AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL: QUALIDADE E APLICABILIDADE
Marcos Francisco de Sousa
1Patrícia Gonçalves Oliveira
2Tomás Savie Eurico
3Wilson Guasti Junior
4RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar o processo de implantação da avaliação institucional visando compreender a qualidade e a aplicabilidade dessa avaliação nas instituições de ensino. A relevância dos processos avaliativos para a concretização dos fins educacionais e da instituição além do reconhecimento da interdependência dos múltiplos objetos de análise da avaliação.
Palavras-chave: Avaliação institucional; Qualidade no ensino.
1 INTRODUÇÃO
Criado em meados de 1990 o sistema de avaliação do Ensino Superior brasileiro, se estrutura em um Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras - PAIUB. A avaliação consistia em um procedimento que unia diversos aspectos do ensino, pesquisa, extensão e gestão das instituições (critério da globalidade) e o
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Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade Del Salvador – USAL. Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Educação da Serra - FASE. Graduado em Tecnologia, Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade Salesiana de Vitória. Atualmente é coordenador e docente do curso de Sistemas de Informação no Centro de Ensino Superior Fabra.
Contato: [email protected].
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Doutoranda em Ciências da Educação pela Universida Nacional de Cuyo. Mestre em Economia Empresarial pela Universidade Candido Mendes. Especialista em Gestão Empresaria pela Faculdade de Educação da Serra – FASE. Atualmente é diretora adjunta no Centro de Ensino Superior Fabra.
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Mestre em Administração de Empresas pela FUCAPE Business School. Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Educação da Serra - FASE e em Logística Estratégica Empresarial e Internacional pela Faculdade Batista de Vitória - FABAVI. Atualmente é docente no Centro de Ensino Superior Fabra. Contato: [email protected].
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Mestrando em Sistemas de Informação na Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.
Especialista em Engenharia de Software pela Fundação Educacional Padre Cleto Caliman.
Licenciado em Matemática pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES. Atualmente é docente do curso de Sistemas de Informação no Centro de Ensino Superior Fabra. Contato:
[email protected].
respeito à identidade institucional (perfil, missões, condições, necessidades, apurações). Sua validade se fundava na inclusão e participação dos estabelecimentos, fortalecendo sua autonomia.
Foram criadas novas diretrizes para Avaliação da Educação Superior no ano de 2004, por meio da Lei n°10.861, o SINAES - Instituindo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, que se baseia na melhoria da qualidade e na importância das atividades de cada instituição educacional. Dividido em dois momentos o novo sistema é assim feito:
1º. Auto-avaliação conduzida, pelas Comissões Próprias de Avaliação; e 2º. Avaliação externa, realizada por comissões designadas pelo INEP.
Como exemplos de avaliações externas têm o ENADE - Exame Nacional de Avaliação de Desempenho dos Estudantes e as avaliações geridas pelo CONAES - Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior. Expondo cinco diretrizes do processo de Avaliação Institucional temos:
I - Incide numa atividade intrínseca ao processo de planejamento, sendo o processo continuado, geral, específico, buscando agregar ações.
II - Organiza críticas às suas ações e aos resultados alcançados.
III - Esquadrinha conhecer e armazenar os obstáculos e probabilidades do trabalho analisado.
IV - Metodologia democrática, proporcionando os aspectos a serem avaliados envolvendo a participação dos sujeitos.
V - Processo límpido e ético em relação a seus fundamentos, enfoque e, sobretudo, no que se refere ao uso e exposição dos resultados.
A avaliação institucional é um processo constante, tendo como fundamental função
avaliados. Sendo coligada no ato do ensino e agregada na ação de formação, caracteriza-se como um importante instrumento de progresso da qualidade do ensino o tempo em que admite a identificação de problemas. O educador é conhecedor a respeito do desenvolvimento da aprendizagem e o educando sobre seus sucessos e dificuldades.
Deste modo, a avaliação institucional permite a reestruturação do processo educacional e a iniciação de mudanças na Instituição. Este método contribui com a reestruturação das atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão da Instituição, tendo em vista melhorias em cada um desses pilares fundamentais.
Brotado a partir da prática de análise ou investigação institucional tem-se o conhecimento, e o processo avaliativo visa à aquisição de conhecimentos relevantes, tendo como menção a identidade institucional, seus valores e sua cultura. Possibilitando delinear as características primordiais que regulam a Instituição, tendo em vista seu constante aperfeiçoamento. Contribui efetivamente como sustentáculo a um processo ético, educativo e contínuo de mudanças. A avaliação está, vinculada à qualidade, permitindo que a comunidade acadêmica desenvolva uma cultura de avaliação.
O cumprimento do plano de avaliação abrange a constante sistematização dos
métodos adotados, a determinação de um cronograma de ações a serem
desenvolvidas e a preparação de relatórios periódicos que representem o conjunto
das relações e práticas do cotidiano dos envolvidos no processo, redefinindo
estratégias visando o constante aperfeiçoamento da Instituição.
2 CONCEITOS E ETAPAS DA AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL
A avaliação institucional tem como características identificar aspectos sólidos, formais e informais, explícitos ou não, internos e externos, que viabilizam a efetivação dos objetivos e fins educacionais sugeridos num projeto institucional. Tem que se analisar toda a dinâmica institucional para apreender o espírito da instituição avaliada. Neste aspecto, a avaliação institucional tem um caráter formativo e estará voltado para a compreensão e elevação da autoconsciência da instituição escolar.
Em debates sobre a educação tem uma cobrança cada vez maior com o desempenho da escola, por ela ser considerada uma instituição social indispensável à sociedade atual e à formação humana.
Posteriormente a um tempo de oscilação das questões avaliativas entre o nível macro do sistema educacional e o nível micro da sala de aula, atualmente é exatamente para o contexto da instituição escolar – nível meso – que as propostas de inovações educacionais têm-se voltado, tendo fé que é no espaço escolar que elas podem ser arraigadas e desenvolvidas.
Porém, um dos enfoques da avaliação institucional que se expõe envolve aquela em que o Estado passa a ser um avaliador externo tendo o papel de controlar, monitorar, credenciar e oferecer indicadores de desempenho para as escolas e os sistemas de ensino dos países. É normalmente decidida por razões de ordem macroestrutural que se detém às obrigações de controle organizacional no nível dos sistemas de ensino. É a modalidade chamada de avaliação institucional externa.
Para debater o que avaliar é de principal importância para entender o que é e para
que serve a avaliação institucional. No sentido literal, avaliar significa determinar o
valor, apreciar o merecimento ou estimar o juízo. Aplicado às instituições a avaliação
constitui uma ferramenta para assessorar no planejamento e na gestão
compartilhada da escola, um processo sistemático de prestação de contas à sociedade.
A avaliação institucional deveria rever e aperfeiçoar o Projeto Político Pedagógico (PPP), gerando melhorias na qualidade e acatando quatro objetivos básicos:
1º - Alimentar o interesse pela auto-avaliação de todos os envolvidos e interessados no processo.
2º - Conhecer melhor as tarefas pedagógicas e administrativas para direcioná-las a função educacional.
3º - Gerar a sistematização das ações educacionais, sugerindo mudanças.
4º - Noticiar os resultados, prestando contas à sociedade.
Os princípios norteadores são:
Gestão democrática, Projeto Político Pedagógico e Avaliação Institucional.
Etapas da Avaliação Institucional:
Avaliação diagnóstica inicial, Avaliação de processo e Avaliação de resultados.
Estratégias de operacionalização
Qual é a
situação atual? Qual é a
situação futura?
Que caminhos seguir?
Etapa de
preparação Etapa de Etapa de síntese
implementação
Grupos de trabalhos formados pelos segmentos da UE
Elaboração de instrumentos
Aplicação Análise
Divulgação Tomada de decisão
Etapas do Processos da Avaliação Institucional:
Devido a incessante exigência da sociedade e o governo cobrar avanço no desempenho de alunos e professores, é necessário discorrer sobre a auto-avaliação institucional e a Avaliação externa.
Qualquer que seja a metodologia e as técnicas optadas, é recomendado realizar uma avaliação que reproduza a realidade, sugerindo caminhos seguros para melhorar a qualidade da educação.
Auto-Avaliação – É o momento onde a própria instituição volta-se para o levantamento da sua realidade, utilizando metodologias e instrumentos que possibilitem uma análise abrangente e profunda sobre sua estrutura.
Avaliação Externa – É o momento de agregar o olhar externo ao processo interno.
Pode ser praticada por especialista externo convidado e/ou pelo poder público por meio de suas ações de regulação do sistema de ensino.
Resumindo, precisa-se cumprir três etapas:
Sensibilizar
Realizar encontros e reuniões para ilustrar aos professores, alunos, funcionários e a comunidade sobre os benefícios e riscos da avaliação, fornecendo textos para a discussão e chamando especialistas para debaterem ideias com todos.
Diagnosticar
Levantar informações acerca da organização curricular, as condições do corpo
discente e docente, o aspecto do educando ao ingressar e ao se formar, a
adequação deste perfil com as necessidades da comunidade, a interdisciplinaridade,
o preceito didático-pedagógico e de avaliação, os objetivos de cada disciplina e
conteúdo, as condições técnicas e estruturais, a infraestrutura física, o pessoal técnico-administrativo entre outros fatores.
Submeter os resultados à avaliação externa
Introduzir informações externas à escola, da comunidade ou não, para avaliar os dados, buscar falhas e sugerir progressos.
É evidente que as etapas de auto-avaliação são de fundamental importância para a formação do Projeto Político Pedagógico, a despeito da maior parte dos gestores ignorarem este fato.
3 O OBJETO DA AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL
A avaliação deve ser entendida como:
Procedimento contínuo de aprimoramento do ensino;
Instrumento para o planejamento e gestão compartilhada da escola; e
Método sistemático de prestação de contas à sociedade.
Avaliar é seguir próximo à instituição, aumentando as interações entre a equipe para melhorar as ações da escola como um todo, e conferir se as funções e prioridades definidas estão sendo realizadas e atendidas com os resultados almejados, é isto que dá sentido à avaliação.
É necessária à auto-avaliação e a avaliação externa como caráter público de suas ações, pois a manutenção e os resultados afetam toda a sociedade, por isso deve ser avaliada em termos de sua eficácia social e eficiência de seu funcionamento.
As avaliações, interna e externa, são modos de instigar a melhoria do desempenho
e de impedir que a rotina descaracterize os objetivos fundamentais, preocupando-se
basicamente com os resultados das ações educativas, em reservado, os referentes a ensinar e aprender. Deve ser um processo contínuo e aberto, no qual os setores da instituição pensem sobre seus modos de atuação e os resultados de suas atividades em busca da melhoria como um todo.
Além de se valer da racionalidade dos meios, usando aferições quantitativas e indicadores clássicos, a avaliação institucional abrange dimensões qualitativas, inclusive, aquelas vinculadas ao Projeto Político Pedagógico.
Ao se avaliar não se espera eliminar todos os desacordos, dúvidas e contradições características do cotidiano escolar, porém, a avaliação deve cooperar para manifestar e incitar a identidade própria de cada instituição, conservando a pluralidade de opiniões que é de modo indispensável.
3.1 PRINCÍPIOS
Visando a descentralização dos métodos e a tomada de decisão colegiada intrínseca aos princípios da autonomia, uma avaliação institucional deve ser feita tendo em vista alguns princípios básicos:
Assentir ou conscientizar acerca da necessidade da avaliação por todos os segmentos envolvidos;
Reconhecer a validade e pertinência dos critérios a serem tomados;
Abranger diretamente todos os segmentos da comunidade no cumprimento e na prática de melhorias contando com a participação de todos;
Ser contínuo e permanente;
Ter como diretriz no processo de avaliação o Plano de Desenvolvimento Institucional;
Utilizar métodos qualitativos e quantitativos de avaliação;
Constituir métodos de simples entendimento e administração;