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CONTRATO DE TRABALHO RESCISÃO PELO TRABALHADOR

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Tribunal da Relação do Porto Processo nº 0211357

Relator: SOUSA PEIXOTO Sessão: 09 Dezembro 2002 Número: RP200212090211357 Votação: UNANIMIDADE

Meio Processual: APELAÇÃO.

Decisão: REVOGADA PARCIALMENTE.

CONTRATO DE TRABALHO RESCISÃO PELO TRABALHADOR

JUSTA CAUSA DANOS MORAIS

Sumário

I - Constitui justa causa de rescisão, o facto de o trabalhador ter sido colocado, durante cerca de um mês, de pé, diante de uma máquina avariada, sem nada que fazer.

II - Tal conduta constitui uma violação grosseira da dignidade e respeito devidos ao trabalhador.

III - Compete ao autor provar os danos morais que alega ter sofrido.

Texto Integral

Acordam na secção social do Tribunal da Relação do Porto:

1. José ... propôs no tribunal do trabalho de ... a presente acção emergente de contrato individual de trabalho contra C..., S. A., pedindo que a ré fosse condenada a pagar-lhe a importância de 5.723.999$00, sendo 3.472.000$00 de indemnização por rescisão do contrato com justa causa, 251.999$00 de retribuição e subsídio das férias vencidas em 1.1.2001 e de proporcionais e 2.000.000$00 de danos não patrimoniais.

Alegou, em síntese, ter rescindido o contrato de trabalho com justa causa, em 6 de Agosto de 2001.

A ré contestou, impugnando o direito às férias vencidas em 1.1.2001 e a justa causa e confessando o direito do autor aos proporcionais.

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Realizado o julgamento e consignados em acta os factos dados como provados, foi posteriormente proferida sentença, condenando a ré a pagar ao autor

279,33 euros de proporcionais de férias, subsídio de férias e de Natal.

O autor recorreu, suscitando as questões que adiante serão referidas e a ré contra-alegou, pedindo a confirmação da sentença.

Nesta Relação o Ex.mo Procurador-Geral Adjunto não tomou posição expressa sobre o mérito do recurso, alegando que a intervenção do M.º P.º in casu é meramente acessória, competindo-lhe, quando tal acontece, zelar apenas pelos interesses que lhe estão confiados, ou seja, a defesa dos direitos de carácter social dos trabalhadores e suas famílias.

Colhidos os vistos legais, cumpre apreciar e decidir.

2. Os factos

Na 1.ª instância foram dados como provados os seguintes factos:

a) A Ré dedica-se à indústria metalúrgica.

b) O A. entrou para o serviço da Ré em 5 de Julho de 1971.

c) O A. trabalhou para a Ré, exercendo funções de mandrilador mecânico.

d) O A. despediu-se da R. alegando justa causa, em 06/08/01, como consta de fl. 5 a 8, cujo teor se dá por reproduzido.

e) O A. sofre de doença do foro cardíaco que determinou a sua baixa por doença de Julho de 1998 a Junho de 2001.

f) No período de baixa, o A. foi medicado, acabando por ser operado e ficado impossibilitado para o exercício das funções que exercia para a Ré.

g) O A. regressou ao trabalho em 06/06/01.

h) Posta ao corrente do estado de saúde do A., pelos relatórios médicos, o A.

foi colocado a trabalhar num armazém com funções de certificar a entrada e saída de materiais, funções essas que eram do agrado do A..

i) Decorridos oito dias de exercício de funções no armazém o A. foi chamado à Direcção.

j) O A. foi retirado do armazém e colocado 3 dias sem atribuição de quaisquer tarefas, sem fazer nada.

l) Tendo sido ordenado ao A. para permanecer de pé junto do seu posto de trabalho, cuja máquina avariada não trabalhava ia para dois anos, o A. teve, sob a pressão física e psicológica a que estava sujeito, no dia 21/6/2001, uma discussão com o Sr. C... que culminou num colapso do A. que determinou a sua assistência de urgência no local de trabalho pelo I.N.E.M. e subsequente internamento pelo período de dois dias no Hospital ... em ... .

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m) Regressado ao trabalho, continuou a situação referida em j) e l) e, no dia 19/07/01, o seu estado de saúde agravou-se e foi necessária a intervenção do INEM.

n) Regressado à Ré no dia 31 de Julho de 2001, o autor foi interpelado pelo Sr.

Eng.º Fernando que lhe ordenou trabalhasse numa fresadora, serviço que passaria a fazer daí em diante e que se não fosse bem feito daria origem a processo disciplinar.

o) Perante a interpelação do Sr. Eng.º Fernando o A., que nunca até aí, durante 31 anos ao serviço da Ré, exercera funções de fresador, não tendo conhecimentos técnicos para o efeito, observou isso mesmo ao Sr. Eng.º.

p) Conduzido na sequência do relatado em o) aos escritórios pelo Sr. Eng.º, deu a Ré início ao procedimento disciplinar contra o autor.

q) Nesse dia, o autor saiu mais cedo e justificou a falta com o certificado de fl.

20.

r) O autor auferia ao serviço da Ré € 558,65.

s) A Ré não pagou ao autor nem férias, nem subsídio de férias vencidos em 1/1/2001, nem férias, subsídio de férias e subsídio de Natal proporcionais ao tempo de serviço.

t) As relações laborais entre as partes regem-se pelos I.R.C. para as Industrias Metalúrgicas e Metalomecânicas.

u) O autor despediu-se unilateralmente da R. em 6 de Agosto de 2001.

v) Na sequência de operação ao coração realizada em 31 de Julho de 1998, o autor entrou numa situação de baixa por doença, situação que manteve até ao dia 1 de Junho de 2001.

x) No dia 6 de Junho de 2001 o autor regressou ao serviço.

z) Acontece que o autor veio a ser observado sucessivamente por dois médicos dos serviços de medicina no trabalho da R. tendo sido emitido o seguinte

parecer:

“Após observação clinica do funcionário José ..., este foi considerado APTO para o exercício da sua profissão de mandrilador. No entanto, deve evitar actividades repetitivas com pesos superiores a 15 kg – mobilização

permanente de cargas.”

aa) No dia 19 de Julho de 2001 o autor entregou à R. a carta de fls. 42, solicitando a atribuição de outras funções.

bb) A R. respondeu como consta de fl.43 e 44, cujo teor se dá por reproduzido.

cc) Essa carta foi enviada sob registo e aviso de recepção, tendo sido efectivamente recebida pelo autor no dia 1 de Agosto de 2001.

dd) Entretanto, depois de alguns dias de ausência desde 19 de Julho, o autor apresentou-se ao serviço no dia 31 de Julho de 2001.

ee) Nessa data, as duas máquinas mandriladoras existentes na empresa

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encontravam-se avariadas.

ff) Assim sendo, o autor não poderia exercer funções nessa máquina.

gg) Estava então livre uma fresadora convencional.

hh) Máquina essa que é semelhante à mandriladora, existindo similitude entre o trabalho prestado entre uma máquina e outra.

ii) O trabalho com a fresadora era mais leve.

jj) Não veria a sua retribuição diminuída.

ll) É verdade que o interesse da empresa impunha que o autor fosse trabalhar na fresadora.

mm) A R. tinha trabalho para dar ao autor, na fresadora.

nn) Face a tudo o que ficou atrás exposto, no já referido dia 31 de Julho de 2001, pelas 9:20h, o superior hierárquico C... instruiu o encarregado

Francisco ... no sentido deste transmitir ao autor uma ordem expressa para trabalhar a partir de então numa fresadora convencional.

oo) A referida ordem foi transmitida de imediato ao autor.

pp) O autor recusou trabalhar na fresadora.

qq) Por volta das 15h00 do dia em causa, o A . decidiu ausentar-se das

instalações da R., tendo entregue uma comunicação de falta alegando que não suportava a pressão da R..

rr) A R. promoveu um processo disciplinar contra o autor como consta de fl. 46 a 54, cujo teor se dá por reproduzido.

ss) Os documentos referidos no artigo anterior foram enviados ao autor por correio registado e com aviso de recepção.

tt) Conforme se constata pela análise dos respectivos carimbos, a correspondência em causa foi expedida no dia 3 de Agosto de 2001.

uu) E conforme também pode verificar-se pela análise do carimbo constante do talão do aviso de recepção, foi a mesma recepcionada no dia 6 de Agosto de 2001.

vv) O autor enviou carta através da qual rescindiu o seu contrato de trabalho em 06/08/01.

xx) Carta essa que foi recebida pela R. apenas em 8 de Agosto de 2001.

zz) E que mereceu de imediato a resposta da R., nos termos da carta cuja cópia está junta a fl. 56, que se dá por reproduzida.

aaa) Verificou-se pela análise da supra citada carta que a R. não aceitou as razões invocadas pelo autor.

bbb) Razões essas que continua a não aceitar.

ccc) Deve ainda sublinhar-se que já em Agosto de 2001 o autor participou ao IDICT contra a R..

ddd) Na sequência dessa participação, foi efectuada uma inspecção às

instalações da R., tendo sido enviado àqueles serviços a carta de que agora se

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junta uma cópia, a fl. 58.

eee) Regressou o autor ao serviço no dia 6 de Junho 2001.

fff) O contrato de trabalho veio a cessar definitivamente no dia 6 de Agosto de 2001.

ggg) Mas mesmo durante esse período o autor esteve de baixa médica entre 21 e 30 de Junho, entre 19 e 30 de Julho e desde 31 de Julho até ao final do contrato.

hhh) E em qualquer circunstância se verifica que depois do regresso ao serviço o autor não cumpriu serviço efectivo durante três meses.

iii) Alias, após esse regresso, o contrato apenas vigorou durante dois meses.

*

A decisão proferida na 1.ª instância sobre a matéria de facto não foi

impugnada nem sofre dos vícios referidos no art. 712.º do CPC. Mantém-se, por isso, nos seus precisos termos.

3. O direito

O objecto do recurso restringe-se a duas questões:

- saber se o recorrente teve justa causa para rescindir o contrato de trabalho, - saber se o mesmo tem direito a indemnização por danos não patrimoniais.

3.1 Da justa causa

Nos termos do art. 34.º da LCCT (regime jurídico aprovado pelo DL n.º 64- A/89, de 27/2), ocorrendo justa causa, o trabalhador pode fazer cessar imediatamente o contrato de trabalho. A rescisão deve ser feita por escrito, com indicação sucinta dos factos que a justificam e para justificar

judicialmente a rescisão apenas são atendíveis os factos indicados na comunicação.

Como resulta do n.º 4 do art. 35.º da LCCT, os comportamentos culposos da entidade empregadora susceptíveis de constituírem justa causa de rescisão por iniciativa do trabalhador devem ser apreciados pelo tribunal nos termos do n.º 5 do art. 12.º, com as necessárias adaptações, isto é, o tribunal deve atender, no quadro da gestão da empresa, ao grau de lesão dos interesses do trabalhador, ao carácter das relações entre as partes ou entre o trabalhador e seus companheiros e às demais circunstâncias que, no caso, se mostrem relevantes. Dito de outro modo, nos casos de rescisão do contrato por

iniciativa do trabalhador a justa causa deve ser apreciada segundo o mesmo critério que é apreciada nos casos de despedimento. Isto é, não basta que o comportamento culposo da entidade empregadora preencha objectivamente qualquer das hipótese elencadas no art. 35.º da LCCT, é necessário, ainda, que esse comportamento culposo tenha tornado imediata e praticamente

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impossível a subsistência da relação de trabalho.

Perante a matéria de facto provada, o Mmo Juiz concluiu pela inexistência de justa causa. O recorrente discorda. Vejamos se tem razão.

Para resolver a questão, temos de começar por chamar à colação os factos que foram invocados pelo recorrente na carta em que formalizou a rescisão do contrato (fls. 5 a 8 dos autos).

Naquela carta, o recorrente diz que foi tratado com «enorme desprezo», quando, em 6.6.2001, regressou de uma situação de baixa prolongada por ter sido operado ao coração, como era do conhecimento da recorrida.

Que foi colocado a trabalhar num armazém e que, cerca de oito dias depois, foi chamado à direcção da empresa, onde lhe disseram que não precisavam mais dos seus serviços e que o melhor era despedir-se, pois a sua presença era indesejável e nunca mais seria aumentado, tendo sido ameaçado de que a vida lhe ia correr mal se não o fizesse.

Que nas duas semanas seguintes não lhe atribuíram qualquer tarefa, tendo-lhe sido ordenado que permanecesse em pé junto da máquina mandriladora (o seu posto de trabalho) que se encontrava avariada há cerca de dois anos, ficando sujeito ao escárnio dos empregadores e de alguns trabalhadores, criando-lhe uma pressão psicológica e emocional que a empresa sabia não estar em condições de suportar, dada a fragilidade do seu estado de saúde.

Que a enorme e permanente violência física e psicológica culminou na manhã do dia 21 de Junho, com uma discussão com o Sr. C... que lhe causou um colapso, em consequência do qual foi internado durante dois dias no Hospital ..., em ..., depois de, no local, ter sido assistido de urgência pelo INEM.

Que a empresa, apesar de saber que tais comportamentos punham em causa a sua saúde e mesmo a vida, não se absteve de continuar com as mesmas

práticas, «sem qualquer consideração pela minha pessoa como trabalhador e ser humano», pondo em causa novamente a sua própria vida, o que veio a acontecer em 19 de Julho de 2001, onde só a pronta intervenção do INEM permitiu evitar mais uma vez o seu perecimento.

Que, como se tal não bastasse e apesar de várias diligências efectuadas para a situação fosse resolvida da melhor forma para ambas as partes, no regresso á empresa, em 31.7.2001, foi interpelado pelo Eng.º Fernando o qual lhe

ordenou que fosse trabalhar para uma fresadora, referindo que esse era o seu novo posto de trabalho e advertindo que se não o fizesse em condições me seria instaurado um processo disciplinar.

Que advertiu, então, o Eng.º Fernando dizendo-lhe que, ao longo dos 31 anos

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de trabalho, na empresa nunca tinha exercido aquelas funções e que, perante essa advertência, o Eng.º Fernando conduziu-o aos escritórios, tendo iniciado imediatamente a redacção de um processo disciplinar, o que demonstra que a intenção de vexar a sua pessoa.

Como resulta da matéria de facto provada, o recorrente não conseguiu provar todos os factos que referiu na carta de rescisão do contrato, mas, em nossa opinião, logrou provar os suficientes para concluirmos pela verificação da justa causa. Vejamos porquê.

Com interesse para esta questão ficou provado:

- que o recorrente foi admitido ao serviço da recorrida em 5.7.71 e que exercia as funções de mandrilador mecânico;

- que entrou de baixa por doença do foro cardíaco em Julho/98, tendo

regressado ao trabalho em 6 de Junho de 2001, depois de ter sido operado ao coração;

- que a recorrida, posta ao corrente do seu estado de saúde, colocou-o a

trabalhar num armazém, exercendo funções que era do seu (dele) agrado, mas que oito dias depois foi retirado do armazém e colocado três dias sem nada fazer;

- que depois foi colocado de pé junto do seu posto de trabalho, cuja máquina estava avariada e não trabalhava ia para dois anos;

- que devido à pressão física e psicológica a que estava sujeito, no dia 21 de Junho de 2001, teve uma discussão com o Sr. C... que culminou num colapso que determinou a sua assistência de urgência no local de trabalho pelo INEM e subsequente internamento pelo período de dois dias no Hospital ..., em ...;

- que quando regressou ao trabalho (o que segundo o recorrente ocorreu em 1 de Julho – vide alegações, fls. 131), o recorrente continuou na mesma situação, ou seja, junto da máquina avariada e no dia 19 de Julho o seu estado de saúde agravou-se novamente e foi necessária outra intervenção do INEM.

Regressado ao trabalho em 31 de Julho, foi interpelado pelo Eng.º Fernando que o mandou trabalhar para uma fresadora, dizendo-lhe que esse passaria a ser o seu trabalho daí em diante e que se não fosse bem feito daria origem a processo disciplinar;

- que, perante essa interpelação, o recorrente disse que nunca tinha exercido as funções de fresador e que não tinha conhecimentos técnicos para tal e que de seguida foi conduzido aos escritórios, dando a recorrida início ao processo disciplinar contra ele;

- que o recorrente, depois de ter sido operado, ficou impossibilitado para o exercício das funções que exercia e que por iniciativa da recorrida foi

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observado por dois médicos dos serviços de medicina do trabalho, que o consideraram apto para o exercício da profissão de Mandrilador, devendo, no entanto, evitar actividades repetitivas com pesos superiores a 15 Kg e a mobilização permanente de cargas;

- que as duas máquinas mandriladoras existentes na empresa estavam

avariadas, que estava livre uma fresadora e que esta máquina é semelhante à mandriladora, existindo similitude entre o trabalho prestado numa e noutra máquina;

- que o trabalho na fresadora é mais leve e que o interesse da empresa impunha que o recorrente fosse trabalhar para a fresadora.

Nos termos do art. 19.º, a), da LCT, a entidade patronal deve «tratar e

respeitar o trabalhador como seu colaborador.» Como resulta da matéria de facto provada, a recorrida violou gravemente aquele dever, ao ter colocado o recorrente, de pé, sem nada fazer, junto de uma máquina avariada há cerca de dois anos, durante cerca de 24 dias (e mais teriam sido se o recorrente não tem estado de baixa de 21 a 30 de Junho e de 19 a 31 de Julho). Trata-se de uma atitude absolutamente incompreensível e inexplicável que não abona a personalidade e o carácter do seu autor. Trata-se de uma atitude irracional em termos de gestão e profundamente vexatória em termos humanos. Custa a acreditar que numa sociedade civilizada como a nossa haja empregadores que tratem os seus trabalhadores daquela maneira. A ofensa à dignidade do

recorrente foi tão grosseira que dispensa comentários, por ser por demasiado evidente que o contrato foi rescindido com justa causa, o que significa que o recorrente tem direito à indemnização prevista da no n.º 3 do art. 13.º da LCCT, por força do disposto no art. 36.º da mesma lei, indemnização essa que, considerando a retribuição que por ele era auferida (112.000$00=558,65 euros) e a sua antiguidade na empresa, esta contada até à data da sentença (26.4.2002), atinge o montante de 17.318,15 euros (558.65 x 31 anos).

3.2 Dos danos não patrimoniais

Relativamente aos danos não patrimoniais, a sentença recorrida não merece reparo. Competia ao recorrente alegar e provar a existência desses danos e essa prova não foi feita. Em boa verdade, o autor nem sequer alegou factos nesse sentido. Provou-se, é certo, que o recorrente, em consequência da

pressão física e psicológica a que estava sujeito, teve uma discussão com o Sr.

C... que culminou num colapso, a exigir a intervenção urgente do INEM, seguida do seu internamento hospitalar por dois dias. Mas isso não constitui em si mesmo um dano não patrimonial. O recorrente alega que referida

pressão e o referido colapso são fonte de dor, mas nada se provou e a dor não

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se presume. Idem no que diz respeito ao vexame que diz ter sofrido.

4. Decisão

Nos termos expostos, decide julgar parcialmente procedente o recurso e

condenar a recorrida a pagar ao recorrente a importância de 17.318,15 euros, a que acresce a quantia a que foi condenada na sentença.

Custas na proporção do vencido.

PORTO, 9 de Dezembro de 2002

Manuel Joaquim Sousa Peixoto João Cipriano Silva

Adriano Marinho Pires

Referências

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