históricas m as dout rinárias, t orna- se im possível à Psicologia assegurar- se um a unidade m et odológica. Por isso, t alvez fosse preferível falarm os, ao invés de "psicologia", em "ciências psicológicas". Porque os adj et ivos que acom panham o t erm o
"psicologia" podem especificar, ao m esm o t em po, t ant o um dom ínio de pesquisa ( psicologia diferencial) , um est ilo m et odológico ( psicologia clínica) , um cam po de prát icas sociais ( orient ação, reeducação, t erapia de dist úrbios com port am ent ais et c.) , quant o determ inada escola de pensam ento que chega a definir, para seu próprio
uso, t ant o sua problem át ica quant o seus conceit os e inst rum ent os de pesquisa. ( ...) não devem os est ranhar que a unidade da Psicologia, hoj e, nada m ais sej a que um a expressão côm oda, a expressão de um pacifism o ao m esm o t em po prát ico e enganador. Donde não haver nenhum inconvenient e em falarm os de "psicologias" no plural. Num a época de m ut ação acelerada com o a nossa, a Psicologia se sit ua no im enso dom ínio das ciências
"exat as", biológicas, nat urais e hum anas. Há diversidade de dom ínio e diversidade de m ét odos. Um a coisa, porém , precisa ficar clara: os problem as psicológicos não são feit os para os m ét odos; os m ét odos é que são feit os para os problem as. ( ...) I nt eressa- nos indicar um a razão cent ral pela qual a Psicologia se repart e em t ant as t endências ou escolas: a t endência organicist a, a t endência fisicalist a, a t endência psico- sociológica, a t endência psicanalít ica et c. Qual o obst áculo suprem o im pedindo que todas essas t endências cont inuem a const it uir "escolas" cada vez m ais fechadas, a pont o de desagregarem a out rora cham ada "ciência psicológica"? A m eu ver, esse obst áculo é devido ao fat o de nenhum cient ist a, consequent em ent e, nenhum psicólogo, poder considerar- se um cient ist a
"puro". Com o qualquer cient ist a, t odo psicólogo est á com prom et ido com um a posição filosófica ou ideológica. Est e fat o t em um a im port ância fundam ent al nos problem as est udados pela Psicologia. Est a não é a m esm a em t odos os países. Depende dos m eios cult urais. Suas variações dependem da diversidade das escolas e das ideologias. Os problem as psicológicos se diversificam segundo as corrent es ideológicas ou filosóficas venham reforçar est a ou aquela orient ação na pesquisa, consigam ocult ar ou im pedir est e ou aquele aspect o dos dom ínios a serem explorados ou consigam est erilizar est a ou aquela pesquisa, opondo- se im plícit a ou explicit am ent e a seu desenvolvim ent o.( ...) Hilt on Japiassu.
A psicologia dos psicólogos. 2.ed.Rio de Janeiro, I m ago, 1983.p. 24- 6.
1.Qual a relação ent re cot idiano e conhecim ent o cient ífico? Dê um exem plo de uso cot idiano do conhecim ento científico ( em qualquer área) .
2. Explique que é senso com um . Dê um exem plo desse tipo de conhecim ento.
3. Explique o que você entendeu por visão- de- m undo.
4. Cit e alguns exem plos de conhecim entos da Psicologia apropriados pelo senso com um . 5. Quais os dom ínios do conhecim ento hum ano? O que cada um deles abrange?
6. Quais as características atribuídas ao conhecim ento científico?
7. Quais as diferenças entre senso com um e conhecim ento científico?
8. Quais são os possíveis obj etos de estudo da Psicologia?
9. Quais os m otivos responsáveis pela diversidade de obj etos para a Psicologia?
10. Qual a m atéria- prim a da Psicologia?
11. O que é subj etividade?
12. Por que a subj et ividade não é inata?
13. Por que as práticas m ísticas não com põem o cam po da Psicologia científica?
1. você leu no t ext o, que exist em a psicologia cient ífica e a psicologia do senso com um . Supondo que o seu cont at o at é o m om ent o só t enha sido com a psicologia do senso com um , relacione sit uações do cot idiano em que você ou as pessoas com quem convive usem essa psicologia.