1ª Edição
Câmara Brasileira de Jovens Escritores
O ABDUZIDO
e outros contos
Antonio C Almeida
Câmara Brasileira de Jovens Escritores Rua Marquês de Muritiba 865, sala 201 - Cep 21910-280
Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 3393-2163 www.camarabrasileira.com.br
Maio de 2020
Primeira Edição
Conselho Editorial Presidente: Glaucia Helena
Editor: Georges Martins Coordenação editorial: Luiz Carlos Martins
Editor de Arte: Alexandre Campos Produção gráfica: Fernando Dutra Comissão de Avaliação: Leo Martins, Leonardo Ach,
Milena Patrícia, Fernando Dutra, Vânia Ferreira, Fernanda Redon, Rodrigo Tedesco,
Bruna Gala, Arthur Henrique Santos
É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio e para qualquer fim, sem a autorização
prévia, por escrito, do autor.
Obra protegida pela Lei de Direitos Autorais
Rio de Janeiro - Brasil
Maio de 2020
O ABDUZIDO
e outros contos
Antonio C Almeida
Prova 01 CBJE
Prova 01 CBJE
Considerações iniciais
Caro leitor, grato pela entrega de seu tempo. Neste privilégio de poder contar com a sua leitura nestes escritos, que tem como objetivo passar na forma de contos estórias.
Compartilhar um pouco de vivência diferenciada que espero acrescentar algo em sua vida. São revoltas, vitórias, desespero, amor, vinganças em contos cuidadosamente escritos.
O melhor presente para um escritor é o leitor. Pena que estamos chegando ao final da leitura impressa em papel.
Provavelmente livros em papel serão artigos de pouca aquisição.
É a evolução natural proporcionada pelo avanço da tecnologia.Infortúnio não pelo progresso que é inevitável e necessário, mas sim pelo abandono do charme natural do formato, cheiro e a associação emocional relacionada a um presente que chega. O doce momento da escolha e a emoção de acompanhar nas páginas o que chega em letras.
Nesta oportunidade de estar em sua companhia, espero chegar ao propósito de entreter e fazer deste um objeto que lhe acompanhará por longos anos de muita leitura e releitura, pois sempre é bom voltar a uma bela estória. Nos dias de hoje um livro sempre é bom como acompanhante em vigem. Então boa viagem.
Antonio C Almeida
Prova 01 CBJE
Prova 01 CBJE
SUMÁRIO
Considerações iniciais ... 5
O Abduzido ... 9
Cúmplices Pelo Sangue ... 14
Inferno de Sangue ... 18
Matar ou Morrer ... 22
Morra, Mas Morra Lentamente ... 27
Resgatada do inferno ... 31
Golpe Mortal ... 35
Mentes Diabólicas... 41
Uma Morte Para Esta Noite ... 45
A Marca Do Demônio ... 49
Amor Assassino ... 58
Natureza Assassina ... 61
No Caminho do assassino ... 64
Morte Por Amor... 70
A Morte Pede Carona ... 75
Sede De Vingança... 79
Corpo Sem Alma ... 82
O Caçador de Demônios ... 85
Licença Para Matar ... 89
Sonhos Mortais ... 92
Condenado à Morte ... 95
Vozes Do Além ... 98
Loucura Assassina ... 102
Lançada Ao Inferno ... 106
Um Motivo Para Matar ... 109
Trama Assassina ... 117
Dois anos se passam ... 118
Assassino a solta ... 125
Vingança Paga na mesma moeda ... 129
O Fim Do Mundo... 132
Suicídio Dirigido ... 135
Quem Matou Rebeca? ... 141
Divina Loucura ... 145
Manicômio Interior ... 150
Assassinato a três... 152
Prova 01 CBJE
Loucura Sangrenta ... 156
Profissão Matar ... 159
O Profissional... 163
Anjos da Terra ... 166
Morte Em Família ... 170
Morte acidental ... 178
Tapa Na Cara ... 183
0800 SUICÍDIOS ... 185
Vingança Sangrenta ... 191
Sentença de Morte ... 198
A loucura de Nanda ... 200
A Guerra De Renã ... 204
Faca Na Carne ... 207
Risco De Morte ... 210
Muito Além Da Paixão ... 212
Corpos Na Estrada ... 219
Morte Anunciada ... 221
Com Sangue Na Mão ... 224
A Rosa e o Vento ... 229
18 horas de Loucura ... 232
Segundas Intenções ... 237
O Enigma da Barata ... 241
O ANJO E O DEMÔNIO ... 244
O inferno de Rogério ... 248
Prova 01 CBJE
O Abduzido
- O que fiz para receber tanta dor!
Em um canto de sua casa Rogério chorava desesperadamente. Ao seu lado Raquel esbanjava lágrimas, enquanto se apoiava no ombro de seu marido.
Passava de oito meses e Leandro, filho do casal, fora considerado caso arquivado. Seu filho, um garoto de oito anos, estava sem paradeiro.
Como todos os sábados, o filho do casal brincava com os seus colegas, próximo à sua casa. Naquele sábado, dia de seu desaparecimento, corria pelas Ruas do Bairro onde morava, até que ao entrar em uma Rua sem saída, simplesmente desapareceu.
Após buscas exaustivas a Polícia deu como encerrada a possibilidade de encontrá-lo. Raquel e Rogério, extremamente exaustos, entristecidos, se colocaram a disposição da polícia em caso da necessidade de qualquer informação. Entretanto Rogério não se conformara.
Passa-se dois anos.
Rogério se encontrava em seu apartamento, um conjugado repleto de poeira. Sentado à frente de um computador procurava informações sobre pessoas desaparecidas.
Roupas jogadas em um velho estofado, uma cama de solteiro com o lençol sujo, empoeirado; no canto sobre uma
Prova 01 CBJE
mesa um abajur, próximo a ele uma escrivaninha onde ficava um computador, o espaço em que Rogério se escondia em sua agonia na busca de informações mostrava que morria a cada dia de sua busca. Sobre uma mesinha de cabeceira se encontrava um sinal que refletia o sentimento de afinidade familiar. Uma foto com ele, seu filho desaparecido e sua esposa Raquel ficara virada frente à cama como uma lembrança distante de momentos sempre presentes na mente de quem tenta dormir.
Rogério trabalhava em um supermercado. No final da tarde procurava um bar para beber após o expediente. Então voltava para a solidão de seu apartamento onde procurava respostas para o seu enigma, seu filho Leandro.
Manhã de segunda-feira, Rogério se levanta, procura uma roupa para ir ao trabalho, caminha até chegar frente à porta de saída de sua casa, debaixo da porta um papel chamava-lhe a atenção:
“Rio de Janeiro. Menor de sete anos se perde em supermercado. Elena caminhava pelo supermercado PEQUENOPREÇO, quando, ao deixar por segundos de segurar a mão de seu filho percebeu que ele desaparecera.”
Rogério leu a notícia e ficou intrigado, logo lhe veio à imagem de seu filho. Sem se deter muito ao acontecido voltou para a sua rotina. Oito horas da noite, Rogério volta para casa após um longo dia de trabalho e algumas bebidas. Ao entrar em casa percebe um papel colocado em sua casa por baixo da porta, da mesma forma do papel que encontrara pela manhã:
“São Paulo, Marcos Técio, 39 anos, foi dado como desaparecido por familiares. Ao sair do trabalho, Marcos,
Prova 01 CBJE
acompanhado por sua esposa, se dirigiu de mãos dadas para a estação de metrô próximo a sua casa. Ao chegarem à estação, prontos para entrar na condução, foram separados pelo grupo de pessoas que desembarcavam, Sueli, sua esposa, aguardou por alguns minutos, entretanto Marcos não apareceu mais. “
Rogério, apesar de ficar curioso sobre as notícias colocadas por baixo de sua porta, voltou para sua rotina diária. Caminhou até o seu computador, ligou e procurou notícias para se atualizar.
Ao entrar em seu servidor de E-mail percebeu um novo com a seguinte palavra: - Arrebatamento.
Passaram-se dois dias e Rogério se esquecera do assunto.
Caminhava tranquilo pela Rua em direção ao seu trabalho.
Entrou em um ônibus e sentou, ao seu lado sentou-se uma bela mulher que lhe chamou a atenção pelo seu belo corpo e rosto, conteve-se como de costume, ao se encontrar em situações parecidas e seguiu viagem com aquela bela imagem ao lado.
Faltando alguns pontos para ele descer a mulher se levantou, o olhou e lhe entregou um cartão. Rogério ficou entusiasmado, observou com toda a atenção o cartão enquanto aquela bela mulher, de olhar amendoado - O canto externo do olho é levemente elevado, tem formato de amêndoas - descia do ônibus.
Olhou o cartão e nele estava escrito: “JAVÉ”, Rogério ficou perturbado, jogou o cartão fora e seguiu com seu dia.
Manhã de quinta-feira, Rogério levantou para o trabalho.
Percebeu que novamente haviam colocado dois documentos por baixo de sua porta, um cartão e uma carta, a carta dizia:
“Patrícia, mãe de dois filhos. Rafael moura parou de procurar a sua esposa. Conta-se que ela arrumou outro homem e fugiu para outra vida...”.
Prova 01 CBJE
Rogério não deu muita atenção à notícia, mas o cartão que acompanhava o chamou a atenção: - Arrebatamento, Jeová.
Seguia então uma instrução: - Você me encontrou no ônibus e de imediato amei você, ligue para o número no cartão. Rogério ficou eufórico, mas existia uma dúvida em sua mente. Pegou uma bíblia que se encontrava empoeirada em uma gaveta, começou a ler. Horas se passaram enquanto Rogério lia e então ele chegou às lágrimas. Rogério pegou no sono.
Rogério acordou, os últimos acontecimentos chegaram- lhe à mente, eufórico não se conteve e procurou seu telefone, ligou para o número que se encontrava no cartão. Uma voz doce e suave atendeu e logo o convidou para um encontro, naquele mesmo dia, em um local muito agradável, háuma hora da tarde.
Rogério saiu imediatamente, Márcia, aquela linda mulher que encontrara, acertara um encontro e faltava apenas trinta minutos. Rogério resolveu tirar meia hora de seu tempo para desvendar este mistério, afinal ela tinha muito que lhe explicar, provavelmente sobre todos os recados e aquela mulher era simplesmente um sonho.
Rogério chega ao local do encontro e vê aquela mulher inesquecível sentada como a o aguardar. Uma conversa deliciosa se segue. Márcia fala sofre religião, Rogério, que lera sobre o assunto domina o ambiente. Márcia olha carinhosamente o rosto de Rogério, radiante e bonito, e lhe fala: - Você já está preparado para mim, eu sempre te amei e agora muito mais. Márcia segura à mão de Rogério, ambos caminham pela rua, até que Márcia lança um olhar malicioso para Rogério e o leva a um beco isolado.
Uma luz envolve Márcia. Toma o corpo de Rogério.
No dia seguinte, em um jornal local:
Prova 01 CBJE
“Correio do Povo: Brasília. Rogério Dorneles, funcionário do supermercado TemdeTudoEMais é dado como desaparecido. Sua ex esposa, Sr Raquel após ...”.
Fim.
Prova 01 CBJE
Cúmplices Pelo Sangue
Sete horas da manhã, um dia como outro se não fosse à dor e as lágrimas. Que descem na face misturando-se ao creme de barbear que adorna um rosto. Acompanhando no reflexo, os olhos seguem pelo espelho a lâmina afiada contornar a face de orelha a orelha. Deixando para trás barba e espuma.
Revelando uma pele dura - vítima da idade - neste semblante em fúria. Um olhar cuidadoso, uma loção, uma mão que tateia um rosto, até chegar ao gosto de quem pratica a ação. Rogério inspira fundo, navega em pensamentos: “Será então o momento?
De confrontar quem amo e seu amante. Deverei eu destruir quatro vidas: Da minha companheira, minha filha querida, a minha e de meu opositor. Serei eu então algoz de tantas existências. Toda simplicidade é complexa na cachola de quem participa da peça, coisas de um mundo que junta duas pessoas como uma em um palco, mas numa realidade em que dois nunca terão uma única cabeça. E se tivesse seria então das duas uma cortada, de uma forma errada, num modo que um corpo se arrastaria amarrado à vontade de outro que padeceria pela ambição de não ser apenas um toco, loucura.”.
Saindo do banheiro, caminhando pelo corredor, chega- lhe à dor quando se aproxima de seu quarto. Onde percebe sua bela adormecida enrolada num cobertor ao seu gosto, veludo cinza. Após colocar a roupa de trabalho um trago, uma bebida que lhe inclina, a continuar com seu plano. Carteira, relógio, uma pasta com documentos e uma arma ao lado. Seguindo atentamente sua sina, matar sua menina e seu amante. Rogério
Prova 01 CBJE
caminha até a porta de saída, olha para trás, confere se deveria levar algo mais, observa por todos os cantos da casa até chegar à porta do quarto de sua filha Inez, que quando adormecida não aceitava a entrada de qualquer alguém em seu espaço. Seu pai encostado na porta de seu quarto soluçava, engasgado pelo fato que no final do dia tudo teria seu fim. Rogério sai de casa.
Raquel observa atenta, com a cabeça coberta, mas os olhos a perseguir seu amor, em sua dor. Levanta assustada, imagina como evitaria uma chacina. Por um momento de fraqueza, sem se entregar ou amar, um beijo selou o desconforto, do tanto conforto de seu lar, por apenas o toque em outros lábios que não de seu marido. O tempo passa e Irene acorda e lhe abraça.
Preparam um desjejum, seria o último ou mais um. Sorridente Irene vai para o seu dia e Raquel fica em sua cozinha fria, que guarda nas paredes as lutas em cada tijolo, posto pelo esforço, do trabalho que só as noites em frangalhos traduziam o amor pela fortaleza que construíam com muita dor. Um telefonema e um dilema, acertar o fim do que nunca começou, mas foi alimentado com a esperança de mais um dia para gerar uma lembrança do que se passou. Tudo acertado, aquele que desejava ser namorado, combinou o local, onde tudo acabaria antes mesmo de começar e o telefone foi desligado. Raquel se preparou e foi para o trabalho em frangalhos, esperando à noite onde terminaria sem complicação ou uma ação que poderia atrapalhar todos os seus dias.
Vinte horas e Márcio entra em casa, atravessa a sala e segue para o seu quarto, sente uma forte pancada em sua cabeça, desmaia.
Marcio acorda atordoado. O sangue descia pela sua testa, sua boca tampada inibia-lhe a voz. Rogério, armado, observava
Prova 01 CBJE
sentado em uma cadeira. Não deixava transparecer o seu temperamento. Apenas aguardava em silencio, deixando Marcio em tormento. Ele conhecia muito bem quem estava a observar atento.
Um rangido na porta, de olhos arregalados Marcio quase sufoca. Quando em passadas curtas, escuta uma figura que caminha sem culpa em direção ao quarto onde um destino estava traçado. Ela abre a porta do quarto, entra e sente uma mão ao seu pescoço a sufocar. Rogério observa a figura e na sua loucura grita um sonoro: - Não!
Rogério chega a sua casa, sua mão trêmula deixa a chave cair no chão. Em um segundo momento abre a porta. Caminha até a cozinha e uma figura o incomoda. Sentada na cadeira da copa o observa enquanto ele chora. Em suas mãos sua mala, dentro dela documentos e uma arma. Ele se ajoelha e implora perdão.
Uma mão toca no seu ombro, uma lágrima cai no chão, Rogério olha para trás e comenta:
- Desculpe filha.
- Não precisa se desculpar Pai, tudo realmente deveria se acabar hoje.
- Do que vocês estão falando. - Levantou Raquel da cadeira da copa visivelmente intrigada.
Rogério explica que se metera na vida de sua filha, mas antes que ele entrasse em detalhes Irene completou dizendo que seu pai a seguira acreditando que ela estaria numa situação que a incriminaria. O pai olhou para filha que com um breve
Prova 01 CBJE
balançar de cabeça deixou claro, que o assunto estava terminado e o que ocorrera ficaria eternamente em suas mentes, para a segurança da família e fala ao pai em tom de brincadeira: - Você me deve.
Raquel não perguntou muito, apenas escutou tudo em sentimento profundo. Rogério seguiu para o seu quarto, olhando para trás e sussurrando seu amor pelos seus sempre ao seu lado.
Irene olhou para a sua mãe, que virou a cabeça em outra direção em vergonha até sentir um carinho em seu ombro e uma voz suave ao ouvido:
- Sangue de meu sangue, nada é de graça. - Raquel olhou horrorizada para Irene.
Fim.
Prova 01 CBJE
Inferno de Sangue
Raquel acordou assustada, ao tentar se levantar a sua cabeça bateu na porta de um freezer. Sentiu um frio imenso envolver o seu corpo. Sentia espasmos, contração muscular, tremores, sonolência. Seu corpo se encontrava envolvido em plástico. Raquel tentou se levantar mais uma vez e a porta do freezer horizontal se abriu, não conseguiu suportar o esforço e sua costa voltou ao fundo do freezer. Novamente ela tentou se erguer e conseguiu se arrastar até o seu corpo cair bruscamente no chão de um porão. A sensação de frio continuava com tremores, letargia motora, espasmos musculares. O seu corpo frio mostrava as extremidades com tonalidade acinzentada, arroxeada. Sua mente se voltava contra ela levando-a a uma confusão mental.
Se escorando, cambaleando, conseguiu observar ao seu redor. Um freezer escorado em uma parede, este que acabara de sair. Jornais velhos amontoados. Um chão frio, cinza, algumas estantes empoeiradas. Um som contínuo, parecendo o arrastar de uma porta alertou-a da possibilidade da entrada de uma pessoa no ambiente.
Assustada procurou se esconder por trás dos jornais empilhados. O som de passos seguiu-se após o rangido da porta, como se a descer uma escada, passos que a cada segundo aumentavam em intensidade elevando o grau de angustia e medo.
A figura se aproximou do freezer, observou-o por poucos segundos e aumentou a velocidade de seus atos, girando cento e oitenta
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graus em seu próprio eixo iniciou uma caminhada rápida que o levou até a escada, subindo-a, abrindo e saindo pela porta.
Uma pequena esperança surgiu ao observar a repentina reação do possível agressor, Raquel saiu de seu esconderijo, caminhou até uma escada e lentamente superou os degraus até chegar a uma porta, abriu-a e pôde sentir uma forte pancada em sua face. Seu corpo foi lançado para trás, rolando pela escada parando no último degrau desfalecido.
Tiras bem afiveladas seguravam braços e pernas. Um lençol branco, estendido em uma cama tomava todo o corpo a partir dos pés até chegar ao pescoço. Uma luz de grande intensidade iluminava todo cômodo, totalmente coberto por um revestimento abafador de som. O rosto suado, olhos assustados observavam a estrutura que tinha apenas uma porta e nesta uma pequena janela protegida por uma grade de aço. A porta se abriu lentamente e uma pessoa de jaleco entrou e se aproximou:
- Quem?
- Quem o que?
- Quem!
- Não sei do que o senhor está falando. - Raquel chorava enquanto implorava para ser compreendida.
A porta se fechou. Passado alguns minutos novamente se abriu. Uma mulher vestida de enfermeira entrou no quarto e começou a cortar as tiras que prendiam Raquel. Uma voz baixa fala-lhe ao ouvido: - Corra. - Iniciou-se então uma corrida alucinante. Saindo pela porta Raquel começou a passar por um corredor extenso. Escorado nas paredes corpos mutilados
Prova 01 CBJE
apontavam para uma saída nos fundos. Suas pernas tremiam enquanto ao longe ela percebia uma mão, um rosto conhecido, que lhe apresentava outra saída para sua angustia. Em seu desespero segurou fortemente a mão que lhe trazia segurança e seguiu em sua corrida pela vida.
...
- O que ela tem? - Perguntava uma enfermeira ao auxiliar uma colega no transporte de um interno.
- Parece que ela está perdida em um mundo unicamente dela. Sempre que a transporto para levá-la a um exame ela arregala os olhos. Ela é uma vítima das agressões da Rua Maestro!
- Que triste.
- Verdade, ela ficou assim depois que descobriu que o agressor era o seu próprio irmão Rogério.
- O que será dela agora.
- Talvez baste ela sair desta loucura, escolhendo o caminho certo em sua mente. Mas não tenho certeza, quem sabe o que passa dentro de uma cabeça em loucura.
- Olha, mais um espasmo.
...
Raquel acordou assustada, ao tentar se levantar a sua cabeça bateu na porta de um freezer. Sentiu um frio imenso envolver o seu corpo. Sentia espasmos, contração muscular, tremores, sonolência. Seu corpo se encontrava envolvido em plástico. Raquel tentou se levantar mais uma vez e a porta do freezer horizontal se abriu, não conseguiu suportar o esforço e
Prova 01 CBJE
sua costa voltou ao fundo do freezer. Novamente ela tentou se erguer e conseguiu se arrastar até o seu...
Fim.
Prova 01 CBJE
Matar ou Morrer
Três horas da manhã e Rogério se levanta assustado. Ao seu lado ele percebe Raquel levada em um sono profundo deixando os seus cabelos negros se espalharem pelo travesseiro.
Rogério percebe o seu rosto banhado em suor. Suas mãos tremulas apertavam o lençol de seda.
Ele se levantou e caminhou até a cozinha. Abriu a geladeira e tomou um copo com água. Caminhou até a cama, esfregou o seu rosto com toda força enquanto se lembrava de um sonho que o levara ao desespero.
“Malas jogadas na calçada. Sua casa recuperada pelo banco. Seu carro guinchado, seu casamento arruinado e seus filhos partindo em um aceno. Por apenas uma palavra de seu chefe e tudo estava acabado. Rogério corre pela rua e chegando a um viaduto lança seu corpo para uma morte certa.”
Rogério se deitou, olhou à sua volta. Tudo estava no lugar, por um instante se deixou levar pelo momento e adormeceu.
Um ruído acorda Rogério, ele sente uma mão atormentá- lo e uma voz anunciar: - Levanta é hora de você ir para o trabalho. - Raquel alertava, quase implorava para que o dia se iniciasse dentro do que a rotina determinava. Rogério se levanta, toma um banho, se veste e beija sua amada. Procura sua mala e sai para o trabalho.
Oito horas da manhã, a porta se abre e se inicia um novo dia de trabalho em um escritório de representação comercial.
Prova 01 CBJE
Os telefones tocam, uma secretária corre pelo pequeno andar e chega até o Diretor setorial. A filial exigia a realocação de empregados.
O Diretor sabia que seu futuro e de todos naquela agencia estava em saber colocar a pessoa certa no lugar certo.
Dois Gerentes se afastaram. Foram contratados por outra firma e à sua frente, como funcionário experiente a ser promovido estava Rogério. Mas este era justamente quem não poderia ficar na condição de Gerente. Todas as suas ideias, projetos, prêmios chegara a partir das ideias que tomava de Rogério e ele como Gerente poderia se comunicar com a filial, então sua única saída era demitir Rogério e promover um incompetente. O Diretor pega um jornal e procura ler para se acalmar e se fixa na manchete:
“Na noite de sábado, no Motel Irene, um corpo foi encontrado em pedaços. O quarto banhado em sangue não escondia a mente psicopata que cometera tamanha brutalidade...”.
A manchete parecia se repetir. Na semana anterior um crime idêntico chocara a sociedade. Tanta brutalidade sem sentido. Huggo, Diretor, pega o seu celular. Liga para a sua esposa e pede para falar com o filho. Passasse alguns minutos e ele se despede, disca outro número, acerta alguns detalhes e sai do escritório avisando que só voltaria após o almoço.
Huggo entra em seu carro. Dirige até chegar em uma esquina. Uma bela mulher entra e se aproxima para um beijo, mas Huggo rejeita e segue com seu carro até um motel. Estaciona
Prova 01 CBJE
o carro em um quarto com garagem. Entra no quarto e senta na cama:
- O que foi Huggo? - Perguntava Márcia enquanto arrumava os seus longos cabelos ruivos.
- É o que eu vinha te falando todo este mês. Eu vou ter que demitir o meu melhor vendedor, pois não quero promovê- lo a Gerente. Isto vai ser muito desagradável, mais amanhã ele será demitido.
- Demite logo, você tem que garantir o seu emprego!
- Só que amanhã é terça-feira e o dia bom para se demitir é sexta-feira. Eu tenho que esperar, mas não pode passar de quinta-feira.
Huggo olhou para Márcia e abriu um longo sorriso.
Abraçou a sua amante ao mesmo tempo em que agradecia pela sua compreensão. Continuou a relatar os seus problemas. As horas se passaram e eles voltaram para o carro. Huggo a deixou em uma esquina e voltou para o trabalho. Ao chegar cumprimentou seus funcionários e se aproximou de Rogério:
- Então Rogério, como vai os relatórios. Eu tenho que apresentar a firma! Você tem até quarta-feira. - Rogério olhou para o seu chefe com olhar em constrangimento:
- Claro senhor Huggo, não passa de quarta-feira.
Huggo chamou Rogério para um canto isolado do escritório e o informou que mudanças estavam para chegar e entre elas seria a demissão de funcionários. Rogério escutou atentamente. Ficou escorado em uma parede enquanto o seu chefe se afastava.
Prova 01 CBJE
Quarta-feira
- Onde está os relatórios Rogério?
- Estão todos organizados, mas fechei com mais oito clientes e só poderei entregar para o senhor na segunda-feira.
- Segunda! Tudo bem, mas não passa de segunda-feira!
Huggo ficou apavorado, ligou para a família procurando se acalmar. Ligou para a sua amante e foi ao seu encontro.
Chegando em casa Huggo abraçou o seu filho, beijou a sua esposa e sentado à mesa para jantar a informou que estaria fora em viajem no fim de semana.
Segunda-feira
Rogério estava em seu trabalho, à sua frente se encontrava todos os relatórios de fechamento. Duas pessoas entraram à procura de um responsável. Huggo ainda não chegara, Rogério se apresentou e foi informado de que o corpo de Huggo fora encontrado na madrugada de sábado.
Rogério ficou assustado, os investigadores tiveram que acalma-lo. Seus colegas de trabalho o seguraram antes que ele caísse. Exigiram que ele tomasse as rédeas da empresa para garantir os seus trabalhos. Rogério entrou na sala do Diretor e ligou para a filial. Apresentou-se como Gerente.
Dois Meses se passaram
Raquel se levantou, logo após Rogério. Ela o abraçava,
Prova 01 CBJE
sorria e beijava. Devido à sua promoção à Diretor, Rogério, se dava ao luxo de organizar os seus horários. Sua esposa estava exuberante, seu marido não tinha mais os rotineiros pesadelos.
Rogério caminhou até o banheiro, abriu uma gaveta da penteadeira à procura de creme-dental e encontrou uma peruca ruiva:
- Raquel o que esta peruca ruiva está fazendo aqui? - Raquel da cozinha escutou Rogério, se assustou e caminhou para o banheiro, em sua mão ela carregava uma faca. Ao entrar pela porta do banheiro Rogério a viu pelo espelho, se virou gritando:
- O que faz com esta faca?
Noite da morte do Diretor
Huggo entrou no quarto de motel. A sua amante mandou que ele se despisse e deitasse na cama. Ela amarrou as mãos de Huggo o informando de que aquela noite seria especial. Huggo ficou amarrado na cama, rindo e falando sobre a vida enquanto Márcia se preparava no banheiro. saiu do banheiro empunhando uma faca. Huggo ficou apavorado enquanto Márcia pulava em seu corpo e estocava a faca dilacerando a sua pele, outra pessoa entrou no quarto levando Huggo ao desespero.
Seu corpo foi mutilado, seu sangue espalhado pelo quarto.
Rogério se virou, pegou a peruca e estendeu para Raquel repetindo exaustivamente: - O que esta peruca faz aqui!
- Eu apenas esqueci, eu vou jogá-la no lixo.
- Jogá-la no lixo? Aqui tem sangue de três pessoas, queime.
Fim.
Prova 01 CBJE
Morra, Mas Morra Lentamente
Entranhas deslizando pelas ancas, banhadas num vermelho sangue. Faca que picota e rasga. Desdenhando da decência. Se firmando na certeza de que o ser não se importa, apenas importa toda a sua indiferença nos cortes precisos nas juntas que se separam em um toque cirúrgico.
Marcelo se levanta, olha pela janela e observa um dia em que o sol parece-lhe destruir todas as estruturas com uma forte rajada de luz. Ele caminha até a sala, observa uma foto na estante. Empoeirada, guardando toda a história de uma existência nas fotos perdidas entre os vícios da vida. Vinho e cigarro, de qualquer forma um trago. Que desviam virtudes, numa noite mal dormida acompanhada de um vício, sem mimo ou tino, apenas devaneios primos.
A sua frente um jornal. Jogados no lamaçal dois corpos mutilados, anunciava a manchete. Marcelo se veste, coloca um coldre, a arma, se prepara com seu último acessório, um colete que se preste a assegurar que não atravesse um cartucho que lhe preste. Caminha até o banheiro, na espelheira pega e ingere um antipsicótico, quetiapina, resmunga: - Mais um dia!
Ele sai com calma de sua casa, hoje não iria para a Delegacia que o acalma, deveria seguir para uma avaliação, devido a uma ação. Estirado em um tapete um cadáver continha no peito um projétil lançado da arma de Marcelo. Em uma troca de tiros que lhe valia a vida, tirou uma.
Prova 01 CBJE
Na sala da psicanalista ele é convidado gentilmente a se sentar. Na mão da Doutora um laudo: Psicopata, indivíduo clinicamente perverso que tem personalidade psicótica, portador de neurose de caráter ou perversões sexuais. Ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios. Trauma sociopsicológico decorrente do trabalho. A profissional olha para Marcelo, sorri e lhe apresenta os fatos:
- Senhor Marcelo, eu lhe avaliei e entreguei o seu laudo para o seu chefe. Ele me incumbiu de lhe dar a notícia de que o senhor está em condições de voltar ao serviço. O que acha?
- Eu só quero que esse dia termine!
Marcelo se levantou, olhou para a profissional e balançou a cabeça em consentimento. Ajeitou o cinto e a arma, se retirou da sala. A psicanalista, entre seus pensamentos conjecturou: Se me dizem que é saudável, é saudável. Qual o objetivo de meu diagnostico se não garantir o meu sustento. Melhor um louco em nosso controle, que nós no controle de um louco. - Ela se levantou e caminhou até uma gaveteira. Sobre ela se encontrava uma jarra com água e um copo. Abriu uma gaveta e pegou um tranquilizante, benzodiazepínico. Colocou a água no copo e ingeriu o sedativo - Síndrome do Pânico.
Marcelo entra em sua viatura. A tarde estava terminando e a noite chegando. Em seu rádio uma chamada. Ele atende por nada. Em uma rua próxima ao seu percurso acreditavam que haviam cercado o responsável pelas mutilações. A casa estava cercada, todos aguardavam Marcelo, ele fala entre os dentes: - FDP.
Do lado de fora da casa um grupo de policiais observavam uma novata em negociações falar com o agressor. Dentro da
Prova 01 CBJE
casa um homem, sociopata, trabalhador em construções civil.
Perdido em sonhos impossíveis que entregava todo o seu esforço para tentar atingir condições de vida que nunca iria atingir, surtava. Ameaçada com uma faca a sua amada, ninfomaníaca, com problemas no lobo frontal ela se entregou a venda do corpo.
Ao descobrir as atividades da esposa, o marido começou a matar pelas ruas para esquecer o que passava em casa, mas por algum motivo ele resolveu acabar com o que lhe acabava a vida, sua amada.
Marcelo chegou, observou o que acontecia. À sua frente à negociadora tremia. Seus chefes mandaram-lhe tomar as rédeas da situação - por sinal todos estavam sem ação. Ele perguntou os nomes dos ocupantes da casa, murmurou: - QSF. Avançou em sua direção, assustando a todos que se encontravam. Arrombou a porta e apontou a sua arma para o opressor.
- Largue está faca agora Rogério!
- Você sabe o que está acontecendo aqui. Você sabe quem é esta pessoa. Sou humilhado todos os dias no trabalho, na rua.
Todas as pessoas me olham, me observam me julgam!
- Sim, eu sei quem é está pessoa, é a Raquel e a situação pode se resolver de outra forma, resolverei todos os seus problemas em um minuto. - Marcelo sabia que Rogério estava em um surto psicótico.
Rogério largou a faca, Raquel correu para fora da casa.
Marcelo pegou uma arma que guardava no tornozelo, colocou no chão e empurrou para Rogério:
- Eu vou sair e saiba que todas as pessoas que estão lá fora são aquelas que atormentam a sua vida. Para que perder a
Prova 01 CBJE
oportunidade de atirar contra tantos que te humilham. Uma saída à mexicana, conte até sessenta e saia atirando para todos os lados e acredite que todos os seus problemas estão solucionados.
Marcelo saiu correndo da casa, gritava para os seus amigos:
- Ele vai sair. - Todos se encolheram por traz de uma viatura. A negociadora esticara o tronco e estava preparada para a sua ascensão. Rogério saiu.
O primeiro tiro atingiu a cabeça da negociadora, lentamente seu corpo foi se lançando para traz, interrompido por outro tiro que lhe atingiu o abdômen fazendo-lhe curvar.
Outro tiro desferido por Rogério varou o colete a prova de balas do chefe de Marcelo, fazendo-o expelir sangue proveniente de um pulmão perfurado. Uma saraivada de balas partiu ao encontro de Rogério fazendo-lhe tombar.
Marcelo se levanta, olha pela janela e observa um dia em que o sol parece-lhe destruir todas as estruturas com uma forte rajada de luz. Ele caminha até a sala, observa uma foto na estante. Empoeirada, guardando toda a história de uma existência nas fotos perdidas entre os vícios da vida. Vinho e cigarro, de qualquer forma um trago. Que desviam virtudes, numa noite mal dormida acompanhada de um vício, sem mimo ou tino, apenas devaneios primos. Ele resmunga: - Mais um dia!
Fim.
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Resgatada do inferno
- Levanta! Você já dormiu toda à tarde!
Lentamente Raquel se levantou. Sentiu um estalar em sua face. Seu corpo caiu para o lado batendo contra o chão e foi chutado duramente pelo seu opressor. Ela tratou de obedecer, correu para o banheiro e se banhou.
Voltando ao quarto Rômulo, seu gigolô, preparara uma fileira de cocaína. Raquel se ajoelhou e aproveitou de seu alimento. Ela se vestiu e foi acompanhada até um quarto próximo.
Quatro horas da tarde, iniciara o seu trabalho com o primeiro cliente.
Passava das duas horas da manhã e um homem entrou no quarto onde se encontrava Raquel. Ela se sentou à beira da cama e esperou a ação de seu cliente. Ele se sentou em uma cadeira, encarando-a por longos trinta minutos:
- O senhor deve fazer alguma coisa, faltam trinta minutos para terminar a sua seção.
- Você quer mudar a sua vida? - Falava o senhor de voz mansa.
- O que?
- O degrau do submundo se estende até você alcançar a sua percepção. Pode ser para uma subida ou uma descida para
Prova 01 CBJE
outro nível, basta você enxergá-lo. O que te ofereço é o degrau para sair desta parte do inferno.
Raquel se levantou e ameaçou correr para fora do quarto.
Mas seu corpo parou como a uma estátua ao ser cercada, o seu visitante se aproximou: - Nada é melhor que seu livre arbítrio.
Cheguei aqui orientado por um nome, Ângela.
Como um vendaval de imagens a mente de Raquel começou a ser regada das lembranças de sua amiga. Que se lançara contra o seu gigolô e fora surrada até a inconsciência, colocada em um saco e lançada em um rio:
- Agora que lembrou saiba que estou aqui por um pedido.
Trago comigo uma bebida, você deverá beber e continuar com a sua rotina. Logo você será visitada por outro seguidor, obedeça e tudo seguira conforme o pedido de sua amiga.
Raquel ingeriu uma bebida adocicada. O visitante lhe entregou o dinheiro de sua uma hora, se levantou e saiu.
Raquel acordou com os gritos de seu gigolô. Ele olhou para ela assustado, enojado. A face de Raquel estava inchada, seu corpo apresentava várias bolhas e manchas roxas. Ela foi orientada a tomar um banho e voltar para a cama.
Duas horas da tarde e o gigolô entrou no quarto onde se encontrava Raquel. Acompanhado de um médico, ficou observando enquanto ela ia sendo examinada. Após alguns exames ela foi diagnosticada como portadora de varicela-zoster vírus, o mesmo vírus que causa a catapora. Seu gigolô olhou assustado para o médico que o informou que levaria alguns meses, custariam alguns milhares de reais para atingir a cura e que a doença era altamente contagiosa.
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Houve alguns minutos de silêncio até que o médico pediu para receber os seus honorários. O gigolô ficou assustado com o valor e insinuou que não pagaria. O médico informou que sairia com o valor a ser recebido ou com a propriedade de seu serviçal.
Imediatamente o gigolô entregou a posse de Raquel ao médico.
Ele se aproximou de Raquel e falou-lhe no ouvido: - estou aqui por Ângela. Raquel se levantou e juntou todos os seus pertences em uma mala. Trocou-se e acompanhou o médico. Desceu pelas escadas do hotel onde se encontrava e percebeu suas colegas de trabalho entrarem apavoradas em seus quartos. Embarcou em um carro estacionado próximo ao estabelecimento onde morava, trabalhava e seguiu pela estrada:
- Estamos quase acabando: - Comentava o seu médico.
A viagem estava longa. Raquel se deixou levar pelo sono até que foi despertada. Um ônibus estava à sua frente. Ela entrou no veículo, ocupou uma cadeira e seguiu o restante da viagem acompanhada com o médico.
Em uma encruzilhada Raquel foi deixada. Ela fora orientada a esperar um carro que lhe pegaria e a levaria pelo restante da viagem. Não demorou muito e uma limusine parou.
Um chofer desceu do carro, se identificou como Rogério, abriu a porta de traz do veículo. Ao entrar ela viu Ângela, sua amiga:
- Que bom que você está viva!
- Realmente, viva para te ajudar. Você não poderia continuar naquela vida!
O carro começou a seguir para o seu destino. Passado alguns minutos, como se o horizonte se abrisse rasgado por uma faca afiada o carro adentrou na escuridão. Raquel olhava
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assustada para Ângela, que balançava a cabeça afirmativamente.
A mente de Raquel retornou a lançar-lhe imagens. Sua mente voltou ao momento em que o médico entrara em seu quarto no motel. Ela escutava novamente o médico:
- Amigo esta mulher está morta!
- Sim, ela está morta doutor?
- Exatamente, mas posso me livrar do corpo. Vai custar um bom dinheiro.
- Eu pago, mas me livre desta situação.
Raquel abriu os olhos. Olhou para Ângela que continuava a balançar a cabeça. Ela olhou para frente e viu um oceano de fogo. Olhou novamente para Ângela querendo explicações:
- O que está acontecendo?
- Quando tudo aconteceu e eu fui morta soube que deveria te ajudar e como sua amiga deveria te livrar do inferno em que vivia.
- Mas nós estamos a ponto de entrar num mar de fogo?
- É verdade amiga, te tirei de Flegetonte, terra, sétimo circulo do inverno e o mais atormentador. Agora chegaremos a Maleboge e aqui temos o livre arbítrio nos dez fossos, bolgias.
Fim.
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Golpe Mortal
Sete horas da manhã e as cortinas do quarto de Marcelo se abriam lentamente deixando a luz dos primeiros raios de sol entrar. Uma música suave começou a tocar. Marcelo abriu os olhos, esticou a mão até a cabeceira da cama, com leves toques acionou a luz e ligou a televisão. Enquanto iniciava o noticiário Marcelo se banhava.
O dia estava bonito, podia-se escutar o canto dos pássaros entrando na casa través da janela, ao longe se percebia pendurado em uma arvore um lindo bebedouro para beija flor que se estendia como um galho florido. O pássaro chegava como se fosse um raio. Com as asas rápidas, quase imperceptíveis, estacionava no ar. Beijava uma flor com precisão e suavidade.
Experimentava do bebedouro. Repentinamente, deslocava-se até outra flor. Instantes depois ele não estava mais.
Marcelo saiu do chuveiro. Pegou um terno azul escuro, bem cortado que se encontrava pendurado em um cabide colocado atrás da porta do quarto. Ele se vestiu lentamente.
Procurou sua mala - mala de couro, com alças que se estendiam até o ponto para ela poder deslizar suavemente pelo piso -.
Marcelo abriu a mala e observou seu interior. Ele fechou a mala e caminhou para fora da casa. Entrou em um carro e seguiu para o centro da cidade.
No centro da cidade Marcelo procurou um estacionamento público. Manobrou o seu carro, pegou o tíquete de estacionamento - ainda dentro do carro, utilizando um linguajar que traduzia educação e humildade -, colocou o seu
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carro em uma vaga, pegou a sua mala e saiu andando para fora do estacionamento cuidando de cumprimentar o funcionário.
Marcelo arrastou a sua mala até chegar a um banheiro público. Ele entrou, ocupou um recinto com uma latrina.
Colocou sua mala sobre o vaso e a abriu. De dentro da mala Marcelo retirou uma sacola enorme, própria para acomodar um grande volume de roupa. Retirou da mala uma roupa suja, rasgada, um par de sandálias, um frasco com farelo de grafite e uma peruca de cabelos entrelaçados. Marcelo trocou de roupa, sujou o seu rosto com o grafite, colocou a peruca e um óculo escuro. Toda a roupa que chegara colocou na mala e a mala dentro da sacola. Ele caminhou cambaleando, se escorando nas paredes até chegar a uma rua próxima aos bares e restaurantes do centro. Tratava-se de uma segunda-feira, dia em que todas as salas de escritório estavam em funcionamento. A rua estava lotada de pessoas que caminhavam para todos os lados. Marcelo expulsou um mendigo que estava no ponto em que se fazia pedinte. Normalmente Alfredo ficava naquela rua acompanhado de uma mendiga, que sempre davam trabalho a Marcelo. Ele se sentou no chão, colocou a sua grande bolsa encostada em suas costas e esticou a mão em suplica. Não demorou muito e ele recebeu a sua primeira moeda. No final da manhã teria o total de duzentos ou trezentos reais e no final do mês de quatro a seis mil reais.
Em outro local da cidade
Rogério chegou a seu trabalho. Caminhou até uma sala e com um grande sorriso cumprimentou Raquel:
- Então, vamos ver a casa hoje!
- Claro!
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- Não se preocupe, estou para realizar um grande negócio.
No centro da Cidade
Marcelo verifica a hora, percebe que passava de 13h00min. Ele se levanta juntando suas moedas. Caminha até o banheiro público, entra em um reservado e troca de roupa.
Sai do banheiro empurrando sua mala que em seu conteúdo continha a roupa desgastada, sandálias e o dinheiro recolhido.
Ele se observa no espelho, limpa a sujeira de grafite em seu rosto, alinha o terno e arruma o cabelo. Chega até o estacionamento e segue para o trabalho.
Marcelo estaciona seu carro em uma vaga e caminha para o prédio que trabalhava. Entra, cumprimenta o pessoal da portaria. Sobe até o sétimo andar e é recebido pelo seu chefe:
- Marcelo como está a venda da mansão.
- Não se preocupa, estou aqui apenas para pegar alguns documentos e ir para a colina vender a casa.
- Espero que sim. - Falava o chefe de Marcelo aparentemente incrédulo com o resultado por ele prometido.
Marcelo pega os documentos que desejava e segue para realizar a sua venda.
Marcelo chegou ate a mansão à venda. Ele observa o bebedouro de beija flor cercado de pássaros. Logo após a chegada de Marcelo chegou mais um carro. Dele desceu um casal.
Marcelo tratou de cumprimentá-los e guiá-los em direção a casa.
Marcelo tratou de levá-los para dentro do quarto. Um belo quarto com controles de cabeceira para ligar a TV, fechar
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as cortinas. Raquel seguiu com Marcelo para observar a cozinha e Rogério ficou observando o quarto.
Raquel e Rogério olharam para Marcelo e o informaram que ficariam com a casa. Marcelo se segurou para não comemorar ali na frente do casal, afinal seria uma comissão de 20% sobre um valor de R$ 2.000.000,00. Marcelo cumprimentou o casal e os guiou até o quintal da residência. Acenou enquanto o carro de Rogério se afastava. Ele correu para o seu carro e acelerou na intenção de seguir o casal - Marcelo não poderia deixar de saber se existia a possibilidade tirar mais dinheiro de um casal com um poder aquisitivo tão significativo.
Rogério e Raquel entraram em um restaurante. Marcelo percebeu que o restaurante tinha uma saída nos fundos. Ele entrou no restaurante pelos fundos e pôde observar Rogério e Raquel sentados lado a lado em frente a uma mesa. Marcelo caminhou entre os fregueses e conseguiu sentar próximo à mesa do casal:
- Então Rogério, como é que nós poderemos comprar aquela casa? - Perguntava Raquel.
- Hoje à noite eu vou receber uma ligação de um fornecedor. Eu vou comprar três milhões em barras de ouro por quatrocentos mil. Vou vendê-las por dois milhões de reais.
- Nossa, que bom Amor.
Na mesa do lado Marcelo se esforçava para escutar a conversa do casal. Nas poucas palavras que escutou pôde perceber os valores.
Rogério e Raquel ficaram por alguns minutos no restaurante e saíram para o carro. Marcelo se levantou
Prova 01 CBJE
rapidamente, caminhou para a saída dos fundos e antes que o casal saísse ele correu para o seu carro.
O casal saiu do restaurante. Na porta do restaurante se beijaram e foram para lados opostos. Raquel seguiu caminhando pela rua, Rogério entrou em seu carro e guiou seguindo a estrada.
Marcelo resolveu seguir Rogério.
Rogério chegou até uma casa de esquina. Encostou o seu carro próximo ao paralelepípedo e entrou na casa. Não demorou muito e Rogério saiu da casa, entrou em seu carro e seguiu pela estrada. Marcelo que aguardava do lado de fora, ao ver Rogério se afastar, desceu do carro, caminhou até os fundos da casa de Rogério. Ele observou uma janela aberta e entrou na casa.
Marcelo caminhou cuidadosamente pela casa. Chegando próximo ao telefone de Rogério colocou um dispositivo de escuda, com todo cuidado procurou sair da casa.
Marcelo estava aguardando em seu carro quando Rogério voltou. No carro a ansiedade tomava conta de Marcelo até que percebeu uma ligação chegando ao telefone de Rogério:
- É para hoje o encontro! Estarei na esquina da Sibeira com a Candido. Leve o dinheiro que eu levarei o produto. Como posso te reconhecer? - Falava uma voz feminina em tom de imposição.
- Estarei com um terno azul escuro, uma maleta na mão direita e usarei uma frase como código: “Nada é o que parece”.
- Correto, te espero em duas horas.
Marcelo olhou assustado para o relógio. Correu até o carro de Rogério e enfiou uma chave de fenda furando o pneu, entrou em seu carro e correu para a casa que ocupava.
Prova 01 CBJE
Chegando à casa Marcelo correu para o quarto. Levantou o colchão e pegou uma maleta, a abriu e contou o dinheiro que estava em seu conteúdo. Voltou para o carro e seguiu para a esquina da Sibeira com a Candido.
Marcelo estacionou o carro na esquina. Saiu do carro se deixando à amostra, segurando a maleta na mão direita.
Marcelo sentiu um cano encostar-se a sua costa. Ele tentou se virar, mas ma voz feminina mandou que ele não se virasse e falou-lhe ao ouvido: “Nada é o que parece”. Um carro apareceu na rua. Parou em frente ao carro de Marcelo.
Lentamente uma figura começou a sair do carro. Marcelo pôde perceber o homem com roupas rasgadas, o rosto sujo e pés descalços se aproximar. A certa distancia Marcelo comentou sussurrando: - Alfredo.
Marcelo escutou um estampido. Sentiu suas costas queimar e um líquido quente descer sujando seu terno de vermelho. A maleta que carregava se soltou da sua mão indo parar à frente de Alfredo. Seu corpo caiu no chão. Marcelo se virou e pôde ver o casal de mendigos se beijando. O casal o observou falando-lhe:
- Prazer Marcelo, eu te apresento Raquel e eu sou Rogério.
- Marcelo escutou outro tiro.
A rua estava lotada de pessoas que caminhavam para todos os lados. Alfredo se sentou na calçada, ao seu lado sua companhia esticou uma lata para iniciar a sua manhã de pedinte, antes do trabalho...
Fim.
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Mentes Diabólicas
Estava lá, vendo a figura entrar. O seu corpo escamoso deixava gosma em suas pegadas. O seu rosto lembrava a face de um morcego, que carregava em sua cabeça grandes chifres. Um ruído baixo e contínuo tomava o quarto enquanto ele respirava.
O animal, ou outra coisa que poderia ser, pulou sobre o corpo de uma mulher e começou a estoca-lo com uma lâmina que parecia ser a continuidade de seu punho. Eu apenas observava, com um estranho desejo de tocar nas vísceras, no sangue e comer a carne. Olhei para a coisa que rasgava o corpo feminino e a criatura se transformou em uma mulher.
- Ok Rogério, quando eu chegar a três, você deverá despertar. Um, dois, três.
Rogério levantou assustado. Nas seções que tivera com Raquel contava sobre um sonho que ao acordar não lembrava todo o seu conteúdo. Deixou-se então ser hipnotizado. Para que todo o sonho fosse extraído. Rogério começou a chorar. Seu rosto estava coberto de suor. Raquel o olhou e lhe ofereceu uma toalha, um copo com água.
Rogério comentava sobre o estranho sonho que se repetia. Raquel, sua psicanalista, anotava com cuidado o que escutava e observava. Rogério esfregava as mãos enquanto falava.
Seus olhos, inquietos, giravam percorrendo toda a extensão da sala, suas pernas tremiam em ritmo alucinante.
Prova 01 CBJE
- Você está se sentindo bem - Raquel falava enquanto observava as atitudes de Rogério - nossa seção de hoje terminou, espero você amanhã.
Rogério saiu pela porta do consultório. Raquel organizou as suas anotações e pediu para que entrasse outro cliente.
Michele entrou e se deitou no sofá. Raquel explicou para Michele o procedimento que ela iria experimentar:
- Michele, você deverá obedecer a todas as minhas sugestões. Logo que isto acontecer nós tentaremos levar a sua mente a visualizar os sonhos repetitivos que lhe trouxeram até o meu consultório. No final da análise você despertará no fim de uma contagem que chegará até três.
Seguindo as técnicas de fixação do olhar, indução de relaxamento e concentração de foco de atenção, Raquel conseguiu que Michele começasse a falar:
- Eu estava sobre o corpo inerte de uma mulher. No final de meu braço, como um prolongamento deste, uma espada entrava no corpo e deixava as vísceras pularem e se espalharem sobre a ferida que ia se alargando. Um homem se aproximou e olhou em meus olhos, segurou a minha mão e me ajudou a dilacerar o que restava da carne.
- Ok Michele, quando eu chegar a três, você deverá despertar. Um, dois, três.
Michele acordou apavorada. Seu rosto suado, contorcido pelo medo, encarou o rosto de Raquel que lhe entregou uma toalha. Raquel fez algumas anotações. Michele saiu desequilibrada, abriu a porta a utilizando para se escorar. Curiosa Raquel a observou e conseguiu ver, pela fresta da porta, Rogério
Prova 01 CBJE
sentado na antessala. Raquel se levantou e foi até a saída de seu consultório e pôde ver Michele sair sendo ajudada por Rogério.
No final do dia Raquel se organizou para ir para sua residência. O telefone tocou e do outro lado Michele falava em tom desesperador sobre o seu temor de voltar a sonhar. Raquel a confortou e acertou de passar em sua casa.
Raquel chegou a frente à casa de Michele. Aproximou-se da porta e percebeu que ela estava entreaberta. Empurrou a porta e entrou. Começou a chamar por Michele.
A sala de Michele estava meticulosamente arrumada. As paredes pintadas de branco-gelo, escoravam sofás, mesas. No centro um tapete estampado tomava toda a sala. O tapete parecia forrar o centro da sala como se a esconder algo sobre o chão de mármore cinza. Raquel caminhou para um dos quartos. Ela percebera um movimento e se aproximou. Entrou no quarto.
O corpo foi jogado no chão. Uma faca estocava o corpo como se fosse o prolongamento do braço. As vísceras saltavam, se espalhando pelas feridas que se abriam. Um olhar em direção a um canto do quarto alertou Rogério, que se aproximou da carnificina. Rogério segurou na mão da opressora, se deliciou ao ver o sangue que se espalhava e se misturava com o mármore frio.
Jornal da Manhã
“Uma morte macabra na noite de ontem. Uma mulher foi encontrada mutilada em um quarto da Rua Diego Dutra.
Os vestígios se alinham com os assassinatos realizados nos últimos meses, investigados e agora considerados como a de um serial- killer...”.
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Próximo a um chamariz, sentado em um banco de parque se encontrava Rogério. Em sua mão um exemplar do Jornal da manhã. Rogério o lia tranquilamente enquanto várias pessoas passavam à sua frente. Um dia tranquilo de um belo sol. Seu olhar disperso não trazia nenhum traço de remorso pelo que ocorrera na noite anterior.
Rogério se levanta, joga o jornal na lixeira próxima. Ele estica a mão e é tocado suavemente pela mão de uma bela moça que acaricia o seu rosto. Rogério a presenteia com um belo sorriso:
- Então, quando terei novamente o sabor. - Falava Rogério à bela moça que passava.
- Estou procurando, logo voltaremos ao prazer, mas agora tenho que ir.
- Estou aguardando, até mais tarde Raquel!
Fim.