Parte 1
Conjuntos finitos, enumer ´aveis e
n ˜ao-enumer ´aveis
Georg Ferdinand Ludwig Philipp Cantor (1845-1818) R ´ussia.Para saber mais sobre os n ´ume- ros cardinais, consulte:
Halmos, Paul R.,Teoria Ing ´enua dos Conjuntos, Editora Pol´ıgono, S ˜ao Paulo, 1970.
Giuseppe Peano (1858-1932) It ´alia.
Julius Wihelm Richard Dedekind (1831-1916) Braunschweig,
A descoberta de que h ´a diversos tipos de infinito deve-se a Georg Cantor. Mas, para os objetivos do nosso curso, ser ´a necess ´ario distin- guir os conjuntos, quanto ao n ´umero de elementos, apenas em tr ˆes ca- tegorias: os conjuntos finitos; os conjuntos enumer ´aveis e os conjuntos n ˜ao-enumer ´aveis.
A noc¸ ˜ao deconjunto enumer ´avel, como veremos, est ´a estritamente ligada ao conjunto N dos n ´umeros naturais. Por isso iniciamos o curso com uma breve apresentac¸ ˜ao da teoria dos n ´umeros naturais a partir dos axiomas de Peano, que exibem os n ´umeros naturais como n ´umeros ordi- nais, isto ´e, objetos que ocupam lugares determinados numa sequ ˆencia ordenada. Depois, empregaremos os n ´umeros naturais para a contagem dos conjuntos finitos, mostrando que eles podem ser considerados como n ´umeros cardinais.
Dedekinddefiniu o conjuntoNdos n ´umeros naturais a partir da teoria dos conjuntos e demonstrou os axiomas de Peano (ver [Halmos]).
Do ponto de vista dePeano, os n ´umeros naturais n ˜ao s ˜ao definidos.
E apresentada uma lista de propriedades (axiomas) que eles satisfazem´ e tudo o mais decorre da´ı. N ˜ao interessa o que os n ´umeros s ˜ao, mas apenas as suas propriedades.
Os n ´umeros naturais
1. Os n ´umeros naturais
Toda a teoria dosn ´umeros naturaispode ser deduzida dos tr ˆes axi- omas abaixo, conhecidos comoaxiomas de Peano.
S ˜ao dados, como objetos n ˜ao-definidos, um conjunto, que se de- signa pela letra N, cujos elementos s ˜ao chamados n ´umeros naturais, e uma func¸ ˜ao s : N −→ N. Para cada n ∈ N, o n ´umero natural s(n) ´e chamado osucessorden.
A func¸ ˜aossatisfaz aos seguintes axiomas:
(I)s:N−→N ´e injetiva, ou seja, ses(m) =s(n), ent ˜aom=n.
(II) N −s(N) consiste de um ´unico elemento, ou seja, existe um
´unico n ´umero natural que n ˜ao ´e sucessor de outro n ´umero natural. Este n ´umero, chamadoum, ´e representado pelo s´ımbolo1.
Assim,s(n)6=1para todon∈Ne, sen6=1, existe um ´unicom ∈N tal ques(m) =n.
Uma demonstrac¸ ˜ao na qual o axi- oma (III) ´e empregado, chama-se umademonstrac¸ ˜ao por induc¸ ˜ao.
Ver exemplo 1.1.
(III) (Princ´ıpio de Induc¸ ˜ao) Se X ⊂ N ´e tal que 1 ∈ X e, para todo n∈Xtem-ses(n)∈X, ent ˜aoX=N.
Exemplo 1.1
Demonstrar por induc¸ ˜ao ques(n)6=npara todon∈N. Soluc¸ ˜ao: SejaX={n∈N|s(n)6=n}.(1)1 ∈X, pois, pelo axioma (II), s(n) 6=1para todo n∈ N. Em particular s(1)6=1.
(2)Sejan∈X, ou seja,s(n)6=n.
Comos ´e injetiva, pelo axioma (I),s(s(n))6=s(n). Isto ´e,s(n)∈X.
Ent ˜ao, pelo princ´ıpio de induc¸ ˜ao, axioma (III), X = N, ou seja, s(n) 6= n para todon∈N.
N ˜ao menos importante do que de- monstrar proposic¸ ˜oes usando o princ´ıpio de induc¸ ˜ao ´e saberde- finirobjetospor induc¸ ˜ao.
As definic¸ ˜oes por induc¸ ˜ao baseiam-se na possibilidade de se iterar uma func¸ ˜aof:X−→Xum n ´umero arbitr ´ario,n, de vezes.
Mais precisamente, sejamX um conjunto ef: X−→ Xuma func¸ ˜ao.
A cadan∈Npodemos associar, de modo ´unico, uma func¸ ˜aofn:X−→X tal que:
f1=f e fs(n)=f◦fn.
Usando as iteradas da func¸ ˜ao s:N−→Nvamos definir por induc¸ ˜ao aadic¸ ˜ao de n ´umeros naturais.
Numa exposic¸ ˜ao sistem ´atica da teoria dos n ´umeros naturais, a exist ˆencia don−´esimo iteradofn de uma func¸ ˜ao f : X −→ X´e um teorema, chamado Teorema da Definic¸ ˜ao por Induc¸ ˜ao.
A operac¸ ˜ao de adic¸ ˜ao de n ´umeros naturais ´e uma func¸ ˜ao que a cada par de n ´umeros naturais (m, n) ∈ N× N faz corresponder o n ´umero natu- ral sn(m) designado m+ne chamado asoma demen.
Isto ´e,
+ :N×N −→ N
(m, n) 7−→ m+n=sn(m)
Definic¸ ˜ao 1.1
Sejam m, n ∈ N. O n ´umero natural sn(m) ´e chamado a somademene ´e designado porm+n. Isto ´e,m+n=sn(m).
A operac¸ ˜ao que consiste emsomarn ´umeros naturais ´e denominadaadic¸ ˜ao, e ´e designada pelo s´ımbolo+.
Assim,
•m+1=s(m)(somarm com1significa tomar o sucessor dem).
•m+s(n) =ss(n)(m) =s(sn(m)) = s(m+n),
ou seja,
m+ (n+1) = (m+n) +1.
Proposic¸ ˜ao 1.1
A adic¸ ˜ao de n ´umeros naturais possui as seguintes pro- priedades:(a)Associatividade: m+ (n+p) = (m+n) +p. (b)Comutatividade: m+n=n+m.
(c)Tricotomia: dadosm, n∈N, exatamente uma das seguintes tr ˆes alter- nativas ocorre: oum =n, ou existe p∈Ntal que m=n+p, ou existe q∈Ntal quen=m+q.
(d)Lei de cancelamento: m+n=m+p=⇒n=p.
Prova.
(a)Sejamm, n∈Nn ´umeros naturais arbitr ´arios e seja X={p∈N|m+ (n+p) = (m+n) +p}. Ent ˜ao1∈Xe sep∈X, tem-se que
m+ (n+s(p)) = m+s(n+p) =s(m+ (n+p)) = s((m+n) +p)
= (m+n) +s(p).
Logo, s(p) ∈ X e, portanto, X = N, ou seja, m+ (n+p) = (m+n) +p, quaisquer que sejamm, n, p∈N.
Os n ´umeros naturais
(b)•SejaX={m ∈N|m+1=1+m}.Ent ˜ao,1∈Xe sem ∈X, tem-se 1+s(m) =s(1+m) =s(m+1) =s(s(m)) =s(m) +1,
ou seja,s(m)∈X. Logo, X=N, isto ´e,m+1=1+m, qualquer que seja m∈N.
•SejaY ={m∈N|m+n=n+m}, onden∈N.
Ent ˜ao, pelo provado acima,1∈Y. E sem ∈Y, tem-se que n+s(m) = s(n+m) =s(m+n) =m+s(n)
= m+ (n+1) =m+ (1+n) = (m+1) +n
= s(m) +n ,
ou seja, s(m) ∈ Y. Logo, Y = N, isto ´e, m +n = n+m quaisquer que sejamm, n ∈N.
(c)Sejam ∈Ne seja
X={n∈N|nem satisfazem a propriedade de tricotomia}.
(1)1 ∈ X. De fato, oum =1ou m 6=1 e, neste caso,m ´e o sucessor de algum n ´umeron0∈N, ou seja, existen0∈Ntal que
1+n0=n0+1=s(n0) =m.
(2)Sejan ∈ X. Ent ˜ao, oun =m, ou existe p∈ Ntal que n = m+p, ou existeq∈Ntal quem =n+q.
Vamos provar ques(n)∈X.
De fato,
•sen=m=⇒s(n) =s(m) =m+1.
•sen=m+p=⇒s(n) =s(m+p) = (m+p) +1=m+ (p+1).
• sem = n+q =⇒ ouq = 1 ou q 6= 1. Se q = 1, m = n+1, ou seja, s(n) =m. Seq6=1, existeq0∈Ntal queq0+1=q.
Logo,
m =n+q=n+ (q0+1) =n+ (1+q0) = (n+1) +q0=s(n) +q0. Em qualquer caso, provamos que ou s(n) = m, ou existe r ∈ N tal que s(n) =m+r, ou existeℓ∈Ntal quem=s(n) +ℓ.
Logo, X = N, ou seja, dadosm, n ∈ N temos que, ou m = n, ou existe p∈Ntal quem=n+p, ou existeq∈Ntal quen=m+q.
Exerc´ıcio 1:Para provar que vale exatamente uma das tr ˆes alterna- tivas ao lado, verifique antes que n+p6=nquaisquer que sejam n, p∈N.
(d)Sejamm, n, p∈Ntais quem+n=m+p.
Pela propriedade de tricotomia, temos que ou p = n ou existe q ∈ N tal quen=p+q, ou existeℓ∈Ntal quep=n+ℓ.
Ent ˜ao, sep6=n, temos que:
•n =p+q =⇒ m+ (p+q) = m+p=⇒ (m+p) +q =m+p, o que ´e uma contradic¸ ˜ao (ver o exerc´ıcio 1 acima).
ou
•p =n+ℓ =⇒ m+n= m+ (n+ℓ) = (m+n) +ℓque ´e tamb ´em uma contradic¸ ˜ao.
Logo,p=n.
Arelac¸ ˜ao de ordemno conjunto dos n ´umeros naturais ´e definida em termos da adic¸ ˜ao.
Definic¸ ˜ao 1.2
Dados m, n ∈ N, dizemos que m ´emenor do quen (ou que n ´e maior do que m) e escrevemos m < n (ou n > m) se existir p∈Ntal quen=m+p.A notac¸ ˜aom≤nsignifica quem
´e menor do que ou igual an.
Proposic¸ ˜ao 1.2
A relac¸ ˜ao<possui as seguintes propriedades:(a) Transitividade: sem < nen < p, ent ˜aom < p.
(b) Tricotomia: dadosm, n ∈N, ocorre exatamente uma das alternativas seguintes:
m=n, ou m < n, ou n < m.
(c) Monotonicidade: sem < nent ˜aom+p < n+ppara todop∈N.
Prova.
(a) Se m < n e n < p, existem q1 ∈ N e q2 ∈ N tais que n = m+q1 ep=n+q2.
Logo,
p=n+q2= (m+q1) +q2 =m+ (q1+q2).
Ent ˜ao,m < p.
(b)Sejam m, n ∈ N. Ent ˜ao, ocorre exatamente uma das seguintes alter- nativas:
Os n ´umeros naturais
•oum =n;
•ou existep∈Ntal quem=n+p, ou sejan < m;
•ou existeq∈Ntal quen=m+q, ou sejam < n.
(c)Sejamm, n, p∈N. Sem < n, existeq∈Ntal quen=m+q.
Logo,
n+p= (m+q) +p=m+ (q+p) =m+ (p+q) = (m+p) +q, ou seja,m+p < n+p.
Definiremos, agora, a multiplicac¸ ˜ao de n ´umeros naturais.
Definic¸ ˜ao 1.3
Para cadam∈N, sejafma func¸ ˜ao definida por fm:N −→ Np 7−→ fm(p) =p+m .
Oprodutode dois n ´umeros naturais ´e definido por:
•m·1=m,
•m·(n+1) = (fm)n(m).
A operac¸ ˜ao de multiplicac¸ ˜ao ´e a func¸ ˜ao que a cada par de n ´umeros naturais associa o seu produto:
·:N×N −→ N (m, n) 7−→ m·n Multiplicar dois n ´umeros naturais significa calcular o produto entre eles.
O produto demen´e designado porm·nou pormn.
Assim, multiplicar um n ´umero m por 1 n ˜ao o altera, e multiplicar m por um n ´umero maior que 1, ou seja, por um n ´umero da forma n+1, ´e iterarn−vezes a operac¸ ˜ao de somarm, comec¸ando comm.
Por exemplo:
m·2=fm(m) =m+m;
m·3= (fm)2(m) =fm(fm(m)) =fm(m+m) =m+m+m.
Observac¸ ˜ao 1.1
Pela definic¸ ˜ao acima, temos que m·(n+1) =m·n+m , ∀m, n∈NDe fato, sen=1, ent ˜ao
m·n+m=m·1+m =m+m = (fm)1(m) =m·(1+1). Sen6=1, existen0∈Ntal ques(n0) =n. Logo,
m·n+m = m·(n0+1) +m = (fm)n0(m) +m
= fm((fm)n0)(m) = (fm)s(n0)(m)
= (fm)n(m) =m·(n+1).
Proposic¸ ˜ao 1.3
A multiplicac¸ ˜ao de n ´umeros naturais satisfaz as se- guintes propriedades:(a) Distributividade: m·(n+p) =m·n+m·pe(m+n)·p=m·p+n·p.
(b) Associatividade: m·(n·p) = (m·n)·p.
(c) Comutatividade: m·n=n·m.
(d) Monotonicidade: m < n=⇒m·p < n·p.
(e) Lei de cancelamento: m·p=n·p=⇒m=n.
Prova.
(a)Sejamm, n∈Ne sejaX={p∈N|m·(n+p) =m·n+m·p}. J ´a vimos que1∈X. Suponhamos quep∈X. Ent ˜ao,
m·(n+ (p+1) = m·((n+p) +1) =m·(n+p) +m·1
= (m·n+m·p) +m=m·n+ (m·p+m)
= m·n+m·(p+1), ou seja, p+1∈X . Logo, X = N. Isto ´e, m·(n+p) = m·n+m·p quaisquer que sejam m, n, p∈N.
Seja, agora,Y ={p∈N|(m+n)·p=m·p+n·p}. Ent ˜ao,
•1∈Y, pois(m+n)·1=m+n=m·1+n·1.
•Sep∈Y, temos:
(m+n)·(p+1) = (m+n)·p+ (m+n) =m·p+n·p+m+n
= m·p+m+n·p+n=m·(p+1) +n·(p+1),
ou seja,p+1∈Y. Logo,Y=N, isto ´e,(m+n)·p=m·p+n·pquaisquer que sejamm, n, p∈N.
(b)Sejamm, n∈Ne sejaX={p∈N|m·(n·p) = (m·n)·p}. Ent ˜ao,
•1∈X, poism·(n·1) =m·n= (m·n)·1.
•Sep∈X, temos
m·(n·(p+1)) = m·(n·p+n) =m·(n·p) +m·n
= (m·n)·p+m·n= (m·n)·(p+1),
ou seja,p+1∈X.
Logo,X=N, isto ´e,m·(n·p) = (m·n)·pquaisquer que sejamm, n, p∈N.
Os n ´umeros naturais
(c)SejaX={m∈N|m·1=1·m}. Ent ˜ao,1∈Xe sem∈Xtemos que (m+1)·1=m·1+1·1=1·m+1·1=1·(m+1),
ou seja,m+1∈X.
Logo,X=N, isto ´e,m·1=1·m,∀m∈N.
Seja, agora, Y = {m ∈ N|m·n = n·m}, onde n ∈ N. Ent ˜ao, pelo que acabamos de provar acima,1∈Y.
Sem∈Y, temos
(m+1)·n=m·n+1·n=n·m+1·n=n·m+n=n·(m+1), ou seja,m+1∈Y.
Logo,Y =N, ou seja,m·n=n·mquaisquer que sejamm, n ∈N. (d)Sejamm, n∈Ntais quem < n. Ent ˜ao, existeq∈Ntal quen=m+q.
Logo,
n·p= (m+q)·p=m·p+q·p, ou seja,m·p < n·p.
(e)Sejamm, n, p∈Ntais quem·p=n·p.
Ent ˜ao,m=n, pois, caso contr ´ario, ter´ıamos que:
•m < n=⇒m·p < n·p(absurdo), ou
•n < m=⇒n·p < m·p(absurdo) .
Definic¸ ˜ao 1.4
SejaX⊂ N. Dizemos quep∈ X ´eo menor elemento de X, ou oelemento m´ınimodeX, se p≤n para todon∈X.Observac¸ ˜ao 1.2
• 1 ´e o menor elemento de N, pois se n 6= 1, existe n0 ∈Ntal quen0+1=n. Ent ˜ao, n > 1.•SeX⊂Ne1∈X, ent ˜ao1 ´e o menor elemento deX.
•O menor elemento de um conjuntoX⊂N, se existir, ´e ´unico. De fato, se peqs ˜ao menores elementos deX, ent ˜aop≤qeq≤p. Logo,p=q.
Existe X ⊂ N sem menor ele- mento?
Definic¸ ˜ao 1.5
SejaX ⊂ N. Dizemos que p∈ X ´e omaior elementode X, ou oelemento m ´aximodeX, sep≥npara todon∈X.Observac¸ ˜ao 1.3
• Nem todo subconjunto de N possui um maior ele- mento. Por exemplo,Nn ˜ao tem um maior elemento, pois sen∈N, ent ˜ao n+1=s(n)∈Nen+1 > n.•Se existir o maior elemento de um conjuntoX⊂N, ele ´e ´unico.
Teorema 1.1
(Princ´ıpio da Boa Ordenac¸ ˜ao)Todo subconjunton ˜ao-vazio A⊂Npossui um elemento m´ınimo.
Prova.
SejaX={n∈N| {1, . . . , n}⊂N−A}.
Se1∈A, ent ˜ao1 ´e o menor elemento de A. Se16∈A, ent ˜ao1∈X.
ComoA6=∅eX⊂N−A, temos queX6=N.
Logo, pelo princ´ıpio de induc¸ ˜ao, existen0∈Xtal quen0+16∈X, ou seja, 1, . . . , n06∈Aen0+1∈A.
Assim,n0+1≤n, para todon∈A.
Outra demonstrac¸ ˜ao.
Suponha, por absurdo, queAn ˜ao tem um menor elemento. Seja X={p∈N|p≤n , ∀n∈A}.
Ent ˜ao:
(1)1∈X, pois1≤n∀n∈N.
(2)Sejap∈X, ou seja,p∈Nep≤n∀n∈A.
ComoAn ˜ao tem um menor elemento, temos quep6∈A. Logo,p < npara todon∈A, ou seja, para todo n∈Aexiste qn∈Ntal quen=p+qn. Ent ˜ao,p < p+qn=⇒p+1≤p+qn=n , ∀n∈A=⇒p+1∈X.
Pelo princ´ıpio de induc¸ ˜ao, temos que X = N, o que ´e um absurdo, pois, como A 6= ∅, existe n0 ∈ A. Sendo X = N, n0 +1 ∈ X e, portanto, n0+1≤n0.
Teorema 1.2
(Segundo Princ´ıpio de Induc¸ ˜ao)Seja X ⊂ N um conjunto com a seguinte propriedade: dado n ∈ N, se X cont ´em todos os n ´umeros naturais m tais que m < n, ent ˜ao n ∈ X.
Nestas condic¸ ˜oes,X=N.